CONDUTA CLÍNICA DO ODONTOPEDIATRA FRENTE À AVULSÃO DENTÁRIA  

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202511102209


   Ana Luiza Oliveira Albuquerque
Gabriela Correia Mendes
Prisciane Freitas Azevedo


RESUMO 

A avulsão dentária é caracterizada pelo deslocamento completo do dente de seu alvéolo, representa uma das lesões traumáticas mais severas na prática odontológica. Sua incidência é predominante em crianças em idade escolar, especialmente no sexo masculino, sendo os incisivos superiores os mais comumente afetados por quedas, impactos e acidentes esportivos. Condições anatômicas, como a mordida aberta anterior, aumentam consideravelmente o risco desse tipo de trauma, o qual pode causar danos significativos aos tecidos pulpares e periodontais. Nesse contexto, a intervenção imediata e o manejo clínico adequado são decisivos para o sucesso do reimplante e a manutenção do elemento dental a longo prazo, exigindo do cirurgião-dentista conhecimento sólido sobre os protocolos estabelecidos. Este trabalho tem como objetivo realizar uma revisão da literatura, abordando as causas, a epidemiologia e as condutas terapêuticas baseadas em evidências científicas, com destaque para as orientações relativas ao armazenamento e transporte do dente avulsionado, bem como aos protocolos de tratamento e ao acompanhamento clínico prolongado. 

Palavras chaves: Avulsão Dentária, Reimplante Dentário, Trauma Dental  

ABSTRACT 

Dental avulsion, characterized by the complete displacement of a tooth from its socket, represents one of the most severe traumatic injuries in dental practice. Its incidence is predominant in school-aged children, especially males, with the upper incisors being the most commonly affected teeth due to falls, impacts, and sports accidents. Anatomical conditions, such as an anterior open bite, significantly increase the risk of this type of trauma, which can cause substantial damage to the pulp and periodontal tissues. In this context, immediate intervention and proper clinical management are crucial for the success of replantation and the long-term preservation of the tooth, requiring the dental surgeon to have a solid knowledge of established protocols. This study aims to conduct a literature review, addressing the causes, epidemiology, and evidence-based therapeutic approaches, with an emphasis on guidelines concerning the storage and transport of the avulsed tooth, as well as treatment protocols and long-term clinical follow-up. 

Keywords: Tooth avulsion; Designed reimplantation; Dental trauma 

1. INTRODUÇÃO 

O traumatismo dental é frequente na infância e adolescência, período que a prática de atividades esportivas e recreativas são constantes, aumentando o risco de acidentes, consequentemente, comprometendo à integridade física. A avulsão dental ocorre quando o dente é completamente deslocado de seu alvéolo decorrente de um trauma. Esse cenário causa apreensão nos pais e, principalmente quando o dente em questão é permanente. Estima-se que as avulsões traumáticas correspondam a cerca de 13% das lesões nos dentes decíduos e 16% nos dentes permanentes.

Esse trauma ocorre com maior frequência entre os 7 e 11 anos de idade¹ A prevalência de traumas dentários é maior na primeira infância, embora possam ocorrer em qualquer idade. Esses traumas geralmente resultam de quedas ou até de agressões infantis. Eles acontecem com mais frequência em ambientes domiciliares, mas também são comuns nas escolas. Os meninos tendem a ser mais acometidos, provavelmente devido à maior exposição a situações de risco do que as meninas² 

Dentre todos os dentes, os incisivos centrais superiores permanentes são os mais acometidos.3 Esse trauma é classificado como uma emergência e requer cuidados imediatos, mas a condição emocional do paciente e seus responsáveis podem dificultar esse primeiro atendimento pós trauma, por esse motivo é importante que o profissional transmita segurança, calma e seriedade frente a situação, além de dominar os conhecimentos técnicos eficiente para um prognostico favorável.

