APLICAÇÃO DA AUDITORIA NO TERCEIRO SETOR COMO FERRAMENTA DE TRANSPARÊNCIA DOS RECURSOS RESTRITOS

APPLICATION OF AUDITING IN THE THIRD SECTOR AS A TOOL FOR TRANSPARENCY OF RESTRICTED FUNDS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202508310737


Chrisnan Dantas de Oliveira¹
Adriana Soares da Silva Oliveira²
Elisângela Leitão de Oliveira³


Resumo

A auditoria no terceiro é uma ferramenta essencial para viabilizar a transparência no processo de transparência dos recursos restritos, contribuindo com a credibilidade e imagem das organizações. Desta forma, o objetivo principal deste estudo analisar a aplicação da auditoria no terceiro setor como instrumento de transparência na gestão dos recursos restritos, ou seja, aqueles vinculados a projetos, convênios e doações com finalidade específica. Este estudo é de caráter qualitativo e exploratório, tendo como base de pesquisa artigos, revista e dissertações que contemplem esta temática publicadas entre os anos de 2019 a 2024, nas bibliotecas e plataformas online tais como: Google Scholar, Scielo, Google acadêmico. Os resultados evidenciam que a auditoria é uma ferramenta de gestão que tem uma grande contribuição no processo de credibilidade, prestação de contas e fortalecimento da ética organizacional, principalmente com seus parceiros, financiadores e a sociedade. No entanto, foram identificados alguns desafios e barreiras tais como o custo elevado dos serviços de auditoria, a resistência cultural à adoção de práticas auditáveis. Desta forma conclui-se que, auditoria atua como uma ferramenta essencial para a transparência dos recursos restritos por meio de relatório auditáveis, prestações e contas e controle administrativos, financeiros e operacionais nas empresas do terceiro setor.

Palavras-chave: Terceiro setor, Recursos restritos, Auditoria e transparência.

Abstract

Auditing in the third sector is an essential tool for enabling transparency in the management of restricted resources, contributing to the credibility and public image of organizations. Thus, the main objective of this study is to analyze the application of auditing in the third sector as an instrument of transparency in the management of restricted resources, in other words, those linked to projects, agreements, and donations with specific purposes. This study is qualitative and exploratory, based on research from articles, journals, and dissertations addressing this topic, published between 2019 and 2024, in libraries and online platforms such as Google Scholar, SciELO, and Google academic. The results show that auditing is a management tool that significantly contributes to credibility, accountability, and the strengthening of organizational ethics, especially with partners, funders, and society. However, some challenges and barriers were identified, such as the high cost of auditing services and cultural resistance to adopting auditable practices. Therefore, it is concluded that auditing serves as an essential tool for ensuring transparency of restricted resources through auditable reports, accountability mechanisms, and administrative, financial, and operational controls within third sector organizations.

Keywords: Third sector, Restricted resources, Auditing, Transparency

1 INTRODUÇÃO

Em um contexto de crescente desigualdade social e escassez de recursos, as organizações do Terceiro Setor desempenham papel estratégico no enfrentamento das demandas sociais, especialmente em áreas como saúde, educação e assistência social. Essas entidades privadas e sem fins lucrativos atuam como mediadoras entre o Estado e a sociedade, complementando lacunas deixadas por políticas públicas e pelo setor privado e promovendo o desenvolvimento com base em solidariedade e cidadania (Tavares; Azevedo, 2022).

A auditoria no terceiro setor tem sido o pilar fundamental na implementação da transparência institucional, principalmente envolvendo recursos públicos, que é o ativo indispensável nas instituições do terceiro setor. A auditoria não atua apenas como verificação técnica e contábil, mas como uma forma de implementar ética, responsabilidade social e as boas práticas de governança institucional no terceiro setor (Souza; Diniz; Paiva).

