A UTILIZAÇÃO DE LASER NA CIRURGIA ORAL: VANTAGENS E DESAFIOS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202510100857


Jainny Nascimento Santana1
Orientadora: Profª Esp. Trinit Di Lu Soares Germano


RESUMO

O presente estudo aborda a utilização do laser na cirurgia oral, explorando suas aplicações clínicas, técnicas e operacionais, bem como os desafios para sua adoção na prática odontológica. O objetivo é analisar, de forma abrangente, os benefícios e limitações do laser de alta e baixa intensidade, destacando seu impacto na precisão cirúrgica, na redução do trauma tecidual e no conforto pós-operatório. A relevância da pesquisa reside na crescente incorporação dessa tecnologia na odontologia contemporânea, que amplia as possibilidades terapêuticas e potencializa os resultados clínicos, ao mesmo tempo em que exige investimentos significativos, protocolos específicos e treinamento especializado para garantir segurança e eficácia. A justificativa está na necessidade de compreender de forma sistemática os avanços, indicações e limitações da tecnologia, de modo a orientar profissionais na escolha do método mais adequado para cada procedimento. A metodologia adotada consiste em um levantamento bibliográfico sistemático, com buscas realizadas em bases de dados acadêmicas como PubMed, Scopus, Web of Science e Google Acadêmico. Serão incluídos estudos publicados entre 2014 e 2024, nos idiomas português e inglês, que apresentem dados clínicos, revisões ou análises experimentais sobre a aplicação do laser na odontologia. Espera-se que os resultados confirmem que o uso do laser, especialmente na cirurgia oral, proporciona vantagens significativas, como menor sangramento, dor e inflamação, além de acelerar o processo de cicatrização. Também se prevê a constatação de que o laser otimiza o tempo cirúrgico e melhora a experiência do paciente, porém sua implementação requer capacitação técnica rigorosa e investimentos iniciais consideráveis. Ao final, a pesquisa pretende oferecer uma síntese atualizada e baseada em evidências, capaz de orientar práticas mais eficientes e seguras, contribuindo para a evolução da odontologia minimamente invasiva.

Palavras-chave: Cirurgia Oral. Laserterapia. Fotobiomodulação.

1. INTRODUÇÃO

O presente estudo tem como objetivo investigar de forma abrangente a utilização do laser na cirurgia oral, analisando suas vantagens clínicas, técnicas e operacionais, bem como os desafios para sua implementação. A tecnologia de laser tem promovido uma transformação significativa na odontologia contemporânea, especialmente na área da cirurgia oral, ao oferecer novas possibilidades terapêuticas e ampliar o leque de tratamentos disponíveis.

Essa inovação tem contribuído para simplificar técnicas cirúrgicas, reduzir dor e edema no pós-operatório e proporcionar procedimentos mais precisos e menos traumáticos para os pacientes. Entre as aplicações mais notáveis, destaca-se o uso dos lasers de diodo de alta intensidade, cuja elevada absorção por hemoglobina, melanina e água permite cortar, coagular e vaporizar tecidos de forma eficaz, minimizando o tempo cirúrgico, reduzindo cicatrizes e promovendo hemostasia, conforme observado por Barroso (2020). Além disso, a portabilidade e o custo relativamente baixo desses aparelhos favorecem sua utilização clínica.

A laserterapia de baixa intensidade tem despertado crescente interesse devido aos seus benefícios no controle de dor, edema, trismo e parestesia, conforme ressaltam Olkoski et al. (2021). Essa modalidade atua na bioestimulação dos processos de regeneração tecidual e no controle da inflamação, configurando-se como uma ferramenta promissora para o manejo de complicações pós-operatórias, ainda que haja necessidade de mais estudos clínicos randomizados para consolidar suas indicações. No entanto, o avanço da tecnologia não está isento de desafios. Belloti Neto (2022) observa que a aplicação do laser na cirurgia oral requer protocolos específicos e a compreensão detalhada de variáveis como comprimento de onda, potência e tempo de exposição, elementos essenciais para garantir segurança e eficácia.

Santos et al. (2023) enfatizam que a eficácia do laser em procedimentos como a exodontia de terceiros molares depende de parâmetros precisos e de diagnóstico precoce, especialmente na regeneração do nervo alveolar inferior. Assim, embora as vantagens sejam evidentes, a implementação do laser na odontologia exige não apenas investimento em equipamentos, mas também treinamento técnico adequado e atualização constante dos profissionais.

