REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511102119
Anita Cristina da Silva Pedroso; Glenda Maria de Sousa Medeiros; Luiz Antonio Lopes Carvalho; Mistaelson Cardoso Brandão; Vitor Daniel Santos Cavalcante; Orientador: Prof. Msc. Emanuel Osvaldo de Sousa; Coorientador: Prof. Msc. Carlos Antônio da Luz Filho
RESUMO
A fibromialgia representa uma síndrome crônica marcada por dores musculoesqueléticas persistentes, associadas a fadiga intensa, perturbações no sono, déficits cognitivos e desequilíbrios emocionais. Devido à sua complexidade, o tratamento abrange múltiplas especialidades da saúde, com a fisioterapia emergindo como um componente essencial para mitigar sintomas e elevar a qualidade de vida dos pacientes. Este trabalho tem como objetivo verificar a atuação do fisioterapeuta no tratamento da fibromialgia, destacando técnicas como exercícios terapêuticos, liberação miofascial, acupuntura, Pilates e hidroterapia. Trata-se de uma revisão bibliográfica qualitativa, fundamentada em artigos científicos publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas português e inglês. Os dados foram analisados mediante análise de conteúdo temática, visando identificar padrões recorrentes nas estratégias terapêuticas aplicadas.
Palavras-chave: Fibromialgia; Fisioterapia; Qualidade de vida.
ABSTRACT
Fibromyalgia is a chronic syndrome characterized by persistent musculoskeletal pain associated with intense fatigue, sleep disturbances, cognitive deficits, and emotional imbalances. Due to its complexity, treatment encompasses multiple healthcare specialties, with physical therapy emerging as an essential component in mitigating symptoms and improving patients’ quality of life. This study aims to assess the role of physical therapists in the treatment of fibromyalgia, highlighting techniques such as therapeutic exercises, myofascial release, acupuncture, Pilates, and hydrotherapy. This is a qualitative literature review based on scientific articles published between 2015 and 2025, in Portuguese and English. The data were analyzed using thematic content analysis to identify recurring patterns in the therapeutic strategies applied.
Keywords: Fibromyalgia; Physical Therapy; Quality of life.
1. INTRODUÇÃO
A fibromialgia (FM) é uma síndrome reumática crônica de causa desconhecida, caracterizada por dores musculoesqueléticas difusas e pontos dolorosos específicos que podem ser identificados por palpação. Esses sintomas frequentemente se associam a fadiga, distúrbios do sono, rigidez matinal e impactos psicológicos como ansiedade e depressão, afetando significativamente a qualidade de vida dos indivíduos envolvidos (Silveira; Schmitz, 2020).
De acordo com Bhargava; Goldin (2023), não há um consenso entre os especialistas sobre uma única causa para a fibromialgia; ao contrário, acredita-se que uma combinação de fatores físicos e emocionais contribui para o surgimento ou agravamento dos sintomas. Em pacientes com fibromialgia, também são observadas disfunções no processamento da dor e alterações sensoriais no sistema nervoso central.
Embora ainda não exista uma cura definitiva para a condição, existem intervenções farmacológicas e não farmacológicas que visam controlar a dor, melhorar o sono, diminuir a fadiga e promover o bem-estar emocional. É fundamental que tanto os familiares quanto os próprios pacientes reconheçam a realidade desses sintomas e participem ativamente do tratamento para aumentar suas chances de sucesso (Pinheiro et al., 2024).
No contexto da fibromialgia, a fisioterapia foca na redução dos sintomas, aumentando o limiar da dor e preservando a funcionalidade nas atividades diárias. Seu papel educacional busca fomentar a autonomia física dos pacientes. As abordagens terapêuticas atualmente incluem técnicas variadas como hidroterapia, Pilates e liberação miofascial.
O tratamento fisioterapêutico abrange diversas metodologias. A fisioterapia aquática ou hidroterapia auxilia no fortalecimento muscular e melhora da amplitude de movimento. O Pilates ajuda na redução da dor, equilíbrio e diminuição do estresse. A acupuntura estimula pontos específicos para aliviar as dores, enquanto a liberação miofascial promove relaxamento muscular e melhora na qualidade do sono.
