BENEFITS OF RIDING THERAPY IN CHILDREN WITH AUTISM SPECTRUM DISORDER
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511181616
André Barros Leão1
Carla Cristina Guimarães Garcia1
Dayane Ferreira dos Santos1
Davi da Silva1
Patrícia Silva de Azevedo1
Orientadora: Prof. Mariana Leite de Souza2
Resumo: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é caracterizado pelo comprometimento de comunicação verbal e não verbal, ausência de interação social, comportamentos repetitivos, desordens no equilíbrio, alterações do tônus e cardiorrespiratórias e dificuldades na noção de tempo e espaço. A equoterapia é uma das intervenções que auxilia o desenvolvimento de indivíduos diagnosticados com TEA. O objetivo deste estudo é demonstrar a eficácia da equoterapia em crianças no espectro autista e como esse tratamento pode melhorar a qualidade de vida desses pacientes. Como metodologia, foi elaborada uma revisão, por meio de artigos disponíveis nas bases de dados Scielo, PubMed e Google Acadêmico, usando as palavras-chave em português e inglês. Os autores escolhidos nos resultados para discussão abordam a questão da equoterapia como método alternativo de reabilitação para auxiliar no aprendizado e desenvolvimento de habilidades motoras, sociais, de comunicação e de linguagem de crianças com transtorno do espectro autista. Melhora na função motora, redução do tempo de resolução de problemas, além de coordenação dos membros, mais força e mudança significativa no desenvolvimento das habilidades sociais e cognitivas, concluindo que a escolha da equoterapia é uma alternativa eficaz de fisioterapia para seus pacientes.
Palavras-chave: equoterapia. transtorno do espectro autista. crianças.
Abstract: Autism Spectrum Disorder (ASD) is characterized by communication difficulties, lack of social interaction, repetitive behaviors, balance disorders, changes in tone, cardiorespiratory problems, and difficulties with the notion of time and space. Hippotherapy is one of the interventions that supports the development of individuals diagnosed with ASD. The objective of this study is to demonstrate the effectiveness of hippotherapy in children and adolescents on the autism spectrum and how this treatment can improve the quality of life of these patients. The methodology used was a review of articles available in the Scielo, PubMed, and Google Scholar databases, using keywords in Portuguese and English. The authors selected for discussion address the issue of hippotherapy as an alternative rehabilitation method to aid the learning and development of motor, social, communication, and language skills in children with autism spectrum disorder. Improvements in motor function, reduction in problem-solving time, and improved limb coordination and strength, as well as a significant contribution to the development of social and cognitive skills, contribute to the conclusion that choosing hippotherapy is an effective alternative to physical therapy for patients.
Keywords: riding therapy. autism spectrum disorder. children.
1. INTRODUÇÃO
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição neurológica que compromete a comunicação verbal e não verbal, além do comportamento social e do desenvolvimento psicomotor (SILVA, 2018 apud COSTA et al, 2022). O diagnóstico pode ser estabelecido até os quatro anos de idade e sua etiologia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, ambientais e alterações cerebrais ainda não conclusivamente definidas. A intervenção precoce é essencial para potencializar os aspectos psicológicos, biológicos e sociais, garantindo maior qualidade de vida. (DE PAULA et al, 2024).
O TEA se apresenta através das dificuldades sociais, emocionais, na realização de sequências práticas, na integração viso-motora, sensibilidade e percepção. Assim, características como comportamentos repetitivos, interesses fixos e adesão a rotinas, podem classificar a doença em graus leve (nível I), moderado (nível II) e severo (nível III). Outras manifestações comuns consistem em desordens no equilíbrio, alterações do tônus, cardiorrespiratórias, dificuldades na noção de tempo e espaço, além de desordens no esquema corporal. (DUARTE et al, 2015 apud DE PAULA et al, 2024).
