AVALIAÇÃO DA EFETIVIDADE DA CIRURGIA DE CONTROLE DE DADOS EM PACIENTES POLITRAUMATIZADOS 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202508052133


Eduardo Henrique Oliveira Toledo1


RESUMO  

A cirurgia de controle de danos (CCD) é uma abordagem essencial no manejo de pacientes  politraumatizados em estado crítico, priorizando intervenções rápidas para controlar  hemorragias, prevenir contaminações e estabilizar a fisiologia antes de cirurgias definitivas. Este  estudo teve como objetivo analisar a efetividade da CCD, identificando seus principais  desfechos clínicos, benefícios e limitações. Foi conduzida uma revisão integrativa da literatura  nas bases PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando descritores DeCS e MeSH  em português, inglês e espanhol, combinados pelos operadores booleanos “AND” e “OR”.  Foram incluídos artigos originais publicados entre 2020 e 2025, disponíveis na íntegra e que  abordassem desfechos clínicos relacionados à CCD. Após a triagem, quatro estudos  compuseram a amostra final. Os resultados mostraram que a CCD contribui para redução de  complicações, diminuição do tempo de ventilação mecânica e melhora da taxa de sobrevida,  especialmente em pacientes com instabilidade fisiológica significativa. Estratégias como uso de  fixadores externos, fixação parcial de fraturas e individualização do momento cirúrgico foram  associadas a melhores prognósticos. Contudo, a mortalidade ainda é elevada em casos com  disfunção orgânica grave. Conclui-se que a CCD é uma abordagem eficaz para salvar vidas,  sendo essencial aplicá-la de forma criteriosa e individualizada, embora estudos maiores  multicêntricos sejam necessários para fortalecer as evidências. 

Palavras-Chave: Cirurgia; Controle de Danos; Politraumatismo.  

ABSTRACT  

Damage control surgery (DCS) is an essential approach in the management of critically injured  polytrauma patients, prioritizing rapid interventions to control bleeding, prevent contamination,  and stabilize physiology before definitive surgical repair. This study aimed to analyze the  effectiveness of DCS, identifying its main clinical outcomes, benefits, and limitations. An  integrative literature review was conducted in the PubMed and Virtual Health Library (BVS)  databases, using DeCS and MeSH descriptors in Portuguese, English, and Spanish, combined  with the Boolean operators “AND” and “OR.” Original articles published between 2020 and  2025, available in full text and addressing clinical outcomes related to DCS, were included.  After screening, four studies composed the final sample. The results showed that DCS  contributes to the reduction of complications, decreases mechanical ventilation time, and  improves survival rates, especially in patients with significant physiological instability. 

Strategies such as the use of external fixators, partial fracture fixation, and individualized  surgical timing were associated with better prognoses. However, mortality remains high in cases  with severe organ dysfunction. In conclusion, DCS is an effective life-saving approach, and its  application should be careful and individualized. Nevertheless, larger multicenter studies are  needed to strengthen the evidence and better guide clinical decision-making in trauma care. 

Keywords: Surgery; Damage Control; Polytrauma. 

1. INTRODUÇÃO  

A cirurgia de controle de danos (CCD) é uma estratégia cirúrgica utilizada em pacientes  politraumatizados graves, com o intuito de salvar vidas em emergências. Esses pacientes,  geralmente, chegam aos hospitais em estado crítico, com múltiplas lesões e risco de morte  devido a hemorragias graves, choque e falência de órgãos. Nessas situações, a prioridade inicial  não é reparar todas as lesões, mas sim controlar o sangramento, prevenir contaminações e  estabilizar o quadro clínico para que o paciente tenha condições de sobreviver à fase inicial do  trauma (Pape et al., 2019). 

A cirurgia de controle de danos se tornou um importante recurso no manejo do  politraumatizado, principalmente em casos em que o organismo do paciente não suportaria uma  cirurgia extensa e prolongada. Essa abordagem tem mostrado resultados positivos, contribuindo  para a redução da mortalidade e melhorando as chances de recuperação (Roberts et al., 2023). 

A avaliação da efetividade da cirurgia de controle de danos é fundamental para  compreender seus impactos na sobrevida e na qualidade de vida dos pacientes politraumatizados  (García et al., 2023). Analisar os resultados clínicos e os principais desfechos, como tempo de  internação, complicações e mortalidade, ajuda os profissionais de saúde a aprimorarem protocolos e tomar decisões mais rápidas e assertivas em situações de urgência.  

Com isso, este estudo tem por objetivo: Analisar a efetividade da cirurgia de controle  de danos em pacientes politraumatizados, identificando seus principais desfechos clínicos,  benefícios, limitações e impacto na redução da mortalidade. 

2. METODOLOGIA 

Foi realizada uma revisão integrativa da literatura, construída mediante um levantamento  de dados em bases científicas, seguindo critérios de rigor metodológico. Para guiar o  desenvolvimento da pesquisa, foi elaborada a seguinte pergunta norteadora: Quais são as  evidências sobre a efetividade da cirurgia de controle de danos em pacientes politraumatizados,  considerando seus principais desfechos clínicos e impacto na sobrevida? 

A busca dos artigos foi realizada nas bases de dados PubMed e Biblioteca Virtual em  Saúde (BVS), utilizando descritores controlados cadastrados no MeSH e DeCS, combinados  pelos operadores booleanos “AND” e “OR”. A estratégia de busca definida para a PubMed foi:  (“Damage Control Surgery”[MeSH] OR “Damage Control Surgery” OR “Damage Control”)  AND (“Multiple Trauma”[MeSH] OR “Polytrauma” OR “Severe Trauma” OR “Major Trauma”)  AND (“Treatment Outcome”[MeSH] OR Effectiveness OR “Clinical Outcomes” OR Mortality  OR Survival). Para a BVS utilizou-se: (“Damage Control Surgery” OR “Damage Control”) AND  (Polytrauma OR “Multiple Trauma”) AND (Outcome OR Mortality OR Survival).  

