APPLICATION OF MICRONEEDLING IN FACIAL REJUVENATION: A LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202510091354
Ana Luíza Vilhena Vasconcelos¹
Isadora Helen Ramos Monteiro
Lorena Mariany Vieira Cândido
Flávia Mesquita Costa²
RESUMO
O microagulhamento é um procedimento estético minimamente invasivo que utiliza um aparelho (dermaroller ou dermapen) com microagulhas para tratar a pele. É uma técnica segura e eficaz para melhorar a aparência de diversas condições dermatológicas e rejuvenescer a pele. Foi objetivo desta pesquisa analisar, por meio de uma revisão da literatura, a aplicação da técnica de microagulhamento como método de indução de colágeno para o rejuvenescimento facial. O aporte teórico da pesquisa se alcançou através da busca em sites de conhecida confiabilidade quanto ao seu teor científico: SciELO, PubMed/MEDLINE, e Google Scholar. Os resultados mostraram que microagulhamento, também denominado Terapia de Indução Percutânea de Colágeno, é uma técnica minimamente invasiva com eficácia comprovada no rejuvenescimento facial. Seu mecanismo de ação envolve microperfurações que estimulam fibroblastos, promovendo neocolagênese e produção de elastina. A literatura evidencia melhora significativa em rugas, linhas de expressão e textura da pele, além de potencializar a absorção de ativos (drug delivery). O procedimento é considerado seguro, com riscos controlados e resultados perceptíveis após cerca de três meses, o que leva à conclusão de que a TIC é uma modalidade terapêutica cientificamente comprovada, que cumpre o objetivo de induzir colágeno, e oferece um perfil de segurança favorável quando aplicada de forma consciente e por profissionais habilitados.
Palavras-chave: Microagulhamento. Eficácia do Microagulhamento. Rejuvenescimento facial. Terapia de indução percutânea de Colágeno.
1 INTRODUÇÃO
O microagulhamento, também denominado Terapia de Indução Percutânea de Colágeno (TIPC) ou Terapia de Indução de Colágeno (TIC), é uma técnica não invasiva que ganhou relevância crescente na área da estética e dermatologia. Seu mecanismo fundamental de ação baseia-se na microperfuração controlada da pele, utilizando dispositivos como o dermaroller ou dermapen, para desencadear uma resposta natural de reparo tecidual. (Furini, 2021).
Esse procedimento promove um trauma controlado na pele que estimula a produção de colágeno e elastina, proteínas essenciais para a sustentação e elasticidade cutânea e é amplamente utilizado no tratamento de diversos problemas de pele. Relativo ao rejuvenescimento facial, o microagulhamento é eficaz contra os sinais do envelhecimento, como rugas, linhas de expressão e flacidez. Além disso, a técnica tem aplicação comprovada no tratamento de cicatrizes de acne, estrias, melasma e diferentes tipos de alopecia (Ferreira; Aita; Muneratto, 2020). O processo também facilita a penetração de substâncias ativas em camadas mais profundas, um conceito conhecido como Drug Delivery, que aumenta drasticamente a eficácia terapêutica dos ativos aplicados (Farina; Mota, 2023).
O envelhecimento cutâneo é um processo natural e inevitável provocado pelos fatores intrínsecos e extrínsecos. O envelhecimento intrínseco está relacionado ao fator genético, alterações hormonais e ao próprio passar do tempo, sendo responsável pela redução gradual da produção de colágeno e elastina, que geralmente começa por volta dos 25 anos. Já o envelhecimento extrínseco é causado por fatores externos, como exposição solar, poluição, má alimentação e tabagismo, que aceleram a degradação das fibras de sustentação da pele, provocando rugas, manchas e flacidez de forma mais intensa. Ambos os processos afetam a firmeza e a aparência da pele, tornando essencial o cuidado contínuo e a adoção de hábitos saudáveis para retardar seus efeitos (Seabra; Silva, 2022).
