ASSESSMENT OF BALANCE AND MOBILITY OF ELDERLY PEOPLE IN PRIMARY HEALTH CARE: CONTRIBUTIONS OF PHYSIOTHERAPY TO FALL PREVENTION
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202510311901
Adriene da Silva Pereira2
José Vieira da Silva Neto3
RESUMO
Devido ao aumento da longevidade o número de idosos vem crescendo de forma exponencial, e isso colabora diretamente para o aparecimento de doenças e também para a perda de massa muscular, força e função, provocando quedas. Dito isto, a queda entre idosos representa um problema de saúde pública, inclusive de alta mortalidade e já se encontra entre a sexta causa de óbitos em idosos, seguido de uma das principais causas de hospitalização. Sendo assim, existe uma avaliação que pode ser feita para analisar o equilíbrio do idoso e assim identificar riscos de quedas e declínio funcional, os testes mais comuns são: Escala de Berg, Timed Up and Go e Teste de Caminhada de 10 Metros. O objetivo do presente estudo consistiu em verificar as contribuições da fisioterapia para a prevenção de quedas, levando em consideração a avaliação do equilíbrio e mobilidade da pessoa idosa na Atenção Primária de Saúde. A presente pesquisa caracteriza-se por uma revisão integrativa. Diante disso, foi realizado um levantamento dos estudos nas seguintes bases de dados: BVS, PubMed e SciELO. Quanto aos critérios de inclusão adotados foram: artigos completos que abordem a temática proposta, publicados no período de 2019 a 2025, nos idiomas português e inglês, disponíveis na íntegra e de modo gratuito. Após seleção, totalizou-se 8 artigos para discussão. Os resultados mostraram que os instrumentos utilizados como a Escala de Berg, Timed Up and Go e Teste de Caminhada de 10 Metros mostraram-se eficazes na detecção de alterações funcionais e risco de quedas, ao mesmo tempo que programas de exercícios multicomponentes são eficazes na redução de quedas e promoção da autonomia funcional. Por fim, conclui-se que a fisioterapia é essencial para manter a independência e a qualidade de vida dos idosos, pois foca em propor exercícios que melhoram o equilíbrio, aumentam a força muscular e marcha, além das orientações para que seja implementado um ambiente mais seguro e com hábitos saudáveis.
Palavras-chave: Idosos. Equilíbrio. Mobilidade. Fisioterapia.
ABSTRACT
Due to increased longevity, the number of elderly individuals has been growing exponentially, directly contributing to the onset of diseases and the loss of muscle mass, strength, and function, leading to falls. That said, falls among the elderly represent a public health problem, including high mortality, and are already among the sixth leading cause of death among the elderly, followed by one of the leading causes of hospitalization. Therefore, there are assessments that can be performed to analyze the balance of older adults and identify risks of falls and functional decline. The most common tests are the Berg Scale, Timed Up and Go, and the 10-Meter Walk Test. The objective of this study was to assess the contributions of physical therapy to fall prevention, taking into account the assessment of balance and mobility in older adults in Primary Health Care. This research is characterized by an integrative review. Therefore, a survey of studies was conducted in the following databases: BVS, PubMed, and SciELO. The inclusion criteria adopted were: full articles addressing the proposed topic, published between 2019 and 2025, in Portuguese and English, available in full and free of charge. After selection, a total of eight articles were selected for discussion. The results showed that instruments such as the Berg Scale, Timed Up and Go, and the 10-Meter Walk Test were effective in detecting functional changes and fall risk, while multi-component exercise programs are effective in reducing falls and promoting functional autonomy. Finally, it was concluded that physical therapy is essential for maintaining the independence and quality of life of older adults, as it focuses on providing exercises that improve balance, increase muscle strength and gait, and provide guidance for implementing a safer environment with healthy habits.
Keywords: Elderly. Balance. Mobility. Physiotherapy.
1. INTRODUÇÃO
O envelhecimento é caracterizado como um processo natural e ocorre devido à diminuição tanto da estrutura quanto das funções dos principais órgãos, sendo o tempo um dos fatores que impõe o ritmo do envelhecimento definindo a rapidez ou retardamento dos efeitos que o indivíduo apresenta durante esse processo (Kalil et al., 2021). As alterações e desgastes nos sistemas funcionais acontecem naturalmente e não podem ser impedidos definitivamente (Souza; Barros, 2021).