A transparência e a prestação de contas são aspectos fundamentais nesse cenário, pois sustentam a confiança de financiadores, beneficiários e da sociedade em geral. A realização de auditorias, internas e externas, torna-se essencial para assegurar que os recursos sejam aplicados de forma correta e que as inovações sociais se mantenham sustentáveis e com credibilidade (Tavares; Azevedo, 2022). Nesse sentido, conforme observa Soares (2008), a principal finalidade da auditoria é garantir a veracidade e a confiabilidade das informações financeiras apresentadas.

Apesar dos avanços, ainda existem desafios estruturais que comprometem a eficácia das práticas de governança, como a burocracia excessiva, fragilidades nos controles internos e a carência de capacitação contínua dos gestores (Prestes, 2025). Esses fatores impactam diretamente a qualidade da prestação de contas e exigem aperfeiçoamentos institucionais e operacionais.

No Brasil, experiências bem-sucedidas têm demonstrado que a adoção de boas práticas de governança corporativa, aliada à auditoria externa, contribui para promover transparência, aumentar a confiança e fortalecer a legitimidade institucional, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde relatórios claros e independentes potencializam o reconhecimento e a credibilidade das organizações (Gonçalves, 2024).

Atualmente a crescente atuação das organizações do terceiro setor na promoção de direitos sociais, ambientais e culturais tem ampliado sua relevância no cenário nacional e internacional, contudo tem enfrentado diversas barreiras principalmente para garantir a transparência na gestão dos chamados recursos públicos. Assim sendo, este estudo busca responder o seguinte questionamento: Como a aplicação da auditoria no terceiro setor pode contribuir com a transparência dos recursos restritos?

Esta pesquisa se justifica pela necessidade de aprofundar a compreensão sobre como a auditoria e sua contribuição efetiva na transparência do terceiro setor, provendo debates acadêmicos e viabilizando subsídios para gestores, empresas, instituições de fomento e políticas públicas proporcionando uma atuação mais ética, eficiente e alinhada com os princípios da responsabilidade social

Diante desse contexto, este estudo tem como objetivo geral analisar de que forma a aplicação da auditoria no terceiro setor pode atuar como ferramenta de transparência, visando aprimorar a gestão de recursos restritos, fortalecendo a credibilidade e a sustentabilidade das organizações.

2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 O Terceiro Setor

O Terceiro Setor é composto por organizações da sociedade civil que não integram o governo nem o mercado privado lucrativo. São instituições privadas, sem fins lucrativos, que desenvolvem atividades voltadas ao interesse público, atuando em áreas como direitos humanos, saúde, educação, meio ambiente e assistência social, com o propósito de promover o bem-estar coletivo e a cidadania (Trackmob, 2024).

Esse setor se diferencia dos demais pela gestão de recursos direcionados a finalidades sociais, desempenhando papel fundamental na redução das carências existentes na sociedade. Essas organizações operam em um espaço híbrido, pois, embora sejam privadas, estão voltadas à realização de objetivos sociais e de interesse público, mesmo sem integrar a estrutura governamental (Alves, 2019).

Além de suprir lacunas deixadas pelo poder público, especialmente em regiões marcadas por vulnerabilidade social, essas entidades contribuem para o desenvolvimento socioeconômico, a geração de empregos e a promoção da justiça social (Garrido, 2016).

Estudos recentes apontam que o Terceiro Setor também exerce papel estratégico na inovação social e no fortalecimento das políticas públicas, atuando de forma complementar e colaborativa com o Estado (Souza; Pereira, 2022).

As entidades desse setor não se enquadram de maneira rigorosa como públicas ou privadas, uma vez que sua identidade resulta da combinação de características de ambos. Embora sejam organizações privadas sem fins lucrativos, possuem atuação voltada à realização de objetivos sociais ou de interesse público, mesmo sem integrar a estrutura estatal (Manual do terceiro setor, 2015).