Apesar de sua ampla aplicação e dos resultados clinicamente observados, a literatura científica ainda apresenta lacunas sobre a eficácia e os mecanismos de ação da TIC. É possível verificar que o crescente interesse do público por procedimentos estéticos não invasivos, como o microagulhamento, não é totalmente acompanhado por um volume satisfatório de informações que detalhem seus protocolos, segurança e mecanismos bioquímicos de regeneração (Parreira et al., 2024).
Portanto, o objetivo desta pesquisa é explanar, por meio de uma revisão da literatura, a aplicação e benefícios da técnica de microagulhamento como método de indução de colágeno para o rejuvenescimento facial, na melhora de sinais do envelhecimento, como rugas, linhas de expressão e flacidez.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 Técnica de Microagulhamento
O microagulhamento é um procedimento estético minimamente invasivo que utiliza um aparelho (dermaroller ou dermapen) com microagulhas para tratar a pele. É uma técnica segura e eficaz para melhorar a aparência de diversas condições dermatológicas e rejuvenescer a pele (Ferreira, 2020).
A história do microagulhamento, embora recente na estética moderna, tem suas raízes no uso ancestral de agulhas. A técnica encontra seu precedente histórico na medicina tradicional chinesa, com a acupuntura. No entanto, é fundamental destacar que a eficácia da acupuntura se baseia em princípios de energia vital e pontos de pressão, enquanto a eficácia do microagulhamento é comprovada por um mecanismo puramente biológicos e fisiológicos. A ligação, portanto, está na ferramenta, a agulha, e não no seu modo de ação (Machado, 2024).
No início do século XX, o dermatologista alemão Ernest Kromayer (1905) inovou ao usar brocas rotativas, semelhantes às de um dentista, para remover tecido danificado e tratar cicatrizes. Essa abordagem pioneira de perfurar a pele para fins terapêuticos foi um passo fundamental no uso de perfuração cutânea. O procedimento evoluiu, e na década de 1950, o uso de escovas com aço inoxidável para tratar o envelhecimento da pele demonstrava o crescente interesse na aplicação de técnicas mecânicas para a estética (Aldawood; Andar; Desai, 2021).
Ainda conforme Aldawood, Andar e Desai (2021) as décadas seguintes trouxeram mais experimentos. Nos anos 80, o uso de agulhas de acupuntura com correntes foi adaptado para tratar cicatrizes hipertróficas. Em 1992, o cirurgião canadense André Camirand publicou um estudo notável sobre a melhora de cicatrizes com o uso de uma pistola de tatuagem, porém sem tinta (Thi Minh et al., 2019). Ainda nessa época, a técnica de subcisão – cirurgia subcutânea sem incisão, que utiliza agulhas para liberar fibroses em cicatrizes, foi aprimorada, estendendo-se para tratar também rugas e a queda de cabelo (Vempati et al., 2023).
A verdadeira revolução para o que conhecemos hoje veio em 1997, quando o pesquisador sul-africano Desmond Fernandes introduziu a técnica de indução de sangramento superficial com um dispositivo de rolamento. Seu objetivo era aumentar a produção de colágeno, e a técnica se mostrou tão promissora que, em 2002, ele lançou o Roller e publicou um artigo nomeando o método de “Terapia de Indução de Colágeno” (TIC). Por suas contribuições, Fernandes é considerado o Pai do microagulhamento. (Furini, 2021).
Posteriormente em 2006, a eficácia do procedimento foi cientificamente comprovada por M. Schuartz – cirurgião alemão que, por meio de cortes histológicos, demonstrou o aumento na produção de colágeno e elastina na pele após o microagulhamento (Machado, 2024). Essa evidência sólida consolidou a técnica como um procedimento seguro e eficaz, abrindo caminho para sua ampla aceitação na medicina estética mundial.
O procedimento consiste em criar microlesões na pele com o uso de um aparelho que possui dezenas de agulhas finas e curtas. Essas agulhas podem estar em um rolo, conhecido como dermaroller, (Figura 1) ou em uma caneta elétrica, chamada de dermapen (Figura 2).

