ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO PROGRAMA SAÚDE NA ESCOLA COMO ESTRATÉGIA DE PREVENÇÃO À GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA.

THE ROLE OF THE NURSE IN THE SCHOOL HEALTH PROGRAM AS A STRATEGY FOR PREVENTING TEEN PREGNANCY.

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202512141935


Dayanne Rocha Cabral Mescouto1
Suellen Cristina Brito da Silveira2
Natane Brito Costa3
Leandro Filho Corrêa Ribeiro4
Valéria Batista Gonçalves5
Orientador (a): Jamilly Karoliny da Silva Miranda6


Resumo

Introdução: O Programa Saúde na Escola (PSE) acolhe esses hábitos, além de integrar um resultado de forma positiva no movimento de ampliação com um panorama cada vez mais expandido no território brasileiro, sendo o principal programa voltado para atenção à saúde dos estudantes das escolas públicas. Objetivo: O presente estudo analisa a atuação do enfermeiro no Programa Saúde na Escola (PSE) como estratégia de prevenção da gravidez na adolescência, e evidencia-se a importância das ações educativas, do acolhimento e da orientação sobre saúde sexual e reprodutiva. Metodologia: Revisão bibliográfica, onde a coleta de dados foi realizada a partir do ano de 2019 a 2025, utilizando como fontes as seguintes bases de dados: Scientific Electronic Library Online (SciELO), Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Essas bases foram selecionadas por sua relevância na área da saúde, abrangência de publicações em língua portuguesa e acesso gratuito a artigos completos. Resultado: A participação do enfermeiro fortalece o vínculo entre escola, família e serviços de saúde, contribuindo para a autonomia dos adolescentes. Além disso, a atuação do profissional favorece a redução da incidência de gestações não planejadas. 

Palavras- Chave: Saúde na escola. Enfermagem. Gravidez. Prevenção

1 INTRODUÇÃO

A gravidez na adolescência é considerada uma condição de alto risco e uma questão de saúde pública, com implicações significativas para a saúde física, emocional e social da adolescente e de seu filho. Essa situação pode comprometer o desenvolvimento educacional, profissional e pessoal da jovem, além de afetar diretamente a qualidade de vida da criança nascida desse contexto (Silva et al., 2021).

A prevenção da gravidez na adolescência é um tema complexo e multifacetado que requer uma abordagem integrada, envolvendo educação sexual, acesso a métodos contraceptivos, apoio psicossocial e a participação da família. A prevenção pode reduzir significativamente as taxas de gravidez não planejada entre os adolescentes, promovendo escolhas conscientes e responsáveis (Cabral e Brandão,2020).

Importante ressaltar que do mesmo modo que a saúde avançou, com o intuito de minimizar muitas enfermidades e combater outras, que com o tempo observa-se o aumento dos casos de diversos problemas de saúde entre o público jovem. Um caso recorrente é a gravidez na adolescência. Entende-se como adolescência a fase compreendida entre os 10 aos 19 anos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), e que é caracterizada por transformações sociopsicológicas e anátomo-metabólicas. A gravidez na adolescência é um fenômeno complexo e multifacetado que continua a ser um desafio significativo em todo o mundo. A ocorrência precoce da gravidez traz consigo uma série de consequências físicas, emocionais, sociais e econômicas tanto para as adolescentes quanto para suas famílias e comunidades (Rosaneli, Costa e Sutile, 2020). 

Nesse contexto, o Programa Saúde na Escola (PSE) acolhe esses hábitos, além de integrar um resultado de forma positiva no movimento de ampliação com um panorama cada vez mais expandido no território brasileiro, sendo o principal programa voltado para atenção à saúde dos estudantes das escolas públicas. A escola como um espaço de relações é ideal para o desenvolvimento do pensamento crítico e político, na medida em que contribui na construção de valores pessoais, crenças, conceitos e maneiras de conhecer o mundo e interfere diretamente na produção social da “saúde” (Creazzo et al., 2023).

