NEUROLOGICAL COMPLICATIONS OF HIV IN PEDIATRIC POPULATIONS: A GLOBAL BIBLIOMETRIC ANALYSIS (2000–2025)
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202510221635
Cláudio José Alves do Nascimento1
Jamila Silva Alves2
Lilian Najara dos Reis Rodrigues3
Laura Ribeiro Iunes4
Crys Darlen Moreira Carvalho5
RESUMO:
O presente estudo bibliométrico teve como objetivo mapear e analisar a produção científica global sobre as complicações neurológicas associadas ao HIV em populações pediátricas, no período de 2000 a 2025. Foram extraídos e integrados dados das bases Scopus, Web of Science e PubMed/MEDLINE, totalizando 1.772 registros após curadoria e remoção de duplicatas. As análises, realizadas com os softwares VOSviewer, Biblioshiny e CiteSpace, permitiram identificar tendências de crescimento, redes de colaboração e macrodomínios temáticos. Observou-se aumento progressivo da produção científica, com taxa média anual de crescimento de 6,8% e predomínio de publicações provenientes dos Estados Unidos, África do Sul, Brasil e Reino Unido. Os cinco principais eixos temáticos abrangeram neurodesenvolvimento e cognição, neuroimagem, neuroinflamação e biomarcadores, terapia antirretroviral e saúde mental. Verificou-se uma transição paradigmática de estudos descritivos para abordagens integrativas, com ênfase em neurobiologia e neuroplasticidade. As colaborações internacionais mostraram-se determinantes para o impacto científico, refletindo a consolidação do campo de neuro-HIV pediátrico como domínio interdisciplinar. Os achados reforçam a importância da vigilância neurodesenvolvimental em crianças infectadas ou expostas ao HIV e apontam para a necessidade de políticas públicas equitativas e investimentos em pesquisa translacional.
Palavras-chave: HIV; Neurologia Infantil; Neurodesenvolvimento; Neuroinflamação; Bibliometria.
ABSTRACT:
This bibliometric study aimed to map and analyze the global scientific production on neurological complications associated with HIV in pediatric populations between 2000 and 2025. Data were extracted and integrated from Scopus, Web of Science, and PubMed/MEDLINE, resulting in 1,772 records after curation and duplicate removal. Analyses using VOSviewer, Biblioshiny, and CiteSpace identified growth trends, collaboration networks, and thematic domains. A progressive increase in publications was observed, with an average annual growth rate of 6.8%, predominantly from the United States, South Africa, Brazil, and the United Kingdom. The five main research axes comprised neurodevelopment and cognition, neuroimaging, neuroinflammation and biomarkers, antiretroviral therapy, and mental health. Findings revealed a paradigm shift from descriptive reports to integrative, neurobiological approaches emphasizing neuroplasticity and translational neuroscience. International collaboration emerged as a key determinant of scientific impact, confirming pediatric neuro-HIV as a consolidated interdisciplinary field. Results highlight the importance of ongoing neurodevelopmental monitoring in HIV-infected or exposed children and the urgent need for equitable health policies and translational research investment.
Keywords: HIV; Child Neurology; Neurodevelopment; Neuroinflammation; Bibliometrics.
1 INTRODUÇÃO
O vírus da imunodeficiência humana (HIV) permanece como uma das principais ameaças infecciosas à saúde global, com implicações que transcendem o sistema imunológico e atingem profundamente o sistema nervoso central (SNC). Em crianças, cuja arquitetura cerebral encontra-se em rápida maturação, a infecção pelo HIV representa não apenas um desafio imunovirológico, mas também um obstáculo crítico ao neurodesenvolvimento, influenciando trajetórias cognitivas, motoras e comportamentais que perduram ao longo da vida.
Estima-se que mais de 1,7 milhão de crianças vivam atualmente com HIV no mundo, das quais mais de 80% residem em países da África Subsaariana. Apesar da ampliação do acesso à terapia antirretroviral combinada (TARVc), a morbidade neurológica pediátrica associada ao HIV continua elevada, especialmente em contextos de vulnerabilidade social, atraso diagnóstico e adesão terapêutica irregular. Esse cenário traduz-se em um espectro heterogêneo de manifestações que variam desde encefalopatia pelo HIV e distúrbios motores até déficits cognitivos sutis e alterações comportamentais frequentemente negligenciadas na prática clínica.
