BASES TERAPÊUTICAS PARA CONDROMALÁCIA PATELAR

THERAPEUTIC BASES FOR CHONDROMALACIA PATELLA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202601101045


Gabriel de Almeida Xavier1; Arthur Kennedy Martins Costa2; Danilo Essado Resende Leão André3; Izadorah Oliveira Moraes4; Antônio Netto Ramos Ribeiro5; João Vitor de Cerqueira Mariano Branquinho6; Luis Augusto Vicentini7; Sérgio Nogueira de Carvalho Filho8; Beatriz Souza Caixeta9; Kênia Alessandra de Araújo Celestino10


Resumo

A condromalacia patelar (CMP), caracterizada pelo amolecimento ou degeneração da cartilagem hialina que reveste as superfícies articulares da patela, é um distúrbio crônico que acomete especialmente jovens atletas e adultos sedentários, apresentando-se como uma dor patelofemoral que se intensifica ao subir ou descer de escada, prática de exercícios ou repouso prolongado. Sua etiologia envolve fatores como desalinhamento patelar, sobrecarga articular, fraqueza muscular, traumas, obesidade e alterações biomecânicas. O seu tratamento não possui um protocolo único, porém visa aliviar sintomas com uso de fármacos, crioterapias, termoterapias, restaurar a função articular, fortalecimento muscular e prevenir a progressão da lesão por meio de cirurgias. O objetivo deste trabalho é revisar as principais bases terapêuticas para a condromalácia patelar, destacando métodos conservadores e cirúrgicos inerentes à CMP. Dentre os recursos terapêuticos, o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) é comum para controle da dor e inflamação. Terapias físicas, como crioterapia e termoterapia, ajudam na circulação e na redução da inflamação. A fisioterapia é essencial, promovendo fortalecimento muscular e correção de desequilíbrios biomecânicos, melhorando a estabilidade patelar. Exercícios de alongamento e reeducação postural também são recomendados. A correção de sobrecarga articular e desalinhamento patelar é crucial, assim como o fortalecimento muscular e o controle do peso, visto que a obesidade agrava os sintomas. Órteses e palmilhas auxiliam no alinhamento articular e na proteção da cartilagem. Quando o tratamento conservador não é eficaz, intervenções cirúrgicas podem ser necessárias, incluindo artroscopia para remoção de fragmentos, realinhamento patelar e técnicas regenerativas para substituir a cartilagem danificada. A abordagem terapêutica da CMP deve ser individualizada, levando em consideração a gravidade da lesão, nível de dor e funcionalidade do paciente. A combinação de estratégias conservadoras e, quando necessário, cirúrgicas oferece um manejo eficaz, visando à melhoria da qualidade de vida do paciente. Além disso, o acompanhamento clínico é fundamental para melhores resultados terapêuticos.

Palavras-chave: condromalácia.patelar.terapias.tratamento.joelho

1 INTRODUÇÃO

Com a crescente adesão às práticas esportivas nos dias atuais, as lesões de cartilagens vêm sendo cada vez mais frequentes, especialmente em jovens atletas. A degeneração e o amolecimento da cartilagem ao longo do tempo são resultado de excessivo esforço de resistência, grandes impactos e lesões na cartilagem, o que causa ao indivíduo perda de mobilidade acentuada com comprometimento de funções recreativas e laborais, dentre os principais sintomas a dor no joelho.

A condromalácia patelar (CP), também conhecida como “joelho do corredor”, é uma das principais causas de dor na região anterior do joelho, afetando significativamente a qualidade de vida de adultos jovens, ativos e até mesmo sedentários. Trata-se de uma condropatia caracterizada pelo amolecimento e desgaste progressivo da cartilagem hialina da patela, estrutura essencial para o pleno funcionamento do movimento de extensão dos membros inferiores. Em estágios avançados, a doença pode evoluir para a osteoartrite patelofemoral (SILVA et al., 2021), gerando limitações funcionais e cronificação da dor. As causas envolvidas no desenvolvimento da CP são diversas, entre elas destacam-se a prática esportiva intensa e de grande impacto, o sexo feminino, a obesidade, alterações anatômicas ósseas, instabilidade patelofemoral, insuficiência vascular e até mesmo fatores ocupacionais. Além disso, estudos revelam que aspectos biomecânicos como a morfologia da tróclea femoral, que é a estrutura óssea do fêmur onde a patela se articula, e o tipo de patela (DURSUN; OZSAHIN; ALTUN, 2022) estão fortemente associados à presença e à gravidade do quadro clínico.

