COMPARAÇÃO DOS DESFECHOS FUNCIONAIS ENTRE PROSTATECTOMIA ABERTA E ROBÓTICA NO TRATAMENTO DO CÂNCER DE PRÓSTATA

COMPARISON OF FUNCTIONAL OUTCOMES BETWEEN OPEN AND ROBOTIC PROSTATECTOMY IN THE TREATMENT OF PROSTATE CANCER

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202510082027


Matheus Maia de Oliveira1
Soraia Barroso de Almeida2


RESUMO 

O câncer de próstata é uma das neoplasias mais incidentes na população masculina e representa um importante problema de saúde pública, devido à sua alta prevalência e impacto na morbidade e mortalidade. O diagnóstico precoce é fundamental, sendo realizado por meio de exames clínicos, laboratoriais e de imagem. Entre as opções de tratamento para doença localizada, a prostatectomia radical se destaca, podendo ser realizada por via aberta ou robótica. A cirurgia robótica introduziu procedimentos minimamente invasivos, com maior precisão e menor trauma cirúrgico, embora o alto custo e a necessidade de treinamento especializado ainda limitem sua ampla utilização. Este estudo utilizou a revisão integrativa da literatura como método, com abordagem descritiva, buscando comparar os desfechos funcionais da prostatectomia aberta e robótica. Para a condução da pesquisa a busca de artigos foi realizada nas bases LILACS, PUBMED e BVS, com critérios de inclusão específicos, seguida de seleção em três etapas e revisão pareada para reduzir vieses, selecionado ao final 09 amostras. Os resultados indicam que a prostatectomia robótica proporciona melhores desfechos funcionais, recuperação mais rápida da continência urinária e da função sexual, menor tempo de internação e menor incidência de complicações pós-operatórias, sem comprometer a segurança oncológica. Inovações como técnicas de portal único mostram potencial, mas ainda necessitam de mais estudos para padronização. Limitações incluem pequenas amostras e variabilidade na experiência cirúrgica. Pesquisas futuras devem priorizar amostras maiores, seguimento prolongado e avaliação de diferentes contextos de saúde, garantindo que os avanços tecnológicos resultem em benefícios efetivos para os pacientes.

Palavras-Chave: Câncer de próstata; Prostatectomia radical; Cirurgia robótica.

ABSTRACT

Prostate cancer is one of the most common neoplasms among the male population and represents a significant public health issue due to its high prevalence and impact on morbidity and mortality. Early diagnosis is essential and is performed through clinical, laboratory, and imaging examinations. Among the treatment options for localized disease, radical prostatectomy stands out and can be performed either via open or robotic surgery. Robotic surgery introduced minimally invasive procedures, offering greater precision and less surgical trauma, although high costs and the need for specialized training still limit its widespread use. This study employed an integrative literature review as a method, using a descriptive approach to compare the functional outcomes of open and robotic prostatectomy. The search for articles was conducted in the LILACS, PUBMED, and BVS databases, following specific inclusion criteria, a three-step selection process, and paired review to reduce bias, resulting in a final sample of nine studies. The results indicate that robotic prostatectomy provides better functional outcomes, faster recovery of urinary continence and sexual function, shorter hospital stays, and lower incidence of postoperative complications, without compromising oncological safety. Innovations such as single-port techniques show potential but still require further studies for standardization. Limitations include small sample sizes and variability in surgical experience. Future research should prioritize larger samples, longer follow-up, and assessment across different healthcare contexts to ensure that technological advances translate into effective benefits for patients.

Keywords: Prostate cancer; Radical prostatectomy; Robotic surgery.

1. INTRODUÇÃO 

O câncer de próstata é um dos principais problemas de saúde que afetam os homens em todo o mundo, sendo considerado uma das neoplasias mais incidentes na população masculina. Esse tipo de câncer se desenvolve a partir das células da glândula prostática e, muitas vezes, pode evoluir de forma silenciosa, o que dificulta o diagnóstico precoce. Por isso, estratégias de rastreamento e acompanhamento têm ganhado importância nas políticas públicas de saúde, especialmente em países onde a expectativa de vida vem aumentando (Reyes et al., 2024).

De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de próstata figura entre as cinco neoplasias mais comuns em homens, representando uma causa significativa de morbidade e mortalidade. No Brasil, dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que, para cada triênio, são previstos mais de 70 mil novos casos, o que reforça o impacto desse agravo no sistema de saúde. Além da alta incidência, a doença também está associada a fatores de risco como idade avançada, histórico familiar e questões relacionadas ao estilo de vida (Durigan et al., 2024).

