AUTOMEDICAÇÃO COM ANTIBIÓTICOS: PRÁTICAS, CONSEQUÊNCIAS E CAMINHOS PARA O USO RACIONAL 

ANTIBIOTIC SELF-MEDICATION: PRACTICES, CONSEQUENCES, AND STRATEGIES FOR RATIONAL USE 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202512080929


Alexandre Loiola Ribeiro
Marlon Rian Arrais De Macedo
Yasmim Santos Pereira
Leonardo Luís Batista Cardoso


RESUMO 

A automedicação com antibióticos configura-se como um comportamento frequente entre a população brasileira, representando um grave problema de saúde pública devido à contribuição direta para a resistência bacteriana. Este trabalho teve como objetivo analisar os fatores que influenciam essa prática, seus riscos à saúde e as estratégias necessárias para a promoção do uso racional desses medicamentos. Para isso, foi realizada uma revisão bibliográfica em bases como Google Acadêmico, SciELO, PubMed e bibliotecas virtuais, considerando publicações entre 2017 e 2025. Os resultados apontaram que a automedicação está associada à desinformação, à facilidade de acesso aos fármacos e às falhas na fiscalização. Verificou-se que grande parte dos usuários desconhece os riscos da resistência antimicrobiana e que muitos eventos adversos decorrem do uso incorreto dos antibióticos. Observou-se ainda que as campanhas educativas são pontuais e de baixo alcance, e que a regulação existente apresenta eficácia limitada na prática. Nesse contexto, destacou-se o papel essencial do farmacêutico, tanto na orientação direta aos pacientes quanto no controle da dispensação, contribuindo para a educação em saúde e para a prevenção do uso inadequado desses medicamentos. Concluiu-se que o uso irracional de antibióticos é uma questão complexa, que exige ações intersetoriais envolvendo educação em saúde, fiscalização sanitária, atuação ativa do farmacêutico e políticas públicas mais eficazes para conter a automedicação e seus impactos. 

Palavras-chave: Automedicação; Antibióticos; Resistência Bacteriana; Saúde Pública; Uso Racional. 

ABSTRACT 

Self-medication with antibiotics is a frequent behavior among the Brazilian population and represents a serious public health problem due to its direct contribution to bacterial resistance. This study aimed to analyze the factors that influence this practice, its health risks, and the strategies necessary to promote the rational use of these medications. A bibliographic review was conducted using databases such as Google Scholar, SciELO, PubMed, and virtual libraries, considering publications from 2017 to 2025. The results indicated that self-medication is associated with misinformation, easy access to drugs, and weaknesses in regulatory enforcement. A significant portion of users are unaware of the risks of antimicrobial resistance, and many adverse events result from the incorrect use of antibiotics. The findings also showed that educational campaigns are punctual and have limited reach, and that current regulation is not fully effective in practice. In this context, the pharmacist plays an essential role by providing direct patient counseling, ensuring proper dispensing, and contributing to health education and the prevention of inappropriate antibiotic use. It is concluded that the irrational use of antibiotics is a complex issue that requires intersectoral actions involving health education, regulatory enforcement, active participation of pharmacists, and more effective public policies to reduce self-medication and its impacts. 

Keywords: Self-medication; Antibiotics; Bacterial Resistance; Public Health; Rational Use. 

 INTRODUÇÃO 

Os antibióticos representam um dos progressos mais relevantes da medicina moderna, sendo fundamentais no manejo de infecções bacterianas e para a redução da mortalidade associada a doenças infectocontagiosas. Desde a descoberta da penicilina por Alexander Fleming, em 1928, esses fármacos modificaram profundamente a prática clínica, tornando possíveis procedimentos cirúrgicos complexos e o tratamento eficaz de infecções antes consideradas fatais (Silva et al., 2022). 

Nesse contexto, a automedicação desponta como um dos fatores centrais desses problemas, entendida como o consumo de medicamentos por conta própria, sem prescrição ou acompanhamento profissional, é uma conduta recorrente em diferentes regiões, incluindo o Brasil. Esse comportamento é frequentemente motivado pela disponibilidade facilitada desses fármacos, histórico de melhora anterior, orientação de pessoas próximas e a busca por soluções rápidas para sintomas percebidos (Brasil, Souza et al., 2020). 