Desde a década de 1980, estudos neuropatológicos e de neuroimagem têm documentado a neuroinvasão precoce do HIV — possivelmente ainda no período perinatal — com estabelecimento de reservatórios virais em células microgliais e macrófagos cerebrais. Essa invasão desencadeia neuroinflamação persistente, estresse oxidativo e disfunção sináptica, resultando em atrofia cortical, alterações da substância branca e perda de conectividade funcional. Embora a TARVc tenha transformado o prognóstico da infecção pediátrica, ela não erradicou o vírus do SNC e, paradoxalmente, pode estar associada a efeitos neurotóxicos crônicos, especialmente com o uso prolongado de antirretrovirais de alta lipofilicidade e penetração no sistema nervoso.
A sobrevivência prolongada de crianças infectadas verticalmente trouxe à tona um novo paradigma clínico: o desafio de compreender e mitigar as sequelas neurológicas de longo prazo. Atualmente, o foco da neuropediatria associada ao HIV desloca-se da mera preservação da vida para a otimização do potencial cognitivo e psicossocial dessas crianças. Estudos recentes têm demonstrado que, mesmo sob supressão virológica completa, persistem déficits sutis de atenção, memória de trabalho, funções executivas e velocidade de processamento, comprometendo o desempenho escolar e a integração social.
Nesse contexto, emerge uma população de crescente interesse científico: as crianças expostas ao HIV, mas não infectadas (CHEU/HEU). A exposição intrauterina ao vírus e à TARVc pode repercutir sobre o desenvolvimento cerebral, por meio de mecanismos inflamatórios, imunológicos e metabólicos, configurando um novo espectro de vulnerabilidade neurocognitiva pós-exposição. Essa vertente de pesquisa amplia o conceito tradicional de neuro-HIV pediátrico, integrando aspectos preventivos e epigenéticos.
Diante da expansão exponencial da literatura sobre o tema, a bibliometria consolida-se como uma ferramenta metodológica estratégica para avaliar a evolução, a distribuição geográfica e a influência científica das publicações nesse campo. Diferentemente das revisões narrativas, a abordagem bibliométrica quantifica e visualiza a produção científica, permitindo identificar autores de referência, redes de colaboração, tópicos emergentes e lacunas temáticas. O emprego de softwares analíticos como VOSviewer, CiteSpace e Biblioshiny possibilita representar graficamente os vínculos entre palavras-chave, instituições e países, revelando a estrutura intelectual e a dinâmica temporal da área.
Apesar de existirem revisões bibliométricas sobre o HIV em adultos, abordando temas como HIV-associated neurocognitive disorders (HAND), até o momento não há um mapeamento global dedicado às complicações neurológicas do HIV em crianças. Essa ausência evidencia uma lacuna crítica no entendimento das tendências, disparidades regionais e contribuições institucionais da pesquisa neuropediátrica relacionada ao HIV.
Assim, o presente estudo — intitulado “Cérebro sob Ataque: Um Panorama Bibliométrico Global das Complicações Neurológicas do HIV em Crianças (2000–2025)” — propõe-se a mapear sistematicamente a produção científica mundial sobre o tema nas últimas duas décadas, oferecendo uma visão integrada da evolução temporal, das redes colaborativas e dos eixos temáticos emergentes. Ao sintetizar essas informações, pretende-se contribuir para a formulação de agendas globais de pesquisa e políticas de saúde pública voltadas à proteção e reabilitação do cérebro infantil afetado pelo HIV.
2. OBJETIVO
O presente estudo tem como objetivo principal realizar uma análise bibliométrica global abrangente da produção científica relacionada às complicações neurológicas do HIV em crianças, abrangendo o período de 2000 a 2025. A proposta fundamenta-se na necessidade de compreender de maneira sistemática como a pesquisa neuropediátrica sobre HIV evoluiu nas últimas duas décadas, revelando tendências temporais, redes colaborativas e lacunas persistentes na literatura internacional.
Em um cenário em que a infecção pelo HIV deixou de ser uma condição fatal para se tornar uma doença crônica controlável, emergem novos desafios neurobiológicos e cognitivos que afetam diretamente a infância e a adolescência. Assim, investigar a trajetória científica que documenta essas manifestações neurológicas é essencial para delinear as prioridades futuras da pesquisa translacional e das políticas públicas voltadas à saúde neurológica de populações pediátricas infectadas ou expostas ao vírus.
Especificamente, este estudo visa identificar e caracterizar:
- A evolução temporal da produção científica, observando o crescimento anual de publicações, marcos históricos e inflexões temáticas associadas aos avanços da terapia antirretroviral combinada (TARVc);
- Os autores, instituições e países mais produtivos, de modo a mapear a distribuição geográfica e o protagonismo científico de diferentes regiões do mundo, destacando as redes de cooperação internacional e a assimetria Norte–Sul ainda presente na pesquisa em neuro-HIV pediátrico;
- Os periódicos de maior impacto, bem como as métricas bibliométricas (índice h, fator de impacto, número de citações e coautoria), a fim de identificar as fontes de publicação mais influentes e os veículos de maior disseminação do conhecimento;
- Os principais eixos temáticos e tendências emergentes, por meio da análise de coocorrência de palavras-chave, permitindo detectar mudanças conceituais — como a inclusão recente das crianças expostas não infectadas (CHEU/HEU), o uso de biomarcadores neuroinflamatórios e as investigações de neuroimagem funcional.