A conduta clínica frente à avulsão dentária varia entre dentes decíduos e permanentes. Nos dentes decíduos, o reimplante é não é indicado devido ao prognóstico desfavorável, como necrose pulpar e ao risco de causar danos ao germe do dente permanente sucessor. Por outro lado, nos dentes permanentes, o reimplante é geralmente a primeira opção, desde que seja considerado fatores como o tempo em que o dente permaneceu fora do alvéolo, o meio de armazenamento utilizado e o estágio de desenvolvimento radicular. Os exames radiográficos são fundamentais pós o trauma, pois através dele o profissional vai diagnosticar e seguir um plano de tratamento eficaz. Além dessas medidas, deve-se seguir protocolos após o reimplante, como a terapia medicamentosa, utilizando analgésicos, anti-inflamatórios e antibióticos, caso necessário.

A responsabilidade da família com o acompanhamento odontológico é fundamental na recuperação após um trauma dentário. É importante orientar os pais e responsáveis sobre como proteger o dente afetado, evitando novos danos e mantendo uma boa higiene bucal.6 

Torna-se essencial investir em ações educativas tanto para a população em geral quanto para os profissionais da saúde. Levar informação de forma clara e acessível ajuda a garantir um atendimento mais rápido e eficaz em casos de avulsão dentária.

Aspecto de grande importância é o acompanhamento ao longo prazo, já que as sequelas do trauma podem se manifestar posteriormente, com meses ou anos após o ocorrido. Portanto, as consultas regulares de revisões odontológicas são indispensáveis para garantir o monitoramento e a intervenção oportuna, priorizando a saúde e o bem-estar do paciente.

Portanto, esse trabalho tem como objetivo realizar uma revisão de literatura sobre a conduta clínica da odontopediatra frente à avulsão dentária, abordando as diferenças no manejo entre a dentição decídua e permanente, detalhando o protocolo de atendimento imediato e de acompanhamento pós-reimplante.

2. REVISÃO DE LITERATURA 
2.1 Avulsão Dentária: Prevalência e Características  

A avulsão dentária é uma das lesões traumáticas mais severas que acometem a dentição, caracterizando-se quando há um deslocamento completo de seu alvéolo, com rompimento do ligamento periodontal e consequente perda de inserção. Essa condição representa um desafio clínico significativo, devido à interrupção repentina das estruturas de suporte e à necessidade de intervenção imediata para preservar a viabilidade do dente. Trata-se de um evento relativamente comum na infância e adolescência, período em que os incisivos centrais superiores estão mais expostos a impactos diretos, aumentando a vulnerabilidade a esse tipo de trauma 8. As causas mais recorrentes da avulsão incluem quedas simples ou moderadas, acidentes durante atividades esportivas, brincadeiras informais e uso de bicicleta, sendo essas situações responsáveis por uma parte substancial dos casos registrados em diferentes contextos populacionais 9,8.  

De acordo com a literatura foi identificado que a mordida aberta anterior, a mordida cruzada e traumas prévios aumentam de forma significativa o risco de avulsão em incisivos primários, demonstrando que características dento faciais e histórico de trauma podem influenciar diretamente a suscetibilidade dos indivíduos. A idade constitui outro elemento determinante, uma vez que crianças entre 7 e 12 anos apresentam maior incidência devido à imaturidade do ligamento periodontal e à menor densidade óssea alveolar, o que facilita a ocorrência da avulsão dentária em situações de impacto 8

Nesse sentido, observa-se que a avulsão é um fenômeno multifatorial, resultante não apenas de eventos traumáticos imediatos, mas também de condições anatômicas, comportamentais e socioambientais que, somadas, contribuem para sua elevada prevalência na população pediátrica. Portanto, compreender os fatores causais e predisponentes da avulsão dentária é fundamental para o desenvolvimento de estratégias preventivas e para a adoção de condutas clínicas mais eficazes no manejo desse tipo de trauma.

O elemento permanente, caracterizado por um ápice radicular ainda em desenvolvimento, apresenta diferenças histológicas marcantes em relação ao elemento permanente maduro, influenciando diretamente sua resposta a traumas e estratégias terapêuticas, especialmente em casos de avulsão ou necrose pulpar. A polpa de dentes imaturos possui maior celularidade e vascularização, incluindo elevada densidade de vasos sanguíneos e intensa atividade de células-tronco mesenquimais apicais, que promovem crescimento radicular e reparo tecidual eficaz10