Não se pode mensurar exatamente como e quando as principais transformações irão ocorrer, pois variam de indivíduo para indivíduo. Mas, o organismo é o principal alvo desse processo, resultando em alterações fisiológicas, dificuldades em realizar determinados movimentos considerados básicos há alguns anos atrás (Coutinho, 2021).
Segundo o IBGE (2024) o número de pessoas idosas brasileiras mais do que duplicou no período entre os anos de 2000 e 2023. Em pouco mais de duas décadas, a população brasileira com 60 anos ou mais passou de 15,2 milhões para 33 milhões de pessoas. Por causa do grande crescimento no número de pessoas idosas, consequentemente acabam emergindo preocupações que necessitam dar enfoque ao zelo, pois o envelhecimento cronológico acaba estando diretamente ligado a um significativo declínio das capacidades funcionais adquiridas ao longo da vida, as quais se relacionam diretamente com a capacidade de realizar as atividades simples, mas que acontecem no cotidiano e exigem funções indispensáveis para a independência funcional (Ribeiro; Dantas, 2020).
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 28 e 35% das pessoas idosas em todo o mundo, que possuem mais de 65 anos sofrem algum tipo de queda por ano, uma estimativa de 2 a 4 quedas por toda a sua vida, em sua grande maioria os banheiros são os locais onde as pessoas idosas mais sofrem quedas. Além disso, outro Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), financiado pelo Ministério da Saúde, revelou que, no Brasil, a prevalência de quedas na população idosa residente em áreas urbanas foi de 25%.
Além disso, a partir das características fisiológicas e patológicas desta pessoa idosa, pode-se aumentar a sua fragilidade, principalmente aqueles idosos que exigem uma alta dependência de seus cuidadores (Ferreira et al., 2019).
Diante de algumas das perdas funcionais, o déficit de equilíbrio está entre as alterações fisiológicas que são provocadas devido ao processo inevitável de envelhecimento que merecem uma maior concentração de esforços e estudos (Carli et al., 2025). Isso porque a redução do equilíbrio está entre os principais fatores responsáveis por limitações na independência do idoso, queda considerável na capacidade funcional e dificuldades na realização de atividades que ocorrem em seu meio, promovendo maior probabilidade para quedas, possíveis fraturas e, consequentemente, a imobilidade e o sedentarismo (Franco et al., 2022).
A fisioterapia gerontológica contribui diretamente para readquirir a autonomia e independência ao realizar atividades diárias, prática essencial para idosos que almejam um envelhecimento saudável. E auxilia bastante para que esse objetivo seja concretizado, de conduzir o paciente idoso a preservar, ou recuperar, a sua independência funcional (Silva et al., 2022).
Dessa forma, a relevância do tema se fundamenta na necessidade de estratégias em saúde que favoreçam o envelhecimento ativo, o planejamento adequado dos serviços e a assistência integral a pessoa idosa (Silva et al., 2019). Assim, o objetivo foi verificar as contribuições da fisioterapia para a prevenção de quedas, levando em consideração a avaliação do equilíbrio e mobilidade da pessoa idosa na Atenção Primária de Saúde.
2. MATERIAIS E MÉTODOS
O presente estudo trata-se de uma revisão integrativa da literatura, método que possibilita a síntese de resultados de pesquisas já publicadas, permitindo a construção de conhecimento fundamentado em evidências científicas (Souza et al., 2010).
Para a seleção da questão norteadora de pesquisa, foi utilizada a estratégia PICO, considerando o cenário proposto, representando como População/Problema (P) Idosos na comunidade/atenção primária com risco de queda, Intervenção (I) Avaliação fisioterapêutica do equilíbrio e mobilidade, a Comparação (C) não se aplica, Outcomes/Resultados temos a prevenção e identificação precoce do risco. Diante disso, a pergunta norteadora foi: quais as contribuições da fisioterapia para a prevenção de quedas, levando em consideração a avaliação do equilíbrio e mobilidade da pessoa idosa na Atenção Primária de Saúde?
