CPAP (CONTINUOUS POSITIVE AIRWAY PRESSURE) BENEFITS FOR OBSTRUCTIVE SLEEP APNEA
BENEFICIOS DE LA CPAP (CONTINUOUS POSITIVE AIRWAY PRESSURE) EN LA APNEA OBSTRUCTIVA DEL SUEÑO
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202509201046
Liliane de Almeida Schumann1
Nayara de Souza Almeida2
Manuela da Cruz Vieira3
Orientadora: Joelma Fonseca de Oliveira Fernandes4
Resumo
Introdução: A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio respiratório que acomete aproximadamente 32% da população adulta, com maior prevalência em homens acima dos 40 anos. Essa condição pode comprometer a qualidade de vida e está relacionada a complicações cardiovasculares, metabólicas e cognitivas, como o Alzheimer.
Objetivo: Analisar, por meio de revisão de literatura, as evidências disponíveis acerca da efetividade e das limitações do uso da Continuous Positive Airway Pressure (CPAP) no tratamento da síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS).
Materiais e Métodos: Foi conduzida uma revisão bibliográfica abrangendo homens e mulheres entre 16 e 72 anos. A busca foi realizada nas bases de dados PubMed, CINAHL, LILACS, SciELO e Google Acadêmico, considerando publicações em português e inglês dos últimos 20 anos. Foram incluídos artigos de diferentes delineamentos, como revisões, estudos de caso, pesquisas retrospectivas, prospectivas, descritivas e análise de prontuários.
Resultados: Os trabalhos selecionados apontaram que o CPAP contribui para a redução dos índices de apneia e hipopneia (IAH), melhora a qualidade do sono e diminui a sonolência diurna em parte dos pacientes. Também foram observados efeitos benéficos na redução do risco cardiovascular e de acidentes ocupacionais e automobilísticos. Contudo, alguns estudos relataram dificuldades de adesão relacionadas a desconforto no uso do equipamento e a fatores socioeconômicos.
Conclusão: A literatura sugere que o CPAP pode trazer benefícios relevantes no manejo da SAOS e na qualidade de vida dos pacientes. Entretanto, sua eficácia está diretamente ligada à adesão ao tratamento, o que demanda estratégias de acompanhamento e suporte profissional, bem como a consideração de possíveis limitações e barreiras de uso.
Palavras-chave: Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas; Apneia Obstrutiva do Sono; Qualidade de Vida; Qualidade do Sono.
Abstract
Introduction: Obstructive sleep apnea (OSA) is a respiratory disorder affecting approximately 32% of the adult population, with higher prevalence in men over 40 years old. This condition can impair quality of life and is associated with cardiovascular, metabolic, and cognitive complications, such as Alzheimer’s disease.
Objective: To analyze, through a literature review, the available evidence regarding the effectiveness and limitations of Continuous Positive Airway Pressure (CPAP) in the treatment of obstructive sleep apnea syndrome (OSA).
Materials and Methods: A comprehensive literature review was conducted including men and women aged 16 to 72 years. Searches were performed in the PubMed, CINAHL, LILACS, SciELO, and Google Scholar databases, considering publications in Portuguese and English from the last 20 years. Articles with different study designs were included, such as reviews, case studies, retrospective and prospective research, descriptive studies, and chart analyses.
Results: The selected studies indicated that CPAP contributes to reducing the apnea hypopnea index (AHI), improving sleep quality, and decreasing daytime sleepiness in some patients. Beneficial effects were also observed in reducing cardiovascular risk and the incidence of occupational and traffic accidents. However, some studies reported adherence difficulties related to discomfort during device use and socioeconomic factors.
Conclusion: The literature suggests that CPAP can provide significant benefits in managing OSA and improving patients’ quality of life. Nevertheless, its effectiveness is directly linked to treatment adherence, which requires strategies for monitoring and professional support, as well as consideration of potential limitations and barriers to use.
Keywords: Continuous Positive Airway Pressure; Obstructive Sleep Apnea; Quality of Life; Sleep Quality.
Resumen
Introducción: La apnea obstructiva del sueño (AOS) es un trastorno respiratorio que afecta aproximadamente al 32% de la población adulta, con mayor prevalencia en hombres mayores de 40 años. Esta condición puede afectar la calidad de vida y está relacionada con complicaciones cardiovasculares, metabólicas y cognitivas, como el Alzheimer.
Objetivo: Analizar, mediante una revisión de la literatura, la evidencia disponible sobre la efectividad y las limitaciones del uso de la Presión Positiva Continua en las Vías Aéreas (CPAP) en el tratamiento del síndrome de apnea obstructiva del sueño (SAOS).