Essas células apresentam capacidade proliferativa e diferenciativa superior, permitindo deposição de dentina reparadora e potencial de apexogênese quando o ápice ainda está aberto. Em contraste, dentes maduros apresentam ápice fechado, menor vascularização e densidade celular reduzida, associadas a maior proporção de matriz colágena madura e deposição de dentina secundária, o que limita a capacidade de regeneração pulpar e aumenta a necessidade de terapias endodônticas convencionais 11

A presença da papila apical na dentição decídua, juntamente com a alta expressão de fatores de crescimento angiogênicos, confere um ambiente altamente favorável à revascularização e à formação contínua de dentina, características progressivamente perdidas com a maturação dentária10. Essas diferenças histológicas explicam a maior resistência de elementos imaturos a traumas e fundamentam a escolha de terapias conservadoras e regenerativas, como pulpotomia parcial, apexogênese ou reimplante imediato, que apresentam maior probabilidade de sucesso em elemento com desenvolvimento radicular incompleto, enquanto dentes maduros frequentemente exigem procedimentos mais invasivos com prognóstico funcional limitado11

2.2 Importância e Preservação do Ligamento Periodontal 

O ligamento periodontal é uma estrutura complexa composta por fibras de colágeno, células fibroblásticas, vasos sanguíneos e fibras nervosas que conectam o cemento radicular ao osso alveolar, desempenhando papel fundamental na sustentação e na adaptação funcional do dente. Em situações de trauma dental, como a avulsão, o LP assume um papel central na determinação do prognóstico do elemento dentário, pois a viabilidade das células periodontais remanescentes influencia diretamente a reimplatação e a integração do dente ao alvéolo12

A preservação do LP é um fator crítico para prevenir complicações comuns após a reimplantação, como a reabsorção radicular inflamatória e a substitutiva. Estudos demonstram que dentes reimplantados com fibras periodontais viáveis apresentam maior taxa de sucesso a longo prazo, mantendo a função mastigatória e a estética, além de reduzir a necessidade de intervenções futuras.13,14 Por outro lado, a manipulação inadequada do dente, armazenamento em soluções não compatíveis ou demora excessiva para a reimplantação podem comprometer a sobrevivência das células do LP, aumentando significativamente o risco de perda dentária15

Além de sua função mecânica, o LP possui papel biológico essencial, atuando na reparação e regeneração alveolar. Ele contém células progenitoras capazes de diferenciar-se em fibroblastos, osteoblastos e cementoblastos, possibilitando a remodelação óssea e a regeneração do cemento radicular, processos indispensáveis para a integração do dente reimplantado16. Dessa forma, a conduta clínica do odontopediatra deve priorizar estratégias que mantenham a integridade do LP, incluindo técnicas suaves de manipulação, uso de soluções de armazenamento adequadas, como o leite ou soluções balanceadas específicas e reimplantação precoce13

Em síntese, o ligamento periodontal não é apenas uma estrutura de suporte; ele é a chave para o sucesso do tratamento de avulsão dentária. O entendimento aprofundado de sua anatomia, fisiologia e capacidade regenerativa permite que o profissional adote medidas preventivas e terapêuticas que maximizem a sobrevida do dente e minimizem complicações a longo prazo, reafirmando seu papel central na odontopediatria e na traumatologia dentária 15.  

2.3 Protocolos de Reimplante Dentário 

O atendimento imediato em casos de avulsão dentária é fundamental, pois orienta todas as ações, desde os primeiros socorros até a realização do reimplante, visando otimizar o prognóstico e a saúde bucal do paciente. Inicialmente, o atendimento emergencial deve ser realizado o mais rápido possível, enfatizando a estabilização do paciente e a avaliação do trauma. Em unidades de pronto atendimento, os casos de avulsão dentária são classificados como prioridade laranja, sendo considerado de caráter urgente, o atendimento deve ocorrer em até 60 minutos, dada a importância do tempo extra alveolar para o sucesso do reimplante, sendo tempo ideal até 15-30 minutos.16 

O reimplante de dentes permanentes é um tratamento que consiste em reposicionar o dente avulsionado em sua posição no alvéolo.17 Os protocolos de reimplante devem ser direcionados para promover a preservação da vitalidade do dente traumatizado, por meio de procedimentos definidos no pré e pós-tratamento da lesão. O reimplante imediato do dente permanente, é a conduta de primeira escolha, mas existem situações em que esse reimplante é contraindicado, como doença periodontal avançada, cáries extensas, condições sistêmicas desse paciente e a falta de cooperação dele.18 

