ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NO TRATAMENTO DA FIBROMIALGIA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511102119


Anita Cristina da Silva Pedroso; Glenda Maria de Sousa Medeiros; Luiz Antonio Lopes Carvalho; Mistaelson Cardoso Brandão; Vitor Daniel Santos Cavalcante; Orientador: Prof. Msc. Emanuel Osvaldo de Sousa; Coorientador: Prof. Msc. Carlos Antônio da Luz Filho


RESUMO 

A fibromialgia representa uma síndrome crônica marcada por dores  musculoesqueléticas persistentes, associadas a fadiga intensa, perturbações no  sono, déficits cognitivos e desequilíbrios emocionais. Devido à sua  complexidade, o tratamento abrange múltiplas especialidades da saúde, com a  fisioterapia emergindo como um componente essencial para mitigar sintomas e  elevar a qualidade de vida dos pacientes. Este trabalho tem como objetivo  verificar a atuação do fisioterapeuta no tratamento da fibromialgia, destacando  técnicas como exercícios terapêuticos, liberação miofascial, acupuntura, Pilates  e hidroterapia. Trata-se de uma revisão bibliográfica qualitativa, fundamentada  em artigos científicos publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas português e  inglês. Os dados foram analisados mediante análise de conteúdo temática,  visando identificar padrões recorrentes nas estratégias terapêuticas aplicadas. 

Palavras-chave: Fibromialgia; Fisioterapia; Qualidade de vida.

ABSTRACT 

Fibromyalgia is a chronic syndrome characterized by persistent musculoskeletal  pain associated with intense fatigue, sleep disturbances, cognitive deficits, and  emotional imbalances. Due to its complexity, treatment encompasses multiple  healthcare specialties, with physical therapy emerging as an essential  component in mitigating symptoms and improving patients’ quality of life. This  study aims to assess the role of physical therapists in the treatment of  fibromyalgia, highlighting techniques such as therapeutic exercises, myofascial  release, acupuncture, Pilates, and hydrotherapy. This is a qualitative literature  review based on scientific articles published between 2015 and 2025, in  Portuguese and English. The data were analyzed using thematic content analysis  to identify recurring patterns in the therapeutic strategies applied. 

Keywords: Fibromyalgia; Physical Therapy; Quality of life.

1. INTRODUÇÃO 

A fibromialgia (FM) é uma síndrome reumática crônica de causa desconhecida,  caracterizada por dores musculoesqueléticas difusas e pontos dolorosos  específicos que podem ser identificados por palpação. Esses sintomas  frequentemente se associam a fadiga, distúrbios do sono, rigidez matinal e  impactos psicológicos como ansiedade e depressão, afetando significativamente  a qualidade de vida dos indivíduos envolvidos (Silveira; Schmitz, 2020). 

De acordo com Bhargava; Goldin (2023), não há um consenso entre os  especialistas sobre uma única causa para a fibromialgia; ao contrário, acredita-se que uma combinação de fatores físicos e emocionais contribui para o  surgimento ou agravamento dos sintomas. Em pacientes com fibromialgia,  também são observadas disfunções no processamento da dor e alterações  sensoriais no sistema nervoso central. 

Embora ainda não exista uma cura definitiva para a condição, existem  intervenções farmacológicas e não farmacológicas que visam controlar a dor,  melhorar o sono, diminuir a fadiga e promover o bem-estar emocional. É  fundamental que tanto os familiares quanto os próprios pacientes reconheçam a  realidade desses sintomas e participem ativamente do tratamento para aumentar  suas chances de sucesso (Pinheiro et al., 2024). 

No contexto da fibromialgia, a fisioterapia foca na redução dos sintomas,  aumentando o limiar da dor e preservando a funcionalidade nas atividades  diárias. Seu papel educacional busca fomentar a autonomia física dos pacientes.  As abordagens terapêuticas atualmente incluem técnicas variadas como  hidroterapia, Pilates e liberação miofascial. 

O tratamento fisioterapêutico abrange diversas metodologias. A fisioterapia  aquática ou hidroterapia auxilia no fortalecimento muscular e melhora da  amplitude de movimento. O Pilates ajuda na redução da dor, equilíbrio e  diminuição do estresse. A acupuntura estimula pontos específicos para aliviar as  dores, enquanto a liberação miofascial promove relaxamento muscular e  melhora na qualidade do sono.

