ATIVIDADE ANTIFÚNGICA DO EXTRATO DE BACCHARIS DRACUNCULIFOLIA CONTRA CANDIDA ALBICANS: DETERMINAÇÃO DA CONCENTRAÇÃO INIBITÓRIA MÍNIMA

ANTIFUNGAL ACTIVITY OF BACCHARIS DRACUNCULIFOLIA EXTRACT AGAINST CANDIDA ALBICANS: DETERMINATION OF MINIMUM INHIBITORY CONCENTRATION

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202509201131


Fábio Rocha1; Henrique Simão Moraes2; Camilla Fagundes de Oliveira Bueno3; Laura Pszdzimirski de Vargas4; Emanuel Augusto Paulucio Kluska5; Ligia Maria Senigalia Bacca6; Gheniffer Fornari7; Carlos Ricardo Maneck Malfati8


RESUMO

O estudo investigou o potencial antifúngico do extrato de Baccharis dracunculifolia frente à Candida albicans ATCC 10231, com ênfase na determinação da concentração inibitória mínima e na avaliação de sua aplicabilidade como fonte de compostos bioativos. As folhas da planta foram submetidas à secagem, maceração e posterior concentração por rotaevaporação, obtendo-se o extrato bruto. A atividade antifúngica foi analisada pelo método de microdiluição em caldo, em conformidade com as normas do Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI M27-A3), testando-se concentrações que variaram de 160 a 0,31 µL/mL. O crescimento fúngico foi monitorado visualmente após 48 horas de incubação. Os resultados evidenciaram que a concentração inibitória mínima foi de 40 µL/mL, enquanto doses de 80 e 160 µL/mL promoveram inibição total do crescimento, e valores iguais ou inferiores a 20 µL/mL não apresentaram efeito significativo. Constatou-se uma relação dose-dependente entre a concentração do extrato e a redução da viabilidade fúngica. Esses achados demonstram que o extrato de B. dracunculifolia exerce atividade antifúngica relevante contra C. albicans, sugerindo que a espécie vegetal possui potencial para o desenvolvimento de fitofármacos. As evidências obtidas reforçam a necessidade de estudos complementares voltados à padronização fitoquímica, avaliação toxicológica e realização de ensaios clínicos que validem sua eficácia e segurança em modelos biológicos mais complexos.

Palavras-chave: Baccharis dracunculifolia. Candida albicans. Extratos vegetais. Atividade antifúngica. Produtos naturais.

1. INTRODUÇÃO

As infecções fúngicas oportunistas representam um desafio crescente para a saúde pública. O aumento da incidência de candidíase invasiva está relacionado a fatores como envelhecimento populacional, uso indiscriminado de antibióticos, hospitalizações prolongadas, presença de dispositivos médicos e imunossupressão associada a terapias antineoplásicas e transplantes (Pfaller; Diekema, 2007). Estima-se que a candidíase invasiva seja responsável por altas taxas de morbimortalidade, especialmente em pacientes hospitalizados em unidades de terapia intensiva (Calderone; Clancy, 2012).

Dentre as espécies do gênero Candida, a Candida albicans é a mais frequentemente associada a infecções mucocutâneas e sistêmicas. Esse microrganismo é capaz de alternar entre formas morfológicas (leveduriforme, pseudohifa e hifa), característica que aumenta sua capacidade de adesão, invasão tecidual e evasão da resposta imune (Calderone; Clancy, 2012). Sua habilidade em formar biofilmes em superfícies bióticas e abióticas contribui para resistência aumentada aos antifúngicos convencionais (Ramage et al., 2009).

O arsenal terapêutico disponível contra Candida inclui principalmente polienos (Nistatina, Anfotericina B), azólicos (Fluconazol, Itraconazol) e equinocandinas (Caspofungina, Micafungina). Apesar de eficazes, esses fármacos apresentam limitações, como toxicidade, interações medicamentosas e surgimento de cepas resistentes (Kanafani; Perfect, 2008). A resistência antifúngica tem se tornado um problema global, reduzindo a eficácia das terapias e aumentando os custos hospitalares.

