NUTRITIONAL EDUCATION FOR FAMILIES OF CHILDREN WITH AUTISM SPECTRUM DISORDER (ASD): TOOLS AND STRATEGIES TO IMPROVE DIETARY ADHERENCE AND FAMILY QUALITY OF LIFE
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202510082027
Leandra Paiva do Nascimento¹
Suziney Alves da Silva²
Rebeca Sakamoto Figueiredo³
David Silva dos Reis4
RESUMO
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades na comunicação, interação social e padrões de comportamento repetitivos, frequentemente acompanhada por seletividade alimentar. Esse comportamento pode resultar em dietas restritivas, deficiências nutricionais e sobrecarga familiar. Considerando a relevância do tema, este estudo buscou investigar estratégias e ferramentas de educação nutricional voltadas para a melhoria da aceitação alimentar em crianças com TEA, visando compreender seus efeitos sobre a saúde e a qualidade de vida.
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada em bases nacionais e internacionais, que incluiu artigos científicos, livros e trabalhos acadêmicos publicados em português, inglês e espanhol. Foram selecionados estudos recentes que abordaram intervenções nutricionais adaptadas, como programas de treinamento parental, técnicas comportamentais, recursos tecnológicos, estratégias sensoriais e teleatendimento.
Os resultados mostraram que programas estruturados de intervenção parental e técnicas comportamentais foram os mais eficazes na ampliação da aceitação alimentar, enquanto estratégias sensoriais e digitais apresentaram resultados promissores, especialmente quando associadas ao envolvimento da família. O teleatendimento mostrou-se viável para reduzir o estresse de cuidadores e favorecer o acompanhamento nutricional, embora dependa da adesão familiar.
Conclui-se que a adesão alimentar de crianças com TEA requer abordagens multifacetadas e interdisciplinares, que integrem aspectos nutricionais, sensoriais, tecnológicos e educativos. A participação ativa da família e o uso de metodologias adaptadas às necessidades individuais se destacam como fatores decisivos para o sucesso das intervenções. Ainda são necessários estudos longitudinais que avaliem de forma mais ampla o impacto nutricional e funcional dessas estratégias.
Palavras-chave: Seletividade alimentar; Adesão alimentar; Aspectos sensoriais; Alimentação infantil; Intervenções comportamentais.
ABSTRACT
Autism Spectrum Disorder (ASD) is a neurodevelopmental condition characterized by difficulties in communication, social interaction, and repetitive behavior patterns, frequently associated with food selectivity. This condition may lead to restrictive diets, nutritional deficiencies, and family overload. Considering its relevance, this study aimed to investigate strategies and tools of nutritional education designed to improve food acceptance in children with ASD, seeking to understand their effects on health and quality of life.
This research consisted of an integrative literature review carried out in national and international databases, including scientific articles, books, and academic papers published in Portuguese, English, and Spanish. Recent studies were selected that addressed adapted nutritional interventions, such as parent training programs, behavioral techniques, technological resources, sensory strategies, and telehealth support.
The results indicated that structured parent training programs and behavioral techniques were the most effective in increasing food acceptance, while sensory and digital strategies showed promising results, especially when associated with family involvement. Telehealth interventions proved feasible to reduce caregiver stress and support nutritional follow-up, although their effectiveness depended on family adherence.
It is concluded that food acceptance in children with ASD requires multifaceted and interdisciplinary approaches, integrating nutritional, sensory, technological, and educational aspects. Active family participation and the use of methodologies tailored to individual needs stand out as decisive factors for the success of interventions. Further longitudinal studies are needed to broaden the understanding of nutritional and functional impacts of these strategies.
Keyword: Food selectivity; Food adherence; Sensory aspects; Child feeding; Behavioral interventions.
