BIOMARCADORES DE EXPOSIÇÃO NOS CIGARROS ELETRÔNICOS VERSUS CIGARROS TRADICIONAIS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

BIOMARKERS OF EXPOSURE IN ELECTRONIC CIGARETTES VERSUS TRADITIONAL CIGARETTES: AN INTEGRATIVE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202510092127


Luiz Henrique Seeger Moro1
Cindhy Suely da Silva Medeiros2
Melissa Medeiros Braz3


RESUMO

O tabagismo configura-se como uma séria ameaça à saúde pública, responsável por milhões de óbitos anuais relacionados a doenças provocadas pelo consumo de tabaco. Com o intuito de reduzir os danos associados ao cigarro tradicional, surgiram alternativas como os cigarros eletrônicos, que ganharam destaque nos últimos anos. Contudo, seus efeitos sobre a saúde em longo prazo ainda são motivo de debate e investigação. Uma das formas de avaliar os riscos de produtos derivados do tabaco é a análise de biomarcadores de exposição, que refletem a presença de substâncias tóxicas no organismo. Comparar os níveis desses biomarcadores entre usuários de cigarros convencionais e eletrônicos pode fornecer subsídios importantes sobre o potencial de redução de danos dos últimos. Este estudo tem como objetivo realizar uma revisão bibliográfica integrativa, com artigos publicados entre 2019 e 2024, para comparar as concentrações de biomarcadores de exposição em usuários de cigarros eletrônicos e convencionais. As buscas ocorreram nas bases MEDLINE (PubMed) e Cochrane Library, utilizando descritores relacionados a cigarros tradicionais, cigarros eletrônicos, biomarcadores e ensaios clínicos. Foram incluídos estudos que comparassem biomarcadores de exposição em usuários de cigarros eletrônicos com e-líquidos e cigarros tradicionais, enquanto estudos que abordassem exclusivamente dispositivos de aquecimento de tabaco ou terapias de reposição de nicotina sem aerossolização de líquido foram excluídos. Esta revisão integrativa apontou que a substituição do cigarro convencional pelo eletrônico reduziu significativamente os níveis de biomarcadores de exposição, viabilizando estratégias de redução de danos do tabaco, com impacto potencial na diminuição de doenças relacionadas ao tabagismo e nos custos em saúde pública.

Palavras-chave: Nicotina. Fumar. Toxicidade

ABSTRACT

Smoking represents a serious threat to public health, being responsible for millions of deaths each year due to tobacco-related diseases. In an effort to reduce the harm associated with conventional cigarettes, alternatives such as electronic cigarettes have emerged and gained popularity in recent years. However, their long-term health effects remain a subject of debate and investigation. One way to assess the risks of tobacco-derived products is through the analysis of biomarkers of exposure, which reflect the presence of toxic substances in the human body. Comparing the levels of these biomarkers between users of conventional and electronic cigarettes can provide important evidence regarding the harm reduction potential of the latter This study aims to carry out an integrative bibliographic review, with articles published between 2019 and 2024, to compare the concentrations of exposure biomarkers in users of electronic and conventional cigarettes. The search was carried out in the MEDLINE (PubMed) and Cochrane Library databases, using descriptors related to traditional cigarettes, electronic cigarettes, biomarkers, and clinical trials. Studies comparing biomarkers of exposure in users of electronic cigarettes with e-liquids and conventional cigarettes were included, while studies focusing exclusively on tobacco heating devices or nicotine replacement therapies not based on aerosolization were excluded. This integrative review showed that replacing conventional cigarettes with electronic ones significantly reduced levels of exposure biomarkers, enabling tobacco harm reduction strategies with potential impacts on decreasing tobacco-related diseases and public health expenditures.

Keywords: Nicotine. Smoking. Toxicity.