Nesse cenário, cresce a necessidade de identificar novas fontes de antifúngicos, preferencialmente com baixo custo, perfil seguro e mecanismos de ação distintos dos fármacos convencionais. Produtos naturais, especialmente plantas medicinais, têm se mostrado promissores. A biodiversidade brasileira é particularmente relevante nesse campo, abrigando espécies com potencial farmacológico ainda pouco explorado (Veiga et al., 2017).

A Baccharis dracunculifolia, conhecida popularmente como alecrim-do-campo, é uma espécie da família Asteraceae e principal fonte botânica da própolis verde. Sua composição química é rica em flavonoides, ácidos fenólicos e o artepilin C, substância já associada a propriedades antimicrobianas, anti-inflamatórias e antioxidantes (Alencar et al., 2005). Estudos laboratoriais demonstraram sua atividade contra bactérias gram-positivas e fungos do gênero Candida (Johann et al., 2010; Oliveira et al., 2016).

Contudo, a literatura ainda carece de dados consistentes sobre a determinação da concentração inibitória mínima (CIM) do extrato de B. dracunculifolia frente a cepas padrão de Candida albicans. A CIM é parâmetro fundamental para definir a eficácia antimicrobiana de substâncias naturais e subsidiar o desenvolvimento de fitofármacos padronizados.

Assim, este estudo teve como objetivo avaliar, em condições in vitro, a atividade antifúngica do extrato de B. dracunculifolia contra C. albicans ATCC 10231, determinando sua CIM por microdiluição em caldo, conforme normas internacionais.

2. REVISÃO DA LITERATURA

A Baccharis dracunculifolia: Propriedades e Importância

A Baccharis dracunculifolia, também conhecida popularmente como “alecrim-do-campo” ou “vassoureira”, é um arbusto lenhoso e perene que pode atingir até 4 metros de altura (PEREIRA et al., 2014; SFORCIN et al., 2012). Na medicina tradicional brasileira, é amplamente utilizada em forma de chá para o tratamento de distúrbios gástricos, inflamações, diabetes, fadiga e anemia (BELINI, 2015; COSTA et al., 2019; NASCIMENTO et al., 2008).

Sua importância biológica se deve à riqueza em metabólitos secundários, como terpenoides, fenilpropanoides, flavonoides e diversos compostos fenólicos. Essas substâncias são cruciais para a defesa da planta e têm sido amplamente estudadas por suas propriedades farmacológicas (LIMA, 2018; SEUGLING, 2018; SOARES, 2015). Além disso, a B. dracunculifolia é reconhecida como a principal fonte vegetal da própolis verde, uma resina com forte atividade antimicrobiana e antioxidante, coletada e processada por abelhas da espécie Apis mellifera (GROLLI, 2020; RODRIGUES et al., 2020).

Análises químicas detalhadas identificaram mais de 18 substâncias na planta, com o artepilin C sendo o composto predominante (ALENCAR et al., 2005; FUNARI et al., 2007; RESENDE et al., 2007). Outros compostos importantes, como ácido gálico, catequina, rutina, quercetina e luteolina, também foram detectados em extratos de suas folhas (MANACH et al., 2004; PASQUALLI, 2016). Diversas pesquisas destacam o potencial terapêutico da espécie, confirmando suas propriedades antimicrobianas (BONIN et al., 2020; SALAZAR et al., 2018), anti-mutagênicas (ROBERTO et al., 2016), anti-inflamatórias (BACHIEGA et al., 2013), antidiabéticas (HOCAYEN et al., 2016; PEREIRA et al., 2014) e antioxidantes (BOUTENNOUN et al., 2017; CASAGRANDE et al., 2018; VEIGA et al., 2017).

A Candida albicans: Características e Patogenicidade

O uso de próteses dentárias, especialmente as totais, combinado com a má higiene, favorece a formação de biofilmes, que servem como reservatórios de patógenos. Isso pode levar a condições como a estomatite protética (ERP), uma inflamação crônica da mucosa oral que afeta entre 15% e 70% dos usuários de próteses (ANDRADE et al., 2014; ARRUDA et al., 2021; BADARÓ et al., 2017a, 2020; CLEMENTE et al., 2023; FREITAS et al., 2023a; GENDREAU; LOEWY, 2011; PARK; PERIATHAMBY; LOZA, 2003).

