REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202512260937
Saint-Clair Asafe Araujo Neves
Sara De Moraes Simirio
Orientadora: Profª. Msª. Letícia Ramos Pereira Tavares
Co-orientadora: Profª. Msª. Jorgeane Pedrosa Pantoja
RESUMO
Introdução: A parada cardiorrespiratória (PCR) é definida como a interrupção da atividade mecânica cardíaca, que leva a ausência de fluxo sanguíneo, reconhecida através da falta de pulso e respiração na vítima. Sendo assim é incompatível com a vida, tornando-se um caso de emergência cardiovascular. Objetivo: Verificar a aplicabilidade de um treinamento para Fisioterapeutas sobre atendimento a Parada Cardiorrespiratória. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa de desenvolvimento metodológico que propõe a elaboração de um treinamento destinado a Fisioterapeutas que atuem no contexto de atendimentos a parada cardiorrespiratória hospitalar. O projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade do Estado do Pará – CAMPUS XII – Tapajós – UEPA, sob o parecer nº 7.615.721 e CAAE: 88291225.4.0000.518 em 03 de junho de 2025. A pesquisa será composta por 3 fases: I FASE PRÉ TREINAMENTO – Nesta fase os Fisioterapeutas serão abordados no seu setor de trabalho e serão convidados pelo pesquisador para participar de uma pré-entrevista, com 17 perguntas; II FASE TREINAMENTO – A fase de treinamento será iniciada após duas semanas de aplicação da entrevista pré treinamento, nesta fase será ministrado um treinamento pelo próprio pesquisador; III FASE PÓS TREINAMENTO –Após quatro semanas de treinamento será reaplicado parte da entrevista, que visa verificar se houve significância do treinamento no aprendizado do conhecimento técnico sobre o atendimento a parada cardiorrespiratória; Resultados: Observado na análise descritiva, sustenta a interpretação de que o treinamento teve efeitos relevantes. A mediana dos acertos aumentou de 19 para 24, enquanto os erros reduziram de 7 para 2, o que revela um ganho direto de conhecimento e de precisão nas respostas após a capacitação. Conclusão: Os achados evidenciam que o treinamento promoveu uma melhora consistente e significativa do ponto de vista clínico, contribuindo para o aumento dos acertos e redução dos erros relacionados ao manejo do ventilador mecânico durante a parada cardiorrespiratória.
Palavras-chave: Parada cardiorrespiratória; Treinamento; Fisioterapeuta.
1. INTRODUÇÃO
A parada cardiorrespiratória (PCR) é definida como a interrupção da atividade mecânica cardíaca, que leva a ausência de fluxo sanguíneo, reconhecida através da falta de pulso e respiração na vítima. Sendo assim é incompatível com a vida, tornando-se um caso de emergência cardiovascular médica (SILVA et al., 2022).
A PCR pode ser dividida em dois grandes grupos, os ritmos chocáveis (Taquicardia Ventricular e Fibrilação Ventricular) e não chocáveis (Atividade Elétrica Sem Pulso e a Assistolia). O principal ritmo de PCR em ambiente extra hospitalar é a Fibrilação Ventricular (FV) e a Taquicardia Ventricular (TV), chegando a quase 80% dos eventos, com bom índice de sucesso na reversão, se prontamente tratados. Quando a desfibrilação é realizada precocemente, em até 3 a 5 minutos do início da PCR, a taxa de sobrevida é em torno de 50% a 70%. Em contrapartida, em ambiente intra-hospitalar, o ritmo de PCR mais frequente é Atividade Elétrica Sem Pulso (AESP) ou Assistolia, com pior prognóstico e baixas taxas de sobrevida, inferiores a 17% (SBC, 2019).
2. OBJETIVOS
GERAL
Testar a aplicabilidade de um treinamento para Fisioterapeutas no atendimento a parada cardiorrespiratória
ESPECÍFICOS
- Avaliar o conhecimento prévio dos Fisioterapeutas no atendimento a parada cardiorrespiratória.
- Desenvolver um treinamento para Fisioterapeutas sobre atendimento a Parada Cardiorrespiratória com objetivo de aperfeiçoar habilidades técnicas.
