NURSING PERFORMANCE IN RELATION TO PHARMACEUTICAL CARE IN THE TREATMENT OF LEPROSY: A LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202510260728
Letícia Silva Lima1; Rosália Expedita de Almeida1; Poliana da Silva Gomes1; Silvania de Jesus Rodrigues1; Vanessa Araújo dos Santos Sousa1; Sandeyvison Oliveira da Silva2; Pedro Henrique Rodrigues Alencar3
Resumo:
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica que atinge principalmente pele e nervos periféricos, com potencial para causar incapacidades físicas e impactos psicossociais relevantes. Apesar de ter tratamento gratuito e eficaz por meio da poliquimioterapia (PQT), o Brasil ainda enfrenta desafios relacionados à adesão terapêutica, estigma social e manejo de reações adversas. Diante disso, a enfermagem tem papel essencial na garantia do cuidado contínuo, seguro e humanizado. Este estudo teve como proposta analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, a atuação da enfermagem nos cuidados farmacêuticos no tratamento da hanseníase. Trata-se de uma pesquisa descritiva e exploratória, baseada em dados secundários, com busca nas bases SciELO, BDENF e PubMed. Utilizou-se a estratégia PICO para elaborar a questão norteadora e selecionar os artigos, por meio dos descritores: “Hanseníase”, “Tratamento”, “Enfermagem” e “Adesão farmacêutica”. Foram incluídos 10 estudos publicados entre 2010 e 2024, com diferentes delineamentos metodológicos, como estudos de caso, revisões integrativas, pesquisas qualitativas e ensaios clínicos. Os resultados demonstraram que a enfermagem atua diretamente na supervisão do uso dos medicamentos, na orientação terapêutica, no acompanhamento de reações adversas e na promoção da adesão por meio de estratégias educativas e visitas domiciliares. Estudos evidenciam ainda que abordagens sensíveis ao contexto sociocultural, aliadas ao vínculo entre profissional e paciente, favorecem o sucesso do tratamento. Um estudo internacional demonstrou que a atuação ampliada do enfermeiro melhora a adesão, reduz o estigma e melhora a qualidade de vida. Portanto, o enfermeiro é peça-chave na efetividade do tratamento da hanseníase, sendo necessária a valorização de sua atuação nos cuidados farmacêuticos, com vistas à promoção da adesão, prevenção de complicações e melhoria dos desfechos clínicos.
Palavras-chave: Hanseníase. Enfermagem. Cuidados farmacêuticos. Adesão terapêutica. Poliquimioterapia
INTRODUÇÃO
A hanseníase, é uma doença infecciosa causada pelo Mycobacterium leprae e que acometem a pele e os nervos periféricos e que possui grande importância para a saúde pública em função da sua alta capacidade de provocar incapacidades físicas relacionadas às lesões neurais. A doença manifesta-se clinicamente como lesões cutâneas com perda sensorial nas lesões e/ou extremidades, o que ressalta a importância do exame físico para o diagnóstico da doença (Ramos et al., 2021).
É considerada uma doença compulsória, ainda é um problema de saúde pública, apesar da prevalência ter reduzido nos últimos anos. O Brasil vem registrando cerca de33.000 casos por ano, sendo o segundo país com a maior quantidade de casos do mundo. É considerado um agravo subnotificado e apresenta elevado risco de adoecimento na cidade do Recife. A taxa de detecção foi de 58,7 casos por 100 mil habitantes em 2007 e passou para 29,2 em 2017 (Silva; Lima, 2021).
O bacilo acomete principalmente olhos, mãos e pés, por ter preferência pela pele e os nervos periféricos com alterações sensitivas. Esses fatores de comprometimento podem ser responsáveis por sequelas permanentes no indivíduo. Para que isso não ocorra, o diagnóstico precisa ser rápido, com o tratamento adequado e prioridade de acesso aos serviços públicos de saúde para qualquer dificuldade no tratamento (Santos; Ignotti, 2020).
Portanto, a hanseníase é uma doença curável com tratamento poliquimioterápico, o qual dura de seis a doze meses, a partir de uma classificação utilizada paucibacilares ou multibacilares referente ao número de lesões, a carga do bacilo e ao nível de comprometimento dos nervos periféricos do paciente (Ribeiro; Lana, 2015).