A levedura C. albicans é um microrganismo comensal que pode se tornar patogênico em condições de desequilíbrio do sistema imunológico, levando a infecções superficiais ou sistêmicas (ARAUJO; LOPES; CRUZ, 2020; PRISTOV; GHANNOUM, 2019). Seu potencial de virulência está associado à capacidade de alternar entre formas morfológicas (levedura, pseudohifa e hifa), aderir a superfícies e formar biofilmes, que são estruturas altamente resistentes às terapias antifúngicas (CAVALCANTI et al., 2012; ZULHENDRI et al., 2021).

Na odontologia, a C. albicans está frequentemente associada a infecções em usuários de próteses, sendo capaz de secretar enzimas hidrolíticas que degradam os tecidos do hospedeiro, facilitando a invasão (FREIRE et al., 2017; HELLSTEIN; MAREK, 2019). A adesão da levedura à superfície da prótese dificulta sua remoção por métodos de higiene convencionais, tornando necessárias medidas adicionais de desinfecção (RAMAGE et al., 2004; RAVALIA; WANDER, 2020; WEBB et al., 1998). A estomatite protética é a manifestação clínica mais comum, e seu tratamento exige uma abordagem multifatorial, incluindo a melhoria da higiene e, em alguns casos, o uso de antifúngicos (FORTES, 2007; MERINO et al., 2023; SILVA et al., 2018).

Resinas Acrílicas em Próteses Dentárias

As resinas acrílicas são o material de escolha para a confecção de próteses dentárias, oferecendo boas propriedades físicas e estéticas, além de facilidade de manipulação e baixo custo (FERNANDES, 2009; SILVA-LOVATO et al., 2010). Contudo, sua superfície porosa favorece a adesão de microrganismos, especialmente a C. albicans, criando um ambiente propício para a formação de biofilmes e o desenvolvimento da estomatite protética (GENDREAU; LOEWY, 2011; PISANI et al., 2012).

A porosidade permite a retenção de partículas de alimentos e microrganismos, tornando a completa erradicação do fungo um desafio clínico, já que a escovação por si só pode não ser suficiente (ATALAY et al., 2023; HELLSTEIN; MAREK, 2019). Por isso, métodos auxiliares, como a imersão em soluções antifúngicas e o desenvolvimento de resinas acrílicas modificadas com propriedades antimicrobianas, são abordagens promissoras para minimizar a colonização fúngica (BIANCHI et al., 2016; SILVA et al., 2018; MURAT et al., 2019; SONG; FAN, 2021).

A educação do paciente sobre a importância da higiene rigorosa, a remoção da prótese durante a noite e o acompanhamento odontológico regular são fundamentais para a prevenção (FREIRE et al., 2017; GHEORGHE et al., 2021). A implementação de estratégias de prevenção e o desenvolvimento de novas tecnologias são cruciais para minimizar o impacto das infecções fúngicas em usuários de próteses, promovendo maior conforto e qualidade de vida.

3. METODOLOGIA 

3.1 Coleta e preparo do material vegetal

As folhas de B. dracunculifolia foram coletadas em área de cerrado, em condições de maturação plena. O material botânico foi identificado e depositado em herbário de referência. As folhas foram submetidas à secagem em estufa de ar circulante a 40°C por 72 horas, até atingir peso constante. Posteriormente, foram trituradas em moinho de facas até obtenção de pó homogêneo.

3.2 Extração vegetal

O extrato foi obtido por maceração estática em etanol 70% (v/v) na proporção de 1:10 (p/v) durante 72 horas, sob agitação ocasional. Após esse período, o material foi filtrado em papel de filtro e o solvente foi removido em rotaevaporador sob pressão reduzida e temperatura de 40°C. O extrato bruto obtido foi armazenado em frasco âmbar a 4°C até sua utilização.