Intervenções não farmacológicas como exercícios aeróbicos, fortalecimento  muscular e terapias cognitivo-comportamentais mostram-se eficazes na redução  da dor e aumento do bem-estar geral. Evidências científicas indicam que  programas de treinamento físico supervisionados por fisioterapeutas podem  reduzir a intensidade da dor em 20% a 30%, além de melhorar a mobilidade e  aliviar o cansaço sem os efeitos colaterais comuns aos tratamentos  medicamentosos (Dumont et al., 2024). 

Conforme dados epidemiológicos apresentados por Souza; Marchand (2017),  aproximadamente 2% a 3% da população brasileira sofre com fibromialgia,  sendo mais comum entre mulheres na proporção aproximada de 7,5 mulheres  para cada homem. Além das dores físicas, outros sintomas prevalentes incluem  distúrbios do sono, cefaleias, parestesias, fadiga intensa, problemas  gastrointestinais além de depressão e ansiedade. Nesse cenário, a fisioterapia  desempenha um papel essencial ao utilizar terapia manual, educação postural e  exercícios terapêuticos para atenuar esses sinais. 

Este estudo busca analisar como essas técnicas contribuem para o manejo da  síndrome. O objetivo geral é avaliar o impacto da fisioterapia no tratamento da  fibromialgia considerando intervenções como terapia manual, eletroterapia,  Pilates e hidroterapia em sua capacidade de reduzir sintomatologia e aprimorar  qualidade de vida dos pacientes. Conforme revisão realizada por Vega et al.,  (2024), intervenções fisioterapêuticas demonstram resultados positivos em  relação aos sinais típicos da fibromialgia incluindo dor crônica, limitações  funcionais e baixa qualidade de vida. 

Os objetivos específicos deste estudo incluem examinar o papel do  fisioterapeuta no tratamento dessa condição com foco nos efeitos das  intervenções específicas: terapia manual na diminuição da dor; eficácia da  eletroterapia no controle sintomático; benefícios do Pilates na funcionalidade;  além de explorar como a hidroterapia pode contribuir para o bem-estar físico emocional dos pacientes afetados pela síndrome. 

A Fisioterapia é uma ciência que engloba a restauração da funcionalidade e essa  pesquisa é de suma importância porque destaca como as técnicas fisioterapêuticas podem ajudar no alívio dos sintomas da fibromialgia,  contribuindo com bem-estar físico e emocional dos pacientes.  

2. METODOLOGIA 

A metodologia adotada é de natureza qualitativa, descritiva, com  abordagem bibliográfica. A pesquisa bibliográfica se baseia em materiais já  publicados, incluindo livros, artigos, teses e anais de eventos. Com o avanço das  tecnologias, também são incorporadas fontes digitais e conteúdos disponíveis  online, que se tornaram essenciais em quase todas as investigações acadêmicas  (Gil, 2017). 

Os critérios de inclusão abrangeram estudos que discutem intervenções  fisioterapêuticas aplicadas a pacientes diagnosticados com fibromialgia. Foram  considerados apenas artigos originais que apresentavam métodos claramente  descritos e focavam em intervenções fisioterapêuticas destinadas ao alívio dos  sintomas da fibromialgia, utilizando amostras compostas por pacientes  diagnosticados segundo critérios reconhecidos. 

Artigos editoriais, duplicados ou com acesso restrito foram excluídos, assim  como aqueles com falhas metodológicas ou que não oferecessem informações  relevantes à questão investigada. O foco da seleção concentrou-se nas  intervenções fisioterapêuticas e seus efeitos nos resultados funcionais e na  qualidade de vida dos pacientes. 

O objetivo desta pesquisa é descrever e avaliar a atuação da fisioterapia  no tratamento da fibromialgia, fundamentando-se na produção científica recente.  Para isso, foram selecionados e analisados artigos científicos publicados entre  2015 e 2025, nos idiomas português e inglês. Os trabalhos foram coletados por  meio de buscas em bases como Google Acadêmico, Scielo, LILACS, PubMed,  MEDLINE, CUMED e revistas científicas especializadas. 

Para aprofundar a análise, foram utilizadas as seguintes palavras-chave:  “Fisioterapia”, “Fibromialgia” e “Qualidade de vida “. As modalidades de  fisioterapia verificadas nos artigos incluem: conceitos gerais, treinamento resistido, reabilitação, avaliação funcional, alongamento, mobilização articular e  eletroterapia. 