O diagnóstico é difícil e, em geral, ocorre após os três anos, visto que se apresenta de várias maneiras e tem algumas características comuns a outros transtornos como: desânimo que pode ser clinicamente comprovado como depressão posteriormente e déficit de atenção. Por se tratar de uma desordem que não tem cura, o tratamento fisioterapêutico visa minimizar os impactos negativos do TEA sobre os desenvolvimentos físico, social e mental dos indivíduos acometidos, bem como à melhora da qualidade de vida destes e de seus familiares. (DE PAULA et al, 2024).
É indiscutível que os animais possuem importância essencial para vários feitos da humanidade. O cavalo sempre acompanhou o homem, em toda sua história, por ser um animal inteligente, dócil, forte e sensível. Nesse contexto, a terapia assistida por animais, especialmente a equoterapia, apresenta resultados promissores, promovendo interação social, segurança emocional e desenvolvimento psicomotor (COSTA et al, 2022). Ela faz com que a criança com TEA obtenha melhora na socialização, devido ao contato com a equipe, outros pacientes e com o cavalo, na superação de fobias, ganho de autonomia, independência, utilização da linguagem e autoestima do praticante. (GODOI et al, 2024)
A equoterapia é uma abordagem interdisciplinar, que utiliza o cavalo proporcionando a oportunidade de interação do meio físico e social, auxiliando no desenvolvimento dos praticantes. Neste recurso terapêutico ocorre estimulação da sensibilidade tátil, visual, auditiva e olfativa pelo ambiente e pelo uso do cavalo promovendo assim a organização e a consciência corporal e o aumento da autoestima, facilitando a integração social, motivando o aprendizado, encorajando o uso da linguagem, ensinando a importância de regras, disciplina e aumentando a capacidade de decisões e independência em diferentes situações. (DUARTE et al 2019)
Segundo o portal da Câmara dos Deputados, a equoterapia, regulamentada pela Lei nº 13.830/2019 (BRASIL, 2019), é reconhecida como método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo como mediador dos movimentos, estimulando equilíbrio, coordenação e controle corporal. Realizada em ambiente amplo e ao ar livre, conta com equipe interdisciplinar que planeja exercícios de acordo com a evolução individual do paciente. Além dos benefícios motores e cognitivos, destaca-se o caráter lúdico e afetivo da prática, favorecendo adesão ao tratamento e a inclusão social. Diante do aumento dos diagnósticos de TEA e da necessidade de ampliar estratégias de reabilitação, a equoterapia consolida-se como abordagem complementar, eficaz e humanizada para crianças com autismo. (COSTA et al, 2022).
O objetivo deste estudo é analisar e demonstrar a eficácia da equoterapia em crianças no espectro autista e como esse tratamento pode melhorar a qualidade de vida desses pacientes.
2. METODOLOGIA
Este artigo trata-se de uma revisão bibliográfica sistemática, cujo método de pesquisa foi descritivo e exploratório em relação aos objetivos, contendo questões referentes à fonte, palavras-chave, com a finalidade de analisar os dados a respeito do estudo do tema decidido, com buscas na literatura nas bases de dados: SCIELO, Biblioteca Virtual da Saúde (BVS), Researchgate, Pubmed e Google Acadêmico, usando o tema benefícios da equoterapia em crianças no espectro autista. A realização da pesquisa foi baseada nas seguintes palavras-chave: “equoterapia”, “transtorno do espectro autista”, “crianças”, “riding therapy”, “autism spectrum disorder”, “children”.
A metodologia envolve pesquisas baseadas em outros artigos acadêmicos que já abordaram o assunto, com experiências ligadas diretamente ao tema pesquisado. Os critérios de exclusão foram: adultos autistas, crianças com grau severo de autismo, crianças não diagnosticadas por um profissional, outros diagnósticos associados ligados à saúde mental e para a base técnica, artigos anteriores a 2017 e publicações sem caráter científico. Os critérios de inclusão: crianças do sexo masculino e feminino, já diagnosticados, crianças com autismo leve, indicação de profissionais para este tipo de terapia, fisioterapia neurofuncional e esportiva como subespecialidades da fisioterapia, a especialidade principal, artigos que datam de 2017 até 2025 nos idiomas: português, espanhol e inglês. A Figura (1) apresenta o fluxograma dos artigos escolhidos.
