CLÍNICA UNIVERSITÁRIA DE ENFERMAGEM: INTEGRAÇÃO, QUALIDADE E SEGURANÇA COMO ESTRATÉGIA ACADÊMICA

UNIVERSITY NURSING CLINIC: INTEGRATION, QUALITY AND SAFETY AS AN ACADEMIC STRATEGY

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202512110941


Élida Maria da Silva1
Fabiana Silva Gomes2
Guilherme Soares Vieira3
Heloíza Lopes Dias Lago4
Laís Tavares dos Santos5
Orientador: José Luís Rodrigues Martins6


RESUMO 

A Unidade de Assistência de Enfermagem constitui um espaço essencial para integrar ensino,  pesquisa e extensão, qualificando a formação prática e ampliando o acesso aos cuidados de  saúde. Entretanto, persistem desafios críticos relacionados à infraestrutura física e  organizacional, à ausência de modelos consolidados de gestão e à fragilidade de indicadores  para avaliar o impacto assistencial, pedagógico e social. Essas limitações comprometem a  efetividade dos Procedimentos Operacionais Padrão (POPs), para a segurança do paciente, a  padronização das práticas e a sustentabilidade institucional. Assim, embora configurem  ambientes estratégicos, a consolidação dessas unidades depende de protocolos claros,  governança clínica efetiva e monitoramento contínuo. 

Palavras-chave: Unidade de Assistência de Enfermagem; Infraestrutura; Procedimentos  Operacionais Padrão. 

INTRODUÇÃO 

As clínicas de enfermagem em universidades configuram-se como núcleos estratégicos  de integração entre ensino, pesquisa e extensão, conciliando a formação prática de discentes  com o atendimento às demandas de saúde da comunidade acadêmica.(Prestes Vargas et al.,  2025) Nesses espaços, estudantes sob supervisão docente realizam consultas, procedimentos e  ações educativas, adquirindo competências clínicas e interprofissionais enquanto contribuem  para suprir lacunas assistenciais, como o acompanhamento de condições crônicas, vacinação e  promoção da saúde.(Shakoor; Boelens; Yingling, 2023) 

Essas unidades, frequentemente geridas por estudantes com apoio de docentes e  enfermeiros, ampliam o acesso a serviços de saúde não apenas para a comunidade universitária,  mas também para trabalhadores terceirizados e moradores do entorno, reafirmando a função  social da universidade e fortalecendo a formação cidadã e profissional dos discentes.(Rupert et  al., 2022) Estudos indicam que a consolidação desses serviços reduz desigualdades em saúde e  reforça a vigilância voltada ao trabalhador, ampliando a proteção e o bem-estar no contexto  acadêmico.(Krakov et al., 2023) Sob essa perspectiva, clínicas estudantis e programas de saúde  ocupacional atuam como espaços de assistência qualificada e laboratórios de pesquisa aplicada,  reafirmando a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.(Ungvári et al., 2021) 

A efetividade desses modelos depende da participação ativa das equipes de enfermagem  na construção e validação de protocolos, garantindo coerência pedagógica, adesão profissional  e fortalecimento institucional.(Pérez-Vergara et al., 2021) 

Estudos apontam que clínicas lideradas por enfermeiros reduzem o tempo de espera,  aumentam a satisfação dos usuários e contribuem para o descongestionamento de serviços  médicos tradicionais.(Htay; Whitehead, 2021) Esses resultados, porém, só se sustentam quando  há suporte organizacional consistente, definição clara de atribuições e equipes  multiprofissionais integradas(Pu; Malik; Murray, 2024) 

Nesse contexto, a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) torna-se  essencial para qualificar o cuidado, padronizar intervenções e garantir rastreabilidade,  especialmente em ambientes que conciliam assistência e gestão.(Silva et al., 2024) A  sustentabilidade dessas clínicas também requer incorporação de tecnologias, cooperação  multiprofissional e enfrentamento de desafios como sobrecarga administrativa e pressão  produtivista.(Sirkka et al., 2025) A Educação Permanente em Saúde (EPS) surge como  estratégia integradora, fortalecendo a articulação ensino-serviço por meio de capacitações e  oficinas voltadas à padronização de condutas. (Oliveira Sousa et al., 2023)

Protocolos clínicos de enfermagem, como os aplicados na atenção primária,  demonstram potencial para ampliar a resolutividade e a governança clínica em contextos  universitários.(Silva et al., 2024) Além disso, programas de acreditação reforçam que  planejamento, monitoramento e avaliação contínuos são determinantes para a qualidade  percebida, enquanto a construção coletiva de modelos assistenciais favorece legitimidade e  adesão profissional.(Pérez-Vergara et al., 2021) Apesar dos avanços, ainda há escassez de  modelos organizacionais adaptados ao contexto brasileiro, mesmo diante de diretrizes do  COFEN e da ANVISA, que reforçam a padronização e a segurança em ambientes de saúde. 