2.2 A Importância da Auditoria no Terceiro Setor 

A auditoria exerce papel estratégico nas organizações do Terceiro Setor, especialmente na gestão de recursos provenientes de doações, parcerias e verbas públicas, pois contribui para assegurar a transparência, a conformidade legal e a prestação de contas, fortalecendo a eficiência da gestão e a credibilidade institucional. Outro aspecto relevante é a avaliação dos riscos financeiros e operacionais, permitindo a adoção de estratégias de mitigação e fornecendo subsídios para a melhoria contínua das práticas de governança e controle (campelo; Martins, 2023).

No contexto da governança e gestão de riscos, a auditoria assegura a transparência das informações financeiras, facilitando o acesso a dados claros e confiáveis para os stakeholders. Além disso, possibilita a prestação de contas, fortalecendo a confiança de doadores e financiadores ao demonstrar a correta aplicação dos recursos. Também garante a conformidade com normas legais e regulatórias, promove a eficiência ao identificar falhas nos processos e controles internos e contribui para a credibilidade institucional, facilitando a captação de novos recursos (Vieira; Barreto, 2019).

Além de promover a transparência e a confiabilidade das informações, a auditoria é fundamental para a sustentabilidade das organizações do Terceiro Setor, especialmente diante da crescente exigência por responsabilidade social e prestação de contas. A análise independente das demonstrações contábeis, realizada por profissionais qualificados, previne manipulações de dados e assegura maior credibilidade junto a financiadores e parceiros (Oliveira, 2020).

Conforme Santos e Rocha (2021), a auditoria, ao alinhar práticas contábeis com padrões éticos e de governança, não apenas detecta possíveis irregularidades, mas também orienta a entidade na adoção de boas práticas de gestão, fortalecendo sua imagem institucional e a confiança dos stakeholders.

A auditoria, no contexto do Terceiro Setor, desempenha papel essencial para assegurar a transparência, a correta aplicação dos recursos e o fortalecimento da governança. As modalidades mais relevantes para essas organizações incluem a auditoria interna, a auditoria independente, a auditoria de conformidade, a auditoria operacional e a auditoria de impacto social, cada uma com finalidades e métodos específicos.

Existem diversos tipos de auditoria, que podem ser utilizadas nas organizações, tais como: interna, independente, conformidade, operacional e impacto social. A auditoria interna é realizada por profissionais vinculados à própria organização, com foco na avaliação de processos internos, identificação de riscos e aprimoramento dos controles administrativos e financeiros. Essa prática contribui para prevenir irregularidades e otimizar o uso dos recursos disponíveis (Lima, 2022).

Já a auditoria independente, conduzida por auditores externos sem vínculos com a instituição auditada, visa emitir uma opinião técnica sobre a fidedignidade das demonstrações contábeis. Essa modalidade fortalece a credibilidade das informações apresentadas aos financiadores e à sociedade, sendo frequentemente exigida por contratos de parceria e legislações específicas (Crepaldi, 2021).

A auditoria de conformidade serve para verificar se a organização está seguindo todas as leis, normas contábeis e exigências dos contratos com financiadores. Ela ajuda a identificar possíveis falhas nos controles internos e sugere melhorias que possam prevenir fraudes e desvios. Além disso, garante que todas as obrigações legais, normativas e contratuais estejam sendo cumpridas, assegurando que os recursos sejam usados exatamente como foi planejado. Quando os recursos vêm de convênios ou termos de fomento, esse tipo de auditoria é especialmente importante para evitar penalidades e manter a boa reputação da instituição. (CFC, 2015).

A auditoria operacional, por sua vez, avalia a eficiência, eficácia e economicidade na execução de programas e projetos, permitindo identificar oportunidades de melhoria e assegurar que os objetivos sociais estejam sendo alcançados de forma otimizada (Silva; Barbosa, 2020).  Assim sendo, a auditoria de impacto social, modalidade mais recente e especialmente aplicável ao Terceiro Setor, mede e analisa os resultados efetivos das ações realizadas, relacionando-os ao uso dos recursos investidos. Essa abordagem fortalece a prestação de contas, a captação de novos financiamentos e a legitimidade das organizações perante a sociedade (Fernandes; Souza, 2023).