1 INTRODUÇÃO

Em 2019, mais de 1 bilhão de pessoas faziam uso regular do tabaco, sendo que aproximadamente 8 milhões de mortes foram atribuídas ao seu consumo. Entre os homens, o tabagismo foi responsável por 20,2% de todas as causas de morte, configurando-se como o principal fator de risco tanto para óbitos quanto para a perda de anos de vida ajustados por incapacidade. Já entre as mulheres, devido à menor prevalência, menor duração e menor intensidade do uso em comparação aos homens, o tabaco foi relacionado a cerca de 5,8% de todas as mortes (Collaborators, 2021). No Brasil, a proporção de adultos fumantes corresponde a 9,3% da população, sendo a prevalência de 11,7% nos homens e 7,2% nas mulheres (Brasil, 2024).

A fumaça resultante da queima do tabaco contém mais de 7000 compostos químicos, incluindo pelo menos 69 substâncias classificadas como cancerígenas, como arsênio, formaldeído e chumbo (American Lung Association, 2024) com o ato de inalar essa fumaça se relacionado ao surgimento de diversas doenças respiratórias, como enfisema pulmonar, bronquite crônica e asma, e cardiovasculares, como angina, infarto agudo do miocárdio e hipertensão arterial sistêmica. Além disso, diversas outras comorbidades, como osteoporose, catarata e diversos tipos de cânceres (Instituto Nacional do Câncer, 2022).

Por outro lado, o vapor gerado pelo aquecimento de líquidos em cigarros eletrônicos (CE) também apresenta compostos potencialmente tóxicos, porém em concentrações de 9 a 450 vezes menores do que aquelas encontradas na fumaça produzida pela combustão do cigarro tradicional (CT). Assim, evidencia-se que a substituição do cigarro convencional pelo eletrônico apresenta o potencial de reduzir de forma significativa a exposição a substâncias tóxicas relacionadas ao tabaco. No entanto, essas alternativas não combustíveis não estão isentas de riscos, uma vez que ainda contêm substâncias químicas em sua composição, ainda que em menor proporção (Goniewicz et al., 2014; Foster, 2023).

As abordagens convencionais para cessar o tabagismo, como a terapia comportamental, a terapia de reposição de nicotina (TRN) e medicamentos administrados por via oral, incluindo vareniclina e bupropiona (Barua et al., 2018), apresentam taxas modestas de abandono, com uma média de 21,8%, variando entre os diferentes tratamentos, sendo a TRN levemente mais eficaz (Saylan; Baslilar; Kartaloglu, 2021). Nessa perspectiva, os cigarros eletrônicos, produtos destinados à redução de danos do tabaco, podem auxiliar tanto na dependência química, ao fornecer nicotina, quanto na dependência comportamental, ao reproduzir gestos e sensações do ato de fumar. Dessa forma, é possível reduzir ou até cessar o uso dos cigarros tradicionais, atenuando os sintomas da abstinência do tabaco e mantendo a experiência de fumar, porém com riscos à saúde potencialmente menores. (Farsalinos et al., 2013; Russo et al., 2016).

Embora o CE seja debatido internacionalmente como alternativa de redução de danos, ainda não há evidências conclusivas sobre seu impacto a longo prazo na redução de comorbidades em relação ao CT. Por esse motivo, esta pesquisa busca responder à seguinte questão: existe diferença na concentração de biomarcadores de exposição entre usuários de cigarros eletrônicos e de cigarros tradicionais?

2  REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Biomarcadores de exposição

Os biomarcadores de exposição (BoEs) fornecem estimativas tanto qualitativas, quanto quantitativas da exposição humana pelo uso de medições e modelos, possibilitando assim, medir concentrações químicas em alimentos, água e ar, concentrações ambientais selecionadas, bem como medidas das exposições reais no indivíduo ou na população. Eles demonstram a distribuição de uma substância química ou seu respectivo metabólito pelo organismo, sendo definidas como dose interna. Por conseguinte, a dose externa é definida pela concentração do BoEs são ferramentas valiosas para estimar os níveis de absorção de substâncias químicas no organismo, por meio da quantificação de compostos tóxicos ou de seus metabólitos em amostras biológicas. Amostras de urina e sangue são amplamente utilizadas por refletirem de forma confiável a carga corporal recente, sendo fundamentais para a definição de valores-limite em parâmetros de biomonitoramento humano, como os índices de exposição biológica (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1993; Brucker et al., 2020).

