ASSESSMENT OF QUALITY OF LIFE IN ELDERLY PEOPLE PRACTITING PHYSICAL ACTIVITY
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511101620
Jessica Maria Fernandes1
Marcia Alves de Souza2
Giglielli Modesto Rodrigues Santos3
José Antônio de Oliveira Segundo4
Orientadora: Profa. Me. Aline Guimarães Carvalho5
Resumo
Introdução: A qualidade de vida é compreendida como um conceito subjetivo, relacionado à percepção que o indivíduo tem sobre seu bem-estar, condição de saúde e posição na vida. Objetivo: Avaliar a qualidade de vida de idosos praticantes de atividade física, especialmente hidroginástica, investigando os domínios físico, psicológico, meio ambiente e relações sociais, além de caracterizar o perfil sociodemográfico dos participantes e identificar a prática de atividade física entre os idosos. Métodos: Uma pesquisa de campo de corte transversal, quali-quantitativa e exploratória, realizada com idosos que participaram de aulas de hidroginástica na cidade de Brejo do Cruz, Paraíba. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário sociodemográfico e do instrumento WHOQOL-Bref, com análise conduzida nos softwares Microsoft Excel e SPSS-21. Resultados: A amostra foi composta predominantemente por mulheres com idade entre 60 e 75 anos, baixa escolaridade, renda de até três salários mínimos e presença de doenças crônicas, como hipertensão. Os maiores escores foram observados nos domínios relações sociais (69,17), psicológico (68,33) e meio ambiente (66,88). O domínio físico apresentou menor pontuação (59,64), refletindo limitações funcionais. A autoavaliação global foi satisfatória (70,00). Conclusão: A prática regular da hidroginástica se mostrou eficaz para a qualidade de vida, autonomia e envelhecimento saudável.
Palavras chaves: Atividade física. Envelhecimento. Idosos. Pesquisa. Qualidade de vida.
Abstract
Introduction: Quality of life is understood as a subjective concept, related to an individual’s perception of their well-being, health status, and position in life. Objective: To assess the quality of life of elderly individuals who engage in physical activity, especially water aerobics, investigating the physical, psychological, environmental, and social relationship domains. In addition, to characterize the sociodemographic profile of participants and identify the practice of physical activity among them. Methods: A cross-sectional, qualitative-quantitative, and exploratory field study was conducted with elderly individuals who participated in water aerobics classes in the city of Brejo do Cruz, Paraíba. Data collection was performed using a sociodemographic questionnaire and the WHOQOL-Bref instrument, with analysis conducted using Microsoft Excel and SPSS-21 software. Results: The sample consisted predominantly of women aged 60 to 75 years, with low levels of education, income of up to three minimum wages, and the presence of chronic diseases such as hypertension. The highest scores were observed in the social relations (69.17), psychological (68.33), and environmental (66.88) domains. The physical domain had the lowest score (59.64), reflecting functional limitations. The overall self-assessment was satisfactory (70.00). Conclusion: Regular water aerobics practice proved effective for quality of life, autonomy, and healthy aging.
Keywords: Physical activity. Aging. Elderly. Research. Quality of life.
INTRODUÇÃO
Ao longo dos últimos anos, com o crescimento da população brasileira, a preocupação com a qualidade de vida (QV) passou a ser uma questão de grande relevância (Häfele et. al., 2022). Segundo Chen et al. (2023) a QV é entendida como um conjunto de aspectos fisiológicos, cognitivos e psicológicos, tendo a prática de atividade física como uma grande aliada para a promoção da saúde e o envelhecimento saudável.
O envelhecimento é o processo biológico natural para todo ser humano, onde apresenta inúmeras alterações. Essas mudanças são de origens, neuromusculares, fisiológicas, metabólicas, morfológicas, cognitivas e comportamentais, onde afetam de forma significativa a qualidade de vida, independência e a longevidade dos sujeitos. De forma geral, essas alterações podem acarretar diversas disfunções, influenciando diretamente nas condições de vida e vulnerabilidades do idoso (Nilsson et. al., 2024).
Diante disso, há diversas modalidades de atividades físicas que são voltadas para este público, sendo a hidroginástica, a caminhada e a musculação as mais praticadas por essa faixa etária. Cada uma dessas modalidades proporciona diversos benefícios à saúde e à qualidade de vida do público idoso. A musculação, atua na desaceleração da sarcopenia, na função cardiorrespiratória, e na melhoria das habilidades funcionais. Em relação a hidroginástica, os efeitos da água ajudam na redução dos impactos osteoarticulares e disfunções metabólicas e também no funcionamento respiratório. Para a literatura esse é um recurso terapêutico que contribui no alívio de dores e redução de processos inflamatórios (Coelho-Ravagnani et al., 2021).
Estudos apontam que a prática de atividade física contribui também para a saúde mental, especialmente por esta ligada a redução de perdas cognitivas (Araújo et al.,2021). De acordo com Campos et al. (2021) a literatura mostra que indivíduos fisicamente ativos revelam menor risco de apresentar distúrbios mentais, além disso, melhora na qualidade de vida do indivíduo. Todavia, são limitados os estudos que investigam como o tipo e a intensidade do exercício físico influenciam diferentes funções cognitivas, físicas e emocionais (Chen et al., 2020).
Desse modo, o estudo teve como objetivo avaliar a qualidade de vida de idosos praticantes de atividade física, com ênfase na investigação dos domínios físicos, psicológicos, do meio ambiente e das relações sociais a fim de compreender como esses fatores afetam a qualidade de vida dos idosos. Caracterizar os dados sociodemográficos dos participantes da pesquisa, incluindo idade, sexo, nível de escolaridade, entre outros aspectos relevantes e identificar e analisar a prática de atividade física entre os idosos, verificando sua frequência, tempo, duração e tipos de atividades realizadas.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2024) define atividade física como qualquer movimento do corpo gerado pelos músculos esqueléticos que consome energia. Sua prática é essencial em qualquer idade e é considerada um meio de preservar e melhorar a saúde e qualidade de vida. A OMS também enfatiza que a atividade física não deve ser confundida com o exercício, que é uma forma estruturada, planejada e repetitiva, com o objetivo de desenvolver ou manter a aptidão física.
A atividade física influencia positivamente na saúde física e mental dos indivíduos, sendo de suma importância em todas as etapas da vida, desde a infância até a velhice. Sendo feita de maneira regular, é considerado uma das principais base de promover saúde, junto com uma boa alimentação e estado emocional saudável (Dutra, 2006).
Em resumo é um método eficaz que reduz e previne a decadência relacionada ao processo de envelhecimento, melhorando as condições de incapacidade de o indivíduo realizar atividades diárias (Araújo, 2008). Ferreira, Pires e Netto (2015) enfatizam que a prática regular de atividade física também favorece a saúde geral dos idosos, melhorando sua qualidade de vida.