Ferreira, Aita e Muneratto (2020), afirmam ser as agulhas com injúrias de 0,25 mm e 0,5 mm as indicadas para a aplicação de fármacos, tratamento de rugas finas e melhora do brilho e da textura da pele. Já as de 1,0 mm e 1,5 mm são utilizadas em casos de flacidez cutânea, rugas de intensidade moderada e para o rejuvenescimento global. As de 2,0 mm e 2,5 mm, por sua vez, são recomendadas em tratamentos mais profundos, como cicatrizes deprimidas distensíveis, estrias, além de cicatrizes onduladas e retráteis.
O uso de anestesia no procedimento de microagulhamento é determinado pela injuria da agulha utilizada. Para agulhas entre 0,2 mm e 0,3 mm, a aplicação de anestésico tópico não é necessária. Contudo, para profundidades maiores, o manejo da dor é indispensável: é indicado o uso de anestésico tópico para injurias entre 0,5 mm e 2,0 mm, enquanto agulhas de 2,0 mm a 2,5 mm já requerem o uso de anestesia geral (Ferreira; Aita; Muneratto, 2020).
O procedimento é feito pelo deslizamento do aparelho indicado, com a agulha correta sobre a pele em diferentes direções, formando canais microscópicos – chamados microcanais (Ferreira, 2020). Essas microlesões estimulam uma resposta inflamatória importante da pele, produzindo colágeno e elastina, proteínas essenciais para a estrutura e firmeza da pele sem causar danos à epiderme, por ser um trauma controlado visando exatamente a produção destes. Por este motivo, o procedimento é também chamado de Terapia de Indução de Colágeno (TIC) ou indução percutânea de colágeno (IPC) (Ferreira; Aita; Muneratto, 2020).
Estes canais criados pelas agulhas aumentam a permeabilidade da pele, permitindo que ativos e vitaminas aplicados em seguida, como ácido hialurônico e fatores de crescimento, penetrem mais profundamente e tenham maior eficácia (Jaiswal; Jawade, 2024). O procedimento leva de 30 a 60 minutos, dependendo da área tratada, e a injúria necessária. A recuperação pode levar alguns dias, com a pele ficando avermelhada e sensível (Singh; Yadav, 2016).
O processo de microagulhamento pode ser usado para tratar uma série de problemas de pele no rosto, pescoço, colo e corpo. Seus principais objetivos são: rejuvenescimento da pele – pois reduz rugas finas e linhas de expressão, devolvendo firmeza e viço; tratamento de cicatrizes de acne, cirúrgicas e até mesmo de queimaduras; clareamento de manchas e melasmas, principalmente quando combinado com ativos clareadores e; redução de poros dilatados, deixando a textura da pele mais uniforme.
2.2 Eficácia do Microagulhamento para rejuvenescimento facial
A literatura consultada aponta para uma unanimidade entre os autores sobre a eficácia da técnica de microagulhamento para rejuvenescimento facial. De acordo com Sucupira, Guabiraba e Braz (2025), Morais et al. (2023) e Canteiro et al. (2022), o microagulhamento configura-se como uma alternativa eficaz no tratamento de diversas alterações cutâneas.
Entre os principais benefícios descritos, destacam-se a indução da síntese de colágeno, a melhora no aspecto de rugas e linhas de expressão, além do aumento da permeabilidade cutânea, favorecendo a absorção de ativos terapêuticos. Esse conjunto de mecanismos contribui para o tratamento da pele de forma profunda, suavizando sinais do envelhecimento e proporcionando uma aparência mais jovem (Sucupira; Guabiraba; Braz, 2025).
2.3 Anatomofisiologia da pele
A pele é o maior órgão do corpo humano, cobre uma área de cerca de 2m² e corresponde aproximadamente um sexto do peso corporal. Além de sua relevância para a autoestima e o bem-estar, a pele tem uma função vital como a primeira barreira de defesa do organismo contra bactérias e vírus. Suas funções incluem, ainda, a regulação da temperatura, síntese de vitamina D, absorção de radiação UV, proteção contra agressões, controle de umidade, absorção e secreção de substâncias, além de sua importância estética (Sales et al., 2022).
Considerando sua estrutura, a pele é composta por três camadas principais: a epiderme, a derme e a hipoderme, também conhecida como camada subcutânea conforme a Figura 3, sendo a epiderme a camada onde se faz o microagulhamento para fins de rejuvenescimento (Hani et al., 2024).