Além disso, o enfermeiro que faz parte do tem como principal atribuição a elaboração de atividades educativas voltadas à “saúde”, tendo em vista que ocorrerão através de parcerias com a escola, professores e apoiadores. É um indivíduo imprescindível e ativo, o desafio é criar vínculos com os escolares, pois boa parte da população não tem o devido interesse de adentrar às unidades de “saúde” para fazer consultas por acreditarem que não necessitam de acompanhamento da sua “saúde” e bem-estar (Programa Saúde na Escola, 2025).

Nesse interim, a justificativa científica mostra que a gravidez na adolescência configura-se como um problema de saúde pública que afeta diretamente a vida das jovens e de suas famílias, ocasionando impactos sociais, emocionais, educacionais e econômicos, e nesse cenário, o Programa Saúde na Escola (PSE) surge como uma estratégia fundamental para integrar saúde e educação, promovendo ações preventivas e educativas no ambiente escolar, logo, nesse cenário a atuação do enfermeiro justifica-se por sua capacidade de orientar, acolher e desenvolver atividades de promoção da saúde sexual e reprodutiva, contribuindo para a autonomia dos adolescentes e a redução da incidência de gestações não planejadas, fortalecendo, assim, a construção de um futuro mais saudável e consciente para essa população (Rasche e Santos, 2025).

Portanto, o objetivo do trabalho é mostrar a atuação do enfermeiro no Programa Saúde na Escola como estratégia de prevenção da gravidez na adolescência, destacando suas ações educativas, de promoção da saúde sexual e reprodutiva, bem como sua contribuição na formação de adolescentes mais conscientes e capazes de exercerem a autonomia sobre suas escolhas.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 PROGRAMA SAÚDE NA ESCOLA (PSE)

O Programa Saúde na Escola (PSE) foi instituído pelo Decreto Presidencial nº 6.286/2007 e caracteriza-se por ser uma política intersetorial que atende aos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). O programa propõe-se a ser um modelo de atenção à saúde com finalidade de contribuir para a formação integral dos escolares da rede básica por meio de ações de prevenção, promoção e atenção à saúde. As ações são planejadas pelas secretarias de saúde e de educação, como também, podem ser planejadas por demanda solicitada pelos diretores das escolas (Anjos et al., 2022).

  Uma gravidez na adolescência é considerada uma situação de extremo risco, tanto para o feto como para a gestante jovem, algumas características fisiológicas e psicológicas da adolescência fariam com que uma gestação nesse período se caracterizasse como uma gestação de risco, assim, as adolescentes podem sofrer mais intercorrências médicas durante a gravidez e mesmo após esse evento que gestantes de outras faixas etárias (Silva e Bunssinguer, 2025).

A sexualidade é um assunto que deve ser discutido, pensado, elaborado igual algumas situações da vida do ser humano; pois é nessa fase da adolescência que ocorrem os primeiros contatos e experiências sexuais. E é de extrema importância que esses adolescentes tenham uma adequada educação sexual, para que ele possa cuidar de sua vida reprodutiva, inclusive cuidados com a mente e com o corpo, para que haja um equilíbrio quando o assunto se destaca na sexual (Moresco, Freitas e Sowek. 2025).

O programa organiza-se em eixos estratégicos que incluem: avaliação das condições de saúde dos escolares; ações de promoção e prevenção, como vacinação, saúde bucal e alimentação saudável; enfrentamento ao uso de álcool, tabaco e outras drogas; promoção da saúde sexual e reprodutiva; prevenção de violências e acidentes; além do estímulo à cultura de paz e ao respeito às diversidades (Gonçalves, 2020).

Um dos pontos centrais do Programa Saúde na Escola é a sua característica intersetorial, que promove a integração entre saúde e educação, incentivando o trabalho conjunto entre gestores, profissionais de saúde, professores, famílias e a comunidade escolar. Essa articulação permite que o programa atue não apenas na perspectiva clínica, mas também no fortalecimento de vínculos sociais e educacionais (Silva e Bussinguer, 2025).