Materiales y Métodos: Se realizó una revisión bibliográfica que incluyó hombres y mujeres de entre 16 y 72 años. La búsqueda se llevó a cabo en las bases de datos PubMed, CINAHL, LILACS, SciELO y Google Académico, considerando publicaciones en portugués e inglés de los últimos 20 años. Se incluyeron artículos con distintos diseños, como revisiones, estudios de caso, investigaciones retrospectivas y prospectivas, estudios descriptivos y análisis de historias clínicas.
Resultados: Los estudios seleccionados indicaron que el CPAP contribuye a reducir los índices de apnea e hipopnea (IAH), mejora la calidad del sueño y disminuye la somnolencia diurna en algunos pacientes. También se observaron efectos beneficiosos en la reducción del riesgo cardiovascular y de accidentes ocupacionales y de tránsito. Sin embargo, algunos estudios reportaron dificultades de adherencia relacionadas con el malestar al usar el dispositivo y factores socioeconómicos.
Conclusión: La literatura sugiere que el CPAP puede aportar beneficios relevantes en el manejo del SAOS y en la calidad de vida de los pacientes. No obstante, su efectividad está directamente vinculada a la adherencia al tratamiento, lo que requiere estrategias de seguimiento y apoyo profesional, así como la consideración de posibles limitaciones y barreras en su uso.
Palabras clave: Presión Positiva Continua en las Vías Aéreas; Apnea Obstructiva del Sueño; Calidad de Vida; Calidad del Sueño.
Introdução
A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é uma condição crônica e recorrente que vem sendo cada vez mais reconhecida como um problema de saúde pública, caracterizada por obstruções repetitivas das vias aéreas superiores durante o sono, resultando em esforços inspiratórios ineficazes e interrupções respiratórias transitórias (SULLIVAN et al., 1981). Esses eventos levam a episódios de hipoxemia e despertares frequentes, comprometendo a qualidade do sono e favorecendo repercussões sistêmicas relevantes.
Estudos epidemiológicos apontam que a prevalência da SAOS atinge aproximadamente 24% dos homens e 9% das mulheres, conforme avaliações polissonográficas, o que reforça a magnitude do problema (TUFIK et al., 2010). Diversos fatores estão relacionados ao desenvolvimento da síndrome, entre eles a obesidade, com acúmulo central de gordura, o envelhecimento, alterações hormonais em mulheres pós-menopausa, além de características anatômicas e neuromusculares que facilitam o colapso faríngeo (BATISTA et al., 2022; SILVA et al., 2022).
As consequências clínicas da SAOS incluem maior risco de hipertensão, doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral e até declínio cognitivo progressivo, havendo evidências que relacionam a síndrome à fisiopatologia da Doença de Alzheimer, especialmente pelo acúmulo de proteína beta-amiloide decorrente da fragmentação do sono (SHOKRI-KOJORI et al., 2018; GONZALES, VILLARAZA & ROSA, 2024). Além disso, processos inflamatórios e alterações hemodinâmicas decorrentes da obstrução recorrente podem culminar em hipóxia crônica, sobrecarga cardíaca e hipertensão pulmonar (ARNAUD et al., 2020; MARIN et al., 2012).
O diagnóstico definitivo da SAOS ainda depende da polissonografia, considerada padrão ouro, mas cuja aplicação é limitada devido ao alto custo e baixa disponibilidade nos serviços de saúde (SEGUNDO & PEDROSA, 2013). Nesse contexto, o índice de apneia hipopneia (IAH) é utilizado para classificar a gravidade da síndrome em leve, moderada ou grave, conforme o número de eventos respiratórios por hora (MCDAID et al., 2009).
Dentre as alternativas terapêuticas disponíveis, a Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas (CPAP) é considerada a principal estratégia de tratamento, pois mantém a via aérea aberta durante o sono, prevenindo episódios de colapso e reduzindo a hipóxia recorrente (FARIA & CHIBANTE, 2016; ENZWEILER et al., 2013). Embora sua eficácia clínica seja amplamente comprovada, a adesão ao tratamento ainda constitui um desafio, limitando os resultados esperados (QUEIROZ et al., 2014; OLIVEIRA, SOBREIRA NETO & LEITE, 2019).
Diante desse cenário, este estudo tem como objetivo revisar a literatura científica sobre a utilização do CPAP no manejo da SAOS, analisando seus efeitos sobre os sintomas clínicos, a qualidade de vida dos pacientes e as potenciais complicações associadas. A justificativa da pesquisa baseia-se na relevância clínica e social da síndrome, bem como na necessidade de discutir estratégias que favoreçam maior adesão ao tratamento, promovendo melhor prognóstico e redução de complicações.