Pretende-se, por meio de um levantamento bibliográfico sistemático, oferecer uma visão atualizada e baseada em evidências, capaz de orientar práticas clínicas mais eficientes e seguras. A relevância do tema reside na possibilidade de otimizar os resultados cirúrgicos e promover uma recuperação mais rápida e confortável para os pacientes, ao mesmo tempo em que se discutem as limitações e cuidados necessários para a incorporação dessa tecnologia na rotina odontológica.

Espera-se que o estudo evidencie que a utilização do laser na cirurgia oral proporciona vantagens clínicas significativas, como maior precisão nos procedimentos, redução do trauma tecidual, menor sangramento, inflamação e dor no pós-operatório, além de acelerar o processo de cicatrização. Também se espera confirmar que a tecnologia contribui para otimizar o tempo cirúrgico e melhorar a experiência do paciente. Ao mesmo tempo, prevê-se identificar que a adoção do laser exige treinamento especializado, protocolos padronizados e investimentos iniciais consideráveis.

2. INTRODUÇÃO À LASERTERAPIA EM ODONTOLOGIA

A laserterapia tem se tornado uma ferramenta indispensável na odontologia moderna, especialmente em pacientes reabilitados com próteses totais devido à sua capacidade de melhorar o trofismo celular, oferecer efeitos analgésicos e cicatrizantes, e atuar na modulação da inflamação, coagulação, vaporização e incisão tecidual. A aplicação do laser de baixa e alta intensidade em odontologia tem mostrado resultados positivos para os pacientes (Santos et al., 2023). Além disso, a laserterapia é cada vez mais reconhecida por sua eficácia em diversas aplicações odontológicas, incluindo o manejo da dor e inflamação, promoção da cicatrização e melhoria da saúde bucal geral.

De acordo com Mendes (2018) o laser é a amplificação da luz por meio da emissão estimulada de radiação, caracterizando-se como um tipo específico de radiação eletromagnética. Ele é produzido quando os átomos de um determinado meio são excitados por uma fonte de energia, gerando uma luz de alta intensidade, com propriedades próprias que a diferenciam das fontes luminosas convencionais. “A laserterapia é considerada um tratamento complementar, empregado para potencializar os resultados de procedimentos realizados nos pacientes”. (Mendes, 2018, p. 56).

Na odontologia, utilizam-se principalmente dois tipos de laser: o de baixa intensidade e o de alta intensidade, aplicados em diferentes finalidades terapêuticas. Segundo Bisseto (2023) o laser de baixa intensidade é indicado para acelerar o reparo de tecidos moles e duros, pois atua ativando ou inibindo processos bioquímicos, fisiológicos e metabólicos por meio de efeitos fotoquímicos e fotofísicos. Seu uso na cicatrização e na redução de áreas lesionadas está relacionado ao estímulo da proliferação celular, favorecendo a formação de neovasos e de tecido de granulação, essenciais para a regeneração tecidual.

Nas palavras de Oliveira (2020) na prática odontológica, o laser de baixa intensidade é aplicado tanto no tratamento quanto na prevenção de afecções orofaciais, incluindo cuidados pós-cirúrgicos, tratamento de aftas, xerostomia, herpes, pericoronarite, alveolite, hipersensibilidade dentinária, disfunções temporomandibulares, entre outros. Já o laser cirúrgico, de alta intensidade, é utilizado para incisões em tecidos moles e duros, atuando por meio do processo de ablação.

Nesse procedimento, o laser aquece a região, aumentando a pressão interna dos tecidos até gerar microexplosões que promovem a remoção do substrato. Devido à alta temperatura, o dano aos tecidos adjacentes é mínimo, já que a incisão é precisa, reduz a dor, encurta o tempo cirúrgico e possui efeito hemostático, selando os vasos sanguíneos. (Dos Santos Silva et al., 2020). Apesar de seu custo elevado em relação ao laser de baixa intensidade, o de alta intensidade é empregado em diversas áreas da odontologia, como em gengivoplastias, preparo de cavidades, remoção de tecido cariado, retirada de facetas estéticas, entre outras aplicações.

