AVALIAÇÃO DE PRODUTIVIDADE DE DIFERENTES CULTIVARES DE MANDIOCA MANIHOT ESCULENTA CRANTZ 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202509032029


Gabriel Silva Dornelis1; Arthur Oliveira Fonseca1; Kaio Augusto Silva Santos1; Rafael Siqueira da Rocha1; Otávio Henrique Xavier de Freitas1; Vinícios Daniel Marques Morais1; Windeyama Hermann Mathieu Tiando1; Marcos Antonio Lopes2; Juvenal Caetano de Barcelos2; Pedro Henrique Ferreira Tomé3


RESUMO

Neste trabalho objetivou-se avaliar a produtividade de raízes e de Biomassa de três cultivares de mandiocas (Argentina, Paulistinha e Pão Amarela) cultivadas na região de Santa Vitória -MG. O trabalho também caracterizou a cultivar mais apropriada para a alimentação animal e/ou elaboração de ração. O trabalho foi disposto em um delineamento experimental em blocos casualisados, com três cultivares (Argentina, Paulistina e Pão Amarela), com 5 repetições, sendo as médias comparadas pelo teste de Scott-Knott, (p<0,05). As variáveis analisadas foram a Índice de Clorofila, Produtividade de raízes (alimentação humana) e Biomassa (alimentação animal). O índice de Clorofila nas folhas de mandiocas nas cultivares estudadas foram suficientes para diferenciação pelo teste estatístico. A cultivar “Pão amarela” apresentou maiores teores de Clorofila em relação as demais. O mesmo foi observado na produção de raízes, a cultivar  “Pão Amarela“ produziu 2722,91 kg .ha-1 apresentando 23,6 % maior em relação a cultivar Paulistinha e 16, 3% na cultivar Argentina.

A quantificação da biomassa foi composta de folhas, galhos e ramas. As ramas pode ser aproveitado para o replantios e também para produção e processamento de ração animal, tendo como fonte matéria vegetativa rica em vitaminas, minerais e material energético. A cultivar “Paulistinnha” apresentou maior produtividade de Biomassa (19600,69 kg ha-1) seguidas pelas cultivares “Pão Amarela (14041,66 kg ha-1) e Argentina (13207,03 kg.ha-1). Conclui-se que a cultivar “Pão amarela” destacou-se pelo potencial produtivo de raízes produção alimentação humana enquanto que a cultivar “Paulistinha” a produtividade foi na biomassa, podendo ser empregada na alimentação animal. 

Palavras-Chave: Fécula; Produtividade. Rama.

ABSTRACT

This study aimed to evaluate the root and biomass productivity of three cassava cultivars (Argentina, Paulistinha, and Pão Amarela) grown in the Santa Vitoria region of Minas Gerais. The study also characterized the most suitable cultivar for animal feed and/or feed production. The study was arranged in a randomized block experimental design, with three cultivars (Argentina, Paulistina, and Pão Amarela), with 5 replicates, and the means were compared by the Scott-Knott test (p <0.05). The variables analyzed were the Chlorophyll Index, root productivity (human consumption), and Biomass (animal feed). The Chlorophyll index in the cassava leaves of the studied cultivars was sufficient for differentiation by the statistical test. The cultivar “Pão Amarela” presented higher chlorophyll contents than the others. The same was observed in root production, the cultivar “Pão Amarela” produced 2722.91 kg .ha-1, 23.6% higher than the cultivar Paulistinha and 16.3% higher than the cultivar Argentina. Biomass quantification consisted of leaves, branches, and twigs. Branches can be used for planting and also for the production and processing of animal feed, having as a source of vegetative matter rich in vitamins, minerals, and energy material. The cultivar “Paulistinnha” presented the highest biomass productivity (19,600.69 kg ha-1), followed by the cultivars “Pão Amarela” (14,041.66 kg ha-1) and Argentina (13,207.03 kg ha-1). It is concluded that the cultivar “Pão Amarela” stood out for its productive potential of roots for human consumption, while the cultivar “Paulistinha” productivity was in biomass, which can be used in animal feed.

Keywords: Nutritional Food Education; Education, Healthy Food.