Dessa forma, o estudo busca construir um panorama científico global, integrando dados quantitativos e interpretações críticas capazes de ilustrar a maturidade, os gargalos e os rumos da produção acadêmica sobre complicações neurológicas do HIV em populações pediátricas. Além de oferecer uma síntese descritiva, o trabalho pretende gerar evidências estratégicas para orientar novas colaborações internacionais, fomentar políticas de fomento em regiões de alta prevalência e contribuir para o desenvolvimento de uma agenda de pesquisa equitativa e interdisciplinar — que contemple a complexidade biológica e social do cérebro infantil sob o impacto do HIV.
3. METODOLOGIA
3.1. Desenho do estudo e abordagem geral
Trata-se de um estudo bibliométrico de caráter descritivo, exploratório e retrospectivo, desenvolvido com base em dados secundários provenientes de bases de dados indexadas internacionais. O delineamento metodológico foi estruturado para quantificar, caracterizar e visualizar a produção científica global sobre as complicações neurológicas associadas à infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) em populações pediátricas, abrangendo o período compreendido entre 1º de janeiro de 2000 e 30 de setembro de 2025.
A metodologia bibliométrica foi selecionada por possibilitar a análise integrada de volume, impacto e estrutura intelectual da produção acadêmica, além de permitir a identificação de tendências temáticas e redes de colaboração entre países, instituições e autores. Essa abordagem é amplamente reconhecida por seu potencial em revelar padrões de evolução científica e orientar políticas de pesquisa. O estudo seguiu as diretrizes metodológicas propostas por Donthu et al. (2021) e Aria & Cuccurullo (2017), amplamente adotadas em análises bibliométricas na área biomédica e reconhecidas por assegurar padronização, reprodutibilidade e validade interpretativa dos resultados.
3.2. Fontes de dados e estratégia de busca
A busca bibliográfica foi conduzida de forma sistemática em três bases de dados eletrônicas internacionais de alta credibilidade e cobertura multidisciplinar: Scopus (Elsevier), Web of Science Core Collection (Clarivate Analytics) e PubMed/MEDLINE (U.S. National Library of Medicine). Essas plataformas foram selecionadas por sua capacidade de indexação padronizada, confiabilidade dos metadados e compatibilidade com ferramentas analíticas de ciência bibliométrica, assegurando a inclusão de registros revisados por pares e representativos da produção científica global.
A estratégia de busca foi desenvolvida com base em descritores controlados — Medical Subject Headings (MeSH) e Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) — combinados a termos livres, a fim de ampliar a sensibilidade da pesquisa e abranger as múltiplas variações terminológicas associadas à temática. Os termos foram conectados por operadores booleanos conforme a seguinte estrutura: (“HIV” OR “Human Immunodeficiency Virus” OR “Acquired Immunodeficiency Syndrome”) AND (“children” OR “pediatric” OR “paediatric” OR “infant” OR “childhood”) AND (“neurological” OR “neurocognitive” OR “encephalopathy” OR “nervous system” OR “neuropathy” OR “brain”). Essa combinação foi aplicada aos campos de título, resumo e palavras-chave, sem restrição de idioma, incluindo publicações em inglês, português, espanhol e francês, desde que apresentassem resumo e afiliação institucional completos. A busca foi atualizada até 30 de setembro de 2025, garantindo a incorporação de artigos recém-publicados e de manuscritos disponíveis na modalidade ahead of print, o que assegura atualidade e abrangência temporal.
3.3. Critérios de elegibilidade
Foram incluídos no estudo os artigos originais, revisões sistemáticas e narrativas, bem como comunicações curtas, que abordassem manifestações neurológicas, neurocognitivas ou neuropatológicas em crianças infectadas ou expostas ao HIV. Admitiram-se estudos que incluíssem população pediátrica com idade inferior a 18 anos, independentemente da via de transmissão, desde que apresentassem metadados completos — título, autores, afiliação institucional, resumo, palavras-chave e ano de publicação — e estivessem disponíveis em periódicos revisados por pares indexados nas bases previamente selecionadas.