2.1. BENEFÍCIOS DA LASERTERAPIA NA CIRURGIA ORAL

O uso do laser na odontologia oferece uma série de vantagens, por exemplo, em casos de úlceras traumáticas na cavidade oral, a laserterapia de baixa intensidade mostrou-se eficaz na cicatrização e alívio da dor. Além disso, é aplicada em cirurgias pré-protéticas para melhorar a recuperação pós-operatória (Santos et al., 2023). A fotobiomodulação com laser de baixa potência tem demonstrado ser uma técnica eficaz para acelerar a cicatrização de feridas, reduzir o edema e minimizar a dor pós-operatória.

De acordo com Bissesto (2023) aplicação da terapia fotodinâmica e do laser de baixa intensidade no tratamento da osteonecrose dos maxilares relacionada a medicamentos, destacando a importância dessas terapias como coadjuvantes no tratamento dessa condição complexa.

O uso do laser na odontologia tem se consolidado como uma tecnologia inovadora, trazendo benefícios significativos em diferentes procedimentos cirúrgicos orais. Em casos de úlceras traumáticas na cavidade oral, a laserterapia de baixa intensidade apresenta eficácia comprovada na aceleração da cicatrização e no alívio da dor, favorecendo a recuperação do paciente. Essa técnica também é aplicada em cirurgias pré-protéticas, otimizando o processo de reparo tecidual e reduzindo complicações pós-operatórias (Santos et al., 2023).

A fotobiomodulação com laser de baixa potência atua de forma notável na regeneração de tecidos, redução de edema e minimização da dor pós-cirúrgica. Bissesto (2023) destaca sua relevância como terapia coadjuvante no tratamento da osteonecrose dos maxilares relacionada a medicamentos, uma condição de manejo complexo, onde a combinação de laser de baixa intensidade e terapia fotodinâmica potencializa os resultados clínicos.

Entre os procedimentos beneficiados, a Frenectomia labial superior com laser cirúrgico de diodo demonstra vantagens expressivas frente às técnicas convencionais, incluindo menor sangramento, dor reduzida, cicatrização acelerada e, muitas vezes, ausência de necessidade de sutura (Dos Santos Silva et al., 2020). O efeito hemostático do laser contribui para uma execução mais precisa, melhor visualização do campo operatório e menor tempo de procedimento (Saydjari, Kuypers & Gutknecht, 2016).

Outro aspecto relevante é a ação bactericida do laser, que pode ocorrer pela absorção direta de calor pelas bactérias, pelo aquecimento do substrato onde estão localizadas ou pelo efeito indireto da fotobiomodulação, reduzindo riscos de infecção pós-operatória (Mendes, 2018). Esse efeito, aliado à abordagem minimamente invasiva, torna o uso do laser particularmente vantajoso em pacientes pediátricos, diminuindo ansiedade e desconforto, fatores determinantes para o êxito do tratamento.

A Frenectomia labial superior realizada com laser cirúrgico de diodo destaca-se pelas suas vantagens sobre os métodos convencionais, como menor sangramento, menos dor pós-operatória e cicatrização mais rápida, sem necessidade de sutura (Dos Santos Silva et al., 2020). O uso do laser em procedimentos cirúrgicos possui uma natureza hemostática de grande importância, proporcionando uma execução mais precisa devido à melhor visualização da área operada, ele elimina a necessidade de suturas e reduz o tempo de cirurgia. (Saydjari, Kuypers, Gutknecht, 2016).

“O laser também possui ação bactericida, que pode ocorrer por três mecanismos: absorção direta de calor pelas bactérias, aquecimento do substrato onde as bactérias estão localizadas, ou efeito de fotobiomodulação”. (Mendes, 2018, p. 62). A fotobiomodulação com laser de diodo de baixa potência complementa o procedimento, promovendo a regeneração tecidual. Esta abordagem minimamente invasiva é particularmente benéfica em pacientes pediátricos, reduzindo a ansiedade e o desconforto, fatores cruciais para o sucesso do tratamento. (Mendes, 2018).