Diante desse cenário, as clínicas universitárias de enfermagem reafirmam-se como  espaços estratégicos de formação e cuidado, ao oferecerem experiências práticas aos estudantes  e atendimento qualificado à comunidade acadêmica e colaboradores.(Hulme et al., 2024; Salum et al., 2020) Assim, este estudo tem como objetivo descrever e analisar criticamente o modelo  assistencial e pedagógico de uma clínica universitária de enfermagem, considerando sua  contribuição para a qualidade do cuidado, a formação discente e o atendimento à comunidade,  bem como identificar barreiras, facilitadores e propor recomendações operacionais baseadas  em evidências para promover segurança, efetividade e sustentabilidade do serviço. 

METODOLOGIA 

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, delineada para analisar a produção  científica acerca das unidades de enfermagem universitárias. Esse método foi escolhido por  permitir a síntese crítica do conhecimento existente, integrando resultados de diferentes  delineamentos metodológicos e fornecendo uma compreensão abrangente do fenômeno  investigado. (Dal et al., 2008) 

A revisão seguiu as etapas sistematizadas descritas por (Whittemore Aprn; Knafl  Elizabeth Gray Distinguished Professor; Knafl, 2020) e reafirmadas em estudos recentes (Cheraghi et al., 2023) (i) identificação da questão norteadora; (ii) busca em bases de dados;  (iii) definição dos critérios de inclusão e exclusão; (iv) avaliação crítica dos estudos; (v)  extração e análise dos dados; e (vi) síntese dos resultados. 

O levantamento bibliográfico foi conduzido nas bases Web of Science, ScienceDirect, SciELO e PubMed, selecionadas por sua relevância na indexação de periódicos científicos  revisados por pares. Foram utilizados descritores controlados Medical Subject Headings (MeSH) e Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) em associação a termos livres em português e inglês, de modo a ampliar a sensibilidade da busca. 

A revisão foi realizada entre agosto e setembro de 2025, em bases multidisciplinares e  específicas. O operador booleano “OR” foi usado para agrupar os sinônimos de cada termo, e os termos foram organizados em blocos e conectados pelo operador booleano “AND” para  completar a estratégia de pesquisa (Tabela 1). As palavras-chave da pesquisa consistiram em três blocos relacionados aos seguintes termos  orientadores: “University Nursing Clinics”, “Clinical Protocols/Standard Operating  Procedures” e “Health Outcomes and Patient Safety”

Tabela 1 – Estratégia de Busca em Bases de Dados: Blocos Temáticos e Palavras-Chave Utilizadas 

Blocks Keywords used
#1 – University  nursing clinics and  student/nurse-led  services“student-run clinic” OR “student-led clinic” OR “nurse-led clinic”  OR “university clinic” OR “teaching clinic” OR “academic nursing  clinic” OR “student-managed clinic” OR “school health service”  OR “nursing school office” OR “clínica universitária” OR “clínica  de enfermagem” OR “unidade de assistência de enfermagem” OR  “serviços de saúde escola”
#2 – Clinical  protocols and  Standard Operating  Procedures (SOPs)“standard operating procedure” OR “SOP” OR “SOPs” OR  “clinical protocol” OR “clinical protocols” OR “clinical guideline”  OR “clinical guidelines” OR “care pathway” OR “care pathways”  OR “evidence-based practice” OR “protocolos clínicos” OR  “procedimentos operacionais padrão” OR “protocolos  assistenciais” OR “governança clínica”
#3 – Health outcomes,  patient safety, access  and equity“patient safety” OR “safety culture” OR “quality of care” OR  “health outcome” OR “health outcomes” OR “health access” OR  “access to healthcare” OR “equity in healthcare” OR “occupational  health nursing” OR “workplace health” OR “acesso à saúde” OR  “equidade em saúde” OR “segurança do paciente” OR “resultados  em saúde” OR “custo-efetividade” OR “sustentabilidade em  saúde”

Critérios de elegibilidade 

Para a amostra do estudo, foram adotados os seguintes critérios de inclusão: • Estudos originais, revisões, diretrizes ou documentos institucionais que abordassem, de  forma direta ou indireta, as unidades de enfermagem universitárias; 

  • Publicações redigidas em português e inglês, de modo a contemplar a produção científica  em âmbito nacional e internacional;  
  • Artigos publicados no intervalo temporal de 2015 a 2025, considerando a necessidade de  refletir a evolução recente das práticas acadêmicas e assistenciais; 
  • Disponibilidade do texto completo, assegurando a análise integral do conteúdo.