As consequências sociais da automedicação ultrapassam o âmbito individual, configurando-se como ameaça coletiva à saúde. Quando microrganismos se tornam resistentes, tratamentos convencionais perdem eficácia, e doenças simples podem evoluir para quadros graves, exigindo intervenções mais complexas e onerosas (Costa et al., 2021). Fatores socioculturais, como o hábito de compartilhar medicamentos entre familiares, o desconhecimento sobre os riscos e a crença na capacidade de autodiagnóstico, reforçam a necessidade de estratégias educativas e de conscientização da população (Souza et al., 2020). A importância do problema torna-se evidente pelo alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2021), que reconhece a resistência antimicrobiana entre os dez principais riscos mundiais à saúde no século XXI. Estima-se que aproximadamente 700 mil pessoas venham a óbito anualmente em decorrência de infecções por microrganismos resistentes, número que pode chegar a 10 milhões até 2050 se não houver intervenções eficazes (OCDE, 2022). No Brasil, pesquisas indicam que aproximadamente 40% da população faz uso de antibióticos sem prescrição médica, prática que contribui para o aumento de cepas resistentes e sobrecarga do sistema de saúde (Santos et al., 2023). 

O uso inadequado de antibióticos não só estimula a resistência bacteriana, mas também relaciona-se à reações adversas, falhas terapêuticas e complicações clínicas, sobretudo em populações vulneráveis. Além disso, acarreta elevados custos econômicos decorrentes do prolongamento dos tratamentos, internações hospitalares e utilização de medicamentos de última linha, geralmente mais caros e menos acessíveis (Ferreira et al., 2021). 

Apesar da presença de regulamentações que limitam a comercialização de antibióticos somente com receita, como a Resolução RDC nº 20/2011 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), ainda existem falhas na fiscalização e na adesão às exigências legais (ANVISA, 2011; Oliveira e Lima, 2022). Além disso, a falta de coordenação e integração da vigilância epidemiológica da resistência bacteriana no Brasil dificulta a implementação de estratégias de controle e o monitoramento efetivo do problema (Brasil, 2022). 

O presente estudo tem como objetivo analisar os fatores que contribuem para a automedicação com antibióticos, seus riscos à saúde pública e as estratégias para promover o uso racional desses medicamentos na população. Primeiramente, iremos investigar os principais motivos que levam à automedicação com antibióticos. Ao final, analisaremos o impacto as ações educativas e regulações existentes voltadas para o controle do uso de antibióticos sem prescrição e a importância do farmacêutico na promoção do seu uso racional. 

 METODOLOGIA 

A metodologia adotada neste estudo consistiu na realização de uma revisão bibliográfica, método de pesquisa que consiste em reunir, selecionar, analisar e interpretar publicações cientificas relevantes, com o propósito de sintetizar o conhecimento disponível e compreender o que a literatura já descreve sobre o assunto. O trabalho se enquadra nesse tipo de metodologia por analisar informações já disponíveis na literatura cientifica sobre a automedicação com antibióticos. As bases de dados utilizadas para a busca dos materiais incluíram o Google Acadêmico, SciELO, PubMed e bibliotecas virtuais institucionais. Durante o processo de busca, foram empregadas as seguintes palavras chaves: ´´Automedicação´´, ´´Antibióticos´´, ´´Resistência bacteriana´´, ´´Saúde Pública´´, e ´´Uso Racional´´, utilizadas isoladamente e em combinação para ampliar a sensibilidade da pesquisa. 

A busca inicial resultou em 150 materiais encontrados, incluindo artigos científicos, revisões, livros e documentos institucionais. Após a triagem dos títulos e resumos, 60 estudos foram pré selecionados. 