INTRODUÇÃO

A mandioca (Manihot esculenta Crantz) é cultivada em todas as regiões do Brasil, com destaque na alimentação humana e animal, além de ser utilizada como matéria-prima em diversos produtos industriais (Xavier; Lima; Andrade, 2020). É considerada uma importante fonte de carboidratos e uma planta com alta capacidade de adaptação a períodos de seca (SANTIAGO et al., 2015; PIPATSITEE et al., 2018). A cultura da mandioca é importante pela sua boa adaptabilidade em diferentes condições ambientais, rusticidade e baixa exigência de fertilidade, além da sua alta aceitação na culinária, tornando-a a terceira maior fonte de alimento nas regiões tropicais, após o arroz e o milho (ALVES, 2002; FAOSTAT, 2019). Essas características a torna amplamente difundida no planeta, especialmente nos países em desenvolvimento, onde é cultivada, principalmente, em pequenas áreas e com baixo nível tecnológico (SALLA et al., 2010). Em 2024 o valor bruto da produção atribuído a mandioca no estado foi de R$ 2,43 bilhões oriundos do cultivo de 150.100 ha e produção de 4.245.700 toneladas de raízes (IBGE e SEAB/DERAL, 2025). 

A propagação vegetativa através das ações e atividades humanas garante a perpetuação das espécies, que são mantidas e propagadas entre os agricultores da própria comunidade, ou mesmo por diversas regiões (Rondon, Tiago; Hoogerheide, 2022). Muitas pesquisas vêm sendo desenvolvidas com o objetivo de determinar o manejo hídrico ideal para a cultura da mandioca sob diversas condições edafoclimáticas (LOPES et al., 2010; ODUBANJO et al., 2011; PIPATSITEE et al., 2018). O objetivo deste trabalho foi quantificar a produtividade de raízes e de biomassa em cultivares de mandioca produzidas na região de Santa Vitória- MG. E caracterizar qual o potencial de cada cultivar destinada ao setor agrícola ou agroindustrial.

MATERIAL E MÉTODOS

O projeto foi executado na Instituto federal do Triangulo mineiro IFTM – Campus Uberlândia,  durante os meses de Agosto de 2024 realizado o plantio e Julho de 2025, época de colheita. 

Os cultivares foram adquiridos da região município de Santa Vitoria, região produtora de produtos agrícolas. As ramas de cultivares de  mandiocas foram colhidas e separadas em feixes e identificados Figura 1. Foram colocadas em sacos e sob refrigeração transportado ao IFTM-Campus Uberlândia, para o plantio.

Figura 1: Ramas de mandioca cultivar pão amarela – IFTM- Campus Uberlândia.

Fonte: Arquivo pessoal (2025).

Foram plantadas 3 cultivares “Paulistinha”, “Argentina” e “Pão Amarela”, no espaçamento de (2,0m x 0,60m x 0,60m) dispostas em fileira dupla. 

Para evitar perdas, as plantas foram irrigadas nos três primeiros meses após o plantio. A irrigação foi feita por gotejamento, com uma linha no meio do espaçamento menor de cada fileira dupla de mandioca, com 0,3 m entre emissores, acionados pela manhã, a cada 2 dias, suprindo 2,0 L de água por planta, Figuras 2, 3 e 4.

Figura 2: Execução prática do projeto – fase inicial preparo de solo e sistema de irrigação por gotejamento – IFTM- Campus Uberlândia.

Fonte: Arquivo pessoal (2025).

Figura 3: Execução prática do projeto – Fase de desenvolvimento das cultivares – IFTM –Campus Uberlândia.

Fonte: Arquivo pessoal (2025).

Figura 4: Execução prática do projeto – Colheita  – Escola Municipal do Sobradinho.

Fonte: Arquivo pessoal (2024).

AVALIAÇÃO PRODUTIVA 

Após o período de desenvolvimentos vegetativos tanto da parte aera quanto a de raízes, seguiu a metodologia proposta conforme metodologia descrita por Silva e Queiroz (2002). A produção vegetal das raízes e da parte aérea foram avaliados através da quantificação dos pesos, logo após a colheita de todas as plantas da parcela experimental. 

TEOR DE CLOROFILA

Foi utilizado um Clorofilômetro SPAD-502 de leitura indireta e fornece resultados calculados com base na leitura diferencial da quantidade de luz transmitida pela folha em duas regiões de comprimento de onda (650 nm e 940 nm), sendo que a absorção de luz pela clorofila ocorre no primeiro comprimento de onda (MINOLTA, 1989).

O experimento foi disposto em um delineamento experimental em blocos casualisados, com três cultivares (Argentina, Paulistina e Pão Amarela), com 5  repetições, sendo as médias comparadas pelo teste de Scott-Knott, (p<0,05)

RESULTADOS e DISCUSSÃO

O índice de Clorofila nas folhas de mandiocas entres as cultivares foram suficientes para diferenciação. A cultivar “Pão amarela” apresentou maiores teores de clorofila em relação as demais, Tabela 1. O clorofila é um pigmento de coloração verde às folhas da mandioca, sendo essencial para a fotossíntese, processo que converte a luz em energia para a planta. 

