DESEMPENHO TÉRMICO DE TIJOLOS ECOLÓGICOS EXPERIMENTAL COM EPS E AGREGADOS MINERAIS: ANÁLISE POR INFRAVERMELHO 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202507040608


Amanda N. Daltro Coutinho Neves
Marcela Santos de Freitas
Orientador Prof.ª Dr.ª Fernanda  Fernandes Campista


Resumo 

A crescente preocupação com os impactos ambientais da construção civil tem impulsionado o  desenvolvimento de materiais sustentáveis e com melhor desempenho energético. Neste  contexto, este estudo tem como objetivo avaliar o desempenho térmico de tijolos ecológicos  produzidos com cimento CP II-F 32, agregados minerais (areia e filito) e poliestireno expandido  (EPS) triturado. O filito foi utilizado como substituição parcial do agregado miúdo, por seu  potencial pozolânico e baixo custo, enquanto o EPS contribuiu para a redução da densidade e  melhoria do isolamento térmico. Os tijolos foram moldados em forma de madeira com  dimensões padronizadas (12,5 x 25 x 7 cm), contendo dois furos verticais conforme a NBR  10834:2013. Após a cura por 14 e 28 dias em ambiente controlado, os corpos de prova foram  submetidos a ensaio térmico baseado na condução de calor, utilizando radiação por fonte  halógena e medição por termômetro infravermelho. A variação de temperatura foi registrada no  lado oposto ao aquecimento, permitindo a comparação entre os diferentes traços. Os resultados  esperados devem demonstrar que a incorporação de EPS e filito influencia diretamente na  capacidade de isolamento térmico dos tijolos ecológicos, validando sua viabilidade como  alternativa sustentável. 

Palavras-chave: Tijolo ecológico, Poliestireno Expandido (EPS), Filito, Condutividade  térmica, Construção sustentável.

Abstract 

The growing concern about the environmental impact of the construction industry has driven  the development of sustainable materials with improved energy performance. In this context,  this study aims to evaluate the thermal performance of eco-friendly bricks produced with CP  II-F 32 Portland cement, mineral aggregates (sand and phyllite), and shredded expanded  polystyrene (EPS). Phyllite was used as a partial replacement for fine aggregate due to its  pozzolanic potential and low cost, while EPS contributed to reducing the density and enhancing  the thermal insulation capacity of the bricks. The bricks were molded in wooden forms with  standardized dimensions (12.5 x 25 x 7 cm), including two vertical holes according to NBR  10834:2013. After curing for 14 and 28 days under controlled conditions, the specimens were  subjected to thermal tests based on heat conduction, using halogen lamp radiation and  temperature measurement via infrared thermometer. The temperature variation on the opposite  face of the heat source allowed for comparison between the different mixes. The expected  results should demonstrate that the incorporation of EPS and phyllite directly influences the  thermal insulation capacity of the eco-bricks, validating their viability as a sustainable  construction alternative. 

Keywords: Eco-brick, Expanded Polystyrene (EPS), Phyllite, Thermal conductivity,  Sustainable construction.

1. Introdução 

A construção civil é uma das atividades humanas mais responsáveis pela extração de recursos  naturais e emissão de gases poluentes na atmosfera, respondendo por cerca de 40% das  emissões globais de CO₂ relacionadas a processos industriais (MEHTA; MONTEIRO, 2014).  Em especial, a fabricação de tijolos cerâmicos convencionais, que exige processos de queima  em altas temperaturas, pode emitir entre 0,25 a 0,40 toneladas de CO₂ para cada tonelada de  produto finalizado. Esse cenário gera a necessidade urgente de alternativas construtivas mais  sustentáveis e de baixo impacto ambiental. 

Neste contexto, os tijolos ecológicos surgem como uma solução viável e eficiente. Produzidos  sem o processo de queima e utilizando prensagem mecânica, esses tijolos conseguem reduzir  as emissões de gases em até 60% em comparação aos tijolos tradicionais (SILVA; OLIVEIRA,  2022). Além disso, permitem a inclusão de materiais reciclados em sua composição, como o  poliestireno expandido (EPS), um material leve e de alta capacidade de isolamento térmico.  Estudos indicam que até 30% de EPS triturado pode ser incorporado em produtos de concreto  sem comprometer significativamente sua resistência mecânica (SANTOS et al., 2021). 

