REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202511091905
Jefferson Henrique Lopes de Caria1
André Luiz da Silva2
Fabiana Florian3
Resumo:
O trabalho tem como objetivo analisar os principais desafios e perspectivas relacionadas ao uso de Aplicações Web Progressivas (PWA) e Arquiteturas de Página Única (SPA) no desenvolvimento de sistemas web modernos. Foi realizada pesquisa bibliográfica, qualitativa e descritiva. Os resultados evidenciaram que as PWAs oferecem recursos como funcionamento offline, notificações push e instalação em dispositivos móveis, enquanto as SPAs proporcionam navegação fluida e atualização dinâmica de conteúdo. Entretanto, existem limitações relevantes, como a necessidade de estratégias robustas de gerenciamento de cache, a complexidade no tratamento de estados e os desafios de indexação em mecanismos de busca. Conclui-se que a integração entre PWA e SPA constitui uma tendência promissora, capaz de ampliar a acessibilidade, melhorar a experiência do usuário e oferecer soluções mais escaláveis no cenário digital.
Palavras-chave: Acessibilidade. Aplicações Web Progressivas. Arquitetura de Página Única. Experiência do Usuário. Service Worker. Usabilidade.
Abstract:
This paper aims to analyze the main challenges and perspectives related to the use of Progressive Web Applications (PWA) and Single Page Applications (SPA) in modern web systems development. The research was conducted through a bibliographic review of national and international open-access sources, prioritizing academic works and technical documents available in digital repositories. The results showed that PWAs provide features such as offline support, push notifications, and installation on mobile devices, while SPAs enable smooth navigation and dynamic content updates. However, relevant limitations were identified, including the need for robust cache management strategies, the complexity of state handling, and search engine indexing challenges. It is concluded that the integration of PWA and SPA represents a promising trend, capable of enhancing accessibility, improving user experience, and providing more scalable solutions in the digital landscape.
Key-words: Accessibility. Progressive Web Applications. Service Worker. Single Page Applications. Usability. User Experience.
1 INTRODUÇÃO
O desenvolvimento de aplicações web passou por profundas transformações nas últimas décadas, impulsionado por avanços tecnológicos, mudanças nas expectativas dos usuários e a popularização de dispositivos móveis. Inicialmente concebida como um ambiente estático de distribuição de documentos, a web evoluiu para comportar aplicações complexas, com funcionalidades que anteriormente eram exclusivas de softwares desktop ou aplicativos nativos. Nesse contexto, surgiram abordagens inovadoras capazes de oferecer experiências mais ricas, responsivas e próximas aos padrões de uso contemporâneos, entre elas as Aplicações Web Progressivas (Progressive Web Applications – PWA) e as Arquiteturas de Página Única (Single Page Applications – SPA).
As PWAs destacam-se por unificar o melhor do mundo web e móvel, acrescentando às aplicações baseadas em navegador características que antes eram exclusivas de aplicativos nativos, como instalação no dispositivo, funcionamento offline e envio de notificações push. Esse conceito foi formalmente apresentado pelo Google em 2015 (RUSSELL, 2015) e consolidado pelo W3C em documentos como o Web Application Manifest e a especificação de Service Workers, que estabelecem padrões técnicos para instalação e funcionamento offline (W3C, 2025a; W3C, 2025b). Trata-se de uma temática ainda pouco explorada no Brasil: Gundel et al. (2023), por exemplo, mostraram como PWAs podem apoiar pacientes com doenças crônicas, oferecendo acesso a funcionalidades críticas mesmo em cenários de conectividade limitada.
As SPAs, por sua vez, surgem como resposta à necessidade de navegações mais fluidas, eliminando recarregamentos completos de páginas e reduzindo a latência percebida por meio da renderização dinâmica de conteúdo com JavaScript (MDN, 2025b). Essa arquitetura ganhou força com o avanço de frameworks modernos, como React, Angular e Vue.js, que introduziram recursos como roteamento inteligente e gerenciamento centralizado de estados (OSMANI; WAGNER, 2018). Silva e Farah (2018) exploraram técnicas de pré-renderização e JavaScript isomórfico em SPAs, destacando a relevância dessas abordagens para melhorar desempenho e indexação em buscadores.