No âmbito da saúde do adolescente, o Programa Saúde na Escola desempenha papel essencial, especialmente na prevenção da gravidez precoce, das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e de situações de vulnerabilidade. A escola torna-se, assim, um espaço estratégico para o diálogo e a promoção de informações confiáveis sobre saúde sexual e reprodutiva (Balreira, 2024).

Dessa forma, o Programa Saúde na Escola representa uma política pública de grande relevância para a promoção da saúde integral de crianças e adolescentes, ao possibilitar a aproximação da equipe de saúde com o ambiente escolar, promovendo ações contínuas de cuidado, prevenção e educação em saúde (Programa Saúde na Escola, 2025).

2.2 A ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO PROGRAMA SAÚDE NA ESCOLA

A atuação do(a) enfermeiro(a) no ambiente “escolar” é fundamental para a criação de vínculos com os estudantes e uma melhora na relação entre “saúde” e escola através de ações realizadas pelo(a) profissional onde os “enfermeiros” sejam os principais facilitadores das ações educativas, de segurança e de promoção da “saúde” no ambiente “escolar”, além de fazer cumprir as orientações de “saúde” por meio da realização de atividades preventivas por integralidade da enfermagem por meio do diálogo discente pautado na escuta ativa e incentivo à prática de hábitos saudáveis e autocuidado (Bastos et al., 2021).

A prática de atividades e programas voltados para a educação em saúde, adequado às características de saúde do sujeito, família e localidade sistematiza e otimiza as formas como esse profissional pode atuar visando a promoção da saúde de maneira eficaz e não impositiva, priorizando-se práticas que respeitem as diferenças dos envolvidos, fazendo da educação em saúde uma verdadeira ferramenta de empoderamento do indivíduo (Miranda et al., 2024).

É uma prática que visa promover a saúde e prevenir doenças na população escolar, por meio de ações de educação em saúde, assistência, vigilância e gestão. O enfermeiro na escola deve trabalhar em conjunto com a equipe escolar e a comunidade, com o objetivo de desenvolver ações integradas e interdisciplinares. Para que a atenção à saúde atinja seu objetivo, além do esforço dos profissionais de saúde, é de fundamental importância o interesse e participação dos educadores e diretores da escola em fazer chegar até o escolar as informações mínimas necessárias ao esclarecimento de atividades que garantem a promoção à saúde, assim como, as orientações para cuidados diários que o escolar pode fazer em casa, na escola e em sua vida cotidiana (Assunção et al.,2020).

O cuidado da enfermagem deve ser dirigido à promoção da saúde e prevenção de doenças, assistência às pessoas no sentido de se adaptarem aos efeitos residuais da doença. Espera-se que todo contato que a enfermeira tem com o usuário do serviço de saúde, estando à pessoa doente ou não, deveria ser considerado uma oportunidade de ensino em saúde. Então o papel educativo do profissional de saúde, como um dos componentes das ações básicas de saúde, é tarefa de toda a equipe em uma unidade de saúde (Miranda et al., 2024).

O enfermeiro como figura de cuidar está sujeito a ministrar e dar cuidado ao ser humano, atuando no processo saúde doença, desempenhando um importante papel nos diversos campos de atuação, portanto cabe a ele tratar questões que englobem o adolescente e o processo de desenvolvimento na adolescência (Gonçalves, 2020).

É importante ressaltar que a atuação do enfermeiro na escola requer uma formação adequada e contínua, além de um trabalho em equipe integrado com os demais profissionais da saúde e educação. O enfermeiro na escola deve estar preparado para atender às demandas específicas da população escolar e trabalhar em conjunto com a comunidade escolar e as famílias, buscando sempre a promoção da saúde e a prevenção de doenças (Oliveira, 2024).

Portanto, os profissionais de enfermagem que atuam com a atenção aos adolescentes nas unidades de saúde e através de programas de saúde, têm o compromisso de desenvolver ações assistenciais e educativas, capazes de abranger esse grupo. É necessário realizar um planejamento de cuidado e atenção ao adolescente voltado às necessidades e particularidades dessa faixa etária (Brito et al., 2024).