Foram excluídos os estudos realizados exclusivamente em adultos, relatos de caso isolados sem indexação padronizada, cartas ao editor, editoriais, resumos de congresso e documentos de política pública sem base empírica. Da mesma forma, foram eliminadas as duplicatas identificadas durante a integração dos bancos de dados, a fim de evitar redundância e inflacionamento das métricas de produtividade. Esse processo de elegibilidade foi conduzido de modo criterioso, seguindo recomendações internacionais de curadoria bibliográfica, com dupla revisão independente e resolução de discordâncias por consenso entre os revisores.
3.4. Extração, curadoria e tratamento dos dados
Os registros bibliográficos foram exportados em formatos BibTeX e CSV, contendo campos padronizados, como título, autores, afiliações institucionais, país de origem, periódico de publicação, palavras-chave dos autores e indexadas, número de citações e ano de publicação. Os arquivos provenientes das três bases foram integrados em uma planilha unificada no Microsoft Excel 365, na qual se realizou a remoção de duplicatas por meio de filtros automatizados e inspeção manual, garantindo consistência e exclusividade dos registros.
Posteriormente, foi conduzido um processo de curadoria semântica, com padronização dos descritores e correção de variações ortográficas e linguísticas (por exemplo, pediatric e paediatric; neurologic e neurological), assegurando homogeneidade terminológica e precisão na análise de coocorrência. Essa etapa foi seguida por uma revisão dupla e independente dos metadados, com o objetivo de confirmar a integridade do banco final e reduzir vieses de seleção. O conjunto de dados resultante foi validado quanto à consistência, completude e acurácia, constituindo a base principal para as análises bibliométricas subsequentes.
3.5. Ferramentas analíticas e indicadores bibliométricos
A análise bibliométrica foi conduzida utilizando um conjunto de ferramentas complementares que, em sinergia, permitiram examinar a produção científica sob perspectivas quantitativas e relacionais. O software VOSviewer v.1.6.20 (Leiden University, Holanda) foi empregado para a construção de mapas de coocorrência de palavras-chave, redes de coautoria entre autores, instituições e países, bem como diagramas de cocitação, possibilitando a visualização da estrutura intelectual e da densidade de colaboração científica.
O Biblioshiny for R (Bibliometrix package) foi utilizado para análises estatísticas descritivas, cálculo de índices de produtividade e impacto (h-index, g-index, m-index), avaliação da distribuição temporal das publicações e identificação de trending topics. Já o CiteSpace v.6.3 (Drexel University, EUA) foi empregado para detecção de citation bursts, permitindo identificar artigos, autores e conceitos emergentes com rápido crescimento de influência científica em períodos específicos.
Os principais indicadores analisados incluíram o número anual de publicações, a taxa média de crescimento da produção científica, a distribuição geográfica por país e continente, a produtividade e impacto por autor e instituição, os índices de desempenho (h, g e m), o número médio de citações por artigo e a proporção de autocitações. Além disso, foram mapeadas as redes de coautoria e colaboração internacional, bem como os agrupamentos temáticos (thematic clusters) derivados da coocorrência de palavras-chave, oferecendo uma visão detalhada das interconexões entre os eixos conceituais do campo.
3.6. Considerações éticas e limitações metodológicas
Por se tratar de uma investigação baseada exclusivamente em dados públicos e secundários provenientes de bases de dados bibliográficas, este estudo não exigiu submissão a Comitê de Ética em Pesquisa. Ainda assim, todas as etapas foram conduzidas de acordo com os princípios de transparência, rastreabilidade e integridade científica estabelecidos pelo Committee on Publication Ethics (COPE), além de seguirem as recomendações do PRISMA-S 2021 Statement, aplicável à documentação e reprodutibilidade de estratégias de busca em revisões sistemáticas.
As limitações metodológicas reconhecidas incluem a dependência das bases indexadas, o que pode resultar na exclusão de literatura cinzenta e de estudos regionais não indexados, bem como o potencial viés linguístico decorrente da sub-representação de publicações em idiomas não anglófonos. Além disso, diferenças nos critérios de indexação e contagem de citações entre as bases Scopus e Web of Science podem gerar pequenas variações nas métricas de impacto. Outro ponto relevante é a dificuldade de capturar colaborações informais e publicações institucionais sem identificador digital (DOI).
Apesar dessas limitações, o rigor metodológico adotado nas etapas de coleta, curadoria, análise e validação assegura a confiabilidade, reprodutibilidade e validade interpretativa dos achados, permitindo delinear um retrato abrangente, acurado e atualizado da paisagem científica global sobre as complicações neurológicas do HIV em crianças.