Apesar de seus benefícios, tanto PWAs quanto SPAs apresentam desafios importantes. Questões como segurança, acessibilidade, gerenciamento de cache, manutenção de estados complexos e estratégias de SEO exigem atenção especial durante o ciclo de desenvolvimento (ARCHIBALD, 2016; APPLE, 2023). Além disso, a crescente complexidade arquitetural eleva custos de manutenção e demanda equipes qualificadas para lidar com tecnologias em constante evolução (CARDIERI et al., 2018; HOPPE; SOUZA, 2023).
Nesse cenário, observa-se que PWAs e SPAs representam tendências consolidadas no desenvolvimento de sistemas web modernos, mas que ainda carecem de análises conjuntas sobre seus desafios e perspectivas futuras. A experiência do usuário, o desempenho técnico e a escalabilidade das aplicações tornam-se aspectos centrais para a competitividade das organizações e a satisfação dos usuários finais. Assim, compreender as dinâmicas de adoção e os impactos práticos dessas tecnologias torna-se fundamental para profissionais e pesquisadores da área de Sistemas de Informação.
O presente artigo tem como objetivo investigar criticamente as Aplicações Web Progressivas e as Arquiteturas de Página Única, analisando suas tendências, seus desafios e suas perspectivas para o desenvolvimento de aplicações web modernas. Pretende-se identificar como essas abordagens influenciam os processos de engenharia de software voltados ao ambiente web, além de discutir recomendações e boas práticas capazes de orientar projetos futuros. Foi realizada pesquisa bibliográfica, com base em literatura científica e técnica recente, visando construir um panorama atual capaz de subsidiar o desenvolvimento e a tomada de decisão no âmbito do desenvolvimento web contemporâneo. Foram utilizadas as bases de dados Scielo e google acadêmico com as palavras-chave “SPA”, “PWA”
Do ponto de vista social e tecnológico, o estudo desse tema mostra-se relevante por contribuir para a democratização do acesso à informação e à tecnologia, especialmente em países como o Brasil, onde ainda há desigualdade de conectividade e limitação de recursos computacionais. Além disso, o domínio dessas tecnologias representa avanço estratégico para o setor tecnológico nacional, promovendo inovação e competitividade no desenvolvimento de soluções digitais que atendam às demandas da sociedade conectada.
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 Aplicações Web Progressivas (PWA)
As PWAs surgiram em 2015 como proposta do Google para reduzir a distância entre aplicações web e aplicativos nativos, oferecendo recursos como suporte offline, instalação no dispositivo e envio de notificações push (RUSSELL, 2015). Essas características são viabilizadas por componentes fundamentais, como o Service Worker, responsável pela interceptação de requisições e gerenciamento de cache, e o arquivo manifest.json, que contém informações de configuração, ícones e metadados necessários para a instalação (W3C, 2025a; W3C, 2025b).
No Brasil, estudos têm destacado o potencial das PWAs em diferentes áreas. Cardieri et al. (2018), em pesquisa apresentada no Simpósio Brasileiro sobre Fatores Humanos em Sistemas Computacionais, propuseram a abordagem PWA-EU, que sistematiza boas práticas de desenvolvimento voltadas à usabilidade e acessibilidade. Gundel et al. (2023), em trabalho no WESAAC, demonstraram como PWAs podem apoiar o autocuidado de pacientes com diabetes mellitus, garantindo acesso a funcionalidades críticas mesmo em cenários de conectividade limitada. Tais evidências reforçam a relevância das PWAs para ampliar o alcance e a inclusão digital no contexto brasileiro.