1 INTRODUÇÃO
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) caracteriza-se como uma condição do neurodesenvolvimento que compromete principalmente a comunicação, a interação social e os padrões comportamentais, manifestando-se por interesses restritos e comportamentos repetitivos que impactam a qualidade de vida do indivíduo e de sua família (American Psychiatric Association, 2014; Silva; Braz; Sodré, 2023). O diagnóstico costuma ocorrer na infância e exige acompanhamento multidisciplinar, com estratégias individualizadas que considerem as especificidades de cada criança (Moraes et al., 2021).
Entre os desafios enfrentados, a seletividade alimentar é uma das manifestações mais frequentes e preocupantes, estando associada à resistência a novos alimentos, à preferência por texturas e sabores específicos e à rejeição de grupos alimentares inteiros (Santos et al., 2024). Tais comportamentos dificultam a adesão a uma dieta equilibrada e aumentam o risco de deficiências nutricionais, comprometendo o crescimento, o desenvolvimento físico e cognitivo, além de intensificar a sobrecarga familiar (Carvalho; Santana, 2022).
Estudos apontam que as dificuldades alimentares no TEA estão diretamente relacionadas às alterações sensoriais, incluindo hipersensibilidade a estímulos visuais, olfativos, táteis e gustativos (Moraes et al., 2021; Santos et al., 2024). Nesse contexto, a educação nutricional surge como recurso essencial, ao propor intervenções pedagógicas lúdicas e adaptadas, que favoreçam a ampliação do repertório alimentar e a construção de uma relação mais positiva com a alimentação (Carvalho; Santana, 2022).
Além de melhorar a saúde nutricional, tais estratégias promovem ganhos sociais e motores, uma vez que o momento da refeição pode ser utilizado como espaço de interação e desenvolvimento de habilidades funcionais (Silva; Braz; Sodré, 2023). A participação da família é um elemento fundamental para o sucesso dessas intervenções, pois possibilita a continuidade dos hábitos aprendidos em ambiente clínico ou escolar, reduzindo o estresse familiar e fortalecendo práticas inclusivas (Santos et al., 2024).
Diante desse cenário, torna-se essencial refletir sobre estratégias que auxiliem na promoção de hábitos alimentares mais saudáveis entre crianças com TEA. A educação nutricional, quando adaptada às necessidades específicas desse público, pode ser um recurso eficaz para ampliar o repertório alimentar, favorecer a aceitação de novos alimentos e melhorar a qualidade de vida (Santos et al., 2021; Bonfim, 2024).
Além disso, ainda há escassez de materiais práticos e acessíveis no campo da educação nutricional aplicada ao TEA, principalmente aqueles que utilizam metodologias lúdicas e interativas. Considerando a importância da intervenção precoce e do trabalho interdisciplinar, faz-se necessário reunir subsídios teóricos e práticos capazes de apoiar profissionais de saúde, educadores e familiares no enfrentamento dos desafios alimentares característicos desse transtorno (Bonfim, 2024).
Assim, este estudo tem como objetivo geral investigar estratégias e recursos utilizados para estimular a aceitação alimentar em crianças com TEA. Especificamente, busca-se compreender os aspectos do transtorno, identificar os principais desafios alimentares e analisar os impactos de uma alimentação adequada na qualidade de vida e no desenvolvimento infantil.
2 METODOLOGIA
2.1 Tipo de estudo
Este artigo teve como tipo de estudo uma revisão integrativa, um método de pesquisa que permitiu a reunião, a avaliação crítica e a síntese de estudos científicos já publicados sobre determinado tema, abrangendo diferentes abordagens metodológicas. Essa estratégia buscou consolidar o conhecimento existente, identificar lacunas na produção científica e propor novos caminhos para futuras investigações. Para garantir o rigor científico do processo, foram seguidas etapas bem definidas, desde a formulação da pergunta de pesquisa até a apresentação e discussão dos resultados. A sistematização metodológica mostrou-se essencial para assegurar a credibilidade e a relevância da revisão (Dantas et al., 2022).
