MICROBIAL CONTAMINATION IN DENTAL EQUIPMENT: RISKS AND BIOSAFETY
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202509291244
Baana Loammy Costa e Silva2
Thiago Strapazzolli3
Talony Oliveira Alencar4
Pamella Duarte de Holanda Fonseca5
Dino Lopes de Almeida6
Resumo: A contaminação microbiana em equipamentos odontológicos representa um dos principais riscos de infecção cruzada durante atendimentos clínicos, sobretudo em clínicas-escola, onde há grande circulação de pacientes, profissionais e acadêmicos. Superfícies de contato frequente, como os cabos de refletores, apresentam alto potencial de acúmulo de microrganismos, tornando-se reservatórios para bactérias e fungos. Neste contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar a eficácia do uso de barreiras físicas (rolopack) na prevenção da contaminação microbiana em cabos de refletores odontológicos. Trata-se de uma pesquisa experimental, quantitativa, realizada na clínicaescola do Centro Universitário São Lucas, em Porto Velho – RO. Foram selecionadas 10 cadeiras odontológicas, nas quais se realizaram coletas microbiológicas em dois momentos: antes da colocação do rolopack, após higienização convencional com álcool 70%, e após os atendimentos clínicos, no momento da retirada da barreira. As amostras foram coletadas com swabs estéreis, acondicionadas em meio de transporte e submetidas a cultivo em laboratório de microbiologia, com incubação em ágar nutriente. Os resultados evidenciaram crescimento microbiano em 10% das amostras do grupo apenas com álcool e em 20% das amostras protegidas pelo rolopack, indicando que, embora a barreira física não tenha impedido completamente a contaminação, apresentou desempenho relevante como recurso complementar. Conclui-se que a associação de métodos químicos e físicos pode potencializar a biossegurança em clínicas odontológicas, reduzindo riscos de infecção cruzada e fortalecendo práticas preventivas no ambiente acadêmico.
Palavras-chave: Contaminação de Equipamentos. Controle de Infecções Dentárias. Microbiologia. Desinfecção. Técnicas Microbiológicas.
Abstract: Microbial contamination in dental equipment represents one of the main risks of crossinfection during clinical appointments, especially in school clinics, where there is a high circulation of patients, professionals, and students. Frequently contacted surfaces, such as the handles of reflectors, have a high potential for the accumulation of microorganisms, becoming reservoirs for bacteria and fungi. In this context, the present study aimed to evaluate the effectiveness of using physical barriers (rolopack) in preventing microbial contamination on dental reflector handles. This is an experimental, quantitative research conducted at the São Lucas University Center’s school clinic in Porto Velho – RO. Ten dental chairs were selected, on which microbiological samples were collected at two moments: before placing the rolopack, after conventional cleaning with 70% alcohol, and after the clinical appointments, at the time of removing the barrier. The Samples were collected with sterile swabs, stored in transport media, and subjected to laboratory microbiology culture, with incubation on nutrient agar. The results showed microbial growth in 10% of samples from the group treated only with alcohol and in 20% of samples protected by rolopack, indicating that although the physical barrier did not completely prevent contamination, it performed significantly as a complementary resource. It is concluded that the association of chemical and physical methods can enhance biosafety in dental clinics, reducing the risks of cross-contamination and strengthening preventive practices in the academic environment.
Keyword: Equipment Contamination; Dental Infection Control; Microbiology; Disinfection; Microbiological Techniques.
1 INTRODUÇÃO
A biossegurança pode ser compreendida como um conjunto de práticas e medidas destinadas a prevenir, reduzir ou eliminar os riscos associados às atividades realizadas em ambientes clínicos, com o objetivo de proteger a saúde humana, animal e ambiental, além de garantir a qualidade dos procedimentos realizados (WANDEMBRUCK, 2020).