Critérios de inelegibilidade 

Foram considerados inelegíveis para esta revisão:  

  • Produções não científicas, tais como editoriais, cartas ao editor, comentários, notícias e  resumos de eventos;  
  • Publicações sem disponibilidade integral do texto; (iv) trabalhos publicados antes de 2015  ou em idiomas diferentes do português e inglês;  
  • Registros duplicados em mais de uma base de dados, mantendo-se apenas a versão mais  completa. 

A seleção dos artigos foi realizada em conformidade com as diretrizes PRISMA (Preferred  Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses) (Page et al., 2021). As etapas do  processo envolveram: (i) identificação e remoção de duplicatas; (ii) leitura de títulos e resumos;  (iii) leitura integral dos artigos elegíveis; e (iv) aplicação dos critérios de inclusão e exclusão.  O processo de triagem encontra-se detalhado no fluxograma apresentado na Figura 1. 

Figura 1: Processo de Triagem e Inclusão de Estudos Conforme o Diagrama PRISMA

Fonte: Autoria Próprios Autores 

RESULTADO E DISCUSSÃO  

As evidências mostram que as clínicas de enfermagem universitárias, além de formarem  estudantes, prestam assistência direta à comunidade acadêmica e aos colaboradores, ampliam  o acesso a consultas e procedimentos básicos, monitoram doenças crônicas como hipertensão arterial e diabetes melittus e desenvolvem ações específicas de saúde ocupacional, reduzindo  vulnerabilidades e qualificando o ensino. (Oliveira Sousa et al., 2023; Santos et al., 2020) 

No Brasil, (Oliveira et al., 2025) identificaram em um consultório-escola baixa  cobertura vacinal e elevada prevalência de hipertensão arterial e diabetes melittus entre trabalhadores, evidenciando a ausência de ações sistematizadas de promoção e prevenção. Essa  fragilidade compromete a saúde individual e a eficiência institucional, reforçando a clínica  universitária como sentinela em saúde ocupacional.(Hurtado et al., 2022) 

No cenário internacional, o modelo Caring University (Universidade Solidária),  desenvolvido na Hungria, evidenciou que universidades podem assumir um papel ativo na  promoção da saúde e do bem-estar de seus colaboradores e da comunidade acadêmica, por meio  de check-ups regulares, campanhas preventivas e aconselhamento multiprofissional. (Ungváriet al., 2021) 

No Brasil, ainda predominam vulnerabilidades pouco monitoradas que comprometem a  efetividade das ações de saúde laboral e a adoção de protocolos de segurança.(Oliveira et al.,  2025; Santos et al., 2020) A implementação de clínicas universitárias de enfermagem pode  fortalecer esse cenário, ao oferecer prática supervisionada, formação crítica e monitoramento  contínuo. Em países europeus e asiáticos, destacam-se estratégias de saúde ocupacional  sustentadas por sistemas integrados e ferramentas de autoavaliação, eficazes na redução de  riscos, absenteísmo e custos, além de promover uma cultura de segurança.(Pimentel et al., 2023;  Rantala et al., 2024; Sirkka et al., 2025) 

O estudo realizado por (De Morais et al., 2024) apontam que os Procedimentos  Operacionais Padrão (POPs) favorecem o desempenho da equipe de enfermagem ao assegurar  padronização e consistência técnica, contudo, sua efetividade depende de condições  institucionais de suporte, como capacitação contínua, supervisão qualificada e compromisso  organizacional com a segurança assistencial, sem os quais os protocolos tendem a perder  aplicabilidade e impacto real na prática cotidiana. 

De acordo com (Lima; Juliani; Spagnuolo, 2023) em cenários clínicos de ensino, a  ausência de protocolos resultou em falhas na execução dos procedimentos médicos, um  aumento do risco para os pacientes e danos na formação prática dos estudantes. De modo  complementar,(Cerulus et al., 2025) identificou que a padronização fundamentada em  evidências diminuiu a ocorrência de erros clínicos e alinhou a assistência aos princípios da  segurança do paciente. 