A seleção inicial dos estudos foi realizada com base na análise de títulos e resumos. Como critérios de inclusão, consideraram-se apenas publicações disponíveis na íntegra, produzidas entre 2017 e 2025, e escritas em português, inglês ou espanhol. Além disso, foram incluídos apenas materiais que apresentassem relação direta com a automedicação de antibióticos, abordando aspectos como fatores associados, riscos, resistência bacteriana, consequências clínicas, políticas de controle, intervenções e estratégias para o uso racional. Em seguida, foram aplicados os critérios de exclusão que eliminaram publicações anteriores a 2017, duplicidade entre bases, ausência de relação direta com automedicação ou uso inadequado de antibióticos, falta de rigor metodológico, materiais sem fundamentação científica e textos opinativos sem evidências. O processo de seleção dos estudos seguiu etapas sucessivas de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão, conforme representado no fluxograma da Figura 1, que sintetiza visualmente todas as fases da metodologia empregada 

Figura 1 – Fluxograma 

Fonte: Elaborado pelos autores 

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Os resultados deste estudo foram organizados em três quadros, cada um correspondente a um objetivo específico. Em seguida, apresentam-se as discussões, estruturadas de forma alinhada aos achados apresentados e conforme orientação do professor. 

O quadro 1 apresenta os estudos que abordam os principais fatores que levam à automedicação com antibióticos, incluindo aspectos culturais, sociais e de acesso aos serviços de saúde. 

Quadro 1 – Sistematização de resultados que tratam dos motivos que levam à automedicação com antibióticos 

Ano/Autor Tipo de Estudo Título do Artigo Resultados
2024 / Rezende et al.Estudo transversal Prevalência daAutomedicação com Antibióticos e seus Determinantes 
Sociais no Contexto Brasileiro
A automedicação é impulsionada pela experiência prévia de melhora, demora no atendimento médico, dificuldade de acesso à atenção básica e percepção equivocada de que antibióticos 
resolvem rapidamente 
qualquer infecção.
2022 / Silva Revisão Aspectos Socioculturais da Automedicação: Uma Análise do Comportamento Popular Frente aos AntibióticosA automedicação é culturalmente enraizada, motivada por crenças populares e 
compartilhamento de medicamentos entre familiares.
2025 / Rezende & PintoRevisão Determinantes 
Socioculturais e Econômicos Associados ao Uso Indevido de Antibióticos
Baixa escolaridade, influência familiar e confiança no 
autodiagnóstico como determinantes 
socioculturais que aumentam o uso sem prescrição.
2021 / Caldas et al.Revisão Crenças Populares Sobre Antibióticos e sua Influência na AutomedicaçãoCrença de que antibióticos curam qualquer infecção, incluindo virais, levando ao uso inadequado e contribuindo para resistência bacteriana.
2022 / Lima et al. Estudo observacionalImpacto das Redes Sociais na Disseminação de Informações e no Aumento da 
Automedicação com Antibióticos
Informações equivocadas nas redes sociais aumentaram o uso indevido de antibióticos, 
especialmente durante a pandemia.

Fonte: Elaborado pelos autores 

Os dados revelam que cerca de 40% da população brasileira utiliza antibióticos por conta própria, sem a devida prescrição médica (Rezende et al., 2024). Tal conduta é motivada, principalmente, pela experiência prévia de melhora, influência de familiares, facilidade de acesso aos medicamentos e dificuldades de acesso ao sistema público de saúde. Esses fatores estão de acordo com o que afirmam Silva (2022), Rezende e Pinto (2025) os quais destacam que a automedicação é um comportamento social enraizado, impulsionado pela percepção de que o antibiótico representa uma solução rápida e acessível. 

A automedicação é também motivada pela tentativa de economizar tempo e dinheiro, visto que muitos indivíduos evitam consultas médicas por barreira econômicas, geográficas ou estruturais no sistema de saúde, a demora nas consultas médicas e a autoconfiança adquirida a partir de tratamentos anteriores, que levam muitos indivíduos a repetirem o uso de antibióticos por conta própria (Rezende et al., 2024). Além disso, Caldas et al., (2021) reforçam que a percepção de que o antibiótico cura tudo estimula o consumo sem critério, especialmente entre pessoas que já obtiveram alívio em quadros infecciosos anteriores, a dimensão sociocultural se destaca como ponto central, pois crenças equivocadas — como a ideia de que antibióticos “curam qualquer infecção” — persistem e influenciam a tomada de decisão dos indivíduos. 