Figura 3: Camadas da Pele

A epiderme é a camada responsável pela proteção da pele, enquanto a derme oferece suporte estrutural e abriga os fibroblastos, células que produzem colágeno e elastina, proteínas essenciais para a resistência e elasticidade cutânea (Silva et al., 2024). Com o passar do tempo, o processo de envelhecimento cutâneose manifesta por causas intrínsecas, como a redução natural da produção de colágeno e elastina, além da influência de fatores genéticos e hormonais. Somam-se a esses os fatores extrínsecos, como a exposição solar excessiva, hábitos de vida inadequados e agentes ambientais, que aceleram a degradação dessas proteínas. Como resultado, ocorre a diminuição dos fibroblastos, a perda de gordura subcutânea e a redução da firmeza, elasticidade e volume da pele. (Souza; Freitas, 2024).
Essas alterações resultam em flacidez e no surgimento de rugas superficiais e profundas, especialmente em áreas como bochechas, pálpebras e ao redor da boca. O processo é mais evidente no terço médio da face, onde a ação da gravidade e a falta de suporte estrutural acentuam sulcos e depressões faciais, comprometendo o contorno e o aspecto geral da face apresentando rugas, linhas de expressão, perda de elasticidade e flacidez. (Ferraz et al., 2021).
2.4 Mecanismo de Ação da Terapia de Indução de Colágeno (TIC)
Através das perfurações é deflagrada uma “cascata” de sinalização molecular que culmina no processo de neoformação de tecidos cutâneos. Porém, sua eficácia no rejuvenescimento facial não se restringe apenas à esta ação física das agulhas, mas na ativação da resposta biológica intrínseca do organismo à lesão (Naka et al., 2024). Este processo bioquímico e celular pode ser didaticamente dividido em três fases interligadas: Fase Inflamatória (ou de Hemostasia), fase proliferativa (ou de reconstrução) e a fase de remodelação.
A fase inflamatória, é a resposta imediata e crucial ao trauma tecidual. Essa resposta é influenciada pela natureza do biomaterial, pelas características do paciente e pela técnica de injeção utilizada (Seabra; Silva, 2022). As microperfurações na epiderme induzem a ruptura de pequenos capilares, desencadeando a hemostasia e a degranulação plaquetária (Fontain, Lapin, 2023). Esta resposta inicial é acompanhada pela liberação de uma série de mediadores inflamatórios e fatores de crescimento essenciais, tais como: Fator de Crescimento Derivado de Plaquetas (PDGF), Fator de Crescimento Transformador Beta (TGF-β) e Fator de Crescimento de Fibroblastos (FGF) (siglas em inglês). A liberação desses sinalizadores bioquímicos é o evento primário que comanda a transição para a próxima fase do processo de cicatrização (Landén; Li; Stahle, 2016).
Na fase proliferativa ou de reconstrução, conforme Landén, Li e Stahle (2016), estimulados pelos fatores de crescimento, os fibroblastos, são ativados e migram para a área da lesão. A sua principal função é a síntese de novas fibras da matriz extracelular (MEC), nomeadamente colágeno e elastina. Inicialmente, ocorre a deposição de colágeno tipo III, que é mais flexível e atua como um arcabouço temporário. Paralelamente, ocorre a angiogênese, que é a formação de novos vasos sanguíneos, promovendo a vascularização e o aporte de nutrientes necessários para a proliferação celular e a síntese proteica.
Na fase de remodelação – a mais prolongada do processo de cicatrização. O colágeno tipo III que foi depositado na fase anterior é progressivamente degradado e substituído pelo colágeno tipo I, que é mais denso, forte e estrutural. A organização e o alinhamento das novas fibras de colágeno e elastina resultam na densificação da derme (Figura 4), no aumento da sua firmeza e elasticidade, e na atenuação de rugas, cicatrizes e outras irregularidades da superfície cutânea.
Figura 4: Representação da volumização do tecido devido ao aumento na produção de colágeno.