O diagnóstico do câncer de próstata geralmente ocorre por meio de exames clínicos, laboratoriais e de imagem, incluindo o exame de toque retal, a dosagem do antígeno prostático específico (PSA) e biópsias direcionadas. Uma vez identificada a doença, a escolha do tratamento depende de aspectos como o estágio tumoral, o estado de saúde do paciente e a expectativa de vida. Entre as opções terapêuticas disponíveis, a prostatectomia radical se consolidou como uma das intervenções mais realizadas, principalmente nos casos de doença localizada (Ferreira et al., 2024).

A prostatectomia radical pode ser realizada por diferentes técnicas, sendo a aberta e a robótica as mais conhecidas e praticadas atualmente. A abordagem aberta, considerada tradicional, consiste em uma incisão abdominal para a retirada da glândula, enquanto a robótica utiliza sistemas de alta tecnologia para oferecer maior precisão cirúrgica. A escolha entre uma técnica ou outra depende tanto da disponibilidade dos recursos de saúde quanto da avaliação da equipe médica sobre os benefícios e riscos em cada caso (Reyes et al., 2024).

A introdução da cirurgia robótica no campo da urologia representou um marco importante, trazendo a possibilidade de realizar procedimentos minimamente invasivos, com maior controle de movimentos e menor trauma cirúrgico. A literatura científica têm apontado que esse tipo de técnica pode estar associado a menores taxas de sangramento intraoperatório, recuperação mais rápida e menor tempo de internação hospitalar. Entretanto, o alto custo da tecnologia e a necessidade de treinamento especializado ainda são fatores que limitam a sua ampla utilização, especialmente em países em desenvolvimento (Alves et al., 2025).

Nesse âmbito, este estudo tem por objetivo: Revisar a literatura científica comparando os desfechos funcionais da prostatectomia aberta e robótica no tratamento do câncer de próstata.

2. METODOLOGIA 

Neste trabalho, utilizou-se a revisão integrativa da literatura como recurso metodológico. Trata-se de uma abordagem descritiva que possibilita reunir, analisar e sintetizar as evidências disponíveis sobre determinado tema de pesquisa. Essa estratégia foi escolhida por permitir uma visão ampla e crítica acerca dos desfechos funcionais da prostatectomia aberta e robótica no tratamento do câncer de próstata, reunindo contribuições da comunidade científica e favorecendo a comparação entre diferentes estudos publicados.

Para a operacionalização desta revisão, foram seguidas as etapas da metodologia (5):
1) identificação do tema e questão de pesquisa para a elaboração da revisão integrativa; 2) estabelecimento dos critérios de inclusão e exclusão para amostragem / busca na literatura; 3) definição das informações a serem extraídas dos estudos selecionados/ categorização dos estudos; 4) avaliação dos estudos incluídos na revisão integrativa; 5) interpretação dos  resultados; e 6) apresentação da revisão ou síntese do conhecimento. Tais etapas permitem compilar informações de vários estudos de forma sistemática, organizada e completa sobre a problemática definida. 

Para auxiliar na construção da questão norteadora desta revisão integrativa, foi utilizada a estratégia mnemônica PICO, amplamente empregada em pesquisas na área da saúde. Nessa estratégia: P (População) corresponde a homens diagnosticados com câncer de próstata; I (Intervenção) refere-se às técnicas cirúrgicas de prostatectomia, especialmente a abordagem robótica; C (Comparação) está relacionada à prostatectomia aberta; e O (Outcomes – Resultados) envolve os desfechos funcionais, como continência urinária e função sexual, além da segurança oncológica. Dessa forma, definiu-se a seguinte questão norteadora: Quais são os desfechos funcionais da prostatectomia robótica em comparação à prostatectomia aberta no tratamento do câncer de próstata?

O levantamento de dados foi realizado nas bases científicas: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), National Library of Medicine (PUBMED) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Para a busca nessas bases, utilizaram-se os seguintes descritores, combinados pelo operador booleano AND: Prostatectomia Aberta AND Cirurgia Robótica OR Câncer De Próstata. Ficando no inglês da seguinte forma: Open Prostatectomy AND Robotic Surgery AND Prostate Cancer.