Intervenções não farmacológicas como exercícios aeróbicos, fortalecimento muscular e terapias cognitivo-comportamentais mostram-se eficazes na redução da dor e aumento do bem-estar geral. Evidências científicas indicam que programas de treinamento físico supervisionados por fisioterapeutas podem reduzir a intensidade da dor em 20% a 30%, além de melhorar a mobilidade e aliviar o cansaço sem os efeitos colaterais comuns aos tratamentos medicamentosos (Dumont et al., 2024).
Conforme dados epidemiológicos apresentados por Souza; Marchand (2017), aproximadamente 2% a 3% da população brasileira sofre com fibromialgia, sendo mais comum entre mulheres na proporção aproximada de 7,5 mulheres para cada homem. Além das dores físicas, outros sintomas prevalentes incluem distúrbios do sono, cefaleias, parestesias, fadiga intensa, problemas gastrointestinais além de depressão e ansiedade. Nesse cenário, a fisioterapia desempenha um papel essencial ao utilizar terapia manual, educação postural e exercícios terapêuticos para atenuar esses sinais.
Este estudo busca analisar como essas técnicas contribuem para o manejo da síndrome. O objetivo geral é avaliar o impacto da fisioterapia no tratamento da fibromialgia considerando intervenções como terapia manual, eletroterapia, Pilates e hidroterapia em sua capacidade de reduzir sintomatologia e aprimorar qualidade de vida dos pacientes. Conforme revisão realizada por Vega et al., (2024), intervenções fisioterapêuticas demonstram resultados positivos em relação aos sinais típicos da fibromialgia incluindo dor crônica, limitações funcionais e baixa qualidade de vida.
Os objetivos específicos deste estudo incluem examinar o papel do fisioterapeuta no tratamento dessa condição com foco nos efeitos das intervenções específicas: terapia manual na diminuição da dor; eficácia da eletroterapia no controle sintomático; benefícios do Pilates na funcionalidade; além de explorar como a hidroterapia pode contribuir para o bem-estar físico emocional dos pacientes afetados pela síndrome.
A Fisioterapia é uma ciência que engloba a restauração da funcionalidade e essa pesquisa é de suma importância porque destaca como as técnicas fisioterapêuticas podem ajudar no alívio dos sintomas da fibromialgia, contribuindo com bem-estar físico e emocional dos pacientes.
2. METODOLOGIA
A metodologia adotada é de natureza qualitativa, descritiva, com abordagem bibliográfica. A pesquisa bibliográfica se baseia em materiais já publicados, incluindo livros, artigos, teses e anais de eventos. Com o avanço das tecnologias, também são incorporadas fontes digitais e conteúdos disponíveis online, que se tornaram essenciais em quase todas as investigações acadêmicas (Gil, 2017).
Os critérios de inclusão abrangeram estudos que discutem intervenções fisioterapêuticas aplicadas a pacientes diagnosticados com fibromialgia. Foram considerados apenas artigos originais que apresentavam métodos claramente descritos e focavam em intervenções fisioterapêuticas destinadas ao alívio dos sintomas da fibromialgia, utilizando amostras compostas por pacientes diagnosticados segundo critérios reconhecidos.
Artigos editoriais, duplicados ou com acesso restrito foram excluídos, assim como aqueles com falhas metodológicas ou que não oferecessem informações relevantes à questão investigada. O foco da seleção concentrou-se nas intervenções fisioterapêuticas e seus efeitos nos resultados funcionais e na qualidade de vida dos pacientes.
O objetivo desta pesquisa é descrever e avaliar a atuação da fisioterapia no tratamento da fibromialgia, fundamentando-se na produção científica recente. Para isso, foram selecionados e analisados artigos científicos publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas português e inglês. Os trabalhos foram coletados por meio de buscas em bases como Google Acadêmico, Scielo, LILACS, PubMed, MEDLINE, CUMED e revistas científicas especializadas.