- Verificar o impacto do treinamento sobre a atuação do Fisioterapeuta a respeito das possibilidades de assistência ventilatória e reanimação cardiopulmonar durante a Parada Cardiorrespiratória.
3 REFERENCIAL TEÓRICO
PARADA CARDIORESPIRATÓRIA
A parada cardiorrespiratória (PCR) é caracterizada pela interrupção bruscadacirculaçãosistêmicae darespiração.Devidoà reduçãodeoxigênioe de nutrientes para os tecidos corporais, há maior risco de morte do indivíduo, o que torna a PCR uma grave emergência médica (BASTOS, et al., 2020).
A incidência exata de PCR mesmo em países com registros de RCPbem elaborados como Estados Unidos ainda são desconhecidos, mas as estimativas variam de 180.000 a mais de 450.000. A etiologia mais comum da PCR é a doença cardiovascular isquêmica, resultando no desenvolvimento de arritmias letais (GUIMARÃES, OLIVATO, PISPICO, 2018).
O Suporte Básico de Vida (SBV) é uma intervenção inicial realizada por socorristas e profissionais de saúde para manter a vida e estabilizar os pacientes em situações de emergência médica (LIMA PRADO, et al., 2024).
A técnica de ressuscitação cardiopulmonar (RCP), tal como a reconhecemos hoje, foi desenvolvida no final dos anos 1950 e 1960 por Elame Safar, descreveram a técnica e os benefícios da ventilação boca-a-boca em 1958. Posteriormente Kouwenhoven, Knickerbocker e Jude descreveram os benefícios das compressões torácicas externas, que, em combinação com a ventilação boca-a-boca, formam a base da RCP moderna (GUIMARÃES, OLIVATO, PISPICO, 2018).
Em média, apenas cerca de 10% dos pacientes sobrevivem à parada cardiorrespiatória fora do hospital e cerca de três quartos morrem mesmo se a PCR ocorrer em ambiente intra-hospitalar. (MOZAFFARIAN, et al., 2015)
Apesar dos avanços recentes, menos de 40% dos adultos recebemRCP iniciada porleigos e menos de 12%têmumDEA aplicado antes da chegada do Serviço Médico de Emergência . (AHA, 2020)
As novas diretrizes da AHA recomendam uso de cadeias de segurança distintas para PCRs intra e extra-hospitalares, de modo a agilizar na identificação e convergência dos cuidados. Ademais, a organização de timesde resposta rápida (TRR) é enfatizada para prevenção de PCR intra- hospitalares (AHA, 2020)
A desfibrilação, quando indicada e disponível, deve ser realizada o mais rápido possível, independentemente do ciclo de compressões torácicas. Para que possa ser aplicada, a vítima deve ser posicionada em decúbito dorsalsobre uma superfície rígida, mantendo os devidos cuidados ao suspeitar-se de lesão cervical. (MARTINS et al., 2016)
O DEA identifica e reconhece os ritmos cardíacos e, na presença de fibrilação ventricular (FV) e/ou taquicardia ventricular (TV), indica a aplicaçãodo choque. O socorrista deve se certificar de que ninguém esteja em contato com o paciente nesse momento. (AHA, 2020).
Os Ritmos de parada: os ritmos potencialmente causadores de PCRs são classificados em chocáveis e não – chocáveis, determinando a sequência da RCP a ser seguida. Os Chocáveis: taquicardia ventricular sem pulso (TVsp) e fibrilação ventricular (FV), já os não – chocáveis são atividade elétrica sem pulso (AESP) e assistolia. (AHA, 2020).