A conduta mais indicada é que o reimplante seja feito no local do ocorrido, mas em casos em que essa medida não seja possível, é crucial que o dente seja conservado em um meio de armazenamento adequado, para recorrer a um reimplante tardio, com as condições apropriadas para o reposicionamento do dente no alvéolo. Diante dessa variedade de cenários clínicos envolvidos à avulsão dentária, torna-se imprescindível o domínio dos protocolos ideias para cada situação específica.18 

O primeiro passo diante de um dente avulsionado é identificar se ele é decíduo ou permanente. 19 Visto que a literatura contraindica o reimplante nos casos decíduos, uma vez que o procedimento pode causar danos ao germe dentário permanente que está em formação. A respeito da dentição permanente, o tempo extra-alveolar e o meio de armazenamento utilizado condicionam a viabilidade das células do ligamento periodontal, pois sabe-se que após o período de 30 minutos de exposição ao ambiente seco, a maioria dessas células já não se mantém viável. 20 Segundo as diretrizes da Associação Internacional de Traumatologia Dentária, os dentes avulsionados são classificados em três grupos, correspondente ao tempo extra alveolar. O primeiro grupo caracteriza-se por um reimplante feito no local do ocorrido, em até 15 minutos, esse grupo apresenta uma probabilidade viável do ligamento periodontal. O segundo grupo representa o reimplante realizado em um período menor que 60 minutos e foi armazenado no leite, saliva ou solução salina por exemplo, nesse caso, as células do ligamento periodontal podem estar viáveis, mas com algum grau de comprometimento.  Enquanto o terceiro grupo corresponde ao reimplante tardio, quando o tempo extra alveolar é superior a 60 minutos, nesse cenário, as células não são mais viáveis, mesmo que tenha sido utilizado qualquer meio de armazenamento.19 

Quando observado a longo prazo, o reimplante tardio apresenta um prognóstico desfavorável. Isso se justifica pela necrose do ligamento periodontal, que representa um papel fundamental na ligação entre dente, cemento e osso alveolar. Sem expectativas que esse tecido se regenere. Sendo assim, existe uma alta probabilidade do paciente apresentar um quadro de reabsorção radicular relacionada à anquilose por substituição. Mesmo diante dessas possibilidades de prognóstico negativo o reimplante mesmo que tardio, é quase sempre a melhor conduta, ainda que seja temporário, visto o reimplante conserva estética e função, preservando as características do osso alveolar, como a largura e altura do mesmo.19 

Um fato importante a ser destacado, é que os responsáveis devem estar cientes das possibilidades desse cenário, o reimplante é um procedimento que manterá possíveis tratamentos futuros como opção.19 Visto que alguns dentes reimplantados não apresentam um prognóstico promissor, mesmo quando conservados em meio apropriado.20 Já que existem complicações recorrentes após o tratamento de reimplante, como a anquilose por substituição e a reabsorção radicular inflamatória, que podem levar a perda do elemento dentário.21 

O exame clínico deve incluir a busca por lesões em tecidos moles, uma vez que essas lesões são comumente associadas a casos de avulsão dentária, e a conduta consiste em realizar a assepsia da região afetada, deve-se observar se há presença de fragmento dentário a ser removido, além de analisar a necessidade de fazer suturas e desbridamento. No que diz respeito a limpeza do elemento dentário, de acordo com a literatura, é fundamental irrigar o dente e o alvéolo com solução salina antes do reimplante. 22 

O reposicionamento de um dente permanente durante um reimplante deve ser realizado de forma delicada, por meio de leve pressão digital. O dente deve ser segurado somente pela coroa durante a execução do procedimento, com intuito de preservar a integridade do ligamento periodontal. Outra etapa importante após o reimplante é a verificação do posicionamento correto, através de uma radiografia periapical. 22  