Para aprofundar a análise, foram utilizadas as seguintes palavras-chave: “Fisioterapia”, “Fibromialgia” e “Qualidade de vida “. As modalidades de fisioterapia verificadas nos artigos incluem: conceitos gerais, treinamento resistido, reabilitação, avaliação funcional, alongamento, mobilização articular e eletroterapia.
O processo de seleção dos artigos ocorreu em três etapas: leitura dos títulos, leitura dos resumos e leitura completa dos textos selecionados. A triagem foi realizada por todos os membros do grupo; os artigos foram distribuídos igualmente entre eles. Em caso de divergências nas escolhas individuais, as decisões foram tomadas coletivamente para assegurar a confiabilidade dos dados incluídos.
Durante a busca inicial foram localizados 1.207 artigos relacionados às palavras chave escolhidas. Destes, 242 foram descartados por não estarem nos idiomas estipulados nos critérios de inclusão. Em seguida, 414 artigos foram excluídos por terem sido publicados antes de 2015 e mais 121 por serem duplicados ou publicações incompletas; restaram assim 104 artigos relevantes. Desses últimos, foram selecionados 60 com títulos alinhados ao objetivo do estudo. Após a leitura detalhada destes textos, optou-se por usar 08 artigos científicos, devido à sua relevância direta para a compreensão do tema.
Os dados extraídos dos artigos passaram por uma análise qualitativa baseada na análise temática do conteúdo para identificar padrões e recorrências nas abordagens terapêuticas adotadas. Informações sobre o tipo de intervenção aplicada, frequência e duração do tratamento realizado foram categorizadas junto aos instrumentos utilizados na avaliação dos impactos sobre os sintomas e na qualidade de vida dos pacientes.
Entre as limitações do estudo, destaca-se a escolha restrita, decorrente da predominância de artigos disponíveis em acesso aberto e da exclusão de estudos em outros idiomas que poderiam ampliar a análise. Ainda assim, o presente estudo reforça a relevância da atuação da fisioterapia no tratamento da fibromialgia.
Os resultados obtidos objetivam não apenas atender aos objetivos propostos, mas também esclarecer a eficácia de métodos não farmacológicos, como técnicas manuais e eletroterapias, oferecendo contribuições relevantes para a prática clínica e estimulando novas investigações na área.
3. RESULTADOS
QUADRO 1. Tipos de intervenções fisioterapêuticas abordados em pacientes com Fibromialgia.
| Autores/Ano | Tipo de estudo | Características da Amostra | Tipos de Intervenção | Principais variáveis Analisadas | Resultados significativos |
| Fernand es et al.,(2024) | Ensaio clínico randomizado controlado | 82 mulheres com fibromialgia; Idade entre 18 e 65 anos; Dor entre 4 e 8 na Escala Visual Analógica (VAS) | Grupo de exercício funcional (FEG); Grupo de alongamento (SEG) | Dor (VAS), qualidade de vida (FIQ e SF 36), capacidade funcional (Teste Timed Up and Go), força muscular (1RM), flexibilidade (Sit and Reach), equilíbrio (Escala de Berg). | Exercício funcional reduziu significativamente a dor (p = 0.002). Melhora significativa da qualidade de vida (FIQ, p < 0.001; SF 36, p = 0.043). Não houve diferenças significativa s entre grupos em força, equilíbrio, flexibilidade ou capacidade funcional. Benefícios mantidos até 12 semanas após o fim do treino |
| Silva (2022) | Estudo experimental com abordagem quantitativa. | Mulheres diagnosticadas com fibromialgia, atendidas em ambiente clínico. | Cartilha de exercícios | Intensidade da dor, Capacidade funcional e qualidade de vida, Fadiga e rigidez muscular e Sono e bem estar psicológico | Melhora significativa na redução da dor e na qualidade de vida das participante s após o tratamento fisioterapêutico. melhoras funcional, com diminuição da fadiga e aumento da disposição física. |