A literatura internacional também aponta vantagens significativas. Archibald (2016) sistematizou estratégias de cache, como cache-first e network-first, fundamentais para a confiabilidade das PWAs. A Apple (2023) documenta avanços no suporte a notificações push em navegadores móveis, consolidando a adesão das principais plataformas a esse modelo. Além disso, o curso Learn PWA, disponibilizado pelo Google (2025), reúne boas práticas de arquitetura, segurança e otimização para profissionais da área.
Apesar do potencial, desafios permanecem. A gestão de cache pode levar a versões desatualizadas da aplicação se não houver estratégias de versionamento adequadas (ARCHIBALD, 2016). A dependência de implementações distintas em navegadores pode gerar inconsistências na experiência do usuário (APPLE, 2023). Além disso, persistem limitações no acesso a recursos de hardware, como Bluetooth e NFC, ainda não amplamente disponíveis para aplicações web (W3C, 2025b).
Dessa forma, as PWAs consolidam-se como uma abordagem híbrida e promissora para o desenvolvimento de sistemas web modernos. Entretanto, sua adoção exige planejamento arquitetural, uso de boas práticas e atenção a questões de segurança, acessibilidade e desempenho para garantir soluções sustentáveis e inclusivas no longo prazo.
2.2 Arquiteturas de Página Única (SPA)
As SPAs representam uma evolução significativa no desenvolvimento web, caracterizando-se pelo carregamento inicial de uma única página HTML e pela atualização dinâmica do conteúdo por meio de JavaScript. Esse modelo elimina recarregamentos completos, proporcionando uma experiência mais fluida e próxima à de aplicações desktop e móveis tradicionais (MDN, 2025b).
O funcionamento está fortemente associado ao uso de frameworks e bibliotecas modernas, como Angular, React e Vue.js, que introduzem mecanismos de roteamento interno, componentização e gerenciamento de estados. Esses recursos permitem maior modularização e reutilização de código, contribuindo para a escalabilidade e a manutenção de aplicações complexas (OSMANI; WAGNER, 2018).
Do ponto de vista da engenharia de software, conceitos clássicos como os apresentados por Ian Sommerville (2016) reforçam que projetos dessa natureza exigem modularidade, documentação e manutenção contínua, especialmente diante da complexidade crescente dos sistemas distribuídos. A aplicação de boas práticas de engenharia é essencial para garantir confiabilidade, segurança e desempenho, aspectos que se tornam mais desafiadores em arquiteturas que operam fortemente no lado do cliente.
Além disso, princípios de usabilidade e interação descritos por Jakob Nielsen permanecem fundamentais nesse contexto. Suas heurísticas, como fornecer feedback ao usuário, reduzir a sobrecarga cognitiva e manter consistência na interface, são diretamente aplicáveis a SPAs, uma vez que essas aplicações frequentemente lidam com alto volume de interação e transições dinâmicas (NIELSEN, 1995).
No contexto brasileiro (2018) exploraram o uso de pré-renderização e JavaScript isomórfico como alternativas para mitigar problemas de indexação em buscadores, uma das principais limitações das SPAs. Já Hoppe e Souza (2023) propuseram adaptações do modelo FrameWeb para oferecer suporte explícito a SPAs, o que reforça a relevância dessa arquitetura também no meio acadêmico nacional.
Apesar dos benefícios em desempenho e usabilidade, desafios permanecem. A dependência intensa de JavaScript aumenta os riscos de falhas de compatibilidade entre navegadores e pode impactar negativamente usuários com dispositivos de baixo desempenho. Além disso, a ausência de recarregamento completo exige soluções específicas para SEO e acessibilidade, que devem ser cuidadosamente incorporadas durante o desenvolvimento (MDN, 2025c; SILVA; FARAH, 2018).
Entre os frameworks mais utilizados na construção de SPAs, React, Angular e Vue.js se destacam por suas abordagens distintas em desempenho, curva de aprendizado e estrutura. O Quadro 1 a seguir apresenta uma comparação entre suas principais características, com base em documentação técnica e estudos acadêmicos recentes.
Quadro 1 – Comparativo entre frameworks SPA (React, Angular e Vue.js)


Fonte: elaborado pelo autor a partir de MDN Web Docs (2025b) e Hoppe; Souza (2023).