Os microrganismos estão presentes em praticamente todos os ambientes, com maior predominância em espaços clínicos e hospitalares. Quando patogênicos, esses microrganismos podem causar infecções cruzadas, tanto diretas (entre paciente, profissional e auxiliar) quanto indiretas (entre pacientes), por meio de superfícies contaminadas e outros meios de transmissão (NEVES, 2018; TORTORA, 2012).
A interação direta com fluidos orais, secreções respiratórias, sangue e aerossóis durante os atendimentos odontológicos aumenta significativamente o risco de transmissão dessas infecções (DÍAZ et al., 2014; MENG et al., 2020). Durante os procedimentos, a geração de respingos e aerossóis contendo partículas contaminadas eleva ainda mais esse risco, sendo o aerossol um importante veículo para a disseminação de vírus e bactérias no consultório (SUN et al., 2018; VOLGENANT; DE SOET, 2018). As doenças mais frequentemente associadas à infecção cruzada no ambiente odontológico incluem hepatites B e C, herpes, gripe, HIV, pneumonias bacterianas e candidíase, especialmente em pacientes imunossuprimidos (ADHIKARI et al., 2017; RODRIGUES et al., 2019).
No final de 2019, uma nova enfermidade provocada por um tipo emergente de vírus surgiu na China (MENG et al., 2020). A doença, conhecida como COVID-19 (coronavirus disease), é causada pelo vírus SARS-CoV-2 (ZHENG, 2020). Em março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a COVID-19 como uma pandemia, o que gerou repercussões globais e alterou drasticamente a dinâmica da saúde pública (WHO, 2020). Desde então, o número de infecções e óbitos tem aumentado continuamente (WHO, 2021). Para mitigar a propagação do vírus, foram adotadas medidas como distanciamento social e autoisolamento, com impactos significativos nos setores econômico (NICOLA et al., 2020), de saúde (DIAS et al., 2020) e educacional (ONYEMA et al., 2020).
No campo da Odontologia, devido às especificidades da profissão, foi necessário modificar as estratégias preventivas e terapêuticas. Nesse sentido, as orientações de biossegurança emitidas pelo Ministério da Educação (BRASIL, 2020), pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO, 2020) e pela Associação Brasileira de Ensino Odontológico (ABENO, 2020) foram revistas com o objetivo de ajustar as práticas de trabalho e ensino à nova realidade sanitária.
Diante desse contexto, torna-se essencial avaliar o nível de contaminação cruzada nos consultórios odontológicos, especialmente considerando o uso frequente de equipamentos odontológicos. A crescente preocupação com a biossegurança levou à adoção de critérios mais rigorosos para a higienização de ambientes e instrumentos clínicos, incluindo o controle da qualidade da água utilizada (KUHN et al., 2018; BRACHER et al., 2019).
Além disso, é imprescindível que os cirurgiões-dentistas implementem métodos eficazes de esterilização e desinfecção, bem como realizem análises periódicas da água utilizada nos equipamentos, com o intuito de reduzir a proliferação de microrganismos e minimizar o risco de doenças infecciosas em ambientes clínicos (FEITOSA et al., 2023; UMAR et al., 2015).
A limpeza nos consultórios também deve ser rigorosamente controlada, abrangendo desde superfícies e bancadas até a higiene pessoal dos profissionais, com o uso de desinfetantes adequados, especialmente em áreas de grande contato, como bandejas, seringas tríplices, refletores, mochos e apoios das cadeiras (PAIVA et al., 2014; ASCARI et al., 2012; BRASIL, 2006). Medidas como a limitação do número de equipos simultâneos por atendimento, o uso de barreiras descartáveis em superfícies de contato e a desinfecção periódica com soluções à base de cloro ou álcool a 70% são fundamentais para garantir a manutenção de um ambiente seguro (LO GIUDICE, 2020; IZZETTI et al., 2020; COELHO, 2020).