A esplintagem exerce um papel crucial no protocolo de reimplante, pois a sua finalidade é a estabilização do dente avulsionado. Em consequência disso, é possível que as fibras do ligamento periodontal lesionadas cicatrizem, restabelecendo a ligação entre o alvéolo e cemento, promovendo a reintegração dessas estruturas. Além de devolver função, também promove conforto ao paciente, diante desse contexto.22 Estudos demonstram concordância em sua maioria em relação ao tipo de contenção, destacando que a mesma deve ser semi-rÍgida, pois recomenda-se que o dente reimplantado tenha uma certa mobilidade e participe de funções mastigatórias suaves, visto que isso estimula a cicatrização dos tecidos em questão.19,22,23 Esse cuidado ao escolher a contenção mais indicada, reduz consideravelmente a chance de complicações como reabsorção e anquilose. A contenção deve ser utilizada por um curto prazo que varia de 7 a 14 dias, e geralmente é utilizado o fio de nylon ou de aço inoxidável e resina composta para fixar. 24 

O paciente deve ser instruído a cerca de alguns cuidados nesse período que está utilizando a contenção, como evitar esporte de contato, otimizar a higiene bucal com o uso de escova macia associado ao bochecho com clorexidina, a fim de impedir o acúmulo de placa bacteriana e detrito na região lesionada, além de aderir a uma dieta de consistência leve por duas semanas22 

 2.4 Terapia Medicamentosa 

A terapia medicamentosa com antibióticos é recomendada na maioria dos casos de reimplante por avulsão dentária. 19 O antibiótico é um potente aliado, visto que o ligamento periodontal comumente é contaminado por bactérias provenientes da cavidade oral, do meio onde o dente foi armazenado ou do ambiente no momento da avulsão. Sendo assim, esse medicamento vai prevenir infecções e diminuir a possibilidades de reabsorções radiculares. 19,22 É relevante ressaltar que o estado médico desse paciente ou lesões coexistente podem justificar também o uso do antibiótico.22 

A tetraciclina mostrou alta eficiência no que se refere a controle de contaminação e reparo tecidual, consequentemente, diminuindo as chances de evolução para uma reabsorção radicular.23 No entanto, esse medicamento não deve ser prescrito para menores de 12 anos e ele possui o risco de descoloração dos dentes permanentes, dado isso, deve-se considerar essa informação antes de administração desse antibiótico.19,23 

Portanto, os antibióticos de primeira escolha continuam sendo a amoxicilina e a Penicilina, sendo considerados antibióticos seguros para crianças menores de 12 anos, além de apresentar baixa frequência de efeitos adversos e a sua ação eficiente sobre a microbiota oral. 19 Em caso de crianças alérgica a essa opção, a Clindamicina é indicada. 22  Além do antibiótico, recomenda-se a prescrição de anti-inflamatório e analgésico conforme a necessidade do paciente. 23 É necessário analisar a questão da imunização contra tétano, pois no cenário de uma avulsão, geralmente o dente avulsionado pode ter sido contaminado com o solo. Portanto, o indicado é encaminhar esse paciente ao médico para verificar se uma dose de reforço se faz necessário.19, 22   

2.5 Tratamento Endodôntico Pós-Reimplante 

No que diz respeito ao tratamento endodôntico, é fundamental avaliar o estágio de desenvolvimento do dente avulsionado, em casos de rizogênese completa, o tratamento endodôntico deve ser iniciado dentro de um prazo que varia entre 7 a 10 dias após o reimplante dentário. 22 O hidróxido de cálcio é comumente utilizado como medicação intracanal, visto que esse medicamento é considerado um agente antibacteriado eficaz, capaz de criar um ambiente alcalino que bloqueia a ação das células responsáveis pela reabsorção. É recomendado que se utilize esse medicamento intracanal por um período de 1 mês, logo em seguida deve-se finalizar com a obturação do canal radicular. Outra opção de medicamento intracanal é o agregado de trióxido mineral (MTA), que apresenta semelhanças quando comparado ao hidróxido de cálcio, possuindo efeito antimicrobiano, além de estimular a formação óssea.25 

Na rizogênese incompleta, o tratamento endodôntico não é indicado imediatamente, pois espera-se que ocorra uma revascularização espontânea da polpa. Por isso, recomendamos aguardar e realizar o acompanhamento clínico e radiográfico do caso, já que há risco de reabsorção radicular inflamatória e necrose pulpar. Desta forma, o tratamento endodôntico só deve ser realizado caso a revascularização pulpar não seja eficaz. 24 