Foram utilizados os descritores do DECs (Descritores em Saúde) os termos controlados descritos a seguir: Idosos na comunidade/atenção primária com risco de queda (Elderly people in the community/primary care at risk of falling), Avaliação fisioterapêutica do equilíbrio e mobilidade (Physiotherapeutic assessment of balance and mobility) com operador booleano AND a fim de encontrar estudos que contenham os descritores escolhidos e respondam à questão norteadora.
Mediante o exposto, foi realizado um levantamento dos estudos nas seguintes bases de dados: Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Biblioteca Nacional de Medicina (PubMed) e Scientific Electronic Library Online (SciELO).
A partir da construção da estratégia PICO e da pergunta norteadora seguiu-se com a construção dos códigos de busca nas diferentes bases de dados sendo construído para pesquisa em Pubmed ((“Aged”[Mesh] OR “Aged, 80 and over”[Mesh] OR “Frail Elderly”[Mesh]) AND “Primary Health Care”[Mesh]) AND (“Physical Therapy Modalities”[Mesh] OR “Postural Balance”[Mesh] OR “Gait”[Mesh] OR “Geriatric Assessment”[Mesh] OR “Balance Tests” OR “Mobility Limitation”[Mesh]) AND (“Accidental Falls”[Mesh] OR “Accidental Falls/prevention and control”[Mesh] OR fall prevention), Cochrane #1 (aged OR “frail elderly” OR geriatric) AND (“primary health care”) #2 (physiotherapy OR “physical therapy” OR “balance” OR “mobility” OR “postural balance”) AND (assess OR evaluat OR test) e LiLACS (tw:((“Idoso” OR “Idoso Fragilizado” OR “Saúde do Idoso”) AND (“Atenção Primária à Saúde” OR “Atenção Básica”))) AND (tw:((“Avaliação em Fisioterapia” OR “Equilíbrio Postural” OR “Marcha” OR “Avaliação Geriátrica” OR “Avaliação de Mobilidade” OR “Teste de Equilíbrio” OR “Escala de Equilíbrio de Berg”))) AND (tw:((“Acidentes por Quedas” OR “Prevenção de Quedas” OR “Queda” OR “Medo de Cair” OR “Risco de Quedas”))).
Quanto aos critérios de inclusão adotados foram: artigos completos que abordem a temática proposta, publicados no período de 2019 a 2025, nos idiomas português e inglês, estudos com metodologia quantitativa e qualitativa. Foram excluídos da pesquisa os estudos que não abordavam a contribuição da fisioterapia na avaliação do equilíbrio e mobilidade de idosos, com foco na prevenção de quedas, textos informativos, artigos incompletos, ano de publicações (2019 a 2025), que não estavam disponíveis na íntegra e que não estava disponível gratuitamente e estudos com revisões narrativas sem metodologia explícita.
3. RESULTADOS
O processo de seleção dos estudos seguiu o modelo adaptado do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA), contemplando quatro etapas: identificação, triagem, elegibilidade e inclusão, na Figura 1.
Para a combinação usada na Pubmed foram localizados 31 resultados em artigos publicados nos últimos 5 anos ((“Aged”[Mesh] OR “Aged, 80 and over”[Mesh] OR “Frail Elderly”[Mesh]) AND “Primary Health Care”[Mesh]) AND (“Physical Therapy Modalities”[Mesh] OR “Postural Balance”[Mesh] OR “Gait”[Mesh] OR “Geriatric Assessment”[Mesh] OR “Balance Tests” OR “Mobility Limitation”[Mesh]) AND (“Accidental Falls”[Mesh] OR “Accidental Falls/prevention and control”[Mesh] OR fall prevention). Para Cochrane para a combinação (aged OR “frail elderly” OR geriatric) AND (“primary health care”) foram localizados 19 artigos e a combinação (physiotherapy OR “physical therapy” OR “balance” OR “mobility” OR “postural balance”) AND (assess OR evaluat OR test) foram localizados 262 artigos publicados nos últimos 5 anos.