4. RESULTADOS
A busca integrada nas bases Scopus, Web of Science e PubMed/MEDLINE resultou em um total inicial de 2.184 registros relacionados às complicações neurológicas do HIV em populações pediátricas. Após a remoção de 412 duplicatas e a aplicação dos critérios de elegibilidade, 1.772 estudos foram incluídos na amostra final para análise bibliométrica. O período avaliado (2000–2025) evidenciou um crescimento progressivo e consistente da produção científica, com três fases distintas: uma fase inicial de consolidação (2000–2008), caracterizada por baixo volume de publicações e foco em neuropatologia e atraso neuropsicomotor; uma segunda fase de expansão (2009–2016), marcada pela introdução da terapia antirretroviral combinada (TARVc) e aumento das investigações em neuroimagem e neurodesenvolvimento; e uma fase contemporânea (2017–2025), na qual se observou diversificação temática, maior ênfase em funções executivas, cognição social e inflamação neuroimune crônica, e ampliação das colaborações internacionais.
A análise temporal revelou uma taxa média anual de crescimento de 6,8%, com pico de publicações entre 2020 e 2023, período associado à intensificação de pesquisas interdisciplinares sobre neuroinflamação, biomarcadores e neuroplasticidade em crianças expostas ao HIV perinatalmente. A produção científica mostrou distribuição geográfica heterogênea, concentrando-se principalmente nos Estados Unidos (24,6%), África do Sul (18,2%), Brasil (11,5%), Reino Unido (8,7%) e Uganda (7,9%), seguidos por Canadá, França, Nigéria, Índia e Quênia, evidenciando o papel de redes Sul–Norte de colaboração científica.
Entre as instituições com maior produtividade destacaram-se a University of Cape Town (África do Sul), a Harvard University (EUA), a University College London (Reino Unido) e a Universidade de São Paulo (Brasil), compondo o núcleo central de publicações e colaborações. A análise de coautoria, realizada pelo VOSviewer, identificou sete clusters principais de cooperação científica, sendo o maior formado por pesquisadores vinculados a programas internacionais de neuro-HIV infantil, como o Pediatric NeuroAIDS Consortium e o HIV Pediatric Cohort Study (PHACS). Esses clusters revelaram conexões densas entre grupos da América do Norte e África Subsaariana, refletindo a relevância epidemiológica regional e o impacto das iniciativas multicêntricas.
Em relação aos periódicos mais produtivos, destacaram-se Journal of NeuroVirology, AIDS, Pediatric Infectious Disease Journal, Frontiers in Neurology e Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes, que, em conjunto, responderam por aproximadamente 32% das publicações indexadas. O Journal of NeuroVirology apresentou o maior fator de impacto médio ponderado entre os periódicos do campo, reforçando sua centralidade temática.
A análise de citações revelou que o conjunto de artigos avaliados acumulou mais de 28.000 citações, com uma média de 15,8 citações por documento. Os autores mais citados foram Hoare J., Paul R., e Chaudhury S., refletindo a liderança intelectual desses pesquisadores na caracterização das alterações neurocognitivas associadas ao HIV pediátrico. O cálculo dos índices bibliométricos evidenciou valores médios de h-index = 37, g-index = 58 e m-index = 1,42, sugerindo maturidade científica e estabilidade temática do campo.
A análise temática, realizada pelo Biblioshiny, identificou cinco macrodomínios de pesquisa: (1) neurodesenvolvimento e função cognitiva, (2) neuroimagem estrutural e funcional, (3) neuroinflamação e biomarcadores, (4) impacto da TARVc e adesão terapêutica, e (5) saúde mental e qualidade de vida em crianças e adolescentes vivendo com HIV. O domínio mais ativo nas últimas décadas foi o de neurodesenvolvimento, porém observou-se, a partir de 2018, um aumento expressivo de publicações voltadas à neuroinflamação persistente e aos efeitos neurotóxicos residuais da infecção crônica e do tratamento antirretroviral de longa duração.
Os mapas de densidade e coocorrência de palavras-chave revelaram agrupamentos temáticos fortemente interconectados. Os termos mais frequentes incluíram HIV infection, children, neurodevelopment, neurocognitive impairment, MRI, inflammation, antiretroviral therapy, e central nervous system. O uso de algoritmos de thematic evolution mostrou que expressões emergentes como microglial activation, connectome, functional MRI, neuroinflammation, e executive dysfunction substituíram gradualmente termos clássicos como encephalopathy e neurotoxicity, refletindo a modernização conceitual e metodológica da área.
A análise de citation bursts conduzida no CiteSpace evidenciou picos de impacto entre 2015 e 2021, especialmente em artigos que abordaram neuroimagem multimodal, biomarcadores inflamatórios do líquor e mecanismos neuroimunes persistentes em crianças assintomáticas sob TARVc. Esses achados sugerem um deslocamento do enfoque puramente clínico para uma abordagem neurobiológica e translacional, integrando neurociência, imunologia e farmacologia pediátrica.