2.3 Gestão de recursos restritos e conformidade

A gestão de recursos restritos no Terceiro Setor exige mais do que o cumprimento das normas, ela demanda um compromisso ético. A Lei n.º 13.019/2014 determina que os valores destinados a fins específicos, conforme estabelecido em termos de colaboração ou fomento, devem ser rigorosamente aplicados, vedada sua destinação para objetivos distintos. Adicionalmente, instrumentos de contabilidade, como o ITG 2002 e o Manual de Procedimentos do CFC (2015), exigem que esses recursos sejam segregados contabilmente em contas específicas e reconhecidos como receita somente à medida que o objeto do repasse for executado.

Além disso, uma governança responsável, com a presença de conselhos deliberativos e fiscais ativos e políticas claras de integridade e compliance, é indispensável para criar um ambiente interno que previna irregularidades e assegure a boa aplicação dos recursos. Essa necessidade ao enfatizar o registro organizado dos recursos como base para uma auditoria efetiva, incorporar práticas legais e éticas robustas, as organizações do terceiro setor não apenas fortalecem sua credibilidade, mas garantem que os recursos restritos cumpram seus objetivos sociais, promovendo eficiência, transparência e confiança institucional (Manual do terceiro setor, 2015).

A conformidade legal no Terceiro Setor envolve o cumprimento rigoroso de leis, normas contábeis e regulatórias, bem como das exigências contratuais assumidas com financiadores e parceiros. Esse alinhamento é indispensável para garantir a legitimidade das organizações, preservar sua reputação e evitar sanções administrativas ou jurídicas. Além do aspecto legal, a governança no Terceiro Setor deve seguir princípios éticos que assegurem a integridade das decisões, a imparcialidade na gestão de recursos e a transparência nas relações com stakeholders. (Gonçalves, 2024).

De acordo com Dias e Andrade (2022), a estrutura de governança eficaz deve estar alicerçada em princípios como legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, assegurando que as ações organizacionais estejam alinhadas aos interesses coletivos e não a interesses particulares. Esses princípios, consagrados também na Lei n.º 13.019/2014, orientam a conduta dos gestores e contribuem para uma gestão responsável e ética.

A auditoria desempenha papel relevante nesse processo, atuando como mecanismo de verificação e prevenção, identificando fragilidades nos controles internos e apontando ações corretivas antes que ocorram desvios ou não conformidades. Gonçalves (2024) destaca que, ao associar auditoria e boas práticas de governança, é possível elevar o nível de transparência e a confiança dos financiadores e da sociedade, garantindo uma maior efetividade na aplicação dos recursos.

No contexto do Terceiro Setor, a auditoria assume papel fundamental na detecção e prevenção de fraudes e má gestão, garantindo que os recursos, especialmente aqueles de natureza restrita, sejam utilizados de forma lícita, ética e alinhada aos objetivos institucionais. Segundo Albuquerque e Silva (2021), a ausência de mecanismos de controle interno eficazes pode comprometer não apenas a sustentabilidade financeira, mas também a reputação e credibilidade das organizações junto a financiadores e à sociedade.

A atuação da auditoria não se limita à verificação de registros contábeis, abrangendo também a análise de processos e fluxos de trabalho para identificar vulnerabilidades, inconsistências e oportunidades de melhoria. Para Moreira e Gonçalves (2020), a implementação de auditorias periódicas, aliada a políticas de compliance e governança, reduz significativamente o risco de desvios de conduta, proporcionando maior segurança e confiabilidade aos stakeholders.