Observa-se que cada framework atende a contextos distintos: enquanto o React prioriza flexibilidade e desempenho, o Angular se destaca pela robustez e padronização em grandes projetos corporativos. Já o Vue.js combina simplicidade e eficiência, sendo uma escolha frequente em startups e projetos independentes. Essa diversidade de ferramentas fortalece o ecossistema SPA e reforça a importância da escolha arquitetural adequada para cada tipo de sistema.
2.3 Tendências atuais no desenvolvimento web
O desenvolvimento web moderno tem sido fortemente impactado pela convergência entre práticas de mobile-first, evolução de frameworks JavaScript e o fortalecimento de padrões da web abertos. Nesse cenário, as PWAs e as SPAs destacam-se como tendências consolidadas, mas não isoladas. Elas se inserem em um ecossistema mais amplo que inclui tecnologias como computação em nuvem, renderização híbrida e integração contínua de APIs.
Entre as tendências mais relevantes, observa-se o crescimento da abordagem mobile-first, que prioriza a otimização de interfaces para dispositivos móveis em função do protagonismo dos smartphones no acesso à internet. Esse movimento tem sido acompanhado pelo uso intensivo de frameworks modernos como React, Angular e Vue.js, que suportam práticas de componentização e reuso de código, essenciais para escalabilidade e manutenção de sistemas (HOPPE; SOUZA, 2023).
Outra tendência significativa é a adoção de estratégias de renderização híbrida, que conciliam Server-Side Rendering (SSR) e Client-Side Rendering (CSR) para equilibrar desempenho, SEO e experiência do usuário. Essas práticas têm sido amplamente documentadas em guias técnicos internacionais, como os trabalhos de Osmani e Wagner (2018) no Web.dev.
Além disso, nota-se uma valorização crescente da acessibilidade digital. Diretrizes internacionais como as Web Content Accessibility Guidelines (WCAG) têm orientado desenvolvedores na construção de aplicações inclusivas, e estudos brasileiros reforçam a importância de considerar diferentes perfis de usuários, especialmente em um país marcado por desigualdades de acesso e infraestrutura (CARDIERI et al., 2018).
Por fim, observa-se a ampliação do suporte a APIs nativas no navegador, como Web Push, Background Sync e WebAuthn, que tornam as PWAs cada vez mais próximas da experiência dos aplicativos nativos (APPLE, 2023; W3C, 2025b). Essa evolução contribui para que o desenvolvimento web contemporâneo seja caracterizado pela busca de soluções híbridas, capazes de atender simultaneamente às demandas de desempenho, segurança, acessibilidade e inclusão digital.
2.4 Desafios e limitações das abordagens
Embora apresentem vantagens significativas, tanto as PWAs quanto as SPAs impõem desafios que precisam ser considerados no processo de desenvolvimento. No caso das PWAs, um dos principais obstáculos está relacionado ao gerenciamento de cache e ao ciclo de vida dos service workers. A utilização inadequada de estratégias de atualização pode manter versões antigas da aplicação em execução, comprometendo a experiência do usuário e a segurança do sistema (ARCHIBALD, 2016). Além disso, a dependência de implementações distintas entre navegadores pode gerar inconsistências de funcionalidade e limitar o acesso a recursos mais avançados, como Bluetooth e NFC, ainda em estágio experimental na web (W3C, 2025b).
No contexto das SPAs, um dos maiores desafios é a indexação de conteúdo por mecanismos de busca, uma vez que boa parte da lógica é executada no cliente. Para mitigar esse problema, são necessárias estratégias como pré-renderização e Server-Side Rendering (SSR), que, embora eficazes, aumentam a complexidade arquitetural (SILVA; FARAH, 2018; OSMANI; WAGNER, 2018). Além disso, o carregamento inicial de grandes volumes de JavaScript podecomprometer a performance em dispositivos de baixo custo, realidade comum em países em desenvolvimento como o Brasil (HOPPE; SOUZA, 2023).