O processo de seleção dos artigos ocorreu em três etapas: leitura dos títulos,  leitura dos resumos e leitura completa dos textos selecionados. A triagem foi  realizada por todos os membros do grupo; os artigos foram distribuídos  igualmente entre eles. Em caso de divergências nas escolhas individuais, as  decisões foram tomadas coletivamente para assegurar a confiabilidade dos  dados incluídos. 

Durante a busca inicial foram localizados 1.207 artigos relacionados às palavras chave escolhidas. Destes, 242 foram descartados por não estarem nos idiomas  estipulados nos critérios de inclusão. Em seguida, 414 artigos foram excluídos  por terem sido publicados antes de 2015 e mais 121 por serem duplicados ou  publicações incompletas; restaram assim 104 artigos relevantes. Desses  últimos, foram selecionados 60 com títulos alinhados ao objetivo do estudo. Após  a leitura detalhada destes textos, optou-se por usar 08 artigos científicos, devido  à sua relevância direta para a compreensão do tema. 

Os dados extraídos dos artigos passaram por uma análise qualitativa  baseada na análise temática do conteúdo para identificar padrões e recorrências  nas abordagens terapêuticas adotadas. Informações sobre o tipo de intervenção  aplicada, frequência e duração do tratamento realizado foram categorizadas  junto aos instrumentos utilizados na avaliação dos impactos sobre os sintomas  e na qualidade de vida dos pacientes. 

Entre as limitações do estudo, destaca-se a escolha restrita, decorrente  da predominância de artigos disponíveis em acesso aberto e da exclusão de  estudos em outros idiomas que poderiam ampliar a análise. Ainda assim, o  presente estudo reforça a relevância da atuação da fisioterapia no tratamento da  fibromialgia. 

Os resultados obtidos objetivam não apenas atender aos objetivos  propostos, mas também esclarecer a eficácia de métodos não farmacológicos,  como técnicas manuais e eletroterapias, oferecendo contribuições relevantes  para a prática clínica e estimulando novas investigações na área.

3. RESULTADOS 

QUADRO 1. Tipos de intervenções fisioterapêuticas abordados em  pacientes com Fibromialgia.