2.2 Coleta de dados
A coleta de dados foi realizada por meio de buscas sistematizadas nas bases de dados PubMed e SciELO, consultando artigos, revistas e jornais científicos, entre os meses de Agosto a outubro de 2025. Para a seleção dos estudos, utilizaram-se Descritores em Ciência da Saúde relacionados ao tema, como “Autism Spectrum Disorder”, “Children’s Eating”, “Caregivers”, “Food Selectivity”, “Nutritional Intervention”, “Nutritional Education”, “Eating Behavior”, “Childhood Autism”, “Neurodevelopmental Disorders”, “Feeding Disorders”, “Sensory Integration Disorders”, “Eating Patterns”, “Nutritional Needs” e “Eating Habits”, utilizando combinações com operadores booleanos (AND/OR) o que garantiu uma busca ampla e abrangente.
Os critérios de inclusão foram pesquisas publicadas em português, espanhol e inglês, que abordavam a temática em questão, priorizando publicações dos últimos dez anos, relevantes e de acesso disponível. Já os critérios de exclusão consistiram em artigos repetidos, estudos que envolviam exclusivamente adolescentes ou adultos, meta-análises e revisões sistemáticas, bem como trabalhos não científicos, como cartas ao editor, resenhas e editoriais.
2.3 Análise de dados
O processo de busca, triagem e seleção de estudos foi realizado conforme as recomendações do PRISMA 2020 (PAGE et al., 2021). Os detalhes sobre o número total de registros identificados, duplicatas removidas, triagem por título/resumo, avaliação em texto completo e exclusões com motivo estão apresentados no fluxograma (Figura 1). Após a seleção, os artigos foram organizados em um quadro, contendo os seguintes campos: Autor (Ano); Tempo de intervenção; Amostra; Parâmetros avaliados; Resultados e Conclusão (Quadro 1). A análise dos dados foi conduzida por meio de abordagem qualitativa e descritiva, com o intuito de identificar padrões recorrentes nas estratégias utilizadas, avaliar sua efetividade e compreender os principais desafios enfrentados nas práticas de educação nutricional voltadas ao público infantil com TEA.
Figura 1. Fluxograma de seleção de estudos (PRISMA 2020).

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é definido como uma condição do neurodesenvolvimento marcada por déficits persistentes na comunicação social e pela presença de padrões repetitivos de comportamento e interesses restritos (APA, 2014; APA, 2024). De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP, 2019), embora esses elementos sejam característicos do transtorno, sua manifestação ocorre de forma heterogênea, variando em intensidade e no modo como afetam o cotidiano. A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2023) reforça que o TEA engloba múltiplas condições e níveis de comprometimento, o que exige estratégias de cuidado diferenciadas. Estimativas recentes do Centers for Disease Control and Prevention (CDC, 2023) indicam que uma em cada 36 crianças no mundo apresenta o diagnóstico, o que evidencia sua relevância como questão de saúde pública. No Brasil, apesar da ausência de dados epidemiológicos precisos, a Lei nº 13.861/2019 determinou a inclusão do TEA nos censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), possibilitando a coleta de informações mais consistentes para subsidiar políticas públicas (Quintana et al., 2023).
A etiologia do TEA é considerada multifatorial, envolvendo fatores genéticos e ambientais. Segundo a OMS (2023), a interação de múltiplos genes pode aumentar a vulnerabilidade ao transtorno, enquanto condições ambientais, como o uso de determinados fármacos durante a gestação, também elevam o risco. A American Psychiatric Association (APA, 2024) acrescenta que aspectos como a idade avançada dos pais e a presença de síndromes genéticas, como X Frágil e Esclerose Tuberosa, estão associados ao maior risco de diagnóstico.