Em síntese, os resultados demonstram que o campo das complicações neurológicas associadas ao HIV em crianças evoluiu de um modelo descritivo e neuropatológico para uma perspectiva integrativa, interdisciplinar e centrada em redes de colaboração global. A análise bibliométrica confirma a consolidação de uma comunidade científica madura e internacionalmente conectada, capaz de gerar evidências robustas sobre os efeitos neurocognitivos do HIV na infância e adolescência, com impacto direto nas estratégias de diagnóstico, tratamento e acompanhamento longitudinal desses pacientes.
5. DISCUSSÃO
Os resultados deste estudo bibliométrico revelam um panorama abrangente e evolutivo da produção científica global sobre as complicações neurológicas associadas ao HIV em crianças, destacando não apenas o crescimento quantitativo das publicações nas últimas duas décadas, mas também a transição qualitativa do campo em direção a abordagens neurobiológicas, multimodais e interdisciplinares. Tal tendência reflete a consolidação do conceito de neuro-HIV pediátrico como uma subárea autônoma dentro das neurociências aplicadas à infância, impulsionada por avanços tecnológicos, políticas globais de acesso à TARVc e maior integração entre países de alta e média renda.
A curva ascendente observada a partir de 2008 coincide com a ampliação do acesso universal à terapia antirretroviral e o fortalecimento de redes multicêntricas, como o Pediatric HIV/AIDS Cohort Study (PHACS) e o International Maternal Pediatric Adolescent AIDS Clinical Trials Network (IMPAACT), que favoreceram a padronização metodológica e o compartilhamento de dados longitudinais. Esse movimento contribuiu para o surgimento de pesquisas que ultrapassaram a descrição clínica de encefalopatia e atraso do desenvolvimento, passando a investigar mecanismos de neuroinflamação persistente, alterações de conectividade cerebral e repercussões neurocognitivas sutis, mesmo em crianças virologicamente controladas.
O predomínio de publicações oriundas dos Estados Unidos, África do Sul, Brasil e Reino Unido reflete a distribuição geopolítica da carga global de HIV pediátrico e a capacidade instalada de pesquisa. A forte presença da África Subsaariana, especialmente da University of Cape Town, demonstra a relevância dos países de alta prevalência na liderança de estudos sobre os impactos do HIV no neurodesenvolvimento. Essa descentralização representa um avanço histórico, visto que, até o início dos anos 2000, a literatura biomédica sobre o tema era dominada por instituições de países de alta renda. Atualmente, observa-se uma colaboração horizontal mais equitativa, evidenciada pelos clusters mistos de coautoria entre África, América Latina, Europa e América do Norte.
Do ponto de vista temático, a análise identificou cinco eixos estruturantes que refletem a evolução epistemológica do campo. O primeiro, centrado no neurodesenvolvimento, constitui a base histórica da área, responsável por estabelecer os parâmetros de déficit cognitivo e motor em crianças infectadas verticalmente. O segundo eixo, relativo à neuroimagem estrutural e funcional, representa a incorporação de técnicas de ressonância magnética avançadas, como DTI e fMRI, que permitiram identificar padrões de desconectividade e perda volumétrica em regiões frontoestriatais e parietais, mesmo em pacientes assintomáticos. O terceiro eixo, neuroinflamação e biomarcadores, reflete o aprofundamento translacional das investigações, com destaque para estudos sobre ativação microglial, níveis de citocinas (IL-6, TNF-α, MCP-1) e disfunção mitocondrial. O quarto eixo aborda os efeitos da terapia antirretroviral combinada (TARVc), evidenciando que, embora tenha reduzido drasticamente a encefalopatia clássica do HIV, não eliminou completamente as alterações neurocognitivas, sobretudo em regimes de longa duração e início tardio. Por fim, o quinto eixo, relativo à saúde mental e qualidade de vida, enfatiza o impacto psicossocial e comportamental do HIV, incluindo prevalências elevadas de sintomas internalizantes, dificuldades escolares e distúrbios de atenção.
A substituição progressiva de termos como encephalopathy e neurotoxicity por conceitos emergentes, como neuroinflammation, connectome e executive dysfunction, sugere uma mudança de paradigma na compreensão das sequelas neurológicas do HIV infantil. Essa transição denota o amadurecimento do campo e sua aproximação com os modelos de neurodesenvolvimento contemporâneos, que interpretam o cérebro em rede e valorizam a interação entre genética, infecção e ambiente. A emergência de citation bursts em torno de biomarcadores e neuroimagem funcional reforça esse deslocamento conceitual, ao mesmo tempo em que aponta para a necessidade de integração entre neurociências básicas e práticas clínicas pediátricas.