A incorporação da laserterapia na cirurgia oral representa não apenas um avanço tecnológico, mas também uma melhoria significativa na qualidade de vida do paciente, oferecendo um tratamento mais rápido, confortável e com menores índices de complicações

2.2. FOTOBIOMODULAÇÃO EM FER DAS PÓS-CIRÚRGICAS E LASER DE ALTA POTÊNCIA EM CIRURGIAS ORAIS

A absorção dessa tecnologia possibilita não apenas a preservação das estruturas dentárias duras, como também a realização de cortes em tecidos de maneira menos invasiva e com menor trauma. Essa abordagem minimamente invasiva favorece um pós-operatório mais tranquilo e confortável para o paciente, diminuindo de forma expressiva o impacto cirúrgico.

A eficácia da fotobiomodulação em feridas pós-cirúrgicas tem sido bem documentada, segundo Oliveira et al. (2022) compararam os efeitos da fotobiomodulação com e sem laser em pacientes submetidos a extrações dentárias, concluindo que o laser reduz significativamente a dor e melhora a recuperação pós-operatória.

Conforme Sousa et al. (2021) corroboram esses achados, observando que o laser de baixa intensidade é eficaz na redução da dor, edema e trismo após cirurgias de terceiros molares inferiores. Este método “é especialmente vantajoso para pacientes que necessitam de recuperação rápida e minimização de complicações pós-operatórias”. (Mendes, 2018, p. 63).

A precisão e a eficiência na interação com os tecidos tornam o laser um recurso de grande valor na Odontologia, proporcionando não só melhores resultados clínicos, mas também um ambiente mais confortável e menos agressivo durante e após as intervenções odontológicas (Calisir et al., 2018).

As técnicas tradicionais, por sua vez, apresentam desvantagens específicas: o uso do bisturi, por exemplo, gera uma área extensa de ferimento em formato romboidal, dificultando o fechamento primário na parte inferior e resultando em cicatrização por segunda intenção. Além disso, tende a provocar maior dor e desconforto em comparação à técnica com laser, tornando o processo mais incômodo e desgastante para o paciente.

Por outro lado, embora o laser ofereça vantagens relevantes, seu uso também envolve desafios. O investimento inicial é elevado, representando um custo expressivo para clínicas odontológicas, e sua aplicação exige alta precisão e controle do operador, pois o contato inadvertido do feixe com o osso pode levar à necrose óssea, complicação que requer atenção extrema durante a cirurgia (Oliveira et al., 2020).

Esses aspectos evidenciam a complexidade da decisão entre métodos convencionais e o emprego do laser na odontologia. Enquanto o bisturi apresenta limitações quanto à cicatrização e ao conforto do paciente, o laser oferece benefícios relacionados à redução da dor, mas exige investimento e habilidade técnica rigorosa para prevenir riscos. Assim, ponderar vantagens e desvantagens de cada abordagem é essencial para garantir o cuidado mais adequado (Oliveira et al., 2020).

Pesquisas relevantes, como as de Sant’Anna et al. (2017), reforçam os ganhos obtidos com lasers de alta potência na cirurgia oral de tecidos moles. Os estudos destacam vantagens inquestionáveis dessa técnica, que inclui a mínima agressão a tecidos próximos ao local da intervenção, resultando em benefícios como menor dor no período pós-operatório e menor risco de infecção. Além disso, a eficiência na hemostasia reduz o sangramento, encurta o tempo de cirurgia e, frequentemente, elimina a necessidade de suturas (Sant’Anna et al., 2017).

Lasers de alta potência também têm se mostrado eficazes em diversas cirurgias orais, incluindo incisões cirúrgicas de lesões patológicas, cirurgias periodontais e remoção de hiperplasia (Paulo Filho e Teixeira, 2023). Eles são especialmente úteis em pacientes com baixa capacidade hemostática, oferecendo uma alternativa eficaz no contexto da cirurgia oral menor.

De acordo com Sousa et al., (2021, p. 23). “A coagulação instantânea proporcionada pelos lasers de alta potência reduz significativamente o risco de infecções e acelera o processo de cicatrização, tornando-os uma escolha preferida para muitas intervenções cirúrgicas”.

Outro ponto de destaque é a cicatrização por segunda intenção, que, apesar de distinta da primária, apresenta resultados satisfatórios em procedimentos com laser de alta potência. Observa-se também a redução expressiva do edema e dos traumas associados às técnicas convencionais, bem como mínima retração tecidual, fator importante tanto para a estética quanto para a preservação da função dos tecidos tratados.

