REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202512080901
Ronivon Almeida de Oliveira¹
Walyson Bruno Ferreira da Silva Santos¹
Stephanie Vicente de Bessa²
Resumo
A irrigação é decisiva para a competitividade da agricultura goiana, mas precisa conciliar eficiência hídrica, conservação ambiental e governança por bacia. Este trabalho teve como objetivo sistematizar diretrizes práticas e metas mensuráveis para uma irrigação eficiente e sustentável no estado. Realizou-se revisão narrativa com protocolo de busca (2012–2025) em fontes técnicas e oficiais, sintetizando evidências nos eixos técnico, energético, institucional e climático. Os resultados indicam: metas de CUC 85–90% e CUD 75–80% em aspersão; EU ≥90% em localizada; manejo ET₀–Kc integrado a sensores capaz de reduzir 10–20% da lâmina sem perda de produtividade; medição/telemetria de vazão; auditorias pré/meio de safra; queda de kWh·m⁻³ com operação fora de ponta e VFD; controle de CE/SDT/RAS e drenagem para evitar salinização. Conclui-se pela adoção de um Plano de Manejo integrado à outorga e ao crédito, com modelos cooperativos e monitoramento contínuo.
Palavras-chaves: Irrigação; Eficiência Hídrica; Produtividade da Água; Automação; Sensoriamento.
Abstract
Irrigation is crucial for the competitiveness of Goiás’ agriculture, but it must balance water efficiency, environmental conservation, and basin governance. This study aimed to systematize practical guidelines and measurable goals for efficient and sustainable irrigation in the state. A narrative review was conducted with a search protocol (2012–2025) of technical and official sources, synthesizing evidence across technical, energy, institutional, and climate axes. The results indicate: targets of 85–90% CUC and 75–80% CUD for sprinkler irrigation; EU ≥90% for localized irrigation; ET₀–Kc management integrated with sensors capable of reducing the depth by 10–20% without loss of productivity; flow measurement/telemetry; pre and mid-harvest audits; kWh m⁻³ reduction with off-peak operation and VFD; CE/SDT/RAS control and drainage to prevent salinization. The conclusion is to adopt a Management Plan integrated with granting and credit, with cooperative models and continuous monitoring.
Keywords: Irrigation; Water Efficiency; Water Productivity; Automation; Sensing.
1. Introdução
A agricultura brasileira, pilar da economia e da segurança alimentar, enfrenta o desafio de sustentar e ampliar a produção sob crescente variabilidade climática. Em Goiás, polo agrícola de relevância nacional, a irregularidade de chuvas e a recorrência de veranicos típicos do Cerrado tornam a irrigação uma estratégia estruturante para estabilizar safras, reduzir riscos e elevar a eficiência no uso da terra e da água. Ao mitigar o estresse hídrico em janelas críticas do ciclo, do florescimento e enchimento de grãos, e viabilizar cultivos de inverno, a irrigação aumenta a produtividade e a previsibilidade de resultados, reforçando a competitividade regional (ANA, 2023; EMBRAPA, 2022).
Nos últimos anos, o estado tem mostrado uma rápida aceitação de sistemas de irrigação pressurizados. O pivô central tornou-se comum em grandes áreas de plantio de grãos e sementes, enquanto as técnicas de gotejamento e microaspersão cresceram em hortas e pomares de alto valor. Para 2024, o Brasil espera ter 33.846 pivôs, irrigando cerca de 2,2 milhões de hectares, com a maior parte dessa área (mais de 70%) no Cerrado. Em Goiás, rios como São Marcos e Paranaíba concentram grande parte desse sistema, o que exige cuidado constante com a segurança da água e o equilíbrio entre os diferentes usos em toda a bacia (ANA, 2023).
A centralidade da irrigação no consumo de água torna urgente um manejo eficiente e transparente. Em 2022, a irrigação respondeu por aproximadamente 50,5% das retiradas nacionais, à frente do abastecimento urbano (23,9%) e da indústria (9,4%). A sequência recente de La Niña, até o início de 2023, e posteriormente de El Niño intensificou extremos climáticos, demandando planejamento baseado em previsões sazonais, reservas estratégicas e protocolos operacionais para períodos de escassez. No Centro-Oeste, tais sinais são modulados por sistemas regionais, como a Zona de Convergência do Atlântico Sul, recomendando decisões orientadas por cenários probabilísticos e atualização mensal de informações (ANA, 2023; EMBRAPA, 2022).
Tecnicamente, o desempenho depende de indicadores e práticas já estabelecidas, como o uso de ET₀–Kc para calcular a evapotranspiração da cultura e definir quantidade e frequência de irrigação. É importante monitorar a uniformidade (CUC, CUD) e a eficiência da aplicação (Ea) além de avaliar a produtividade da água (WUE, IWP) que relaciona o uso de água e energia com o retorno financeiro.
Automação, telemetria, monitoramento de solo e clima, calibração de pressão e vazão por setor e, quando indicado, irrigação deficitária controlada tendem a elevar CUC, CUD, Ea e reduzir custos. Em ambientes planos com lençol freático raso, a prevenção de salinização e sodificação requer monitoramento de condutividade elétrica e RAS, frações de lixiviação compatíveis e drenagem adequada (EMBRAPA, 2022; ANA, 2023).
Do ponto de vista institucional, a governança é crucial. Nos corpos d’água federais, a autorização é concedida pela ANA, enquanto em domínio estadual, em Goiás, fica a cargo da SEMAD-GO. O Decreto Estadual nº 10.280/2023 regulamenta a cobrança pelo uso da água, criando incentivos econômicos que promovem a eficiência, a medição e a transparência. A harmonização entre políticas de irrigação, planos de bacia e ferramentas de conservação, APPs, recarga e controle de assoreamento, é essencial para reconciliar a competitividade agrícola com a segurança hídrica (ANA, 2023; EMBRAPA, 2022).
2. Métodos
Este Trabalho de Conclusão de Curso apresenta uma revisão narrativa sobre irrigação no Cerrado goiano, seguindo um protocolo metodológico. O estudo estabeleceu com antecedência o objetivo, as fontes de dados, o período de pesquisa, os descritores, os critérios de inclusão e exclusão, os métodos de seleção, a avaliação de qualidade e a forma de síntese dos dados. A pesquisa priorizou fontes confiáveis, como manuais de irrigação de Bernardo, Soares, Mantovani e Frizzone, a referência FAO-56, relatórios da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, publicações técnicas da Embrapa e Infoteca, bases de dados oficiais do MAPA, ZARC, IBGE e CONAB, e ainda boletins climáticos do INMET, CPTEC e INPE. Foram analisados documentos em português e inglês, publicados entre 2012 e 2025, embora obras de referência anteriores e regulamentações oficiais também tenham sido consideradas.
As pesquisas foram realizadas e atualizadas até setembro de 2025, utilizando combinações de termos e operadores booleanos, tais como: “irrigação e pivô central em Goiás”; “eficiência hídrica”; “Cerrado”; “outorga e cobrança”; “previsão sazonal”. Os registros encontrados foram importados para um software de gerenciamento bibliográfico para eliminar duplicatas, organizar por temas e controlar versões. Em seguida, a triagem ocorreu em duas etapas, com leitura de título, resumo e do texto completo, por dois revisores de forma independente. Quando surgiram divergências, buscaram consenso e, se necessário, envolveram um terceiro avaliador.
Os critérios de inclusão contemplaram pertinência ao contexto do Cerrado goiano, ou transferibilidade claramente justificada, base técnica primária, manual, relatório técnico, artigo científico ou norma e disponibilidade integral do conteúdo. Excluíram-se textos opinativos sem método explícito, duplicidades, materiais com escopo alheio ao tema e documentos sem dados verificáveis. Para avaliar qualidade e risco de viés, aplicou-se um checklist adaptado, inspirado em CASP e JBI, pontuando clareza do objetivo, adequação metodológica, consistência dos dados, completude e aplicabilidade regional. Produções institucionais e “grey literature” foram classificadas como evidência moderada e utilizadas para contextualização quando corroboradas por fontes primárias.
A extração de dados seguiu um formato padrão em fichas que incluíam: método de irrigação como pivô central e irrigação localizada, indicadores técnico-hídricos, métricas de produtividade hídrica, parâmetros de manejo, variáveis de energia e custo, requisitos de qualidade da água e aspectos de governança, outorga, cobrança e instrumentos de bacia. Para garantir a comparabilidade, unidades e notações foram padronizadas, como 1 mm·ha = 10 m³, utilização de vírgula decimal, e os custos foram convertidos para reais constantes de 2024 usando deflator oficial. Quando os estudos apresentaram resultados em formatos variados, foi feita a harmonização com regras claras, como a conversão de lâmina em volume e de custo por mm·ha para R$·m³.
A síntese adotou uma combinação de análise temática e integração quantitativa descritiva. Os resultados foram agrupados em seis áreas principais: (I) eficiência e indicadores (CUC, CUD/DU, EU, Ea, WUE, IWP, kWh·m⁻³, R$·m⁻³); (II) métodos e tecnologia como pivô central, irrigação localizada, automação, sensoriamento e VRI; (III) energia, operação de ponta, VFD, geração fotovoltaica; (IV) qualidade da água, salinização, sodificação e drenagem; (V) governança, de outorga SEMAD-GO, ANA, cobrança, comitês de bacia e (VI) clima, ENSO, ZCAS e previsões sazonais.
Para cada área, foram resumidas as evidências, limitações e sugestões de operação com objetivos mensuráveis, como CUC ≥ 85–90%; CUD ≈ 75–80%; EU ≥ 90% (bom) e ≥ 85% (aceitável), ΔP de retrolavagem 0,4–0,5 bar; desvio de vazão setorial ≤ ±5%. Os mapas e figuras foram criados usando QGIS, a malha municipal do IBGE e recortes hidrográficos da ANA, enquanto os gráficos e tabelas foram feitos em R ou Excel, mantendo os metadados e as fontes.
O processo observou normas éticas rigorosas: não foram utilizados dados pessoais, nem realizadas experiências com humanos ou animais, e não há declaração de conflitos de interesse ou financiamento externo que pudesse afetar os resultados. Reconhecem-se as limitações que são típicas de revisões narrativas, como a dependência de dados secundários, a diversidade metodológica e as lacunas regionais, como as séries longas de IWP e kWh·m⁻³ em pequenas propriedades.