Ao contrário de algumas crenças, a hanseníase não é altamente contagiosa e existe tratamento disponível e eficaz. A abordagem no tratamento a doença consiste na associação de três medicamentos: rifampicina, dapsona e clofazimina (Brasil, 2017; Scollard et al., 2019), além de outros fármacos para amenizar as reações imunológicas como corticoides, ciclosporina, clofazimina e talidomida (Scollard et al., 2019).
Embora a doença tenha cura e o tratamento seja gratuito pelo Sistema Único de Saúde – SUS, desafios relacionados à efetividade, segurança e adesão ao tratamento tem sido responsável pela resposta inadequada ao tratamento e progressão da doença em muitos pacientes.
Diante disso, a presente revisão integrativa de literatura busca analisar a contribuição da enfermagem nos cuidados farmacêuticos voltados ao tratamento da hanseníase, destacando seu impacto na adesão terapêutica, no controle da doença e na qualidade de vida dos pacientes. O estudo em questão reside na necessidade de fortalecer a atuação dos profissionais de enfermagem como parte essencial da equipe multiprofissional, garantindo um cuidado integral e humanizado aos indivíduos acometidos pela hanseníase.
Nesse contexto, a enfermagem desempenha um papel fundamental no acompanhamento dos pacientes, especialmente no que se refere aos cuidados farmacêuticos. O tratamento da hanseníase é baseado na poliquimioterapia (PQT), além também da orientação quantos as aspectos de saúde, tanto para o paciente quanto para a família, na qual exige adesão rigorosa para evitar recaídas e resistência medicamentosa. A atuação da enfermagem envolve a orientação sobre o uso correto dos medicamentos, monitoramento de reações adversas, manejo de efeitos colaterais e educação em saúde para reduzir o abandono do tratamento (Brasil, 2017).
Além disso, os enfermeiros estão diretamente envolvidos na identificação precoce de complicações decorrentes do uso dos fármacos, como reações adversas graves e neuropatias, permitindo intervenções rápidas para minimizar danos ao paciente. A abordagem sistemática e educativa da equipe de enfermagem pode contribuir para uma melhor aceitação do tratamento pelos pacientes, reduzindo o medo e o preconceito associados à doença. Dessa forma, a enfermagem se torna peça-chave na promoção da adesão terapêutica e na qualidade do cuidado prestado.
Ademais, considerando que a hanseníase ainda é um problema de saúde pública, com desafios relacionados à vigilância epidemiológica e ao combate à desinformação, torna-se essencial ampliar as pesquisas sobre o impacto dos cuidados farmacêuticos prestados pela enfermagem. Compreender como esses profissionais podem atuar de forma mais eficaz na gestão do tratamento e na educação em saúde pode contribuir para a formulação de novas estratégias de enfrentamento da doença. Portanto, esta revisão integrativa busca evidenciar o papel da enfermagem nos cuidados farmacêuticos da hanseníase, ressaltando sua importância na adesão ao tratamento e na melhoria dos desfechos clínicos.
Portanto, este trabalho teve como objetivo analisar, através de uma revisão integrativa da literatura, o papel da enfermagem nos cuidados farmacêuticos voltados ao tratamento da hanseníase, com ênfase na adesão terapêutica e no manejo dos efeitos adversos.
REFERENCIAL TEÓRICO
Estratégias de enfermagem para a adesão farmacêutica
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Apesar de curável, a doença ainda representa um desafio de saúde pública em países endêmicos como o Brasil, devido à persistência de casos e à complexidade do tratamento. O esquema terapêutico recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) consiste na poliquimioterapia (PQT), um regime farmacológico que combina rifampicina, dapsona e clofazimina, com duração média de seis a doze meses, dependendo da forma clínica da doença (BRASIL, 2022).
A adesão ao tratamento farmacológico é essencial para a cura da hanseníase, prevenção de incapacidades físicas e interrupção da cadeia de transmissão. No entanto, diversos fatores interferem na adesão dos pacientes, incluindo efeitos adversos dos medicamentos, estigma social, baixa escolaridade, dificuldades de acesso aos serviços de saúde, além de limitações econômicas e geográficas (SILVA et al., 2021). Diante disso, o papel da enfermagem torna-se central, especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS), onde ocorre o primeiro contato com o sistema de saúde e o acompanhamento contínuo dos pacientes.