2.3. EVOLUÇÃO E APLICAÇÕES DOS LASERS NA ODONTOLOGIA

Revisões narrativas sobre a eficácia do laser de baixa intensidade em cirurgias maxilofaciais indicam que essa tecnologia favorece a recuperação pós-operatória ao reduzir edema e sintomas dolorosos (Silveira et al., 2021). De acordo com Montemor e Ramos (2022) destacam a eficácia da laserterapia de baixa intensidade na cicatrização de lesões e controle da dor após exodontias de terceiros molares. Estudos comparativos mostram que pacientes tratados com laserterapia de baixa intensidade apresentam menos complicações pós-operatórias e recuperação mais rápida em comparação com métodos tradicionais.

A laserterapia também é promissora no tratamento de distúrbios neurosensoriais, como a parestesia pós-cirurgia ortognática. Conforme Lubraico (2022) discute como a laserterapia de baixa intensidade favorece a regeneração do tecido nervoso, acelerando a cascata de regeneração tecidual e melhorando a qualidade de vida dos pacientes. A capacidade do laser de baixa intensidade de estimular a regeneração nervosa sem causar danos adicionais ao tecido representa um avanço significativo no tratamento de condições neurológicas pós-cirúrgicas.

As pesquisas voltadas para o uso do laser na odontologia foram desenvolvidas a partir de estudos relacionados às ondas de luz emitidas, observando-se que feixes de baixa intensidade proporcionavam resultados mais eficientes. isso se deve ao fato de que sua luz monocromática e altamente focada é capaz de penetrar em camadas mais profundas da pele, estimulando os fotorreceptores presentes, o que desencadeia melhores atividades funcionais e metabólicas no sistema celular. Esse processo resulta em efeitos benéficos como ação analgésica, anti-inflamatória e bioestimulante (Torkzaban P, et al., 2018).

A terapia com laser de baixa intensidade (LLLT) apresenta, como característica relevante na odontologia, a atuação na prevenção e no tratamento de diversas afecções orofaciais, incluindo mucosites, aftas, sensibilidade em procedimentos restauradores, disfunções temporomandibulares, nevralgias, xerostomia, pericoronarite, alveolite, osteorradionecrose e cuidados pós-cirúrgicos, graças aos seus efeitos analgésicos, anti-inflamatórios e de biomodulação tecidual (Farias RD, et al., 2016).

O uso do LLLT destaca-se pela significativa redução ou até mesmo eliminação da dor, motivo pelo qual, nos últimos anos, muitos pacientes com dores crônicas ou agudas passaram a procurar os cirurgiões-dentistas. Um dos principais fatores para essa procura é a hipersensibilidade dentinária, que afeta grande parte da população, causando desconforto nos tecidos duros e moles que compõem o dente.

Essa condição ocorre quando as camadas que revestem os túbulos dentinários ficam expostas devido ao desgaste do esmalte dental. Com a aplicação do laser, há estímulo das terminações nervosas, resultando na diminuição da dor e proporcionando efeito terapêutico bioestimulante, biorregulador, anti-inflamatório e cicatrizante (Nabi S, et al., 2018).

Por ser uma técnica minimamente invasiva, simples, segura e não traumática, sem registros de toxicidade na literatura, o uso do laser é indicado em procedimentos terapêuticos de tecidos sem risco para células saudáveis. Para o tratamento de determinadas patologias, pode-se empregar laser vermelho, infravermelho ou a combinação de ambos, de acordo com as necessidades específicas do caso. A laserterapia LLLT é utilizada há mais de cinco décadas, mas ainda não existe um protocolo clínico padronizado para sua aplicação pelos cirurgiões-dentistas.

Para a prática segura, é imprescindível a realização de cursos de capacitação, considerando parâmetros como comprimento de onda adequado para cada situação, energia aplicada, fluência, potência do laser, tempo de tratamento e frequência das sessões (Torkzaban P, et al., 2018)

A evolução dos lasers na cirurgia oral e maxilofacial expandiu as opções terapêuticas e introduziu novos procedimentos. explica que os lasers são utilizados em várias especialidades da medicina dentária, proporcionando tratamentos mais rápidos, com menos dor pós-operatória e sem necessidade de sutura. O desenvolvimento contínuo de novas tecnologias de laser e a melhoria das técnicas existentes continuam a ampliar as possibilidades de aplicação clínica, melhorando os resultados dos tratamentos e a satisfação dos pacientes.