A utilização de biomarcadores como indicadores biológicos de exposição a substâncias químicas é fundamental, pois eles estão mais diretamente associados aos impactos na saúde do que os parâmetros ambientais. Dessa forma, proporcionam uma estimativa mais precisa do risco. A avaliação biológica considera a absorção por diversas vias e rotas de exposição, possibilitando uma análise abrangente da exposição total de um indivíduo ou de uma população (Amorim, 2003). Normalmente, os biomarcadores podem fornecer uma visão útil sobre exposições ambientais e, neste caso específico, sobre a exposição relacionada ao tabaco. Para ser considerado um biomarcador ideal da exposição à fumaça do tabaco, a substância deve apresentar alta sensibilidade e especificidade, possuir uma meia-vida biológica adequada e ser capaz de diferenciar claramente entre fumantes ativos e não fumantes (Marques et al., 2021).

2.2  Cigarro tradicional

Em 2019, mais de 1 bilhão de pessoas fumaram tabaco regularmente, e quase 8 milhões de mortes foram atribuídas ao tabagismo. O uso de tabaco para fumar foi responsável por 20,2% de todas as causas de mortes entre os homens, e foi o principal fator de risco para mortes e anos de vida perdidos ajustados por incapacidade entre os homens. Entre as mulheres, o uso de tabaco para fumar foi responsável por aproximadamente 5,8% de todas as mortes, devido à menor prevalência, menor duração e menor intensidade do tabagismo do que nos homens (Collaborators, 2021).

A fumaça que decorre da combustão do tabaco convencional possui mais de 7000 substâncias químicas, dentre elas diversas tóxicas e cancerígenas (American Lung Association, 2024), com o ato de fumar cigarros se relacionado ao aparecimento de diversas doenças do trato respiratório, entre elas o enfisema pulmonar, a bronquite crônica e a asma, assim como comorbidades cardiovasculares, como angina, infarto agudo do miocárdio e hipertensão arterial sistêmica. Além do mais, diversas outras comorbidades são associadas ao ato de fumar, como no caso da osteoporose, da catarata, além diversos tipos de cânceres (Instituto Nacional do Câncer, 2022).

2.3  Cigarro eletrônico

Os cigarros eletrônicos têm sido promovidos nos últimos anos como alternativas ao tabagismo tradicional. São dispositivos alimentados por meio de bateria, utilizados para vaporizar um líquido que contém propilenoglicol, glicerol e aromatizantes, podendo ou não apresentar nicotina. Existe uma grande diversidade de dispositivos disponíveis no mercado, desde modelos menores, semelhantes a cigarros, compostos por uma bateria de lítio descartável de baixa capacidade e um atomizador pré-preenchido, até dispositivos de nova geração com baterias recarregáveis de alta capacidade, capazes de fornecer voltagem ajustável e atomizadores que armazenam maior quantidade de líquido e podendo ser recarregados (Farsalinos et al., 2014; Baldassarri, 2020).

Vaping é o ato de inalar uma substância aquecida e em forma de aerossol. É essencial diferenciar vaping de fumar, uma vez que fumar decorre em inalação de uma substância queimada. A principal diferença entre fumar e vaping é que fumar ocorre em temperaturas mais elevadas, com temperaturas superiores à 1000 graus Fahrenheit, se diferenciando do cigarro eletrônico, o qual ocorre entre 250 e 500 graus Fahrenheit. Essa notável diferenciação de temperatura tem consequências importantes em relação à toxicidade de ambas as atividades (Kosmider et al., 2014; Baldassarri, 2020). Desse modo, fumar decorre em uma mistura muito mais complexa de substâncias químicas em relação aos cigarros eletrônicos, os quais apresentam essas substâncias em menor quantidade quando comparada as tragadas de ambos (Goniewicz et al., 2014; Baldassarri, 2020).