A prática regular da atividade física desempenha um papel indispensável na melhoria da aptidão física, impactando diretamente em suas habilidades, independência para realizar as atividades de vida diária (AVDs), na aparência de vigor físico, na interação social, além de influenciar no âmbito da saúde mental (Gomes et al., 2015).
Segundo Viana e Junior (2017), a atividade física oferece uma gama de benefícios significativa, contribuindo para a ganho de força e da massa muscular, além de melhorar a flexibilidade das articulações. Tal atividade não atua somente na prevenção de doenças neurológicas, mas promove também autonomia e age numa boa qualidade de vida para os idosos. Portanto, os mesmos conseguem realizar a função de forma independente, mantendo o equilíbrio e força em diversas atividades, como caminhar, subir e descer escadas, e até mesmo dançar.
Nesse contexto, uma prática constante age no fortalecimento muscular trazendo benefícios tanto para o equilíbrio, quanto para a postura corporal, diminuindo o risco de quedas, que são consideradas frequentes em pessoas com essa faixa etária causando graves consequências. Desse modo, a atividade física não apenas combate o sedentarismo, mas influencia na densidade óssea, diminuição vascular e dores articulares, atuando também positivamente na saúde física e mental dos indivíduos (Silva et al., 2017).
Conforme dito anteriormente, a atividade física tem um impacto significativo na melhoria da saúde e qualidade de vida, independente de qual seja o treinamento físico, o público alvo pode ser beneficiado com a melhora da mobilidade, equilíbrio e da função muscular, que auxilia na diminuição de quedas e ajuda na manutenção as atividades diárias, vale salientar que os exercícios mais praticados pelos idosos são hidroginástica, caminhada e musculação (Santos; Sassaki, 2018).
Um estudo desenvolvido por Bohrer et al. (2019), diz que o treinamento multicomponente pode beneficiar os idosos, auxiliando a retardar a perda da função muscular associada à idade e melhorar a capacidade funcional. Suzuki et al. (2018), também observaram estudos semelhantes, onde destaca uma diferença importante entre idosos treinados com a metodologia e os não treinados, os mesmos concluíram que essa intervenção é eficaz para a melhoria de diversos componentes da autonomia funcional do idoso. Esses autores ressaltam que o treinamento multicomponente corresponde na combinação de três ou mais modalidades ou componentes de treinamento, que envolve exercícios de resistência muscular, aeróbios, equilíbrio, flexibilidade em um único plano de treinamento, tendo em vista que esses exercícios prescritos para idosos é de grande importância.
Em relação aos benefícios da prática de musculação para idosos, destacam-se benefícios como a melhoria na postura, emagrecimento, os músculos são fortalecidos, e o também combate as doenças metabólicas e a diminuição da probabilidade de surgimento de distúrbios, além disso, a contenção de doenças já existentes no organismo, e a capacidade de compreender os efeitos causados pelo envelhecimento, contribuindo para uma melhoria geral da saúde por meio de ganho de força muscular e hipertrofia (Gomes et al., 2021).
Segundo Nascimento (2019), em uma de suas pesquisas feita com um grupo de idosos, a hidroginástica traz vários benefícios, tais como, alívio de dores, melhora no sono, mobilidade, flexibilidade e respiração, além de aumentar a disposição, controlar hipertensão e diabetes, também aumenta a autoestima e melhora a capacidade do indivíduo realizar suas tarefas de vida diárias.
De acordo com torres et al. (2019), ao compararem os efeitos de musculação e da hidroginástica por meios de testes de neuropsicológicos, notaram que o grupo específico que praticavam a hidroginástica apresentaram uma maior capacidade funcional e melhor rendimento em relação ao tempo de execução dos movimentos. Já os participantes de musculação realizaram a musculação em um tempo menor. Os autores relatam que o grupo de hidroginástica alcançou resultados melhores em relação ao tempo, comparado ao grupo da musculação.
No que diz respeito à prática da caminhada, essa atividade geralmente é realizada por idosos como parte de sua rotina diária. Essa atividade deve ser orientada por profissionais de saúde com intuito de aumentar o tempo de atividade física, promovendo assim um envelhecimento mais saudável. Todavia, algumas doenças e condições de saúde geram impacto impossibilitando negativamente a realização de tal exercício (Lima et al., 2020).
Reforçando o que foi mencionado anteriormente sobre a caminhada, Santos, Ribeiro e Abrão (2020), reafirma que essa prática de atividade traz benefícios para pessoas idosas, abrangendo a otimização de parâmetros fisiológicos como a melhoria do controle de hipertensão, a diminuição de dores e a promoção da capacidade física.
Dessa forma, os autores destacaram os programas de treinamento com uma estrutura e adaptação adequada suprindo às necessidades dos pacientes que apresentam diversos mecanismos de intervenção promovendo resultados positivos em relação a aspectos físicos, cognitivos, funcionais, e função motora, além de gerar impactos a capacidade neurofisiológica e colaborar na melhoria da saúde e aptidão física (Silva et al., 2022).
De acordo com Menezes et al. (2020) a prática de atividades físicas é fundamental em todas as etapas da vida, mas na terceira idade ela ganha mais visibilidade e importância. Incentiva autonomia e a participação na sociedade, onde os indivíduos podem se sentir mais valorizados, reconhecendo assim sua capacidade e habilidades, proporcionando uma maior independência e qualidade de vida. Os exercícios trazem vários benefícios para o corpo, promovendo uma boa qualidade de vida e aumento do bem-estar na saúde do idoso. De modo que a realização dessas atividades físicas seja viável, é essencial uma rede de apoio onde familiares, profissionais de saúde, educadores físicos colaborem com esse novo estilo de vida, para que a atividade física seja benéfica e não provoque preocupações, tais como lesões e declínio físico.
Vale ressaltar que na terceira idade o corpo não se comporta de modo igual em relação aos mais jovens. Isso significa que para evitar o sedentarismo é fundamental tomar vários cuidados especiais ao escolher o tipo de exercício que será realizado (Cavalcante; Goes; Cavalcanti, 2023).
Evidências epidemiológicas destacam vários benefícios de um estilo de vida ativo e do desenvolvimento de exercícios e atividades físicas e na diminuição de efeitos negativos nessa faixa etária. A integração da atividade física como forma de planejamento da promoção de saúde tem sido cada vez mais relevante, tanto em países que são desenvolvidos, quanto naqueles em desenvolvimentos, como o Brasil, com isso, prevenindo os impactos em relação ao envelhecimento humano (Matsud et al., 2020).