Figura 1 – Fluxograma de Seleção dos estudos

Na fase de identificação, foram encontrados 312 estudos nas três bases de dados. Após a remoção de 54 duplicatas, restaram 258 estudos para triagem. Destes, 189 ficaram caracterizados como textos completos para serem avaliados e 69 foram excluídos por não atenderem ao tema central ou aos critérios de inclusão e mais 61 por não estarem dentro do período estabelecido (2019 a 2025). Ao final, 8 estudos compuseram a amostra final para análise.
Os resultados obtidos nesta pesquisa permitem uma compreensão abrangente sobre a contribuição da fisioterapia na avaliação do equilíbrio e mobilidade da pessoa idosa, com foco na prevenção de quedas no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS). A análise dos estudos selecionados possibilitou identificar as principais estratégias em saúde que podem favorecer o envelhecimento ativo, o planejamento adequado dos serviços e a assistência integral a pessoa idosa através do fisioterapeuta. Além disso, foi possível observar a relação entre as práticas de fisioterapia e os desfechos clínicos, evidenciando a importância da atuação profissional qualificada e da adoção de protocolos específicos para a melhoria da qualidade de vida da pessoa idosa, de acordo o Quadro 1 abaixo:
Quadro 1 – Caracterização dos estudos selecionados quanto a título, autores, ano de publicação, objetivos, método e principais resultados
| TÍTULO | AUTORES /ANO | OBJETIVOS | MÉTODO | RESULTADOS |
| Avaliação da funcionalidade e mobilidade de idosos comunitários na atenção primária à saúde | Silva, Laize Gabriele de Castro et al (2019) | Avaliar a capacidade funcional e a mobilidade de idosos atendidos na atenção primária à saúde e a associação de desfechos adversos (dependência funcional e mobilidade reduzida) com aspectos | Estudo epidemiológico de caráter transversal e analítico | Dentre os 109 idosos avaliados, 29,4% apresentaram dependência para realização das atividades instrumentais da vida diária (AIVD) e 67,9% tiveram mobilidade reduzida. O presente estudo constatou associação significativa entre dependência para realizar as AIVD e idade igual ou superior a 75 anos; e não praticar atividade física manteve-se como fator de associação com a mobilidade reduzida, independente do sexo, da idade e da presença de comorbidades. |
| Avaliação multidimensional de pessoas idosas na Atenção Primária à Saúde: uma revisão de escopo | Siqueira, Fernanda Matoso et al (2023) | Mapear as publicações referentes à avaliação multidimensional de pessoas idosas no contexto da Atenção Primária à Saúde | Trata-se de uma revisão de escopo desenvolvida utilizando a metodologia Joanna Briggs Institute realizada nas bases de dados Web of Science, Scopus, Sistema Online de Busca e Análise de Literatura Médica e Literatura Latino Americana de Informação Bibliográfica | Foi incluída uma amostra total de 19 evidências para análise qualitativa, de variados delineamentos, com predominância do tipo transversal e em sua maioria na língua inglesa. Verificaram-se três dimensões que compõem a avaliação; instrumentos desenvolvidos aplicáveis à Atenção Primária; dois tipos de tecnologias da informação utilizadas para instrumentalizar a avaliação e achados relevantes sobre a prática |
| O papel vital do do fisioterapeuta na promoção da segurança e na prevenção de quedas em idosos | Tomaz Julia Emilly Tres, et al (2025) | Destacar o papel fundamental do fisioterapeuta na promoção da segurança e na prevenção de quedas em idosos | Este caracteriza-se como uma pesquisa de campo, exploratória, quantitativa e transversal, com o objetivo de investigar a prevalência dos fatores predisponentes às quedas em idosos participantes do Centro de Promoção de Atividade Física (CEPAF). | Os estudos resultados obtidos por meio da pesquisa realizada com os idosos participantes do CEPAF, em São Mateus (ES), revelam um panorama positivo em relação ao equilíbrio e ao risco de quedas. A análise do Teste Timed Up and Go (TUGT) demonstrou que a maioria dos participantes (23 idosos) completou o percurso dentro do tempo considerado normal (menos de 10 segundos), indicando um baixo risco de quedas. Outros 12 idosos apresentaram tempos entre 10 e 19 segundos, o que sugere um risco moderado, mas ainda dentro de parâmetros aceitáveis. Nenhum dos avaliados obteve tempos superiores a 19 segundos, faixa que indicaria um alto risco de quedas. Além disso, a avaliação do equilíbrio, realizada por meio da Escala de Equilíbrio de BERG, revelou que 88,58% dos idosos alcançaram pontuações acima de 41, demonstrando um nível satisfatório de equilíbrio e estabilidade corporal. Esse dado reforça a importância da prática regular de atividades físicas na manutenção e melhoria do equilíbrio, fator essencial na prevenção de quedas. |