Além disso, ambientes organizacionais com poucos recursos e controles fracos são mais suscetíveis a fraudes contábeis e maus usos de ativos. A implementação de práticas como a segregação de funções, auditorias internas e externas regulares e a existência de canais seguros para denúncias constituem mecanismos eficazes para fortalecer a governança e preservar a credibilidade institucional, assegurando maior integridade no uso dos recursos (ACFE, 2020)

2.4 Transparência e Prestação de Contas

A transparência na gestão e a prestação de contas são pilares para a legitimidade e a sustentabilidade das entidades do Terceiro Setor, essas práticas são essenciais para manter a confiança de financiadores, colaboradores e da sociedade (Barreto e Silva, 2021).  A clareza nas demonstrações financeiras evidencia o comprometimento dos gestores com a responsabilidade social e com o uso eficiente dos recursos (Camargo (2001).

O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC, 2015) recomenda, como boas práticas, a prestação de contas regular, a divulgação clara das informações, a implementação de uma governança eficaz e a adoção de políticas de integridade e compliance, fortalecendo o relacionamento institucional e a reputação organizacional.

A transparência é um elemento central para a captação e manutenção de recursos restritos no Terceiro Setor, pois está diretamente relacionada à confiança de doadores, financiadores e demais stakeholders. Ao assegurar a divulgação clara, acessível e tempestiva das informações sobre a origem, aplicação e resultados alcançados, as organizações fortalecem sua credibilidade e demonstram comprometimento com a ética e a boa governança (Barreto; Silva, 2021).

A confiança gerada pela transparência não apenas mantém os atuais apoiadores, mas também favorece a atração de novos parceiros estratégicos. Conforme Tondolo, Tondolo e Bitencourt (2023), a clareza nas ações e na gestão dos recursos influencia diretamente a disposição de patrocinadores e apoiadores em manter e ampliar o apoio financeiro. Os autores destacam que gestores de Organizações da Sociedade Civil tendem a rejeitar recursos de origem duvidosa, priorizando parcerias que não comprometam a reputação institucional, reforçando, assim, a importância da integridade na captação de recursos.

Além disso, a transparência contribui para que o uso de recursos restritos esteja alinhado aos objetivos contratuais e legais, reduzindo riscos de questionamentos por órgãos de controle e financiadores. Essa prática, somada a processos de auditoria e prestação de contas consistentes, fortalece o relacionamento com financiadores e potencializa a sustentabilidade financeira e social das organizações do Terceiro Setor.

A transparência e a prestação de contas contínuas são obrigações éticas fundamentais nesse processo, pois sustentam a confiança dos financiadores e da sociedade em geral. Barreto e Silva (2021) reconhecem que essa conduta contribui essencialmente para a legitimidade institucional. Complementando essa perspectiva, Leite (2021) destaca que as estratégias de compliance no Terceiro Setor devem contar com ferramentas práticas que previnam conflitos de interesse, impeçam desvios e garantam integridade na aplicação dos fundos.

3 METODOLOGIA

Para se obter os melhores resultados, este estudo tem como metodologia pesquisa bibliográfica em livros, artigos científicos e periódicos especializados na auditoria e a transparência dos recursos restritos no terceiro setor no período entre 2019 à 2024.  Além disso, o estudo tem caráter exploratório, descritivo e qualitativo.  Desta forma a coleta de informações é realizado por meio de artigos das plataformas online tais como: Scielo, Google acadêmico.

A pesquisa bibliográfica segundo Gil (2019), consiste em uma análise crítica de materiais já publicados, como livros, artigos e periódicos, para fundamentar teoricamente um tema ou problema de pesquisa. Segundo Marconi e Lakatos (2020), a metodologia qualitativa é caracterizada pela análise e interpretação de aspectos mais profundos do comportamento humano, explorando significados, motivações, crenças e valores

Assim sendo, para esta pesquisa são utilizados operadores booleanos “OR” e “AND”, visando uma busca mais ampla. Assim como as seguintes palavras-chave combinadas com os operadores: “auditoria” AND “terceiro setor”, “recursos restritos” OR “transparência e ética”. Os resultados inerentes a essa temática serão compilados e analisados.