O uso do filito como agregado mineral também se mostra promissor. Trata-se de um resíduo  proveniente da mineração, com propriedades pozolânicas e potencial para substituição parcial  do agregado miúdo, contribuindo para a estabilidade e resistência do material (BEZERRA,  2021). 

Do ponto de vista térmico, o comportamento dos tijolos ecológicos é fundamental para a  eficiência energética das edificações. A condução de calor nos sólidos ocorre por transferência  vibracional entre moléculas. Quando a superfície do tijolo é exposta à radiação térmica, as  moléculas aquecidas transferem energia às vizinhas até o equilíbrio térmico ser atingido  (PEREIRA; LIMA, 2021). 

Diante do exposto, este trabalho tem como objetivo avaliar o desempenho térmico de tijolos  ecológicos produzidos com cimento CP II-F 32, areia, filito e diferentes proporções de EPS, por meio de ensaios baseados na condução de calor, utilizando radiação térmica por lâmpada  halógena e medição com termômetro infravermelho. O estudo também considera diferentes  idades de cura (14 e 28 dias), a fim de verificar a estabilidade térmica dos protótipos ao longo  do tempo.

2. Referencial Teórico 

2.1. Tijolos Ecológicos: Características e Aplicações 

Os tijolos ecológicos, ao contrário dos cerâmicos tradicionais, dispensam a queima, resultando  em economia de energia e redução de impactos ambientais. Além de sustentáveis, oferecem  bom desempenho mecânico e térmico, sendo utilizados em alvenarias estruturais e de vedação  (SILVA; OLIVEIRA, 2022). 

2.2. Uso de EPS e Agregados Minerais 

O EPS tem sido amplamente estudado como agregado leve para composições cimentícias,  reduzindo o peso do material e aumentando a resistência térmica. A sua aplicação em tijolos  permite a formação de microcavidades, atuando como isolante térmico natural (SANTOS et al.,  2021). Já o filito, como mostrou Bezerra (2021), apresenta granulometria fina, caráter  mineralógico estável e atividade pozolânica. 

2.3. Condutividade Térmica em Materiais Construtivos 

Materiais com baixa condutividade térmica reduzem a transferência de calor para o interior das  edificações, contribuindo para o conforto térmico e eficiência energética (CARVALHO et al.,  2017). 

2.4. Termometria Infravermelha 

A medição pontual da temperatura com termômetro infravermelho permite avaliar o  comportamento térmico de forma rápida e não destrutiva, sendo eficiente para análises  comparativas (MENDES et al., 2020). 

3. Metodologia 

A presente etapa experimental foi conduzida no Laboratório de Materiais da Universidade de  Vassouras e envolveu a preparação, moldagem, cura e ensaio térmico de tijolos ecológicos. O  objetivo principal foi verificar a influência da adição de EPS e filito na capacidade de  isolamento térmico dos protótipos. Para isso, foram definidos três traços distintos com variação  na composição dos agregados e do polímero. A metodologia adotada seguiu critérios normativos e procedimentos padronizados, assegurando a reprodutibilidade dos resultados e a  confiabilidade dos dados obtidos ao longo dos testes. 

3.1. Materiais Utilizados 

A pesquisa foi conduzida no Laboratório de Materiais da Universidade de Vassouras, utilizando  os seguintes insumos: 

Cimento CP II-F 32: conforme a NBR 16697:2018, é um cimento Portland composto  com adição de filler calcário. Essa adição proporciona maior trabalhabilidade, reduz a  hidratação inicial e favorece a retenção de água na mistura, contribuindo para um melhor  acabamento superficial e menor fissuração dos tijolos. 

Areia natural peneirada: segundo os requisitos da NBR 7211:2009, é um agregado  miúdo obtido por processos naturais, com função de preencher os vazios da mistura e  garantir a compacidade e coesão da matriz cimentícia. Sua distribuição granulométrica  influencia diretamente na resistência e estabilidade dimensional. 