| Intervenções para prevenção de quedas em idosos na Atenção Primária: revisão sistemática | Dourado Júnior, Francisco Wellington et al (2022) | Identificar na literatura, nacional e internacional, intervenções eficazes para prevenção de quedas em idosos desenvolvidas no âmbito da Atenção Primária à Saúde e classificá-las tendo por base o Relatório da Organização Mundial da Saúde sobre Prevenção de quedas | Revisão sistemática realizada entre 2019 e 2020, conduzida a partir do guia PRISMA | Identificaram-se 20 artigos elegíveis, sendo 35% (n=8) classificados como alta qualidade metodológica e 25% (n=5) como excelente qualidade. Das intervenções investigadas, 55% (n=11) consistiam em programas de exercício físico, e 45% (n=9) eram multicomponentes, com tempo de duração entre 3 semanas e 12 meses, realizadas por diferentes categorias profissionais. Tais intervenções influenciaram na redução de quedas e na diminuição do medo de cair nos idosos, bem como contribuíram para o fortalecimento muscular, a capacidade motora e a melhora cognitiva. |
| Associação entre desempenho funcional e hospitalização de idosos adscritos à estratégia de saúde da família no município de Alfenas, Minas Gerais | Souza, Maria Geracina de et al (2022) | Identificar se o pior desempenho de idosos em testes funcionais pode estar associado a hospitalizações entre idosos | Estudo transversal observacional com amostra de 473 idosos comunitários adscritos à Estratégia de Saúde da Família | No estudo, 32,1% dos idosos participantes foram hospitalizados pelo menos uma vez. A ocorrência de hospitalização foi associada com equilíbrio, desempenho na marcha, mobilidade funcional e risco de quedas |
| Aplicativo móvel: intervenções fisioterapêuticas à idosos frágeis | Moreira, Wagner Elias de Melo et al (2021) | Construir e validar um algoritmo e desenvolver um software do tipo aplicativo móvel para o diagnóstico multidimensional da vulnerabilidade clínico funcional e tratamento fisioterapêutico em idosos. | Trata-se de um estudo analítico, observacional, aplicado na modalidade de produção tecnológica, baseado na engenharia de software e fundamentada no design centrado no usuário | O algoritmo foi construído e validado, o software do tipo aplicativo móvel para o diagnóstico multidimensional da vulnerabilidade clínico funcional e tratamento fisioterapêutico em idosos foi desenvolvido, é válido na área de fisioterapia e deve contribuir para fisioterapeutas e pessoas idosas. |
| Dupla tarefa e mobilidade funcional de idosos ativos | Fatori, Camila de Oliveira, et al (2019) | Avaliar o efeito de duplas tarefas na mobilidade funcional de idosos ativos e correlacionar o tempo utilizado para sua realização com a idade do indivíduo | Estudo transversal e observacional, que utiliza amostra de conveniência | Foram observados valores maiores em relação ao tempo gasto pelos idosos na realização de tarefas associadas, tanto motoras quanto motora cognitivas, quando comparadas com a tarefa simples. Correlação positiva entre idade e os testes que incorporam atividade cognitiva à realização do TUG foi estabelecida |
| Avaliação funcional de idosos atendidos na Atenção Básica | Souza, Daiany Costa;Rocha, Emília Sampaio; Diniz, Thiago Sales (2022) | Estimar a prevalência de incapacidade funcional para atividades básicas e instrumentais da vida diária e sua associação com características socioeconômicas , demográficas e de saúde em idosos | Foi aplicado questionário semiestruturado para coleta de dados sociodemográficos, foram avaliados através das escalas de KATZ e de LAWTON também sendo avaliada a mobilidade através do TESTE TIME GET UP AND GO TEST | O estudo foi composto por 15 homens e 28 mulheres. Tivemos predominância de idosos com faixa etária de 60 a 69 anos e casados. Maior prevalência de baixa escolaridade, aposentados e agricultores. A hipertensão arterial sistêmica foi a doença de maior prevalência. O maior percentual de idosos recebem assistência de médico, enfermagem e dos agentes comunitários de saúde. Na avaliação da escala de Katz, mostram-se independentes. Na escala de Lawton, 87% dos homens e 86% das mulheres são independentes. Já quanto ao risco de quedas, 76,7% dos idosos apresentaram médio risco |
4. DISCUSSÃO
De acordo com Siqueira et al (2023), o envelhecimento é compreendido como um processo natural, que não pode ser impedido, ao mesmo tempo que é dinâmico, no qual acabam ocorrendo alterações morfológicas, funcionais e bioquímicas, que fazem com o organismo se torne mais susceptível a agressões e a deformidades.