2.3 DESAFIOS E PERSPECTIVAS DA ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO PSE

A atuação do enfermeiro no Programa Saúde na Escola (PSE), como estratégia de prevenção da gravidez na adolescência, é permeada por inúmeros desafios que envolvem desde barreiras estruturais até questões culturais e sociais. Um dos principais entraves está relacionado à falta de recursos materiais e humanos, visto que muitas Unidades Básicas de Saúde não dispõem de equipes completas ou capacitadas para atender à demanda escolar de forma sistemática e contínua. Isso compromete a realização de atividades educativas e a criação de vínculos consistentes com os adolescentes (Oliveira et al., 2025).

Outro desafio recorrente é a resistência cultural e familiar em relação à abordagem da sexualidade na escola. Muitos pais e responsáveis ainda consideram o tema um tabu, acreditando que o debate pode incentivar a prática sexual precoce, quando, na verdade, o objetivo é justamente fornecer informações seguras e estimular a responsabilidade. Essa visão conservadora pode dificultar a adesão dos adolescentes às atividades propostas, restringindo o alcance das ações do enfermeiro (Antunes, Matos e Bentes, 2023).

Além disso, a sobrecarga de trabalho enfrentada pelos profissionais de enfermagem na atenção primária é um fator que limita a dedicação ao PSE. Frequentemente, os enfermeiros precisam conciliar atendimentos clínicos, visitas domiciliares e demandas administrativas com a execução de atividades educativas na escola. Essa realidade acaba reduzindo o tempo disponível para planejar, executar e avaliar ações voltadas à saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes (Anjos et al., 2022).

Outro obstáculo é a falta de preparo específico de alguns profissionais para lidar com a linguagem, as demandas e as particularidades da adolescência. Essa fase requer abordagens diferenciadas, pautadas no respeito, na escuta ativa e no uso de metodologias dinâmicas e participativas, capazes de estimular o protagonismo juvenil. Sem capacitação adequada, as atividades correm o risco de se tornarem superficiais, pouco atrativas e ineficazes (Muniz et al., 2021).

No entanto, apesar dos desafios, existem importantes perspectivas para o fortalecimento da atuação do enfermeiro no PSE. Uma delas é o investimento em educação permanente, que pode oferecer aos profissionais conhecimentos atualizados sobre saúde do adolescente, metodologias de educação em saúde e estratégias de comunicação eficazes. Essa qualificação contribui para maior segurança na abordagem do tema da sexualidade e para o desenvolvimento de ações mais criativas e acolhedoras (Balreira, 2024).

Outra perspectiva relevante é a ampliação da intersetorialidade, por meio de parcerias entre escolas, unidades de saúde, conselhos tutelares, secretarias de assistência social e organizações da sociedade civil. Essa articulação favorece a criação de uma rede de apoio que possibilita não apenas prevenir a gravidez precoce, mas também identificar e acompanhar adolescentes em situação de vulnerabilidade social, violência ou negligência (Muniz et al., 2021).

O fortalecimento do vínculo entre enfermeiros, estudantes e comunidade escolar também representa uma perspectiva promissora. Ao conquistar a confiança dos adolescentes, o enfermeiro cria um espaço de diálogo no qual dúvidas podem ser esclarecidas sem julgamentos, incentivando a autonomia e a tomada de decisões responsáveis. Além disso, o uso de tecnologias digitais e redes sociais pode ser incorporado às estratégias educativas, tornando a comunicação mais próxima da realidade dos jovens (Bastos et al., 2021).

Por fim, as políticas públicas direcionadas à saúde do adolescente e à prevenção da gravidez precoce precisam ser fortalecidas e integradas ao PSE, garantindo financiamento, apoio institucional e valorização dos profissionais envolvidos. Isso amplia a possibilidade de transformar o programa em um espaço efetivo de promoção da saúde e cidadania (Oliveira, 2024).