A utilização do protocolo aliada à preparação dos profissionais é de fundamental importância, pois objetiva alcançar um melhor prognóstico, garantindo o aproveitamento do oxigênio residual no momento da parada e o fornecimento de mais oxigênio por meio das ventilações (Sá LBMA, et al.,2019)
TREINAMENTO EM SERVIÇO
No cenário da educação permanente, é preciso fomentar o desenvolvimento de habilidades e competências para a atuação nas urgências e emergências, considerando as suas repercussões para a eficácia das ações em saúde. Em se tratando de eventos que demandam intervenção qualificada,a inclusão de conhecimentos em primeiros socorros e SBV devem ser consideradas como umaspecto essencial no currículo do profissional de saúde que trabalha no serviço de urgência e emergência, assim como uma medida capaz de atenuar o sofrimento e salvar vidas. (BASTOS, et al., 2020)
Uma das formas para melhorar a agregação de conhecimentos sobre SBV é a realização de cursos e treinamentos na área. Uma das possíveis justificativas para o conhecimento insuficiente dos profissionais da saúde é a limitada oferta de atividades voltadasao conhecimento prático e teórico sobre o suporte básico de vida, ao longo da sua formação. (BALDI, et al., 2019)
A capacitação possibilita o reconhecimento precoce dos aspectos da parada cardiorrespiratória, viabilizando estratégias terapêuticas que podem favorecer o paciente e consequentemente a equipe deverá atuar de forma sincronizada (SILVA et al., 2020)
Todos os profissionais de saúde necessitam estar capacitados para o reconhecimento de uma parada cardiorrespiratória. O Médico é o profissional responsável pelo gerenciamento do cuidado ao paciente no que tange a prevenção das possíveis causas da parada cardiorrespiratória dentro das salas de emergências e Unidades de Terapia Intensiva. Decidindo sobre intervenções avançadas como a administração de medicamentos, intubação, desfibrilação quando necessário, sendo responsável pela liderança na coordenação das execuções das manobras de ressuscitação (BERNOCHE, 2019)
O Fisioterapeuta contribui no manejo avançado das vias aéreas responsável pelos ajustes dos ventiladores mecânicos e monitorização da oxigenação. Auxilia na ventilação durante a PCR, com foco na adequação das manobras de ventilação (ASSOBRAFIR, 2020)
A equipe multidisciplinar precisa ter conhecimento sobre a atuação de cada de acordo com a sua categoria e mantendo a sincronização nesses casos, permitindo que haja uma boa comunicação para eficácia das condutas referente a reanimação. Enfatiza-se a importância da sistematização no atendimento para divisão de funções e o momento certo de cada especialidade intervir. A assistência humanizada e holística é justamente com a finalidade de proporcionar qualidade de vida e eficácia durante a atuação (FONSECA et al., 2022)
4 MÉTODOS
ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS
Em todas as etapas do estudos foram seguido os aspectos éticos em conformidade com Resolução n.º 466/12 instituída pelo Conselho Nacional de Saúde – CNS e a e norma operacional 001/13 do Conselho Nacional de Pesquisa Envolvendo Seres Humanos e as determinações das Declaração de Helsinque e do Código de Nuremberg serão mantidas a todo o momento, com cada participante abordado de forma respeitosa e humanizada.
O projeto foi subbmetido e aprovado pelo Comite de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade do Estado do Pará – CAMPUS XII – Tapajós – UEPA, sob o parecer nº 7.615.721 e CAAE: 88291225.4.0000.518 em 03 de junho de 2025.
TIPO DE PESQUISA
Trata-se de uma pesquisa de desenvolvimento metodológico que propõe a criação de uma Tecnologia Educacional (TE), do tipo treinamento, destinada a Fisioterapeutas. A TE abordará cadeias de sobrevivência ao atendimento a parada cardiorrespiratória no contexto intra-hospitalar, as competências e atribuições técnicas do Fisioterapeuta durante a PCR. O uso da Ventilação Mecânica durante a RCP.
A metodologia deste estudo sebaseará no processo de produção de tecnologias educacionais de Teixeira (2011), em que a tipologia adotada será a “tecnologia para educação” cuja intensidade da participação do público-alvo no processo de desenvolvimento da TE será classificada como de média intensidade” visto que os indivíduos participarão de um questionário da produção, configurando uma pesquisa exploratória e tornando a construção da TE em uma “produção baseada em contexto”. A 1ª Etapa da pesquisa, com caráter exploratório será o passo inicial da pesquisa, proporcionar maior familiaridade do pesquisador com o problema de pesquisa e auxiliar na construção de hipóteses. A pesquisa contará com uma abordagem descritiva quantitativa, a fim de compreender, descrever e interpretar as dúvidas dos Fisioterapeutas em relação a parada cardiorrespiratória, para posterior elaboração da TE., o método quantitativo visará explicar os fenômenos por meio de coleta de dados numéricos, analisados de maneira matemática a fim de alcançar resultados precisos, gerando maior segurança em relação às inferências obtidas (Paschoarelli, 2015).