Para alcançar respostas elegíveis, os estudos selecionados para amostra, atenderam aos seguintes critérios de elegibilidade: estudos do tipo pesquisas transversais, observacionais, quantitativos, qualitativos, coorte, caso-controle, relatos de casos, relatos de experiência, estudos randomizados disponíveis na íntegra, publicados nos últimos 10 anos, nos idiomas português, espanhol e inglês, disponíveis nas bases de dados supracitadas e que correspondiam à pergunta norteadora. Já os critérios de exclusão definidos foram: monografias, teses, dissertações, estudos de revisões, trabalhos pagos e duplicados em mais de uma base de dados. 

Nesse processo metodológico, a busca inicial foi realizada por dois pesquisadores em bases científicas relevantes. A seleção dos artigos ocorreu em três etapas: primeiro, leitura dos títulos; em seguida, leitura de títulos e resumos; e, por fim, análise integral dos textos. Todos os artigos selecionados foram posteriormente lidos na íntegra de forma pareada e independente, garantindo maior rigor e minimizando vieses individuais. Eventuais dúvidas quanto à inclusão de artigos foram resolvidas por outros dois pesquisadores, assegurando a consistência e a confiabilidade do processo de seleção da amostra final. O detalhamento da seleção da amostra foi detalhado na figura 1. 

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES 

O fluxograma abaixo apresenta o processo de seleção de estudos para uma revisão sistemática, com base em buscas realizadas em três bases de dados: PubMed, BVS e Lilacs. Inicialmente, foram encontrados 884 estudos no PubMed, 36 na BVS e 21 na LILACS, totalizando 941 estudos. Após aplicar os critérios de exclusão, como estudos fora do recorte temporal (420), duplicados (100), indisponíveis (85), artigos de revisão (200), estudos pagos (27) e que fugiram ao tema (100), um total de 521 estudos foi considerado para triagem. Desse total, 336 passaram para a análise e, após nova exclusão, 136 continuaram na análise final. No final do processo, apenas 9 estudos foram incluídos na revisão.

Figura 1: Fluxograma de seleção da amostra. 

Fonte: Dados da pesquisa, 2025. 

 Os estudos selecionados para a amostra foram detalhados no quadro abaixo, organiado entre as principais informações de: Título, autor, ano de publicação, metodologia e principais desfechos. 