A sintomatologia da CP é marcada por dor ao subir escadas, permanecer muito tempo sentado com o joelho fletido, conhecido como sinal do teatro ou cinema (SILVA et al., 2021), bem como pela presença de crepitação, edema e sensação de instabilidade. O diagnóstico é clínico, podendo ser complementado por ressonância magnética ou artroscopia. Testes específicos, como o de Waldron, Clarke e Glide (deslizamento patelar), auxiliam na confirmação diagnóstica.  O tratamento da CP é multidisciplinar e varia conforme a gravidade da lesão. Em casos leves e moderados, adota-se uma abordagem conservadora, com fisioterapia, controle de peso, uso de órteses e medicamentos como anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), analgésicos e condroprotetores. Em casos mais severos, pode ser necessária a intervenção cirúrgica, inclusive com implante de prótese patelofemoral, preservando estruturas articulares saudáveis e favorecendo um bom prognóstico (HAŠPL, 2023).

Diante da elevada prevalência da CP e de seu impacto nas atividades diárias e esportivas, torna-se imprescindível aprofundar a compreensão sobre seus mecanismos fisiopatológicos, fatores de risco e estratégias terapêuticas, a fim de contribuir para diagnósticos mais assertivos e condutas mais eficazes

2 METODOLOGIA

Este estudo é uma revisão de literatura do tipo integrativa, que tem como objetivo compreender as bases terapêuticas utilizadas na condromalácia patelar. A coleta bibliográfica utilizou de bases de dados científicas como Pubmed e Google acadêmico, utilizando os descritores “condromalácia”, “tratamento” e “terapia”. Foram contempladas publicações nos idiomas português e inglês, com ano de publicação entre 2020 a 2025, gratuitos e artigos que estivessem disponíveis em sua versão completa. Foram encontrados 1050 artigos, dos quais foram excluídos artigos que repetissem o mesmo título, artigos que fugiam do tema abordado e artigos cujo resumo não condizia com o objetivo da pesquisa. Assim, sucedeu a elegibilidade de 10 artigos que foram usados como referências bibliográficas

3 RESULTADOS 

A condromalácia patelar (CP), frequentemente referida como síndrome da dor anterior do joelho, é uma condição degenerativa da cartilagem patelar que representa uma das principais causas de dor no joelho. Observa-se uma prevalência de até 36,2% na população geral, sendo as mulheres duas vezes mais afetadas que os homens, especialmente entre os 30 e 40 anos (ALEMAN, 2021). Nos estágios iniciais da CP, o tratamento é geralmente conservador, centrado em intervenções físicas e terapia por exercícios, conforme recomendado pelo consenso do Centro Internacional de Pesquisa da Articulação Patelofemoral (2018). O tratamento conservador na condromalácia patelar consiste na utilização de métodos não cirúrgicos que podem ser o uso de medicamentos como analgésicos comuns, opioides, AINEs (anti-inflamatórios não esteroidais) e corticoides com o objetivo de aliviar a dor. Existem também os condroprotetores (sulfato de condroitina e sulfato de glicosamina) que também fazem parte da terapia farmacológica. Ainda como tratamento conservador existe a fisioterapia, além da perda de peso corporal, que reduziria o estresse sobre o joelho, mais especificamente a parte patelofemoral. No campo das terapias injetáveis, o ácido hialurônico (AH) é utilizado por sua capacidade de melhorar a lubrificação articular e promover a regeneração tecidual. Ensaios clínicos demonstram que produtos como Synvisc e Hyalgan são eficazes em termos de segurança e durabilidade, sendo o Hyalgan particularmente eficaz na promoção da sobrevivência dos condrócitos Recentemente, combinações de AH com quitosana modificada mostraram resultados promissores, melhorando a resposta anti-inflamatória e a regeneração da cartilagem (KON, 2020). Para casos mais avançados, onde o AH isolado não é suficiente, tratamentos adicionais como a implantação autóloga de condrócitos e injeções de plasma rico em plaquetas (PRP) são considerados. Estudos indicam que a combinação de AH com PRP melhora significativamente a função física e reduz a dor em curto prazo. A artroplastia patelofemoral é uma opção cirúrgica para artrose patelofemoral isolada, mostrando-se eficaz em aliviar a dor e melhorar a função quando tratamentos conservadores falham. Estudos comparativos sugerem que próteses PF oferecem melhores resultados funcionais em pacientes jovens, com menor progressão da artrose femorotibial quando comparadas às próteses totais do joelho(THIEMPHONT, 2013). Os resultados destacam a importância de uma abordagem terapêutica personalizada, que considere o estágio da doença e as características individuais do paciente. O avanço nas técnicas de tratamento e nos materiais utilizados promete melhorar ainda mais os desfechos clínicos para pacientes com condromalácia patelar.

