REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202507051515
Rosângela Meirelles Barbosa Oliveira
Luisa Cabral Santos
Antônio de Almeida Sobrinho
Raísa Ruiz Chaves
Rooselvelt Izel Pereira de Melo
RESUMO
O objetivo deste trabalho é demonstrar as alternativas para o aproveitamento do caroço de açaí na agroindústria. O mesmo foi realizado através de uma ampla pesquisa bibliográfica, contendo introdução, revisão bibliográfica, considerações finais, conclusão e referências. Foi identificado através dessa pesquisa que o caroço de açaí pode vir a ser uma importante matéria-prima na confecção de vários materiais e na execução de serviços essenciais como a produção de energia. O caroço de açaí quando não descartado no meio ambiente e utilizado de forma adequada diminui os problemas ecológicos e sociais, podendo vir a ser usado desde a alimentação animal, a adubos orgânicos, fabricação de móveis e materiais de construção e até mesmo na geração de energia, ainda mais se levarmos em consideração que ainda hoje, na região Amazônica, existem comunidades com difícil acesso a esse serviço.
PALAVRAS-CHAVE: resíduos agroindustriais; caroço de açaí; aproveitamento; meio ambiente.
ABSTRACT
The objective of this work is to demonstrate the alternatives for the use of açaí seeds in the agroindustry. It was carried out through extensive bibliographic research, containing an introduction, bibliographic review, final considerations, conclusion and references. It was identified through this research that the açaí seed can become an important raw material in the manufacture of various materials and in the execution of essential services such as energy production. When the açaí seed is not discarded into the environment and used appropriately, it reduces ecological and social problems and can be used for everything from animal feed to organic fertilizers, furniture and construction materials manufacturing and even energy generation, especially if we take into account that even today, in the Amazon region, there are communities with difficult access to this service.
Keywords: agro-industrial waste; açaí seed; utilization; environment.
1 INTRODUÇÃO
O crescimento populacional exponencial no decorrer das últimas décadas tem gerado a necessidade de maior quantidade de produção de alimentos, materiais e serviços industrializados, que geram enormes quantidades de resíduos sólidos decorrentes destas atividades manufatureiras.
Apesar das legislações vigentes voltadas à essa questão, tais resíduos sólidos, quando não possuem uma destinação correta, por sua vez, acabam gerando grandes quantidades de problemas ambientais, como a poluição dos ambientes aquáticos e terrestres, acumulo de lixo, proliferação de doenças, contaminação do solo, rios, etc. Sendo que por muitas vezes, esses resíduos podem ser utilizados para diversas atividades agroindustriais, o que minimizaria a problemática e oferecia boas alternativas aos produtores da cadeia manufatureira.
Dentre tais resíduos, em nossa região, destaca-se o caroço de açaí, fruta bastante utilizada de diversas formas, mas apenas a sua polpa, descartando-se o caroço, que pode ser utilizado em diversas atividades humanas. Utilização essa que vem ganhado destaque em diversos estudos, principalmente no Brasil.
Desta forma, o objetivo deste trabalho é mostrar alternativas para o aproveitamento deste resíduo sólido – caroço de açaí – pelas agroindústrias locais que o processam para a fabricação de polpa.
O presente trabalho buscou a revisão bibliográfica quanto ao aproveitamento e destino do resíduo do caroço de açaí depois de processado a polpa nas agroindústrias.
2 DESENVOLVIMENTO
2.1 Breve contextualização sobre resíduos sólidos
Em razão do acelerado crescimento populacional e a grande demanda por produtos industrializados, um dos maiores problemas que estamos enfrentando atualmente são os que se relacionam as questões ambientais, precisamente no que se refere ao aumento na geração, coleta e destino final dos resíduos sólidos (JACOBI; BASEN, 2011).
A questão dos resíduos sólidos no Brasil tem sido amplamente discutida na sociedade, permeando várias áreas do conhecimento: saneamento básico, meio ambiente, inserção social e econômica dos processos de triagem e reciclagem dos materiais e, mais recentemente, ainda de forma insipiente, o aproveitamento energético dos gases provenientes dos aterros. A busca de soluções para a destinação final dos resíduos tem se constituído em grande desafio, sobretudo no que concerne à poluição dos solos, do ar e dos recursos hídricos, bem como à compreensão dos mecanismos de biodegradação da massa de lixo e sua influência no comportamento dos aterros. Esta abordagem permite o desenvolvimento de técnicas mais eficientes para o tratamento de massa de lixo, dos efluentes líquidos e gasosos, além de promover melhor aproveitamento das áreas disponíveis para destinação final dos resíduos sólidos (CASTILHOS JUNIOR, 2013).