O vapor apresentado pelos cigarros eletrônicos aponta substâncias potencialmente tóxicas. Todavia, os níveis de compostos potencialmente tóxicos no CE são de 9 a 450 vezes menores do que os presentes na fumaça do cigarro tradicional. Essas descobertas afirmam a ideia de que a substituição do fumo de tabaco por cigarros eletrônicos pode diminuir substancialmente a exposição a tóxicos relativos à queima do tabaco, mesmo com os CEs não totalmente isentos dos riscos (Goniewicz et al., 2014; Foster, 2023).

No Brasil, desde 2009 são proibidas a comercialização, importação e propaganda dos cigarros eletrônicos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Barufaldi et al., 2021). Porém, é estimado que 6,7% da população de 18 anos ou superior das capitais do país já tenham feito uso de cigarros eletrônicos na vida e que 2,32% dos cidadãos utilizem de forma diária ou ocasional estes aparelhos. Em torno de 2,4 milhões de indivíduos que já tiveram contato com os cigarros eletrônicos e 835 mil que recorrem atualmente, apenas nas capitais do país. Aproximadamente 80% dos indivíduos que já utilizaram esses dispositivos estão da faixa etária 18 à 34 anos. As pessoas mais jovens são as mais acometidas pela presença do CE. Nota-se que 1 em cada 5 jovens de 18 a 24 anos já utilizou esses aparelhos alguma vez na vida, e que entre indivíduos com 35 anos ou mais, a proporção fica inferior à 3 em 100 (Bertoni; Szklo, 2021).

3 METODOLOGIA

A pesquisa de busca dos artigos científicos presentes nesta revisão integrativa da literatura foi realizada nos meses de julho a agosto de 2024. Foram utilizadas as bases de dados eletrônicas MEDLINE (PubMed) e Cochrane Library. Como estratégia de busca, delimitou-se os termos MeSH (Medical Subject Heading) e palavras-chaves em inglês, que foram adaptadas de acordo com especificidades de cada base de dados. A combinação de palavras-chaves usadas nas buscas pelos artigos foi: (“vaping” OR “electronic cigarette” OR “e-cigarette” OR “electronic nicotine delivery systems”) AND (“cigarette” OR “combustion cigarette” OR “traditional cigarette”) AND “biomarker”. Além do mais, foi incluída uma busca de forma manual na bibliografia dos estudos incluídos.

Foram incluídos estudos que comparassem a concentração corporal de biomarcadores de exposição obrigatoriamente em usuários que utilizaram cigarros convencionais e cigarros eletrônicos com líquidos do tipo freebase e/ou nicsalt. Além disso, os artigos deveriam ser realizados apenas em seres humanos. Os estudos deveriam ter sido publicados entre 01 de janeiro de 2019 a 13 de agosto 2024 e necessitavam ser do tipo clinical trial. Ademais deveriam ser de livre acesso, podendo serem acessados sem a necessidade de pagamento.

Foram excluídos: estudos duplicados, artigos que comparassem apenas dispositivos eletrônicos de entrega de nicotina que funcionassem com o aquecimento do tabaco ou terapias de reposição de nicotina de forma diferente da aerossolização de líquido e artigos que avaliaram somente efeitos agudos dos dispositivos. Ademais, foram excluídas teses, dissertações e resumos científicos.

Primeiramente foi realizada a exclusão dos estudos duplicados. Após isso, dois revisores independentes realizaram tanto a leitura dos títulos, quanto dos resumos, realizando assim a seleção dos possíveis artigos para a inclusão no estudo. Em seguida, foi realizada a leitura completa dos artigos pelos mesmos revisores, de modo independente. Por fim, caso ocorresse alguma discordância, a decisão final seria determinada por um terceiro revisor.

