APENDICITE AGUDA NÃO COMPLICADA: TRATAMENTO CIRÚRGICO

ACUTE UNCOMPLICATED APPENDICITIS: SURGICAL TREATMENT

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202509251509


Felipe Freitas Maia1
Valesca Menezes Carvalho2
Camilly Vitória Rodrigues Campos3
Lara Carvalho Gois Silva4
Orientador: Ricardo Vieira Baiôco5


RESUMO 

Apendicite aguda é uma emergência abdominal comum, com a apendicectomia tradicionalmente  sendo o tratamento padrão. Recentemente, o uso de antibióticos tem se mostrado uma  alternativa eficaz para casos não complicados, como evidenciado pelo estudo CODA. Apesar dos  resultados promissores do tratamento conservador, a apendicectomia continua sendo  amplamente recomendada devido à sua eficácia a longo prazo. O objetivo desta revisão  sistemática consiste em avaliar a eficácia e segurança do tratamento cirúrgico na apendicite  aguda não complicada, comparando diferentes abordagens cirúrgicas em termos de desfechos  clínicos e recuperação dos pacientes. Foram utilizadas as seguintes bases de dados científicas:  Scopus e PubMed, para a seleção dos artigos, como o uso dos unitermos em língua inglesa:  “Acute Appendicitis, Uncomplicated Appendicitis, Surgical Treatment, Appendectomy”. Conclui-se que ao comparar os tratamentos cirúrgicos com o conservador para apendicite aguda não  complicada, destaca-se a superioridade da apendicectomia, especialmente a laparoscópica, em  termos de eficácia e recuperação. Apesar das vantagens iniciais dos antibióticos e da terapia  endoscópica, a cirurgia oferece uma solução definitiva, e reduz a taxa de recorrência e  complicações a longo prazo. O tratamento conservador pode ser viável em casos específicos,  entretanto, a apendicectomia é geralmente preferida devido ao seu sucesso comprovado. Desse  modo, a decisão deve ser baseada nas características individuais e nas preferências do paciente,  no entanto, as evidências atuais favorecem fortemente a cirurgia. 

Palavras-chave: Acute Appendicitis, Uncomplicated Appendicitis, Surgical Treatment,  Appendectomy.

ABSTRACT 

Acute appendicitis is a common abdominal emergency, with appendectomy traditionally  being the standard treatment. Recently, antibiotics have emerged as an effective alternative  for uncomplicated cases, as shown by the CODA trial. Despite promising results with  conservative treatment, appendectomy remains widely recommended due to its long-term  effectiveness. The objective of this systematic review is to evaluate the efficacy and safety of  surgical treatment in acute uncomplicated appendicitis, comparing different surgical  approaches in terms of clinical outcomes and patient recovery. The scientific databases  Scopus and PubMed were used for article selection, with the following English keywords:  “Acute Appendicitis, Uncomplicated Appendicitis, Surgical Treatment, Appendectomy”. The  comparison of surgical and conservative treatments for uncomplicated acute appendicitis  highlights the superiority of appendectomy, especially laparoscopic, in terms of effectiveness  and recovery. Despite the initial benefits of antibiotics and endoscopic therapy, surgery  provides a definitive solution, reducing recurrence rates and long-term complications.  Conservative treatment can be viable in specific cases, but appendectomy is generally  preferred due to its proven success. Therefore, the decision should be based on individual  characteristics and patient preferences, however, current evidence strongly supports surgery.

Keywords: Acute Appendicitis, Uncomplicated Appendicitis, Surgical Treatment,  Appendectomy.

INTRODUÇÃO 

A apendicite aguda é uma das condições mais frequentes que levam a  intervenções cirúrgicas de emergência e representa uma causa significativa de dor  abdominal aguda em pacientes que buscam atendimento médico. Estudos mostram que  a apendicite aguda é responsável por aproximadamente 11-23% dos casos de dor  abdominal aguda, sendo a segunda causa mais comum após a dor abdominal  inespecífica (Chin, X. et al., 2024). Embora tradicionalmente tratada por  apendicectomia, a condição tem sido objeto de debate quanto à eficácia dos diferentes  métodos de tratamento, especialmente entre a abordagem cirúrgica e o manejo  conservador com antibióticos (Elvira López, J. et al., 2022). A apendicectomia, seja por  via laparoscópica ou aberta, continua a ser o padrão ouro para o tratamento de  apendicite aguda não complicada. No entanto, a utilização de antibióticos como  tratamento primário tem ganhado destaque, oferecendo uma alternativa menos  invasiva que pode ser apropriada em certos contextos (Emile, S. H. et al., 2022). 

A prevalência de apendicite aguda tem mostrado variações significativas  globalmente, com taxas estáveis na maioria dos países ocidentais, mas aumentando  rapidamente em países em desenvolvimento e áreas urbanas (Chin, X. et al., 2024).  Estudos como o CODA trial têm fornecido evidências importantes ao comparar o  tratamento com antibióticos e a apendicectomia, concluindo que os antibióticos podem  ser não inferiores à cirurgia em termos de eficácia, especialmente em casos não  complicados, embora haja uma maior probabilidade de necessidade de cirurgia em  pacientes com apendicolito (Elvira López, J. et al., 2022). Essa comparação destaca a  necessidade de avaliar cuidadosamente as opções de tratamento com base em fatores  clínicos específicos e características dos pacientes. Embora o tratamento conservador  com antibióticos tenha mostrado promissora eficácia, a apendicectomia ainda é  amplamente recomendada devido à sua capacidade de oferecer uma resolução  definitiva e reduzir a taxa de complicações a longo prazo (Emile, S. H. et al., 2022). 