Nesse caso, é possível afirmar que a prática de atividade física dá ao idoso, habilidades que são necessárias para realização de atividades domésticas e outras que promovem uma interação social, sendo desenvolvidas sob orientação de profissionais. Vale ressaltar a importância de considerar a individualidade e as situações relacionadas à mobilidade, uma vez que alguns distúrbios impossibilitam a realização de alguns exercícios. Portanto, a prática de atividade física é vista como uma abordagem eficaz, não só para promover saúde desse grupo, mas sim com um potencial de minimizar taxas de mortalidades e ajudar na prevenção da perda cognitiva e na preservação da independência nas atividades de vida diárias (Lima et al., 2023).
Conclui-se que a atividade física é uma ferramenta muito eficaz para diminuir os declínios de memória declarativa e para melhoria da qualidade de vida resultante do processo de envelhecimento. Da mesma forma, a atividade física se mostra como uma opção de baixo custo para diminuir os efeitos negativos do envelhecimento que são enfrentados pelos indivíduos (Cordeiro et al., 2014).
O envelhecimento é um processo natural e universal, uma fase da vida no qual todos os seres terão que passar um dia. Ele causa várias mudanças, sejam elas biológicas, psicológicas e sociais. Apesar de ser uma fase inevitável, o envelhecimento se manifesta de formas distintas entre os indivíduos, dependendo de vários fatores como estilo de vida, condições socioeconômicas e doenças crônicas. Já o conceito de “biológico” está relacionado a aspectos moleculares, celulares, e orgânicos dos indivíduos, enquanto o conceito de “psíquico” está ligado a dimensões cognitivas e psicoativas (Fechine; Trompiei, 2012).
Figura 1 – Níveis de Maturidade

Fonte: José Roberto Marques (2018).
Uma pessoa idosa pode ser caracterizada quando há uma diminuição em suas capacidades físicas e cognitivas, quando ocorre um aumento significativo em suas alterações, como doenças cardíacas, crônicas, respiratórias, acidente vascular encefálico, câncer e demência. Essas alterações são as principais razões de morte e invalidez nessa população, na maioria das vezes resultando em incapacidade de realização de tarefas de vida diárias (Bullo et al., 2017).
Com a diminuição das taxas de natalidade e aumento nos números de idosos tem sido a principal causa das mudanças rápidas e expressivas na pirâmide etária. Portanto, é essencial manter o cuidado geriátrico devido a importância da prevenção, alterações patogênicas, dificuldades no diagnóstico e no tratamento (Pillatt; Nielsson; Schneider, 2019).
Ao abordar sobre o envelhecimento é necessário compreender as etapas que o compõem, bem como as ocorrências mais frequentes durante esse processo, como, as principais alterações comportamentais e fisiológicas. Nessa perspectiva, o envelhecimento é subdividido em duas etapas de acordo com sua naturalidade ou presença de patologia. A senescência é a fase metabólica ativa do envelhecimento relacionado às mudanças fisiológicas e normais do corpo humano. Nessa etapa, há uma programação genética que pode causar a diminuição do tamanho dos telômeros, que interfere na preservação do material genético e organização dos cromossomos (Teixeira; Guariento et al., 2010).
Em resultado de vários desgastes celulares, junto ao declínio das funções ligado ao sistema do corpo, apresenta diversas patologias típicas do envelhecimento, indicando o início da fase de senilidade. É nesse estágio que os efeitos do envelhecimento se evidenciam clinicamente, por meio de características como a redução da altura, das funções sensoriais, alterações na pele, entre outros. Ainda para os mesmos autores o período senescente, é frequente o desenvolvimento de várias patologias, tais como, hipertensão, diabetes, cegueira ou redução da visão, além de doenças respiratórias, cardiorrespiratórias, musculoesqueléticas e mentais. Normalmente, é nessa etapa que surgem as manifestações nas quais influenciam na integridade do idoso, influenciando negativamente em sua autonomia e bem-estar (Groisman et al., 2002).
A Organização Mundial (OMS) classifica idoso como aquele que tem 60 anos ou mais, fisiologicamente, entretanto, não há um marco para início da senescência. O envelhecimento está ligado a diversas modificações orgânicas incluindo a capacidades funcionais e alterações no processo fisiológico de órgãos e sistemas. É de suma importância ressaltar que, embora tenha uma maior predisposição a desenvolver doenças, o envelhecimento não deve ser interpretado como sinônimo de adoecimento, especialmente quando o idoso desenvolve hábitos de vida saudáveis (Santos; Andrade e Bueno 2009).
Figura 2: População total e variação do total populacional por grupos etários acima de 60 anos de idade

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2010, 2022.
A partir dos 30 anos, inicia-se o processo de deteriorização do corpo humano, tanto externa quanto interna. Esse processo de envelhecimento apresenta diferença entre os gêneros nos sistemas urinário, cardiovascular, nervoso central, principalmente, na capacidade cognitiva (Pedrinelli; Garcez e Nobre 2009).
O envelhecimento é um processo natural que resulta na diminuição das atividades laborais, biológicas e psíquicas. Com o passar da idade, a pessoa tende a se tornar gradualmente mais vulnerável e, em algumas situações, depende de terceiros para realizar suas tarefas de vida diárias. A diminuição das funções sistêmicas do organismo durante esse processo está relacionada a aspectos psicológicos e funcionais; no primeiro caso envolve alterações cognitivas que impactam as atividades básicas e instrumentais da vida cotidiana do idoso, enquanto no segundo, refere-se a entradas sensoriais e reações motoras (Amaral; Melo; Oliveira, 2015).
Entre os efeitos observados, a queda da força dos músculos esqueléticos interfere diretamente na capacidade funcional. Isso causa alterações na mobilidade e no risco de quedas, que podem ser causadas por disfunções motoras, de sensopercepção, desequilíbrios ou déficits cognitivos. Toda a dinâmica do aparelho locomotor é alterada, expondo uma redução na amplitude de movimentos, alterações na marcha, fazendo que os passos eles se tornem mais curtos e lentos, com tendência a arrastar os pés. A amplitude de movimento dos braços também começa a diminuir, aproximando-se mais do corpo. A base que dá sustentação se alarga, e o centro de gravidade se desloca para frente, tendo assim um equilíbrio melhor (Brasil, 2006).
Segundo Simões et al. (2010), é evidente que o envelhecimento afeta também os músculos respiratórios devido a diminuição significativa na força diafragmática com o avanço da idade. A Sarcopenia pode ser caracterizada por ser um fator importante no comprometimento da saúde do idoso. Envolvendo um processo lento e progressivo resultando na diminuição de níveis hormonais, força muscular, mobilidade e equilíbrio.
O processo de envelhecimento também é caracterizado pela perda da aptidão cardiorrespiratória e da função neuromuscular, sendo agravada pela inatividade física. Desse modo, o idoso apresenta como já citado, sarcopenia e diminuição da força músculo esquelética (Macnee; Rabinovich; Choudhury, 2014).
Essa situação se estende à musculatura respiratória, o que pode afetar a independência e a qualidade de vida do indivíduo mais velho, visto que, a perda da função muscular respiratória leva à hiperventilação baixa tolerância ao exercício e dispneia (Cebreia et al., 2013).