Figura 1: Diagrama do processo de busca nas plataformas

Fonte: Elaborado pelos autores

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

A amostra final desta revisão integrativa é constituída por doze artigos científicos, incluídos pelos critérios de inclusão previamente estabelecidos. A tabela 1 demonstra os artigos selecionados

Quadro 1: Artigos incluídos

Lista de siglas: 1-AN = 1-naphthoic acid; 1-OHP = 1-hidroxipireno; 2-AN = 2-naphthoic acid; 2-HPMA= ácido 2- hidroxipropilmercaptúrico; 2-OHF = 2-hidroxifluoreno; 3-ABP = 3-aminobifenil; 3-HMPMA = Ácido 3-hidroxi-1- metilpropil-mercaptúrico; 3-HPMA = ácido 3-hidroxipropilmercaptúrico; 3-OH-B[a]P: 3-Hydroxybenzo[a]pyrene; 4- ABP = 4-aminobifenil; AAMA = N-acetil-S-(carbamoiletil)-L-cisteína; BAT = British American Tobacco; BoE = Biomarcador de exposição; CE = Cigarro eletrônico; CEMA = ácido 2-cianoetilmercaptúrico; CO = Monóxido de carbono; COHb = Carboxiemoglobina; Cr = Creatinina; CT = Cigarro tradicional; DHPMA = ácido 2,3-di- hidroxipropilmercaptúrico; eCO = Monóxido de carbono exalado; GAMA = S-(2-hydroxy-2-carbamoylethyl)cysteine; HEMA = ácido 2-hidroxietilmercaptúrico; HMPMA= ácido 3-hidroxi-1-metilpropilmercaptúrico; LOD = Nível de detalhe; MHBMA = ácido monohidroxibutenilmercaptúrico; MTCA = ácido metil-tiazolidinocarboxílico; MTCG = N – (2-metil-1,3-tiazolidino-4-carbonil); NAB= N’-nitrosoanabasine; NAT = N-acetyltyrosine; NE = Derivados de nicotina; NNAL = (4-(methylnitrosamino)-1-(3-pyridyl)-1-butanol); NNN = N-nitrosonornicotina; o-tol = o-Toluidine; PehT = fenantreno tetraol urinário; S-PMA = S-fenilmercaptúrico; TCA = ácido tiazolidinocarboxílico; TCG = N – (1,3-tiazolidino-4-carbonil); TNeq = equivalentes totais de nicotina; W = Watts.

O presente estudo teve por como objetivo, por meio de uma revisão integrativa, comparar a concentração de biomarcadores de exposição (BoEs) em usuários de CE e de CT, além de avaliar a redução desses biomarcadores em indivíduos que realizaram a substituição do uso exclusivo de CT e CE. Foram analisados 12 estudos, totalizando mais de 30 biomarcadores investigados. Os principais BoEs incluíram NNAL, NNN, CO, COHb, cotinina, nicotina, 3-HPMA, MHBMA, S-PMA, 1-OHP,

HMPMA, CEMA, o-toluidina, 2-AN, 4-ABP e 3-OH-B[a]P. A maioria dos biomarcadores foram avaliados por meio de amostras de urina, mas também foram utilizados exames de sangue e ar exalado, como no caso da carboxihemoglobina (COHb) e do monóxido de carbono (CO). Ressalta-se que o tempo de exposição ao tabagismo eletrônico não foi padronizado nos estudos, variando de dias há meses, assim como alguns artigos foram realizados por meio de internação clínica, com ou seu uso ad libitum dos dispositivos, outros em ambiente não controlado, sem a garantia do uso exclusivo de CE.