Filito moído: é um resíduo da mineração, rico em minerais finos e com propriedades  pozolânicas. Seu uso como substituição parcial da areia contribui para maior retenção  de água, redução da permeabilidade e aumento da durabilidade dos tijolos. 

Poliestireno Expandido (EPS) triturado: é um material termoplástico leve, não  absorvente e reciclável. De acordo com a NBR 11752:2018, o EPS é apropriado para  uso em construção civil como isolante térmico. Em misturas cimentícias, ele reduz a  densidade dos tijolos e melhora seu desempenho térmico devido à formação de  microcavidades. 

Água potável: conforme a NBR 15900:2009, deve ser isenta de impurezas que  prejudiquem a hidratação do cimento. Na mistura, atua como agente de hidratação e  garante a liga entre os componentes, influenciando diretamente na trabalhabilidade e  resistência do material. 

Equipamentos utilizados: 

As pesagens foram realizadas com uma balança de precisão OLIM 500G / 0.1G QC. PASS  05 para pequenos volumes e com balança W30 (Max.: 30kg; Min.: 200g; e=d=10g) para  agregados maiores. A mistura foi feita na argamassadeira automática Engetotus código 400040. A medição da temperatura foi realizada com termômetro infravermelho modelo  KLX GM 320, com faixa de medição de –50 °C a +400 °C. 

3.2. Confecção da Forma de Moldagem 

A forma de moldagem dos tijolos ecológicos foi construída artesanalmente em madeira de  pinus aparelhada, com fechamento por parafusos e cantoneiras metálicas, o que possibilitou  precisão dimensional e fácil desforma. As dimensões internas seguiram a NBR 10834:2013: 25  cm x 12,5 cm x 7 cm, com dois furos circulares verticais obtidos com tubos de PVC de 50 mm 

de diâmetro, fixados no interior da fôrma. 

3.3. Composição dos Traço 

A composição dos traços foi elaborada com base em proporções experimentais adaptadas de  formulações encontradas em práticas comerciais. Foram definidos três traços distintos,  variando a proporção de EPS e a relação entre areia e filito, com o objetivo de analisar o  comportamento térmico de cada composição. 

Figura 3 – Traço 3Abaixo, a Tabela 1 apresenta as quantidades de cimento, areia, filito, água e EPS utilizadas na  composição dos três traços experimentais: 

Tabela 1 – Composição dos traços experimentais 

3.4. Moldagem e Cura 

Os tijolos foram moldados em formas de madeira de pinus conforme NBR 10834:2013. Após  24 horas, foram desmoldados e curados à sombra por aspersão de água. Os ensaios térmicos  foram realizados após 14 e 28 dias de cura, para avaliar a influência do tempo na condução  térmica dos materiais. Durante os ensaios térmicos, foi realizada uma medição inicial da temperatura de cada tijolo antes da aplicação da fonte de calor, utilizando o termômetro  infravermelho. Em seguida, os tijolos foram expostos à radiação direta de uma lâmpada  halógena de 500W, posicionada na face superior. Após o tempo de aquecimento, a temperatura  foi novamente medida na face oposta, permitindo a avaliação da condução térmica em cada  traço experimental. 

3.5 Ensaio Térmico 

O ensaio térmico foi realizado com o objetivo de avaliar a condução de calor nos protótipos de  tijolos ecológicos. Para isso, utilizou-se uma lâmpada halógena de 500 W, posicionada a 10 cm da face superior do tijolo, com exposição contínua por 15 minutos. 

Após esse período, a temperatura foi registrada na face oposta ao aquecimento utilizando o  termômetro infravermelho modelo KLX GM 320, com faixa de medição entre –50 °C a  +400 °C. As medições foram feitas no centro da face inferior de cada tijolo. 

O procedimento incluiu duas medições para cada protótipo: uma antes da exposição ao calor e  outra após o aquecimento. Esse método permitiu avaliar a diferença de temperatura causada  pela condução térmica. O termômetro infravermelho foi aplicado no centro da face inferior dos  tijolos após a exposição à lâmpada, totalizando doze medições térmicas no total. Os  procedimentos foram conduzidos em bancada de mármore e /ou de Drywall no Laboratório de  Materiais e solos da Universidade de Vassouras – Campus Maricá, sob condições ambientais  controladas. 