Fundamentação teórica/ Revisão de Literatura
2.1 Referencial teórico / Estado da arte
A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) tem sido amplamente estudada nas últimas décadas, sendo considerada um distúrbio multifatorial de elevada prevalência na população adulta. Estudos brasileiros demonstram impacto epidemiológico significativo, como evidenciado no São Paulo Epidemiologic Sleep Study, que estimou a ocorrência de SAOS em quase um terço da população, especialmente em indivíduos do sexo masculino e com sobrepeso (TUFIK et al., 2010).
A fisiopatologia da síndrome envolve o estreitamento ou colapso recorrente da faringe durante o sono, resultando em obstruções transitórias das vias aéreas. Esses eventos comprometem a oxigenação sanguínea e geram repercussões cardiovasculares, metabólicas e neurológicas (DUARTE et al., 2022; SILVA et al., 2022). A literatura aponta associação entre a SAOS e alterações cognitivas progressivas, com destaque para sua relação com a doença de Alzheimer, mediada pelo acúmulo da proteína beta-amiloide decorrente da fragmentação do sono (SHOKRI-KOJORI et al., 2018; GONZALES, VILLARAZA & ROSA, 2024).
Diversos fatores de risco contribuem para o desenvolvimento e progressão da SAOS, entre eles a obesidade central, envelhecimento, características anatômicas da via aérea e alterações hormonais no período pós-menopausa (BATISTA et al., 2022). A síndrome também apresenta importante interface com doenças cardiovasculares, estando relacionada ao aumento da incidência de hipertensão arterial sistêmica e doença coronariana (ARNAUD et al., 2020; MARIN et al., 2012).
No campo diagnóstico, a polissonografia é considerada o padrão-ouro para confirmação da doença, permitindo a avaliação do índice de apneia-hipopneia (IAH) e a classificação da gravidade do distúrbio em leve, moderado e grave (SEGUNDO & PEDROSA, 2013; MCDAID et al., 2009). Entretanto, seu uso ainda é restrito pela limitação de acesso nos serviços públicos de saúde. Como alternativa, escalas clínicas, como a de Epworth, podem auxiliar na triagem, embora não substituam o exame polissonográfico (BOARI et al., 2004; GUIMARÃES et al., 2012).
2.2 Estado da técnica
O tratamento da SAOS evoluiu substancialmente desde a introdução do método de Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas (CPAP) descrito por Sullivan et al. (1981), considerado até hoje a principal estratégia terapêutica. O dispositivo atua mecanicamente, impedindo o colapso das vias aéreas superiores durante o sono, prevenindo episódios de apneia e suas consequências.
Estudos sistemáticos confirmam a eficácia do CPAP na redução de sintomas e complicações cardiovasculares, além de promover melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes (FARIA & CHIBANTE, 2016; ENZWEILER et al., 2013; MCDAID et al., 2009). No entanto, a adesão ao tratamento continua sendo um dos maiores desafios enfrentados, principalmente devido ao desconforto no uso do aparelho e à falta de estratégias de acompanhamento multiprofissional (QUEIROZ et al., 2014; OLIVEIRA, SOBREIRA NETO & LEITE, 2019).
Inovações recentes incluem o desenvolvimento de modalidades alternativas, como o auto CPAP e dispositivos de ventilação não invasiva (BiPAP), indicados em casos específicos (SILVA & PACHITO, 2006; DA SILVA, DUARTE & SILVEIRA, 2010). Além disso, medidas de suporte, como reabilitação fonoaudiológica e intervenções educacionais, têm mostrado resultados complementares no manejo da adesão ao tratamento (ROSA et al., 2010; OLIVEIRA, SOBREIRA NETO & LEITE, 2019).
Por fim, estudos de caso e pesquisas experimentais recentes reforçam o papel do CPAP na redução de complicações metabólicas e cardiovasculares, e até em situações clínicas complexas, como pacientes com comorbidades neurológicas e obesidade grave (AMARAL et al., 2023; FERREIRA et al., 2022). Dessa forma, a tecnologia permanece em constante evolução, configurando-se como recurso indispensável para o manejo da SAOS.
Metodologia
O presente estudo consiste em uma revisão bibliográfica de caráter sistemático, desenvolvida a partir da busca, seleção e análise crítica de produções científicas relacionadas ao uso do CPAP (Continuous Positive Airway Pressure) no tratamento da Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS).