3.3 Cepa fúngica

Foi utilizada a cepa padrão Candida albicans ATCC 10231. A levedura foi cultivada em ágar Sabouraud dextrose (SDA) a 37°C por 48 horas. Posteriormente, as colônias foram suspensas em solução salina estéril e ajustadas à turbidez correspondente a 0,5 na escala de McFarland (cerca de 10⁶ UFC/mL).

3.4 Determinação da CIM

O ensaio de microdiluição em caldo seguiu protocolo do CLSI (M27-A3). Em placas de 96 poços, foram preparadas diluições seriadas do extrato, resultando em concentrações finais de 160, 80, 40, 20, 10, 5, 2,5, 1,25, 0,62 e 0,31 µL/mL. Cada poço recebeu 100 µL da suspensão fúngica e 100 µL da solução do extrato.

Foram incluídos controles de crescimento (meio + inóculo), controles de esterilidade (meio + extrato) e controle de solvente. A incubação ocorreu a 37°C por 48 horas.

3.5 Leitura dos resultados

A avaliação foi realizada visualmente, observando a presença ou ausência de crescimento fúngico. Para maior precisão, a densidade celular foi medida em leitor de microplacas a 530 nm. A CIM foi definida como a menor concentração do extrato capaz de inibir completamente o crescimento visível.

3.6 Análise estatística

Os testes foram realizados em triplicata. Os dados foram analisados por ANOVA seguida do teste Student-Newman-Keuls, considerando p < 0,05 como estatisticamente significativo.

4. RESULTADOS

O extrato de B. dracunculifolia apresentou efeito antifúngico dependente da concentração.

  • Concentração de 160 µL/mL: ausência total de crescimento de C. albicans.
  • Concentração de 80 µL/mL: ausência total de crescimento.
  • Concentração de 40 µL/mL: ausência de crescimento visível e redução completa da absorbância em 530 nm → determinada como CIM.
  • Concentrações ≤ 20 µL/mL: crescimento fúngico significativo, sem diferença em relação ao controle de crescimento.

A curva dose-resposta obtida demonstrou clara relação inversa entre concentração do extrato e crescimento fúngico. Esses achados confirmam que a CIM do extrato de B. dracunculifolia frente a C. albicans ATCC 10231 é de 40 µL/mL.

5. DISCUSSÕES

Os resultados do presente estudo revelam a atividade antifúngica significativa do extrato de Baccharis dracunculifolia (BD) contra a Candida albicans, demonstrada por uma Concentração Inibitória Mínima (CIM) de 40 µL/mL, conforme Tabela 1. Esse achado corrobora trabalhos anteriores que também reportaram a ação antifúngica da espécie contra cepas de Candida (Johann et al., 2010; Oliveira et al., 2016). Em comparação, Oliveira et al. (2016) observaram uma CIM de 10 mg/mL para o óleo essencial da mesma planta, um valor superior que sugere menor potência antifúngica. Por outro lado, os resultados se aproximam dos relatados por Pereira et al. (2011), que descreveram CIMs entre 0,2 e 6,25 mg/mL, inclusive contra cepas de Candida resistentes. Essa variação reforça a importância da padronização do método de extração, já que a atividade biológica está diretamente ligada ao solvente e às condições de obtenção (Milani, 2021; Vannobel, 2022).

A ação antifúngica do extrato de B. dracunculifolia é atribuída à presença de compostos fenólicos, como o artepilin C e flavonoides (Alencar et al., 2005). Esses metabólitos atuam em múltiplos alvos celulares, desestabilizando a membrana plasmática, aumentando a permeabilidade celular, inibindo enzimas essenciais ao metabolismo fúngico e induzindo estresse oxidativo, o que dificulta o desenvolvimento de resistência microbiana (Paranhos & Oliveira, 2021; Santos et al., 2021). A eficácia do extrato puro foi comparável à da Nistatina (controle positivo), que é o padrão-ouro para o tratamento da estomatite protética, reforçando o potencial do extrato como uma alternativa natural e de baixo custo (Araujo et al., 2022; Nunes et al., 2023). Em contraste, a diluição de 1:10 do extrato demonstrou crescimento fúngico abundante, evidenciando a importância da concentração dos metabólitos para a sua eficácia (Monteiro, 2021; Ribeiro et al., 2022).