Entre os principais desafios enfrentados por indivíduos com TEA estão as alterações relacionadas à alimentação. A seletividade alimentar é uma característica amplamente descrita, marcada pela rejeição de novos alimentos, limitação da variedade alimentar e preferência por cores, texturas ou sabores específicos, o que compromete a adequação nutricional (Sharp et al., 2018; Martins, 2024). Tais restrições podem levar a deficiências de micronutrientes essenciais, como ferro, zinco e vitaminas, interferindo no crescimento e no desenvolvimento global da criança.
A sensibilidade sensorial constitui outro fator de grande relevância para a alimentação. Crianças com TEA podem apresentar hiper ou hiporreatividade a estímulos táteis, gustativos, olfativos ou visuais, impactando negativamente a aceitação alimentar. Alterações no processamento sensorial são reconhecidas pelo DSM-5 como critério diagnóstico e estão diretamente relacionadas à recusa alimentar (APA, 2014; Robertson; Baron-Cohen, 2017). Nessa perspectiva, estudos apontam que texturas específicas e odores fortes são frequentemente rejeitados, reforçando a relação entre seletividade alimentar e defensividade sensorial (Silva, 2022).
Além dos aspectos sensoriais, há evidências de alta prevalência de problemas gastrointestinais em crianças com TEA, como constipação, refluxo e dor abdominal (McElhanon et al., 2014; Vilela; Nascimento; Palma, 2019). Tais condições podem estar relacionadas a alterações da microbiota intestinal, que comprometem a absorção de nutrientes e aumentam a susceptibilidade a processos inflamatórios (Berding; Donovan, 2016). A literatura também evidencia níveis reduzidos de micronutrientes, como vitamina D, ferro, zinco, vitaminas do complexo B e ácidos graxos essenciais, o que agrava as manifestações clínicas do TEA (Liu et al., 2016; Wang et al., 2020; Senna, 2021). Embora a suplementação nutricional venha sendo investigada, os resultados ainda são inconclusivos, devendo ser realizada com cautela e sempre sob acompanhamento profissional (Tardy et al., 2020; Ângelo et al., 2021).
No enfrentamento dessas dificuldades, a literatura destaca a importância de estratégias de educação e intervenção nutricional. A educação alimentar, quando adaptada às necessidades específicas do público com TEA, mostra-se eficaz na ampliação da aceitação alimentar, sobretudo quando associada a métodos lúdicos, como jogos, músicas e atividades pedagógicas (Prado et al., 2012; Magagnin et al., 2019).
Estudos indicam que intervenções mediadas pelos cuidadores — especialmente aquelas desenvolvidas para serem aplicadas no contexto familiar e adaptadas à rotina da casa — promovem benefícios tanto nos padrões alimentares das crianças com TEA quanto no bem-estar emocional e na autoconfiança dos próprios cuidadores (Ausderau et al., 2020). Além disso, a escola constitui espaço estratégico para a inclusão de práticas alimentares no currículo, promovendo a interação social e a diversidade alimentar de forma inclusiva (Cabral; Falcke; Marin, 2021). Recursos digitais, como jogos interativos, também têm se mostrado ferramentas promissoras para estimular a aceitação de novos alimentos (Milane; Bortolozo; Pilatti, 2022).
Dessa forma, compreende-se que os desafios alimentares no TEA transcendem questões biológicas, envolvendo dimensões sensoriais, comportamentais e sociais. Uma abordagem interdisciplinar, que integre nutricionistas, educadores, terapeutas e familiares, é apontada como fundamental para a promoção da saúde e da qualidade de vida de crianças com TEA (Barbosa et al., 2023; Araújo et al., 2024).
A literatura recente confirma que as dificuldades alimentares no TEA — especialmente seletividade, recusa e rituais de refeição — guardam relação estreita com perfis sensoriais atípicos, o que repercute na variedade e na qualidade da dieta (Nimbley et al., 2022; Rodrigues et al., 2023). Por isso, diretrizes pediátricas atuais recomendam intervenções precoces, individualizadas e interdisciplinares, com metas claras, participação da família e foco em contextos naturais (Hyman; Levy; Myers, 2020; American Academy Of Pediatrics, 2024).