| Schlemm er et al., (2018) | Quase experimental, abordagem quanti‑qualitativa | Mulheres com diagnóstico clínico de fibromialgia, com 40 anos ou mais, apresentando 11 dos 18 pontos dolorosos à palpação. Amostra por conveniência (n=7). | Terapia aquática: 10 semanas no total (1ª e 10ª semanas avaliações; 8 semanas de intervenção efetiva); 2x/semana, 1 hora/sessão; exercícios para fortalecimento, alongamento e relaxamento muscular/respiratório; monitorização: escala de Borg e sinais vitais. | FIQ, manovacuometria, espirometria , escala de Borg e sinais vitais. | Melhora significativa na capacidade funcional (FIQ), redução da dor, fadiga e rigidez corporal. Além disso, houve um aumento da força muscular respiratória. |
| Medeiros et al., (2020) | Ensaio controlado randomizado | Pacientes mulheres, divididas em grupos. | Pilates solo e exercícios aeróbicos aquáticos. Os exercícios foram praticados durante duas vezes em um período de 12 semanas. | O objetivo foi avaliar a eficácia do método Pilates de solo na melhora dos sintomas em mulheres com fibromialgia; | Houve melhora em ambos os grupos em relação à dor e à função |
| Barros, et al., (2022) | Pesquisa experimental. | Sete mulheres com idade média de 50 anos, com idades variando de 32 a 62 anos. Elas relataram dor por mais de cinco anos, sendo o diagnóstico realizado há menos de dois anos. | Laserterapia, Ultrassom terapêutico, Terapia sinérgica, Eletrotermofototerapia, Conduta fisioterapêutica personalizada conforme o estágio da fibromialgia | Intensidade da dor, Capacidade funcional., Intensidade dos sintomas., Impacto global da fibromialgia. | Melhora na funcionalidade e na qualidade de vida das participantes., Redução da intensidade álgica e do processo inflamatório após o tratamento., o protocolo de laserterapia e ultrassom terapêutico mostrou-se eficaz para o restabelecimento funcional e estabilização do quadro clínico em pacientes com fibromialgia |
| Buosi et al 2024 | Revisão sistemática da literatura | Foram selecionados 23 estudos entre artigos, teses e monografias que abordavam TENS em pacientes com fibromialgia. | TENS convencional (alta frequência, baixa intensidade). TENS burst (modulação em rajadas). TENS placebo (sem estimulação efetiva), usada como controle em diversos estudos. | Alívio da dor / intensidade da dor, Comparação entre diferentes modalidades / parâmetros de TENS (frequência, largura de pulso, tempo de aplicação, modo acupuntura vs convencional), Impacto na qualidade de vida e melhorias funcionais (associado a TENS + terapias complementares ). | A revisão indica que o TENS pode ser eficaz para reduzir a dor em pacientes com fibromialgia, especialmente quando usado no modo acupuntura com frequência baixa, largura de pulso de 200 µs e duração de 40 minutos |
| Takemur a et al., (2021) | Revisão de literatura (com base em ensaios clínicos aleatorizados e controlados ) | Pacientes com fibromialgia, com predominância feminina, idades variadas e sintomas de longa duração. | Acupuntura tradicional chinesa manual, baseada no diagnóstico individual (pontos de meridianos específicos). Acupuntura com moxabustão pesada aplicada em pontos dolorosos. Acupuntura sham (placebo) e acupuntura simulada, usadas como controle. Agulhamento seco (dry needling) em pontos dolorosos. Acupuntura corporal em grupo, com base em protocolos de 5 a 20 sessões. | Dor (intensidade, pontos doloridos), qualidade de vida, sono, fadiga, humor (depressão/ansiedade), e em alguns casos, níveis de serotonina | acupuntura demonstrou ser eficaz na redução da dor e na melhora da qualidade de vida em pacientes com fibromialgia. Observou se também melhora no sono e redução da fadiga. Alguns estudos indicaram aumento dos níveis de serotonina, associado à melhora dos sintomas. A acupuntura parece ser uma opção terapêutica segura e pode ser um complemento eficaz aos tratamentos convencionais. |