Para enfrentar essas limitações, foram empregadas triangulação de fontes, avaliação rigorosa de qualidade e transparência na escolha e na harmonização dos dados. Para futuros trabalhos, sugere-se a validação em campo por bacia, com auditorias independentes de CUC/CUD/EU, monitoramento contínuo de kWh·m⁻³, R$·m⁻³ e IWP, além de estudos de caso geocodificados que liguem eficiência, custos e estruturas de governança. Com essa abordagem, o artigo garante que a metodologia é rastreável, reprodutível e aplicável ao cenário da irrigação em Goiás.
3. Eficiência Hídrica
3.1. Conceitos e Indicadores de Eficiência
Medir a eficiência da água na irrigação não depende de um único dado, mas de vários fatores que auxiliam no projeto, operação e conserto do sistema. Um fator importante é a uniformidade da aplicação, ou seja, se o sistema irriga toda a área de forma igual. Isso é avaliado pelo Coeficiente de Uniformidade de Christiansen (CUC) e pela Uniformidade de Distribuição (CUD/DU). Imagine um teste com baldes: se todos enchem de forma similar, a distribuição é boa. Em pivôs centrais, CUC entre 85% e 90% e CUD/DU entre 75% e 80% mostram que o sistema está bem regulado. Para conseguir isso, é preciso ajustar a pressão e a vazão, revisar os bicos e reguladores, e fazer avaliações antes e durante a plantação. Quando a água é distribuída igualmente, evita-se molhar excessivamente os pontos mais secos, diminuindo o desperdício de água e energia. (Bernardo; Soares; Mantovani, 2019; Frizzone et al., 2012).
Outro indicador essencial é a Eficiência de Aplicação (Ea), que representa a fração de água que permanece acessível às raízes rapidamente após a irrigação, desconsiderando perdas por vento, evaporação imediata ou escorrimento. Para verificar se a água está contribuindo para a produção, é importante distinguir entre dois conceitos, que mede a produtividade por água consumida pela planta, incluindo a chuva e a irrigação, e IWP, que se refere à produtividade em relação à água aplicada somente pela irrigação. Geralmente, melhorias nas operações e na automação se manifestam inicialmente no IWP, assim como nas despesas referentes ao volume bombeado, como kWh por metro cúbico e custo em reais por metro cúbico (Allen et al., 1998; Frizzone et al., 2012).
Na prática, o “piloto automático” do manejo é a combinação ET₀–Kc. ET₀ é a evapotranspiração de referência, quanto a atmosfera “pede” de água, calculada a partir do clima, Kc é um fator da cultura que muda conforme a fase e o tipo de cultivo. A conta, ETc = Kc × ET₀, indica a lâmina a repor. Em Goiás, com estação seca e veranicos, acertar o momento e a quantidade é decisivo para não gastar energia à toa e não lavar nutrientes do solo. Materiais da Embrapa trazem valores de Kc e planilhas que ajudam nessa rotina (Embrapa, 2022; Allen et al., 1998).
Sensores deixam esse ajuste mais fino. Tensiômetros medem a “força” que a raiz faz para puxar água e sensores capacitivos medem a umidade do solo, mostram quando irrigar e quanto aplicar. Em pivô, tecnologias como setorização, controle de velocidade e VRI, irrigação a taxa variável, permitem mudar a lâmina por “zona”, desde que existam mapas de solo e relevo e que os sensores estejam calibrados. (Frizzone et al., 2012; Embrapa, 2022).
O ambiente local enfatiza a relevância do assunto. Em 2024, o país registrava 33.846 sistemas de irrigação por pivô central, abrangendo cerca de 2,20 milhões de hectares irrigados, com mais de 70% localizados na região do Cerrado. Municípios como Cristalina, em Goiás, destacam-se como importantes centros, enquanto bacias como São Marcos e Alto Tocantins já estão enfrentando desafios. Portanto, a eficiência de cada parte deve ser acompanhada de um planejamento adequado a nível de bacia.
Em conclusão, a regulação é crucial. A Agência Nacional de Águas (ANA) concede outorgas para o uso da água em rios federais, enquanto a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (SEMAD-GO) faz isso nos rios estaduais. Em Goiás, a cobrança pelo uso da água incentiva a medição, a transparência e o uso eficiente. Integrar indicadores técnicos (CUC/CUD, Ea, WUE/IWP), custos (kWh·m³, R$·m³) e normas de gestão hídrica auxilia o produtor a decidir com mais segurança e a região a manter a disponibilidade de água a longo prazo.
3.2. Tecnologias e Práticas de Irrigação Eficientes em Goiás
Em Goiás, existem duas maneiras de irrigar que coexistem. A primeira opção é o pivô central, amplamente utilizado em extensas áreas de cultivo de grãos, sementes e fibras. A segunda é a irrigação localizada, que pode ocorrer por gotejamento ou microaspersão, sendo comum em cultivos de frutas e hortaliças, onde a precisão é fundamental.
Para o funcionamento eficaz do pivô, é essencial que a irrigação seja uniforme. Isso pode ser avaliado por meio de dois parâmetros, CUC e CUD/DU. Se você distribuir latas pela área irrigada e todas se encherem de maneira semelhante, está satisfatório. Na prática, valores elevados são buscados (CUC na faixa de 85% a 90%; CUD/DU entre 75% e 80%). Para alcançar isso, é necessário medir a pressão e a vazão, ajustar bicos e reguladores, calibrar a velocidade do equipamento e, quando aplicável, implementar irrigação de taxa variável (VRI), que altera a quantidade de água por “zona” do campo com base em mapas de solo e relevo. Realizar auditorias breves antes e durante a colheita ajuda a evitar desperdícios (ANA, 2023; EMBRAPA, 2022).
Na irrigação localizada, a água vai direto na raiz. Por isso, a eficiência costuma ser maior e a fertirrigação, nutriente junto com a água, rende melhor. O cuidado, aqui, é com entupimento, precisa filtrar a água com areia, disco ou tela, conforme o risco, e acompanhar qualidade, condutividade elétrica, salinidade, sólidos dissolvidos, sódio e presença de ferro e manganês. Um bom alvo é manter a “uniformidade de emissão” (EU) acima de 90%, ou ao menos 85% e retrolavar filtros quando a diferença de pressão bater 0,4–0,5 bar, além de fazer “flushing” nas linhas.
A tecnologia aprimora a precisão na irrigação. Estações meteorológicas e sensores de solo, como tensiômetros, capacitivos e TDR, auxiliam na determinação do momento ideal e da quantidade adequada de água a ser aplicada. Isso se baseia no cálculo de ET₀–Kc, que considera a demanda atmosférica e a fase da cultura. Em fases menos vulneráveis da planta, é possível adotar a irrigação deficitária controlada, uma estratégia que visa economizar água sem comprometer a produção. O manejo por zonas e a automação bem ajustada reduzem a sobreirrigação, resultando na economia de energia e água, e na melhoria dos indicadores técnicos e de custo, como kWh por m³ e R$ por m³ (SEMAD-GO, Decreto nº 10.280/2023; ANA, 2023; EMBRAPA, 2022; GOIÁS, 2023).
Cada método tem suas vantagens e desvantagens. A irrigação por pivô central cobre grandes áreas e é forte, mas é preciso ter cuidado com a quantidade de água retirada e o gasto de energia. Já o gotejamento usa a água de forma precisa e eficiente, porém precisa de água mais limpa, custa mais para instalar e exige manutenção constante. Para escolher entre os dois, é preciso pensar na eficiência, nos custos, na qualidade da água, na energia, no tipo de solo e no clima. Também é importante verificar as regras locais e a autorização para usar a água, que em Goiás tem um custo. Levando tudo isso em conta, os dois sistemas podem trabalhar juntos para aumentar a produção de forma responsável.
3.3. Demanda, Disponibilidade e Particularidade de Goiás
Goiás localiza-se onde se encontram bacias hidrográficas importantes do país, a exemplo do Paranaíba, Tocantins e Araguaia, e abriga sub-bacias sensíveis, como a do rio Meia Ponte, que abastece grande parte da Região Metropolitana de Goiânia. No subsolo, destacam-se os aquíferos Bambuí, de rochas calcárias, e Urucuia, de areias. Estes aquíferos funcionam como reservatórios naturais, assegurando a vazão dos rios, mesmo em períodos secos. Essa estrutura hídrica é crucial para o abastecimento urbano, a geração de energia e a expansão da atividade de irrigação. É preciso equilibrar a demanda hídrica da agricultura com a oferta dos rios e as necessidades da população, definindo objetivos por bacia (ANA, 2023).
A irrigação no estado se concentra em dois tipos de sistema. O primeiro é o pivô central, comum em grandes áreas de grãos, sementes e fibras. O segundo é a irrigação localizada, gotejamento e microaspersão, usada em frutas e hortaliças. Em 2024, o Brasil somou 33.846 pivôs e cerca de 2,20 milhões de hectares irrigados por pivô central, mais de 70% dessa área está no Cerrado. Goiás tem papel de destaque, Cristalina ficou entre os cinco municípios com maior área irrigada, aproximadamente ~69,6 mil ha. Esse crescimento pressiona bacias como São Marcos (GO/MG) e trechos do Alto Tocantins, o que pede planejamento por bacia, avaliação das vazões mínimas ao longo do ano e, quando fizer sentido ambientalmente, obras de apoio para enfrentar estiagens (ANA, 2023; Embrapa, 2022).
Imagem 1 – Bacias Hidrográficas do Estado de Goiás

Para aproveitar a água de forma adequada, a consistência e os métodos são importantes. No uso de pivôs, o princípio básico é garantir uma irrigação uniforme. Isso é avaliado por meio de dois indicadores: CUC e CUD/DU. O objetivo é alcançar valores elevados, com CUC entre 85% e 90% e CUD/DU entre 75% e 80%. Geralmente, isso depende de um planejamento adequado e de verificações fáceis: inspeções antes e durante a colheita, o teste das latas para confirmar a distribuição uniforme, a verificação da pressão na última torre e o controle da vazão por setor, mantendo uma variação máxima de ±5%. Uma aplicação mais uniforme leva à queda do desperdício de água e energia. Outro ponto importante é a eficiência de aplicação (EA), que indica a quantidade de água que fica disponível para as raízes. A manutenção preventiva e os medidores com telemetria ajudam a manter a EA alta e a garantir o uso correto da água (Embrapa, 2022; ANA, 2023).
Na irrigação localizada, a água é direcionada diretamente às raízes, resultando em uma maior eficiência de aplicação e melhorando a fertirrigação, que é a introdução de nutrientes na água. É crucial evitar obstruções, realizar uma boa filtragem utilizando areia, disco ou tela, dependendo do risco, e monitorar a qualidade da água, incluindo salinidade, sólidos dissolvidos, sódio e ferro/manganês. Além disso, é relevante medir a “uniformidade de emissão” dos gotejadores e realizar retrolavagens quando a diferença de pressão nos filtros atingir entre 0,4 a 0,5 bar, assim como “limpar” as linhas periodicamente.