4 DISCUSSÕES

A patela é um osso sesamóide triangular inserido no tendão do músculo quadríceps femoral. Sua face posterior articula-se com a tróclea femoral e é recoberta por cartilagem hialina espessa, característica que favorece a dissipação de cargas compressivas. A degeneração da cartilagem caracteriza a condromalácia patelar (CP), cuja etiologia multifatorial inclui fatores anatômicos, biomecânicos, hormonais e ocupacionais (SILVAet al.,2021; DURSUN;OZSAHIN;ALTUN,2022).

Frente à complexidade dessa condição, destaca-se a importância de uma abordagem terapêutica individualizada. O tratamento conservador é a estratégia de primeira linha e inclui reeducação funcional, fortalecimento seletivo, controle de peso e suporte farmacológico com analgésicos, AINEs e condroprotetores (LAGES et al.,2020;SILVAet al.,2021).Essa multiplicidade de fatores exige do profissional de saúde uma abordagem ampla e integrativa, que não se limite à manifestação sintomática, mas que busque compreender as interações biomecânicas e funcionais envolvidas na articulação patelo femoral.

Terapias como a fisioterapia manual associada a exercícios terapêuticos demonstram benefícios funcionais. Em casos avançados, o uso intra-articular de ácido hialurônico, isolado ou em combinação com quitosana modificada e PRP, tem apresentado resultados positivos na regeneração da cartilagem e no alívio da dor (KON,2020; COSTA et al.,2024).

Quando há falha do tratamento conservador e progressão para osteoartrite patelo femoral isolada, indica-se a artroplastia patelo femoral. Essa técnica cirúrgica proporciona melhora funcional significativa com menor impacto na articulação femorotibial em comparação à artroplastia total do joelho (THIEMPHONT,2013).Dados que reforçam a importância de decisões cirúrgicas baseadas em critérios funcionais e estruturais bem definidos, especialmente em pacientes jovens e com envolvimento articular localizado.

Apesar dos avanços terapêuticos, esta revisão apresenta limitações inerentes ao delineamento integrativo, como a ausência de análise quantitativa e o risco de viés na seleção dos artigos incluídos. A heterogeneidade metodológica dos estudos também dificulta comparações diretas entre os protocolos avaliados. Recomenda-se que futuras investigações priorizem ensaios clínicos randomizados e estudos longitudinais com amostras robustas, visando avaliar a efetividade das terapias combinadas e seu impacto funcional no longo prazo

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta revisão integrativa permitiu compreender que a condromalácia patelar (CP) é uma condição comum, multifatorial e com forte impacto na funcionalidade e na qualidade de vida, especialmente entre adultos jovens. Quanto à etiologia, a CP possui causas diversas, destacando-se a prática intensa de exercícios físicos. Os achados reforçam a importância de um tratamento individualizado, considerando o estágio da lesão, as características anatômicas e fatores como idade, sexo e índice de massa corporal.

O tratamento conservador é, geralmente, focado em intervenções físicas e na terapia por exercícios, além do uso de medicamentos, como analgésicos comuns, opioides, anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e corticosteroides, com o intuito de reduzir a dor. O tratamento também inclui terapias injetáveis, como o ácido hialurônico isolado ou combinado (ácido hialurônico com PRP), que têm demonstrado eficácia clínica e funcional. Em casos avançados ou refratários, a intervenção cirúrgica representa uma alternativa viável. Portanto, os dados evidenciam a relevância de uma conduta terapêutica individualizada, pautada no estágio clínico da patologia e nas especificidades biológicas e clínicas do paciente. No entanto, ainda existem lacunas na literatura, incluindo a heterogeneidade metodológica, a ausência de protocolos padronizados, a escassez de estudos de longo prazo e a possibilidade de viés associado ao processo de seleção dos estudos incorporados. Desse modo, torna-se imprescindível a realização de novos ensaios clínicos rigorosamente estruturados, que investiguem estratégias terapêuticas integradas e avaliem de maneira mais aprofundada os mecanismos fisiopatológicos da condromalácia patelar, favorecendo a adoção de condutas mais eficazes e individualizadas 