A influência das redes sociais e plataformas digitais também merecem destaque. Lima et al., (2022) observaram que a disseminação de informações sem embasamento científico, principalmente durante a pandemia de COVID-19, ampliou o uso indevido de medicamentos antimicrobianos. Nesse período, o medo e a insegurança levaram muitas pessoas a utilizar antibióticos para prevenir ou tratar infecções virais, comportamento que não apenas é ineficaz, mas também favorece o surgimento de resistência bacteriana. Assim, observa-se que a automedicação é resultado de uma combinação entre fatores culturais, sociais, econômicos e educacionais, exigindo abordagens múltiplas para seu enfrentamento 

O quadro 2 apresenta as publicações que tratam das ações educativas e das regulamentações voltadas ao controle da automedicação e ao uso racional de antibióticos. 

Quadro 2 – Sistematização de resultados que tratam das ações educativas e da importância do farmacêutico 

Ano/Autor Tipo de Estudo Título do Artigo Resultados
2024 / UFPB Relatório Análise da Fiscalização da Venda de Antibióticos em Farmácias e Drogarias Brasileiras28% das farmácias ainda vendem antibióticos sem receita, mostrando falha regulatória.
2024 / Rezende et al.Revisão Avaliação da Efetividade de Campanhas Educativas sobre o Uso Racional de AntibióticosCampanhas educativas são pontuais e pouco abrangentes, reduzindo impacto na conscientização.
2022 / Lima et al. Revisão Educação Intersetorial como Estratégia de Enfrentamento à Automedicação com AntibióticosNecessidade de educação contínua envolvendo escolas, farmácias e unidades de saúde.
2022 / Silva Revisão O Papel do Farmacêutico na Prevenção da Automedicação e Promoção do Uso Correto de AntibióticosO farmacêutico é essencial na prevenção da automedicação e orientação adequada.
2023 / Souza et al. Revisão Atuação do Farmacêutico na Prevenção da 
Automedicação com Antibióticos
O farmacêutico 
reduz significativamente a automedicação ao orientar sobre riscos, reforçar a necessidade de prescrição e realizar triagem adequada, 
contribuindo para o uso racional e prevenção da resistência bacteriana.

Fonte: Elaborado pelos autores 

Apesar dos avanços regulatórios, a automedicação com antibióticos ainda persiste devido à fragilidade na aplicação das normas sanitárias e à insuficiência de ações educativas permanentes. A Resolução RDC nº 20/2011 da Agência nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) representa um marco importante, ao estabelecer regras para a dispensação e controle da venda de antimicrobianos no Brasil. No entanto, sua implementação não ocorre de forma uniforme em todas as regiões do país (Aguiar et al., 2022). Segundo dados da UFPB (2024), cerca de 28% das farmácias ainda comercializam antibióticos sem a devida exigência da receita médica, o que enfraquece os mecanismos de fiscalização e contribui para a continuidade do uso indiscriminado desses medicamentos. 

As RDCs e leis que tratam do uso indiscriminado do antibiótico incluem a RDC n° 471/21, que estabelece critérios para a prescrição, dispensação, controle, embalagem e rotulagem de medicamentos antimicrobianos. Essa resolução é aplicável a farmácias e drogarias privadas, unidades públicas de dispensação e unidades do Programa Farmácia Popular do Brasil. A prescrição de medicamentos antimicrobianos deve ser realizada em receituário privativo do prescritor ou do estabelecimento de saúde, e a receita deve conter informações como nome do medicamento, dose, forma farmacêutica, posologia e quantidade. A receita é válida por 10 dias a partir da data de emissão e não pode ser utilizada para aquisições posteriores, exceto em situações de tratamento prolongado. 

Além disso, a Instrução Normativa IN N° 83/21 define a lista de substâncias classificadas como antimicrobianos de uso sob prescrição, isoladas ou em associação, e inclui a substância tedizolida, indicada para o tratamento de infecções bacterianas agudas da pele e tecidos moles em adultos (CRF/RS). 

Essas resoluções e instruções normativas são fundamentais para garantir o uso racional dos antimicrobianos e evitar a resistência bacteriana, uma preocupação global de longa data. 