LOCAL E PERÍODO DA PESQUISA
O local da pesquisa será o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), localizadona RodoviaBR-316, km3 s/n, em Ananindeua, no estado do Pará. O HMUE é um hospital de rede pública, referência em trauma no estado, que recebe pacientes por meio de regulação Estadual, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), Corpo de Bombeiro e Polícia Militar, comumente vítimas de acidente automobilístico, quedas e queimaduras vindos tanto da Capital, Belém, quanto dos interiores e de outros Estados. O hospital possui 208 leitos no total divididos para atendimento em traumatologia, cirurgia geral, neurocirurgia, clínica médica, pediatria, além de um Centro de Tratamento de Queimados. As enfermarias da unidade hospitalar são organizadas conforme o perfil clínico dos pacientes, sendo divididas em clínica de neurocirurgia, clínica de cirurgia geral, clínicas ortopédicas I, II e III, clínica pediátrica, unidades de observação de trauma e clínica médica. Dessa forma, a coleta de dados ocorrerá em todos os setores que tenham a presença de Fisioterapeutas. A pesquisa somente iniciará após a aprovação do projetode pesquisa no CEP da UEPA e seguirá conforme o cronograma de execução, com previsão de iniciar a coleta de dados em junho de 2025, a elaboração e validação da TE a partir de agosto e finalização da pesquisa em novembro.
PARTICIPANTES DA PESQUISA E AMOSTRA
A pesquisa será composta por Fisioterapeutas que atuem no hospital Metropolitano de Urgência e Emergência- HMUE, atuantes nos setores Pronto Atendimento: Sala vermelha, UTI I, UTI II, UTI III, UTI Pediátrica, UTI do Centro de Tratamento de Queimados, Unidade de Internação Neuroclínica eUnidade de Internação Policlínica. Tendo comopopulação36 Fisioterapeutas. A pesquisa se baseia com um cálculo amostral de 80% da população, com intuito de alcançar uma amostra de 28 Fisioterapeutas. Portanto a amostra poderá ser de conveniência de acordo com o que for alcançada pela quantidade de Fisioterapeutas que participem de todas as fases da pesquisa.
Critérios de inclusão:
- Fisioterapeutas que trabalhem no turno diurno;
- Ter participado de toda a etapa da pesquisa; (questionário prévio; treinamento e questionário posterior);
Critérios de exclusão:
- Não ter devolvido o questionário no prazo estabelecido;
- Questionários respondidos de forma incompleta / ou com duplicidades nas alternativas;
- Fisioterapeutas com condições de saúde que impedem esforço físico;
- Ter se ausentado durante o treinamento não participando por completo;
ETAPAS DA PESQUISA
A pesquisa será composta pelas seguintes etapas:
Primeira etapa: Pré treinamento
Nesta etapa será realizado o contato coma coordenação de Fisioterapia do referido hospital, no qual será encaminhada carta convite de participação da pesquisa pelo pesquisador aos Fisioterapeutas apresentando a pesquisa. Após os profissionais demonstrarem interesse em participarem do estudo, será agendando um encontro previamente no contra turno do profissional para apresentar detalhadamente as etapas da pesquisa, a apresentação do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) para o aceite e assinatura e posteriormente será aplicado um questionário com 17 perguntas de múltipla escolha colhendo informações do perfil do participante do estudo, da experiência profissional e do conhecimento sobre atendimento a Parada Cardiorrespiratória (PCR).
Segunda etapa: Treinamento
O treinamento será iniciado após duas semanas de aplicação do questionário da etapa do pré treinamento, nesta fase será ministrado um treinamento pelo próprio pesquisador.
Descrição do produto
Tecnologia Educacional: Treinamento ao Atendimento Fisioterapêutico na Parada Cardiorrespiratória.
Ministrante do treinamento: Pesquisador
Descrição: Treinamento teórico e prático com as seguintes abordagens: Cadeias de sobrevivência ao atendimento a parada cardiorrespiratória no contexto intra-hospitalar; as competências e atribuições técnicas do Fisioterapeuta durante a PCR; O uso da Ventilação Mecânica durante a RCP.