As figuras a seguir mostram os registros visuais dos ensaios térmicos realizados no Laboratório  de Materiais da Universidade de Vassouras. As imagens correspondem às medições iniciais e  finais de temperatura dos protótipos aos 14 e 28 dias de cura, antes e depois da aplicação de  calor: 

4. Resultados e Discussão 

Os resultados obtidos nos ensaios térmicos aos 14 e 28 dias de cura mostraram diferenças  significativas no comportamento térmico dos três traços experimentais. O Traço 2, contendo  1% de EPS, destacou-se como o mais eficiente em termos de isolamento térmico, apresentando  as menores elevações de temperatura após a exposição à fonte de calor. A adição moderada de  EPS proporcionou uma distribuição equilibrada de porosidade, permitindo o bloqueio parcial  da transferência de calor sem comprometer a compacidade da matriz cimentícia. 

O Traço 1, que não recebeu EPS, apresentou o pior desempenho, com as maiores variações de  temperatura. A ausência do polímero fez com que o calor atravessasse o corpo de prova com  maior facilidade, demonstrando a baixa capacidade isolante da composição tradicional. Isso  reafirma a importância de materiais com baixa condutividade térmica em projetos que visam  conforto térmico e eficiência energética. 

O Traço 3, com 2% de EPS, apresentou desempenho intermediário. Embora também tenha  reduzido a condutividade térmica em relação ao traço tradicional, os resultados indicam que o  excesso de EPS pode prejudicar a compacidade da mistura, aumentando a interconectividade  dos poros e permitindo a formação de caminhos facilitadores para a passagem do calor. Esse  efeito pode justificar o fato de o Traço 2 ter superado o Traço 3 em desempenho térmico. 

A influência do tempo de cura também foi observada, mas de forma menos significativa. Aos  14 dias, os tijolos já apresentavam comportamento térmico estável, indicando que a estrutura  interna consolidada nesse período já era suficiente para o bloqueio térmico. Aos 28 dias, as diferenças foram pouco acentuadas, o que sugere que a eficiência térmica é atingida ainda nas  primeiras semanas de cura, beneficiando a produtividade da obra. 

A combinação entre EPS e filito se mostrou eficaz. Enquanto o EPS atua diretamente na redução  da condutividade térmica, o filito contribui para a estabilidade e coesão da mistura, favorecendo  a distribuição homogênea dos poros. Essa sinergia entre os materiais reforça o potencial dos  tijolos ecológicos para uso em edificações sustentáveis, principalmente em regiões de clima  quente, onde o isolamento térmico é um fator determinante para o conforto e eficiência  energética. 

4.1. Temperaturas Registradas 

A Tabela 2, apresentada a seguir, resume os valores médios de temperatura obtidos nos ensaios  de condução térmica. As medições consideraram duas fases: a temperatura inicial antes da  aplicação de calor e a temperatura após a radiação com a lâmpada halógena de 500W. Foram  avaliadas as diferenças de temperatura em duas idades de cura (14 e 28 dias), permitindo  comparar o comportamento térmico entre os três traços. 

Tabela 2 – Temperatura final registrada por traço e tempo de cura 

4.2. Análise dos Resultados 

A partir da Tabela 2, observa-se que o Traço 2, com 1% de EPS, apresentou os melhores  resultados em termos de isolamento térmico, com menor elevação de temperatura após o  aquecimento. Isso evidencia que uma quantidade moderada de EPS equilibra leveza e  resistência térmica.

O Traço 3, apesar de conter mais EPS, apresentou temperatura final ligeiramente superior,  possivelmente pela menor compacidade da mistura. O aumento de poros pode ter favorecido a  passagem de calor em certos pontos. O Traço 1, por não conter EPS, mostrou a maior elevação  de temperatura, confirmando que a matriz sólida e densa sem microcavidades é menos eficiente  termicamente. 

Entre os dois tempos de cura, os valores mostraram pouca variação, o que indica que os tijolos  já apresentam estabilidade térmica significativa aos 14 dias, sendo essa uma vantagem em  termos de produtividade. 

O Gráfico – 1, complementa essa análise, ilustrando a tendência de comportamento térmico  entre os traços e reforçando os dados numéricos apresentados. 