Além das limitações regulatórias, observa-se uma carência significativa de políticas públicas voltadas à educação em saúde. Como destacam Rezende et al., (2024), as campanhas de conscientização sobre o uso racional de antibióticos são pontuais e pouco abrangentes, concentrando se, muitas vezes, em períodos de surtos infecciosos ou datas específicas. Essa falta de continuidade reduz o impacto das ações educativas e não promove mudanças efetivas no comportamento da população. Reforçam que, para que a educação em saúde seja eficaz, é necessário um trabalho intersetorial que envolva profissionais de saúde, escolas, universidades e meios de comunicação. (Lima et al., 2022) 

O farmacêutico desempenha papel central na prevenção da automedicação com antibióticos, sendo um dos profissionais de saúde mais acessíveis à população. Sua atuação envolve orientar sobre os riscos do uso inadequado desses medicamentos e reforçar a necessidade de prescrição médica, prevenindo práticas que favorecem a resistência bacteriana (Silva, 2022). Além disso, cabe ao farmacêutico identificar situações em que o paciente apresenta sinais de infecção que exigem avaliação profissional, evitando o uso empírico e incorreto de antimicrobianos (Lima et al., 2022). Esse profissional também contribui de maneira significativa por meio de ações educativas, campanhas informativas e promoção do uso racional, auxiliando a população a compreender os impactos coletivos associados à resistência antimicrobiana (Rezende et al., 2024). Portanto, para alcançar resultados efetivos no controle da automedicação, é imprescindível o fortalecimento das ações educativas, a fiscalização contínua das farmácias e a integração entre os órgãos de vigilância sanitária e a atenção básica à saúde (Aguiar et al., 2022; OMS, 2023). 

Ele é essencial na promoção do uso racional de antimicrobianos, com acompanhamento direto aos usuários e aplicação de condutas que favorecem os cuidados em saúde. No Brasil, a dispensação de antimicrobianos é regulamentada pela RDC nº 20/2011, que determina que esses medicamentos só podem ser liberados com presença e autorização do farmacêutico, pois seu uso indevido pode levar à resistência bacteriana, exigindo também revisão de fatores como polimedicação. (Aguiar, 2019; Batista et al,. 2020) 

Durante a pandemia da COVID-19, ocorreu um total descaso na dispensação, com medicamentos sendo vendidos por profissionais não treinados, possibilitando automedicação e uso indiscriminado de antimicrobianos para profilaxia ou tratamento sem controle adequado. (Passos et al,. 2022) 

Por fim, descreve-se que o farmacêutico é reconhecido como peça-chave na prevenção da automedicação e da resistência antimicrobiana, atuando em conjunto com a equipe multidisciplinar por meio de intervenções farmacêuticas, substituição terapêutica, acompanhamento, orientação e prescrição de alternativas isentas de receita, fortalecendo a educação em saúde, o bem-estar do paciente e a prevenção de problemas futuros relacionados à resistência bacteriana. (Machowska et al,. 2019) 

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A presente revisão evidenciou que a automedicação com antibióticos no Brasil é um fenômeno multifatorial, sustentado por questões socioculturais, falhas no acesso aos serviços de saúde, crenças populares, influência familiar e disseminação de informações equivocadas, especialmente nas redes sociais. Os estudos analisados mostram que o uso indiscriminado desses medicamentos permanece elevado, contribuindo diretamente para o avanço da resistência bacteriana, para reações adversas e para o agravamento de quadros infecciosos, reforçando que o problema ultrapassa o âmbito individual e se configura como desafio coletivo de saúde pública. Apesar de existirem normas como a RDC nº 20/2011 e a RDC nº 471/2021, as falhas na fiscalização e a venda irregular de antibióticos ainda persistem, evidenciando limitações regulatórias que dificultam o controle efetivo dessa prática. Também se constatou que as ações educativas voltadas ao uso racional de antibióticos são pontuais e pouco abrangentes, com baixo impacto na mudança de comportamento da população. Nesse cenário, destaca-se o papel essencial do farmacêutico como agente de orientação, prevenção e promoção do uso racional, contribuindo para reduzir a automedicação e alertando sobre os riscos da resistência microbiana. Assim, conclui-se que enfrentar a automedicação com antibióticos requer políticas públicas integradas, fiscalização contínua, fortalecimento da atenção básica e estratégias educativas permanentes, capazes de promover conscientização ampla e garantir o uso seguro e responsável desses medicamentos. 

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