REFERÊNCIAS

ANDRADE DE OLIVEIRA, T.; 1°, E. Sistema imunológico e doenças autoimunes Curitiba 2023. [s.l: s.n.]. Disponível em: . Acesso em: 24 mar. 2025.

LAGES, João Marcelo Ferreira et al. Revisão sistemática sobre o tratamento conservador e cirúrgico na condromalácia patelar. Revista Saúde Multidisciplinar, v. 8, n. 2, 2020.

SILVA, Thiago Fernandes Peixoto et al. Condromalácia patelar-aspectos etiológicos, epidemiológicos e manejo terapêutico Chondromalacia patellae-etiology, epidemiology and therapeutic management. Brazilian Journal of Development, v. 7, n. 10, p. 98464- 98473, 2021. .

YAN, C. et al. Clinical trial of manual therapy in the treatment of chondromalacia patellae. Medicine, v. 102, n. 24, p. e33945–e33945, 16 jun. 2023.

COSTA, F. R. et al. The Synergistic Effects of Hyaluronic Acid and Platelet-Rich Plasma for Patellar Chondropathy. Biomedicines, v. 12, n. 1, p. 6, 1 jan. 2024.

ZHENG, W. et al. Chondromalacia patellae: current options and emerging cell therapies. Stem Cell Research & Therapy, v. 12, n. 1, p. 412, 18 jul. 2021. 

KHOO, P. et al. A novel clinical test for assessing patellar cartilage changes and its correlation with magnetic resonance imaging and arthroscopy. Physiotherapy Theory and Practice, v. 35, n. 8, p. 781–786, 30 mar. 2018

DURSUN, M.; OZSAHIN, M.; ALTUN, G. Prevalence of chondromalacia patella according to patella type and patellofemoral geometry: a retrospective study. Sao Paulo Medical Journal, 12 set. 2022.

SIEROŃ, D. et al. Correlation of Patellofemoral Chondromalacia and Body Mass Index (BMI) in Relation to Sex and Age Analysis of 1.5T and 3.0T Magnetic Resonance (MR) Images Using the Outerbridge Scale. Medical Science Monitor: International Medical Journal of Experimental and Clinical Research, v. 28, p. e937246, 17 dez. 2022.

HAŠPL, M. Patellofemoral knee prosthesis – why is it rarely used? Acta Clinica Croatica, 2023.


1Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário de Mineiros Campus Trindade (UNIFIMES) e-mail: gabrielaxgyn@gmail.com;
2Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário de Mineiros Campus Trindade (UNIFIMES). e-mail: arthurkmcosta@gmail.com;
3Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário de Mineiros Campus Trindade (UNIFIMES). e-mail: daniloessado@gmail.com;
4Discente do Curso Superior de Medicina do  Centro Universitário de Mineiros Campus Trindade (UNIFIMES). e-mail: Izadorah21@gmail.com;
5Discente do Curso Superior de Medicina do  Centro Universitário de Mineiros Campus Trindade (UNIFIMES). e-mail: antonionrr45@gmail.com;
6Discente do Curso Superior de Medicina  do  Centro Universitário de Mineiros Campus Trindade (UNIFIMES). e-mail: jvcerqueiramed@gmail.com;
7Discente do Curso Superior de Medicina do  Centro Universitário de Mineiros Campus Trindade (UNIFIMES). e-mail: luisaugustovicentini@gmail.com;
8Discente do Curso Superior de Medicina do  Centro Universitário de Mineiros Campus Trindade (UNIFIMES). e-mail: Sergio0301sf@gmail.com;
9Discente do Curso Superior de Medicina do  Centro Universitário de Mineiros Campus Trindade (UNIFIMES). e-mail: beatrizsouzacaixeta1@gmail.com;
10Docente do Curso Superior de Medicina do  Centro Universitário de Mineiros Campus Trindade (UNIFIMES). e-mail: keniacelestino@unifimes.edu.br

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