Evidências sugerem que o Procedimento Operacional Padrão (POP) não se limita a  elevar a qualidade assistencial, contribuindo igualmente para o fortalecimento da cultura de  segurança, sob a condição de serem sustentados por protocolos explícitos e pelo envolvimento  ativo das equipas multiprofissionais.(Hortense et al., 2024) Foi demonstrado que definir  claramente os papéis e as atribuições é um requisito essencial para o funcionamento adequado dos contextos interprofissionais, de forma a prevenir a sobreposição de funções e a promover a  efetividade pedagógica. (Dale et al., 2025; Davis, 2021) 

No âmbito da infraestrutura física da clínica universitária, o planejamento arquitetônico  deve assegurar fluxos assistenciais organizados, em conformidade com as normas sanitárias  vigentes e suporte à execução dos POPs. Esse alinhamento encontra respaldo na RDC nº 50 da  Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) 39, a qual estabelece diretrizes para o  planejamento físico de estabelecimentos assistenciais de saúde, abrangendo a organização dos  ambientes, a separação de fluxos limpos e sujos, a garantia de acessibilidade, os requisitos de  segurança e as condições de biossegurança indispensáveis à qualidade da assistência e do ensino  (ANVISA, 2002). 

A planta arquitetônica (Figura 2) ilustra essa conformidade ao apresentar a distribuição  estratégica dos ambientes, incluindo recepção, sala de triagem, sala de procedimentos  assistenciais, espaço destinado à coleta de citologia oncótica e sala de vacinação, evidenciando  a integração entre assistência, ensino e biossegurança. 

Figura 2: Planta baixa da Unidade de Assistência de Enfermagem com distribuição dos ambientes  funcionais

Fonte: Departamento de Engenharia Universidade Evangélica de Goiás

A expansão dos cursos de enfermagem no Brasil representa um avanço para o  fortalecimento do sistema de saúde e a ampliação das oportunidades formativas. Para consolidar  esse crescimento de forma qualificada, é necessário alinhar a expansão a investimentos em  infraestrutura e integração ensino-serviço, garantindo impacto positivo na formação e na  assistência.(De Morais et al., 2024; Johnson et al., 2024) Corroborando com a expansão dos  cursos de enfermagem(Sturm et al., 2024) ressalta que clínicas coordenadas por enfermeiros,  com protocolos e fluxos bem definidos, favorecem a continuidade do cuidado e a satisfação dos  usuários. 

A literatura reforça que a infraestrutura física e organizacional constitui elemento  central para a qualidade assistencial e para a formação em enfermagem. O estudo conduzido  por(Oliveira et al., 2025) destaca que o consultório de enfermagem representa um espaço  institucionalizado no qual o enfermeiro exerce autonomia no atendimento, configurando-se  como ambiente estratégico para o cuidado aos colaboradores.(Porter-O’grady; Rollins; Bailey,  2025) 

Esse entendimento é reiterado ao se reconhecer o campo clínico como um  estabelecimento de saúde que deve dispor de infraestrutura, recursos humanos e  organizacionais adequados para atividades de ensino-aprendizagem. (Aires-Moreno et al.,  2025; Lavin; Kao, 2023) Demonstram que clínicas de enfermagem apoiadas em protocolos e  fluxos padronizados alcançam indicadores assistenciais e formativos equivalentes ou até  superiores aos serviços tradicionais, assegurando maior continuidade do cuidado e satisfação  dos usuários. (Connolly; Cotter, 2023) 

De forma complementar estudos (Dameri et al., 2023a) evidenciaram que, em contextos  universitários, a adoção de POPs é determinante para a reprodutibilidade científica e para a  segurança assistencial, promovendo consistência entre a formação acadêmica e a prática clínica.  Nesse cenário, a ausência ou precariedade de infraestrutura inviabiliza a implementação efetiva  desses protocolos e compromete a qualidade do atendimento, além de fragilizar a integração  ensino-serviço. 