No sistema respiratório, são identificadas alterações no tecido conjuntivo que faz com que aumentem a rigidez da caixa torácica e diminua o elemento elástico dos pulmões, alterando diretamente a mecânica respiratória (Pegorari; Ruas; Patrizzi, 2013). Isso gera diminuição da mobilidade da caixa torácica, da elasticidade pulmonar, da força muscular respiratória e da capacidade vital forçada (CVF), além disso, compromete o volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1), reduzindo a complacência torácica e aumentando a complacência pulmonar, entre outras implicações (Freitas et al., 2010).
No pulmão envelhecido, nota-se uma sobreposição do colágeno sobre elastina, gerando uma redução da elasticidade e aumento da complacência pulmonar. A disposição de cálcio nas cartilagens e nos discos intervertebrais provoca o endurecimento da caixa torácica, tornando as costelas mais rígidas, causando limitações. Há também um aumento da insuflação alveolar, diminuição da capacidade vital, do fluxo e volume expiratório forçado, além disso um aumento de volume residual, do espaço morto anatômico e da ventilação voluntária máxima, além da redução da capacidade de difusão pulmonar e da ventilação expiratória máxima (Freitas et al., 2011).
A avaliação física da aptidão funcional pode ser executada por meios de diferentes testes, onde apresenta potencial de prever habilidades funcionais de indivíduos com ou sem enfermidades. Esses testes possibilitam um embase de estratégias de intervenções adequadas (Villanueva et al., 2020).
Levando em conta que o desempenho em tarefas do cotidiano depende da combinação de diversas capacidades e habilidades físicas, esses testes são instrumentos valiosos para definir o perfil funcional do idoso (Rogers et al., 2003).
Temos a MIF uma escala que avalia 18 categorias que são pontuadas de um a sete, no qual classifica o nível de dependência na realização de atividades diárias do indivíduo. Essas categorias se organizam em seis dimensões: autocuidados, controle esfíncteres, transferências, locomoção, comunicação, e cognição social. Essa escala foi desenvolvida com objetivo de avaliar o nível de apoio de terceiro que um enfermo com deficiência necessita para realizar atividades motoras e cognitivas. A pontuação é realizada através de uma conversa com o paciente e cuidador, ou observando o desempenho do paciente durante as atividades (Ribeiro et al., 2001).
Outra escala de avaliação bastante utilizada é a Escala Visual Analógica (EVA), para avaliar a intensidade de dor do paciente. Essa escala permite que o paciente tenha autonomia ao relatar a sensação de tensão da musculatura afetada. É viável que seja aplicada como durante ou após o tratamento (AMB, 2016).
Para avaliar a força de membros superiores temos a escala de Tobis, para pacientes que relatam fraqueza muscular. Nos membros enfraquecidos observa-se os sinais, que pode ser avaliado de forma indireta por meio de testes de força de preensão manual, tanto do lado esquerdo, quanto do lado direito. A força de membros inferiores é essencial para a realização das atividades de vida diárias, assim como para a preservação da capacidade funcional, e da mobilidade durante o envelhecimento (Matsudo et al., 2003).
A Qualidade de Vida (QV) é um parâmetro de saúde com aspecto multidimensional, de forma abrangente, onde é utilizado para promover e avaliar ações voltadas à saúde (Santos; Espinosa; Marcon, 2020). Conforme a (OMS), QV é defendida de como o indivíduo compreende sobre sua posição na vida, considerando os contextos de sua cultura e mecanismos de valores, associado a suas expectativas e objetivos, padrões e preocupações (WHO, 1995).
Com objetivo de avaliar e medir a saúde dos indivíduos, foram criados e testados alguns instrumentos estruturados e simplificados, que atualmente são: WHOQOL-bref; SF-36. Instrumentos esses que têm a possibilidade de identificar os níveis de bem-estar físico, mental e social dos participantes, reconhecendo o vínculo entre saúde e qualidade de vida. Também permite o planejamento de ações destinadas à promoção da saúde (Campos; Rodrigues Neto, 2008).
Gordia et al. (2011) afirmam que tais instrumentos utilizados para avaliação das condições gerais de qualidade de vida (QV) incluem questões relacionadas a diferentes domínios, abrange aspectos, tais como, físico (fadiga, dor, limitações e capacidades) e psicológico (avalição do estado de saúde, autoestima, ansiedade, imagem corporal e depressão), relações sociais (apoio social e familiar, barreiras que são impostas pela sociedade e relações interpessoais) , níveis de independências ( mobilidade, capacidade de realizar atividades de vida diárias, e do trabalho).
Contudo, a OMS propõe o uso do instrumento WHOQUOL-Bref, por ser uma versão resumida, voltada a avaliar a qualidade de vida (QV) em diversos grupos e contextos. Esse instrumento destaca a percepção individual, onde permite observar uma visão subjetiva do indivíduo acerca de sua saúde de forma abrangente, contendo elementos físicos, psicológicos, sociais e ambientais (Nasciutti; Mourão; Araújo, 2022).
METODOLOGIA
O presente estudo tratou-se de uma pesquisa de campo com abordagem quali-quantitativa, de natureza exploratória. A pesquisa foi realizada por meio de coleta de dados de corte transversal com idosos que praticavam hidroginástica na cidade de Brejo do Cruz, no estado da Paraíba. Segundo Losche, Rambo e Ferreira (2023), pesquisas exploratórias tiveram o propósito de explorar fenômenos complexos, promovendo questionamentos e identificando casos que requeriam aprofundamento. Esses mesmos autores afirmaram que tal pesquisa teve como objetivo investigar metodologicamente, relacionando abordagens bibliográficas, estudo de casos, análises de dados qualitativos e quantitativos, com o intuito de buscar explicações e compreensão sobre determinado tema.
As pesquisas quantitativas foram adequadas para responder questionamentos associados a tal grau, incluindo determinados traços de uma população, além de tratar questões sociais. Nesse sentido, a pesquisa qualitativa foi complementada pela pesquisa quantitativa e vice-versa, proporcionando uma análise estrutural de fenômenos por meio de métodos quantitativos e análise de processos através de métodos qualitativos, como ressaltaram Pereira e Ortigão (2016).
A população do estudo foi composta por praticantes de hidroginástica da cidade de Brejo do Cruz, no estado da Paraíba, que participaram regularmente das aulas dessa atividade física. A amostragem foi constituída pelos primeiros 20 voluntários que aceitaram participar da pesquisa, considerando o critério de acessibilidade, ou seja, indivíduos que tiveram facilidade de acesso à pesquisa, seja pela proximidade do local de realização do estudo ou pela disponibilidade para a participação. A escolha dos participantes foi baseada na representatividade da população alvo, assegurando que os resultados possam ser generalizados para esse grupo de idosos que praticam hidroginástica na região.