Na prática da irrigação, uma orientação básica é ajustar a quantidade de água necessária (ET₀) com as características da planta (Kc). A fórmula ETc = Kc·ET₀, junto com informações de estações meteorológicas e sensores de solo, como tensiômetros, auxilia a determinar o momento e a quantidade ideal de água para irrigar, evitando o excesso. É importante analisar indicadores que relacionam técnica, custo e produtividade, como a produtividade por metro cúbico (IWP/WUE), o gasto de energia por metro cúbico e o custo por metro cúbico, junto com os índices de uniformidade. A autorização para uso da água é concedida pela SEMAD-GO, para rios estaduais ou pela ANA, para rios federais. Em Goiás, existe uma cobrança pelo uso da água, conforme o Decreto nº 10.280/2023, o que estimula a eficiência, a medição e a clareza no uso dos recursos hídricos (Goiás, 2023; ANA, 2023).
3.4. Impactos da Irrigação na Produtividade e Segurança Alimentar
A simples irrigação não assegura o sucesso financeiro na agricultura. O retorno financeiro se concretiza quando a irrigação é combinada com genéticas de plantas superiores, plantas sadias, solo fértil e um planejamento hídrico eficiente. Dentro desse sistema, os indicadores de uso da água devem estar em concordância com dados financeiros e energéticos.
É essencial distinguir duas formas de medir a produtividade da água: (1) considerando o total de água disponível para a planta, precipitação e irrigação, e (2) focando apenas na água usada na irrigação. A segunda abordagem está diretamente ligada ao custo por metro cúbico bombeado e ao consumo de energia (kWh por m³). Para comparar projetos de forma objetiva, pode-se usar a seguinte conversão: 1 mm de água aplicado em 1 hectare equivale a 10 m³ de água.
Em Goiás, o primeiro desafio costuma ser o investimento inicial (CAPEX), que inclui captação, bombas, tubulações, pivôs ou irrigação por gotejamento. Na sequência, aparecem os custos operacionais (OPEX), que são bastante afetados pelas tarifas de energia, pela demanda contratada e, principalmente, pela eficiência do sistema eletro-hidráulico, levando em conta a altura manométrica, diâmetros, perdas de carga e eficácia da motobomba. Medidas simples proporcionam ganhos rápidos: irrigar fora dos horários de pico, empregar inversores de frequência, ajustar bocais e manter pressões adequadas. Todas essas ações diminuem o consumo de kWh/m³ e o custo em reais por metro cúbico, aumentam a eficiência da irrigação, garantindo que a água permaneça nas raízes e promovem uma distribuição uniforme, onde no pivô, a meta é irrigar de maneira igual, com CUC de 85 a 90% e CUD/DU de 75 a 80%. Auditorias antes e durante a colheita, como o “teste das latas,” verificação da pressão na última torre e manter a variação de vazão por setor em até ±5% são rotinas que compensam os investimentos. Irrigar à noite pode ser benéfico, pois há tarifas e evaporação menores, desde que não interfira nas culturas e nas aplicações de defensivos (EMBRAPA, 2022).
A seleção do método ideal varia conforme o tipo de produção. Em relação a frutas e hortaliças, a irrigação por gotejamento com fertirrigação permite um manejo preciso de água e nutrientes, o que aprimora a homogeneidade e aumenta a produção por metro cúbico. Para obter esses resultados, é crucial manter a uniformidade alta dos gotejadores (idealmente acima de 90%), realizar uma filtragem eficiente e fazer a retrolavagem quando a perda de pressão nos filtros atingir 0,4–0,5 bar, além de programar a limpeza das linhas. Já em culturas de grãos, o uso de pivôs centrais orientados por dados climáticos (ET₀×Kc) e sensores de umidade minimiza perdas durante fases críticas, como a floração e o enchimento dos grãos, e oferece maior previsibilidade. Em áreas planas com lençol freático superficial, é preciso ter atenção redobrada para monitorar a qualidade da água, planejar a aplicação de uma fração de lixiviação e, se necessário, utilizar gesso e drenagem para evitar a salinização ou sodificação do solo.
A digitalização, com o uso de estações meteorológicas na propriedade, tensiômetros, sensores capacitivos, TDR, telemetria e controle, aprimora a eficácia do manejo, contanto que seja complementada com calibração, manutenção e treinamento da equipe. A energia solar associada ao bombeamento pode reduzir os custos operacionais em algumas situações, mas requer um estudo de viabilidade e um contrato de operação e manutenção (O&M) bem elaborado (ANA, 2023; EMBRAPA, 2022).
Por fim, a governança da água entra na conta. Regras de uso e outorga definem limites operacionais e influenciam custos. Medição e transparência ajudam a manter o sistema sustentável para todos produtores, cidades e rios. Quando técnica, economia e regras caminham juntas, a irrigação se torna um investimento competitivo e duradouro em Goiás.
3.5. Diretrizes de Manejo e Estudos de Caso
A irrigação eficiente depende da distribuição equilibrada de água, tanto em quantidade quanto no tempo certo. Em sistemas de pivô central, o objetivo primário é a aplicação uniforme da água, avaliada pelos coeficientes CUC e CUD. Por exemplo, um CUC entre 85% e 90% indica que a maior parte da área recebe volumes de água similares. A irrigação uniforme leva a uma resposta superior das plantas, diminui o consumo de energia por metro cúbico de água e minimiza o desperdício.
No gotejamento e na microaspersão, sistemas “localizados”, a água vai direto à raiz, por isso, a eficiência costuma ser maior. Mas há um cuidado-chave, manter os emissores limpos e trabalhando de forma uniforme. Isso pede filtragem adequada com areia, disco ou tela, conforme o caso, limpeza periódica das linhas e atenção à qualidade da água nos sais, ferro e manganês podem entupir. Como regra prática, é desejável manter a “uniformidade de emissão” acima de 90%, ou pelo menos 85% (Bernardo; Soares; Mantovani, 2019; Frizzone et al., 2012).
O planejamento da irrigação, que define o momento e a quantidade de água a ser aplicada, considera as condições climáticas e o estágio de desenvolvimento da cultura. Em geral, a evapotranspiração de referência serve como indicador da demanda hídrica do ambiente, sendo corrigida pelo coeficiente da cultura, que varia ao longo do ciclo. A capacidade de retenção de água do solo e a fração disponível para a planta também são fatores considerados. Em fases críticas, como a floração e o enchimento de grãos, recomenda-se uma gestão mais conservadora da irrigação para prevenir déficits hídricos.
Manutenção preventiva é o que sustenta bons números, antes da safra, conferir pressão na última torre, vazão por setor, estado de bicos e reguladores, e fazer o teste de uniformidade. No meio da safra, repetir as checagens e ajustar a pressão e velocidade do pivô. No dia a dia, acompanhar a perda de carga nos filtros, para saber a hora de limpar, manter a vazão setorial dentro de ±5% do planejado e programar lavagens nas linhas de gotejo (Embrapa, 2022; ANA, 2023).
Sensores são ferramentas valiosas; tensiômetros mostram o “nível de seca” do solo, enquanto sensores de umidade indicam a quantidade de água ainda presente no perfil do solo. A utilização desses dispositivos pode resultar em uma redução de 10% a 20% na lâmina de água aplicada, sem impactar a produtividade, desde que o sistema esteja devidamente ajustado e apresentando boa uniformidade. Recursos como segmentação, controle de velocidade e irrigação por taxa variável permitem a gestão da água por zona, desde que existam mapas simples de solo e relevo, além de dados climáticos confiáveis.
Em resumo, a padronização rigorosa, o planejamento adaptado ao clima e à fase da cultura, a manutenção regular e o emprego estratégico de sensores constituem um conjunto de práticas que visam a economia de água e energia, a proteção do solo e a manutenção da produtividade, que são objetivos centrais na irrigação em Goiás.
4. Irrigação e a Sustentabilidade Agrícola
4.1. Irrigação Como Vetor de Sustentabilidade
A irrigação pode fortalecer a agricultura em Goiás em três aspectos simultaneamente: ambiental, social e econômico. Contudo, isso só ocorre efetivamente com a adoção de indicadores claros e diretrizes bem definidas.
No contexto ambiental, o ideal é ter água bem distribuída e na quantidade exata. Em sistemas de pivô central, busca-se um CUC entre 85% e 90% e um CUD/DU entre 75% e 80%. Assim, quase toda a área recebe quantidades semelhantes de água, evitando tanto a falta quanto o excesso. Já em gotejamento e microaspersão, almejamos um EU acima de 90% e um CV entre 7% e 10%, o que significa que os gotejadores devem liberar volumes muito parecidos.
Para manter esses padrões, três ações são importantes: (1) filtrar a água de forma apropriada, usando filtros de areia, disco ou tela, dependendo do risco de impurezas, (2) fazer a retrolavagem quando a diferença de pressão atingir cerca de 0,4–0,5 bar e (3) limpar as tubulações.
É essencial verificar a qualidade da água, medindo CE e SDT (salinidade), RAS (sódio) e os níveis de ferro e manganês. Se a água tiver muita salinidade, é preciso usar a fração de lixiviação, que consiste em aplicar um pouco mais de água para remover o sal, além de garantir uma boa drenagem para evitar o acúmulo de sais e proteger o solo. Para completar as práticas ambientais, é crucial medir a vazão com hidrômetros, usar telemetria e respeitar as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e a Reserva Legal (ALLEN et al., 1998; FRIZZONE et al., 2012; EMBRAPA, 2022; ANA, 2023).
No aspecto social, a irrigação desempenha um papel fundamental estabilizando a oferta e a qualidade dos alimentos, além de garantir empregos rurais. Os benefícios se mantêm quando há capacitação prática e contínua para operadores e gestores, assistência técnica acessível e inclusão de pequenos e médios produtores por meio de associações coletivas, como compras conjuntas, manutenção compartilhada, instalação de estações meteorológicas e auditorias coletivas. Iniciativas de saúde e segurança no trabalho são essenciais para minimizar erros e acidentes.