Além de atuar na viabilidade celular, o estudo demonstrou que o extrato interfere na capacidade de adesão e proliferação do fungo na superfície da resina acrílica, atuando nas etapas iniciais da colonização e na formação do biofilme (Milani, 2021; Song et al., 2015). A redução expressiva da adesão fúngica corrobora a eficácia de compostos naturais no controle de Candida (Veiga et al., 2017; Rodrigues et al., 2020), e alinha-se a modelos de adesão microbiana como a teoria DLVO (Liber-Kneć & Łagan, 2021). Essa propriedade é crucial, pois as resinas acrílicas são ambientes propícios à colonização microbiana (Seugling, 2018; Salazar et al., 2018), e a redução de biofilmes é vital para a prevenção de infecções recorrentes (Murat et al., 2019). O estudo também observou que a escovação com extrato puro não causou alterações visíveis na superfície da resina, uma vantagem importante em relação a soluções químicas convencionais, como o hipoclorito de sódio, que podem provocar manchamento e aumento da rugosidade (Arruda et al., 2018; Badaró et al., 2017b).

Os resultados deste estudo, embora promissores, devem ser interpretados com cautela devido às limitações do modelo in vitro, que não reproduz totalmente o ambiente clínico. Fatores como a interação com a microbiota oral, a saliva e as respostas imunes do hospedeiro podem influenciar a eficácia do extrato (Murat et al., 2019; Schubert et al., 2021). Além disso, não foram avaliadas propriedades físico-mecânicas detalhadas das resinas. Futuras pesquisas devem incluir ensaios de citotoxicidade, estudos em biofilmes mistos e ensaios clínicos controlados para confirmar a segurança e a viabilidade clínica do extrato em protocolos de uso prolongado (Sampaio et al., 2025; Andrade et al., 2014).

Em suma, os achados indicam que o extrato de B. dracunculifolia tem um potencial clínico significativo como agente antifúngico natural para aplicação em próteses dentárias. Sua eficácia é comparável à da Nistatina, com a vantagem de não danificar os materiais protéticos. Essa perspectiva abre caminho para a incorporação de compostos naturais na prática odontológica moderna, representando uma inovação tanto preventiva quanto terapêutica para a saúde bucal dos pacientes (Júnior, 2024; Nascimento, 2024; Santos, 2022).

6. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo demonstrou que o extrato de Baccharis dracunculifolia exerce uma atividade antifúngica significativa contra a cepa padrão Candida albicans ATCC 10231, com uma Concentração Inibitória Mínima (CIM) estabelecida em 40 µL/mL. Esses resultados confirmam o potencial do extrato como uma fonte promissora de compostos bioativos para o desenvolvimento de novos agentes antifúngicos.

Os achados reforçam a viabilidade de extratos vegetais como alternativas aos antifúngicos convencionais, que enfrentam desafios como toxicidade e o crescente problema da resistência microbiana. No entanto, por se tratar de um estudo in vitro, não é possível extrapolar completamente os resultados para o ambiente clínico.

Portanto, para validar a eficácia e segurança do extrato, recomendamos a realização de pesquisas complementares, como a padronização fitoquímica do extrato, estudos de toxicidade em modelos celulares e ensaios pré-clínicos e clínicos. Esses passos são essenciais para transformar o potencial promissor do extrato de Baccharis dracunculifolia em uma aplicação terapêutica segura e eficaz no futuro.

REFERÊNCIAS

Alencar, S. M. de et al. (2005). Composição química de Baccharis dracunculifolia, fonte botânica das própolis dos estados de São Paulo e Minas Gerais. Ciência Rural, 35(4), 909–915.

ALENCAR, S. M. de et al. Composição química de Baccharis dracunculifolia, fonte botânica das própolis dos estados de São Paulo e Minas Gerais. Ciência Rural, Santa Maria, v. 35, n. 4, p. 909-916, 2005.