Ensaios clínicos randomizados mostraram que programas estruturados e mediados por pais melhoram variedade e comportamento à mesa. O MEAL Plan (Managing Eating Aversions and Limited variety), com 10 sessões nucleares mais reforços, combinou educação nutricional, organização do ambiente de refeições e técnicas de exposição graduada, superando educação parental genérica em aceitação alimentar e funcionalidade (Sharp et al., 2019). Outro ensaio piloto de treinamento parental para problemas alimentares em crianças com TEA evidenciou factibilidade, satisfação e efeitos favoráveis nos desfechos de alimentação, sustentando a ampliação para estudos de eficácia (Johnson et al., 2019). Revisão sistemática recente reforça que intervenções comportamentais com treinamento de cuidadores apresentam benefícios consistentes e crescente padronização de protocolos (Hodges; Redner; Kahng, 2023). Ainda assim, sínteses focadas em intervenções implementadas por cuidadores alertam para a necessidade de medir resultados de forma mais padronizada e clinicamente significativa (Blennerhassett; Richards; Clayton, 2023).
Na prática, recomenda-se estruturar rotinas de refeição — como manter o mesmo local, horário e utensílios —, aplicar reforço diferencial, negociar porções mínimas e promover exposição repetida com hierarquias de aproximação (primeiro tocar, cheirar, lamber, morder), como parte de um plano co-construído com a família (Sharp et al., 2019; Hodges; Redner; Kahng, 2023).
Considerando as ligações entre hiper/hiporreatividade sensorial e comer, intervenções sensoriais integradas às refeições têm respaldo crescente. A terapia ocupacional emprega estratégias sensório-comportamentais (dessensibilização gradual, exploração tátil/visual/olfativa dos alimentos, adaptação de texturas e utensílios) e foco familiar (treino com cuidadores), com relatos de ganhos em aceitação e redução de comportamentos disruptivos (Reche-Olmedo et al., 2021). Experimentos de “transformação física” dos alimentos (ex.: converter frutas/vegetais em preparações com texturas/temperaturas mais toleráveis para a criança) aumentaram a aceitação de itens-alvo, apoiando o uso de manipulação sensorial controlada como ponte para alimentos in natura (Chung; Jarus; Yoo, 2020).
Neste contexto, implicações práticas incluem mapear gatilhos sensoriais (cor, odor, temperatura, crocância), treinar habilidades motor-orais (mastigação, selamento labial) e sequenciar texturas do “mais próximo do preferido” ao “novo”, articulando-se à escola e à terapia ocupacional (Nimbley et al., 2022; Reche-Olmedo et al., 2021).
Os programas de educação nutricional também vêm migrando para formatos mais interativos. O protocolo Autism Eats (ensaio randomizado por viabilidade) integra educação alimentar e estratégias comportamentais na atenção precoce, mediada por profissionais e pais (Gray et al., 2022). Intervenções mHealth (aplicativos com atividades, metas e feedbacks) demonstraram redução de ultraprocessados e aumento de frutas e verduras em crianças com TEA seletivas após 3 meses (Kral et al., 2023). Em paralelo, uma revisão narrativa de 2024 sinaliza que programas de educação nutricional isolados têm efetividade heterogênea; resultados melhoram quando combinados a estratégias comportamentais, participação parental e monitoramento objetivo (Breda et al., 2024). Na prática recomenda-se o uso de materiais visuais, fichas de metas, jogos de cozinha e apps para registro de tentativas, reforçando exposição repetida e cozinha participativa (Kral et al., 2023; Gray et al., 2022; Breda et al., 2024).