| Pereira et al., (2021) | Revisão integrativa | Pacientes que receberam a técnica ver um variou entre 20 e 82 enquanto o número de pacientes que receberam tratamento ponto gatilho variou entre 6 e 18. | As sessões foram de 1 a 12, com duração entre 20 e 30 minutos. | Os estudos sugerem que a acupuntura seja eficaz para o tratamento da dor em pacientes com fibromialgia, com melhora na qualidade de vida e interferência positiva no sono. | Foi eficaz no alívio da dor em pacientes com FM em termos de qualidade de vida. |
| Silveira, Martins (2018) | Revisão sistemática de literatura | Predominância de mulheres (80-90%). Idades variadas,com foco em adultos. Pacientes com sintomas de fibromialgia. | Cinesioterapia, Alongamentos e exercícios musculares passivos, acupuntura isolada, técnica tradicional chinesa de inserção de agulhas, cinesioacupuntura, associação de acupuntura e cinesioterapia. | Dor (intensidade, pontos doloridos). Qualidade de vida. Sono | A acupuntura demonstrou ser eficaz para: Reduzir significativamente a intensidade da dor em pacientes com fibromialgia. Diminuir a quantidade de pontos doloridos. Melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Contribuir para o equilíbrio adequado do corpo. |
4. DISCUSSÃO
O objetivo deste estudo foi examinar os efeitos do pilates, eletroterapia, fisioterapia aquática e exercícios funcionais no controle dos sintomas da fibromialgia. Foi utilizado um ensaio clínico controlado e randomizado conforme apresentado por Fernandes et al. (2024), que visava avaliar a eficácia de um programa de exercícios funcionais na redução da dor e na melhoria da qualidade de vida. Participaram 82 mulheres, distribuídas aleatoriamente em dois grupos: um grupo realizou exercícios funcionais duas vezes por semana durante 14 semanas, enquanto o outro se dedicou a exercícios de alongamento com a mesma frequência e duração. Os resultados indicaram que o grupo que praticou exercícios funcionais experimentou uma diminuição significativa da dor (p=0,002) e uma melhora na qualidade de vida, conforme avaliado pelo Fibromyalgia Impact Questionnaire (p<0,0001), em comparação ao grupo de alongamento. Não foram encontradas diferenças significativas entre os grupos em relação à capacidade funcional, força muscular, flexibilidade e equilíbrio, embora ambos mostraram melhorias nesses aspectos. O estudo concluiu que o programa de exercícios funcionais foi mais eficaz na redução da dor em comparação com o alongamento, com efeitos positivos persistindo até 12 semanas após o término da intervenção.
Silva (2022) conduziu uma revisão sistemática para avaliar a eficácia do pilates em indivíduos com fibromialgia. Os resultados foram favoráveis, destacando o método como uma alternativa terapêutica segura, acessível e não farmacológica. A autora também criou um e-book educativo contendo exercícios de várias intensidades. Conclui-se que o pilates é um recurso eficaz para promover a qualidade de vida de pessoas afetadas pela fibromialgia.
O estudo realizado por Schlemmer et al. (2018) teve como foco avaliar os efeitos da terapia aquática sobre a força muscular respiratória em mulheres com fibromialgia e suas implicações na velhice. Esta pesquisa qualitativa experimental envolveu sete mulheres entre 42 e 55 anos que participaram de um protocolo de fisioterapia aquática durante 10 semanas, com sessões realizadas duas vezes por semana com duração de uma hora cada. Foram aplicados questionários relacionados ao impacto da fibromialgia (FIG), manovacuometria e espirometria para avaliação das condições iniciais e finais. Após a intervenção, observou-se uma redução nos pontos dolorosos, aumento no volume expiratório, pressão expiratória máxima e força respiratória, além da melhoria nas atividades da vida diária (AVD). Os autores ressaltam que as propriedades da água como temperatura aquecida e pressão hidrostática favorecem a circulação sanguínea e diminuem a sensibilidade à dor. A conclusão é que os exercícios aquáticos apresentaram resultados positivos no bem-estar físico e emocional dos pacientes.