A pesquisa foi realizada nas bases de dados PubMed, CINAHL, LILACS, SciELO e Google Acadêmico, escolhidas por sua ampla cobertura e relevância na área da saúde. O recorte temporal definido contemplou estudos publicados entre 2003 e 2023, em português e inglês.
Para o processo de busca, foram empregados como descritores e unitermos as combinações: “apneia obstrutiva do sono”, “síndrome da apneia obstrutiva do sono”, “CPAP”, “pressão positiva contínua nas vias aéreas”, “tratamento não invasivo” e “eficácia clínica”.
Os critérios de inclusão abrangeram artigos originais, ensaios clínicos, revisões sistemáticas e metanálises que apresentassem análise metodológica consistente e dados quantitativos ou qualitativos sobre os efeitos do CPAP em indivíduos com SAOS.
Foram excluídos estudos duplicados, publicações sem acesso integral, artigos que não abordassem diretamente a relação entre CPAP e SAOS e trabalhos considerados de baixa robustez metodológica. Neste último caso, foram estabelecidos como parâmetros de exclusão: amostras inferiores a 30 participantes, ausência de grupo de controle quando aplicável, falta de descrição clara da metodologia e inexistência de análise estatística ou qualitativa adequada.
O processo de triagem seguiu as recomendações do PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), de modo a assegurar transparência, reprodutibilidade e maior rigor científico. Após a seleção, os artigos incluídos foram organizados em planilhas para posterior análise comparativa, destacando objetivos, métodos, resultados e conclusões de cada estudo.
Resultados e Discussão
A presente revisão incluiu diferentes tipos de estudos (revisão de prontuário, revisões bibliográficas, estudos prospectivos, retrospectivos, descritivos, relatos de caso e uma revisão sistemática), totalizando 22 produções científicas analisadas. Esses trabalhos foram organizados em um quadro síntese elaborado pelas autoras, de modo a evidenciar de forma clara e objetiva os principais achados, garantindo transparência quanto à seleção e análise do material revisado.
De modo geral, a literatura aponta que a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) decorre de episódios repetitivos de apneia noturna, desencadeando repercussões respiratórias, neuropsicológicas e cardiovasculares (BOTINHA, 2022). A prevalência está relacionada a fatores multifatoriais, incluindo sexo masculino, idade avançada, obesidade, alterações craniofaciais, etnia e histórico familiar. As manifestações clínicas mais frequentes relatadas são sono não reparador, ronco e sonolência diurna excessiva.
No que diz respeito ao diagnóstico, instrumentos como a Escala de Sonolência de Epworth e o questionário STOP-Bang apresentam boa sensibilidade, mas não substituem a polissonografia, considerada o padrão-ouro para confirmar a presença e a gravidade do distúrbio (QUEIROZ, 2013). Embora úteis para triagem, esses instrumentos apresentam limitações, sobretudo em relação à determinação da frequência e severidade dos eventos apneicos (BOARI, 2004).
Quanto às modalidades terapêuticas, a pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP) é amplamente reconhecida como a intervenção mais eficaz para o manejo da SAOS, com capacidade de reduzir até 80% do índice de apneia e hipopneia (IAH). O tratamento melhora de forma significativa a qualidade do sono, a hipersonolência diurna e o estado de alerta (ENZWEILER, 2013; SILVA, 2010). Entretanto, a efetividade clínica depende diretamente da adesão ao uso do dispositivo, que permanece como um desafio importante.
Entre os fatores que comprometem a adesão estão desconforto com a interface, secura na boca, ruído do aparelho, pressão elevada, além de condições socioeconômicas, nível de escolaridade, percepção subjetiva de benefícios, apoio familiar e aspectos cognitivos (OLIVEIRA, 2019). Pacientes com maior IAH tendem a aderir melhor ao tratamento, enquanto indivíduos mais jovens e com menor nível socioeconômico apresentam maiores taxas de abandono (QUEIROZ, 2014).
Outras modalidades de pressão positiva, como o BiPAP, em alguns casos apresentam maior tolerabilidade, e os aparelhos de avanço mandibular (MAA) surgem como alternativas para quadros leves a moderados, ainda que associados a alterações dentárias a longo prazo (FERREIRA, 2022).
As evidências também indicam que a SAOS não tratada está associada a complicações relevantes, como hipertensão pulmonar, insuficiência cardíaca, infarto do miocárdio e risco aumentado para doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, em razão do acúmulo de β-amiloide decorrente da privação de sono (GALAN, 2018; KOJORI, 2018).