Como critérios de inclusão dos voluntários na pesquisa, foi necessário, como pré-requisito, ser praticante regular de hidroginástica, com frequência de duas ou três vezes por semana, independentemente do sexo, ter idades entre 60 e 77 anos e ter assinado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). A definição desses critérios foi realizada para garantir que os participantes possuíssem a experiência adequada com a atividade física proposta e atendessem ao perfil etário necessário para os objetivos do estudo, assegurando também o consentimento informado de cada um para a participação na pesquisa.
Quanto aos critérios de exclusão, foram considerados idosos com pouca frequência de prática, ou seja, apenas um dia para hidroginástica e menos de três meses, que apresentavam alterações cognitivas e que se negaram a participar da pesquisa.
A coleta de dados foi realizada com a aplicação de um questionário sociodemográfico e do WHOQOL-Bref. O questionário sociodemográfico foi composto por um conjunto de perguntas elaboradas sobre as características individuais de cada participante da pesquisa, incluindo sexo, idade, nível de escolaridade, estado civil, ocupação, renda familiar, frequência em atividade de hidroginástica e outras modalidades de exercícios realizadas em associação.
Já o questionário WHOQOL-Bref foi utilizado para ressaltar a percepção individual, observando uma visão subjetiva do indivíduo, incluindo elementos físicos relacionado à saúde e funcionamento do corpo; psicológicos, que aborda bem estar emocional e cognitivo; relações sociais, que contempla interações e apoio social; e meio ambiente, que engloba a satisfação com o meio ambiente em que vive, como destacaram Nasciutti, Mourão e Araújo (2022).
A análise dos dados da foi realizada por meio de uma abordagem opinativa, onde as informações coletadas foram organizadas, tabuladas e apresentadas graficamente utilizando os softwares Microsoft Excel e SPSS versão 21. Esses softwares permitiram a realização de uma análise quantitativa detalhada, facilitando a interpretação dos resultados de forma visual e compreensível, o que contribuiu para uma melhor compreensão dos dados e possibilitou a extração de conclusões relevantes para o estudo.
A realização deste estudo considerou a Resolução nº 510/16 do Conselho Nacional de Saúde que rege sobre a ética da pesquisa envolvendo seres humanos direta ou indiretamente, assegurando a garantia de que a privacidade do sujeito da pesquisa será preservada. Este projeto foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário de Patos – UNIFIP. Após a concessão de sua aprovação, sob o parecer de número 7.346.669, todos sujeitos assinalaram ao TCLE aceitando participar da pesquisa para conseguir ter acesso ao questionário. A preservação da privacidade dos sujeitos foi garantida por meio do Termo de Compromisso do Pesquisador.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A amostra do presente estudo foi composta por 20 participantes, todas do sexo feminino, com idades variando entre 60 e 77 anos, sendo a faixa etária predominante de 60 a 65 anos, o que corresponde a 12 participantes (60%). No quesito escolaridade, destaca-se um alto índice de ensino fundamental incompleto 10 (50%), seguido por ensino fundamental completo 6 (30%) e médio completo 4 (20%). Tal realidade educacional é reflexo de condições socioeconômicas de gerações anteriores, com limitado acesso à educação formal.
A renda familiar predominante entre as participantes situa-se entre um e três salários mínimos 17 (85%), enquanto apenas três declararam possuir renda de um salário mínimo. Essa condição reforça a importância de políticas públicas que garantam o acesso gratuito a atividades físicas, como a hidroginástica, em espaços comunitários.
A maioria das participantes 15 (75%) afirmou praticar atividade física de 3 a 4 vezes por semana, 3 (15%) pratica de 6 ou mais vezes por semana, enquanto apenas 2 (10%) declarou praticar 1 a 2 vezes por semana.
A duração das sessões varia, com predominância de atividades entre 1 a 2 horas 13 (65%), o que atende à recomendação da OMS (2020) de pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada para idosos.
Quanto ao tempo de prática, 15 (75%) já se exercitam há mais de três anos, o que evidencia uma boa adesão às atividades propostas, além de praticarem hidroginástica, 15 participantes (75%) praticam caminhada e 2 pratica musculação (10%), indicando um comportamento ativo, as demais participantes não praticam outra atividade além da hidroginástica.
Tabela 1- Perfil Sociodemográfico dos participantes da pesquisa (N=20)
| Variáveis | N (%) |
| Sexo | |
| Masculino | 0 (0%) |
| Feminino | 20 (100%) |
| Idade | |
| 60 – 65 | 12 (60%) |
| 66 – 71 | 6 (30%) |
| 72 – 71 | 2 (10%) |
| Estado Civil | |
| Casado(a) | 14 (70%) |
| Divorciado(a)Viúvo(a) | 1 (5%)5 (25%) |
| Escolaridade | |
| Fundamental incompleto | 10 (50%) |
| Fundamental completo | 6 (30%) |
| Ensino médio completo | 4 (20%) |
| Renda familiar | |
| Um salário mínimo | 3 (15%) |
| Entre um a três salários | 17 (85%) |
| Frequência de atividade física | |
| 1 – 2 vezes por semana | 2 (10%) |
| 3 – 4 vezes por semana | 15 (75%) |
| 6 ou mais vezes por semana | 3 (15%) |
| Tempo que pratica atividades físicas regularmente | |
| 6 meses a 1 ano | 1 (5%) |
| 1 – 3 anos | 4 (20%) |
| Mais de 3 anos | 15 (75%) |
| Duração média da atividade física | |
| 1 – 2 horas | 13 (65%) |
| Mais de 2 horas: | 7 (35%) |
| Tipo de atividade física que realizam além da hidroginástica | |
| Caminhada | 15 (75%) |
| Musculação | 2 (10%) |
| Outras ou nenhuma | 3 (15%) |
Fonte: Dados da pesquisa, 2025.
De acordo com a presente pesquisa, na tabela 1, os dados obtidos revelaram uma amostra composta exclusivamente por mulheres, com idades variando entre 60 e 77 anos, sendo a faixa etária predominante de 60 a 65 anos. Esses dados se aproximam do estudo realizado por Silva et al. (2024) sobre qualidade de vida e atividade física em idosos, em que 73% dos participantes era composta também por mulheres, o que pode estar associado à maior participação feminina a práticas de exercícios em grupo e à busca mais frequente por serviços de prevenção a saúde.