3 METODOLOGIA

Este estudo caracteriza-se como uma revisão de literatura, cuja finalidade é reunir, analisar e sintetizar publicações científicas recentes que abordam a atuação do enfermeiro no programa saúde na escola (PSE) como estratégia de prevenção a gravidez na adolescência. A abordagem metodológica adotada permitiu uma análise ampla e sistemática da produção acadêmica sobre o tema, possibilitando o levantamento de evidências relevantes para subsidiar a discussão e compreensão da problemática.

A coleta de dados foi realizada entre o ano de 2019 ao ano de 2025, utilizando como fontes as seguintes bases de dados: Scientific Electronic Library Online (SciELO), Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Essas bases foram selecionadas por sua relevância na área da saúde, abrangência de publicações em língua portuguesa e acesso gratuito à artigos completos.

Para a realização da busca, foram utilizados descritores controlados extraídos dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): Saúde na escola, Enfermagem, Gravidez e Prevnção. Os descritores foram combinados com os operadores booleanos AND e OR, a fim de refinar os resultados e garantir a inclusão de artigos que abordassem especificamente a temática proposta. A estratégia de busca foi aplicada individualmente em cada base, respeitando suas particularidades e filtros de pesquisa.

Os critérios de inclusão estabelecidos para a seleção dos artigos foram: (1) publicações no idioma português; (2) artigos disponíveis na íntegra; (3) estudos publicados no período de 2019 a 2025; e (4) artigos classificados como pesquisas originais, revisões de literatura ou revisões sistemáticas que abordassem direta ou indiretamente a gravidez na adolescência e suas complicações.

Foram excluídos da análise: (1) artigos repetidos nas bases de dados; (2) trabalhos que tratassem exclusivamente de gravidez em outras faixas etárias que não incluíssem adolescentes (10 a 19 anos, segundo a OMS); (3) editoriais, cartas ao leitor, resumos de eventos científicos, dissertações, teses e monografias; e (4) artigos que não apresentassem dados empíricos ou não abordassem complicações obstétricas ou políticas públicas relacionadas.

Após a aplicação dos critérios de elegibilidade, foram inicialmente identificados 15 artigos em média, sendo 10 na BVS, 5 nos Periódicos CAPES e 4 na SciELO. Após a leitura dos títulos, resumos e a exclusão de duplicatas, foram selecionados 19 artigos para análise final.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os estudos de Anjos et al., (2022), evidenciam que as ações desenvolvidas pelo enfermeiro no programa saúde na família têm contribuído de maneira significativa para a promoção da saúde sexual e reprodutiva de adolescentes, especialmente na prevenção da gravidez precoce. Os resultados observados em diferentes estudos apontam que atividades educativas em saúde, quando realizadas de forma contínua, participativa e dialogada, ampliam o nível de conhecimento dos jovens sobre sexualidade, métodos contraceptivos e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Essa ampliação de saberes favorece a autonomia, a tomada de decisão consciente e o exercício da cidadania.

Oliveira et al.,(2025) diz que a prática do enfermeiro no PSE é caracterizada, sobretudo, por ações de educação em saúde, como palestras, rodas de conversa, oficinas e campanhas educativas. Tais estratégias, quando mediadas pela escuta ativa e pelo acolhimento, aproximam o profissional dos adolescentes e promovem um espaço de confiança, no qual os jovens podem expor dúvidas e compartilhar experiências. Pesquisas revelam que a linguagem acessível e o uso de metodologias participativas tornam o processo de aprendizagem mais atrativo, aumentando a adesão dos estudantes às atividades propostas.

Outro resultado relevante é o de Bastos et al., (2021), que fala sobre o fortalecimento do vínculo entre escola, família e unidade de saúde, possibilitado pela atuação do enfermeiro como elo entre esses setores. Essa integração intersetorial amplia a rede de proteção ao adolescente, permitindo a identificação precoce de situações de vulnerabilidade, como violência, negligência e exclusão social, que frequentemente estão relacionadas à gravidez na adolescência. O encaminhamento adequado para outros serviços especializados garante um cuidado integral e contínuo, em consonância com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).