E no âmbito econômico, a irrigação proporciona uma renda mais confiável, desde que as métricas técnicas se transformem em resultados financeiros. Além de monitorar CUC/CUD/Ea (eficiência de aplicação), é importante acompanhar WUE (produção por água efetivamente consumida), IWP (produção por água utilizada na irrigação), custo por metro cúbico (R$/m³) e consumo de energia por metro cúbico (kWh·m⁻³). Na questão energética, existem boas opções: geração solar, operação fora do horário de pico e utilização de inversores de frequência. A viabilidade dessas ações depende da estrutura tarifária, da altura que a água deve ser bombeada, da altura manométrica, do desempenho da bomba e de um plano de manutenção. Cada caso deve ser analisado individualmente, sempre com cálculos detalhados (EMBRAPA, 2022; BERNARDO; SOARES; MANTOVANI, 2019).
Por fim, tudo isso precisa caber dentro da “governança da água” por bacia. Isso inclui ter outorga em dia e medir o uso de forma transparente, definir metas na fazenda, como CUC 85–90%, CUD/DU 75–80%, EU ≥ 90% e metas coletivas para os períodos críticos e manter auditorias periódicas de uniformidade, pressão e vazão, com fiscalização firme onde o rio é mais sensível. A cobrança pelo uso da água, quando bem desenhada, recompensa quem é eficiente e cumpre as regras.
Considerando tudo isso, medidas definidas mais ferramentas certas mais equipe capacitada mais normas de bacia resultam em eficiência aliada à preservação do meio ambiente e à inclusão social. Isso é o que faz da irrigação um elemento de grande importância para Goiás.
4.2. Práticas Sustentáveis e Conservação de Recursos Hídricos
Para aumentar a eficiência da irrigação e assegurar o uso sustentável da água em Goiás, a atenção deve estar mais nas práticas diárias do que em equipamentos caros. Em sistemas pressurizados e pivôs centrais, três ações são cruciais: medir corretamente a vazão e o volume com hidrômetros ou telemetria, dividir a área em setores e controlar a pressão com válvulas reguladoras. Isso torna o sistema mais estável, diminui perdas nas tubulações e simplifica o trabalho diário. Ao usar a água para adubar, o ideal é dividir as doses e verificar a qualidade da solução, observando a condutividade elétrica (CE) e o pH. A filtragem correta e a limpeza regular das tubulações previnem entupimentos e desperdícios. Em agroindústrias, o reuso da água exige licença e monitoramento constante da microbiologia, CE, sólidos dissolvidos totais (SDT) e da relação de adsorção de sódio (RAS) para proteger o solo, as plantações e os aquíferos (FRIZZONE et al., 2012; BERNARDO; SOARES; MANTOVANI, 2019; ANA, 2023).
Essas ações devem estar alinhadas com a gestão hídrica nas bacias. A outorga, o enquadramento e a cobrança são ferramentas para organizar as prioridades em momentos críticos e incentivar todos a serem mais eficientes. Em rios vulneráveis, como o Meia Ponte, medir e reportar o consumo de forma transparente é fundamental para equilibrar a irrigação e o fornecimento urbano durante os períodos de seca.
É muito útil possuir um Plano de Manejo da Irrigação (PMI) em uma fazenda. Nele, descreva as fontes de água e as áreas irrigadas. Determine quando começar e parar a irrigação, usando o balanço hídrico (ET₀–Kc) e a quantidade de água no solo, considerando a água total disponível (TAW) e a parte mais fácil de usar (RAW).
Estabeleça objetivos claros, em sistemas de pivô, busque alta uniformidade, com um coeficiente de uniformidade de Christiansen (CUC) entre 85% e 90%, e uma uniformidade de distribuição (CUD/DU) entre 75% e 80%, o que indica boa distribuição da água. Em sistemas localizados, procure uma eficiência de uniformidade (EU) de pelo menos 90% ou 85% como aceitável e um coeficiente de variação (CV) dos emissores de até 7–10%, o que significa que os emissores liberam volumes similares.
Além disso, avalie a eficiência de aplicação (Ea), a produtividade da água (IWP/WUE), o consumo de energia por metro cúbico (kWh·m⁻³) e o custo da água bombeada (R$·m⁻³). Inclua também informações básicas de manutenção: verificação de bicos/reguladores e vazamentos, limpeza dos filtros quando a diferença de pressão (ΔP) atingir 0,4–0,5 bar e limpeza das tubulações. Anote a pressão, a vazão e o desvio por área (até ±5%). Tenha um plano para períodos de seca e para o reuso seguro da água (ALLEN et al., 1998; FRIZZONE et al., 2012; EMBRAPA, 2022).
Os sistemas de gotejamento e microaspersão exigem vigilância contínua sobre a consistência e a qualidade da água. Em relação aos pivôs, auditorias realizadas no começo e na metade da safra asseguram a preservação da uniformidade e a eficácia da aplicação. Caso a água apresente alta salinidade e o lençol freático esteja superficial, é necessário planejar a fração de lixiviação e drenagem, tanto na superfície quanto, se necessário, no subsolo, para prevenir problemas de salinização e sodificação (ANA, 2023; EMBRAPA, 2022).
Há desafios a serem superados como a falta de medidores e sistemas de telemetria para propriedades menores, o receio em relação à reutilização, o alto custo das válvulas reguladoras e a escassez de mão de obra qualificada para fertirrigação. A resposta é prática e colaborativa: oferecer assistência técnica contínua, documentar procedimentos simples, realizar compras e serviços de forma coletiva, além de proporcionar treinamento prático com metas e indicadores comparáveis. No final, a junção de “medição precisa + pressão constante + manutenção preventiva”, aliada à fertirrigação e à reutilização responsável, ajuda a diminuir o desperdício de água e energia, ao mesmo tempo em que melhora a competitividade da irrigação em Goiás e assegura a segurança hídrica da área.
4.3. Conservação de Recursos e Serviços Ecossistêmicos
A recarga dos lençóis freáticos pela água que penetra na terra é importantíssima para a irrigação e para termos água disponível nas bacias hidrográficas, que são as regiões por onde os rios correm. No Cerrado de Goiás, várias ações de proteção ajudam o solo a agir como uma esponja: o uso de curvas de nível e terraços bem feitos que seguram a água da chuva, o plantio direto mantendo sempre a cobertura vegetal, a alternância de plantações com espécies de raízes grandes e o cuidado com o movimento de máquinas agrícolas. Essas práticas deixam o solo mais poroso, diminuem a água que escorre pela superfície e evitam o acúmulo de areia e terra nos rios. Em pontos onde a água corre com mais força, construções simples como pequenas barragens, áreas de coleta de água, faixas de plantas e até áreas alagadas feitas pelo homem ajudam a diminuir as grandes cheias e ajudam a repor a água subterrânea. Cuidar das nascentes e recuperar as matas que ficam nas margens dos rios ajuda a firmar o solo e a deixar a água mais limpa para a irrigação e outros usos.
É necessário monitorar a qualidade da água utilizada na irrigação regularmente. Além de aferir a condutividade elétrica, CE (um indicador de salinidade), e os sólidos dissolvidos totais, SDT, é importante verificar a relação de adsorção de sódio, RAS (que mostra o potencial de o sódio dispersar o solo), o pH e alguns íons como cloreto e bicarbonato ou carbonato. Nos sistemas de gotejamento e microaspersão, a verificação de ferro e manganês (Fe/Mn) é crucial para evitar obstruções. De maneira geral, águas com CE da água, CEw, até aproximadamente 0,7–1,2 dS/m e RAS de até 6–9 costumam ser adequadas para culturas de sensibilidade moderada; se a alcalinidade for elevada, é preciso ajustar o pH para evitar que o cálcio e o magnésio se precipitem e desapareçam da solução. Em áreas de horticultura intensiva, a salinização do solo tende a ocorrer mais frequentemente quando a água é mais salina e a drenagem é insuficiente, para esses casos, é planejada uma “fração de lixiviação,” que é um pequeno excedente de água destinado à remoção de sais, além da implementação de drenagens superficiais e, se necessário, subsuperficiais. O monitoramento do solo também deve incluir a CE do extrato de saturação, CEe, e o sódio trocável (FRIZZONE et al., 2012; BERNARDO; SOARES; MANTOVANI, 2019).
Para funcionar, tudo isso precisa de rotina. Antes do plantio, análise água e solo e faça uma “revisão” hidráulica do sistema, pressões, vazões e uniformidade. Durante a safra, repita as leituras de água mensalmente e as do solo a cada dois meses nas áreas mais intensivas; ajuste lâminas e intervalos e confira filtros e a diferença de pressão (ΔP). Após a colheita, reavalie a estrutura do solo como densidade, resistência à penetração e infiltração. Onde houver risco para o aquífero, instale poços de observação para medir o nível da água subterrânea e nitrato, mantendo o lençol freático, em geral, mais fundo que 1,5–2,0 m.
A infiltração pode ser medida com métodos simples, como o anel duplo, e a capacidade de conduzir água, com estimativas de condutividade hidráulica. Esses dados devem “conversar” com o manejo climático da irrigação (ET₀–Kc): a necessidade de água da cultura (ETc) define quando irrigar e, no gotejo, quando aplicar pulsos extras só para “lavar” sais se a CEe passar do limite da cultura. Em operação, alguns gatilhos ajudam como CEe alta → programar lixiviação e conferir drenagem; RAS alta → aplicar gesso agrícola (fonte de cálcio) e, se preciso, acidificar; Fe/Mn altos → reforçar filtragem e flushing; qualquer ajuste deve refletir nas lâminas, nos turnos e nos limites dos sensores (EMBRAPA, 2022; ANA, 2023).
Dessa forma, a união entre a gestão, o padrão hídrico e o escoamento necessitam de regras claras na região, autorizações, metas, cobrança pelo uso, monitoramento remoto e controle, sobretudo em rios sensíveis como o Meia Ponte. Ao integrar tais fatores, a absorção da água se eleva, os reservatórios subterrâneos ficam protegidos, a vulnerabilidade climática diminui e a irrigação em Goiás ganha eficiência e competitividade sem prejudicar os recursos de água.
4.4. Políticas Públicas e Governança em Goiás
A água que penetra na terra e alimenta os reservatórios subterrâneos é essencial tanto para a irrigação quanto para a quantidade de água disponível nas regiões de rios, que abrangem as áreas por onde a água escoa. No Cerrado Goiano, diversas técnicas de proteção incentivam o solo a agir como uma esponja: a construção de curvas de nível e terraços bem planejados auxilia na retenção da água da chuva, o emprego do plantio direto com proteção constante do solo, a alternância de plantações com raízes extensas e o controle da movimentação de veículos agrícolas.