Dessa forma, como critério de exclusão são excluídos todos os artigos que não abordem esse tema, bem como artigos repetidos ou publicados em anos anteriores a 2019. O critério de inclusão engloba todos os artigos, dissertações e estudos publicados a partir de 2019 e que contemplem a aplicação da auditoria no terceiro setor como ferramenta de transparência.

Neste contexto foram selecionados 44 artigos que após análise criteriosa apenas 15 artigos foram selecionados para serem os pilares desta pesquisa. Com base nos dados coletados, espera-se identificar e destacar práticas eficazes que promovam a implementação da auditoria de forma transparente no terceiro setor.

O estudo analisa os dados para evidenciar a importância da auditoria no terceiro setor e desta forma identificar como a auditoria corrobora como ferramenta de transparência e ambiente de gestão que valorize a prestação de contas garantindo que os recursos sejam utilizados de forma clara, visando a credibilidade e proporcionando uma relação de confiança entre colaboradores, investidores e a sociedade.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os resultados abordaram diversos estudos sobre a aplicação da auditoria no terceiro setor como ferramenta de transparência, assim sendo o quadro 1 apresenta os principais estudos, autores, tipos de pesquisa e principais resultados da auditoria no terceiro setor.

Quadro 1: principais Autores e estudos

Autores/anoPrincipais artigosTipo de pesquisaResultados
Barreto, A.; Silva, J. (2021)Transparência e prestação de contas no Terceiro Setor: um estudo sobre práticas de governançaPesquisa bibliográfica Os resultados demonstraram que a implementação de práticas voltadas para transparência e prestação de contas são essenciais para as empresas do terceiro setor.  
Brasil, 2014Estabelece o regime jurídico das parcerias entre a administração pública e as organizações da sociedade civilPesquisa bibliográficaOs estudos evidenciaram que, o regime jurídico teve avanços no terceiro setor, principalmente na parceria entre poder publico e as organizações.  
Camargo, R (2021)Governança e responsabilidade social no Terceiro SetorPesquisa documental e bibliográficaO resultado revelaram que, a implementação da gestão financeira transparente e controles internos,   cria uma relação de confiança entre os afiançadores das organizações do terceiro setor.  
Cruz, C, 2022Contabilidade para entidades do Terceiro SetorRevisão sistemáticaConforme os resultados a contabilidade no terceiro setor é fundamental como estratégia , pois eleva a credibilidade das organizações e otimiza a captação de recursos  
Dias, F.; Andrade, A, 2020Governança no Terceiro Setor: princípios e práticas para a gestão eficienteRevisão de literaturaOs resultados evidenciaram que os princípios de governança fortalece a gestão das organizações no terceiro setor, viabilizando a eficiência na aplicação de recursos.  
Instituto brasileiro de governança corporativa – IBGE, 2015Código das Melhores Práticas de Governança CorporativaPesquisa bibliográfica e documentalOs estudos demonstram que a utilização do código das melhores práticas de governança proporciona a transparência e a responsabilidade social dos recursos restritos das organizações do terceiro setor, otimizando a supervisão de riscos  
Lima, F. et al. 2022Controle e gestão de recursos restritos: uma abordagem no contexto do Terceiro SetorPesquisa bibliográfica, descritaOs resultados revelaram que o controle e a gestão transparente é primordial para captar novos recursos e a sustentabilidade a longo prazo.  
Mañas, A. V.; Medeiros, R. LProgramas sociais e gestão pública: desafios e perspectivasPesquisa bibliográficaOs achados demonstraram que a gestão publica ainda enfrenta alguns desafios como a burocracia e a falta de transparência. Sendo necessário implementar práticas de governança mais eficientes e o uso de tecnologia.  
Soares, R, 2019Auditoria no Terceiro Setor: fundamentos e práticasRevisão de literaturaO resultado relatam que a auditora é uma ferramenta essencial no processo de transparência e conformidade legal na estratégica para a gestão de riscos e aprimoramento da governança.  
Souza. D. T; Diniz. E. O; Paiva. P. S. S, 2024A importância da auditoria externa nas instituições do terceiro setorRevisão bibliográficaOs resultados analisados confirmam que a auditoria é fundamental no processo de gestão, fortalecendo a governança e provendo as estratégias de transparência no processo administrativo e operacionais no terceiro setor.  
MarkionI, et al, 2022Contabilidade aplicada ao terceiro setorPesquisa bibliográficaOs resultados evidenciaram que, a contabilidade aplicada ao terceiro setor é um pilar essencial para uma gestão eficaz e provendo a prestação de conta e relativos auditáveis que contribuem com a transparência dos recursos e sua prestação de conta. Instrumento.  
Fonte: Próprio autor, 2025