Público alvo: exclusivamente para Fisioterapeutas que atuem no hospital Metropolitano de Urgência e Emergência – HMUE e aceitaram participar da pesquisa com a assinatura do TCLE.
Local: Laboratório de Prática do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência – HMUE, de acordo com disponibilidade.
Carga-horaria: O treinamento terá em média de 30 minutos, haja vista que o profissional participara do treinamento durante o seu horário de trabalho. O treinamento será disponibilizado em seis horários diferentes para que o participante possa escolher qual se adequa com sua rotina.
Conteúdo Programático e Referências Bibliográficas:
- Cadeias de sobrevivência ao atendimento a parada cardiorrespiratória no contexto intra-hospitalar – AHA.American HeartAssociation Guidelines for Cardiopulmonary ResuscitationandEmergency Cardiovascular Care. Circulation. Published onlineSeptember 18, 2023;
- Competências e atribuições técnicas do Fisioterapeuta durante a PCR – ASSOBRAFIR. Recomendações para a atuação dos Fisioterapeutas naReanimação Cardiopulmonar-COVID-19. Comunicação Oficial-ASSOBRAFIR. 2020
- O uso da Ventilação Mecânica durante a RCP – SAHU AK,TIMILSINAG,MATHEWR,JAMSHEDN,AGGARWALP.”Six-dialStrategy”-MechanicalVentilationduringCardiopulmonaryResuscitation.IndianJCr itCareMed.2020Jun;24(6):487-489.doi:10.5005/jp-journals-1007123464. PMID: 32863648; PMCID: PMC7435081.
Recursos: O Núcleo de Educação Permanente – NEP do Hospital Metropolitano de Urgênciae Emergência disponibilizará para o pesquisador os seguintes materiais, datashow, boneco de simulação RCP, Ventilador Mecânico–Mindray, Tubo orotraqueal e Bolsa-válvula máscara.
Investimentos: Todos os gastos serão financiados pelo pesquisador, com auxílio da bolsa do Qualifica Saúde.
Terceira etapa: Pós treinamento
Após quatro semanas de treinamento será reaplicada parte do questionário, que avalia conhecimento sobre atendimento a Parada Cardiorrespiratória, com objetivo de verificar se houve significância do treinamento no aprendizado do conhecimento técnico sobre o atendimento a parada cardiorrespiratória;
COLETA E ANÁLISE DE DADOS PARA A CONSTUÇÃO DOPRODUTO
O questionário será composto por 17 perguntas de múltipla escolha sendo divididas as 12 primeiras perguntas que verificam a experiência e a capacitação profissional, e as últimas cinco perguntas com o objetivo de verificar o conhecimento técnico durante o atendimento a parada cardiorrespiratória com intuito de atender aos objetivos da pesquisa, será considerada as respostas de acordo do gabarito prévio (APÊNDICE H).
Os dados serão tabulados no Programa Microsoft Excel e os seus participantes serão numerados com letras do alfabeto para posterior análisedos dados, a qual será realizada através de estatística descritiva.
A análise dos dados será realizada conforme a descrição estatística das respostas dos questionários dos participantes, em que será comparada a porcentagem da média das respostas do questionário antes do treinamento e após o treinamento, tal análise possui o objetivo de avaliar o efeito do impacto da tecnologia educacional treinamento sobre o conhecimento e habilidades do Fisioterapeuta no Atendimento a Parada Cardiorrespiratória.
5 RESULTADOS E DISCUSSÂO
Os resultados da pesquisa apresentados nesta seção estão organizados em tópicos, perfil do participante, habilidades realizadas e conhecimento técnico teórico. Cada resultado será apresentado e imediatamente discutido.
Perfil do participante
Participaram da pesquisa 26 Fisioterapeutas, o perfil dos participantes indicaram que a maioria era do sexo feminino 20 (76,9%); sexo masculino 6 (23,1%), com idade media de 26 a 33 anos de idade (57,7%), 15 profissionais possuíam no mínimo pós graduação (57,7%); 1 profissional possuía mestrado (3,8%) e 1 possuía título de especialista em Terapia Intensiva pelo COFFITO (3,8%); Em relação a tempo de atuação profissional 13 Fisioterapeutas tinham 13 anos de experiência profissional (50%); 7 Fisioterapeutas tinham 3-5 anos; e 6 Fisioterapeutas tinham mais de 5 anos de atuação. Em relação a certificações em cursos que abordam o atendimento a Parada Cardiorrespiratória como ACLS; ATLS, SBV; PALS; (73,1%) não realizaram nenhuma certificação. Os dados seguem apresentados na Tabela 1.