Foram incluídos artigos originais, publicados entre 2020 e 2025, disponíveis na íntegra,  e nas bases de dados supracitadas. Foram excluídos estudos de revisão, relatos incompletos,  trabalhos duplicados, artigos pagos e aqueles que não apresentassem relação direta com o tema.  Com a aplicabilidade dos critérios, foram selecionadas 04 amostras. O processo de triagem e  seleção dos artigos foi representado na Figura 1, que apresenta o fluxo de identificação, exclusão  e inclusão dos estudos. 

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES  

Foram selecionadas quatro amostras. Os critérios seguidos estão expostos na figura 1. 

Figura 1: Fluxograma de descrição da amostra.

Fonte: Dados da pesquisa, 2025.

Mediante amostras selecionadas, foi organizado os estudos no Quadro 1, estruturado  entre as principais informações de: Título, autor, ano de publicação, método e principais  desfechos. 

Quadro 1: Descrição da amostra.

Fonte: Dados da pesquisa, 2025.

Com base nos estudos analisados, pode-se evidenciar na literatura científica que a CCD em pacientes politraumatizados tem demonstrado impacto positivo sobre desfechos clínicos essenciais, especialmente nos casos em que há instabilidade fisiológica significativa. O estudo  realizado por Kountouri et al. (2024) evidencia que o uso de fixadores externos como estratégia  ortopédica de CCD possibilitou a estabilização precoce de fraturas em pacientes gravemente  feridos, o que resultou na redução de complicações infecciosas e aumento da taxa de sobrevida.  Esses achados reforçam a ideia de que intervenções cirúrgicas limitadas, focadas na  estabilização inicial, são fundamentais na fase aguda do trauma. 

Nessa perspectiva, Li et al. (2024) analisaram pacientes politraumatizados com fraturas  múltiplas de costelas e demonstraram que a fixação parcial precoce, realizada após a  estabilização clínica, contribuiu significativamente para a diminuição do tempo de ventilação  mecânica e redução de complicações pulmonares. Esses desfechos apontam para a efetividade  da CCD em termos de otimização dos cuidados intensivos e recuperação mais rápida, elementos  essenciais na avaliação da sobrevida e prognóstico funcional do politraumatizado. 

Além disso, o estudo realizado por Wessem et al. (2022) aponta a importância da  fisiologia do paciente na definição do momento ideal para a abordagem cirúrgica. Os autores  evidenciam que estratégias baseadas na condição clínica do indivíduo resultaram em menores  taxas de falência orgânica e complicações pós-operatórias, favorecendo melhores resultados  clínicos e maior taxa de sobrevivência. Este dado corrobora com a premissa da CCD, que  prioriza intervenções rápidas e temporárias até que o paciente possa suportar cirurgias  definitivas com maior segurança. 

Segundo Luiza et al. (2022), embora a CCD seja uma estratégia amplamente aplicada  em centros de trauma, a morbimortalidade ainda é elevada, especialmente em pacientes com  disfunção orgânica acentuada. No entanto, os autores ressaltam que parâmetros clínicos e  laboratoriais podem servir como preditores de mortalidade, auxiliando na tomada de decisão e  no direcionamento da conduta cirúrgica.  

4. CONCLUSÃO  

Esta pesquisa apresenta que a cirurgia de controle de danos ajudou a salvar vidas de  pacientes politraumatizados, principalmente quando feita de forma rápida e focada na  estabilização inicial. Os principais benefícios observados foram menos complicações, menor  tempo de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e aumento da chance de sobrevivência. Porém, os estudos também apresentaram algumas limitações, como o fato de  muitos serem retrospectivos, com amostras pequenas e realizadas em um único hospital, o que  pode limitar a generalização dos resultados. Para pesquisas futuras, seria importante realizar  estudos maiores, com diferentes perfis de pacientes e em vários centros hospitalares, além de  comparar diferentes tipos de intervenções para entender qual abordagem traz mais benefícios  em cada situação. 

REFERÊNCIAS  

GARCÍA, Alberto et al. Damage control surgery in lung trauma. Colombia Médica, v. 52, n.  2, 2021. 

KOUNTOURI, Ismini et al. External Fixators as a Tool for Damage Control Orthopedics in  Severely Injured or Polytrauma Patients. Cureus, v. 16, n. 9, 2024. 

LI, Shuhuan et al. Surgical management of multiple rib fractures in polytrauma patients: semi damage control surgery. International Journal of Medical Sciences, v. 21, n. 15, p. 2926,  2024. 

LUIZA et al. Fatores preditivos de mortalidade na cirurgia de controle de danos no trauma  abdominal. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, v. 49, p. e20223390, 2022. 

PAPE, H.-C. et al. Timing of major fracture care in polytrauma patients–An update on  principles, parameters and strategies for 2020. Injury, v. 50, n. 10, p. 1656-1670, 2019. 

ROBERTS, Derek J. et al. The open abdomen in trauma, acute care, and vascular and  endovascular surgery: comprehensive, expert, narrative review. BJS open, v. 7, n. 5, p.  zrad084, 2023. 

WESSEM, Karlijn JP; LEENEN, Luke PH; HIETBRINK, Falco. Physiology dictated  treatment after severe trauma: timing is everything. European journal of trauma and emergency surgery, v. 48, n. 5, p. 3969-3979, 2022.


1Médico pela Afya Palmas, TO. 
E-mail: eduhenriquet@gmail.com