No entanto, a ausência de definições políticas e diretrizes para a área de resíduos nos três níveis de governo (federal, estadual e municipal) associa-se à escassez de recursos técnicos e financeiros para o equacionamento do problema. Com relação aos aspectos legais, a legislação brasileira ainda é bastante restrita e genérica, por vezes impraticável, devido à falta de instrumentos adequados ou de recursos que viabilizem sua implementação (SCHALCH et al., 2002).
Ainda segundo Figueiredo (1995), a sociedade moderna é extremamente consumista e se acostumou ao descartável, o que tem levado a uma enorme produção de lixo. Os sistemas adotados pela maioria das comunidades para a administração de resíduos são resultantes de uma visão de inesgotabilidade dos recursos naturais, o que necessita de revisão urgente, dentro da ótica do desenvolvimento sustentável, uma vez que dele depende a existência harmoniosa do homem no Planeta. Outro conceito que carece de revisão é quanto à responsabilidade pelo lixo. No que diz respeito à sociedade, ela não se encerra no momento em que o lixo é colocado à porta para a coleta. Para tal, serão necessárias mudanças nos hábitos de consumo, não apenas no que diz respeito à quantidade, mas também ao tipo de produto adquirido, bem como nos processos industriais. Um outro aspecto importante decorre das concentrações e da toxicidade dos resíduos, uma vez que a deposição pontual destes materiais pode comprometer seriamente os ecossistemas de uma região, provocando alterações nas mesmas proporções que a extração predatória de recursos naturais e, muitas vezes, inviabilizando a própria extração dos recursos em função da contaminação.
É crescente a busca por soluções para a redução do impacto ambiental, ocasionado pelo consumo exagerado da população, junto ao descarte inadequado dos resíduos sólidos urbanos e agroindustriais. Na tentativa de minimizar os impactos ambientais causados pelos resíduos sólidos, o governo federal instituiu a política nacional de resíduos sólidos, LEI N° 12.30 5, de 2 de agosto de 2010, cujos objetivos correspondem a qualidade ambiental e proteção da saúde ambiental, não geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos sólidos, bem como disposição final ambientalmente adequada (BRASIL, 2010).
Desta forma, resíduos sólidos são resíduos nos estados sólidos e semissólidos, que resultam de atividades da comunidade, de origem: industrial, doméstica, de serviços de saúde, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Consideram-se também resíduos sólidos os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos, cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpo d’água, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível (ABNT, 2004).
De acordo com Waldman, os resíduos são considerados de formas diferentes para os segmentos envolvidos com seu gerenciamento. Para as recicladoras, os resíduos sólidos urbanos constituem matéria-prima geradora de lucros. Já para o segmento industrial, os processos de reciclagem contribuem por minimizar os custos de produção por meio do reaproveitamento. Em alguns casos, os resíduos transformam-se em combustível, gerando energia a baixo custo. Para os gestores de aterros e empresas coletoras geralmente financiadas por prefeituras, o interesse maior está na quantidade destes resíduos. Para os coletores é a qualidade que conta.