Gráfico 1 – Comparação da temperatura final dos tijolos aos 14 e 28 dias de cura

O Gráfico 1 apresenta a comparação entre as temperaturas finais registradas nos traços aos 14  e 28 dias. A partir dos dados, foi possível calcular a eficiência térmica relativa dos traços,  considerando o Traço 1 como referência de 100% da condução térmica. 

Aos 14 dias, o Traço 2 apresentou uma redução de aproximadamente 14,2% na temperatura  final em relação ao Traço 1. Já o Traço 3 demonstrou uma redução de 11,1%. Esses valores demonstram que o uso de 1% de EPS é mais eficiente que 2% nessa condição de ensaio,  mostrando que a dosagem ideal deve equilibrar leveza, porosidade e resistência. 

Aos 28 dias, a tendência se manteve: o Traço 2 manteve uma redução de 13,4% em relação ao  Traço 1, enquanto o Traço 3 teve uma diferença de apenas 10,5%. Esse comportamento reforça  a consistência do desempenho térmico do Traço 2 em ambos os tempos de cura, evidenciando  sua superioridade em relação aos demais traços testados. 

Essas análises percentuais facilitam a visualização dos ganhos térmicos obtidos com pequenas  variações na composição do tijolo ecológico. Com isso, o Traço 2 se consolida como o mais  promissor do estudo, reunindo bom desempenho térmico, estabilidade dimensional e  viabilidade de produção. 

A partir da Tabela 2, observa-se que o Traço 2, com 1% de EPS, apresentou os melhores  resultados em termos de isolamento térmico, com menor elevação de temperatura após o  aquecimento. Isso evidencia que uma quantidade moderada de EPS equilibra leveza e  resistência térmica. 

O Traço 3, apesar de conter mais EPS, apresentou temperatura final ligeiramente superior,  possivelmente pela menor compacidade da mistura. O aumento de poros pode ter favorecido a  passagem de calor em certos pontos. O Traço 1, por não conter EPS, mostrou a maior elevação  de temperatura, confirmando que a matriz sólida e densa sem microcavidades é menos eficiente  termicamente. 

Entre os dois tempos de cura, os valores mostraram pouca variação, o que indica que os tijolos  já apresentam estabilidade térmica significativa aos 14 dias, sendo essa uma vantagem em  termos de produtividade. 

O Gráfico 1 complementa essa análise, ilustrando a tendência de comportamento térmico entre  os traços e reforçando os dados numéricos apresentados.

5. Conclusão 

O presente estudo permitiu avaliar o desempenho térmico de tijolos ecológicos produzidos com  cimento CP II-F 32, agregados minerais (areia e filito) e diferentes teores de poliestireno  expandido (EPS). Com base nos ensaios térmicos realizados aos 14 e 28 dias de cura, foi  possível constatar que a adição de EPS exerce influência significativa na condução de calor dos  protótipos. A presença de microcavidades promovidas pelo EPS contribuiu para a redução da  temperatura na face oposta à fonte de calor, revelando um comportamento térmico mais  eficiente nos traços com esse aditivo. 

Entre os três traços avaliados, o Traço 2 (com 1% de EPS) apresentou o melhor equilíbrio entre  desempenho térmico e estabilidade da mistura, registrando as menores temperaturas finais nos  ensaios. O Traço 3, com 2% de EPS, embora também tenha apresentado desempenho favorável,  teve temperatura final ligeiramente superior, o que pode estar relacionado ao excesso de  porosidade e redução da compacidade. Já o Traço 1, que não recebeu EPS, apresentou as  maiores elevações térmicas, evidenciando a menor eficiência isolante da matriz tradicional. 

A utilização do filito como agregado mineral mostrou-se eficaz tanto na trabalhabilidade quanto  na contribuição ao isolamento térmico, atuando em conjunto com o EPS na formação de uma matriz mais porosa e homogênea. Além disso, os resultados indicaram que a diferença de  desempenho térmico entre os tijolos curados por 14 e 28 dias foi pouco significativa, o que  demonstra que o material já atinge boa estabilidade térmica mesmo nas primeiras semanas de  cura. 