As estratégias de enfermagem voltadas à promoção da adesão ao tratamento da hanseníase envolvem ações educativas, acolhimento qualificado, escuta ativa e o estabelecimento de vínculo entre o profissional e o paciente. A educação em saúde, por meio de linguagem acessível e respeitosa, permite que o indivíduo compreenda a importância do tratamento, seus benefícios e as consequências do abandono. Além disso, o acompanhamento sistemático, com visitas domiciliares e monitoramento da ingestão dos medicamentos (supervisão da dose), são práticas eficazes na garantia da adesão (COSTA et al., 2020).
Outro aspecto relevante é a atuação do enfermeiro na articulação com a equipe multiprofissional, garantindo que as ações sejam integradas e centradas nas necessidades do paciente. A implementação de planos de cuidado individualizados, o fornecimento de suporte psicossocial e a mobilização de redes de apoio comunitário também contribuem para a adesão e a continuidade do tratamento (RODRIGUES et al., 2023).
Portanto, estratégias de enfermagem eficazes para a adesão farmacêutica no tratamento da hanseníase devem considerar uma abordagem holística, humanizada e centrada no paciente, visando à integralidade do cuidado e à superação das barreiras que dificultam a continuidade terapêutica.
Desafios e limitações no tratamento da hanseníase
Embora o tratamento da hanseníase esteja bem estabelecido por meio da poliquimioterapia (PQT), recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), inúmeros desafios e limitações ainda comprometem a efetividade das ações de controle da doença, especialmente em países endêmicos como o Brasil. A PQT é composta, geralmente, por uma combinação de rifampicina, dapsona e clofazimina, administrada por um período de 6 meses (para casos paucibacilares) ou 12 meses (para multibacilares). Apesar de sua eficácia, a adesão e a finalização do tratamento continuam sendo obstáculos importantes (BRASIL, 2022).
Um dos principais desafios está relacionado aos efeitos adversos dos medicamentos, que podem incluir hiperpigmentação cutânea, ressecamento da pele, distúrbios gastrointestinais e hepatotoxicidade, o que leva muitos pacientes a interromperem o tratamento de forma precoce (SANTOS et al., 2020). Esses efeitos colaterais, somados à falta de informação adequada sobre a doença e a terapêutica, contribuem significativamente para o abandono do tratamento.
Outro fator limitante é o estigma social ainda associado à hanseníase. Muitos pacientes evitam procurar os serviços de saúde ou esconderem o diagnóstico por medo de rejeição, o que dificulta o início precoce da terapêutica e favorece a disseminação da doença e o surgimento de incapacidades físicas (VASCONCELOS et al., 2021). O preconceito cultural, aliado à desinformação, perpetua barreiras no enfrentamento da hanseníase.
Além disso, o acesso aos serviços de saúde e à medicação pode ser dificultado por questões logísticas, como a distância entre a residência dos pacientes e as unidades de saúde, falta de transporte, descontinuidade no fornecimento dos medicamentos e escassez de profissionais capacitados, sobretudo em áreas remotas e vulneráveis (OLIVEIRA et al., 2022). Tais limitações estruturais refletem diretamente na qualidade da assistência e na continuidade do cuidado.
Do ponto de vista do sistema de saúde, a desarticulação entre os níveis de atenção, a ausência de políticas públicas específicas de incentivo ao diagnóstico precoce e à manutenção do tratamento, bem como falhas na capacitação permanente das equipes de saúde, constituem desafios institucionais que fragilizam as estratégias de enfrentamento da doença.
Portanto, superar os desafios e limitações no tratamento da hanseníase exige uma abordagem integrada que contemple aspectos clínicos, sociais e estruturais, promovendo o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, ações de educação em saúde, redução do estigma e garantia do acesso universal, equânime e contínuo ao cuidado.
Desafios e limitações no tratamento da hanseníase
O apoio familiar no tratamento do paciente com hanseníase é um elemento central para garantir adesão terapêutica, bem-estar emocional e reintegração social. A hanseníase, além de uma doença infecciosa crônica, carrega forte estigma social, o que frequentemente leva à exclusão e ao sofrimento psicológico. Nesse sentido, o suporte da família atua como um fator de proteção, reduzindo os efeitos negativos do preconceito e fortalecendo a autoconfiança do paciente (Silva et al., 2018).