Schalch (2020) ainda classifica os resíduos sólidos, conforme quadro 01 abaixo:
Quadro 01 – Classificação dos Resíduos Sólidos
| TIPO | CARACTERÍSTICA |
| Urbanos | Incluem o resíduo domiciliar gerado nas residências, o resíduo comercial, produzido em escritórios, lojas, hotéis, supermercados, restaurantes e em outros estabelecimentos afins, os resíduos de serviços, oriundos da limpeza pública urbana, além dos resíduos de varrição das vias públicas, limpezas de galerias, terrenos, córregos, praias, feiras, podas, capinação. |
| Industriais | Correspondem aos resíduos gerados nos diversos tipos de indústrias de processamentos. Em função da periculosidade oferecida por alguns desses resíduos. Dividem-se em 3 classes: I – Perigosos; II – Não Inertes e; III – Inertes |
| Serviços de Saúde | Produzidos em hospitais, clínicas médicas e veterinárias, laboratórios de análises clínicas, farmácias, centros de saúde, consultórios odontológicos e outros estabelecimentos afins. Agrupam-se em resíduos comuns e sépticos. |
| Portos, aeroportos, terminais rodoviários e ferroviários | Constituem os resíduos sépticos, que podem conter organismos patogênicos, tais como: materiais de higiene e de asseio pessoal, restos de alimentos, etc., e veicular doenças de outras cidades, estados e países. |
| Agrícolas | Correspondem aos resíduos das atividades da agricultura e da pecuária, como embalagens de adubos, defensivos agrícolas, ração, restos de colheita, esterco animal. A maior preocupação, no momento, está voltada para as embalagens de agroquímicos, pelo alto grau de toxicidade que apresentam, sendo alvo de legislação específica |
| Entulho | Constitui-se de resíduos da construção civil: demolições, restos de obras, solos de escavações etc. |
| Radioativos | Provenientes dos combustíveis nucleares. Seu gerenciamento é de competência exclusiva da CNEN – Comissão Nacional de Energia Nuclear. |
No caso deste estudo, se dará maior relevância aos resíduos do tipo agrícola, no qual se enquadra o processamento do açaí. Segundo Pires e Mattiazzo (2008), os resíduos da atividade agrícola são aqueles originados exclusivamente da produção agropecuária, compostos por resíduos de lavouras, como as palhas e da atividade zootécnica, como dejetos orgânicos passíveis de tratamento para posterior utilização como estercos e considerados, ambos, como portadores de baixa concentração de contaminantes.
2.2 Aproveitamento de resíduos sólidos do caroço de açaí na Agroindústria
O setor agroindustrial tem sido um dos grandes responsáveis pela movimentação econômica do país, porém, também é responsável pela geração de grande quantidade de resíduos, os quais causam diversos problemas ambientais pela ação contaminante destes resíduos para o solo e corpos hídricos, principalmente. Porém, estes materiais considerados resíduos não podem ser denominados como lixo, pois possuem valor econômico agregado, os quais, depois de receberem tratamento adequado, podem ser aproveitados dentro do próprio setor de origem (PEDROSA et al., 2013).
A agroindústria do açaí é uma das cadeias produtivas mais importantes da região Norte do Brasil. Em função do aumento na produção e consumo de açaí na região Amazônica, e em todo o Brasil, tem crescido também a quantidade de resíduos gerados, como os caroços, por exemplo, que normalmente são dispostos de maneira inadequada no meio ambiente, como em ruas e em lixões, sem serem submetidos a nenhum tratamento prévio, causando inúmeros prejuízos ao meio ambiente (ALMEIDA et al., 2017).
Especificamente na Amazônia, a agroindústria do açaí representa 93% da produção extrativista vegetal não madeireira do Brasil, sendo o Pará e o estado do Amazonas os dois principais produtores, com produção nacional de 50% e 33,6%, respectivamente. De acordo com o IBGE, em 2017 foram produzidas cerca de 220 mil toneladas de açaí, e após a remoção da polpa para produção do suco, estima-se que 176 mil toneladas de resíduos foram descartadas, uma vez que 80% do fruto é composto de fibras e caroço (BARBOSA et al., 2019).
Entretanto, segundo Ribeiro (2017), trata-se de uma atividade com geração de resíduos e influências na qualidade ambiental, visto que são necessários aproximadamente 2,5 kg de açaí para a geração de um litro do suco, pois apenas 17% do fruto é comestível, o restante corresponde aos caroços pouco aproveitados na região.
Almeida et. al. (2017) ainda enfatiza que a cadeia produtiva da polpa do açaí apenas 15% é beneficiado, trata-se da polpa, os outros 85%, que corresponde ao caroço e fibras que são classificados como rejeitos orgânicos, e então são descartados.
Segundo Carneiro et al. (2013), estudos têm demonstrado que o caroço de açaí apresenta várias utilidades como a confecção de artesanato, fertilizante orgânico e potencial para biossorvente de íons metálicos de soluções aquosas (RECH, 2014). O caroço também é utilizado nas indústrias de cerâmica, como insumo energético para gerar calor nos fornos que utilizam combustão de biomassa florestal para produzir telhas e tijolos.