A escola também desempenha papel essencial na ampliação do repertório alimentar. Estudos mostram que resultados são potencializados quando atividades sensoriais e culinárias simples são incorporadas ao currículo escolar e quando há alinhamento entre família, escola e profissionais de saúde, o que reduz inconsistências e facilita a generalização dos ganhos (Hyman; Levy; Myers, 2020; American Academy of Pediatrics, 2024).
Revisões recentes recomendam rastreamento de risco nutricional (por exemplo, baixa ingestão de ferro, zinco, vitaminas D e do complexo B; alta exposição a ultraprocessados) e o uso cauteloso de suplementos, sempre individualizados e monitorados por profissional habilitado (Al-Beltagi, 2024). Sobre dietas de exclusão (p. ex., isentas de glúten e caseína), a evidência continua mista e de qualidade variável; podem ser consideradas apenas diante de indicação clínica (intolerâncias, alergias, sintomas GI) e com acompanhamento para evitar déficits nutricionais (Pérez-Cabral et al., 2024).
Diante da diversidade de abordagens identificadas, optou-se por organizar os principais achados empíricos em um quadro comparativo. Nele, estão sistematizadas informações essenciais de ensaios clínicos, revisões e estudos aplicados que investigaram estratégias de adesão alimentar em crianças com TEA, contemplando autor (ano), publicação, tempo de intervenção, amostra, parâmetros avaliados, resultados e conclusões. Esse recurso busca sintetizar evidências práticas, permitindo visualizar de forma clara os pontos fortes, limitações e tendências convergentes entre diferentes métodos.
Quadro 1: Estratégias de intervenção nutricional para adesão alimentar em crianças com TEA.
| Autor (Ano) | Tempo de intervenção | Amostra | Parâmetros avaliados | Resultados | Considerações do autor |
| Sharp et al. (2019) | 16 semanas | N=38 crianças (3–8 anos) com TEA e seletividade moderada; 19 MEAL Plan vs 19 educação parental | CGI-I; BAMBI; gramas consumidos de alimentos não preferidos em observação de refeição | Crianças do grupo MEAL Plan tiveram maior aceitação alimentar e redução da seletividade. | O programa estruturado de treinamento parental (MEAL Plan) é eficaz para ampliar o repertório alimentar e deve ser incorporado em protocolos de manejo alimentar em TEA. |
| Johnson et al. (2019) | 11 sessões (12 semanas) | N=42 crianças pequenas (2 a 7 anos) com TEA e problemas alimentares (ensaio randomizado) | BAMBI; CGI‑I; fidelidade e satisfação; adesão dos pais | Melhoras significativas em problemas de alimentação e comportamento nas refeições (BAMBI) e maior proporção de crianças classificadas como ‘melhoradas’ no CGI‑I em relação à lista de espera. | O treinamento parental para manejo de dificuldades alimentares mostrou-se viável e eficaz, podendo ser replicado em contextos clínicos e domiciliares. |
| Kral et al. (2023) | 12 semanas | N=38 díades cuidador‑criança (6 a 10 anos) com TEA (randomizado por blocos) | Consumo de frutas/verduras; ingestão energética; qualidade da dieta; uso do app; desfechos parentais | Grupo mHealth apresentou aumento de consumo de frutas/vegetais, especialmente quando os cuidadores se mantiveram engajados. | Intervenções digitais podem ser ferramentas promissoras, mas sua efetividade depende do envolvimento ativo da família. |
| Chung, Law & Fong (2020) | 8 semanas | N=56 crianças (4 a 10 anos) com TEA em escolas (quase‑experimental) | Aceitação de frutas e vegetais transformados (sorvetes, chips) | Houve aumento na aceitação alimentar após modificação sensorial dos alimentos. | A transformação física dos alimentos é uma estratégia eficaz para reduzir a neofobia e facilitar a introdução de novos grupos alimentares |
| Peterson et al. (2019) | 12 semanas | N=17 crianças (3 a 8 anos) com TEA e seletividade (ensaio controlado randomizado) | Frequência de aceitação alimentar e dados comportamentais | Crianças submetidas à ABA apresentaram aumento da aceitação de alimentos não preferidos. | A intervenção comportamental baseada em ABA mostrou-se eficaz para reduzir recusa alimentar severa em TEA. |
| St John & Ausderau (2024) – Engaged Eaters Program (teleatendimento) | 6 meses | N=14 cuidadores de crianças autistas (2–7 anos) com desafios alimentares (pré‑pós) | Estresse parental, autoeficácia e percepção da alimentação | Houve redução de estresse dos cuidadores e melhora da percepção sobre o manejo alimentar, indicando efeito dependente do nível basal. | O teleatendimento voltado aos cuidadores favorece a redução da sobrecarga familiar e melhora indiretamente a adesão alimentar das crianças. |
Fonte: Elaboração das autoras.