 2.6 Complicações Pós-Avulsão 

O acompanhamento a longo prazo é fundamental para a manutenção desse elemento dentário e para detectar de forma precoce possíveis complicações associada ao reimplante.22 Portanto, é recomendado o monitoramento clínico e radiográfico de forma constante, quando se remove a contenção, deve ser feito o acompanhamento após duas semanas, depois pode ser feita consultas mais intervaladas, com quatro semanas, três meses, seis meses e um ano após o ocorrido. Após esse protocolo, as consultas devem ser anuais, respeitando um prazo mínimo de cinco anos. 19,22 Convém ressaltar que dentes com rizogênese incompleta, em que se espera a revascularização pulpar, é recomendado o monitoramento clínico e radiográfico mais rigoroso, pois há mais risco de reabsorções de origem inflamatória.19  

Conforme citado anteriormente, uma das complicações mais observadas associada ao reimplante, é a reabsorção radicular externa, com uma prevalência que varia entre 13% e 94% na sua forma mais frequente, como a reabsorção radicular externa inflamatória e a reabsorção por substituição. 26 O diagnóstico é confirmado por exames radiográficos, sendo assim, na reabsorção por substituição é possível observar a mudança da estrutura radicular por tecido ósseo, com a característica marcante da ausência do espaço do ligamento periodontal na região da reabsorção. Em oposição, na reabsorção inflamatória nota-se uma região radiolúcida em formato de tigela, seguida de redução óssea adjacente.27  

A conduta diante dessas complicações é distinta, visto que não há tratamento para reabsorção de substituição, sendo considerada uma condição irreversível e o protocolo de tratamento deve incluir a expectativa de extração do dente no futuro planejamento de reabilitação desse espaço perdido com um implante, por exemplo. 22 Enquanto a reabsorção inflamatória é considerada reversível, se for eliminado o foco de infecção que está causando o quadro. O tratamento consiste geralmente no tratamento endodôntico quando confirmada a necrose pulpar, com aplicação de hidróxido de cálcio. 28 Dessa forma, o diagnóstico precoce, associado a identificação da reabsorção, bem como a determinação de sua localização, são necessários para um planejamento terapêutico preciso e, por consequência, otimizando o prognóstico do elemento avulsionado.26 

3. DISCUSSÃO 

A avulsão dentária é considerada uma das lesões traumáticas mais graves do complexo dentoalveolar, pois envolve o deslocamento completo do dente de seu alvéolo, resultando na interrupção do suprimento neurovascular e do ligamento periodontal. Sua ocorrência é frequente em pacientes do sexo masculino, com os incisivos superiores sendo os elementos dentários mais comumente afetados.19,29  

O atendimento inicial exige uma avaliação clínica e radiográfica minuciosa para determinar a viabilidade do reimplante imediato, conduta que oferece o melhor prognóstico pela possibilidade de revascularização pulpar e reintegração periodontal. Caso não seja possível, a seleção de um meio de transporte adequado torna-se crucial para manter a viabilidade das células do ligamento periodontal até o reimplante ser realizado.19 

O reimplante é considerado o tratamento de primeira escolha para avulsão na dentição permanente. Em contrapartida, na dentição decídua, o procedimento é contraindicado pela literatura, uma vez que apresenta riscos de danos ao germe do dente permanente sucessor. Dessa forma, a conduta clínica nos dentes decíduos tem como foco a preservação do espaço alveolar, eventualmente com o uso de mantenedores de espaço, assegurando a erupção adequada do dente permanente. A adoção dessa medida conservadora leva em consideração, principalmente, o estágio de desenvolvimento radicular do sucessor permanente.22 

O tempo extra alveolar é considerado um dos fatores de maior relevância para um prognóstico favorável em casos de avulsão. Estudos comprovam que após 30 minutos da avulsão dentária, em ambiente seco a viabilidade das células do ligamento periodontal é drasticamente comprometida. Quando esse tempo é excedido aumenta consideravelmente a taxa de insucesso, decorrendo de necrose do ligamento periodontal.17,20 