Tabela 1 Teores médios do indice de Clorofila total em folhas de mandiocas cultivares Argentina, Paulistinha e Pão amarela.

CULTIVARES DE MANDIOCAÍNDICE DE CLOROFILA*  (SPAD-502)
Argentina49,93    b
Paulistinha50,41    b
Pão amarela56,20 a
* teores médios com letras iguais não diferem pelo testes de scott Knott (p<0,05)

As folhas de mandioca, além de clorofila, são ricas em nutrientes como proteínas, vitamina A, vitamina C e fibras, sendo consumidas em algumas regiões do Brasil como um alimento nutritivo. 

Para a produção de raízes nos diferentes cultivares de mandioca, a cultivar “Pão Amarela “ produziu 2722,91 kg .ha-1 apresentando 23,6 % maior em relação a cultivar Paulistinha e 16, 3% na cultivar Argentina, Tabela 2.

Tabela 2 Teores médios da Biomassa de raízes de mandioca em diferentes cultivares Argentina, Paulistinha e Pão amarela.

CULTIVARES DE MANDIOCABiomassa raízes Material Fresca (kg.ha1)
Argentina22950,78   b
Paulistinha20938,88   b
Pão amarela27422,91 a
* teores médios com letras iguais não diferem pelo testes de scott Knott (p<0,05)

Foi observado que as variedades em estudo possuíram quantidade de biomassa. Essa biomassa são compostos de folhas, galhos e ramas. As ramas pode ser aproveitado para o plantio e também para produção e processamento de ração animal, tendo como fonte matéria vegetativa rica em vitaminas, minerais e material energético. A cultivar “Paulistinnha” apresentou maior produtividade de parte aérea (19600,69 kg ha-1) seguidas pelas cultivares “Pão Amarela (14041,66 kg ha-1) e Argentina (13207,03 kg.ha-1), Tabela 3. 

Tabela 3 Teores médios da Biomassa de mandioca da parte Aérea em diferentes cultivares Argentina, Paulistinha e Pão amarela.

CULTIVARES DE MANDIOCABiomassa Materia Fresca (kg.ha-1)
Argentina13207,03     b
Paulistinha19600,69 a
Pão amarela14041,66     b
* teores médios com letras iguais não diferem pelo testes de scott Knott (p<0,05)

A cultivar Paulistinha foi a que apresentou pelo teste de Scott Knot (p<0,05) maior teor de Biomassa com valor médio de 19600,69 Kg .ha-1, em relação as demais. Sendo essa cultivar promissora e destinado a produção de ração animal. 

CONCLUSÕES 

A cultivar “Pão amarela” destacou-se pelo potencial produtivo de raízes enquanto que a cultivar  “Paulistinha” em biomassa da parte aérea, pode ser uma opção de forrageira a ser difundida. 

REFERÊNCIAS

ALEXANDRATOS N & BRUINSMA J. 2012. World agriculture towards 2030/2050: the 2012 revision. Rome: FAO. 160p.

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FAOSTAT. Food and Agriculture Organization of the United Nations. Production. Disponível em: <http://www.fao.org/faostat/en/#data>. Acesso em 04 jul. 2019.

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PIPATSITEE, A; EIUMNOH, A.; PRASEARTKUL, P.; TAOTA, K; KONGPUGDEE, S.; SAKULLEERUNGROJ, K.; CHA-UM, S. Application of infrared thermography to assess cassava physiology under water deficit condition. Plant Production Science, v.21, p.398-406, 2018.

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SALLA, D. A.; FURLANETO, F. P. B.; CABELLO, C.; KANTHACK, R. A. D. Análise energética de sistemas de produção de etanol de mandioca (Manihot esculenta Crantz). Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 14, p.444-448, 2010.

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XAVIER, A. R.; LIMA, L. A.; ANDRADE, F. A. Saberes tradicionais do cultivo da mandioca (Manihot esculenta) e a produção de farinha: estudo em Beberibe, Ceará. Revista Cocar, v. 14, n. 28, p. 781801, 2020.


1Graduando em Engenharia de Agronômica. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Triângulo Mineiro – IFTM – campus Uberlândia.

2Professor Colaborador do Projeto de Extensão. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Triângulo Mineiro – IFTM-campus Uberlândia.

3Professor coordenador do Projeto de Extensão. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Triângulo Mineiro – IFTM-campus Uberlândia. E- mail: pedrotome@iftm.edu.br