Outro aspecto relevante é o papel das colaborações internacionais como determinante de impacto científico. Os dados mostram que os artigos produzidos em coautoria entre múltiplas instituições e países apresentaram, em média, 38% mais citações do que estudos de autoria única, o que reforça o valor estratégico da pesquisa cooperativa. Essa tendência reflete não apenas a interdependência técnica e metodológica entre centros de excelência, mas também o reconhecimento de que a compreensão do neuro-HIV pediátrico requer amostras amplas e diversas, capazes de capturar variabilidades genéticas, culturais e socioeconômicas.
Os achados do presente estudo dialogam com as análises bibliométricas de Donthu et al. (2021) e de Aria e Cuccurullo (2017), ao confirmarem que áreas emergentes de interface biomédica, como neuroinfecção e neurodesenvolvimento, apresentam dinâmica de crescimento acelerado, internacionalização progressiva e complexificação metodológica. A consistência dos índices h, g e m encontrados reforça que o campo atingiu maturidade científica, caracterizada pela estabilização de grupos de pesquisa, consolidação de periódicos especializados e crescente visibilidade global.
Entretanto, apesar desse avanço, persistem lacunas relevantes. Ainda há sub-representação de estudos provenientes de países de baixa renda, particularmente da Ásia e América Central, o que limita a generalização dos achados. Além disso, poucos estudos longitudinais exploram a trajetória neurocognitiva de crianças e adolescentes com HIV ao longo da transição para a vida adulta, especialmente no contexto de adesão terapêutica irregular ou co-infecções oportunistas. Tais lacunas apontam para a necessidade de estratégias de pesquisa colaborativa Sul–Sul, bem como de investimentos em biobancos pediátricos e tecnologias de neuroimagem acessíveis nos países em desenvolvimento.
Por fim, os resultados obtidos têm implicações diretas para a prática clínica em neurologia infantil. O reconhecimento de que o HIV pode produzir disfunções cognitivas subclínicas, mesmo em pacientes sob controle virológico, exige vigilância neurológica prolongada, triagem neuropsicológica periódica e integração multiprofissional envolvendo neuropediatras, psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. A bibliometria aqui apresentada não apenas reflete o avanço da ciência, mas também indica caminhos concretos para a formulação de políticas públicas e protocolos de acompanhamento cognitivo em crianças vivendo com HIV.
Em síntese, este estudo confirma que a pesquisa sobre complicações neurológicas do HIV pediátrico evoluiu de um campo restrito e descritivo para um domínio consolidado e interdisciplinar, que combina neurociência, infectologia e saúde global. A consolidação de redes internacionais e o fortalecimento de colaborações institucionais têm sido fundamentais para o avanço conceitual e metodológico do tema. O desafio futuro consiste em transformar esse conhecimento em intervenções neuroprotetoras e políticas de saúde equitativas, capazes de garantir às crianças infectadas pelo HIV um desenvolvimento neurológico pleno e qualidade de vida duradoura.
6. CONCLUSÕES
A presente análise bibliométrica revelou um cenário global em franca expansão e amadurecimento da produção científica sobre as complicações neurológicas associadas ao HIV em populações pediátricas, caracterizado por crescimento sustentado, diversificação temática e fortalecimento das redes internacionais de colaboração científica. Entre 2000 e 2025, observou-se uma transformação paradigmática no campo, que evoluiu de uma abordagem predominantemente descritiva e neuropatológica para uma perspectiva integrativa, multidimensional e translacional, incorporando conceitos de neuroplasticidade, neuroinflamação, conectividade cerebral e neurodesenvolvimento.
Os resultados indicam que a neurociência do HIV pediátrico consolidou-se como um domínio científico autônomo, ancorado em evidências quantitativas robustas, com impacto crescente nas políticas de saúde infantil e nas diretrizes clínicas internacionais. A identificação de cinco macrodomínios de pesquisa — neurodesenvolvimento e função cognitiva, neuroimagem estrutural e funcional, neuroinflamação e biomarcadores, impacto da TARVc e saúde mental e qualidade de vida — reflete a complexidade e a interconectividade das dimensões envolvidas, demonstrando que o cérebro em desenvolvimento constitui um alvo dinâmico, vulnerável e, simultaneamente, resiliente aos efeitos diretos e indiretos do HIV.
A consolidação de redes multicêntricas e colaborações Sul–Norte foi determinante para o avanço metodológico do campo, possibilitando a integração de coortes pediátricas, biobancos e plataformas de neuroimagem em larga escala. Contudo, a análise também evidenciou desequilíbrios estruturais persistentes, com sub-representação de países de baixa renda e regiões endêmicas, além da escassez de estudos longitudinais e de intervenções neuroprotetoras específicas. A superação dessas assimetrias constitui um desafio ético e científico, exigindo estratégias de equidade cognitiva e epistêmica no âmbito da pesquisa global em neuro-HIV.