Além de promover a renovação celular, os microcanais formados permitem uma maior permeação de substâncias ativas, potencializando os resultados do tratamento. Isso porque o microagulhamento supera temporariamente a barreira do estrato córneo, facilitando a entrega transdérmica de substâncias terapêuticas. Um processo chamado de Drug Delivery (Guerra; Basso; Schneider, 2024). (Costa; Brás; Gresik, 2025).
Através das microperfurações, substâncias ativas como o ácido hialurônico, vitaminas, fatores de crescimento, agentes clareadores e outras substâncias importantes para a pele penetram atingindo camadas mais profundas, onde sua bioatividade é maximizada (Parreira et al., 2024).
Este é um procedimento de mínima dor, cujos resultados tornam-se mais evidentes após aproximadamente três meses, período em que ocorre a maturação de um novo colágeno. Complementarmente, Ferreira et al. (2020) e Sales et al. (2022) enfatizam que o microagulhamento é considerado uma técnica segura e consolidada. Contudo, para otimizar seus efeitos no rejuvenescimento facial, a associação com ativos específicos, aplicados pela técnica de drug delivery, mostra-se fundamental. Esses ativos atuam no tratamento de manchas, rugas e linhas finas, elevando o nível de eficácia do procedimento e a satisfação dos pacientes.
3. METODOLOGIA
O presente estudo se caracteriza como uma revisão bibliográfica narrativa da literatura, com o objetivo de analisar a aplicação da técnica de microagulhamento no rejuvenescimento facial. Este delineamento de pesquisa permite a descrição e discussão aprofundada do conhecimento científico produzido sobre o tema, englobando sua evolução histórica, mecanismos de ação, benefícios e aspectos de segurança.
Quanto à busca pela literatura em torno do tema, essa se deu conforme os critérios: busca de artigos científicos, dissertações e outros documentos relevantes disponíveis em bases de dados confiáveis na internet e de conhecido teor científico do seu conteúdo como: SciELO, PubMed/MEDLINE, e Google Acadêmico. Para garantir a atualidade e relevância dos dados, foi estabelecido um recorte temporal de 10 anos, abrangendo publicações realizadas entre 2015 e 2025.
Para a busca utilizou-se a combinação dos seguintes descritores controlados e palavras-chave em português e inglês: microagulhamento, microagulhamento para rejuvenescimento facial, técnica de indução de colágeno, envelhecimento e pele. Após a aplicação dos descritores, os artigos encontrados tiveram seus títulos e resumos examinados de acordo com sua pertinência ao objetivo do trabalho.
Foram selecionados para leitura na íntegra, aqueles que abordavam diretamente a eficácia, o mecanismo de ação e a segurança clínica do microagulhamento. A análise e a síntese do conteúdo foram realizadas de forma qualitativa, permitindo a estruturação dos resultados e a elaboração da discussão por temas, conforme apresentado no corpo do trabalho.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados da revisão da literatura vêm confirmar a eficácia e o mecanismo de ação da técnica de microagulhamento no rejuvenescimento facial, demonstrando a solidez do método como uma alternativa terapêutica de baixa invasividade e alto impacto biológico.
Ferraz et al. (2021) assim como Costa et al. (2021), apresentam o microagulhamento como uma técnica minimamente invasiva com potencial terapêutico significativo no rejuvenescimento facial, reconhecendo o envelhecimento da pele como resultado de alterações estruturais e funcionais como rugas, linhas de expressão e flacidez, resultante de fatores intrínsecos (fatores genéticos, passar do tempo, fatores hormonais) e extrínsecos, como a exposição solar, o tabagismo, má alimentação e fatores ambientais.
Para Naka et al. (2024), a eficácia do microagulhamento está diretamente ligada à ativação da resposta biológica intrínseca do organismo à lesão controlada e conforme Landén, Li e Stahle (2016), essa ativação é o ponto central do rejuvenescimento, pois culmina na neoformação de tecidos cutâneos.