3.  METODOLOGIA

Este estudo adotará uma abordagem de levantamento bibliográfico, será realizada para identificar dos estudos relevantes e atualizados sobre a utilização do laser na cirurgia oral, suas vantagens, desafios e resultados clínicos. Esta etapa será conduzida por meio de uma busca sistemática em bases de dados acadêmicas, como PubMed, Scopus, Web of Science e Google Acadêmico, serão selecionados estudos publicados no período de 2014 a 2024, escritos em português e inglês, de forma a abranger a literatura mais recente e relevante sobre o tema. A seleção dos estudos será realizada de forma criteriosa, considerando sua relevância para os objetivos e hipóteses do estudo.

4.  RESULTADO E DISCUSSÃO

Os resultados obtidos a partir da revisão bibliográfica indicam que a utilização da laserterapia na cirurgia oral tem se mostrado eficaz em diferentes contextos clínicos, trazendo benefícios tanto em procedimentos invasivos quanto em aplicações terapêuticas de suporte. A análise dos estudos consultados demonstra que o laser, seja em baixa ou alta intensidade, promove ganhos significativos relacionados à cicatrização, redução da dor, controle do edema e diminuição do tempo cirúrgico.

No que se refere ao laser de alta intensidade, os resultados apontam para sua eficiência em incisões de tecidos duros e moles, com destaque para procedimentos como gengivoplastias, frenectomias e exodontias. Segundo Dos Santos Silva et al. (2020), a utilização do laser cirúrgico de diodo permite cortes precisos, com mínima agressão tecidual, reduzindo sangramentos e promovendo hemostasia imediata. Esse aspecto é corroborado por Saydjari, Kuypers & Gutknecht (2016), que ressaltam a importância do efeito hemostático para melhor visualização do campo operatório, diminuição da dor pós-operatória e redução da necessidade de suturas.

Em contrapartida, o laser de baixa intensidade tem se destacado pelos efeitos fotobiomoduladores, especialmente na cicatrização e no controle da dor. Oliveira (2020) destaca seu uso em condições como aftas, alveolites, xerostomia, hipersensibilidade dentinária e disfunções temporomandibulares, evidenciando a diversidade de aplicações clínicas. Estudos como o de Sousa et al. (2021) demonstram que a fotobiomodulação reduz significativamente dor, edema e trismo após cirurgias de terceiros molares, favorecendo uma recuperação mais rápida. Da mesma forma, Olkoski et al. (2021) reforçam a relevância do laser na bioestimulação e no controle inflamatório, aspectos que ampliam sua indicação em odontologia cirúrgica.

Tabela 1- comparativo entre o Bisturi e o Laser

AspectoBisturi ConvencionalLaser Cirúrgico
Precisão no corteBoa , mas menos precisa em áreas delicadasAlta precisão com mínimo dano tecidual
Controle de sangramentoNecessita sutura e compressão para hemostasiaExcelente, promove hemostasia imediata
Dor pós operatóriaMaior desconforto relatadoMenor desconforto devido a cauterização
Tempo de cicatrizaçãoMais lento (7 a 14 dias)Mais rápido (3 a 7 dias)
Risco de infecçãoModerado, depende da assepsiaMenor, devido a ação bactericida do laser
Custo do procedimentoMais baixoMais levado (equipamento e manutenção)

Fonte: Autor, 2025.

Outro resultado relevante diz respeito à utilização da laserterapia como terapia coadjuvante. Bissesto (2023) destacou sua importância no manejo da osteonecrose dos maxilares associada a medicamentos, em que a combinação entre laser de baixa intensidade e terapia fotodinâmica potencializa os efeitos clínicos. Além disso, Lubraico (2022) evidenciou a aplicação do laser na regeneração nervosa, especialmente em casos de parestesia, apontando que a laserterapia de baixa intensidade é capaz de estimular processos neurosensoriais e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Entretanto, os resultados também apontam para desafios que precisam ser superados. Belloti Neto (2022) observa que a correta aplicação do laser exige protocolos específicos e domínio de parâmetros como comprimento de onda, potência e tempo de exposição. A ausência de padronização clínica é um ponto sensível, conforme discutem Torkzaban et al. (2018), pois a utilização inadequada pode comprometer os resultados e gerar riscos, como necrose óssea em casos de contato inadvertido do feixe. Além disso, os custos de aquisição dos equipamentos ainda representam uma barreira para a implementação em clínicas de menor porte (Oliveira et al., 2020).