Os dados demonstraram reduções significativas nas concentrações de biomarcadores em usuários que migraram do cigarro tradicional para o eletrônico. Benowitz et al. (2020) demonstraram que, em usuários duplos que trocaram exclusivamente para CE ou CT, os níveis de cotinina plasmática eram inferiores no uso exclusivo de CE (182 ng/mL) em comparação com o uso de CT (246 ng/mL), apontando para uma redução de exposição à nicotina e seus derivados. Estudo de Cohen et al. (2020) resultou na análise de 12 BoEs no sexto dia do experimento, com o NNAL diminuindo -66%, 3-HPMA -81%, MHBMA, -92%, S-PMA -95%, COHb -81%, NNN -93%, HMPMA -83%, CEMA -87%, 1-OHP -73%, o-toluidina -70%, 2-AN -88% e 4-ABP -84% em fumantes de CT que migraram para o CE. O estudo também teve um grupo abstinência, curiosamente com os resultados do grupo CE ficando quase idênticos ao grupo que não utilizou nenhum produto.

Czoli et al. (2019) apresentaram em seu estudo que os usuários duplos de CE e CT que fumaram apenas o tradicional apresentaram +9% de cotinina, +23% de CO exalado, +23% de 1-OHP e +8% de NNAL. Já os que utilizaram apenas o CE apresentaram -38%, -41%, -31% e -30%, respectivamente. No estudo de longa duração de Edmiston et al. (2021) dividiu o estudo em duas partes, em que foi descrito a análise de biomarcadores (NNAL, COHb e NE urinário) na semana 12 e na semana 24. Foi encontrada diminuição da concentração dos BoEs NNAL e COHb, com exceção dos equivalentes de nicotina, que demonstraram um aumento em relação aos usuários de CT que migraram para o CE.

Resultados semelhantes foram observados no estudo de Hatsukami et al. (2020), que observaram diminuição dos BoEs analisados em 8 semanas após troca de CT para CE. Jay et al. (2020) estudou não só a troca do tradicional para o eletrônico, como também incluiu grupo abstinência e diversos sabores na pesquisa. Todos os grupos de CE tiveram reduções semelhantes ao grupo abstinência em todos BoEs, com exceção do sabor Virginia Tobacco, no qual o NNN reduziu apenas 78% contra os -98% do grupo abstinência. Kanobe et al. (2022) também constataram no seu artigo uma redução de todos os BoEs em indivíduos que substituíram o CT pelo CE, reduzindo semelhantemente ao grupo de abstinência, com exceção do 3-OH- B[a]P e dos equivalentes de nicotina, que diminuíram em menor proporção.

Landmesser et al. (2021) utilizaram uma técnica de marcação de isótopos estáveis para diferenciar os BoEs vindo apenas da aerossolização do líquido das substâncias adquiridas da forma externa ou produzidas endogenamente. Quando marcados com os isótopos estáveis (13C) as concentrações dos BoEs na urina diminuíram drasticamente. O estudo demonstra, que quando isolados os BoEs adquiridos apenas pela vaporização dos produtos o aporte desses tóxicos pelo cigarro eletrônico é mínimo em comparação a outras fontes. Corroborando com a pesquisa, McEwan et al. (2021), que comparou 16 BoEs de indivíduos que substituíram o CT para o CE, com as concentrações diminuindo em todos os marcadores, variando entre -59,9% e -96%, a depender da substância analisada.

Morris et al. (2022) também constataram em seus estudos de confinamento dos participantes de 14 dias que houve uma redução significativa de todos os BoEs, com exceção dos equivalentes de nicotina, que ao final das duas semanas aumentou 26,6% para o estudo 1 e 39% para o estudo 2. No entanto, segundo os autores não foram notadas diferenças estatisticamente significantes nos níveis de NE quando comparado com a linha de base nos dias 9 ou 14. Já se esperava esse resultado, uma vez que os indivíduos utilizavam os produtos ad libitum a fim de alcançar seu nível de satisfação acerca da nicotina.