Figura 1: Fluxograma de resultados.

Fonte: Criação dos alunos, 2025.
3. RESULTADOS
A Tabela (1) resume alguns dos autores escolhidos para discussão.
Tabela 1: Autores escolhidos para discussão
| AUTORES | DISCUSSÃO | RESULTADOS |
| MELLO, Bruna Letícia Cagalli de.; et al. (2022) | A equoterapia é um método terapêutico e educacional que tem o cavalo como um auxiliar para o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com algum grau de deficiência e/ou com necessidades especiais. O tratamento fisioterapêutico, quando iniciado de forma precoce, pode trazer maiores benefícios para a criança levando em conta a plasticidade cerebral e proporcionando um melhor desenvolvimento e entendimento do esquema corporal. | O trabalho com a criança autista leve e com diagnóstico precoce pode levá-la a viver uma vida normal, saudável, com autonomia e melhorando suas limitações. É preciso que os profissionais e os pais possam avaliar as atividades a serem oferecidas, trazendo êxito nos resultados obtidos durante todas as aulas, uma vez que nem todas as crianças ficam a vontade e, consequentemente, não produzem os resultados almejados. |
| FERREIRA, Jacqueline Diana de Souza.; et al. (2022) | A falta de estabilidade postural se destaca em crianças no espectro autista, afetando a noção espaço-temporal e a sincronia muscular, causando diminuição das atividades funcionais. Para trabalhar o controle postural e equilíbrio, a Equoterapia vem se destacando como recurso complementar da fisioterapia que pode beneficiar as funções muscular e sensitiva, gerando aumento reflexo vibratório tônico e maior recrutamento de moto neurônio. | O papel da equoterapia no tratamento de crianças com TEA, elencando que as atividades assistidas por cavalos geram efeitos positivos e significativos no desenvolvimento das crianças e do adolescente com TEA, principalmente no que se refere à equilíbrio e motricidade. A prática regular da equoterapia é apropriada e indicada como plano terapêutico para crianças e adolescentes com o TEA. |
| CHAVES, S.; TOMAZELLI CAMARGO, A.; ROMANOVITCH RIBAS, D. I. (2022) | A equoterapia vem sendo uma opção para o tratamento de crianças com déficits em seu desenvolvimento motor típico. Por meio do movimento tridimensional do cavalo e a interação afetiva com o animal ocorre estimulação motora, sensorial e ambiental, as quais impactam positivamente no desenvolvimento neuropsicomotor. Intervenções assistidas por animais são conhecidas por serem benéficas para crianças com transtornos do desenvolvimento, especialmente crianças com TEA. Este estudo tem como objetivo avaliar os benefícios da Equoterapia no desenvolvimento neuropsicomotor de uma criança com espectro autista. | A equoterapia mostrou ser um importante método terapêutico de estimulação do equilíbrio e esquema corporal de uma criança com TEA, influenciando positivamente na aprendizagem motora. A melhora do equilíbrio e esquema corporal proporcionou ganhos funcionais, como a redução de quedas, melhora da irritabilidade além de facilitar a comunicação. É preciso um período maior de aplicação da equoterapia para que seja possível desenvolver as demais habilidades motoras. |
| AGNER PIMENTEL, P.; et al. (2024) | O uso de equinos no tratamento parece ser benéfico ao paciente, já que atinge o objetivo da terapêutica, que, de maneira geral, prioriza a melhora da qualidade de vida, de forma a minimizar os prejuízos, principalmente, nas áreas motora e social que a doença causa na vida do paciente e explorar os efeitos causados pela equoterapia no desempenho comportamental e funcional e seu impacto como método terapêutico em pacientes com transtorno do espectro autista (TEA), colaborando para a expansão dessa terapia, de forma a beneficiar essas crianças. | Pode-se observar a eficácia da equoterapia nas áreas de socialização, comunicação, autocuidado, mobilidade e coordenação, refletindo em melhoras significativas dos sintomas de irritabilidade, hiperatividade, déficits de interação social e os padrões restritos de comportamento que integram o transtorno do espectro autista. O cavalo atua como um instrumento terapêutico capaz de proporcionar estímulos corporais. A montaria e as atividades grupais refletem em novas formas de socialização e autoconfiança. Apesar da prática equoterápica demonstrar benefícios físicos, psíquicos, educacionais e sociais, aponta-se a necessidade de estudos com o objetivo de suscitar mais dados que proporcionem custo-efetividade no cuidado ao paciente. |
Fonte: Criação dos alunos, 2025.