Por sua vez, Cordeiro et al., (2017) enfatiza que esta biomassa apresenta potencial para ser transformada em energia elétrica, térmica e gás combustível para uso em caldeiras, substituindo a lenha e o carvão que liberam gases nocivos ao meio ambiente. Além de promover maior sustentabilidade ambiental, também pode ser reutilizado na fabricação de ração para animais, café e até na produção de móveis e cerâmicas. Quando seu descarte ocorre de forma inapropriada gera entulho nas ruas da cidade, em terrenos baldios e lixões clandestinos podendo reagir com outros elementos descartados inadequadamente e gerar mais gases de efeito estufa.
Almeida et al. (2017), apresenta alguns produtos, processos beneficiadores, vantagens e pesquisas sobre o caroço de açaí, conforme quadro 02 abaixo:
Quadro 02 – Produtos, processos beneficiadores, vantagens e pesquisas sobre o caroço de açaí
| PRODUTO | PROCESSAMENTO | VANTAGENS | AUTOR |
| AGRICULTURA | |||
| Fertilizante organo-mineral | Compostagem dos rejeitos orgânicos combinando o bio-carvão com biomassa, ambos ricos em nitrogênio. O caroço, por sua difícil decomposição, entra como fornecedor de carbono. | – Destinação adequada para os resíduos sólidos; – Melhoramento dos atributos do solo; – Ação do adubo orgânico de qualidade equivalente aos usados pela agricultura | Silva (2014) |
| MEDICINA | |||
| Próteses de bio-material sintético | Separação do caroço, fibras e serragem e aproveitamento só do caroço na formação do poliol e poliuretano (adição de polímeros) | – Diminuição do número de cirurgias; – Redução de custos na fabricação das próteses em até cinco vezes; – Adição de valor à matéria-prima | Silveira (2012) |
| MOVELARIA | |||
| Eco-painéis para uso comercia | Imersão do caroço em solução aquosa de NaOH (mercerização) para retirada da lignina, separação manual das fibras, secagem, aplicação de resinas e submissão à uma prensa com aquecimento | – Aumento da aderência do material; – Aderência com resinas de base oleosa; – Potencialidade para uso comercial | Mesquita (2013) Lima et al. (2015) |
| Madeira sintética | Secagem e estabilização da massa seca seguida de moagem, separação da fibra e catalisação com a resina poliéster | – Alta resistência a flexão; – Material resistente à fadiga; – Fabricação de materiais polímeros com reforço de fibras vegetais | Goes, Moreno &Tavares (2014) |
| ARTESANATO | |||
| Biojoias | O processo padrão inclui: secagem, retirada da casca, polimento, furação básica. Processos diversos incluem: tingimento, Esmerilhação, mudança de formato etc. O pó gerado na usinagem ainda pode ser agregado a resinas para a fabricação de outras biojoias | – Permite variações de cor, tamanho formato etc. – atrativo comercial; – Matéria-prima vendida em grande quantidade c/ custo unitário irrisório; – Aproveitamento integral da semente; – Produtos acabados com valor agregado de até 800% sobre o custo de fabricação. | Benatti (2013) |
Quanto à sua utilização na fabricação de ração para animais, apesar da ampla gama de usos para o caroço do açaí, usos na alimentação animal ainda são pouco reportados na literatura. E a inclusão de caroço de açaí em dietas de ruminantes já foi testado com resultados interessantes, sendo que, a inclusão de até 15% de caroço de açaí na dieta de ovinos aumentou o ganho de peso dos animais (GOMES et al., 2012)
Townsend et al. (2001) ainda afirma que o reaproveitamento do caroço de açaí como ração animal apresenta baixo valor nutricional para a alimentação de ruminantes, sendo recusados pelos animais devido ao seu sabor adstringente devido à presença de polifenóis no caroço.
Já estudos como o de Guimarães and Storti Filho (2004) avaliaram o desempenho de tambaqui, em policultivo com jaraqui (Semaprochilodus insignis), alimentado com produtos agrícolas e florestais como suplemento e um dos principais itens utilizados foi o açaí constituído de caroço e casca após aproveitamento da polpa, com outros subprodutos, concluíram que os produtos diversos podem servir de base na elaboração de dietas suplementares para tambaqui, em substituição a rações industrializadas.