O objetivo deste estudo é avaliar a eficácia do uso da barreira física (rolopack) na prevenção da contaminação microbiana em cabos de refletores das cadeiras odontológicas. Para isso, serão realizadas coletas microbiológicas antes e após os atendimentos clínicos na clínica-escola do Centro Universitário São Lucas, em Porto Velho – RO, a fim de identificar e comparar a presença de microrganismos. Dessa forma, pretende-se verificar se o rolopack é capaz de evitar ou reduzir a contaminação dessas superfícies, contribuindo para o reforço das práticas de biossegurança em clínicas-escola e para a segurança de pacientes, estudantes e profissionais da Odontologia.
2 REVISÃO DE LITERATURA
A desinfecção adequada dos equipamentos odontológicos é essencial para o controle das infecções cruzadas. Entidades como a Anvisa e a OMS destacam a importância do tempo de contato dos desinfetantes, da compatibilidade com os materiais e da frequência de aplicação (BRASIL, 2006; OMS, 2020).
Instrumentos sensíveis, como canetas de alta rotação e seringas tríplices, exigem cuidados específicos devido à sua estrutura complexa e uso frequente (QUEIROZ et al., 2024). Esses itens devem ser submetidos à limpeza com detergentes enzimáticos, seguida de desinfecção de alto nível ou esterilização, respeitando as limitações térmicas (MOLINA et al., 2018).
A eficácia dos protocolos está relacionada à regularidade da aplicação e à escolha de produtos adequados para cada tipo de superfície. (AMÂNCIO et al., 2020) alertam que falhas nesse processo favorecem a formação de biofilmes resistentes nos circuitos internos dos equipos.
A pandemia de COVID-19 exigiu ajustes emergenciais nos protocolos clínicos, com medidas baseadas nas orientações da Anvisa, Ministério da Saúde e OMS (PAREDES et al., 2021). A transmissão aérea do SARS-CoV-2 demandou o uso obrigatório de EPIs, como máscaras PFF2/N95, protetores faciais, aventais, toucas e luvas (SEGATO et al., 2024).
Além disso, foram adotadas mudanças no fluxo de atendimento: maior intervalo entre consultas, triagem prévia de sintomas e controle rigoroso do acesso de pacientes (PAREDES et al., 2021). Essas medidas mostraram-se eficazes na contenção da transmissão e aumentaram a segurança dos envolvidos (SEGATO et al., 2024).
2.1 Contaminação por Patógenos Específicos
A contaminação microbiológica dos equipos odontológicos vai além da formação de biofilmes. Diversas espécies patogênicas, como Pseudomonas aeruginosa, Staphylococcus aureus, Escherichia coli, Mycobacterium abscessus e Legionella pneumophila, têm sido identificadas em amostras de água desses equipamentos (APREA et al., 2010; KADAIFCILER et al., 2014; LAL et al., 2018). A transmissão desses microrganismos pode ocorrer entre pacientes e profissionais por meio do contato com superfícies contaminadas, gotículas, aerossóis e instrumentação rotatória (COLEMAN et al., 2007).
Oliveira e Fialho (2023) constataram que 28 das 30 amostras coletadas em diferentes pontos dos equipos apresentaram níveis de contaminação acima do limite de <500 UFC/mL estabelecido pela legislação brasileira. Os pontos mais críticos foram as seringas tríplices e os conectores de alta rotação, locais de maior geração de aerossóis. Mesmo entre as amostras que atendiam ao padrão legal de potabilidade, observou-se crescimento fúngico significativo, o que evidencia a necessidade de normativas específicas também para fungos (COSTA et al., 2016; KADAIFCILER et al., 2013). A ausência de coliformes e E. coli não garante a segurança microbiológica, pois microrganismos oportunistas continuam presentes (WATANABE et al., 2008).
Para a prevenção, recomenda-se a adoção de estratégias como válvulas antirrefluxo, tratamento contínuo da água e rotinas de desinfecção compatíveis com as diretrizes do CDC e da literatura especializada (BARBOT et al., 2012; SPAGNOLO et al., 2020).