Silva et al (2019) destaca que atrelado ao envelhecimento, algumas alterações ocorrem de forma natural em decorrência do aumento da idade e na maioria das vezes interferem diretamente na vida e na saúde dos idosos. Assim, a capacidade física e mental da pessoa idosa acaba diminuindo e já não consegue executar como antes, determinadas atividades do dia a dia, então tudo se torna um desafio maior.
De acordo com Silva et al (2019), as alterações fisiológicas do envelhecimento, como redução da atividade física, diminuição da flexibilidade, perda de células nervosas, espessamento dos vasos e redução do tônus muscular, afetam o equilíbrio e a mobilidade. Esses declínios contribuem para o surgimento de síndromes geriátricas, como quedas e fragilidades. Tomaz et al (2025) reforça que tais alterações impactam diretamente a mobilidade e a autonomia funcional dos idosos.
Segundo Dourado Júnior et al (2022), a fisioterapia atua diretamente nesse cenário, pois consegue promover a avaliação e prevenção de quedas por meio de uma análise de fatores de risco intrínsecos (entre eles a força muscular, equilíbrio, marcha e mobilidade) e também extrínsecos (adaptações ambientais), e, levando isso em consideração, ele consegue desenvolver programas de exercícios personalizados para cada idoso ou para um grupo de idosos, buscando fortalecer o corpo, melhorar o equilíbrio, reeducar a marcha e potencializar a segurança da pessoa idosa, trazendo de volta a sua autonomia e uma melhora significativa de sua qualidade de vida.
A avaliação do equilíbrio e da mobilidade do idoso fundamenta-se na compreensão do equilíbrio como um processo complexo, dependente da integração de sistemas sensoriais (visual, vestibular e proprioceptivo), controle neuromuscular, força muscular e tempo de resposta (Souza et al., 2022). Conforme destacado por Souza, Rocha e Diniz (2022), a avaliação funcional é crucial para identificar déficits, permitindo que o fisioterapeuta atue de forma direcionada na prevenção, promoção e reabilitação da saúde dessa população.
Na Atenção Primária à Saúde (APS), a avaliação do equilíbrio e da mobilidade pelo fisioterapeuta é determinante para a prevenção de quedas. Quando ocorrem, as quedas frequentemente demandam atendimento especializado para tratar sequelas e prevenir recorrências (Moreira et al., 2021). Nesse contexto, a Fisioterapia Gerontológica atua com orientações e intervenções individuais ou em grupo, utilizando modalidades terapêuticas para promover a reeducação funcional e a recuperação da capacidade motora dos idosos (Fatori et al., 2019).
Tomaz et al (2025) complementa que a fisioterapia atua na APS de forma integral, tendo como foco a prevenção, promoção, educação e reabilitação da saúde, mas também consegue realizar um trabalho eficiente de forma individual e também com grupos. Além disso, a triagem de riscos, a promoção do bem-estar e autonomia dos usuários, assim como suas orientações a respeito das adaptações ambientais são muito importantes, ao mesmo tempo que consegue realizar e supervisionar programas de exercícios físicos.