Tabela 1 – Perfil dos participantes da pesquisa

Habilidade profissional
Em relação à habilidade profissional foi investigado o problema, ou seja, a parada cardiorrespiratória, em Julho de 2025, mês anterior a coleta do questionário pré treinamento realizado em Agosto de 2025. Nesse mês foram investigadas quantas paradas cardiorrespiratórias os Fisioterapeutas participaram e as habilidades realizadas. 8 Fisioterapeutas relataram não terem participado de nenhuma parada cardiorrespiratória no ultimo mês (30,8%); 4 Fisioterapeutas relataram ter atuado em 1 parada cardiorrespiratória (15,4%); 6 Fisioterapeutas participaram de 2 paradas (23,1%); 4 Fisioterapeutas relataram ter atuado em 3 parada cardiorrespiratória (15,4%); 2 Fisioterapeutas relataram ter atuado em 4 e 5 parada cardiorrespiratória (7,7%). No total foram relatadas em media 46 paradas cardiorrespiratórias atendidas por Fisioterapeutas no mês de Julho de 2025. (Gráfico 1)
Das 46 paradas cardiorrespiratórias, (57,7%) encontrava-se em Ventilação Mecânica e (42,3%) não estavam em Ventilação Mecânica durante a parada. (Gráfico 2)
Nos pacientes em VM a conduta mais realizada foi a desconexão da ventilação mecânica e a ventilação com bolsa-válvula-máscara (AMBU) (57,7%), seguida depois pela desconexão da ventilação mecânica e a ventilação com bolsa-válvula-máscara (AMBU) + participação na manobra de ressuscitação cardiopulmonar (26,9%); fizeram ajustes dos parâmetros do ventilador durante a RCP + manobra de ressuscitação cardiopulmonar (11,5%); somente ajustaram o parâmetros do ventilador mecânico durante a RCP (3,8%). (Gráfico 3)
Nos pacientes sem Ventilação Mecânica as medidas foram realizadas igualmente, sendo (50%) ventilação manual com bolsa-válvula-máscara (AMBU); e (50%) ventilação manual com bolsa-válvula-máscara (AMBU) + Manobra de Ressuscitação Cardiopulmonar; (Gráfico 4)
Gráfico 1 – Nº Atendimentos Fisioterapêuticos a Parada Cardiorrespiratória em Julho 2025.

Gráfico 2 – Classificações da Ventilação durante a PCR

Gráfico 3 – Condutas realizadas em Pacientes com Ventilação Mecânica

Gráfico 4 – Condutas realizadas em Pacientes sem Ventilação Mecânica

Conhecimento técnico teórico
Quanto ao nível do conhecimento teórico foram realizadas cinco perguntas no questionário, que tinham o objetivo de verificar o conhecimento pré treinamento e pós treinamento. As perguntas serão apresentadas na Tabela 2 e 3 seguidas da porcentagem de acertos e erros.
Tabela 2 – Conhecimento dos Fisioterapeutas sobre Parada Cardiorrespiratória Pré Treinamento


Tabela 3 – Conhecimento dos Fisioterapeutas sobre Parada Cardiorrespiratória Pós Treinamento



O teste de normalidade de Shapiro–Wilk indicou violação da suposição de normalidade para ambas as variáveis (W = 0,768; p = 0,044), justificando o uso de testes não paramétricos para amostras pareadas.
Dessa forma, aplicou-se o teste de Wilcoxon para comparar o desempenho pré e póstreinamento. Observou-se tendência à significância tanto para os acertos (W = 0,0; p = 0,054) quanto para os erros (W = 15,0; p = 0,054). Apesar de não atingirem o critério convencional de significância estatística (p < 0,05), os resultados indicam melhora consistente no desempenho após o treinamento, com aumento nos acertos e diminuição dos erros.