Quanto à sua utilização na fabricação de cerâmicas, tijolos, entre outros, Marins et al. (2014), a adição da cinza do caroço de açaí em cerâmicas estruturais mostrou-se uma alternativa interessante para a utilização deste abundante rejeito orgânico. Os testes realizados mostraram que teores de até 15% de rejeito, em associação à massa argilosa para fabricação de cerâmica estrutural, melhoraram as propriedades físicas e mecânicas das amostras. A densificação aumenta na medida em que a temperatura de sinterização é aumentada, devido ao efeito fundente da cinza, que forma fase líquida a qual preenche parcialmente a porosidade do material, aumentando sua densidade e diminuindo sua porosidade aparente e também causando um aumento significativo na sua resistência mecânica.
Para Silva (2018), em seu estudo, ainda concluiu que o uso do caroço de açaí nesta pesquisa contribui para a possibilidade de um meio mais limpo e saudável, uma vez que durante a produção dos tijolos para realização do estudo, deixou-se de ser queimado aproximadamente cerca de 3 metros cúbicos de lenha, o uso dos caroços promove um processo produção de tijolos mais econômico e menos agressivos ao meio ambiente, possibilitando dessa forma, a redução, reutilização e reciclagem de diversos resíduos, diminuindo a quantidade a ser descartada em céu aberto ou próximo aos mananciais dando um destino útil a estes caroços e promovendo a eficiência ambiental deste setor.
Quanto à produção de energia, Passinho et al. (2019), concluiu que o potencial energético das sementes de açaí analisadas para um sistema queimando somente caroço de açaí e mix de caroço com lenha, em uma caldeira com 50 % de eficiência térmica, apresentaram uma liberação de energia maior que a lenha utilizada na indústria em análise. Dessa forma, as sementes de açaí podem substituir totalmente a lenha como combustível da caldeira, e ainda auxiliar os pasteurizadores e tanque de mistura devido a maior necessidade de energia nesta etapa do processo.
Os mesmos autores ainda enfatizam que caso sejam aplicados procedimentos de manutenção para melhoria da eficiência da caldeira, progressivamente ocorre aumento do rendimento e maior liberação de energia para os pasteurizadores e tanque de mistura e consequentemente menor geração de subprodutos indesejáveis no processo de combustão. Os resultados também mostraram a grande quantidade de energia que pode ser extraída da semente de açaí, energia essa que pode ser utilizada na própria indústria que a gerou ou em outros sistemas energéticos (PASSINHO et at., 2019).
Portanto deve-se considerar o caroço de açaí como uma fonte alternativa para a geração de energias diversas, devido seu elevado poder calorifico. De acordo com os resultados do estudo de REIS et al (2002) a potência calorífica do caroço de açaí no processo de combustão é em torno de 4.500 Kcal/Kg. O mesmo trabalho também conclui que a composição química mostra, que o caroço tem uma boa quantidade de celulose, lignina e um baixo teor de cinza e umidade que são de grande importância para a produção de briquetes (restos de madeira moído e prensado em forma de tubos, que serve para substituir a lenha em forno) (CORDEIRO et al., 2017).
3 METODOLOGIA
O Projeto Aproveitamento de Resíduos Sólidos do Caroço de Açaí na Agroindústria foi realizado através de uma revisão bibliográfica por meio de artigos científicos, monografias de graduação e dados de diversos órgãos.
No que tange à viabilidade e sustentabilidade ambiental, o projeto apresentou-se como viável e necessita de mais estudos para ser implantado com mais frequência para utilização desses resíduos no Norte do Brasil.
4 CONCLUSÕES
A destinação dos resíduos sólidos atualmente vem ganhando destaque entre sociedade civil, estudiosos, pesquisadores, devido, principalmente, os malefícios que decorrem da má utilização dos mesmos para o meio ambiente e para a sociedade, no geral e também, dos benefícios que os mesmos ainda podem gerar, quando processados da forma correta.
Na região Norte, que tem no extrativismo uma das suas principais atividades econômicas, um dos resíduos agrícolas que vêm se notabilizando é o proveniente da produção de açaí, fruta típica da região, mais especificamente, os caroços da fruta.
Se antigamente estes resíduos do açaí não tinham qualquer valor econômico, sendo descartados de qualquer forma no meio ambiente, atualmente já se percebe uma mudança de paradigma, visto que estudos demonstraram sua viabilidade como matéria-prima de diversos produtos e serviços, desde artesanatos, adubos, rações e principalmente na produção de energia.
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