Tais medidas aumentam os “vãos” no solo, diminuem o escoamento pela superfície e evitam o acúmulo de sedimentos nos rios. Em áreas onde a água corre de maneira intensa, soluções básicas como pequenas barragens, fileiras de plantas e áreas alagadas criadas pelo homem ajudam a controlar os momentos de cheia e a favorecer a recarga das águas subterrâneas. A proteção das fontes de água e a restauração das florestas próximas aos rios firmam as margens e elevam a qualidade da água utilizada na irrigação e em outras atividades (FRIZZONE et al., 2012; BERNARDO; SOARES; MANTOVANI, 2019).
A qualidade da água utilizada na irrigação deve ser monitorada de forma constante. Além de avaliar a condutividade elétrica, CE, que funciona como um indicador de salinidade, e os sólidos totais dissolvidos, SDT, é importante verificar a relação de adsorção de sódio, RAS, que sinaliza o risco de o sódio dispersar o solo, o pH e alguns íons, como cloreto e bicarbonato/carbonato. Em sistemas de gotejamento e microaspersão, é fundamental observar a presença de ferro e manganês (Fe/Mn) para evitar entupimentos.
De maneira geral, águas com CE até aproximadamente 0,7–1,2 dS/m e RAS de até 6–9 são consideradas adequadas para plantas sensíveis a moderadas. Caso a alcalinidade seja alta, o pH deve ser ajustado para impedir a precipitação de cálcio e magnésio, evitando que esses elementos desapareçam da solução. Em áreas de horticultura intensiva, o solo apresenta maior risco de salinização quando a água é mais salina e a drenagem é inadequada; nestas situações, é necessário planejar uma “fração de lixiviação” (um pequeno excedente de água para remover sais) e instalar drenagem superficial, além de, se necessário, drenagem subsuperficial. O monitoramento do solo deve contemplar a CE do extrato de saturação, CEe, assim como o sódio trocável (EMBRAPA, 2022; ANA, 2023).
Para que tudo isso funcione adequadamente, é preciso ter uma rotina estabelecida. Antes do início do plantio, deve-se analisar a água e o solo, além de realizar uma “avaliação” hidráulica do sistema, verificando pressões, vazões e distribuição. Durante a época de cultivo, é importante repetir a medição da água mensalmente e as verificações do solo a cada dois meses nas áreas de maior intensidade, ajustando lâminas e intervalos, além de inspecionar os filtros e a variação de pressão (ΔP). Após a colheita, é necessário reavaliar as características do solo, como densidade, resistência à penetração e capacidade de infiltração. Em áreas com risco de afetar o aquífero, deve-se instalar poços de monitoramento para mensurar o nível de água subterrânea e nitrato, mantendo, em geral, o lençol freático a uma profundidade superior a 1,5 a 2,0 m.
A infiltração pode ser avaliada por métodos simples, como o uso de anéis duplos, enquanto a condução de água pode ser estimada por meio da condutividade hidráulica. Essas informações devem estar alinhadas com a gestão climática da irrigação (ET₀–Kc), que determina a necessidade hídrica das plantas (ETc) e indica o momento adequado para irrigar, além de indicar quando é necessário dar pulsos adicionais no gotejamento para “lavar” sais caso a CEe ultrapasse o limite permitido para a cultura. Durante a operação, alguns indicadores são úteis: se a CEe estiver elevada, é recomendado programar a lixiviação e verificar se há drenagem adequada; quando o RAS estiver alto, a aplicação de gesso agrícola pode ser necessária e, se for o caso, acidificação; se os níveis de Fe/Mn estiverem altos, é importante melhorar a filtragem e realizar flushing; qualquer modificação deve ser refletida nas lâminas, nos turnos e nos limites dos sensores (ANA, 2023).
Para concluir, a combinação de manejo, qualidade e drenagem também requer diretrizes bem definidas na bacia: concessão, objetivos, tarifação pelo uso, monitoramento e supervisão, principalmente em cursos d’água delicados como o Meia Ponte. Quando todos esses elementos se harmonizam, a infiltração melhora, os aquíferos são preservados, a exposição às variações climáticas é reduzida e a irrigação em Goiás torna-se mais eficaz e competitiva, sem comprometer os recursos hídricos.
4.5. Integração Tecnológica e Transição Energética
A irrigação em Goiás está se tornando mais eficiente devido às inovações digitais. Sensores instalados no campo, junto com telemetria, transmissão automática de informações, painéis de controle acessíveis remotamente e software que auxilia nas decisões, possibilitam monitorar, em tempo real, três aspectos essenciais: pressão nas tubulações, fluxo de água e a quantidade usada, ou seja, a água que chega ao solo. Isso possibilita corrigir falhas imediatamente e melhora indicadores cruciais:
- CUC/CUD (uniformidade): como a água se distribui no terreno;
- Ea (eficiência na aplicação): quanto da água efetivamente atinge as raízes.
Esses modelos empregam “fórmulas de ETc”. Explicando: ETc reflete a demanda hídrica da plantação (ETc = Kc × ET₀). ET₀ é a evapotranspiração de referência, o volume de água evaporada e transpirada pela planta em condições ideais, enquanto Kc é um índice que adapta esse valor à cultura e estágio de desenvolvimento. Unindo ETc a previsões meteorológicas locais, o modelo atinge precisão: irrigação no momento certo, na dose exata, otimizando água e energia e gerando dados para auditorias e conformidade legal (EMBRAPA, 2022; ANA, 2023).
Para que os resultados sejam percebidos, é fundamental estabelecer uma “linha de base” e alguns indicadores-chave simples por área:
- Uniformidade: CUC entre 85–90% e CUD/DU entre 75–80%.
- Custo/energia por água bombeada: kWh por m³ e R$ por m³ (medir antes e depois das melhorias).
- Produtividade por água: IWP (por água aplicada) e WUE (por água consumida).
- Operação: desvio de vazão por setor até ±5%; filtros com retrolavagem quando a diferença de pressão (ΔP) chegar a 0,4–0,5 bar.
Um sensor eficaz é aquele calibrado. Realize anualmente a “curva solo–sensor” e, mensalmente, faça checagens com amostras de solo. Procure por erros menores que ±3% para umidade e ±5 kPa para os tensiômetros. É importante também auditar o sistema antes e durante a safra, avaliando pressão, vazão e CUC/DU (EMBRAPA, 2022; FRIZZONE et al., 2012).
É crucial que a infraestrutura digital seja sólida, com sensores que se conectam a dataloggers, como se fossem “pendrives inteligentes” no local e, em seguida, à nuvem. Caso a conexão com a internet seja interrompida, o sistema tem a capacidade de armazenar os dados por um período de 30 a 60 dias. Redes como LoRa/NB-IoT ou redes Wi-Fi rurais são opções viáveis para garantir a conectividade. É importante estabelecer claramente a quem pertencem os dados, quem tem permissão para acessá-los, como os backups serão realizados e como os registros de auditoria serão mantidos.
É fundamental que os avisos gerem atitudes efetivas, como, por exemplo, uma pressão que ultrapasse os limites seguros, uma variação de pressão (ΔP) do filtro acima de 0,5 bar, uma evapotranspiração da cultura (ETc) muito alta em dias de calor intenso, ou uma queda na velocidade de envio de dados. Cada aviso precisa vir com um manual com o passo a passo das ações, e o que foi feito deve ser anotado para que o sistema seja sempre melhorado. A energia também é muito importante. Juntar a produção de energia solar com um inversor de frequência, controlar a velocidade da bomba e usar a energia fora dos horários de maior consumo pode reduzir bastante os gastos com o bombeamento. Se essa opção é boa ou não depende do preço da energia, da altura que a água precisa ser bombeada, do quão boa é a bomba, da manutenção e da sujeira nos painéis. Faça uma análise econômica simples e teste várias possibilidades (ANA, 2023; EMBRAPA, 2022).
Embora o começo envolva custos, a internet pode ser instável no campo e a equipe precisa ser qualificada, é possível contornar esses problemas. Uma opção é financiamento que já inclua os sensores e a manutenção. Outra é comprar e usar equipamentos em conjunto com outros produtores. Também ajudam estações meteorológicas compartilhadas e dados enviados automaticamente para os órgãos responsáveis, como relatórios mensais na seca e a cada dois meses na chuva. No fim, juntar a tecnologia digital com a energia solar, fazendo os ajustes certos e acompanhando os resultados, transforma dados em decisões inteligentes. Isso aumenta a produção, economiza água e energia, e garante água para todos de forma mais segura.
5. Desafio de Implementação a Adotabilidade
5.1. Estruturas de Custos e Viabilidade Econômica
A irrigação é essencial para a competitividade do setor agrícola em Goiás, mas enfrenta dois desafios principais: o elevado custo inicial, que abrange a captação, bombas, tubulações, equipamentos de aplicação e, cada vez mais, a automação, além das despesas contínuas de operação, como energia elétrica, manutenção e substituição de peças. Essa situação afeta especialmente os pequenos e médios agricultores, aumentando a desigualdade tecnológica em relação às grandes propriedades.
Para que a irrigação seja financeiramente vantajosa, é crucial analisar os lados técnico e econômico da questão. No que se refere ao lado técnico, o foco principal deve ser uma irrigação que espalhe a água de forma correta e balanceada. Em sistemas de pivô central, os Coeficientes de Uniformidade de Distribuição (CUC) ideais ficam entre 85% e 90%, e as taxas de Distribuição Uniforme e Cuidados de Distribuição (DU/CUD) ficam entre 75% e 80%, o que significa que a água deve cobrir toda a área plantada de modo uniforme. A eficiência na aplicação também é muito importante, pois mede a quantidade de água que realmente chega até as raízes das plantas. Já em relação ao lado econômico, é importante que o produtor rural fique de olho na produtividade conforme a água utilizada, nos gastos de energia por metro cúbico bombeado e nos custos totais por metro cúbico. Para quem está começando, é bom fazer uma análise do retorno financeiro e simular diferentes situações de preços de energia e níveis de produtividade (EMBRAPA, 2022; ANA, 2023).
Qual o caminho para colocar isso em prática? O primeiro passo é criar um “ponto de partida” para cada área de plantio, fazendo um diagnóstico do cenário presente, e definindo referências fáceis de usar para análises posteriores, como CUC, DU, Ea, IWP, kWh/m³ e R$/m³. No dia a dia, acompanhe o volume de água que passa em cada parte do sistema, aceitando uma variação máxima de ±5%, programe a limpeza dos filtros quando a pressão aumentar entre 0,4 e 0,5 bar e use aparelhos que medem a umidade do solo, como tensiômetros ou sensores capacitivos, para saber o momento certo de irrigar, de acordo com o que as plantas realmente precisam, usando a fórmula ETc = Kc × ET₀, ou seja, calculando a necessidade de água das plantas com base no tipo de cultura e na evapotranspiração de referência.