2.2 Comparação entre Agentes Desinfetantes
A escolha do desinfetante ideal depende do tipo de superfície, da presença de matéria orgânica e do espectro de ação microbiológica. Os principais agentes utilizados em odontologia incluem álcool 70%, hipoclorito de sódio 5% e peróxido de hidrogênio 3% (GENZ et al., 2018).
O álcool 70% utilizando a fricção, em três etapas intercaladas pelo tempo de secagem natural, totalizando 10 minutos, são eficazes contra bactérias Grampositivas, Gram-negativas e alguns vírus, sendo amplamente utilizado em superfícies externas e planas dos equipamentos odontológicos e mãos. (LAGES et al., 2015). Entretanto, sua ação é reduzida na presença de matéria orgânica e ele é ineficaz contra esporos (ALEIXO et al., 2010).
O hipoclorito de sódio 5%, pode ser utilizado para equipamentos e superfícies, além de pisos. Com ação após 10 minutos, apresenta eficácia de até 100% contra microrganismos como Corynebacterium sp., mas é corrosivo para metais e instável em soluções diluídas (FERREIRA et al., 2016; BARBUT et al., 2009). O peróxido de hidrogênio, especialmente em concentrações de 3%, tem boa atuação sobre materiais termossensíveis, agindo em média após 30 minutos por oxidação celular (MOLINARI et al., 1987). Soluções à base de glucoprotamina, como o Incidin®, utilizado em diversos tipos de materiais de áreas de alto risco e eliminam bactérias, fungos e vírus em contato após 30 minutos (ZEITLER; RAPP, 2014).
2.3 Barreiras Físicas e Métodos Complementares
As barreiras físicas são mecanismos auxiliares de biossegurança, pois reduzem o contato direto com contaminantes em superfícies críticas. O uso de filmes protetores, como rolopack, é eficaz especialmente em áreas de difícil descontaminação, como botões, suportes e terminais de conexão (ANDRADE et al., 2018; INIZ FARIA et al., 2020).
Estudos apontam que a troca dessas barreiras entre os atendimentos reduz significativamente a carga microbiana (MAMEDE, 2022). Contudo, seu uso não substitui a desinfecção, mas a complementa, ao impedir o acúmulo de sujidades (COELHO, 2020). Além disso, minimizam a disseminação de aerossóis, conforme observado por Leggat e Kedjaruner (2001), que identificaram elevado potencial de contaminação em ambientes sem barreiras e com ventilação deficiente.
2.4 Riscos de Contaminação Cruzada
A contaminação cruzada é um dos principais riscos em clínicas odontológicas, sobretudo nas clínicas-escola, devido à alta rotatividade de alunos e atendimentos simultâneos (SILVA et al., 2024). A transmissão pode ocorrer por instrumentos, superfícies, aerossóis e pelas mãos dos profissionais (DA SILVA et al., 2019).
A exposição a fluidos orais, sangue e saliva, combinada à ausência de protocolos rigorosos de higienização, favorece a persistência de patógenos como S. aureus, E. coli e P. aeruginosa (WANDAMBRUCK, 2020; SILVA et al., 2024).
A padronização de rotinas clínicas, como limpeza imediata após os atendimentos, esterilização de instrumentais e uso de barreiras físicas, é essencial (ANDRADE et al., 2018). Treinamentos contínuos e capacitações periódicas também são fundamentais para reforçar as boas práticas de biossegurança (MOLINA et al., 2018).
Apesar dos protocolos, muitos erros ainda ocorrem em clínicas odontológicas. Entre os mais frequentes estão a reutilização de materiais descartáveis, a desinfecção incorreta de superfícies e falhas na higienização das mãos (FARIAS et al., 2022).
Segundo Teixeira et al. (2020), 25,8% dos estudantes não utilizavam luvas grossas durante a limpeza de instrumentais, e 15,1% já haviam sofrido acidentes com perfurocortantes. Tais dados indicam falhas na formação prática e na supervisão.