Em termos de idade, 60% da amostra estava entre 60 e 65 anos, em contraste com a média de 72,3 ± 5,5 anos publicada por Costa e Neri (2019) , aproximadamente 72 anos citados em um estudo local. A prevalência de idosos mais jovens no estudo recomenda programas que sejam bem elaborados assim atraindo indivíduos com maiores habilidades funcionais e com motivação. Isso é ressaltado por Peixoto et al. (2019) que associaram uma menor participação de uma faixa etária mais avançada em programas de atividade física. Esse predomínio de participantes mais jovens não se repete em Beneditti et al. (2012), que encontramos adesão significativa em idosos acima de 70 anos. Logo, os dados aqui obtidos não acompanham a realidade nacional, em que faixas etárias mais avançadas também têm mostrado envolvimento crescente. Sendo assim, os resultados mostram que é preciso elaborar estratégias específicas para o engajamento de idosos com maior idade.
Em relação ao estado civil, 70% dos participantes eram casados, percentuais maiores do que o encontrado por Silva et al. (2024) que mencionaram que 43% dos idosos eram casados. Esses dados corroboram a importância do suporte familiar para a adesão à prática regular de atividade física, já que pessoas casadas costumam receber incentivos e suporte social, como transporte para o local da atividade ou companhia durante as sessões. No entanto, no mesmo estudo de Beneditti et al. (2012), observou-se que 58,9% das mulheres da amostra viviam sem companheiro, não evidenciando o suporte conjugal como um fator predominante para a prática de atividade física.
Em relação à escolaridade, 50% das participantes tinham apenas o ensino fundamental incompleto. Esses dados, mesmo com baixa escolaridade, indicam que é viável motivar a participação em programas de atividade física quando é proporcionado informações claras, orientações apropriadas e acompanhamento constante. Em um estudo realizado por Maniero e Filho (2024), observou-se que 34% dos participantes do estudo possuíam escolaridade fundamental completa, diferentemente do presente estudo, em que metade das participantes tinha escolaridade incompleta.
Ainda sobre esse estudo, 85% dos participantes apresentaram mais que 2 salários mínimos, Oliveira et al. (2014) também mostrou 82,5% de indivíduos com mais de 2 salários mínimos, visto que, a maior parte dos idosos eram adeptos à hidroginástica e à musculação. Idosos de mais de 65 anos com níveis socioeconômicos mais elevados, consequentemente, tinham maior adesão à atividade física em comparação aos de níveis econômicos menores, o que evidência a importância da renda na distinção e permanência na modalidade de atividade física. Em contraste, a pesquisa conduzida por Oliveira et al. (2017) revelou que 10,9% dos idosos possuía renda de até dois salários mínimos, indicando uma relação entre renda e acesso a atividades físicas.
Em relação à frequência de atividade física, 75% das participantes se exercitavam de três a quatro vezes por semana. Contudo, em pesquisa conduzida por Maniero e Filho (2024), verificou-se um cenário divergente, em que a maioria dos participantes realizava essa atividade com frequência inferior a três vezes por semana (42,6%; n=23), em relação ao tempo em que os participantes praticam de atividades físicas regularmente, 75% afirmaram fazê-lo há mais de três anos, não corroborando os achados da presente pesquisa que praticava há mais de seis meses (55,6%).
Em relação à duração média da atividade física, comprovou que 65% das atividades duravam de 1 a 2 horas. Em um estudo feito por Caldas et al. (2019) as sessões sendo mais longas facilita um maior gasto de energia e variedade de exercícios, onde possibilita que os idosos façam o aquecimento, alongamentos de maneira correta, além de atividades como exercícios de força, equilíbrio e coordenação.
Em relação ao tipo de atividade física que realizam além da hidroginástica, destacaram a caminhada, sendo mencionada por 75% idosos, por ser uma prática mais acessível e econômica. Esse percentual é maior do que o achado no estudo feito por Carvalho et al. (2017) no qual registraram 70% entre os idosos que realizam o mesmo exercício. Isso mostra a importância de oferecer várias opções de exercícios para manter o interesse dos participantes, sendo assim evitando o tédio e promovendo benefícios físicos e sociais.
As motivações mais recorrentes para o início da prática de atividades físicas foram as dores físicas, orientação médica e a busca por melhor qualidade de vida. 50% participantes relataram problemas como diabetes, hipertensão, dores articulares e hérnias, sendo a atividade física apontada como alternativa de alívio e prevenção, podemos observar alguns depoimentos das participantes que caracterizam as motivações pelas quais iniciaram a hidroginástica.
Por sentir crise de artrose no joelho. Hoje continuo porque me sinto melhor, mais forte e com poucas dores e também por ser diabética, controla a glicemia (código 12)
Por um envelhecimento saudável e autonomia. O que faz continuar é os resultados no dia a dia e sensação de bem-estar (código 13)
Se sentia muito cansada, com dores nas pernas. Continua porque se sente bem e mais disposta (código 15)
Devido sentir dores nas costas e cansava fácil, e o que me motiva a continuar e ter uma qualidade de vida melhor e envelhecimento saudável (código 16)
Comecei a fazer por orientação médica, sentia muita dor no corpo e tinha dificuldade para dormir. Hoje me sinto melhor e mais disposta (código 17)
Perguntadas sobre a importância da atividade física na terceira idade, as respostas de todas foram unânimes, as mesmas destacaram benefícios para a saúde física e mental, melhora de humor, sono e socialização.
Importante para saúde, melhor mentalmente e fisicamente, e relações com outras pessoas (código 1)
A gente precisa manter o corpo funcionando, afasta a tristeza, e a solidão, me sinto mais confiante (código 12)
Ajuda a manter a autonomia, bem-estar físico e mental (código 17
Entre os benefícios percebidos, destacam-se: melhora da qualidade de vida, do sono, redução de dores, diminuição do estresse e ansiedade, e aumento da disposição física e emocional.
Qualidade de vida, melhora o sono, diminuição da dor, redução de ansiedade, melhora a circulação (código 1)
Alívio de dor, diminuição de ansiedade e estresse, interagir melhor com as pessoas, mudanças de humor [se sente mais alegre (código 4)
Músculos firmes; glicemia mais controlada, me sinto mais independente no dia a dia (código 12)
Durmo melhor, menos dores, melhora o humor, pressão controlada (código 14)
No que se refere à questão “O que o(a) motivou a começar e a continuar a prática de atividade física? As participantes mencionaram que as principais causas para iniciar essa prática foram dores nas articulações, orientações médicas, busca por autonomia e melhor qualidade de vida. Estudo esse em que corrobora com o de Teixeira et al. (2007) em sua pesquisa com grupos de idosos no qual os idosos também praticavam hidroginástica e suas principais motivações para começar a atividade era a recomendação médica, além de dores físicas e a necessidade de prevenir doenças crônicas. No entanto, uma pesquisa comparativa de Souza et al., (2014) mostrou que idosos praticantes de musculação tiveram ganhos maiores de força e capacidade funcional do que os de hidroginástica, resultado divergente que sugere menor eficácia desta última para desenvolvimento muscular.