4. DISCUSSÃO
Os resultados de Mello et al. (2022) mostram que a equoterapia tem se mostrado uma prática terapêutica relevante no tratamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), promovendo benefícios físicos, cognitivos e sociais. Ferreira et al. (2022), em revisão integrativa de literatura, identificaram em diferentes estudos melhorias no equilíbrio postural, na participação social e nas funções cognitivas. Esses resultados evidenciam o potencial da prática para estimular a inclusão social e favorecer o desenvolvimento global dos participantes.
Mello et al. (2022) aprofundam a compreensão sobre a metodologia e as etapas da equoterapia, ressaltando que o contato com o cavalo gera estímulos sensoriais e motores que não podem ser reproduzidos por aparelhos. Além de benefícios fisiológicos, a terapia amplia as interações sociais, envolvendo paciente, animal e equipe multidisciplinar. O movimento tridimensional do cavalo é considerado fator determinante para ganhos motores, descrevendo a equoterapia como recurso cinesioterapêutico. A terapia promove não apenas evolução funcional, mas também prazer e engajamento na atividade, o que favorece a adesão.
De modo geral, a literatura revisada de Mello et al. (2022) converge para a ideia de que a equoterapia, mediada por profissionais qualificados, contribui para a autonomia, qualidade de vida e inserção social de crianças com TEA. Apesar dos resultados positivos, os autores sugerem mais estudos, incluindo abordagens de estudo de caso e investigações sobre tecnologias assistivas aplicadas à educação de autistas, a fim de ampliar a compreensão sobre o alcance terapêutico dessa intervenção.
Ferreira et al. (2022) continuam afirmando que a equoterapia apresenta evidências consistentes como intervenção terapêutica para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialmente na melhora e no aprimoramento do equilíbrio estático e dinâmico, motricidade, redução do estresse, melhor alinhamento corporal e aspectos sensoriais. O uso da hipoterapia e da equitação terapêutica pode favorecer a modulação sensorial e a transdução dos estímulos. Os passos tridimensionais do cavalo promovem regulação do tônus muscular, flexibilidade, coordenação, equilíbrio, benefícios no movimento rítmico, ganhos na estabilidade postural e estímulos proprioceptivos e vestibulares, sendo este o único animal capaz de reproduzir movimentos semelhantes à marcha humana. (SÔNEGO et al. 2018 apud FERREIRA et al. 2022).
Ferreira et al. (2022) finalizam afirmando que, de modo geral, os estudos indicam que a equoterapia, enquanto recurso cinesioterapêutico, oferece múltiplos estímulos capazes de favorecer a neuroplasticidade e impactar positivamente a qualidade de vida, segundo relatos de pais e cuidadores. Apesar dos resultados promissores, os autores ressaltam a necessidade de novos ensaios clínicos para consolidar evidências mais robustas sobre seus efeitos.
O estudo de Chaves et al. (2022), em consoante com Ferreira (2022), evidenciou que, após algumas sessões de equoterapia, uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresentou melhorias significativas no equilíbrio e no esquema corporal. Tais ganhos estão associados ao movimento tridimensional do cavalo, ao ritmo de passo antepiste e ao uso de solo rígido (terra batida) durante os atendimentos.