Autores/AnoTipo de estudoCaracterísticas da  AmostraTipos de IntervençãoPrincipais variáveis Analisadas Resultados  significativos
Fernand es et al.,(2024)Ensaio clínico randomizado 
controlado
82 mulheres com fibromialgia; Idade entre  18 e 65 anos; Dor entre 4  e 8 na Escala Visual Analógica  (VAS)Grupo de 
exercício  funcional  (FEG); 
Grupo de 
alongamento (SEG)
Dor (VAS), 
qualidade de  vida (FIQ e SF 36),  capacidade  funcional  (Teste Timed  Up and Go),  força muscular  (1RM), flexibilidade  
(Sit and Reach),  
equilíbrio  (Escala de  Berg).
Exercício  funcional  reduziu  significativamente a dor (p = 0.002). Melhora  significativa  da 
qualidade  de vida  (FIQ, p <  0.001; SF 36, p =  0.043). Não houve  diferenças  
significativa s entre  grupos em força,  
equilíbrio,  
flexibilidade  ou  capacidade  funcional. Benefícios  mantidos  
até 12  semanas
 após o fim  do treino
Silva (2022)Estudo 
experimental com 
abordagem quantitativa.
Mulheres diagnosticadas com 
fibromialgia, atendidas em  ambiente clínico.
Cartilha de  exercíciosIntensidade da  dor, Capacidade funcional e  
qualidade de  
vida, Fadiga e  rigidez muscular  e Sono e bem estar psicológico
Melhora 
significativa na redução  da dor e na  qualidade  
de vida das  participante s após o  
tratamento  fisioterapêutico.  melhoras  
funcional,  com  diminuição  da fadiga e 
aumento da  disposição  física.
Schlemm er et al.,  (2018)Quase 
experimental,  abordagem  quanti‑qualitativa
Mulheres  com  diagnóstico  clínico de  
fibromialgia, com 40  anos ou  mais,  apresentando 11 dos 18  pontos  
dolorosos à  palpação.  
Amostra por conveniência (n=7).
Terapia  aquática: 10  semanas no  total (1ª e 10ª  semanas  avaliações; 8  semanas de  intervenção  efetiva);  2x/semana, 1  hora/sessão;  exercícios para  fortalecimento,  alongamento e  relaxamento  muscular/respiratório;  monitorização:  escala de Borg  e sinais vitais.FIQ,  manovacuometria, espirometria , escala de Borg  e sinais vitais.Melhora  significativa  na  
capacidade  funcional  (FIQ),  redução da  dor, fadiga e rigidez  
corporal.  Além disso,  houve um  aumento da  força  
muscular  
respiratória.
Medeiros  et al., 
(2020) 
Ensaio  controlado randomizadoPacientes  
mulheres,  divididas em  grupos.
Pilates solo e exercícios  aeróbicos  
aquáticos.
Os  exercícios  
foram 
praticados  
durante duas  
vezes em um  período de 12  semanas. 
O objetivo foi  
avaliar a  eficácia do  método Pilates  de solo na melhora dos  sintomas em  mulheres com 
fibromialgia;
Houve  melhora em  ambos os  grupos em relação à 
dor e à  função
Barros,  et al., (2022)Pesquisa  experimental.Sete  mulheres  com idade  média de  50 anos,  com idades variando de 32 a 62  anos. Elas  relataram  dor por mais de  
cinco anos, sendo o  
diagnóstico realizado  há menos de dois anos.
Laserterapia,  Ultrassom  terapêutico,  Terapia  sinérgica,  Eletrotermofototerapia, Conduta fisioterapêutica personalizada  conforme o  estágio da  fibromialgiaIntensidade da  dor, Capacidade funcional.,  Intensidade dos  sintomas., Impacto global  da fibromialgia.Melhora na  funcionalidade e na  qualidade  de vida das  participantes., Redução  da  intensidade  álgica e do  processo  inflamatório  após o  tratamento.,  o protocolo  de laserterapia  e ultrassom  terapêutico  mostrou-se  eficaz para  o  restabelecimento funcional e  estabilização do quadro  clínico em  pacientes  com  fibromialgia
Buosi et  al 2024Revisão  sistemática  da literaturaForam  
selecionados 23  
estudos  entre  
artigos,  teses e  monografias que  abordavam TENS em  
pacientes  com  fibromialgia.
TENS  
convencional  
(alta frequência, baixa  intensidade). TENS burst 
(modulação em  rajadas). TENS placebo  (sem  
estimulação  
efetiva), usada  como controle  em diversos  
estudos.
Alívio da dor /  intensidade da  dor,  
Comparação  
entre diferentes  modalidades /  parâmetros de  TENS  (frequência,  largura de 
 pulso, tempo de  aplicação, modo acupuntura vs  convencional),  Impacto na  
qualidade de  
vida e melhorias funcionais  (associado a  TENS + terapias complementares ).
A revisão  indica que o TENS pode  ser eficaz  para reduzir a dor em pacientes  
com  
fibromialgia, especialmente quando  usado no  modo  acupuntura  com  
frequência  baixa,  largura de  
pulso de  200 µs e  duração de  40 minutos
Takemur a et al.,  (2021)Revisão de literatura (com base  em ensaios clínicos  
aleatorizados e  controlados )
Pacientes com  
fibromialgia, com  predominância  feminina,  idades  variadas e  sintomas de  longa  duração.
Acupuntura  tradicional  chinesa manual,  
baseada no  
diagnóstico  individual  (pontos de meridianos  específicos). Acupuntura  com  
moxabustão  pesada  aplicada em  pontos  dolorosos. 
Acupuntura  
sham (placebo)  e acupuntura  
simulada,  
usadas como  
controle. Agulhamento  seco (dry needling) em  pontos  dolorosos. Acupuntura  corporal em  grupo, com base em  
protocolos de 5  a 20 sessões. 
Dor  (intensidade,  pontos  doloridos),  qualidade de  vida, sono,  
fadiga, humor  
(depressão/ansiedade), e em  alguns casos,  níveis de  serotonina
acupuntura  demonstrou  ser eficaz  na redução  da dor e na melhora da  qualidade  de vida em  pacientes  com  fibromialgia. Observou se também  melhora no  sono e  redução da  fadiga. 
Alguns  estudos  indicaram  aumento  dos níveis de  serotonina,  associado à  melhora dos  sintomas. A  acupuntura  parece ser uma opção 
terapêutica segura e  pode ser um complemento eficaz aos  tratamentos  convencionais.
Pereira  et al., (2021)Revisão  
integrativa
Pacientes que  
receberam  a técnica  ver um  variou entre 20 e 82 
enquanto o  número de  
pacientes  que  
receberam  tratamento ponto  
gatilho variou entre  6 e 18.
As sessões  
foram de 1 a  12, com  duração entre 20 e 30  
minutos.
Os estudos  
sugerem que a  acupuntura seja  eficaz para o  tratamento da  dor em  
pacientes com  fibromialgia,  com melhora na 
qualidade de  
vida e  
interferência  
positiva no  
sono.
Foi eficaz  no alívio da  dor em  pacientes  
com FM em  
termos de  
qualidade  de vida.
Silveira, Martins 
(2018)
Revisão  
sistemática  de literatura
Predominância de  mulheres  (80-90%). 
Idades  variadas,com foco  em adultos. Pacientes  com  sintomas de fibromialgia.
Cinesioterapia,  Alongamentos  e exercícios  
musculares  passivos,  acupuntura  isolada, técnica  tradicional  chinesa de  inserção de  agulhas,  cinesioacupuntura, associação  de acupuntura  e  cinesioterapia.
Dor 
(intensidade,  
pontos  
doloridos). 
Qualidade de  vida. Sono
A  acupuntura  demonstrou  ser eficaz  para: 
Reduzir  significativamente a  intensidade  da dor em  
pacientes  com  fibromialgia. Diminuir a  quantidade  de pontos  
doloridos. 
Melhorar a  
qualidade  de vida dos  pacientes. 
Contribuir  para o  equilíbrio  adequado  do corpo.
Legenda: FM=Fibromialgia; TENS=Estimulação elétrica nervosa transcutânea;  FIQ=Questionário de impacto da Fibromialgia; SF-36=Questionário de qualidade de vida;