Outro aspecto crítico diz respeito à segurança. Tanto PWAs quanto SPAs exigem a obrigatoriedade de HTTPS e a adoção de mecanismos robustos de autenticação e autorização. A exposição excessiva de lógica no cliente pode ampliar vulnerabilidades, exigindo a validação rigorosa de dados no servidor (APPLE, 2023).
Por fim, a acessibilidade ainda é um desafio transversal às duas arquiteturas. Embora existam diretrizes internacionais como as Web Content Accessibility Guidelines (WCAG), a implementação prática desses padrões ainda encontra barreiras, seja pela complexidade técnica ou pela falta de conhecimento das equipes de desenvolvimento (MDN, 2025c).
Em síntese, as limitações associadas a PWAs e SPAs evidenciam que a adoção dessas arquiteturas requer não apenas domínio técnico, mas também planejamento cuidadoso e aplicação de boas práticas, a fim de garantir sistemas seguros, acessíveis e sustentáveis.
3 MODELO DE SISTEMA WEB MODERNOS
3.1 Integração entre PWA e SPA
O desenvolvimento web contemporâneo é marcado pela busca de arquiteturas que conciliem desempenho, acessibilidade e experiência do usuário. Nesse contexto, a integração entre essas duas arquiteturas surge como uma estratégia promissora. Enquanto as SPAs oferecem navegação fluida e carregamento dinâmico de conteúdo, as PWAs adicionam funcionalidades como suporte offline, notificações push e instalação em dispositivos móveis (RUSSELL, 2015; GOOGLE, 2025).
Pesquisas brasileiras reforçam o potencial dessa combinação. Cardieri et al. (2018) destacam que a adoção de práticas voltadas à usabilidade em PWAs amplia o acesso a serviços digitais, especialmente em contextos de conectividade restrita. Gundel et al. (2023), por sua vez, demonstraram a aplicação prática de PWAs em sistemas de saúde, evidenciando benefícios para inclusão digital. Quando integradas às SPAs, tais soluções oferecem escalabilidade e desempenho sem comprometer a acessibilidade, o que as torna especialmente relevantes em setores críticos como educação, saúde e e-commerce.
A integração entre essas duas arquiteturas pode ser representada de forma conceitual conforme o Diagrama 1, que ilustra como os componentes principais de uma PWA e de uma SPA interagem em um sistema web moderno. O modelo mostra que a SPA é responsável pela camada de interface e navegação dinâmica, enquanto a PWA complementa o sistema com recursos de instalação, cache e funcionamento offline.
Diagrama 1 – Integração conceitual entre SPA e PWA

Fonte: elaborado pelo autor a partir de Russell (2015), Google (2025), Cardieri et al. (2018) e Gundel et al. (2023).
3.2 Boas práticas no desenvolvimento de aplicações web modernas
A adoção de PWAs e SPAs exige o emprego de boas práticas de engenharia de software, capazes de mitigar limitações técnicas e garantir sustentabilidade. Um dos primeiros pontos a ser considerado é o gerenciamento de cache e o versionamento. A manutenção de nomes únicos para arquivos de cache, como app-v1 e app-v2, é fundamental para evitar conflitos de atualização e assegurar que o usuário sempre acesse a versão mais recente do sistema (ARCHIBALD, 2016).
Outro aspecto crucial é a segurança. O uso obrigatório do protocolo HTTPS, associado à autenticação baseada em tokens e à validação de dados no servidor, reduz significativamente os riscos de exposição da lógica no cliente e protege contra vulnerabilidades comuns em aplicações web (APPLE, 2023).
No caso das SPAs, os desafios de SEO e indexação requerem atenção especial. Técnicas de Server-Side Rendering (SSR) ou pré-renderização têm se mostrado essenciais para garantir que o conteúdo dinâmico seja interpretado corretamente por mecanismos de busca, favorecendo a visibilidade e a relevância das aplicações em ambientes competitivos (SILVA; FARAH, 2018; OSMANI; WAGNER, 2018).