Nesse sentido, Landén, Li e Stahle (2016) e Parreira et al (2024), concordam que a técnica é feita através de um processo trifásico de cicatrização: fase Inflamatória, fase proliferativa e fase de remodelação. Os autores ainda descrevem tal processo, como um estímulo ao crescimento dos fibroblastos, liberados na fase inflamatória, que migram para a área da lesão e são ativados. A função primária desses fibroblastos é a síntese de novas fibras da matriz extracelular, notadamente o colágeno tipo I, que confere densidade, firmeza e elasticidade à pele, atenuando rugas e linhas de expressão.
A literatura consultada demonstra unanimidade quanto à eficácia do microagulhamento para o rejuvenescimento facial. Sucupira, Guabiraba e Braz (2025), Morais et al. (2023) e Canteiro et al. (2022) têm o mesmo entendimento ao destacarem a técnica como uma alternativa eficaz no tratamento de diversas alterações cutâneas.
Essa eficácia é explicada pela ação do microagulhamento em neutralizar os fatores do envelhecimento, descritos por Souza e Freitas (2024) e Ferraz et al. (2021), como o resultado da redução da produção de colágeno e elastina e perda de suporte estrutural, resultando em flacidez, rugas e linhas de expressão. Em contrapartida, os resultados da pesquisa apontam que o procedimento atua diretamente na indução da síntese dessas proteínas, suavizando os sinais de envelhecimento e proporcionando uma aparência mais jovem, como relatam Sucupira, Guabiraba e Braz (2025).
Um achado significativo da análise teórica reside na potencialização dos resultados do microagulhamento pela associação com ativos específicos. Ferreira et al. (2020) e Sales et al. (2022) enfatizam que, embora o microagulhamento seja uma técnica segura e consolidada por si só, sua associação com ativos é fundamental para otimizar os efeitos no rejuvenescimento facial.
Essa otimização é alcançada conforme Guerra, Basso e Schneider (2024) por meio do Drug Delivery, um mecanismo que permite maior permeação de substâncias ativas, o que é corroborado por Costa, Brás e Gresik (2025) e Parreira et al. (2024), para quem as microperfurações criadas pelas agulhas superam a barreira do estrato córneo, permitindo que ativos como ácido hialurônico, vitaminas e fatores de crescimento atinjam camadas mais profundas, onde sua bioatividade é maximizada. Dessa forma, o microagulhamento atua não apenas no estímulo biológico (TIC), mas também como um veículo eficaz para o tratamento de manchas, rugas e linhas finas.
Ferreira, Aita e Muneratto (2020) também trouxeram considerações técnicas essenciais para a segurança e eficácia do microagulhamento ao estabelecerem a relação entre o comprimento das agulhas, a injúria causada e a necessidade de anestesia, determinando que profundidades maiores (acima de 0,5 mm) tornam o manejo da dor indispensável.
Silva et al. (2024) e Hani et al. (2024), definem a epiderme como a camada superficial de proteção, enquanto a derme é a camada estrutural. Assim, a literatura veio dar sustentação à importância e eficácia desta técnica de perfuração que estimula a derme (onde residem os fibroblastos) sem causar danos à epiderme e a técnica do microagulhamento, como um trauma controlado, capaz de estimular derme, novamente – sem danos à epiderme – o que reforça a segurança e o controle da técnica.
5 CONCLUSÃO
O presente estudo atingiu seu objetivo geral ao analisar a aplicação da técnica de microagulhamento no rejuvenescimento facial por meio da literatura científica. A pesquisa também responde positivamente à questão central de que o microagulhamento é uma técnica efetiva na indução de colágeno. O procedimento promove a neocolagênese e a produção de elastina, melhorando significativamente o aspecto de rugas e linhas de expressão e melhorando os sinais do envelhecimento. O microagulhamento é considerado seguro e minimamente invasivo, com resultados estéticos evidentes após o período de maturação do colágeno.
A principal limitação deste estudo reside no fato de ser uma revisão narrativa, que não aplica uma metodologia sistemática rigorosa de busca. Para futuras pesquisas, sugere-se a realização de uma revisão sistemática com meta-análise para quantificar os resultados clínicos.
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¹Discente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário UNA. Campus Bom Despacho.
²Docente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário UNA Campus Bom Despacho. Mestre em Ciência e Tecnologia das Radiações (PPG-CDTN) e-mail: flaviabiomédica@yahoo.com.br