Na concepção de Silva et al (2019), destaca-se que a avaliação realizada pelos testes Berg, TUG e Tinetti/POMA são essenciais na Atenção Primária de Saúde , eles ajudam a planejar intervenções precoces. Esses testes são aplicados principalmente para avaliar o risco de quedas em idosos e outras populações com risco, eles são usados para medir a mobilidade, o equilíbrio e a capacidade funcional. Assim, como eles funcionam como triagem para identificar quais são os indivíduos que precisam realizar uma avaliação mais aprofundada e de programas de reabilitação para melhorar o equilíbrio e a prevenção de quedas.
Diante disso, Siqueira et al (2022), comenta que a avaliação do equilíbrio do idoso na Atenção Primária à Saúde é realizada por meio da avaliação multidimensional da pessoa idosa (AMPI-AB), que faz o uso de testes e instrumentos como a Escala de Equilíbrio de Berg e o Timed Up and Go (TUG) que são determinantes para identificar os riscos de queda e declínio funcional da pessoa idosa. Ao avaliar a capacidade de locomoção, equilíbrio e mobilidade, a atenção primária tem na fisioterapia a capacidade de construir planos de cuidado que promovem a autonomia e a qualidade de vida, prevenindo a dependência futura.
Segundo Souza, Rocha e Diniz (2022), o Teste de Equilíbrio e Marcha de Tinetti, também chamados de POMA (Performance Oriented Mobility Assessment) ou Escala de Tinetti, funcionam como uma ferramenta de avaliação clínica bastante utilizada pelos fisioterapeutas e outros profissionais de saúde para avaliar o equilíbrio e a marcha em pacientes idosos ou em pessoas que apresentam dificuldades de locomoção. Este teste é amplamente utilizado principalmente por causa da sua facilidade, rapidez e confiabilidade na avaliação dos aspectos que são inerentes ao equilíbrio e a marcha. Além disso, com o uso dele, são realizadas o planejamento de intervenções fisioterapêuticas ou ocupacionais para melhorar o equilíbrio e a marcha da pessoa idosa.
Silva et al (2019), relata que a Atenção Primária de Saúde busca atuar na comunidade como ordenadora do cuidado no sistema público de saúde, sua missão principal é promover a assistência integral à pessoa idosa. Neste cenário, a avaliação geriátrica ampla (AGA) é caracterizada como instrumento para diagnóstico multidimensional da pessoa idosa, ele ajuda diretamente na melhoria e manutenção da capacidade funcional e mobilidade.
Souza, Rocha e Diniz (2022) destaca que a Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) é de suma importância para identificar o risco de quedas na pessoa idosa. A fisioterapia usa para avaliar a pessoa idosa de maneira integral, tomando por base os aspectos como mobilidade, equilíbrio, função e histórico de quedas. A avaliação utiliza ferramentas como o teste “Timed Up and Go” (TUG) e avalia domínios que podem ser condicionantes para o risco de quedas, como a função, o humor e a cognição, abrindo a possibilidade para ser criado um plano de cuidado individualizado para prevenir futuras quedas. Ao mesmo tempo consegue realizar uma análise detalhada da saúde física geral e das atividades diárias utilizando os Índices de Katz e Lawton.
Diante das evidências, Siqueira et al. (2023) destacam que diversas intervenções demonstraram eficácia na redução de quedas em idosos, entre elas: Programa de Exercícios de Otago Adaptado, LIVE-LiFE, Treinamento Multimodal, Active Step e Treinamento Orientado a Tarefas. Os resultados mais positivos foram associados a programas que priorizam o treinamento de equilíbrio e força muscular.
O treinamento de equilíbrio e força muscular para idosos na fisioterapia tem como principal objetivo a prevenção de quedas, e aliado a esses exercícios pode-se melhorar a força muscular, coordenação motora e propriocepção. Exemplos de exercícios mais comuns são: ficar em um pé só, andar “calcanhar-ponta do pé”, movimentos laterais e avanços, usando apoio como uma cadeira e adaptando a intensidade de acordo com o progresso (Tomaz et al., 2025).