4. DISCUSSÃO  

O objetivo deste estudo foi examinar os efeitos do pilates, eletroterapia,  fisioterapia aquática e exercícios funcionais no controle dos sintomas da  fibromialgia. Foi utilizado um ensaio clínico controlado e randomizado  conforme apresentado por Fernandes et al. (2024), que visava avaliar a  eficácia de um programa de exercícios funcionais na redução da dor e na  melhoria da qualidade de vida. Participaram 82 mulheres, distribuídas  aleatoriamente em dois grupos: um grupo realizou exercícios funcionais  duas vezes por semana durante 14 semanas, enquanto o outro se dedicou  a exercícios de alongamento com a mesma frequência e duração. Os  resultados indicaram que o grupo que praticou exercícios funcionais  experimentou uma diminuição significativa da dor (p=0,002) e uma melhora  na qualidade de vida, conforme avaliado pelo Fibromyalgia Impact  Questionnaire (p<0,0001), em comparação ao grupo de alongamento. Não  foram encontradas diferenças significativas entre os grupos em relação à  capacidade funcional, força muscular, flexibilidade e equilíbrio, embora  ambos mostraram melhorias nesses aspectos. O estudo concluiu que o  programa de exercícios funcionais foi mais eficaz na redução da dor em  comparação com o alongamento, com efeitos positivos persistindo até 12  semanas após o término da intervenção. 

Silva (2022) conduziu uma revisão sistemática para avaliar a eficácia do  pilates em indivíduos com fibromialgia. Os resultados foram favoráveis,  destacando o método como uma alternativa terapêutica segura, acessível  e não farmacológica. A autora também criou um e-book educativo contendo  exercícios de várias intensidades. Conclui-se que o pilates é um recurso  eficaz para promover a qualidade de vida de pessoas afetadas pela  fibromialgia. 

O estudo realizado por Schlemmer et al. (2018) teve como foco avaliar os  efeitos da terapia aquática sobre a força muscular respiratória em mulheres  com fibromialgia e suas implicações na velhice. Esta pesquisa qualitativa  experimental envolveu sete mulheres entre 42 e 55 anos que participaram de um protocolo de fisioterapia aquática durante 10 semanas, com sessões  realizadas duas vezes por semana com duração de uma hora cada. Foram  aplicados questionários relacionados ao impacto da fibromialgia (FIG),  manovacuometria e espirometria para avaliação das condições iniciais e  finais. Após a intervenção, observou-se uma redução nos pontos dolorosos,  aumento no volume expiratório, pressão expiratória máxima e força  respiratória, além da melhoria nas atividades da vida diária (AVD). Os  autores ressaltam que as propriedades da água como temperatura  aquecida e pressão hidrostática favorecem a circulação sanguínea e  diminuem a sensibilidade à dor. A conclusão é que os exercícios aquáticos  apresentaram resultados positivos no bem-estar físico e emocional dos  pacientes. 