Nesse contexto, destaca-se o papel dos profissionais de saúde, especialmente fisioterapeutas, no acompanhamento clínico, ajuste de parâmetros do CPAP e educação em saúde, fatores essenciais para melhorar a aceitação do dispositivo e promover mudanças de hábitos (GALDINO, 2016). A abordagem educativa junto ao paciente e familiares é fundamental para ampliar a adesão e, consequentemente, os resultados terapêuticos (OLIVEIRA, 2019).
Portanto, os achados desta revisão reforçam que a SAOS é uma condição multifatorial, de alta prevalência e relevante impacto em saúde pública. O CPAP se mantém como tratamento de primeira escolha, porém sua eficácia depende da adesão contínua. Estratégias multidisciplinares que integrem diagnóstico preciso, educação em saúde, apoio familiar e intervenções personalizadas mostram-se essenciais para otimizar os resultados clínicos e reduzir as complicações associadas.
As publicações escolhidas foram estruturadas em um instrumento de coleta de informações desenvolvido pelas autoras, com a finalidade de apresentar de maneira clara, direta e sintética os principais resultados a serem analisados, conforme é demonstrado na tabela a seguir.
Tabela 1: Resumo das Publicações Selecionadas e Principais Resultados




Tabela acima apresenta uma síntese das publicações selecionadas sobre a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS), organizadas por ano, autores, tipo de estudo, objetivo ou tema central e principais achados. A tabela evidencia a diversidade de abordagens metodológicas e os resultados obtidos, incluindo eficácia do CPAP, adesão ao tratamento, impacto na qualidade do sono, diagnóstico, comorbidades associadas e implicações clínicas e cognitivas da SAOS.
Conclusão
O CPAP se consolida como o padrão-ouro no tratamento da Apneia Obstrutiva do Sono (AOS), demonstrando eficácia na redução dos eventos respiratórios noturnos, na melhora da qualidade do sono e na diminuição da sonolência diurna. Seu uso regular proporciona benefícios clínicos relevantes, incluindo efeitos positivos sobre a saúde cardiovascular e neuropsicológica, elementos essenciais para a qualidade de vida dos pacientes.
Apesar disso, a adesão ao tratamento permanece um desafio significativo, comprometendo a efetividade real do CPAP, especialmente entre jovens e indivíduos de menor condição socioeconômica. Fatores como desconforto no uso do equipamento, limitações socioeconômicas e lacunas no conhecimento sobre o tratamento dificultam a continuidade da terapia.
A análise indica a necessidade de estratégias individualizadas para aumentar a aceitabilidade do CPAP, como ajustes de rampa, sistemas de umidificação e alternativas terapêuticas — incluindo BiPAP e dispositivos de avanço mandibular (MAA) — particularmente em casos de AOS leve a moderada. Embora viáveis, essas alternativas exigem monitoramento clínico atento devido a possíveis riscos.
Destaca-se o papel fundamental dos profissionais de saúde, especialmente fisioterapeutas, na educação, acompanhamento e adaptação do paciente ao CPAP. O suporte contínuo e orientações adequadas são essenciais para melhorar a adesão, promover mudanças de comportamento e conscientizar sobre os benefícios do tratamento. Além disso, a presença de comorbidades e os riscos associados à AOS, como acidentes e declínio neurocognitivo, reforçam a importância do diagnóstico precoce e da intervenção adequada.
Em síntese, o CPAP constitui uma intervenção eficaz no manejo da AOS, mas sua máxima efetividade depende de uma abordagem multidisciplinar que considere estratégias personalizadas e incentive a adesão do paciente.
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1Pesquisadora do Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá (ICTIM), Maricá-RJ; (21)97154-3295 e-mail: Liaantunesdealmeida@gmail.com; ORCID: 0009- 0005-8832-154x
2Pesquisadora do Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá (ICTIM), Maricá-RJ; Docente da Universidade de Vassouras Polo Saquarema-RJ-BR/ (21)98056- 2926; e-mail: nayarasalmeida83@gmail.com; ORCID: 0009-0006-3395-4232
3Pesquisadora do Pesquisadora do Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá (ICTIM), Maricá-RJ; (21)98444-5701; e-mail: manucv13@hotmail.com; ORCID: 0009- 0006-5598-5937
4Pesquisadora do Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá (ICTIM), Maricá-RJ; Docente e Coordenadora Acadêmica Universidade Cruzeiro do Sul, Polo Maricá, RJ-BR (21)98219-4870; e-mail: elmafonseca@hotmail.com; ORCID:0009- 0003-9380-2191