Em primeiro lugar, a família exerce papel fundamental na adesão ao tratamento medicamentoso, que costuma ser longo e exige disciplina diária. Estudos apontam que pacientes que recebem incentivo familiar apresentam maiores taxas de conclusão da poliquimioterapia (PQT), em comparação com aqueles que enfrentam isolamento e abandono (Oliveira & Gomes, 2017). Esse acompanhamento diário é essencial para evitar o abandono terapêutico, que pode levar à resistência medicamentosa e complicações clínicas.
Além do apoio prático, o suporte emocional é igualmente relevante. A hanseníase pode afetar a autoestima e a percepção de si mesmo, principalmente quando surgem incapacidades físicas. O acolhimento e a escuta ativa da família reduzem sentimentos de vergonha, medo e solidão, que são comuns entre os pacientes. De acordo com Sousa et al. (2019), o apoio familiar tem efeito direto na redução de sintomas depressivos em pessoas acometidas pela hanseníase.
Outro aspecto importante é a participação da família no enfrentamento do estigma social. A desinformação e os preconceitos ainda são barreiras significativas, mesmo com o avanço das políticas públicas de saúde. Quando a família se informa e participa do cuidado, consegue atuar como mediadora social, explicando à comunidade que a doença tem cura e não deve ser motivo de discriminação (Lopes & Nogueira, 2020).
A reabilitação física também se beneficia do envolvimento familiar. Muitos pacientes necessitam de cuidados específicos para prevenir incapacidades, como exercícios de fisioterapia e inspeção diária das áreas afetadas. A orientação dos serviços de saúde, aliada ao apoio familiar, contribui para prevenir deformidades e complicações, favorecendo a autonomia do paciente (Moura et al., 2016).
Do ponto de vista espiritual e psicológico, o suporte familiar pode funcionar como uma rede de fé, esperança e resiliência. Em muitas culturas, a família é a principal fonte de amparo espiritual, o que auxilia no enfrentamento da doença e no fortalecimento da motivação para seguir com o tratamento (Carvalho et al., 2019). Assim, a família contribui para uma abordagem integral da saúde do paciente.
Outro ponto a destacar é a redução do abandono social. Sem apoio, o paciente pode se sentir excluído até mesmo dentro do lar, o que agrava o sofrimento emocional. Famílias que promovem um ambiente inclusivo, respeitoso e de solidariedade ajudam o paciente a manter sua identidade e seus papéis sociais, mesmo durante o tratamento (Pereira & Santos, 2018).
O envolvimento familiar também auxilia os serviços de saúde. Profissionais relatam que pacientes acompanhados por familiares apresentam maior abertura para aceitar orientações e maior capacidade de incorporar mudanças de estilo de vida, como cuidados com a higiene e prevenção de lesões (Cunha et al., 2020). Isso mostra que a família pode ser considerada parceira ativa da equipe de saúde.
Contudo, é importante ressaltar que o apoio familiar não é automático. Muitas vezes, o desconhecimento sobre a doença e o medo do contágio levam familiares a se distanciarem. Por isso, é essencial que as políticas públicas incluam programas educativos voltados às famílias, para reduzir preconceitos e capacitá-las no cuidado cotidiano (Ministério da Saúde, 2016).
Por fim, o apoio da família deve ser visto como parte integrante da atenção integral à pessoa com hanseníase. Ele transcende o aspecto biomédico e alcança dimensões psicossociais, espirituais e culturais, que são fundamentais para a reabilitação plena. Portanto, a integração entre paciente, família e equipe de saúde é uma estratégia indispensável para o sucesso terapêutico e para a superação do estigma associado à doença (Silva & Oliveira, 2019).
METODOLOGIA
A presente pesquisa trata-se de um estudo descritivo/exploratório, documental, do tipo revisão integrativa. O estudo descritivo aborda as características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis (SOUZA et al., 2010). Segundo Soares et al (2015), a revisão integrativa configura-se, portanto, como um tipo de revisão da literatura que reúne achados de estudos desenvolvidos mediante diferentes metodologias, permitindo aos revisores sintetizar resultados de maneira, organizada, lógica e rigorosa sem ferir a filiação epistemológica dos estudos empíricos incluídos.