A qualidade da aprendizagem em cenários clínicos depende de diretrizes e protocolos  assistenciais claros; por isso, a implementação de POPs favorece simultaneamente a segurança  assistencial e a formação profissional em práticas padronizadas.(Humphrey; Reed; Bellflower,  2025) De forma convergente, estudos indicam que a padronização por protocolos clínicos  fortalece a segurança do paciente e qualifica processos de ensino.(Dameri et al., 2023b;  Hortense et al., 2024) Ademais, a explicitação de papéis em equipes interprofissionais aumenta a efetividade pedagógica(DAVIS, 2021), enquanto os POPs continuamente atualizados atuam  como ferramentas de cuidado seguro e de aprendizagem estruturada.(Dale et al., 2025) Nessa perspectiva, clínicas lideradas por estudantes têm mostrado impacto positivo na  aprendizagem experiencial e no desenvolvimento de competências comunicacionais,  colaborativas e clínicas, além de ampliar o acesso de usuários a serviços de saúde. (Channa et  al., 2024; Prestes Vargas et al., 2025) A integração ensino-serviço é fortalecida quando  associada a metodologias que unem simulação e prática clínica, permitindo que os discentes  consolidem habilidades técnicas e gerenciais. (Dedmon et al., 2024; Kodweis et al., 2023) O estudo desenvolvido por 40 ainda reforça essa perspectiva ao demonstrar que clínicas  lideradas por enfermeiros se mostram custo-efetivas e sustentáveis, reduzindo gastos  institucionais e fortalecendo a viabilidade desses modelos. Quando associadas à padronização  dos processos via POPs, tais clínicas não apenas qualificam o cuidado, mas também favorecem  a eficiência financeira e organizacional. 

Em síntese, os estudos demonstram que clínicas universitárias de enfermagem, quando  estruturadas a partir de POPs consistentes e apoiadas por infraestrutura adequada, representam  um espaço estratégico para a integração ensino-serviço-comunidade, promovendo saúde  integral, fortalecendo a formação prática, padronizando processos e garantindo sustentabilidade  institucional. Sua efetividade, contudo, depende da articulação entre protocolos baseados em  evidências, suporte organizacional, capacitação contínua e monitoramento de indicadores  capazes de evidenciar o impacto real na saúde da comunidade acadêmica e na qualificação  profissional. 

CONCLUSÃO 

Ao unirem assistência em saúde e formação prática, as unidades de enfermagem  universitárias configuram-se como resposta concreta às demandas da comunidade acadêmica e  dos colaboradores institucionais. Os resultados demonstram que esses serviços viabilizam o  monitoramento de condições crônicas, a prevenção de agravos e a promoção da saúde  ocupacional, ao mesmo tempo em que fortalecem competências clínicas e pedagógicas. Sua  efetividade, contudo, depende de medidas objetivas: a adoção de POPs que assegurem a  padronização das condutas e a segurança do atendimento, a manutenção de uma infraestrutura  capaz de sustentar fluxos assistenciais organizados, a capacitação permanente de docentes,  discentes e equipes de apoio e o acompanhamento sistemático de indicadores que revelem o  impacto real do serviço. Dessa forma, a clínica universitária de enfermagem não deve ser  compreendida apenas como um campo de estágio, mas como um núcleo estruturante de governança em saúde acadêmica, capaz de integrar cuidado, ensino e sustentabilidade  institucional. 

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1Mestranda. Programa de Pós-Graduação Ciências Farmacêuticas, Farmacologia e Terapêutica. Da Universidade  Evangélica de Goiás- UniEVANGÉLICA. elida.silva@unievangelica.edu.br
ORCID: https://orcid.org/0009- 0005-5060-0041

2Mestranda. Programa de Pós-Graduação Ciências Farmacêuticas Farmacologia e Terapêutica da Universidade Evangélica de Goiás – UniEVANGÉLICA. fabiana.gomes@unievangelica.edu.br
ORCID: https://orcid.org/0009- 0005-9012-7797

3Doutor. Curso de Direito da Universidade Evangélica de Goiás- UniEVANGÉLICA. E-mail:  guilherme.vieira@unievangelica.edu.br ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9059-4767

4Mestre. Curso Enfermagem da Universidade Evangélica de Goiás- UniEVANGÉLICA. E-mail: heloiza.lago@unievangelica.edu.br ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7842-2869 

5Especialista. Curso de Fisioterapia da Universidade Evangélica de Goiás- UniEVANGÉLICA. E-mail: lais.santos@docente.unievangelica.edu.br. ORCID: https://orcid.org/0009-0005-8426-3610

6Doutor. Curso de Farmácia da Universidade Evangélica de Goiás- UniEVANGÉLICA. E-mail:  jose.martins@docente.edu.br
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3516-5350