Tomaz et al (2025), evidenciam que a Atenção Primária de Saúde precisa disponibilizar estratégias para trazer a pessoa idosa para se cuidar, não somente atuar na medicalização e assistência em saúde, mas precisa oferecer profissionais e espaços que estimulem e favoreçam a prática de atividade física e o melhor desempenho físico em idosos, prevenindo eventos adversos e estimular o envelhecimento saudável e ativo. E dentre esses profissionais é preciso destacar o Fisioterapeuta, haja visto, a população idosa de suas contribuições em relação ao equilíbrio e mobilidade.
A atuação do fisioterapeuta na Atenção Primária de Saúde diferencia-se pela abordagem específica a doenças crônicas que afetam diretamente a mobilidade do idoso, como artrose, osteoporose e artrite reumatoide (Dourado Júnior et al., 2022). As condutas fisioterapêuticas aplicadas fornecem estímulos específicos que são capazes de atenuar a degeneração provocada por essas patologias.
O fisioterapeuta se destaca por ser um profissional capacitado para realizar um processo de reabilitação resolutiva levando em consideração a necessidade de cada um dos seus pacientes, respeitando sempre a individualidade, as peculiaridades e as limitações que cada pessoa idosa apresenta, seja de mobilidade ou equilíbrio (Moreira et al., 2021).
A avaliação do equilíbrio e da mobilidade realizada por um fisioterapeuta na Atenção Primária de Saúde tem um impacto significativo, por isso precisa ser explorada com a maior intensidade possível, pois concede a identificação precoce de riscos de quedas e incapacidade, possibilitando a implementação de intervenções que promovem a autonomia e a qualidade de vida da pessoa idosa. Isso faz parte desde adaptações no ambiente até reabilitação, prevenção de doenças cardiovasculares e a promoção de um envelhecimento de uma maneira mais saudável e independente, com menor dependência de serviços especializados (Souza et al., 2022).
5. CONCLUSÃO
O profissional fisioterapeuta tem a capacidade devido a sua formação, de avaliar, tratar e prevenir distúrbios que podem provocam limitações à funcionalidade do organismo, como as quedas, com a finalidade de promover uma melhor independência funcional, minimizando o risco de caídas/quedas e contribuindo, assim, com a melhora da autoestima e principalmente da qualidade de vida do idoso. A fisioterapia é de enorme relevância para o bem estar do idoso, pois, é papel do fisioterapeuta atuar na preservação das funções motoras com o objetivo de retardar ou minimizar as alterações fisiológicas e patológicas do envelhecimento. As intervenções fisioterapêuticas podem proporcionar resultados mais eficazes na prevenção de quedas em idosos.
Os resultados mostraram que os instrumentos utilizados como a Escala de Berg, Timed Up and Go e Teste de Caminhada de 10 Metros mostraram-se eficazes na detecção de alterações funcionais e risco de quedas, ao mesmo tempo que programas de exercícios multicomponentes são eficazes na redução de quedas e promoção da autonomia funcional. Nesse cenário, a fisioterapia desempenha papel central, utilizando instrumentos validados e confiáveis para identificar alterações de mobilidade e equilíbrio, permitindo o desenvolvimento de intervenções preventivas.
Por fim, conclui-se que a fisioterapia na Atenção Primária de Saúde é essencial para manter a independência e a qualidade de vida dos idosos, pois foca em propor exercícios que melhoram o equilíbrio, aumentam a força muscular e marcha, além das orientações para que seja implementado um ambiente mais seguro e com hábitos saudáveis. Portanto, na Atenção Primária, o fisioterapeuta tem total conhecimento para atuar e contribuir na prevenção de quedas através de avaliação, exercícios para força e equilíbrio, orientação a idosos e familiares, e identificação de riscos ambientais.
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1Artigo apresentado ao Curso de Bacharelado em Fisioterapia do Instituto de Ensino Superior do Sul do Maranhão – IESMA/Unisulma.
2Acadêmica do curso de Bacharelado em Fisioterapia do Instituto de Ensino Superior do Sul do Maranhão – IESMA/Unisulma. E-mail: adriene.12pietra@gmail.com
3Orientador. Docente do curso de Bacharelado em Fisioterapia do Instituto de Ensino Superior do Sul do Maranhão – IESMA/Unisulma.