O avanço do uso do laser simboliza um caminho promissor que alia inovação tecnológica, eficácia clínica e humanização do cuidado. As evidências reunidas permitem concluir que essa tecnologia não apenas cumpre um papel instrumental, mas também fortalece a odontologia como área que busca constantemente equilibrar técnica, ciência e atenção integral ao paciente.

Outro aspecto de discussão refere-se à comparação com técnicas tradicionais. Enquanto o bisturi promove incisões que levam a cicatrização por segunda intenção e maior desconforto, o laser proporciona cortes mais limpos e menor trauma, aumentando o conforto do paciente (Calisir et al., 2018). Sant’Anna et al. (2017) reforçam que a utilização de lasers de alta potência em cirurgias orais minimiza agressões a tecidos adjacentes, acelera o processo de cicatrização e diminui complicações pós-operatórias, representando um diferencial importante frente aos métodos convencionais.

Assim, os resultados encontrados permitem afirmar que a laserterapia representa uma inovação consolidada na odontologia cirúrgica. Seus benefícios clínicos estão fortemente respaldados na literatura, embora ainda existem desafios relacionados à padronização de protocolos e ao acesso econômico. O equilíbrio entre vantagens e limitações indica a necessidade de capacitação contínua dos profissionais para otimizar os benefícios do laser e assegurar sua aplicação segura e eficaz.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo alcançou plenamente o objetivo proposto ao investigar de maneira abrangente a utilização do laser na cirurgia oral. A análise desenvolvida permitiu compreender como essa tecnologia, tanto em aplicações de baixa quanto de alta intensidade, representa um recurso inovador e transformador na prática odontológica. A discussão evidenciou que o laser é capaz de promover avanços expressivos na execução de procedimentos cirúrgicos, oferecendo maior precisão, menor agressão aos tecidos e um processo de recuperação mais rápido e confortável para os pacientes.

A pesquisa destacou que os benefícios do laser ultrapassam a simples substituição de métodos tradicionais. Trata-se de uma ferramenta que redefine a abordagem cirúrgica ao reduzir significativamente fatores como sangramento, dor, edema e tempo operatório. Além disso, sua contribuição na cicatrização tecidual e no controle inflamatório reforça a ideia de que a laserterapia não apenas melhora os resultados clínicos, mas também impacta positivamente na experiência do paciente, que passa a vivenciar um tratamento menos traumático e mais humanizado.

Outro ponto de relevância foi a identificação das aplicações diversificadas da laserterapia, que abrangem desde procedimentos mais simples até intervenções cirúrgicas de maior complexidade. Essa versatilidade demonstra que o laser está se consolidando como um recurso indispensável em diferentes áreas da odontologia, favorecendo tratamentos mais seguros, previsíveis e eficientes.

Entretanto, a investigação também permitiu reconhecer limitações que não podem ser ignoradas. O alto custo dos equipamentos, a necessidade de treinamento especializado e a ausência de protocolos padronizados configuram desafios que dificultam a incorporação ampla da tecnologia no cotidiano clínico. Tais aspectos ressaltam a importância de políticas de incentivo, capacitação continuada e produção científica que ampliem a base de conhecimento disponível sobre a aplicação correta e eficaz do laser.

Ao reunir e sistematizar os resultados de diferentes estudos, a pesquisa reforçou a ideia de que a laserterapia representa uma das mais importantes inovações recentes da odontologia. Sua incorporação tem o potencial de elevar o padrão de qualidade dos procedimentos, reduzir riscos e complicações, além de contribuir para a construção de práticas clínicas mais seguras e centradas no bem-estar .Nesse contexto, torna-se evidente a importância da realização de novos ensaios clínicos bem delineados, que forneçam evidências mais robustas sobre a eficácia e segurança da laserterapia. Além disso, é fundamental o desenvolvimento de protocolos clínicos padronizados, que orientem sua aplicação de forma consistente, permitindo sua incorporação mais ampla na prática odontológica e contribuindo para a redução dos custos associados ao uso da tecnologia.

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1Graduanda no Curso de Odontologia pela Faculdade Metropolitana – UNNESA; E-mail: ; Porto Velho /RO.