A acessibilidade também deve ser priorizada. Seguir as diretrizes internacionais WCAG implica implementar contraste de cores adequado, oferecer suporte à navegação por teclado e utilizar corretamente atributos ARIA, de modo a tornar as aplicações inclusivas e acessíveis a diferentes perfis de usuários (MDN, 2025c).
Por fim, o gerenciamento de estados merece destaque. A escolha de bibliotecas adequadas deve considerar a complexidade do projeto: enquanto sistemas de maior porte podem demandar soluções robustas como Redux ou Vuex, aplicações menores podem se beneficiar de ferramentas mais simples e leves, reduzindo custos de manutenção e curva de aprendizado (HOPPE; SOUZA, 2023).
Essas práticas permitem que as aplicações sejam mais seguras, escaláveis e inclusivas, alinhando-se às demandas da transformação digital e às expectativas de usuários cada vez mais exigentes.
3.3 Perspectivas futuras e adoção no mercado
As perspectivas para a adoção de PWAs e SPAs indicam um movimento de consolidação dessas arquiteturas no mercado de tecnologia. Empresas como Google e Apple já oferecem suporte consolidado a funcionalidades nativas em navegadores, incluindo notificações push, instalação em tela inicial e sincronização em segundo plano (APPLE, 2023; GOOGLE, 2025).
No cenário brasileiro, a diversidade de dispositivos e a desigualdade no acesso à internet tornam essas soluções particularmente relevantes. Aplicações capazes de funcionar offline e com baixo consumo de recursos se mostram essenciais para ampliar a inclusão digital (GUNDEL et al., 2023). Além disso, a adoção de abordagens híbridas tem ganhado força em setores estratégicos como comércio eletrônico, saúde digital e educação a distância, que exigem simultaneamente acessibilidade, desempenho e escalabilidade.
Do ponto de vista acadêmico, observa-se crescente interesse em propor adaptações arquiteturais e metodológicas que fortaleçam o uso dessas tecnologias. Pesquisas nacionais apresentadas em eventos da Sociedade Brasileira de Computação (SBC) demonstram que a integração de PWA e SPA não apenas acompanha as tendências globais, mas também atende a necessidades específicas do contexto brasileiro, reforçando sua relevância no desenvolvimento de sistemas web modernos (CARDIERI et al., 2018; HOPPE; SOUZA, 2023).
4 RESULTADOS
A análise da literatura e estudos recentes sobre o tema permitiu identificar resultados relevantes acerca da adoção de PWAs e SPAs no desenvolvimento de sistemas web modernos. As PWAs destacam-se pela capacidade de oferecer recursos tradicionalmente restritos a aplicativos nativos, como funcionamento offline, notificações push e instalação em dispositivos móveis. Pesquisas nacionais, como a de Gundel et al. (2023), demonstraram que essas características são especialmente valiosas em contextos de baixa conectividade, ampliando a inclusão digital.
As SPAs, por sua vez, apresentaram resultados positivos no que se refere à experiência do usuário, uma vez que eliminam recarregamentos completos de páginas e oferecem navegação mais fluida. Silva e Farah (2018) evidenciam que, quando associadas a técnicas de pré- renderização, as SPAs também podem alcançar níveis satisfatórios de desempenho e indexação em mecanismos de busca.
A integração entre ambas as arquiteturas surge como alternativa promissora. Cardieri et al. (2018) reforçam que boas práticas de usabilidade e acessibilidade em PWAs podem potencializar o alcance de serviços digitais, enquanto Hoppe e Souza (2023) destacam a viabilidade de SPAs em ambientes corporativos. Assim, quando combinadas, essas abordagens oferecem soluções mais completas, capazes de conciliar desempenho, acessibilidade e escalabilidade.
Para compreender as diferenças estruturais e funcionais entre as Aplicações Web Progressivas (PWA) e as Arquiteturas de Página Única (SPA), foram definidos critérios comparativos que abrangem aspectos técnicos e de usabilidade, como conceito, suporte offline, instalação, notificações, SEO e aplicações práticas. Além disso, foram incluídas as principais desvantagens de cada abordagem, considerando estudos e documentações oficiais disponíveis.