A pesquisa obedeceu às seguintes etapas: escolha do tema, questão de pesquisa, busca ou amostragem na literatura, categorização dos estudos, avaliação dos estudos, interpretação dos resultados e apresentação da revisão. A questão norteadora da pesquisa seguiu a estratégia PICO (Quadro 1) que representa um acrônimo para Paciente, Intervenção, Comparação e “Outcomes” (desfecho) que são os elementos fundamentais da questão de pesquisa e da construção da pergunta para a busca bibliográfica de evidências (SANTOS, PIMENTA, NOBRE; 2007). Qual o papel da enfermagem nos cuidados farmacêuticos voltados ao tratamento da hanseníase e sua influência na adesão ao tratamento?
No que se referem aos preceitos éticos, o estudo foi realizado com base em dados secundários, logo, dispensou a apreciação do Comitê de Ética.
Para facilitar a escolha dos estudos, a busca se deu por meio do modo “with full text”, em que será utilizado os descritores do DECS e MESH, sendo os seguintes: Hanseníase; Tratamento; Enfermagem; Adesão farmacêutica. Será utilizado o operador booleano AND e OR, assim será possível encontrar estudos que contenham os descritores escolhidos e responderam questão norteadora.
Primeiramente foi realizado um levantamento dos estudos nas seguintes bases de dados: Scientific Eletronic Library Online (SCIELO), PUBMED e BDENF.
A análise de dados foi feita através da categorização de todos os assuntos envolvendo a temática, que serão apresentados em tópicos para a discussão. Sendo assim, para fins de organização, os dados selecionados foram dispostos em um quadro sinóptico contendo os seguintes itens: título, base de dados, ano de publicação e tipo de estudo.
A apresentação dos resultados e a discussão geral sobre a temática estão feitas dessa forma para possibilitar ao leitor a avaliação da aplicabilidade da revisa elaborada, visando atingir o objetivo deste estudo.
RESULTADOS
Foram selecionados 10 estudos para compor a seguinte revisão de literatura, nas seguintes bases de dados SCIELO, BDENF e PubMed, utilizando os descritores combinados: Hanseníase; Tratamento; Enfermagem; Adesão farmacêutica. Os critérios de seleção podem ser observados na Figura 1.

No quadro 1 é possível observar a síntese dos estudos com base no título, objetivos, tipo de estudo e principais resultados.
Quadro 1. Quadro sinóptico com a distribuição e organização dos artigos selecionados considerando título, objetivo, tipo de estudo e principais resultados.

Fonte: Autoria própria, 2025.
Os estudos também abordaram sobre os principais diagnósticos de enfermagem para pacientes com hanseníases, bem com suas intervenções e metas, conforma descrito no Quadro 2.
Quadro 2. Principais diagnósticos, intervenções e metas de enfermagem para pacientes com hanseníase em tratamento, segundo as taxonomias NANDA, NIC e NOC.

DISCUSSÃO
A atuação da enfermagem na atenção à hanseníase tem se mostrado estratégica para garantir a adesão ao tratamento e a supervisão do uso correto dos medicamentos, especialmente da poliquimioterapia. Os cuidados farmacêuticos realizados por enfermeiros envolvem não apenas a administração e a entrega dos fármacos, mas, sobretudo, a orientação, o acompanhamento e a promoção do autocuidado de forma contínua e humanizada (SANTOS et al., 2019).
Silva e Sousa (2012) destacam que a incorporação de práticas culturalmente sensíveis à consulta de enfermagem contribui para a melhora na adesão terapêutica e no entendimento dos pacientes sobre o tratamento medicamentoso. Nesse sentido, compreender a cultura e os valores do paciente permite ao enfermeiro adaptar sua linguagem e suas orientações farmacológicas à realidade local.
Costa et al. (2013) evidenciam que os enfermeiros da Estratégia Saúde da Família desempenham papel fundamental no controle da hanseníase, sendo responsáveis pela consulta, vigilância de contatos, supervisão da medicação e ações educativas, o que reforça sua importância nos cuidados farmacêuticos. Além disso, Oliveira et al. (2010) propõem um instrumento estruturado para a consulta de enfermagem, incluindo itens que abordam diretamente o uso correto dos medicamentos, os possíveis efeitos adversos e a necessidade de acompanhamento constante, facilitando uma prática mais segura e eficaz.
Rodrigues et al. (2010), por sua vez, demonstram que a consulta de enfermagem é a principal ferramenta utilizada para a continuidade do tratamento no âmbito do PSF, ressaltando que mais de 90% dos casos investigados foram acompanhados por esse recurso. Isso mostra como o enfermeiro assume um papel de liderança no seguimento terapêutico e no cuidado farmacológico.