Em relação à pergunta “Qual a importância da atividade física na terceira idade?” As participantes da pesquisa mencionaram pontos positivos para saúde física e mental, além de destacarem melhoria de humor, na qualidade do sono e na socialização. Esses achados concordam com a revisão sistemática de Simões et al. (2008) que evidenciou programas de fisioterapia aquática ajudam na redução da dor e melhoram não só a capacidade funcional, mas também aspectos psicossociais, como bem-estar mental e interação social. Porém, Krug, Lopes e Mazo (2015) apontam que a adesão à hidroginástica nem sempre é alta, divergindo da satisfação unânime relatada pelas participantes.
No que se refere a pergunta “Quais são os principais benefícios que você percebe ao praticar atividade física? As participantes relataram benefícios após a prática, tais como melhoria na qualidade de vida, redução de dores, sono mais reparador, diminuição do estresse e da ansiedade, além de um aumento na energia física e emocional. Resultados que estão alinhados com o estudo de Mattos et al. (2016) que indicou que mulheres idosas com osteoartrite de joelho experimentaram uma redução significativa da dor e melhoria da função após seis semanas de hidroterapia.
De maneira semelhante Simões et al. (2008) afirma que a hidroginástica é procurada por idosas que de uma forma ou outra tendem a reduzir sintomas existentes nas mesmas, como osteoporose, artrose e hipertensão, sendo uma forma de prevenção para um envelhecimento mais saudável. Porém, no estudo de Souza et al. (2014) advertem que idosos com certas condições de saúde podem estar em risco se realizarem exercícios sem supervisão adequada.
Já na tabela 2, mostra os resultados obtidos através do escore do WHOQOL-Bref, que é calculado com base nas respostas dos 26 itens do instrumento. Cada item é avaliado em uma escala de resposta de 5 pontos, e os escores são calculados para cada domínio. Em relação à qualidade de vida das idosas, os dados mostram que as participantes apresentaram bons escores: no domínio físico (m=13,54) e (p= 1,03), no domínio psicológico (m=14,93) e (p=1,17), social (m=15,07) e (p=1,30), ambiental (m=15,20) e (p=0,77). Quanto à autoavaliação da qualidade de vida, a média foi de 15,20 e amplitude de 4,00.
Todos os domínios apresentaram médias superiores a 13, demonstrando uma percepção positiva da qualidade de vida entre as participantes. O maior escore médio foi observado na autoavaliação da qualidade de vida (15,20).
Apesar de ter registrado a menor média entre os domínios, o domínio Físico (13,54) ainda apresenta um escore considerado satisfatório, refletindo o impacto da atividade física na redução de dor, melhora na mobilidade, sono e capacidade funcional. Considerando que muitas das idosas relataram histórico de doenças crônicas, como artrose e diabetes, esse resultado pode ser reflexo do impacto benéfico da atividade física na funcionalidade corporal.
Esses achados reforçam a hipótese de que a prática de atividades físicas, em especial a hidroginástica, contribui de forma significativa para a manutenção e melhoria da qualidade de vida de mulheres idosas.
Tabela 2 – Média dos domínios avaliados (N=20)

Fonte: Dados da pesquisa, 2025.
Os resultados obtidos na tabela 2 deste estudo apontaram que o domínio físico obteve a menor média (13,54), evidenciando maior impacto das limitações funcionais na percepção da qualidade de vida das idosas. Esse achado corrobora os resultados de Almeida Brasil et al. (2017) que identificaram piores escores nesse mesmo domínio, sugerindo que condições de saúde crônicas e limitações físicas são determinantes importantes na percepção global de bem-estar.
Em contrapartida, os domínios psicológicos (14,93) e de relações sociais (15,07) apresentaram melhores médias, indicando maior preservação nesses aspectos. Pesquisa de Joia, Ruiz e Donalisio (2007) também evidenciou que o suporte social e a satisfação com a vida estão diretamente associados a escores mais elevados de qualidade de vida, reforçando a relevância do convívio social como fator de proteção na velhice.
O domínio meio ambiente (14,70) apresentou valores satisfatórios, semelhantes aos encontrados por Wanderley Filho (2017) que destacou a influência de fatores ambientais, como segurança, transporte e acesso a serviços de saúde, na percepção positiva das idosas sobre o seu cotidiano. A autoavaliação da qualidade de vida (15,20) mostrou média elevada, sugerindo que, apesar das limitações físicas, as participantes mantêm percepção global favorável. Tal resultado encontra respaldo no estudo de Wichmann et al. (2013) que apontam que a autoavaliação pode refletir a capacidade de adaptação às condições de saúde e às mudanças próprias do envelhecimento.
O Gráfico 1 revela o escore percentual médio de cada faceta do questionário WHOQOL-Bref. Entre os escores mais elevados, destacam-se quatro facetas (em verde no gráfico), cada uma representando um domínio distinto: mobilidade (73,75) no domínio físico; espiritualidade/religião/crenças pessoais (77,50) no domínio psicológico; relações pessoais e suporte social (77,50) no domínio relações sociais; e autoavaliação da qualidade de vida (70,00) no domínio Autoavaliação.
Esses resultados evidenciam que as participantes percebem positivamente aspectos relacionados ao bem-estar emocional, social e funcional, reforçando os benefícios da prática de atividade física regular na terceira idade.
Já entre as facetas com menores escores (em vermelho no gráfico), destaca-se sentimentos negativos, pertencente ao domínio psicológico, com apenas 20,00. Esse resultado sugere a presença de fatores como ansiedade, tristeza ou preocupação entre alguns participantes, indicando a necessidade de atenção contínua à saúde emocional das idosas.
A faceta dependência de medicação ou de tratamentos (56,25%), do domínio físico, também apresentou escore abaixo da média, sinalizando um ponto de atenção em relação à autonomia funcional e ao uso prolongado de medicamentos.
Facetas com escores intermediários, como recursos financeiros (com 52,50%, pertence ao domínio meio ambiente), além de segurança física e proteção (63,75% – domínio meio ambiente), revelam desafios comuns ao processo de envelhecimento, embora ainda dentro de patamares considerados razoáveis para essa faixa etária.
Gráfico 1 – Facetas do questionário WHOQOL-Bref

Fonte: Dados da pesquisa, 2025.
No gráfico 1 Os resultados da pesquisa evidenciam que, entre as facetas do WHOQOL-Bref, destacaram-se com melhores escores: mobilidade (73,75), espiritualidade/religião/crenças pessoais (77,50), relações pessoais e suporte social (77,50) e a autoavaliação da qualidade de vida (70,00). Esses achados indicam que os idosos estudados percebem positivamente aspectos relacionados ao bem-estar físico, espiritual, social e subjetivo. Esses resultados contradizem a pesquisa de Fleck et al. (2000) onde foi observado que os domínios mais altos se encontram entre o físico e o psicológico sendo que as relações sociais e ambientais englobam entre as mais afetadas.