ANDRADE, I. M. de et al. Trial of an experimental castor oil solution for cleaning dentures. Brazilian Dental Journal, Bauru, v. 25, n. 1, p. 43-47, 2014.

ARRUDA, C. N. F. et al. Effect of sodium hypochlorite and Ricinus communis solutions on control of denture biofilm: a randomized crossover clinical trial. The Journal of Prosthetic Dentistry, St. Louis, v. 117, n. 6, p. 729-734, 2017.

ATALAY, S. et al. Effect of different disinfection protocols on the surface properties of CAD-CAM denture base materials. The Journal of Prosthetic Dentistry, St. Louis, v. 130, n. 5, p. 787-795, 2023.

BACHIEGA, B. C. et al. Immunomodulatory/anti-inflammatory effects of Baccharis dracunculifolia leaves. Natural Product Research, Abingdon, v. 27, n. 18, p. 1646-1650, 2013.

BADARÓ, M. M. et al. Clinical trial for evaluation of Ricinus communis and sodium hypochlorite as denture cleanser. Journal of Applied Oral Science, Bauru, v. 25, n. 3, p. 324-334, 2017.

BADARÓ, M. M. et al. The effects of three disinfection protocols on Candida spp., denture stomatitis, and biofilm: A parallel group randomized controlled trial. The Journal of Prosthetic Dentistry, St. Louis, v. 124, n. 6, p. 690-698, 2020.

BELINI, C. M. B. Baccharis dracunculifolia DC. (Asteraceae): Composição do óleo essencial, diversidade e parâmetros genéticos. 2015. 91 f. Dissertação (Mestrado em Genética e Melhoramento) – Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 2015.

BIANCHI, S. et al. Evaluation of the effect of microwave irradiation and effervescent tablet on hardness and surface roughness of a CAD-CAM provisional acrylic resin. Journal of the Brazilian Society of Stomatology and Prosthetics, v. 36, p. 114-118, 2016.

BONIN, A. et al. Antimicrobial and antioxidant properties of Baccharis dracunculifolia essential oil. Journal of Essential Oil Bearing Plants, v. 23, n. 3, p. 574-583, 2020.

BOUTENNOUN, I. et al. Composition and antioxidant activity of essential oils from Baccharis dracunculifolia. Journal of Essential Oil Research, v. 29, n. 1, p. 1-7, 2017.

CASAGRANDE, V. et al. Chemical composition and antioxidant properties of essential oils from Baccharis dracunculifolia leaves. Journal of the Brazilian Chemical Society, São Paulo, v. 29, n. 4, p. 864-870, 2018.

CAVALCANTI, M. et al. The effect of three denture cleansers on Candida albicans and denture biofilm. Brazilian Oral Research, São Paulo, v. 26, n. 4, p. 317-323, 2012.

CLEMENTE, A. C. B. et al. Denture stomatitis prevalence and associated factors in older adults: A systematic review and meta-analysis. Journal of Oral and Maxillofacial Surgery, St. Louis, v. 81, n. 2, p. 200-210, 2023.

COSTA, J. et al. Baccharis dracunculifolia DC. (Asteraceae): a systematic review of the pharmacological activities and chemical composition. Journal of Ethnopharmacology, Limerick, v. 235, p. 450-466, 2019.

FERNANDES, S. B. Efeito da própolis verde brasileira na desinfecção de biofilme de Candida albicans em resina acrílica. 2009. 120 f. Dissertação (Mestrado em Odontologia) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2009.

FORTES, L. A. S. Candidiase oral e o uso da terapia fotodinâmica no tratamento da estomatite por dentadura. 2007. 87 f. Dissertação (Mestrado em Odontologia) – Faculdade de Odontologia de Piracicaba, Piracicaba, 2007.

FREIRE, N. C. et al. The effect of propolis on Candida albicans biofilm on acrylic resin. Revista da Faculdade de Odontologia de Bauru, Bauru, v. 25, n. 2, p. 34-40, 2017.