Energia é outro eixo importante. Geração solar, inversor de frequência na bomba e operar fora do horário de ponta costumam reduzir a conta. Mas a economia depende de tarifa, altura que a água precisa subir, curva da bomba e rotina de manutenção, por isso, apresente sempre resultados como estudos de caso, mostrando as premissas e o ganho real em kWh/m³, R$/m³ e IWP. Não subestime os “ajustes baratos”: corrigir pressão de trabalho, calibrar bocais, dividir o sistema em setores e ajustar a velocidade do pivô muitas vezes rende mais que trocar equipamento (ANA, 2023; EMBRAPA, 2022).
Para impulsionar a adesão, algumas medidas são cruciais como linhas de crédito atreladas ao desempenho na eficiência hídrica, que apoiem a formação, a medição remota e a manutenção preventiva. Um roteiro de gestão da irrigação objetivo e acessível, com foco na otimização da aplicação e no uso da água. E a fiscalização constante das licenças, por meio de dados sobre a quantidade de água utilizada. Ao empregar a tecnologia corretamente, estabelecer diretrizes claras e integrar os pequenos agricultores, a irrigação tem o potencial de transformar água e energia em produção, preservando os recursos hídricos.
5.2. Acesso à Tecnologia, Assistência e Infraestrutura
Em Goiás, a irrigação tem um papel crucial para assegurar a colheita, só que os pequenos produtores rurais quase sempre esbarram em barreiras para usar tecnologias novas. O preço dos aparelhos de ponta, o amparo técnico especializado indispensável e a conservação permanente representam um grande problema financeiro, sobretudo para quem não ganha muito, como é o caso da agricultura familiar. Isso gera uma diferença grande no ramo: as propriedades extensas aplicam dinheiro em medidores, sistemas automáticos e programas de computador de última geração, enquanto as áreas menores seguem com práticas ultrapassadas, que gastam mais água e eletricidade, culminando em uma produção inferior.
Uma solução viável é a colaboração entre os produtores. A criação de cooperativas, associações ou grupos informais facilita a compra conjunta de equipamentos, a contratação de serviços de manutenção compartilhados e a organização de treinamentos coletivos. Essa abordagem não só diminui os custos, mas também melhora o acesso a peças de reposição e serviços, além de promover a adoção de práticas recomendadas. Em regiões como Cristalina e Rio Verde, onde já existem iniciativas de compra coletiva de insumos, é possível expandir esse modelo para a irrigação, incluindo auditorias de uniformidade em sistemas de pivô e gotejamento, a substituição de bicos e reguladores, a limpeza de filtros, a calibração de sensores e a oferta de cursos rápidos e frequentes (ANA, 2023; EMBRAPA, 2022).
Para funcionar, porém, é preciso “estrada de apoio”: disponibilidade de peças na região, técnicos capacitados e internet rural minimamente estável. Muitos produtores relatam dificuldade de manter sensores de solo e estações meteorológicas por falta de conectividade e custos de manutenção. Políticas públicas que levem internet ao campo e reforcem redes locais de assistência técnica são, portanto, parte da solução (FERNANDES et al., 2021).
A capacitação tem um impacto imediato. Treinamentos práticos sobre como avaliar a necessidade hídrica das plantas, utilizando tensiômetros, como determinar o volume de irrigação e como interpretar previsões meteorológicas costumam reduzir a quantidade de água desperdiçada de maneira significativa. Ferramentas como planilhas simples e aplicativos intuitivos ajudam a decidir o momento de ligar o sistema de irrigação e a quantidade a ser aplicada, de forma simples (ANA, 2023; EMBRAPA, 2022).
Mesmo com alguns obstáculos, como a hesitação em formar grupos por receio de perder a independência, o desconhecimento de recursos digitais e a necessidade constante de crédito e apoio técnico, disseminar ações eficazes entre os pequenos e médios produtores é crucial. Utilizar a água de forma consciente alivia a demanda sobre rios e fontes subterrâneas, e um bom manejo diminui a aplicação exagerada de fertilizantes e o perigo de o solo se tornar salino. Em outras palavras, ao integrar a união dos produtores, auxílio especializado, acesso à internet e opções de crédito que englobem capacitação e conservação, a tecnologia se converte em produção, de uma maneira mais equilibrada, eficaz e que respeita o meio ambiente.
5.3. Capacitação, Extensão e Gestão do Risco
Aprimorar continuamente o conhecimento de quem opera e administra sistemas de irrigação é crucial para poupar água e energia, sem afetar a produção. Em Goiás, iniciativas da Emater/GO e da Embrapa Cerrados mostram que treinamentos rápidos, práticos e constantes ao longo do ano se tornam hábito: menos desperdício, menos erros e maior segurança na operação, algo essencial em áreas com muitos pivôs centrais, como Cristalina e Rio Verde (EMBRAPA, 2022).
Para que o treinamento gere resultados reais, o programa deve começar com metas bem definidas e métodos de avaliação claros. Uma sugestão simples: encontros trimestrais (4 a 8 horas) e “consultorias de campo” antes e durante a safra.
- Para operadores: aprender a ler manômetros e hidrômetros, pressão e vazão, conferir a vazão por setor, entender quando irrigar e quanto aplicar, usando a ideia de ETc = Kc × ET₀, isto é, “quanto a cultura está pedindo de água”, inspecionar bicos e reguladores e cuidar da segurança elétrica e hidráulica, travamento de energia e uso de EPIs.
- Para gestores: acompanhar indicadores simples e úteis, produtividade por metro cúbico de água (IWP), energia por metro cúbico (kWh/m³) e custo por metro cúbico (R$/m³), planejar cenários de seca e de energia, organizar contratos de manutenção e manter a documentação de outorga e telemetria em dia.
Para evitar julgamentos precipitados, é útil ter diretrizes claras. É o caso dos POPs (procedimentos operacionais padrão). Num sistema de pivô central, por exemplo, busca-se “irrigar de maneira uniforme”: manter uma uniformidade elevada (CUC entre 85 e 90% e CUD entre 75 e 80%), pressão adequada na última torre, variação de vazão entre setores de até ±5% e inspeções rápidas antes e durante o ciclo. Já em sistemas de gotejamento/microaspersão, o importante é garantir que os emissores permaneçam limpos e consistentes (EU ≥ 90% é o ideal), realizar uma boa filtragem, fazer a retrolavagem quando a queda de pressão no filtro atingir 0,4–0,5 bar e agendar a limpeza das tubulações. No caso da fertirrigação, o controle da CE e do pH previne obstruções e o uso excessivo de recursos (EMBRAPA, 2022).
Também é importante treinar “o que fazer em situações críticas”: seca prolongada, falta de energia, falha na bomba, água fora dos padrões. Ter um plano com prioridades de áreas, volume mínimo em reservatórios de apoio, horário de bombeamento fora de ponta e uso de inversor de frequência (VFD) para ajustar a vazão e pressão minimiza danos e acelera a recuperação. Acompanhar poucos indicadores, mas de forma consistente, ajuda: cumprimento dos POPs, tempo médio de resposta a alarmes, e a evolução de kWh/m³ e IWP a cada safra (ANA, 2023; EMBRAPA, 2022).
Para finalizar, descomplicar o dia a dia de quem labuta na lavoura é crucial. Recorrer a recursos acessíveis, como vídeos explicativos rápidos e manuais práticos, além de usar dispositivos de coleta de dados capazes de guardar informações mesmo sem sinal de internet e redes de rádio de grande alcance para telemetria, diminui bastante a dependência da conectividade. Grupos de produtores ou associações podem, por sua vez, disponibilizar serviços coletivos, como inspeções de padronização, aferição de sensores e manutenção com padrões de qualidade assegurados, rateando os gastos.
Dessa maneira, apostar em formação constante, conhecer a fundo as etapas fundamentais e prever imprevistos permite otimizar o uso da irrigação, poupando água e eletricidade, diminuindo erros e assegurando a regularidade da colheita, o que traz benefícios tanto para o bolso do produtor rural quanto para a preservação dos recursos hídricos na região.
5.4. Legislação, Outorga e Regularização Ambiental
Colocar os projetos de irrigação em dia vai muito além de burocracia, isso oferece proteção legal ao agricultor e assegura que a água seja utilizada de forma consciente, sem afetar os demais usuários a jusante. Em Goiás, essa regularização se apoia em quatro pilares: (1) a outorga, que é a permissão formal para retirar água; (2) o licenciamento ambiental, que comprova que o projeto não causa impactos negativos; (3) o CAR, que é o registro da propriedade rural; e (4) a observância das áreas de preservação permanente (APPs) e da Reserva Legal. Quando esses elementos estão alinhados, o produtor tem mais previsibilidade, regras transparentes e evita imprevistos (ANA, 2023; GOIÁS, 2023).
A outorga é a peça-chave, define a quantidade, o período e a origem da água a ser utilizada. Em bacias sensíveis, como a do rio Meia Ponte, essencial para Goiânia, há planos de contingência para a seca, onde todos reduzem a captação para priorizar o abastecimento humano. Para aumentar a justiça e a segurança, novas outorgas podem ter gatilhos simples, se o nível do rio baixar de um limite X, a regra Y é ativada, como redução temporária, uso de reservatórios extras ou rodízio de horários.
Licenciamento e CAR completam o quadro, verificam se a captação e as tubulações respeitam as áreas de preservação e se não haverá desmate irregular. A ideia é que os sistemas do governo conversem entre si (SEMAD-GO e Portal Ambiental), automatizando checagens básicas e mostrando ao produtor, em tempo real, em que etapa está o processo (SEMAD-GO, 2025).
A clareza é fundamental. O ideal seria que cada local de coleta medisse tanto a quantidade quanto a intensidade da água, sempre que viável, utilizando sistemas remotos que informem diretamente o órgão responsável. Isso reduz desentendimentos e ajuda os grupos de bacias hidrográficas a decidirem usando informações concretas. Um sistema de informações aberto por bacia seria de grande valia, mostrando o tempo gasto para analisar as solicitações, os requisitos mais comuns, os locais monitorados remotamente, os gráficos de fluxo de água, os avisos de falta de água e as metas de bom uso. Tudo isso mantendo a discrição dos dados e a possibilidade de verificação.
Para otimizar despesas e evitar retrabalho, é aconselhável usar listas de verificação claras, personalizadas para cada tipo e tamanho de captação. Em poços de aquíferos delicados, como o Bambuí, com suas rochas calcárias, exija logo de cara um teste de bombeamento e o monitoramento do nível da água. Para o pequeno produtor, um serviço centralizado com formulários pré-definidos, guias fáceis, suporte misto (presencial e online) e um acordo para regularização guiada soluciona boa parte da questão (ANA, 2023; GOIÁS, 2023).