Esses erros expõem pacientes e profissionais a agentes altamente transmissíveis, como os vírus das hepatites, HIV e SARS-CoV-2 (FARIAS et al., 2022). A adoção de ações educativas, auditorias internas e a responsabilização institucional são estratégias fundamentais para fortalecer a cultura da biossegurança (MOLINA et al., 2018).
3 MATERIAS E MÉTODOS
Esta pesquisa experimental, de abordagem quantitativa, foi conduzida na Clínica Escola do curso de Odontologia do Centro Universitário São Lucas, localizada em Porto Velho – RO. Em razão de nenhuma coleta envolver seres humanos diretamente, o projeto encontra-se isento de submissão e aprovação por Comitê de Ética em Pesquisa (CEP).
O estudo teve como objetivo avaliar a eficácia do uso do rolopack como barreira física na prevenção da contaminação microbiológica dos cabos de refletores odontológicos. Tratou-se de um experimento laboratorial com análise microbiológica de superfícies críticas, em que as coletas foram realizadas nos cabos de refletores antes da colocação do rolopack (após a higienização inicial) e após os atendimentos clínicos, no momento da retirada da barreira protetora. Dessa forma, buscou-se verificar se o rolopack foi capaz de evitar a colonização microbiana nessas superfícies durante o uso.
As amostras foram obtidas em consultórios previamente higienizados, seguindo os protocolos institucionais de biossegurança, composta por 10 cadeiras odontológicas, nas quais foram avaliados os cabos de refletores. Em cada unidade foram realizadas duas coletas: uma antes da colocação do rolopack (superfície limpa e higienizada) e outra após os atendimentos clínicos e remoção da barreira, cada refletor forneceu duas amostras, totalizando 20 coletas.
As coletas foram realizadas por meio de swabs estéreis (ABSORVE) em meio Stuart em sentido único por 30 segundos em cada local, aplicados diretamente sobre o segmento delimitado dos cabos de refletores. As amostras foram acondicionadas em tubos com meio de transporte estéril e encaminhadas ao laboratório de microbiologia, onde foram semeadas em meio de cultura ágar nutriente e incubadas conforme os protocolos.
Foram incluídas na pesquisa apenas as superfícies previamente higienizadas de cabos de refletores em uso clínico supervisionado e 2 testes de controle negativo. Foram excluídas amostras em que houvesse falhas de higienização, problemas na aplicação ou remoção do rolopack, ou ainda contaminação durante transporte e cultivo microbiológico.
O desfecho primário consistiu na comparação da carga microbiana antes da colocação do rolopack e após a sua remoção, a fim de avaliar a efetividade da barreira protetora na prevenção da contaminação microbiana. O desfecho secundário foi fornecer subsídios para o aprimoramento dos protocolos de biossegurança em clínicas odontológicas acadêmicas, reforçando a importância do uso de barreiras físicas como medida complementar de controle de infecção.
Figura 1: teste de controle negativo

Figura 2: coleta e encubação

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Após incubação por 48 horas, observou-se crescimento microbiano em 1 amostra do grupo A (10%) conforme a figura 3 e em 2 amostras do grupo B (20%) ilustrado na figura 4.
Figura 3: Grupo A (Amostra cadeira n° 7)

Figura 4: Grupo B (Amostra das cadeiras n° 9 e 10)

Os resultados obtidos indicam que o uso combinado de álcool 70% e barreiras físicas, como o rolopack, pode reduzir significativamente a presença de microrganismos em superfícies críticas dos equipos odontológicos. No entanto, a detecção de crescimento em 10% das amostras do grupo A e em 20% do grupo B demonstra que a biossegurança não é garantida de forma absoluta.
A presença de microrganismos no grupo tratado apenas com álcool confirma limitações conhecidas desse agente, como a ineficácia contra esporos e a redução de ação na presença de matéria orgânica (ALEIXO et al., 2010; LAGES et al., 2015). Além disso, a efetividade do álcool depende do tempo de contato e da correta técnica de assepsia, o que pode justificar a positividade observada (FERREIRA et al., 2016; OLIVEIRA et al., 2019).