De acordo com os autores, crianças com TEA frequentemente apresentam dificuldades de sintonia corporal e limitação motora devido à falha na modulação dos estímulos ambientais. O movimento tridimensional na equoterapia é uma estratégia terapêutica relevante, pois fornece estímulos sensoriais complexos que simulam o padrão da marcha humana, favorecendo a coordenação motora, equilíbrio e consciência sobre o corpo. Ele ativa os sistemas vestibular, cerebelar e reticular, responsáveis pela excitação da musculatura postural e manutenção do equilíbrio, que se reflete em melhorias na postura. A realização dos exercícios associados à frequência de ritmo antepiste potencializa esses benefícios, uma vez que o passo curto e de alta frequência do animal faz com que a pata posterior anteceda a pegada deixada pela pata anterior, aumentando a velocidade do movimento e ativando os receptores proprioceptivos intrafusais e articulares, facilitando o ajuste do tônus muscular.
Os efeitos do movimento tridimensional somado ao ritmo antepiste são expressivos: um cavalo de passo curto realiza aproximadamente 75 passos por minuto, resultando em cerca de 2.250 ajustes tônicos e 9.000 rotações pélvicas em uma sessão de 30 minutos. PFEIFER et al., 2016 apud CHAVES et al., 2022). Além de promoverem adaptações neuromotoras, favorecem a regulação sensorial, reduzindo comportamentos desorganizados e aumentando o engajamento da criança no processo terapêutico. O ambiente da equoterapia contribui para o desenvolvimento de habilidades sociais e comunicativas, fortalecendo vínculos e ampliando a motivação para novas interações.
Chaves et al. (2022) finalizam afirmando que as oscilações rítmicas da garupa favorecem a força, flexibilidade e alinhamento do tronco e podem estar relacionadas ao desenvolvimento motor linear, que depende de maior exploração do meio e vivência corporal. A ausência de equilíbrio compromete a imagem corporal, prejudicando aprendizagens motoras e espaciais. Assim, a equoterapia, ao favorecer a consciência corporal e a coordenação, contribui diretamente para o desenvolvimento global da criança com TEA.
A revisão integrativa da literatura de Agner Pimentel et al. (2024) concorda com Melo et al. (2022) ao demonstrar que a equoterapia tem se mostrado uma intervenção eficaz no tratamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), favorecendo aspectos motores, cognitivos, sociais e comportamentais. Ao melhorar a socialização, o programa se torna benéfico em comportamentos adaptativos e atividades de vida diária, como avanços na comunicação e participação social.
Agner Pimentel et al. (2024) afirmam que a eficácia funcional da equoterapia também foi observada através dos ganhos significativos em autocuidado e mobilidade, identificando melhoras na marcha e na coordenação. No campo educacional, destacam avanços em atenção, comunicação e tolerância, refletindo em maior inclusão escolar. Além disso, a prática mostrou impacto positivo na qualidade de vida, com melhorias sociais, emocionais e físicas percebidas por pais e professores. Apesar das limitações, há consenso de que a equoterapia contribui para o desenvolvimento global de crianças com TEA.
Por fim, Agner Pimentel et al. (2024) alertam que, apesar dos resultados nem sempre serem os esperados, uma vez que os pacientes com transtorno do espectro autista precisam superar a letargia e a ansiedade, observa-se que a equoterapia constitui um recurso terapêutico promissor para crianças com TEA, embora haja necessidade de mais pesquisas para padronizar protocolos e avaliar a sustentabilidade dos resultados em longo prazo.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após discussão e análise a respeito do assunto, é possível concluir que a equoterapia se confirma como uma intervenção terapêutica de grande potencial para o tratamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista. O movimento tridimensional do cavalo, somado ao ritmo antepiste e ao ambiente controlado, promove estímulos motores e sensoriais únicos, capazes de favorecer a organização do esquema corporal, a regulação do tônus muscular e a melhora do equilíbrio postural. Esses efeitos impactam diretamente no desenvolvimento psicomotor, ampliando a autonomia funcional, a coordenação motora e a consciência corporal, elementos essenciais para a realização de atividades de vida diária e para a inclusão social dessas crianças.