Para concluir, a taxa estadual pelo uso da água, que já possui regulamentação, pode se tornar uma forte ferramenta para impulsionar a eficiência se vier acompanhada de estímulos. Por exemplo, oferecer abatimentos para aqueles que demonstrarem automonitoramento, telemetria em tempo real e auditorias regulares do sistema, e também dar prioridade no acesso a linhas de crédito para quem estabelecer metas claras de performance, como a redução no consumo de energia e nos custos por metro cúbico bombeado.
Simplificando, estar em conformidade com a lei não é um obstáculo, mas sim um diferencial no mercado. Com uma autorização técnica ágil, licenciamento unificado, Cadastro Ambiental Rural (CAR) e Áreas de Preservação Permanente (APPs) regularizados, medição precisa e regras flexíveis de acordo com cada bacia hidrográfica, a irrigação em Goiás se desenvolve de forma eficiente, com colaboração e respeito ao meio ambiente, diminuindo os perigos para o agricultor e fortalecendo a segurança hídrica para toda a população.
5.5. Fatores Climáticos e Segurança Hídrica
No coração de Goiás, o clima do Cerrado é notavelmente instável. Embora fenômenos globais como El Niño e La Niña modulem os padrões de chuva, na região, esses efeitos são suavizados por sistemas locais, com destaque para a ZCAS, uma extensa faixa de nebulosidade que, quando ativa, traz consigo precipitações abundantes, e pelas condições predominantes no oceano Atlântico. Consequentemente, durante um mesmo evento El Niño, Goiás pode experimentar volumes de chuva próximos à média, inferiores ou até mesmo superiores a ela; em situações de La Niña, observa-se uma alteração na frequência das pancadas de chuva, com variações significativas de um local para outro. Diante disso, em vez de se ater a regras inflexíveis, a gestão da irrigação deve se basear em cenários probabilísticos, atualizando as previsões mensalmente (INMET, 2024; CPTEC/INPE, 2025).
Como se adaptar na prática:
- Diversificar fontes de água: A combinação da captação em rios/reservatórios com a utilização de poços pode aumentar a segurança hídrica. No Aquífero Bambuí (caracterizado por rochas calcárias), é fundamental realizar testes no poço, monitorar o nível da água ao longo do tempo e verificar a qualidade da água para evitar a exploração excessiva e insustentável.
- Armazenamento de água: A utilização de reservatórios de apoio auxilia na superação dos períodos de estiagem, mas requer a obtenção de licenças e o estabelecimento de regras claras de operação para os períodos de seca.
- Escalonar o plantio: Espalhar as datas de semeadura evita pico de bombeamento e casa fases mais sensíveis das culturas com janelas de clima mais previsíveis.
- Utilização das previsões sazonais: Os boletins oficiais fornecem informações sobre a probabilidade de a estação ser mais seca, normal ou mais úmida. Com base nessas informações, ajuste as lâminas e os turnos de irrigação.
Em situações de aumento do risco de seca, adote medidas simples:
- Rios e reservatórios: adote faixas A/B/C de alerta. Quanto mais baixo o nível, maior a redução temporária da lâmina e mais rígido o rodízio por setores, priorizando áreas em fase crítica da cultura.
- Poços: se o nível baixar além de um limite combinado, reduza a vazão, alterne poços e evite bombear nos horários mais caros da energia.
- Irrigação: em ondas de calor, encurte os intervalos entre irrigações e confira a pressão para manter a boa distribuição de água no campo.
- Energia: sempre que possível, opere fora do “horário de ponta”; inversores de frequência e, quando fizer sentido econômico, painéis solares ajudam a reduzir custos.
Para finalizar, é vital ter uma gestão eficaz e total clareza: atrele o projeto às permissões e autorizações logo no começo, use métodos de avaliação/monitoramento remoto e divulgue informações resumidas por área de rio. Ao adotar diferentes fontes de água sob vigilância, guardar água seguindo normas bem definidas, planejar o plantio por etapas e administrar com base em estimativas, a irrigação em Goiás se fortalece, gasta menos água e impede a sobrecarga das fontes naturais.
5.6. Riscos Agronômicos: Salinização, Drenagem e Qualidade da Água
A irrigação em terrenos planos com nível freático próximo à superfície pode levar ao acúmulo de sais no solo, um processo chamado salinização. Se o sódio (Na⁺) se torna o elemento dominante, desestruturando o solo, chamamos isso de sodificação. Ambas as situações dificultam a absorção de água, prejudicam a ventilação das raízes e diminuem a produtividade. O risco aumenta ao irrigar com água em excesso, ao utilizar água já naturalmente mais salgada ou quando a drenagem é inadequada, o que facilita a ascensão da água por capilaridade, levando sais para a camada superficial (AYERS; WESTCOT, 1985; EMBRAPA, 2022; ANA, 2023).
Como identificar precocemente:
- Água de irrigação: avalie a salinidade (CE, uma espécie de “teste elétrico” que quantifica os sais), o pH e os principais íons (cálcio, magnésio, sódio, cloreto e bicarbonato/carbonato). A RAS (relação de adsorção de sódio) sinaliza o perigo de excesso de sódio. Em culturas intensivas (hortaliças, irrigação por gotejamento), monitore a cada 1–2 meses.
- Solo: determine a salinidade do solo (CEe), o pH e o sódio trocável (ESP/PST) nas profundidades de 0–20, 20–40 e 40–60 cm, antes e depois de cada colheita, sempre nas mesmas áreas para comparação.
- Nível freático: instale poços de observação; o ideal é que o nível fique abaixo de 1,5– 2,0 m. Faça leituras mensais (semanais em períodos de seca).
Como manejar para evitar o problema:
- Distribua a Água de Maneira Uniforme: Em sistemas de pivô central, busque uma alta uniformidade e opere na pressão correta. Em sistemas de gotejamento, assegure uma boa filtragem e realize limpeza das tubulações regularmente. Isso previne áreas com excesso de água, onde o sal se acumula e áreas com falta.
- Irrigue Com a Quantidade Certa: Utilize o balanço clima–cultura (ET₀–Kc) como guia, ele calcula quanto a planta consumiu e ajuda a decidir a quantidade de água e a frequência. Com nível freático elevado, redobre a atenção para não saturar o solo.
- Faça Lixiviação Apenas Com Saída Para os Sais: Lavar o solo, aplicar uma camada extra de água para empurrar o sal para baixo, só funciona se houver drenagem. Em geral, frações de lixiviação moderadas de 10–20% da quantidade normal, resolvem muitos casos, no gotejamento, é possível fazer aplicações específicas e verificar se a CE do solo diminuiu.
- Assegure a Drenagem: Na superfície, use valetas, terraços e saídas d’água; no subsolo, utilize drenos quando necessário. O objetivo é manter o nível abaixo de 1,5–2,0 m na fase de crescimento.
- Realize a Correção Química Quando Houver Excesso de Sódio: A gessagem fornece cálcio, que remove o sódio dos pontos de troca; em seguida, é preciso lixiviar para eliminar esse sódio. Se a água tiver muito bicarbonato, uma leve acidificação impede que o cálcio precipite e potencializa o efeito.
- Ações Que Ajudam Muito: cobertura do solo para diminuir a evaporação e a ascensão de sais, combinação de fontes de água quando uma delas for mais salina, escalonamento das irrigações para evitar picos, rotação com culturas de raízes profundas que aprimoram a porosidade.
Afinal, qual a vantagem? Desconsiderar a gestão da salinidade e do sódio tem um preço alto: menor rendimento, despesas maiores com produtos para correção e, em casos extremos, terrenos que se tornam improdutivos. Em contrapartida, um conjunto de ações como o acompanhamento constante, irrigação uniforme, escoamento adequado, lavagem do solo bem pensada e aplicação de gesso quando necessário, prolonga a utilidade do sistema, diminui o consumo de água e eletricidade por volume produzido e impede que a questão se agrave na região. Unir todas essas práticas ao seu planejamento de irrigação, com anotações fáceis, medições remotas sempre que possível e inspeções regulares, é uma atitude inteligente para a lavoura e representa sustentabilidade de verdade.
6. Considerações Finais
Os dados analisados neste estudo mostram que a irrigação se tornou fundamental para a agricultura em Goiás, trazendo estabilidade à produção, permitindo prever as colheitas e aumentando a competitividade em um cenário de chuvas irregulares e secas. No entanto, esses benefícios só se mantém se a irrigação considerar três aspectos essenciais: (I) uso eficiente da água e energia: para produzir mais com cada metro cúbico de água, reduzindo custos e impactos ambientais; (II) cuidado com o meio ambiente: protegendo o solo, rios e aquíferos e (III) gestão com participação de todos: planejando por bacia hidrográfica, garantindo a transparência e diminuindo conflitos entre os diferentes usos da água. Essa combinação garante a produção no presente e a disponibilidade de água no futuro (ANA, 2023; EMBRAPA, 2022).
Observamos um grande avanço no uso de sistemas de irrigação modernos, como a irrigação por gotejamento e a automação baseada nas necessidades das plantas e nas informações do solo, principalmente em regiões como Cristalina e Rio Verde. O uso de tecnologias como telemetria, controle remoto e a calibração dos equipamentos melhorou o aproveitamento da água e diminuiu o desperdício. Ao mesmo tempo, a produção de energia solar distribuída, junto com boas práticas de uso da água, horários de menor consumo de energia, equipamentos que economizam energia e um bom planejamento da parte elétrica e hidráulica, ajuda a reduzir os custos e a poluição, dependendo da situação de cada propriedade (FERNANDES et al., 2021; ANA, 2023; EMBRAPA, 2022).
Ainda existem problemas importantes: os custos iniciais são altos, é preciso fazer manutenções preventivas com profissionais qualificados, faltam trabalhadores e os processos para conseguir autorização para usar a água são demorados e incertos, o que afeta principalmente os pequenos e médios produtores. Em rios com pouca água, como o Meia Ponte, a falta de fiscalização aumenta os conflitos entre o uso da água para as cidades, para a agricultura e para a proteção do meio ambiente, mostrando a necessidade de criar regras mais rápidas e transparentes (ANA, 2023; CBH MEIA PONTE, 2024).