No grupo com rolopack, embora a maioria das amostras tenha permanecido assépticas, os casos de crescimento sugerem falhas relacionadas ao manuseio da barreira, contato indireto com superfícies contaminadas ou mesmo limitações na vedação completa do material (PAREDES et al., 2021). Esses achados reforçam a literatura, que descreve o rolopack como uma medida eficaz, mas que deve ser entendida como complementar à desinfecção química (ANDRADE et al., 2018; MAMEDE, 2022).
Outros estudos demonstraram que superfícies odontológicas, como cabos de refletores e seringas tríplices, permanecem como potenciais reservatórios de microrganismos mesmo após procedimentos de limpeza (COSTA et al., 2016; MENDES et al., 2021). Isso corrobora a importância da associação entre diferentes métodos de controle, evitando a dependência exclusiva de um único recurso.
Do ponto de vista da biossegurança em clínicas-escola, o uso de barreiras descartáveis apresenta vantagens adicionais: simplicidade, baixo custo e fácil aplicabilidade (LEGATT; KEDJARUNE, 2001; COELHO, 2020). Contudo, sua eficácia depende da adesão correta ao protocolo, do treinamento dos estudantes e da supervisão docente, considerando a alta rotatividade de profissionais e acadêmicos nesses ambientes (SILVA et al., 2024; TEIXEIRA et al., 2020).
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os achados deste estudo evidenciam que, embora tenha sido possível identificar crescimento microbiano nas superfícies analisadas, a associação entre a desinfecção com álcool 70% e a utilização do rolopack demonstrou eficácia na redução da carga microbiana em cabos de refletores odontológicos. Essa constatação reforça que o uso de barreiras físicas deve ser compreendido como medida complementar e não substitutiva aos protocolos convencionais de limpeza e desinfecção, contribuindo para a potencialização da biossegurança nos atendimentos clínicos.
Do ponto de vista prático, a adoção sistemática dessa associação em clínicasescola apresenta vantagens como simplicidade, baixo custo e fácil aplicabilidade, podendo ser incorporada como protocolo institucional de rotina. No entanto, é fundamental que estudantes e profissionais sejam capacitados quanto ao correto manuseio das barreiras, a fim de evitar falhas que comprometam a eficácia do método.
Entre as limitações deste trabalho, destacam-se o número restrito de amostras analisadas e a ausência de identificação específica das colônias isoladas. Estudos futuros com maior abrangência, utilizando técnicas de biologia molecular e diferentes tipos de barreiras, poderão ampliar a compreensão sobre a eficácia e a aplicabilidade dessas estratégias.
Conclui-se que a integração de métodos químicos e físicos representa uma abordagem efetiva, prática e acessível para reduzir riscos de infecção cruzada, fortalecendo as práticas de biossegurança em ambientes acadêmicos e contribuindo para a formação de profissionais mais conscientes e preparados.
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1Estudo apresentado no curso de Odontologia de graduação do Ensino Superior do Centro São Lucas como Pré-requisito para conclusão do curso
2Baana Loammy Costa e Silva, graduanda em Odontologia, pelo Centro Universitário São Lucas, 2025. E-mail: baanaloammymota5@gmail.com;
3Thiago Strapazzolli, graduando em Odontologia, pelo Centro Universitário São Lucas, 2025. E-mail: strapazzollit@gmail.com;
4Talony Oliveira Alencar, graduando em Odontologia, pelo Centro Universitário São Lucas, 2025. E-mail: oliveiraalencartalony@gmail.com;
5Pamella Duarte de Holanda Fonseca, graduanda em Odontologia, pelo Centro Universitário São Lucas, 2025. E-mail: pamelladuarte06@gmail.com;
6Dino Lopes de Almeida, orientador e professor adjunto do curso de Odontologia do Afya Centro Universitário São Lucas. Doutor em Ciências Odontológicas, área de concentração Saúde Bucal da Criança (FOA/UNESP). E-mail: dino.almeida@saolucas.edu.br.