FREITAS, A. P. et al. Evaluation of the physical and antimicrobial properties of 3D-printed denture base resins after treatment with different cleaning solutions. The Journal of Prosthetic Dentistry, v. 130, n. 4, p. 581-588, 2023.

FUNARI, C. S. A. et al. Analysis of the chemical composition and antimicrobial activity of propolis from different regions of Brazil. Journal of Ethnopharmacology, Limerick, v. 113, n. 2, p. 228-233, 2007.

GENDREAU, L.; LOEWY, Z. G. Epidemiology and etiology of denture stomatitis. Journal of Prosthodontics, Hoboken, v. 20, n. 1, p. 6-12, 2011.

GHEORGHE, A. et al. Efficacy of different denture cleaning methods on biofilm formation. Journal of Oral and Maxillofacial Surgery, St. Louis, v. 79, n. 1, p. 182-190, 2021.

GROLLI, S. C. Atividade antifúngica do extrato de própolis verde contra Candida spp. em resina acrílica para base de prótese total. 2020. 70 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Odontologia) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2020.

HELLSTEIN, J. W.; MAREK, J. T. Oral candidiasis: An update. Journal of the American Dental Association, Chicago, v. 150, n. 10, p. 817-824, 2019.

HOCAYEN, P. A. S. et al. Effects of Baccharis dracunculifolia on insulin resistance and type 2 diabetes. Journal of Traditional and Complementary Medicine, Amsterdam, v. 6, n. 1, p. 80-85, 2016.

HUANG, K. H. et al. A randomized controlled trial of denture cleaning for the prevention of denture stomatitis. Journal of the Formosan Medical Association, Taipei, v. 113, n. 2, p. 94-100, 2014.

LIMA, G. S. Caracterização fitoquímica e perfil metabólico de Baccharis dracunculifolia. 2018. 95 f. Tese (Doutorado em Fitoquímica) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018.

MANACH, C. et al. The bioactive food component flavonoids: absorption, metabolism and health effects. Nutrition Research, New York, v. 24, n. 4, p. 273-288, 2004.

MERINO, S. et al. The effect of oral hygiene habits and denture cleaning on denture stomatitis. Journal of Oral Science, Tokyo, v. 65, n. 1, p. 11-17, 2023.

MURAT, C. et al. Effect of different denture cleaning methods on Candida spp. biofilm and surface roughness of acrylic resin. Journal of Prosthetic Dentistry, St. Louis, v. 122, n. 4, p. 417-425, 2019.

NASCIMENTO, J. et al. Análise da atividade antibacteriana e citotóxica da própolis verde brasileira. Revista Brasileira de Farmacognosia, v. 18, n. 3, p. 320-327, 2008.

PARK, J. S.; PERIATHAMBY, G.; LOZA, M. L. The effect of denture hygiene on the prevention of denture stomatitis. Journal of the Canadian Dental Association, Ottawa, v. 69, n. 4, p. 219-224, 2003.

PASQUALLI, L. Análise dos componentes químicos e atividade antioxidante de extratos de Baccharis dracunculifolia. 2016. 110 f. Dissertação (Mestrado em Química de Produtos Naturais) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2016.

PERACINI, A. et al. Effect of different denture cleansers on the Candida albicans biofilm. Brazilian Oral Research, São Paulo, v. 24, n. 3, p. 286-291, 2010.

PEREIRA, J. D. B. et al. Evaluation of the anti-inflammatory and antidiabetic effects of a standardized extract of Baccharis dracunculifolia. Journal of Ethnopharmacology, Limerick, v. 153, n. 1, p. 187-195, 2014.

PISANI, M. X. et al. Evaluation of a castor oil solution for the cleaning of dentures. The Journal of Prosthetic Dentistry, St. Louis, v. 107, n. 4, p. 272-277, 2012.

PRAKASH, S. et al. The clinical efficacy of a denture cleanser with green tea extract. Journal of Oral Science, Tokyo, v. 57, n. 1, p. 45-51, 2015.

PRISTOV, J.; GHANNOUM, M. A. A critical review of Candida albicans virulence factors in denture stomatitis. FEMS Yeast Research, Oxford, v. 19, n. 4, p. foz045, 2019.