Os resultados analisados demonstraram que intervenções estruturadas voltadas para a alimentação de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresentaram eficácia significativa, sobretudo quando fundamentadas em programas de treinamento parental e em técnicas comportamentais. No estudo de Sharp et al. (2019), por exemplo, o programa MEAL Plan mostrou-se superior à educação parental genérica, com maior proporção de crianças classificadas como “muito/extremamente melhoradas” no Clinical Global Impression-Improvement (CGI-I) e redução de problemas durante as refeições, mensurados pelo Brief Autism Mealtime Behavior Inventory(BAMBI). Apesar dos avanços, os autores destacaram que os desfechos se concentraram em medidas comportamentais, sem avaliação de marcadores nutricionais objetivos.
Resultados semelhantes foram relatados por Johnson et al. (2019), que aplicaram o programa Parent Training for Feeding Problems (PT-F) em um ensaio clínico piloto. A intervenção, composta por 11 sessões, demonstrou boa viabilidade, alta satisfação dos cuidadores e melhoras clínicas no comportamento alimentar das crianças. No entanto, por se tratar de um estudo preliminar, a análise restringiu-se a indicadores de aceitação alimentar, carecendo de acompanhamento longitudinal e de parâmetros nutricionais mais robustos.
De forma complementar, Peterson et al. (2019) evidenciaram que protocolos baseados na Análise do Comportamento Aplicada (ABA) aumentaram de maneira significativa a aceitação e a deglutição adequada de alimentos previamente rejeitados, confirmando a eficácia das abordagens comportamentais em casos de recusa alimentar severa. Todavia, a pequena amostra do estudo limita a generalização dos achados, reforçando a necessidade de investigações em contextos mais amplos.
Por outro lado, estudos que exploraram recursos tecnológicos e sensoriais mostraram resultados igualmente promissores. Kral et al. (2023) utilizaram um programa de saúde digital (mHealth), que contribuiu para a ampliação do consumo de frutas e vegetais e para a redução do consumo de ultraprocessados. Apesar de não terem sido observadas diferenças significativas entre os grupos no resultado global, os autores identificaram benefícios relevantes nos subgrupos que mantiveram maior engajamento com o aplicativo, sugerindo que a adesão ao recurso tecnológico é determinante para sua efetividade.
De maneira semelhante, St John e Ausderau (2024) avaliaram o programa Engaged Eaters, voltado ao teleatendimento e capacitação de cuidadores. Os resultados mostraram redução de estresse e aumento da autoeficácia principalmente entre aqueles que apresentavam níveis mais baixos de confiança no início da intervenção. Assim, conclui-se que a efetividade do programa depende do perfil inicial dos cuidadores e de sua adesão às atividades propostas.
No campo das intervenções sensoriais, Chung, Law e Fong (2020) propuseram a transformação física de frutas e vegetais, alterando sua textura e aparência em um ambiente escolar. A estratégia mostrou impacto positivo no aumento da aceitação alimentar e contou com feedback favorável das famílias, reforçando a relevância da adaptação sensorial no processo de introdução de novos alimentos. Entretanto, a ausência de randomização e a dependência de autorrelatos limitaram a robustez dos achados.