A metodologia empregada com uso de radiação térmica por lâmpada halógena e medições por  termômetro infravermelho revelou-se eficaz para testes comparativos de condutividade térmica  em tijolos. O protocolo experimental seguiu as normas técnicas vigentes e garantiu a  repetibilidade dos ensaios, consolidando a validade dos dados obtidos. Os registros visuais e  tabelas apresentadas reforçaram a compreensão dos efeitos das diferentes composições. 

Conclui-se que a adoção de tijolos ecológicos com EPS e filito representa uma alternativa viável  e sustentável na construção civil, com potencial para aplicações em regiões de clima quente,  onde o desempenho térmico é crucial. Como recomendações para trabalhos futuros, sugere-se  a realização de ensaios mecânicos complementares, análise de durabilidade e estudos em escala real, com simulação de condições ambientais variáveis para validação da aplicabilidade em  projetos habitacionais sustentáveis. 

6. Referências 

ALMEIDA, J.; COSTA, M. Influência de agregados minerais na resistência e estabilidade  dimensional de tijolos ecológicos. Revista de Engenharia Civil, v. 25, n. 2, p. 112–124, 2018. 

BEZERRA, F. A. C. Análise da utilização de filito como substituição de parcela do solo em  tijolos de solo-cimento com resíduos da construção civil. 2021. 66 f. Trabalho de Conclusão  de Curso (Graduação em Engenharia Civil) – Universidade Federal do Tocantins, Palmas,  2021. 

BRASIL. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10834:2013 – Tijolo de solo cimento com ou sem adição de cimento Portland – Requisitos. Rio de Janeiro, 2013. 

BRASIL. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 15900:2009 – Água para  amassamento do concreto. Parte 1: Requisitos. Rio de Janeiro, 2009. 

BRASIL. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 16697:2018 – Cimento Portland – Requisitos. Rio de Janeiro, 2018. 

BRASIL. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 7211:2009 – Agregados para  concreto – Especificação. Rio de Janeiro, 2009. 

BRASIL. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 11752:2018 – Poliestireno  Expandido (EPS) – Aplicação na construção civil. Rio de Janeiro, 2018. 

CARVALHO, P.; SOUZA, R.; LIMA, F. Avaliação da eficiência energética de materiais  construtivos. Revista Brasileira de Materiais Sustentáveis, v. 18, n. 3, p. 45–59, 2017. 

FERREIRA, C.; OLIVEIRA, A.; SOUZA, L. Efeito da porosidade na condutividade térmica  de materiais cimentícios. In: Anais do Congresso Brasileiro de Materiais de Construção. p.  201–215, 2019. 

MEHTA, P. K.; MONTEIRO, P. J. M. Concrete: Microstructure, Properties, and Materials.  4. ed. New York: McGraw-Hill Education, 2014.

MENDES, F.; LIMA, R.; SILVA, J. Aplicação da termografia infravermelha na avaliação  térmica de materiais de construção. Revista de Tecnologia e Sustentabilidade na Construção,  v. 30, n. 1, p. 67–80, 2020. 

OLIVEIRA, R.; SOUZA, P. Conforto térmico e sustentabilidade: análise de tijolos ecológicos  na construção civil. Engenharia e Meio Ambiente, v. 15, n. 2, p. 98–110, 2019. 

PEREIRA, T.; LIMA, V. Métodos de medição de condutividade térmica em materiais  construtivos. Cadernos de Engenharia e Tecnologia, v. 22, n. 3, p. 55–72, 2021. 

SANTOS, G.; OLIVEIRA, M.; SILVA, H. Uso de poliestireno expandido para produção de  concretos leves: uma análise comparativa. Revista Brasileira de Engenharia Sustentável, v.  27, n. 1, p. 33–47, 2021. 

SILVA, J.; OLIVEIRA, R. Impacto ambiental da produção de tijolos ecológicos com  substituição parcial do cimento. Sustentabilidade e Construção Civil, v. 10, n. 3, p. 122–137,  2022. 

TABELA 1 – Composição dos traços experimentais. 

TABELA 2 – Temperatura final registrada por traço e tempo de cura. 

GRÁFICO 1 – Comparativo da temperatura final dos tijolos aos 14 e 28 dias de cura.