Além dos ganhos motores, a equoterapia também promove benefícios emocionais, cognitivos e sociais. A interação com o cavalo e com a equipe terapêutica proporciona um ambiente motivador e acolhedor, incentivando o uso da linguagem, a superação de fobias, o aumento da autoestima e a redução de comportamentos repetitivos e desorganizados. Combinando prazer, movimento e vínculo afetivo, essa prática fortalece a adesão ao tratamento e contribui para o desenvolvimento global da criança, demonstrando-se uma estratégia complementar eficaz e humanizada no cuidado de pessoas com TEA, com potencial para melhorar a qualidade de vida não apenas dos praticantes, mas também de suas famílias.
REFERÊNCIAS
AGNER PIMENTEL, P.; FEDESZEN MOZDZEN, V.; FOLADOR FREDERICO, R.; SANTOS MARQUES, D.; LIMA GARCEZ, M.; BELLETTINI-SANTOS, T. Efeito da equoterapia no desempenho comportamental e funcional em crianças com transtorno do espectro autista. UNESC em Revista, [S. l.], v. 8, n. 1, p. 87–102, 2024. DOI: 10.54578/unesc.v8i1.389. Disponível em: <http://200.166.138.167/ojs/index.php/revistaunesc/article/view/389>. Acesso em: 15 ago. 2025.
AJZENMAN, Heather & STANDEVEN, John & SHURTLEFF, Tim. Effect of Hippotherapy on Motor Control, Adaptive Behaviors, and Participation in Children With Autism Spectrum Disorder: A Pilot Study. The American Journal of Occupational Therapy. 67. 653-63. DOI: 10.5014/ajot.2013.008383. 2013. Disponível em: <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24195899/>. Acesso em: 21jul2025
CAPÓ SANTOS, María José; DELGADO AVOGADRO, Valeria Lizel; FRUSTO GUERISOLI, Maria Bethania; PAIVA, Rossana. Tratamiento com Equinoterapia em niños com autismo. Salud Militar, [S. l.], v. 44, n. 1, p. e403, 2025. DOI: 10.35954/SM2025.44.1.5.e403. Disponível em: <https://revistasaludmilitar.uy/ojs/index.php/Rsm/article/view/449>. Acesso em: 21 jul. 2025.
CHAVES, S.; TOMAZELLI CAMARGO, A.; ROMANOVITCH RIBAS, D. I. Benefícios da equoterapia no desenvolvimento psicomotor de uma criança com espectro autista. Cadernos da Escola de Saúde, v. 21, n. 2, 24 ago. 2022. Disponível em: <https://portaldeperiodicos.unibrasil.com.br/index.php/cadernossaude/article/view/6331>. Acesso em: 15 jul.2025
COSTA, Caroline da; INOUE, Monica Maria Emi Aoki. A Equoterapia e seus benefícios em crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista (TEA). Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, [S. l.], v. 8, n. 10, p. 248–263, 2022. DOI: 10.51891/rease.v8i10.7017. Disponível em: <https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/7017>. Acesso em: 15 jul. 2025.
DUARTE, L. P.; LEAL, J. A.; HELLWIG, J. M.; BLANCO, G. S.; DIAS, S. L. de A. Revisão bibliográfica dos benefícios que a Equoterapia proporciona a pacientes com Transtorno do Espectro Autista. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 2, n. 4, p. 2466–2477, 2019. DOI: 10.34119/bjhrv2n4-019. Disponível em: <https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/1805>. Acesso em: 15 jul. 2025.