Souza; Diniz; Paiva (2024) comentam que os resultados das análises dos estudos bibliográficos revelaram que a auditoria é extremamente conhecida como um dos pilares essenciais para garantir a transparência nas empresas do terceiro setor. Já Soares (2019) enfatiza em seus estudos que a maioria das organizações enfatiza que a auditoria contribui primordialmente com a credibilidade institucional das empresas junto aos parceiros, fornecedores, colaboradores e à sociedade como um todo.

Assim sendo, Markione et al., (2022) ressaltam, que os resultados apontaram ainda que as empresas do terceiro setor que implementam a auditoria periódica têm maior facilidade em captar recursos juntos aos órgãos públicos e privados. Para Souza; Diniz; Paiva (2024) relatam que a implementação da auditoria interna nas empresas do terceiro setor exige prestações de contas mais rigorosas, enfatizando a transparência, fortalecendo a imagem da empresa e estimulando uma cultura de responsabilidade e ética institucional.

Neste cenário, Lima et al., (2022) enfatizam que a auditoria contribui especificamente com a imagem das organizações do terceiro setor. Já para Soares (2019), a adoção da auditoria promove a credibilidade junto às instituições financeiras, parceiros e empresas de fomento, criando um ambiente de segurança. Por outro lado, Markione et al. (2022) comentam que esta forma de clareza é reforçada pela transparência dos relatórios auditados, assim como dados financeiros conforme o segmento de cada organização.

Desta forma, Dias; Andrade, (2022) ressaltam ainda que as fontes de financiamento neste setor são bastante diversificadas e, como há necessidade de justificar a utilização dos recursos financeiros, assim sendo, a auditoria promove a transparência destas informações de forma ética. Além disso, de acordo com Camargo, (2021), as empresas de terceiro setor que buscam ser transparentes em seus processos organizacionais têm mais credibilidade e oportunidades, elevando sua competitividade no terceiro setor.

Neste contexto, Barreto; Silva, (2021), comentam que a auditoria influencia na estrutura da governança das empresas, demonstrando que a auditoria promove a conformidade nos processos administrativos, controle interno, plano estratégico, financeiros, contábil entre outros. Desta forma, Lima et al. (2022) relatam que isto viabiliza informações alinhadas e transparentes com os objetivos organizacionais da empresa, mitigando os riscos operacionais que fortalecem a cultura da instituição. Assim sendo, conforme Dias; Andrade, (2022), é uma ferramenta de gestão que contribui para o amadurecimento institucional e para a profissionalização do terceiro setor.

Por outro lado, Barreto; Silva, (2021) em seus estudos relatam que este setor enfrenta desafios relevantes na implementação da auditoria, principalmente em relação ao custo elevando dos serviços de auditoria e orçamento limitado nas empresas pequenas. Corroborando Souza; Diniz; Paiva (2024) enfatizam que muitas empresas que operacionalizam no terceiro setor têm recursos escassos e com a dificuldade de alocar verbas para projetos sociais.  Dias; Andrade, (2022) em seus estudos mencionam que estas limitações comprometem a implementação da auditoria, assim como a transparência da instituição. Além disso, Lima et al. (2022) relatam que a falta de profissionais especializados em empresas do terceiro setor sem fins lucrativos compromete a qualidade, efetividade e transparência do processo.