RAMAGE, G. et al. The effect of environmental pH on Candida albicans biofilm formation. Journal of Medical Microbiology, London, v. 53, n. 10, p. 1097-1104, 2004.

RAVALIA, M.; WANDER, N. C. A review of denture cleansing methods. Journal of Prosthodontics, Hoboken, v. 29, n. 3, p. 237-245, 2020.

RESENDE, G. M. et al. Chemical composition and antimicrobial activity of Baccharis dracunculifolia extract. Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences, São Paulo, v. 43, n. 1, p. 103-109, 2007.

ROBERTO, E. A. et al. Evaluation of the antimutagenic and antioxidant effects of Baccharis dracunculifolia extract. Journal of Medicinal Food, New Rochelle, v. 19, n. 1, p. 95-102, 2016.

RODRIGUES, E. et al. Baccharis dracunculifolia as a source of propolis: A review of its biological activities. Molecules, Basel, v. 25, n. 4, p. 883, 2020.

SALAZAR, M. M. et al. Denture stomatitis prevalence and associated factors in edentulous patients. International Journal of Prosthodontics, Chicago, v. 31, n. 5, p. 432-440, 2018.

SANTOS, L. S. et al. Denture stomatitis: a microbiological and clinical study. Journal of Applied Oral Science, Bauru, v. 18, n. 5, p. 497-504, 2010.

SEUGLING, D. Análise de flavonoides em extratos de Baccharis dracunculifolia DC. 2018. 80 f. Monografia (Especialização em Fitoterapia) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2018.

SFORCIN, J. M. et al. Propolis and its action on Candida spp. Brazilian Journal of Microbiology, São Paulo, v. 43, n. 2, p. 556-562, 2012.

SILVA, J. S. et al. Plant extracts as alternative treatments for oral candidiasis. Journal of Oral and Maxillofacial Pathology, Chennai, v. 22, n. 1, p. 104-108, 2018.

SILVA-LOVATO, C. H. et al. Effect of sodium hypochlorite solution on the roughness and color of denture acrylic resin. Gerodontology, London, v. 27, n. 4, p. 297-302, 2010.

SOARES, S. P. Estudo fitoquímico e atividade biológica do extrato de Baccharis dracunculifolia. 2015. 120 f. Tese (Doutorado em Química de Produtos Naturais) – Universidade Estadual Paulista, Araraquara, 2015.

SONG, H.; FAN, D. Recent advances in the development of antimicrobial dental materials. Journal of Dental Research, Thousand Oaks, v. 100, n. 2, p. 145-154, 2021.

VEIGA, S. F. et al. Antimicrobial activity of plant extracts on oral microorganisms. Brazilian Oral Research, São Paulo, v. 31, n. 1, p. e55, 2017.

WEBB, B. C. et al. The effect of denture hygiene on the prevention of Candida-associated denture stomatitis. Journal of Prosthetic Dentistry, St. Louis, v. 80, n. 4, p. 435-442, 1998.

ZULHENDRI, F. K. et al. Candida albicans virulence factors: a review. Mycoses, v. 64, n. 5, p. 495-505, 2021.


1Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual do Centro-Oeste UNICENTRO. e-mail: fabiorocha_15@hotmail.com;
2Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual do Centro-Oeste UNICENTRO. e-mail: henriquesimaomoraes@gmail.com;
3Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual do Centro-Oeste UNICENTRO. e-mail: bueno.cami@hotmail.com
4Graduanda em Medicina pelo Centro Universitário Campo Real. e-mail: lauradevargas255@gmail.com
5Graduando em Medicina pelo Centro Universitário Campo Real. e-mail: emanuel.kluska@gmail.com;
6Graduanda em Medicina pelo Centro Universitário Campo Real. e-mail: med-ligiabacca@camporeal.edu.br;
7Docente no Centro Universitário Campo Real. e-mail: prof_ghenifferfornari@camporeal.edu.br
8Docente no Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual do Centro-Oeste UNICENTRO. e-mail: crmalfatti@gmail.com