Quadro 2 – Comparativo entre SPA e PWA


Fonte: elaborado pelo autor a partir de Archibald (2016), W3C (2025a; 2025b), Silva e Farah (2018), Osmani e Wagner (2018), Gundel et al. (2023), Hoppe e Souza (2023).
A partir do comparativo apresentado, observa-se que tanto as SPAs quanto as PWAs representam abordagens complementares no desenvolvimento web moderno. Enquanto as SPAs priorizam desempenho e fluidez de navegação por meio de renderização dinâmica de conteúdo, as PWAs ampliam a experiência do usuário ao incorporar funcionalidades avançadas, como suporte offline e notificações push. No entanto, ambas impõem desafios técnicos que exigem atenção, como a complexidade de gerenciamento de cache, questões de segurança e limitações na indexação por mecanismos de busca. A escolha entre essas arquiteturas — ou sua combinação — deve considerar o contexto de uso, os requisitos de escalabilidade e o perfil dos usuários, conforme apontam estudos de Archibald (2016), Osmani e Wagner (2018) e Gundel et al. (2023).
5 CONCLUSÃO
O estudo teve como objetivo investigar as PWA e as SPA, analisando seus desafios, potencialidades e perspectivas no contexto do desenvolvimento de sistemas web modernos. A partir da revisão bibliográfica e da análise de pesquisas nacionais e internacionais, constatou-se que ambas as abordagens representam avanços significativos na busca por soluções mais responsivas, acessíveis e alinhadas às demandas do cenário digital contemporâneo.
As PWAs mostraram-se relevantes por oferecerem funcionalidades antes restritas a aplicativos nativos, como instalação em dispositivos móveis, funcionamento offline e notificações push, o que amplia a inclusão digital e favorece usuários em cenários de conectividade limitada. As SPAs, por sua vez, destacaram-se pela fluidez de navegação e pela capacidade de atualizar dinamicamente conteúdos sem recarregamentos completos, tornando-se alternativas eficazes para aplicações que exigem alta interatividade.
Entretanto, foram identificados desafios importantes em ambas as arquiteturas. As PWAs enfrentam limitações relacionadas à atualização de cache e ao acesso restrito a determinados recursos de hardware. Já as SPAs demandam soluções adicionais para indexação em mecanismos de busca e gerenciamento eficiente de estados complexos. Tais limitações evidenciam a necessidade de planejamento arquitetural e da adoção de boas práticas de engenharia de software para garantir aplicações seguras, escaláveis e sustentáveis.
A integração entre PWA e SPA configura-se como tendência promissora, capaz de potencializar benefícios e reduzir limitações. Esse modelo híbrido apresenta forte aplicabilidade em setores estratégicos como saúde, educação e comércio eletrônico, consolidando-se como alternativa de grande valor tanto para o mercado quanto para a academia.
Por fim, conclui-se que o futuro do desenvolvimento web moderno depende da consolidação dessas arquiteturas associadas a padrões abertos e práticas de acessibilidade. O aprofundamento de pesquisas acadêmicas e a evolução do suporte tecnológico por parte de navegadores e plataformas serão determinantes para ampliar o impacto positivo das PWAs e SPAs, contribuindo para a democratização do acesso digital e para a construção de experiências cada vez mais inclusivas e eficientes.
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1 Graduando do Curso de Sistemas de Informação da Universidade de Araraquara – UNIARA. Araraquara-SP. E- mail: jefferson.caria@uniara.edu.br
2 Orientador. Docente do Curso de Sistemas de Informação da Universidade de Araraquara – UNIARA. Araraquara- SP. E-mail: alsilva@uniara.edu.br
3 Coorientador. Docente do Curso de Sistemas de Informação da Universidade de Araraquara – UNIARA. Araraquara-SP. E-mail: fflorian@uniara.edu.br