Com base nisso, sugerimos, para os próximos dez anos, um conjunto de ações e políticas: (a) oferecer cursos e treinamentos contínuos para quem trabalha com irrigação, ensinando a usar as informações das plantas e do solo, a verificar os equipamentos, a garantir a segurança e a gerenciar a produção com indicadores; (b) oferecer crédito para quem investir em irrigação eficiente, incluindo a compra de equipamentos de telemetria, a manutenção dos equipamentos e a capacitação dos trabalhadores, com metas de economia de água; (c) garantir a transparência e o controle do uso da água, com hidrômetros e informações digitais integradas ao sistema de autorização, com painéis de controle por bacia hidrográfica; (d) integrar a irrigação aos planos de cada bacia, conciliando a expansão da área irrigada com a proteção das áreas de preservação, as regras para períodos de seca e o armazenamento estratégico de água, usando informações sobre o clima; (e) criar modelos de cooperativas para compartilhar serviços e reduzir os custos para os produtores (ANA, 2023; EMBRAPA, 2022).
Na parte técnica e ambiental, o Plano de Manejo da Irrigação (PMI) deve ter como metas melhorar o aproveitamento da água, usar as informações das plantas e do solo para o manejo da irrigação, cuidar da qualidade da água verificando a quantidade de sais, fazer a drenagem do solo e evitar problemas de salinização com a lavagem do solo, o uso de gesso e a drenagem.
Em áreas planas com água subterrânea perto da superfície, a prevenção é fundamental para evitar custos e perdas na produção (EMBRAPA, 2022). As mudanças no clima causadas por fenômenos como o El Niño e o La Niña exigem um planejamento com diferentes cenários, com previsões atualizadas mensalmente, ações a serem tomadas nos reservatórios, uso alternado de poços e ajustes na quantidade de água a ser aplicada nas plantas durante as ondas de calor, priorizando as fases mais importantes do desenvolvimento das culturas (INMET, 2024; CPTEC/INPE, 2025; ANA, 2023).
Para concretizar as orientações, algumas sugestões de objetivos são propostas: (1) alcançar ≥ 80% dos sistemas verificados com IUC ≥ 85% em cinco anos; (2) atingir ≥ 70% das operações com telemetria em uso; (3) diminuir entre 10–20% o kWh·m⁻³ e a lâmina média em áreas com automação/sensores e POs estabelecidos; (4) aumentar a cada ano a oferta de treinamento (horas/operador) e a participação em serviços colaborativos; (5) juntar o PMI à concessão e ao licenciamento, com verificações antes e durante a colheita (ANA, 2023; EMBRAPA, 2022).
Para que Goiás se destaque na irrigação eficiente, é crucial combinar tecnologias avançadas, normas bem definidas e uma administração que valorize a colaboração e o engajamento dos produtores rurais. Ao harmonizar a produção, a disponibilidade hídrica e a preservação ambiental, e ao integrar pequenos e médios agricultores através de serviços coletivos e crédito voltado a resultados, o estado demonstra seu compromisso com a excelência, a inclusão social e a sustentabilidade, preparando-se para os desafios impostos pelas alterações climáticas e pelas demandas do mercado (ANA, 2023; EMBRAPA, 2022; CBH MEIA PONTE, 2024; INMET, 2024; CPTEC/INPE, 2025).
7. Referências Bibliográficas
AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS E SANEAMENTO BÁSICO (ANA). ANA lança mapeamento com dados atualizados sobre agricultura irrigada por pivôs centrais no Brasil. Brasília: ANA, 2023. Disponível em: https://bit.ly/mapeamentocomdadosatualizados. Acesso em: 28 ago. 2025.
AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS E SANEAMENTO BÁSICO (ANA). Atlas Irrigação – Uso da Água na Agricultura Irrigada. Brasília: ANA, 2021. Disponível em: https://www.ana.gov.br/atlasirrigacao/. Acesso em: 05 ago. 2025.
ALLEN, R. G.; PEREIRA, L. S.; RAES, D.; SMITH, M. Crop Evapotranspiration: Guidelines for computing crop water requirements (FAO Irrigation and Drainage Paper 56). Rome: FAO, 1998. Disponível em: https://www.fao.org/3/x0490e/x0490e00.htm. Acesso em: 14 set. 2025.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 14244: Equipamentos de irrigação mecanizada — Pivô central e lateral móvel providos de emissores fixos ou rotativos — Determinação da uniformidade de distribuição de água. Rio de Janeiro: ABNT, 1998. 11 p. Disponível em: https://bit.ly/Equipamentosdeirrigaçãomecanizada. Acesso em: 16 ago. 2025.
BARBOSA, N. da S. et al. Modelo hidrogeológico conceitual do Sistema Aquífero Urucuia centro-ocidental, Brasil. Águas Subterrâneas, v. 31, n. 1, p. 1–19, 2017. DOI: 10.14295/ras. v31i1.28524. Disponível em: https://aguassubterraneas.abas.org/asubterraneas/article/view/28524. Acesso em: 18 ago. 2025.
BERNARDO, S.; MANTOVANI, E. C.; SILVA, D. D.; SOARES, A. A. Manual de Irrigação. 9. ed. Viçosa: Editora UFV, 2019. 545 p. Disponível em: https://www.editoraufv.com.br/manual-de-irrigacao-9-edicao-editora-ufv/p. Acesso em: 28 ago. 2025.
BRASIL. Lei nº 14.300, de 6 de janeiro de 2022. Institui o marco legal da microgeração e minigeração distribuída. Brasília: Presidência da República, 2022. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2022/lei/L14300.htm. Acesso em: 28 ago. 2025.
CONFEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DO BRASIL (CNA). CNA destaca importância da irrigação em evento da ANA. Brasília: CNA, 2023. Disponível em: https://bit.ly/importânciadairrigaçãoemeventodaANA. Acesso em: 16 ago. 2025.
CPTEC/INPE – CENTRO DE PREVISÃO DE TEMPO E ESTUDOS CLIMÁTICOS. Monitoramento do ENOS (El Niño–Oscilação Sul) e previsões sazonais. Cachoeira Paulista: INPE, 2025. Disponível em: https://enos.cptec.inpe.br/. Acesso em: 18 ago. 2025.
EMBRAPA. Agricultura irrigada no Cerrado: subsídios para o desenvolvimento sustentável da produção agrícola. 2. ed. Brasília: Embrapa, 2024. Disponível em: https://shre.ink/agriculturairrigadanocerrado. Acesso em: 13 ago. 2025.
EMBRAPA. AvaPivô: programa computacional para avaliação da irrigação por pivô central. Brasília: Embrapa, 2025. Disponível em: https://shre.ink/programacomputacional. Acesso em: 12 set. 2025.
FAO – FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION. RHOADES, J. D.; KANDIAH, A.; MASHALI, A. M. The Use of Saline Waters for Crop Production (FAO Irrigation and Drainage Paper 48). Rome: FAO, 1992. Disponível em: https://www.fao.org/3/t0667e/t0667e00.htm. Acesso em: 28 ago. 2025.
FERNANDES, A. L. T. et al. Manejo de irrigação e uso de energia fotovoltaica em Goiás: avanços e desafios. Goiânia: UFG, 2021.
FRIZZONE, J. A. et al. Irrigação: princípios e métodos. 3. ed. Campinas: Editora Unicamp, 2012.
FRIZZONE, J. A.; TESTEZLAF, R.; COELHO, R. D.; FOLEGATTI, M. V. (orgs.). Irrigação: da conservação de água e solo ao manejo de sistemas. Fortaleza: Inovagri, 2014. Disponível em: https://shre.ink/irrigacao. Acesso em: 15 set. 2025.
GOIÁS (Estado). Decreto nº 10.280, de 19 de abril de 2023. Regulamenta a cobrança pelo uso de recursos hídricos no Estado de Goiás. Goiânia, 2023. Disponível em: https://www.legisla.go.gov.br/pesquisa_legislacao/119007/decreto-10280. Acesso em: 16 set. 2025.
GOIÁS (Estado). Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – SEMAD– Sistema de Outorga de Uso de Recursos Hídricos de Goiás. Goiânia, 2025. Disponível em: https://weboutorga.meioambiente.go.gov.br/. Acesso em: 19 set. 2025.
IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Produção Agrícola Municipal – PAM 2023. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/pesquisa/pam/tabelas. Acesso em: 07 set. 2025.
INMET – INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA. Boletim de Previsão Climática Sazonal (Centro-Oeste). Brasília: INMET, 2025. Disponível em: https://portal.inmet.gov.br/. Acesso em: 02 ago. 2025.
LIMA, E. C. IMPACTOS DA IRRIGAÇÃO POR PIVÔ CENTRAL SOBRE A ECONOMIA DE MORRINHOS – GOIÁS. 2024. 48 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Agronomia) – PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS, [S. l.], 2024. Disponível em: https://shre.ink/pivocentral. Acesso em: 03 set. 2025.
LOPES, A. S. et al. Eficiência do uso da água na agricultura irrigada do Cerrado. Revista de Política Agrícola, Brasília, v. 29, n. 2, p. 45-58, 2020.
LORETO, M. D. S. et al. Análise Multicritério para identificação de áreas prioritárias para irrigação, por meio de indicadores socioeconômicos, no contexto da Bacia Tocantins-Araguaia, Região Centro-Oeste do Brasil. 2021. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Agronomia) – Universidade Federal de Viçosa, [S. l.], 2021. DOI https://doi.org/10.20435/inter.v23i4.3601. Disponível em: https://shre.ink/analisemulticriterio. Acesso em: 10 set. 2025.
ROCHA, L. O. S. EXPLORAÇÃO DO USO EFICIENTE DE RECURSOS HÍDRICOS NA AGRICULTURA: INVESTIGAÇÃO DE TÉCNICAS DE IRRIGAÇÃO E TECNOLOGIAS PARA A MINIMIZAÇÃO DO DESPERDÍCIO DE ÁGUA. 2024. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Agronomia) – Instituto Educacional Santa Catarina -Faculdade Guaraí, [S. l.], 2024. DOI https://doi.org/10.54751/revistafoco.v17n4-128. Disponível em: https://ojs.focopublicacoes.com.br/foco/article/view/4950. Acesso em: 09 set. 2025.
SGB/CPRM – SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL. Sistema Aquífero Urucuia: caracterização hidrológica com base em séries de monitoramento de níveis e descargas. Brasília: SGB/CPRM, 2021. Disponível em: https://rigeo.sgb.gov.br/bitstream/doc/22606/1/relatorio_dht_urucuia_17jan22.pdf. Acesso em: 28 ago. 2025.
¹Discente Curso de Eng. Agronômica – Centro Universitário Brasília de Goiás – São Luís de Montes Belos – GO. Brasil.
²Docente Curso de Eng. Agronômica – Doutora em Agronomia – Centro Universitário Montes Belos – São Luís de Montes Belos – GO. Brasil.