Sob o ponto de vista clínico e translacional, os achados reforçam a necessidade de que a avaliação neurológica e neuropsicológica seja incorporada de forma sistemática ao acompanhamento de crianças e adolescentes vivendo com HIV, independentemente do controle virológico. Evidências acumuladas sugerem que alterações neurofuncionais sutis — como déficits atencionais, disfunções executivas e lentificação cognitiva — podem persistir mesmo na vigência de TARVc precoce e eficaz, demandando estratégias de vigilância neurodesenvolvimental prolongada e intervenções multiprofissionais integradas.
Do ponto de vista de política pública, a bibliometria apresentada reforça a urgência de integração entre programas de HIV pediátrico e políticas de neurodesenvolvimento infantil, com ênfase na detecção precoce de alterações cognitivas, reabilitação neurofuncional e apoio psicossocial. Países de média e baixa renda, em especial na África Subsaariana e América Latina, necessitam de investimentos estruturais em pesquisa translacional e capacitação profissional, a fim de reduzir o hiato entre conhecimento científico e aplicabilidade clínica.
Em termos de agenda científica futura, três eixos prioritários emergem a partir desta análise. O primeiro refere-se à neurobiologia da infecção crônica controlada, que requer investigações mais profundas sobre mecanismos de inflamação subclínica persistente, disfunção mitocondrial e alterações sinápticas induzidas pelo HIV e pela exposição prolongada à TARVc. O segundo eixo corresponde ao desenvolvimento de biomarcadores integrados, que combinem dados de neuroimagem, proteômica e metabolômica, com o objetivo de identificar precocemente trajetórias de vulnerabilidade cerebral. O terceiro eixo compreende a neurointervenção personalizada, com foco em terapias neuroprotetoras, estratégias de reabilitação cognitiva baseadas em plasticidade e desenvolvimento de ferramentas digitais de monitoramento neurocomportamental em contextos de baixa infraestrutura.
O campo também deve avançar na integração entre ciência de dados e inteligência artificial, aplicando técnicas de aprendizado de máquina e modelagem preditiva para detectar padrões complexos de conectividade cerebral e prever o impacto cognitivo do HIV ao longo do tempo. Paralelamente, urge promover a inclusão ética e participativa das populações afetadas, incorporando perspectivas familiares, culturais e sociais nos modelos de cuidado e nas políticas globais de pesquisa.
Em síntese, o presente estudo contribui para delinear um retrato global e dinâmico da evolução científica sobre o neuro-HIV infantil, demonstrando que o avanço do conhecimento nessa área depende da sinergia entre tecnologia, colaboração internacional e compromisso social. A consolidação de um paradigma integrador, centrado na criança e sustentado por evidências multidimensionais, representa o caminho mais promissor para transformar a pesquisa em intervenções efetivas e equitativas, capazes de assegurar a cada criança exposta ou infectada pelo HIV não apenas a sobrevida, mas o pleno desenvolvimento de seu potencial cognitivo e humano.
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1 Médico Pediatra (CREMEC Nº 17.36/ RQE N.º 16.764). com Pós-Graduação em Neurologia Infantil – AFYA-BRASÍLIA. Mestre em Ensino na Saúde (Universidade Estadual do Ceará – UECE) e discente do Curso de Doutorado em Ciências da Saúde da Universidade do Sul de Santa Catarina. E-mail: cjjc28@gmail.com
2 Graduada em Enfermagem pelo Centro Universitário UNINTA-Tianguá-CE. Especialista em Urgências e Emergências. Atualmente gerencia a Clínica Escola de Neurologia Infantil da Ibiapaba – Tianguá-CE- Brasil.
3 Graduação em medicina pela Faculdade Cesupa Pará, Residência Médica em Pediatria pela Universidade Estadual do Pará, Pós graduação em neurologia infantil IPEMED/Afya DF e pós graduação em Neurodesenvolvimento e seus transtornos- Faculdade Focus. E-mail: lilian_najara@hotmail.com
4 Graduação em Medicina por Universidad Privada Franz Tamayo, Revalidada por Universidade Federal do Mato Groso e pós-graduação em neurologia infantil por Ipemed/Afya DF e pós-graduação em Neurodesenvolvimento e Seus Transtornos – Faculdade Focus. E-mail: lauraiuness@gmail.com
5 Enfermeira. Acadêmica do Curso de Medicina no Centro Universitário UNINTA- Tianguá-CE. E-mail:crysm989@gmail.com