Estudos prévios corroboram esses resultados. Almeida-Brasil et al. (2017) observaram que a espiritualidade e a religiosidade desempenham papel protetor na qualidade de vida de idosos, funcionando como estratégia de enfrentamento diante das limitações impostas pelo envelhecimento. Em relação ao domínio das relações sociais, Joia, Ruiz e Donalisio (2007) ressaltam que o suporte familiar e a rede de apoio constituem dimensões fundamentais para a satisfação com a vida, evidenciando que idosos inseridos em contextos de convivência social apresentam melhores índices de bem-estar. Outro ponto de destaque foi a autoavaliação da qualidade de vida, que apresentou escore de 70,00. Esses dados são consistentes com os achados de Wanderley Filho (2007) que verificou que, mesmo diante de limitações físicas, idosos tendem a manter uma visão positiva da vida quando possuem recursos sociais, espirituais e afetivos fortalecidos.
No que diz respeito ao domínio psicológico, aspecto de sentimentos negativos, o estudo atual mostrou escores baixos, apontando a ocorrência de sofrimento emocional. Em divergência com a pesquisa de Garbaccio et al. (2018) que interviram uma menor ligação entre sintomas depressivos e uma percepção negativa nos domínios psicológico e físico do WHOQOL-Bref. Tais resultados, reforçam o impacto emocional direto na qualidade de vida.
Por outro lado, a espiritualidade e religiosidade se destacaram como aspectos protetores neste estudo, com altos escores atribuídos a essa faceta. Esse estudo é consistente com pesquisas realizadas por de Panzini et al. (2017) onde evidenciam que a espiritualidade desempenha efeito positivo e significativo na perspectiva de qualidade de vida, agindo como recurso de enfrentamento diante de adversidades de saúde e limitações socioeconômicas.
Gráfico 2 apresenta a média dos escores no qual são transformados em uma escala de 0 a 100, onde 0 representa a pior qualidade de vida e 100 representa a melhor qualidade de vida. Os escores são calculados para cada domínio (físico, psicológico, relações sociais e ambiente), quanto mais altos indicam melhor qualidade de vida e mais baixos indicam pior qualidade de vida. Diante dos domínios, o físico a média do escore foi de 59,64, o que chama atenção negativamente. Esse resultado sugere que, embora as participantes estejam envolvidas em atividades físicas, ainda enfrentam limitações associadas ao envelhecimento, como dor, fadiga, sono irregular e dependência de medicação. Isso reflete a necessidade de atenção contínua à saúde funcional dessa população.
Por outro lado, os domínios Psicológico (68,33), Relações Sociais (69,17) e ambiente (66,88) apresentaram escores mais elevados, indicando percepção positiva quanto ao bem-estar emocional, apoio social e condições ambientais. O escore total de 65,77 reforça uma visão global positiva da qualidade de vida entre as idosas, com destaque para os aspectos subjetivos e sociais.
De maneira geral, os dados apontam para uma percepção favorável da qualidade de vida entre as participantes, especialmente nos aspectos sociais e emocionais, embora existam áreas que requerem maior atenção, como saúde física e suporte emocional.
Gráfico 2 – Médias percentuais dos escores do questionário WHOQOL-Bref

Fonte: Dados da pesquisa, 2025.
No Gráfico 2, os resultados evidenciaram que o domínio físico apresentou a menor média (59,64), sugerindo que os idosos enfrentam maiores limitações relacionadas à saúde corporal, mesmo quando inseridos em atividades físicas. Esse achado é coerente com o estudo de Wanderley Filho (2017) que identificou escores inferiores no domínio físico, justificando que o processo natural de envelhecimento, somado à presença de doenças crônicas, contribui para maior vulnerabilidade nessa dimensão. Por outro lado, no estudo de Miranda; Soares, Silva (2016), o domínio físico não esteve entre os mais baixos, alcançando média maior do que o estudo atual, evidenciando que em determinados contextos, os aspectos físicos podem estar mais preservados, o que não corrobora os achados do presente estudo.
Nos domínios psicológico (68,33), relações sociais (69,17) e ambiente (66,88) apresentaram médias mais elevadas, refletindo melhor percepção de qualidade de vida nessas áreas. Resultados semelhantes foram observados por Wichmann et al. (2013) ao analisarem grupos de convivência, nos quais os idosos relataram maior bem-estar psicológico e fortalecimento das relações sociais a partir da participação em atividades coletivas. No mesmo estudo de Miranda; Soares, Silva (2016), verificou-se que todos os domínios estiveram significativamente correlacionados com a qualidade de vida, sendo o menos correlacionado ao domínio Meio Ambiente, o que não concorda com este estudo.
De modo geral, o escore total (66,77) indica uma qualidade de vida considerada moderada, corroborando os achados de Silva et al. (2020) que também apontaram valores intermediários ao avaliar idosos em diferentes contextos. Isso sugere que, apesar das dificuldades físicas, os fatores psicossociais e ambientais exercem papel fundamental na manutenção da saúde e na percepção de bem-estar dessa população.
CONCLUSÃO
Os dados sociodemográficos revelaram um perfil predominante de idosas entre 60 e 75 anos, com baixa escolaridade, renda familiar de até dois salários mínimos e presença de doenças crônicas como hipertensão e artrose, fatores comuns no processo de envelhecimento no Brasil. Apesar desse contexto, os resultados obtidos por meio do WHOQOL-Bref demonstraram que essas mulheres apresentaram uma percepção positiva da própria qualidade de vida, com destaque para os domínios Relações Sociais, Psicológico e Ambiente. Isso indica que, mesmo diante de desafios socioeconômicos e de saúde, a prática regular de atividade física contribui de forma significativa para o bem-estar subjetivo, fortalecimento dos vínculos sociais e autonomia funcional.
Dessa forma, conclui-se que os objetivos propostos neste trabalho foram alcançados, visto que foi possível identificar de maneira clara a contribuição da hidroginástica para a qualidade de vida das idosas avaliadas. Os resultados demonstram que o incentivo à prática regular de atividades físicas em grupo, como a hidroginástica, deve ser uma estratégia central nas políticas públicas de promoção à saúde da pessoa idosa, mostrando-se eficaz não apenas na prevenção de doenças, mas também no fortalecimento da autonomia, da integração social e da dignidade no envelhecer.
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1Discente do Curso Superior de Bacharelado em Fisioterapia do Centro Universitário de Patos. E-mail: Jessica-brejo2012@hotmail.com
2Fisioterapeuta. E-mail: marcinhadantas1@gmail.com
3Docente do Curso Superior de Bacharelado em Fisioterapia do Centro Universitário de Patos. E-mail: gigliellisantos@fiponline.edu.br
4E-mail: Joseaoliveiras@hotmail.com
5Docente do Curso Superior de Bacharelado em Fisioterapia do Centro Universitário de Patos. E-mail: alinecarvalho@fiponline.edu.br