Neste cenário, Dias; Andrade, (2022) ressaltam que a transparência na gestão e na prestação de contas no terceiro setor é primordial para a legitimidade e sustentabilidade das organizações. Para Camargo, (2021) reforça que essas práticas consolidam a confiança de financiadores e colaboradores, ampliando a aceitação social das entidades. Desta forma, para Souza; Diniz; Paiva (2024) enfatizam ainda que a transparência no terceiro setor deve reger e orientar a gestão da captação de recursos, a execução dos projetos, assim como a comunicação clara e objetiva com colaboradores, instituições financeiras e financiadores. Neste contexto, a auditória viabiliza esta transparência construindo uma relação ética e envolvendo as organizações, instituições e a sociedade todo.

Desta forma conforme Souza; Diniz; Paiva (2024) comentam que a auditória promove a transparência incentiva e oferece subsídios para capacitação de gestores e regulamentos adequadas a cada organização do terceiro setor, contudo deve ser motivada por políticas públicas que possam viabilizar mecanismos de apoio a este processo. Para lima et al. (2022), para se obter transparência nos recursos restritos por meio da auditoria é necessário criar um ambiente institucional ético, valorizando este processo como uma ferramenta estratégica da organização. Corroborando Markione et al., (2022) enfatiza que esta ferramenta possibilita fortalecer a confiança social e aumentar transparência das ações consolidadas das organizações da sociedade civil, agentes de transformação social.

Em síntese, de acordo com, Soares (2019) a transparência e a prestação de contas contínuas são exigências normativas éticas, que sustentam a legitimidade e a sustentabilidade das organizações do Terceiro Setor. Já Cruz (2022) comenta que a adoção de práticas de governança robustas, aliada à integridade na captação e aplicação de recursos restritos, configura um modelo de gestão que responde às demandas contemporâneas por responsabilidade social e institucional.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

 Este estudo abrange o processo de auditoria no terceiro setor, onde se percebeu que é uma ferramenta de extrema importância na transparência eficaz da gestão dos recursos restritos, pois promove a credibilidade permitindo o acompanhamento rigoroso da prestação de contas assim como a execução dos projetos sociais assegurando os comprimentos dos objetivos definidos.

Desta forma, ao longo do estudo observou-se que a pergunta norteadora foi respondida de forma plena, uma vez que, este estudo evidenciou sua aplicação como contribuição na transparência no processo de auditoria e na prestação de contas dos recursos restritos. Além disso, os dados obtidos na revisão bibliográfica evidenciam o fortalecimento de confiança e assegura que os recursos sejam utilizados de forma transparente. Desta forma, auditoria permite identificar fragilidades nos controles internos, propor melhorias nos processos administrativos e garantir maior conformidade com os princípios da governança. Assim sendo, o objetivo do estudo foi alcançado, uma vez que confirma a utilização da auditoria como ferramenta eficaz na transparência dos recursos restritos. 

Conclui-se, portanto, que a auditoria deve ser compreendida como um instrumento estratégico de gestão e controle social no terceiro setor, por meio incentivos públicos, capacitação técnica e disseminação de boas práticas que tornem a auditoria acessível e eficaz nas empresas do terceiro setor.

REFERÊNCIAS

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¹Discente do curso de pós-graduação lato sensu, MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria. Universidade do Estado do Amazonas – UEA. Manaus- AM:  e-mail: Chrisnan.dantas@gmail.com
²Discente do curso de pós-graduação lato sensu, MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria. Universidade do Estado do Amazonas – UEA. Manaus- AM:  e-mail: ag.adrifab@gmail.com
³Doutora em Contabilidade e Controladoria. Universidade do Estado do Amazonas – UEA, Manaus -AM, e-mail: eloliveira@uea.edu.br,