No entanto, segundo Muniz et al., (2021); a discussão dos resultados aponta para a existência de desafios que precisam ser superados. Entre eles, destacam-se a escassez de recursos materiais e humanos, a sobrecarga de trabalho dos profissionais de enfermagem e a resistência cultural de parte da comunidade em abordar questões relacionadas à sexualidade na escola. Esses fatores podem comprometer a continuidade e a efetividade das ações desenvolvidas no âmbito do Programa Saúde na Escola.

Ainda assim, as perspectivas para a atuação do enfermeiro no programa são positivas, segundo Gonçalves(2020) os investimentos em educação permanente, capacitação profissional e fortalecimento das políticas públicas voltadas à saúde do adolescente podem potencializar os resultados já alcançados. Além disso, a incorporação de novas tecnologias e mídias digitais representa uma oportunidade para aproximar o conteúdo das realidades e linguagens utilizadas pelos jovens, favorecendo maior engajamento e impacto das ações educativas.

Dessa forma, os resultados analisados confirmam que a presença do enfermeiro no PSE constitui uma estratégia essencial para a prevenção da gravidez na adolescência, sendo sua atuação marcada pela integração entre promoção, prevenção e cuidado. De acordo com Antunes, Matos e Bentes (2023) evidenciam que apesar dos desafios, as ações desenvolvidas têm potencial de transformar o ambiente escolar em um espaço de aprendizagem, acolhimento e formação cidadã, contribuindo para a redução das taxas de gestação precoce e para a promoção da saúde integral dos adolescentes.

5 CONCLUSÃO

A atuação do enfermeiro no Programa Saúde na Escola (PSE) configura-se como uma ferramenta essencial para a promoção da saúde sexual e reprodutiva e, consequentemente, para a prevenção da gravidez na adolescência. Por meio de ações educativas, acolhimento e escuta qualificada, o enfermeiro contribui para ampliar o conhecimento dos adolescentes, estimular o protagonismo juvenil e fortalecer a autonomia nas escolhas relacionadas à sexualidade.

Dessa forma, os resultados discutidos mostram que, quando realizadas de maneira participativa e intersetorial, as atividades desenvolvidas no âmbito do PSE têm impacto positivo na vida dos estudantes, favorecendo a conscientização sobre métodos contraceptivos, a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e a redução da incidência de gestações não planejadas. Além disso, o vínculo estabelecido entre escola, família e serviços de saúde reforça a rede de apoio necessária ao cuidado integral do adolescente.

Entretanto, a análise também revela desafios importantes, como a escassez de recursos, a sobrecarga de trabalho dos profissionais e a persistência de tabus culturais que dificultam o diálogo sobre sexualidade. Esses fatores demonstram a necessidade de fortalecimento das políticas públicas e de investimentos em capacitação profissional, para que as ações possam ser cada vez mais eficazes e abrangentes.

Infere-se, portanto, que o enfermeiro, ao atuar no Programa Saúde na Escola, desempenha um papel estratégico na construção de um ambiente escolar saudável, inclusivo e promotor de cidadania. Sua prática vai além da transmissão de informações, assumindo um caráter transformador que contribui para a formação de adolescentes mais conscientes, responsáveis e preparados para exercerem sua sexualidade de forma segura e responsável, reduzindo assim, os impactos da gravidez precoce na sociedade.

REFERÊNCIAS

ANJOS, J. S. M. et al. A relevância da sistematização da assistência de enfermagem no Programa Saúde na Escola: uma revisão integrativa. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 15, n. 5, 2022. Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/10328. Acesso em: 23 de julho de 2025.

ANTUNES, E. M. S.; MATOS, J. G. S.; BENTES, C. M. L. A atuação do enfermeiro no Programa Saúde na Escola: uma revisão integrativa. Revista FT, v. 27, p. 1-10, 2023. Disponível em: https://revistaft.com.br/a-atuacao-do-enfermeiro-no-programa-saude-naescola-uma-revisao-integrativa/. Acesso em: 23 de julho de 2025.