Quadro 1: Descrição da amostra selecionada

Título Autor/Ano Metodologia Principais desfechos 
1Avaliação comparativa da continência e potência após prostatectomia radical: abordagens robótica vs. laparoscópica, validando o ensaio LAP-01.Abad et al., 2024 Estudo retrospectivo Os resultados deste estudo corroboram os achados do LAP-01, indicando que a prostatectomia radical assistida por robô oferece melhores desfechos funcionais em termos de continência urinária e função erétil em comparação com a abordagem laparoscópica. Ambas as técnicas apresentaram taxas semelhantes de margens cirúrgicas positivas e complicações pós-operatórias. Esses achados reforçam a importância da escolha da técnica cirúrgica baseada nas características individuais do paciente e na experiência da equipe médica.
2Prostatectomia radical extraperitoneal assistida por robô com portal único: Resultados de curto prazo e descrição da técnica.Kwon et al., 2024 Pesquisa de coorde Demonstramos o procedimento cirúrgico de SP-RARP sem alterar a posição dos instrumentos. Diante dos resultados, a SP-RARP surge como uma opção viável e segura para o tratamento do câncer de próstata localizado, particularmente quando realizada por cirurgiões com vasta experiência. 
3Prostatectomia radical assistida por robô usando o sistema KangDuo Surgical Robot-01: um estudo clínico prospectivo, unicêntrico e de braço único.Fran et al., 2022Estudo clínico prospectivoOs resultados do estudo mostraram que o sistema KD-SR-01 é viável, seguro e eficaz para o tratamento do câncer de próstata localizado. Uma coorte maior, com acompanhamento mais longo, é necessária para avaliar os desfechos oncológicos e funcionais.
 4Prostatectomia radical assistida por robô versus laparoscópica: resultados de 12 meses do estudo multicêntrico randomizado controlado LAP-01.Stolzenburg et al., 2022 Ensaio clínico multicêntrico, randomizado e cegoO estudo LAP-01 demonstrou que, após 12 meses de seguimento, a prostatectomia radical assistida por robô (RARP) oferece melhores desfechos funcionais, especialmente em termos de recuperação da função erétil e continência urinária precoce, quando comparada à abordagem laparoscópica convencional (LRP). Ambos os métodos apresentaram resultados oncológicos comparáveis, sugerindo que a escolha entre RARP e LRP pode ser orientada por fatores funcionais e preferências do paciente, sem comprometer a eficácia oncológica.
5Comparação de três abordagens para prostatectomia radical assistida por robô com portal único: a experiência inicial da nossa instituição.Balasubram anian et al., 2022 Estudo retrospectivo O estudo demonstra que a abordagem Retzius-sparing por portal único (RS SP-RARP) é associada a melhores desfechos funcionais precoces, com recuperação mais rápida da continência urinária e da função erétil, além de um tempo cirúrgico mais curto sem comprometer o controle oncológico imediato, uma vez que as margens cirúrgicas positivas foram comparáveis às outras técnicas.
6Comparação multicêntrica prospectiva de prostatectomia radical aberta e robótica: o consórcio PROST-QA/RP2. Chang et al., 2022 Pesquisa de coorte analíticaNo geral, pacientes com RALP apresentam menos dor, menor tempo de internação hospitalar e menos complicações pós-cirúrgicas, como transfusões de sangue, infecções, tromboses venosas profundas e contraturas do colo vesical.
7Resultados funcionais e oncológicos após prostatectomia radical laparoscópica aberta versus assistida por robô para câncer de próstata localizado: acompanhamento de 8 anosLantz et al., 2021 Estudo prospectivo, controlado e não randomizadoConstatou-se que a PCSM 8 anos após a cirurgia foi menor para RALP em comparação com RRP. Não se pode inferir uma relação causal entre técnica cirúrgica e mortalidade, mas o resultado confirma que RALP é oncologicamente seguro. Em conjunto com melhores resultados de curto prazo relatados em outros locais, nossos achados confirmam que a implementação de RALP pode continuar.
8Prostatectomia radical assistida por robô em sítio único puro usando prostatectomia radical robótica de portal único versus multiporta: um estudo comparativo em uma única instituição. Lenfant et al., 2021 Dados quantitativosEste estudo confirma que a prostatectomia robótica puramente por sítio único é viável, segura e produz resultados perioperatórios e funcionais a curto prazo semelhantes à abordagem multiporta. Contudo, a função neurovascular parece ser ligeiramente comprometida na técnica SP, com menor preservação dos nervos.
9Resultados funcionais e oncológicos entre prostatectomia radical aberta e robótica em 24 meses de acompanhamento no estudo                sueco LAPPRO.Nyberg et al., 2018 Estudo prospectivo multicêntrico Os resultados funcionais permaneceram inalterados em relação aos relatados após 12 meses. Permaneceu uma diferença significativa na potência favorável à RALP. Para a continência, observou-se um pequeno, mas não significativo, benefício para a RRP quando fatores tumorais do paciente e pré-operatórios foram ajustados. Não encontramos nenhuma diferença na doença recorrente ou residual entre RALP e RRP em 24 meses.
Fonte: Dados da pesquisa, 2025. 

A literatura científica analisada evidencia que a cirurgia feita com auxílio do robô (RARP) costuma trazer melhores resultados nesses dois aspectos quando comparada às técnicas abertas ou laparoscópicas. A pesquisa realizada por Abad et al. (2024) confirmaram, em linha com o estudo LAP-01, que os pacientes operados com robô tiveram mais chances de recuperar essas funções, sem diferenças no controle do tumor.

O estudo realizado por Stolzenburg et al. (2022), também relacionado ao LAP-01, reforçou esse cenário. Em apenas 12 meses de acompanhamento, os pacientes submetidos à técnica robótica recuperaram mais rápido a ereção e a continência urinária, em comparação com os operados por laparoscopia convencional. Além disso, ambos os métodos foram igualmente eficazes no combate ao câncer, o que indica que a diferença está realmente nos desfechos funcionais.

Quando comparada à cirurgia aberta, a robótica também se destacou em termos de segurança. Conforme Chang et al. (2022) mostraram que, de forma geral, os pacientes operados com robô tiveram menos dor, ficaram menos tempo internados e apresentaram menos complicações, como necessidade de transfusão ou infecções. Esses pontos são muito relevantes porque tornam a recuperação mais tranquila e reduzem riscos pós-operatórios.