Pulvers et al. (2020) também demonstraram em seu artigo em que os usuários de CT que trocaram para o CE mantiveram seus níveis de cotinina urinária basais, com reduções significativas para o NNAL (-67%) e para o CO exalado na semana 2 (- 55%) e na semana 6 (-52%). De acordo com a pesquisa de Round et al. (2019), na qual foram analisados 22 BoEs em um período de 5 dias após troca do CT para o CE, observa-se a redução da concentração de todos os biomarcadores, variando entre – 30,4% e -98,7% no sabor tradicional e -35,7% e -97,9% no sabor mentolado de cigarro eletrônico. O estudo também avaliou os equivalentes de nicotina urinários e a cotinina e nicotina plasmáticas, com esses últimos variando entre -32% e -40,1% entre os sabores tradicionais e mentolados de CE.

Os BoEs avaliados nos estudos dessas revisões, em sua maior parte, foram analisados por meio da urina dos participantes. No entanto também alguns biomarcadores foram avaliados por meio da exalação e do sangue. Quanto ao monóxido de carbono, foi tão efetivo perceber uma redução tanto por meio do ar exalado, quanto pelo sangue em forma de carboxihemoglobina. Quando analisadas a nicotina e a cotinina por meio sanguíneo, como no estudo de Pulvers et al. (2020), é possível observar que segue a tendência de concentração quando comparada aos derivados de nicotina na urina.

Portanto, os dados aqui apresentados indicam que, embora ambos os produtos exponham o organismo a substâncias tóxicas, o cigarro eletrônico oferece uma exposição reduzida a biomarcadores de toxicidade e, consequentemente, um potencial dano menor.

5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base nos estudos analisados, pode-se afirmar que a substituição completa do cigarro tradicional pelo cigarro eletrônico resulta em redução significativa da exposição as substâncias tóxicas. Percebe-se que a inalação do aerossol desses dispositivos fornece um acúmulo em menor proporção de biomarcadores de exposição ao organismo humano quando comparado à fumaça da combustão dos CT.

Dessa forma, é possível perceber que o CE oferece um potencial menos tóxico ao organismo humano, com um acúmulo menor de substâncias e metabólitos destas, quando comparado ao CT, possibilitando assim a criação de estratégias de redução de danos do tabaco em indivíduos dependentes de nicotina que não conseguem ou não querem entrar em abstinência de nicotina, assim como reduções dos gastos de saúde pública ao redor do mundo com comorbidades associadas ao tabagismo.

Quando analisadas, percebe-se uma quantidade menor das substâncias tóxicas e seus metabólitos do tabagismo tradicional quando substituído pelo tabagismo eletrônico. No entanto, mesmo que os BoEs se apresentem em menor quantidade quando analisados clinicamente, ainda não é possível ter certeza dos danos ao longo prazo. Além disso, urge a necessidade de mais estudos e dados na área de redução de danos dos CEs, assim como a divulgação de forma clara e objetiva desses dados. Também se destaca a falta de padronização dos BoEs avaliados nos artigos, bem como a metodologia da realização dos ensaios clínicos e as coletas dos dados.

Visto que o fisioterapeuta é um agente de saúde, que tem por intuito tratar comorbidades e promover a saúde, caso seja liberado o uso do cigarro eletrônico como reduções de danos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), tem-se a importância de orientar os pacientes tabagistas que não conseguem cessar o hábito, procurar por formas menos prejudiciais do uso da nicotina. Ademais, apesar de aparentemente ser menos tóxico ao organismo, os CEs ainda apresentam substâncias tóxicas e possivelmente tóxicas, necessitando de um incentivo por parte do terapeuta para procurar ajuda médica e psicológica e largar o hábito.

REFERÊNCIAS

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1 Discente do Curso de Fisioterapia da Universidade Federal de Santa Maria Campus Santa Maria. e- mail: iquemoro2001@gmail.com
2 Discente do Programa de Pós-graduação em Gerontologia da Universidade Federal de Santa Maria, Campus Santa Maria, e-mail: cindhymedeiros@gmail.com
3 Docente do Curso de Fisioterapia da Universidade Federal de Santa Maria Campus Santa Maria. e- mail: melissa.braz@ufsm.br