ASSUNÇÃO, M. L. B. et al. Educação em saúde: a atuação da enfermagem no ambiente escola. Rev. Enferm. UFPE Online, v. 14, p. 1-8, 2020. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/243745/34759. Acesso em: 23 de julho de 2025.

BALREIRA, I. C. T. Programa Saúde na Escola (PSE): olhares e integração de profissionais nos processos educativos em saúde. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-graduação em Educação, Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC, 2024. Disponível em: http://repositorio.unesc.net/bitstream/1/11633/1/Ingrid%20Cavalcante%20Tavares%20Balreira.pdf. Acesso em: 23 julho 2025.

BASTOS, P. O. et al. Atuação do enfermeiro brasileiro no ambiente escolar: revisão narrativa. Research, Society and Development, v. 10, n. 9, p. 1-8, 2021. Disponível em: Performance of brazilian nurses in the school environment: Narrative review | Research, Society and Development. Acesso em: 11 maio 2025.

BRITO, M. I. B. S. et al. Contribuição da enfermagem no ambiente educacional: enfermagem escolar. Revista Foco, Curitiba, v. 17, n. 1, p. 1-10, 2024. Disponível em: https://www.bing.com/ck/a?!&&p=5cd9f52ea40c7d8744466a5c62158c6780a0711de3e533c9a85344b859aceb0dJmltdHM9MTc2NTE1MjAwMA&ptn=3&ver=2&hsh=4&fclid=2589b6c6-980c-6c6e-3e6a-a33799516d65&u=a1aHR0cHM6Ly9vanMuZm9jb3B1YmxpY2Fjb2VzLmNvbS5ici9mb2NvL2FydGljbGUvZG93bmxvYWQvNDA3Ni8yODgzLzkxMDM. Acesso em: 11 de maio de 2025.

CABRAL, C. S.; BRANDÃO, E. R. Gravidez na adolescência, iniciação sexual e gênero: perspectivas em disputa. Cad. Saúde Pública, v. 36, n. 8, p. 1-5, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/WryX9xCMY5vwNwjM33pqbyb/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 23 de julho de 2025.

CREAZZO, G. D. et al. Impacto do Programa Saúde na Escola (PSE) na vida dos estudantes: uma revisão integrativa. Revista de Epidemiologia e Saúde Pública, v. 1, n. 3, p. 116, 2023. Disponível em: https://www.bing.com/ck/a?!&&p=a6930e71970a65d42433a9534625e2a9d199e26dbe4ef3ae69f9bee36b7da362JmltdHM9MTc2NTE1MjAwMA&ptn=3&ver=2&hsh=4&fclid=2589b6c6-980c-6c6e-3e6a-a33799516d65&u=a1aHR0cHM6Ly9yZXNwY2llbnRpZmljYS5jb20uYnIvaW5kZXgucGhwL3Jlc3AvYXJ0aWNsZS9kb3dubG9hZC8yOC8yNA. Acesso em: 23 de julho de 2025.

GONÇALVES, P. D. S. Educação em saúde para crianças e adolescentes: proposta de estratégia de articulação entre profissionais da saúde, educação, famílias e escolares no Programa Saúde na Escola. Programa de Pós-graduação, Universidade do Estado da Bahia, Salvador, 2020. Disponível em: https://educapes.capes.gov.br/bitstream/capes/599535/2/Projeto%20PTT%20PSE.pdf. Acesso em: 12 de março de 2025.

MIRANDA, M. G. et al. Atuação da enfermagem no manejo e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e gravidez na adolescência: uma revisão de literatura. Revista Científica da Unifenas, v. 6, n. 7, p. 14-20, 2024. Disponível em: https://revistas.unifenas.br/index.php/revistaunifenas/article/view/975. Acesso em: 12 abril 2025.