Por outro lado, nem todos os resultados foram totalmente favoráveis à robótica. No estudo LAPPRO, conduzido por Nyberg et al. (2018), observou-se que, após dois anos, a função erétil ainda era melhor para os pacientes operados com robô, mas a continência não mostrou uma diferença tão clara, chegando até a apresentar uma pequena vantagem para a cirurgia aberta quando alguns fatores dos pacientes foram considerados. Isso mostra que o contexto clínico de cada indivíduo também influencia os resultados.

Segundo Lantz et al. (2021), com oito anos de acompanhamento, trouxe uma visão importante sobre o longo prazo. Ele confirmou que a cirurgia robótica é tão segura quanto a aberta para controlar o câncer e ainda mostrou menor mortalidade específica nos pacientes operados com robô. Juntando esse dado com os melhores resultados funcionais, a robótica se consolida como uma opção segura e eficaz a longo prazo.

Nos últimos anos, novas técnicas com o robô vêm sendo testadas, como as realizadas com apenas um portal de entrada. As pesquisas realizadas por Kwon et al. (2024) e Balasubramanian et al. (2022) mostraram que esse tipo de procedimento também é seguro, além de acelerar a recuperação da continência urinária e da função sexual. Além disso, o tempo cirúrgico foi menor, sem prejudicar o controle do câncer. Esses resultados são animadores, já que apontam para avanços ainda maiores na cirurgia minimamente invasiva.

Contudo, é preciso cautela com algumas inovações. Lenfant et al. (2021), ao avaliar a cirurgia por portal único, encontrou bons resultados gerais, mas também uma preservação um pouco menor dos nervos responsáveis pela ereção. Isso sugere que, apesar de ser viável e segura, a técnica precisa de mais estudos e ajustes para não comprometer a qualidade funcional do paciente.

O mesmo vale para o uso de novos sistemas robóticos. Fran et al. (2022), ao testar um equipamento alternativo ao da plataforma mais usada mundialmente, mostrou que ele é eficaz e seguro no curto prazo. No entanto, os autores destacam que são necessários estudos com mais pacientes e acompanhamento mais longo para confirmar os benefícios funcionais e oncológicos.

Diante disso, frente a análise da amostra, fica evidente que a prostatectomia robótica oferece vantagens funcionais consistentes, especialmente no que diz respeito à recuperação da continência urinária e da função sexual. Além disso, ela reduz complicações no pós-operatório e garante segurança oncológica semelhante à cirurgia aberta. Ainda assim, alguns trabalhos lembram que os resultados podem variar de acordo com a experiência do cirurgião, as características do paciente e o tipo de técnica aplicada.

4. CONCLUSÃO 

Os estudos analisados mostram que a prostatectomia robótica se destaca em relação à aberta, principalmente nos desfechos funcionais, como recuperação mais rápida da continência urinária e da função sexual, além de menor tempo de internação e menos complicações pós-operatórias. Apesar disso, o controle oncológico se mostrou semelhante entre as duas técnicas, o que indica que a escolha cirúrgica deve priorizar também a qualidade de vida do paciente após o procedimento. Observou-se ainda que as inovações, como a cirurgia por portal único, vêm demonstrando potencial, mas ainda necessitam de padronização e maior comprovação científica para garantir segurança e eficácia em longo prazo.

Por outro lado, algumas limitações ficam evidentes. Muitos estudos ainda possuem amostras pequenas, tempo de acompanhamento curto e variabilidade quanto à experiência dos cirurgiões, o que pode influenciar nos resultados funcionais e dificultar comparações diretas entre as técnicas. Assim, pesquisas futuras devem incluir amostras maiores, seguimento prolongado e considerar fatores individuais dos pacientes para consolidar evidências mais robustas. Também é importante avaliar os impactos da cirurgia robótica em diferentes contextos de saúde, especialmente em países onde o acesso à tecnologia ainda é limitado, garantindo que os avanços científicos se traduzam em benefícios reais para a população.

REFERÊNCIAS 

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1Médico, Residente em Cirurgia Geral pelo HBDF
E-mail: matheusmaia.o@icloud.com 

2Médica pela Universidade Federal de Goiás 
Residência Médica em Cirurgia Geral no HRAN 
Residência Médica em Cirurgia Videolaparoscopica no
HUB
E-mail: barrosodealmeida@gmail.com