Diversos meios de armazenamento são mencionados na literatura, com destaque para a solução balanceada de Hanks (HBSS). Esse meio se mostra eficaz, por apresentar um PH e osmolaridade ideais, critérios esses que são determinantes para manter a viabilidade das fibras do ligamento periodontal de forma prolongada. No entanto, sua aplicação é limitada pela baixa acessibilidade para a população em geral. Diante disso, o leite surge como a alternativa eficiente, principalmente devido à sua ampla disponibilidade, compatibilidade osmolar e de pH com as células vitais, e baixa carga bacteriana.29 

Apesar de também serem apontadas como meios de armazenamento, a saliva e a água são consideradas desfavoráveis, pois apresentam baixa viabilidade celular e elevado risco de contaminação cruzada. Essas condições aumentam consideravelmente a probabilidade de falhas no reimplante dentário. Assim, seu uso deve ser considerado apenas em situações extremas, com o objetivo de evitar que o dente avulsionado permaneça em ambiente seco.22  

Alguns autores também citam a água de coco e a própolis como meios de armazenamento viáveis. A própolis, um produto natural, combina atividade antiinflamatória com a capacidade de preservar a viabilidade celular do ligamento periodontal. A água de coco, por sua vez, destaca-se pela facilidade de acesso e por igualmente favorecer a manutenção da viabilidade dessas células. Apesar dessas vantagens, ambos os meios são considerados alternativas menos utilizadas na prática, especialmente quando comparados aos métodos previamente citados19,22,29 

O tratamento endodôntico pós-avulsão é determinado pelo estágio de desenvolvimento radicular. Enquanto em dentes com ápice fechado ele é realizado entre 7 e 14 dias, para prevenir reabsorções  em dentes imaturos com ápice aberto prioriza-se a observação da revascularização.30,31 Em ambos os casos, o acompanhamento clínico e radiográfico é fundamental para definir a conduta e intervir com o tratamento convencional se a necrose pulpar for confirmada.32,33 

O hidróxido de cálcio permanece como o agente intracanal de primeira escolha, principalmente para controle da reabsorção inflamatória em dentes com ápice fechado. 31 Em casos específicos de reabsorção ativa, pode-se iniciar com pastas combinadas de antibiótico e corticosteroide, como o Ledermix, com posterior substituição pelo hidróxido de cálcio para favorecer o reparo tecidual.34,35 

Na odontopediatria, o manejo pulpar em dentes decíduos traumatizados inclui procedimentos conservadores como pulpotomias e pulpectomias, utilizando materiais bioativos como MTA e Biodentine, que substituem agentes históricos como o formocresol. A pasta CTZ ainda é uma opção para tratamento em sessão única, embora seu uso exija cautela devido a questões de toxicidade e falta de padronização.36,3738,39 

Para dentes permanentes imaturos com necrose, as terapias regenerativas com pastas triplas antibióticas representam uma alternativa promissora à apexificação tradicional, visando a revascularização pulpar. No entanto, a consolidação dessas técnicas ainda depende de evidências de longo prazo que comprovem sua previsibilidade clínica. 33, 40 

Conforme as diretrizes da IADT, a amoxicilina é o antibiótico de escolha para crianças, enquanto a doxiciclina é recomendada para adolescentes e adultos jovens, respeitando suas contraindicações. Além disso, o controle da dor deve ser realizado com analgésicos e anti-inflamatórios conforme a necessidade clínica do paciente.30,41 

4. CONCLUSÃO 

Conclui-se que o manejo da avulsão dentária é determinado pelo tipo de dentição envolvida. Na decídua, o reimplante é contraindicado devido ao risco de danos ao germe do sucessor permanente. Na permanente, é o procedimento de primeira escolha, sendo seu prognóstico diretamente influenciado pelo tempo extraalveolar, pelo meio de armazenamento e pelo estágio de desenvolvimento radicular. O sucesso a longo prazo depende ainda da terapia endodôntica adequada e do rigoroso acompanhamento clínico e radiográfico para monitoramento de possíveis complicações. Portanto, a conduta baseada em evidências e protocolos estabelecidos é fundamental para a preservação do elemento dental. 

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