FERREIRA, Ana Carolina.; et. al. Benefícios da equoterapia em pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Trabalho de Conclusão de Curso da Faculdade Fisiosale. Graduação em Fisioterapia. 8 páginas. Araçatuba. São Paulo, 2017. Disponível em: <https://fisiosale.com.br/tcc/2017/ana_carolina_maria_laura.pdf>. Acesso em: 13 jul. 2025.
FERREIRA, Jacqueline Diana de Souza.; et al. A influência da equoterapia sobre o equilíbrio de crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista: uma revisão integrativa da literatura. Research, Society and Development, [S. l.], v. 11, n. 2, p. e19711225511, 2022. DOI: 10.33448/rsd-v11i2.25511. Disponível em: <https://rsdjournal.org/rsd/article/view/25511>. Acesso em: 15 ago. 2025.
GODOI, Marcella Moura; GODOI, Adriana Moura Lelis; LOPES JÚNIOR, Hélio Marco Pereira; LOPES, Juliana Claudino Pereira. Os Benefícios da equoterapia para crianças com transtorno espectro autista. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, [S. l.], v. 10, n. 5, p. 3661–3685, 2024. DOI: 10.51891/rease.v10i5.14057. Disponível em: <https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/14057>. Acesso em: 13 jul. 2025.
KOLLING, Aline; PEZZI, Fernanda Aparecida Szareski. A Equoterapia no Tratamento de Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Revista Psicologia & Saberes, [S. l.], v. 9, n. 14, p. 88–102, 2020. DOI: 10.3333/rps.v9i14.1122. Disponível em: <https://cesmac.emnuvens.com.br/psicologia/article/view/1122>. Acesso em: 15 jul. 2025.
MARTINS, Isabella Rodrigues Roldão; MOTTA, Oswaldo Jesus Rodrigues da. A equoterapia como tratamento para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA): Revisão bibliográfica. SAÚDE DINÂMICA, [S. l.], v. 4, n. 1, p. 18–31, 2022. DOI: 10.4322/2675-133X.2022.046. Disponível em: <https://revista.faculdadedinamica.com.br/index.php/saudedinamica/article/view/101>. Acesso em: 15 jul. 2025.
MELLO, Bruna Letícia Cagalli de.; et al. A importância da equoterapia para o transtorno do espectro Autista: benefícios detectados a partir da literatura científica nacional. Research, Society and Development, [S. l.], v. 11, n. 4, p. e23911427263, 2022. DOI: 10.33448/rsd-v11i4.27263. Disponível em: <https://rsdjournal.org/rsd/article/view/27263>. Acesso em: 15 jul. 2025.
OLIVEIRA, Érica M.; etc al. O impacto da Psicomotricidade no tratamento de crianças com transtorno do Espectro Autista: revisão integrativa. Revista Eletrônica Acervo Saúde, n. 34, p. e1369, 23 out. 2019. Disponível em: <https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/1369>. Acesso em: 12 jul.2025.
PAULA, Nathalia Santos de.; et al. Benefícios da equoterapia no tratamento de pessoas com transtorno do espectro autista. Revista Interdisciplinar de Promoção da Saúde, [S. l.], v. 7, n. 1, p. 46–54, 2024. DOI: 10.17058/rips.v7i1.18475. Disponível em: <https://seer.unisc.br/index.php/ripsunisc/article/view/18475>. Acesso em: 14 jul. 2025.
QUINTEIRO CRUZ, Brenda Darienzo; POTTKER, Caroline Andrea. Contribuições da equoterapia para o desenvolvimento psicomotor da criança com transtorno de espectro autista. Revista UNINGÁ Review, Maringá, v. 32, n. 1, p. 147-158, out/dez. 2017. Disponível em: <https://revista.uninga.br/uningareviews/article/view/143>. Acesso em: 15 jul. 2025
1Acadêmicos do curso de Fisioterapia do Centro Universitário IBMR. E-mail: patriciasilva56@yahoo.com Artigo apresentado como requisito parcial para a conclusão do curso de Graduação em Fisioterapia do IBMR. 2025.
2Orientadora – Professora.