Já Lima et al. (2014) apontam que o enfermeiro atua de forma integrada na atenção à hanseníase, especialmente na prevenção de incapacidades e no encaminhamento de casos que apresentam reações adversas aos medicamentos. Essa atuação reforça a importância da vigilância farmacológica dentro da atenção básica. Entretanto, o estudo de Barbosa et al. (2017) evidencia que fatores como sobrecarga de trabalho e falhas de comunicação podem comprometer a qualidade do cuidado e da orientação medicamentosa, sendo necessário oferecer melhores condições estruturais para que o profissional execute suas atividades com excelência.
A atuação domiciliar da enfermagem também é uma estratégia importante para fortalecer os cuidados farmacêuticos. Moura et al. (2018) ressaltam que a visita domiciliar permite ao enfermeiro avaliar o uso correto da medicação, monitorar reações adversas e reforçar práticas de autocuidado, criando vínculos e aumentando a adesão ao tratamento. A esse respeito, Gomes et al. (2021) apontam que a escuta qualificada e a comunicação efetiva são fundamentais para superar barreiras como o medo do diagnóstico e o estigma, fatores que também interferem diretamente na adesão ao tratamento medicamentoso.
Em nível internacional, o estudo de Singh et al. (2024) oferece evidências robustas sobre a eficácia da atuação da enfermagem na gestão farmacológica da hanseníase. A partir de um ensaio clínico randomizado realizado na Índia, demonstrou-se que a capacitação de enfermeiros para supervisionar e acompanhar o tratamento resultou em aumento significativo na adesão à poliquimioterapia, melhora da qualidade de vida dos pacientes e redução dos níveis de estigma e ansiedade.
Assim, a análise dos estudos reforça que o enfermeiro é um agente essencial nos cuidados farmacêuticos relacionados à hanseníase. Seja por meio da consulta de enfermagem, da educação em saúde, do monitoramento domiciliar ou da comunicação culturalmente sensível, suas ações são determinantes para o sucesso terapêutico e a reabilitação integral do paciente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A hanseníase, por ser uma doença crônica de forte impacto físico e psicossocial, exige uma abordagem terapêutica integral que vá além do fornecimento de medicamentos. Nesse contexto, a atuação da enfermagem assume papel central na efetivação dos cuidados farmacêuticos, contribuindo para a adesão à poliquimioterapia, o manejo de reações adversas, a orientação terapêutica contínua e o enfrentamento do estigma social.
Os estudos analisados demonstram que o enfermeiro está presente em todas as etapas do cuidado, seja na consulta clínica, na vigilância epidemiológica, na atenção domiciliar ou na educação em saúde. A capacidade do enfermeiro de estabelecer vínculo com o paciente, utilizar estratégias de comunicação sensíveis à realidade sociocultural e sistematizar o acompanhamento clínico com uso de instrumentos específicos, contribui diretamente para o uso racional de medicamentos e para a eficácia do tratamento da hanseníase.
Além disso, a literatura evidencia a necessidade de fortalecer políticas públicas que valorizem e apoiem a atuação da enfermagem na gestão farmacológica, garantindo condições adequadas de trabalho, capacitação contínua e inserção plena nas equipes de saúde. A experiência internacional também aponta que a ampliação do escopo de prática da enfermagem em países endêmicos pode gerar impactos positivos na adesão terapêutica, qualidade de vida dos pacientes e controle da doença.
Portanto, reconhecer e investir na atuação do enfermeiro como protagonista nos cuidados farmacêuticos da hanseníase é uma estratégia fundamental para o sucesso terapêutico, a redução das taxas de abandono e a promoção de uma atenção mais humanizada, segura e resolutiva.
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1 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Universidade Paulista, polo Imperatriz; e-mail: limaah123456789@gmail.com; Vanessarafinha19@gmail.com; rosalia.expedita@gmail.com; Polianadasilvagomes7@gmail.com; Silvaniajr2017@gmail.com.
2 Professor do Curso de Enfermagem da Universidade Paulista. E-mail: sandeyvisonbacabal@gmail.com
3 Professor do Curso de Enfermagem da Universidade Paulista. E-mail: Enfpedro.alencar@gmail.com