De forma transversal, observa-se que os estudos se complementam em diferentes perspectivas. As intervenções comportamentais (Sharp et al., 2019; Johnson et al., 2019; Peterson et al., 2019) demonstraram os efeitos mais consistentes na ampliação da aceitação alimentar, enquanto as abordagens sensoriais e tecnológicas (Chung et al., 2020; Kral et al., 2023) reforçaram a importância de metodologias diversificadas, adaptadas ao perfil sensorial e ao nível de engajamento dos cuidadores. Já os programas de teleatendimento (St John & Ausderau, 2024) mostraram potencial de alcance, mas sua efetividade depende fortemente do envolvimento familiar.
Em conjunto, as evidências sugerem que intervenções multifacetadas e interdisciplinares — integrando aspectos comportamentais, sensoriais, tecnológicos e educativos — oferecem maior potencial de impacto no manejo alimentar de crianças com TEA. Contudo, permanece a lacuna de estudos longitudinais e de avaliações nutricionais objetivas, o que limita a compreensão plena dos efeitos a longo prazo dessas estratégias.
Diante do exposto, os resultados reforçam que a adesão alimentar de crianças com TEA depende de estratégias individualizadas e integradas, que considerem não apenas os aspectos nutricionais, mas também os fatores sensoriais, comportamentais e o contexto familiar. A literatura evidencia que o engajamento ativo dos cuidadores e a utilização de metodologias lúdicas, tecnológicas e educativas potencializam a efetividade das intervenções. Entretanto, permanece a necessidade de estudos longitudinais, com maior rigor metodológico e inclusão de marcadores nutricionais objetivos, a fim de consolidar evidências científicas que orientem práticas mais abrangentes e políticas públicas voltadas para a promoção da saúde e da qualidade de vida dessa população.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo evidenciou que a adesão alimentar de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) constitui um desafio complexo, que exige intervenções planejadas e adaptadas às especificidades individuais. A literatura analisada apontou que programas baseados em treinamento parental e em técnicas comportamentais apresentam resultados consistentes, especialmente no aumento da aceitação alimentar e na redução da seletividade. Essas estratégias destacam-se pela capacidade de envolver a família como agente central do processo de mudança, fortalecendo o vínculo entre cuidadores e crianças e ampliando as possibilidades de sucesso terapêutico.
De forma complementar, intervenções sensoriais e recursos tecnológicos, como programas digitais e teleatendimento, mostraram-se promissores ao expandirem a variedade alimentar e favorecerem a participação familiar, embora sua eficácia esteja diretamente relacionada ao grau de engajamento dos cuidadores e ao contexto de aplicação. Apesar de avanços significativos, as evidências disponíveis ainda carecem de estudos longitudinais e de avaliações nutricionais objetivas que permitam compreender de forma mais ampla o impacto das diferentes estratégias no crescimento, desenvolvimento e bem-estar das crianças com TEA.
Nesse sentido, reforça-se a necessidade de abordagens interdisciplinares e multifacetadas, que integrem aspectos nutricionais, comportamentais, sensoriais e educativos, adaptados às demandas individuais e familiares. A consolidação de práticas baseadas em evidências, associada à construção de políticas públicas inclusivas, representa um caminho essencial para promover a qualidade de vida e a autonomia alimentar de crianças com TEA, contribuindo para um cuidado mais humanizado e eficaz.
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¹Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: leandra.paiva22@gmail.com.
²Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: suzineyalvessilva@gmail.com
³Orientadora do TCC, Mestre em Ciência da Saúde pela Universidade Federal do Amazonas. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: rebeca.figueiredo@fametro.edu.br.
4Co-orientador do TCC, Mestre pela UNISANTOS. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: david.reis@fametro.edu.br.