Medeiros et al. (2020) compararam a eficácia do método Mat Pilates com o  exercício aeróbico aquático no tratamento de mulheres portadoras de  fibromialgia. O estudo contou com 42 participantes divididos em dois  grupos que realizaram as atividades duas vezes por semana durante 12  semanas. Ambos os grupos relataram melhorias significativas na dor e na  função; no entanto, o Mat Pilates mostrou benefícios adicionais em  vitalidade e capacidade funcional enquanto o exercício aquático contribuiu  para melhorar a qualidade do sono e reduzir pensamentos catastróficos  relativos à dor. Nenhuma diferença significativa foi observada entre os  grupos, sugerindo que ambas as modalidades eram igualmente eficazes na  mitigação dos sintomas da fibromialgia. 

No estudo conduzido por Barros et al. (2022), intitulado “Eletroterapia na  Fibromialgia”, avaliou-se os efeitos da fisioterapia utilizando recursos  eletrotermofototerapêuticos durante episódios agudos da condição  fibromiálgica. A pesquisa experimental envolveu sete mulheres  diagnosticadas submetidas a 15 sessões combinadas de laserterapia e  ultrassom terapêutico três vezes por semana. A avaliação através da  Anamnese Física e do Questionário de Impacto da Fibromialgia (QIFR-Br)  revelou resultados estatisticamente significativos (p<0,05), incluindo  redução dolorosa, diminuição das áreas afetadas pela dor, assim como  melhora na capacidade funcional e qualidade de vida geral dos participantes. Os autores enfatizam que a combinação entre ultrassom e  laserterapia potencializa efeito analgésico e anti-inflamatório ao promover  reparação tecidual além estabilizar clinicamente as pacientes. 

Buosi et al. (2024) realizaram uma revisão sobre estudos envolvendo  Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea (TENS) no tratamento da  fibromialgia analisando 23 publicações existentes até então no tema  abordado; observaram que TENS pode efetivamente reduzir dores quando  aplicada principalmente sob modo acupuntura utilizando frequência  específica de 4 Hz combinada com largura pulso igual ou menor à 200 µs  durante média temporária aproximada aos 40 minutos; constataram ainda  variações nos resultados dependentes das características individuais dos  pacientes necessitando assim maior quantidade pesquisas futuras para  estabelecer parâmetros padronizados. 

Na revisão de literatura com base em ensaios clínicos aleatorizados e  controlados da Takemura et al., (2021). Acupuntura demonstrou ser eficaz na  redução da dor e na melhora da qualidade de vida em pacientes com  fibromialgia. Observou-se também melhora no sono e redução da fadiga. Alguns  estudos indicaram aumento dos níveis de serotonina, associado à melhora dos  sintomas.

5. CONCLUSÃO 

A partir da análise realizada, foi identificado que a fibromialgia é uma síndrome  reumática crônica, cuja etiologia permanece desconhecida. Essa condição se  manifesta por meio de dores musculoesqueléticas difusas, fadiga e distúrbios do  sono, impactando negativamente o bem-estar físico e mental dos indivíduos,  além de prejudicar a qualidade de vida. A intervenção do fisioterapeuta mostrou-se essencial, uma vez que diversas técnicas como hidroterapia, terapia manual  e pilates têm um papel significativo na redução da dor e no aumento da  flexibilidade. 

Além de promover melhorias físicas, a fisioterapia também influencia  positivamente os aspectos sociais e psicológicos dos pacientes, favorecendo  sua reintegração nas atividades diárias e contribuindo para o fortalecimento da  autoestima e autonomia. Dessa forma, conclui-se que o fisioterapeuta exerce  uma função crucial no tratamento da fibromialgia ao proporcionar qualidade de  vida, devendo atuar com uma abordagem humanizada, interdisciplinar e  individualizada.

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