Medeiros et al. (2020) compararam a eficácia do método Mat Pilates com o exercício aeróbico aquático no tratamento de mulheres portadoras de fibromialgia. O estudo contou com 42 participantes divididos em dois grupos que realizaram as atividades duas vezes por semana durante 12 semanas. Ambos os grupos relataram melhorias significativas na dor e na função; no entanto, o Mat Pilates mostrou benefícios adicionais em vitalidade e capacidade funcional enquanto o exercício aquático contribuiu para melhorar a qualidade do sono e reduzir pensamentos catastróficos relativos à dor. Nenhuma diferença significativa foi observada entre os grupos, sugerindo que ambas as modalidades eram igualmente eficazes na mitigação dos sintomas da fibromialgia.
No estudo conduzido por Barros et al. (2022), intitulado “Eletroterapia na Fibromialgia”, avaliou-se os efeitos da fisioterapia utilizando recursos eletrotermofototerapêuticos durante episódios agudos da condição fibromiálgica. A pesquisa experimental envolveu sete mulheres diagnosticadas submetidas a 15 sessões combinadas de laserterapia e ultrassom terapêutico três vezes por semana. A avaliação através da Anamnese Física e do Questionário de Impacto da Fibromialgia (QIFR-Br) revelou resultados estatisticamente significativos (p<0,05), incluindo redução dolorosa, diminuição das áreas afetadas pela dor, assim como melhora na capacidade funcional e qualidade de vida geral dos participantes. Os autores enfatizam que a combinação entre ultrassom e laserterapia potencializa efeito analgésico e anti-inflamatório ao promover reparação tecidual além estabilizar clinicamente as pacientes.
Buosi et al. (2024) realizaram uma revisão sobre estudos envolvendo Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea (TENS) no tratamento da fibromialgia analisando 23 publicações existentes até então no tema abordado; observaram que TENS pode efetivamente reduzir dores quando aplicada principalmente sob modo acupuntura utilizando frequência específica de 4 Hz combinada com largura pulso igual ou menor à 200 µs durante média temporária aproximada aos 40 minutos; constataram ainda variações nos resultados dependentes das características individuais dos pacientes necessitando assim maior quantidade pesquisas futuras para estabelecer parâmetros padronizados.
Na revisão de literatura com base em ensaios clínicos aleatorizados e controlados da Takemura et al., (2021). Acupuntura demonstrou ser eficaz na redução da dor e na melhora da qualidade de vida em pacientes com fibromialgia. Observou-se também melhora no sono e redução da fadiga. Alguns estudos indicaram aumento dos níveis de serotonina, associado à melhora dos sintomas.
5. CONCLUSÃO
A partir da análise realizada, foi identificado que a fibromialgia é uma síndrome reumática crônica, cuja etiologia permanece desconhecida. Essa condição se manifesta por meio de dores musculoesqueléticas difusas, fadiga e distúrbios do sono, impactando negativamente o bem-estar físico e mental dos indivíduos, além de prejudicar a qualidade de vida. A intervenção do fisioterapeuta mostrou-se essencial, uma vez que diversas técnicas como hidroterapia, terapia manual e pilates têm um papel significativo na redução da dor e no aumento da flexibilidade.
Além de promover melhorias físicas, a fisioterapia também influencia positivamente os aspectos sociais e psicológicos dos pacientes, favorecendo sua reintegração nas atividades diárias e contribuindo para o fortalecimento da autoestima e autonomia. Dessa forma, conclui-se que o fisioterapeuta exerce uma função crucial no tratamento da fibromialgia ao proporcionar qualidade de vida, devendo atuar com uma abordagem humanizada, interdisciplinar e individualizada.
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