MORESCO, D. L.; FREITAS, S. A.; SOWEK, L. R. et al. Barreiras e desafios na adesão aos programas de planejamento familiar em uma área de atenção básica à saúde. Repositório Institucional, v. 3, n. 2, p. 1-16, 2025. Disponível em: https://revistas.icesp.br/index.php/Real/article/viewFile/6331/3921. Acesso em: 24 julho 2025.

MUNIZ, E. et al. Políticas de saúde e educação para a juventude no Brasil: intersetorialidade e atuação do enfermeiro. SANARE – Revista de Políticas Públicas, v. 20, n. 1, 2021. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/356574222_POLITICAS_DE_SAUDE_E_EDUCACAO_PARA_A_JUVENTUDE_NO_BRASIL_INTERSETORIALIDADE_E_ATUACAO_DO_ENFERMEIRO. Acesso em: 12 março 2025.

OLIVEIRA, L. F. et al. A atuação do enfermeiro no Programa Saúde na Escola: uma revisão integrativa. Facit Business and Technology Journal, v. 1, n. 58, 2025. Disponível em: https://revistas.faculdadefacit.edu.br/index.php/JNT/article/view/325. Acesso em: 14 agosto 2025.

OLIVEIRA, R. A. S. A percepção de estudantes da graduação de enfermagem sobre o Programa Saúde na Escola (PSE). Programa de Pós-graduação, Faculdade de Medicina (FAMED) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), 2024. Disponível em: https://www.repositorio.ufal.br/jspui/handle/123456789/15435. Acesso em: 11 setembro 2025.

PROGRAMA SAÚDE NA ESCOLA (PSE). Programa Saúde na Escola. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/pse. Acesso em: 11 de maio de 2025.

RASCHE, A. S.; SANTOS, M. S. S. Enfermagem escolar e sua especialização: uma nova ou antiga atividade. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 66, n. 4, p. 607-610, 2025. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/3fJ8zrSXSFdJP77s6yw6yyS/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 10 de abril de 2025.

ROSANELI, C. F.; COSTA, N. B.; SUTILE, V. M. Proteção à vida e à saúde da gravidez na adolescência sob o olhar da bioética. Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 30, n. 1, p. 1-12, 2020. Disponível em: https://www.scielosp.org/pdf/physis/2020.v30n1/e300114/pt. Acesso em: 10 de abril de 2025.

SILVA, I. O. S. et al. Intercorrências obstétricas na adolescência e a mortalidade materna no Brasil: uma revisão sistemática. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 4, n. 2, p. 6720-6734, mar./abr. 2021. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/27297/21592. Acesso em: [data não informada].

SILVA, M. C.; BUSSINGUER, P. R. R. Abordagem do enfermeiro na educação sexual e reprodutiva como ferramenta de prevenção da gravidez na adolescência: revisão integrativa. Revista Foco, v. 18, n. 4, p. 01-17, 2025. Disponível em: https://ojs.focopublicacoes.com.br/foco/article/view/8301/5863. Acesso em: 14 junho 2024.


¹Discente do Curso Superior de Enfermagem do Instituto UNIPLAN Campus Bragança/PA. E-mail: dayannecabral2019@gmail.com;
²Discente do Curso Superior de Enfermagem do Instituto UNIPLAN Campus Bragança/PA. E-mail: susuvariedades.presentes@gmail.com;
³Discente do Curso Superior de Enfermagem do Instituto UNIPLAN Campus Bragança/PA. E-mail: natanebritocosta@gmail.com;
⁴Discente do Curso Superior de Enfermagem do Instituto UNIPLAN Campus Bragança/PA. E-mail: leandrofilho434@gmail.com;
⁵Discente do Curso Superior de Enfermagem do Instituto UNIPLAN Campus Bragança/PA. E-mail: goncalvesval40@gmail.com;
⁶Docente do Curso Superior de Enfermagem do Instituto UNIPLAN Campus Bragança/PA. E-mail: jamillymiranda854@gmail.com.