A análise descritiva mostrou que as perguntas (N =5 ) apresentaram aumento no número de acertos após o treinamento e redução no número de erros. A mediana dos acertos pré-treinamento foi 19, aumentando para 24 no pós-treinamento. Para os erros, a mediana diminuiu de 7 antes do treinamento para 2 após o treinamento.
Os resultados obtidos demonstram de forma consistente que o treinamento oferecido impactou positivamente o desempenho dos profissionais, mesmo que os testes inferenciais não tenham atingido significância estatística convencional (p < 0,05). A violação da normalidade, identificada pelo teste de Shapiro–Wilk (W = 0,768; p = 0,044), justificou o uso de métodos não paramétricos, reforçando a robustez da análise subsequente. Observado na análise descritiva, sustenta a interpretação de que o treinamento teve efeitos relevantes. A mediana dos acertos aumentou de 19 para 24, enquanto os erros reduziram de 7 para 2, o que revela um ganho direto de conhecimento e de precisão nas respostas após a capacitação.
Essas mudanças, mesmo em amostras pequenas, são clinicamente significativas — sobretudo em cenários críticos como a parada cardiorrespiratória, em que a tomada de decisão é imediata e baseada em competências técnicas específicas.
O treinamento buscou capacitar a equipe de Fisioterapeutas para a utilização do Ventilador Mecânico como forma de ventilação durante a Parada Cardiorrespiratória, haja em vista que a equipe em sua maioria estava habituada a ventilação com bolsa-válvulamáscara (AMBU).
Com base nisso, A evidências no estudo (Malinverni et al.) Uma coorte que avaliou 2.566 vítimas de parada cardiorrespiratória (PCR) não-traumática atendidas na Bélgica entre 2017-2021, 298 (11,6 %) receberam ventilação mecânica em modo “cardio-pulmonar” (CPV) e 2.268 (88,4 %) ventilação manual com bolsa-válvula (MBV). A taxa de retorno da circulação espontânea (RCE) foi 43,5 % no total. O uso do ventilador mecânico em modo CPV esteve associado a maiores chances de (RCE) tanto no modelo bruto (OR 1,28; 95%CI 1,01-1,63; p=0,043) quanto no modelo ajustado (aOR 2,16; 95%CI 1,37-3,41; p=0,001). O que valida que a ventilação mecânica bem conduzida durante a PCR tem impacto real no (RCE) o que fortalece a justificativa para aplicação do treinamento.
O aumento da probabilidade de RCE indica que o modo de ventilação pode influenciar o sucesso da reanimação.
Possíveis mecanismos: ventilação mais uniforme, menos pausas ou interrupções, menor hiperventilação, melhor coordenação com compressões torácicas, menor risco de insuflação gástrica e diminuição do retorno venoso. Os autores levantam que a ventilação manual com bolsa-válvula frequentemente apresenta volumes insuficientes ou interrupções prolongadas, o que pode comprometer o resultado.
Esse achado reforça a importância de focar não apenas nas compressões torácicas, mas também na qualidade da ventilação durante a PCR resultando em melhora de desfechos neurológicos.
6. CONCLUSÃO
Os achados evidenciam que o treinamento promoveu uma melhora consistente e significativa do ponto de vista clínico, contribuindo para o aumento dos acertos e redução dos erros relacionados ao manejo do ventilador mecânico durante a parada cardiorrespiratória. Mesmo em uma amostra pequena, Essa evolução técnica reforça a importância de manter programas de capacitação contínua, especialmente em cenários críticos nos quais o tempo e a precisão determinam o prognóstico do paciente.
Além disso, evidências recentes, como o estudo do Belgian Cardiac Arrest Registry, mostram que a utilização adequada de modos ventilatórios específicos durante a PCR — quando bem executada e integrada às compressões — está associada a maiores taxas de retorno da circulação espontânea. Esse achado reforça que o domínio técnico das estratégias ventilatórias não é apenas um detalhe operacional, mas um componente capaz de influenciar diretamente o desfecho do paciente.
Dessa forma, o treinamento realizado cumpre um papel fundamental ao aprimorar competências, padronizar condutas e preparar os profissionais para uma atuação mais segura, eficaz e alinhada às melhores evidências disponíveis. Investir em formação continuada é, portanto, investir na qualidade assistencial e nas chances de sobrevivência dos pacientes atendidos em situações de extrema urgência.
REFERÊNCIAS
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