No contexto do manejo da apendicite aguda não complicada, o tratamento  cirúrgico, em particular a apendicectomia laparoscópica, tem sido associado a melhores  desfechos clínicos e recuperação mais rápida em comparação com o tratamento  conservador (Elvira López, J. et al., 2022). Entretanto, a escolha entre cirurgia e tratamento conservador deve considerar não apenas a eficácia, mas também a  segurança e o impacto na qualidade de vida dos pacientes. A análise das evidências  disponíveis sugere que, apesar das vantagens iniciais dos antibióticos, a apendicectomia  oferece um alívio mais duradouro dos sintomas e reduz a necessidade de futuras  intervenções (Emile, S. H. et al., 2022). Esta revisão sistemática visa compilar e avaliar as  evidências disponíveis para determinar o impacto do tratamento cirúrgico nos  desfechos clínicos e na recuperação dos pacientes com apendicite aguda não  complicada, de modo que seja fornecida uma base sólida para decisões clínicas e  diretrizes de tratamento. 

METODOLOGIA 

Esta revisão sistemática busca responder à pergunta norteadora: “Como o  tratamento cirúrgico afeta os desfechos clínicos e a recuperação dos pacientes com  apendicite aguda não complicada?” O objetivo é fornecer evidências científicas  atualizadas para otimizar o tratamento e melhorar os resultados cirúrgicos. A pesquisa  foi realizada nas bases de dados PubMed e Scopus, com o filtro nos últimos 5 anos,  utilizando os descritores em inglês: Acute Appendicitis, Uncomplicated Appendicitis,  Surgical Treatment, Appendectomy, todos combinados com o operador booleano AND.  

Os critérios de inclusão foram: textos completos disponíveis, artigos relevantes  sobre o tema e estudos que avaliem os impactos nos desfechos cirúrgicos. Priorizaram-se estudos originais, revisões sistemáticas, meta-análises e ensaios clínicos publicados  em periódicos revisados por pares e diretrizes de associações médicas, escritos em  inglês, espanhol ou português. Os critérios de exclusão foram: estudos não relacionados  diretamente ao tema ou que não atendam o objetivo estabelecido, estudos em  populações não humanas, artigos de baixa qualidade ou não revisados por pares. 

RESULTADOS

Fonte: Dados da Pesquisa (2024).

O filtro de 5 anos foi aplicado em ambas as bases de dados. Na PubMed, foram  inicialmente encontrados 76 artigos. Após uma análise dos títulos, 31 artigos foram  selecionados para a revisão. A leitura dos resumos resultou na retenção de 13 artigos,  dos quais 3 foram escolhidos após a leitura dos textos completos. Na Scopus, foram  encontrados 37 artigos. Após a análise dos títulos, 19 artigos foram selecionados. A  leitura dos resumos reduziu o número para 8, e a leitura dos textos completos resultou  na seleção de 3 artigos. Assim, um total de 6 estudos foram selecionados para a revisão. A interpretação dos resultados a respeito do tratamento cirúrgico da apendicite aguda não complicada revela uma série de aspectos críticos que ajudam a entender  como essa abordagem afeta os desfechos clínicos e a recuperação dos pacientes. A  análise dos dados sugere que a apendicectomia, particularmente a laparoscópica, se  destaca como a opção terapêutica preferencial quando comparada ao tratamento  conservador com antibióticos, devido a suas vantagens significativas em termos de  eficácia e recuperação. 

Os estudos apontam que a apendicectomia oferece uma solução definitiva para  a apendicite aguda não complicada, prevenindo a recorrência da doença. A pesquisa de  Pata et al. (2023) confirma que, embora a terapia endoscópica (ERAT) apresente  benefícios imediatos, como menor tempo de hospitalização e alívio rápido da dor, a  apendicectomia continua a ser superior em termos de eficácia duradoura. Isso se deve  à capacidade da cirurgia de eliminar completamente a fonte da inflamação, o que reduz  significativamente o risco de recorrência, um problema frequentemente associado ao  tratamento conservador com antibióticos (Pata, F. et al., 2023). 

Porém, é importante reconhecer que o tratamento cirúrgico não é isento de  desafios. Pacientes que se submetem a apendicectomia podem experimentar  complicações, como infecções e dor persistente. Por outro lado, a terapia endoscópica,  apesar de promissora, ainda carece de evidências robustas que sustentem seu uso como  terapia principal, especialmente devido às suas altas taxas de recorrência comparadas à  apendicectomia (Pata, F. et al., 2023). Portanto, a escolha entre tratamento cirúrgico e  conservador deve ser feita considerando a eficácia a longo prazo e a possibilidade de  complicações, além das preferências e condições do paciente. 

De acordo com Almeida Leite et al. (2022), a apendicectomia além de tratar a  condição inicial de maneira eficaz, ela também reduz os riscos de complicações a longo  prazo, como hérnias incisionais e aderências. Todavia o tratamento cirúrgico pode exigir  mais recursos e apresentar um custo mais elevado, além de exigir uma infraestrutura  adequada para a recuperação pós-operatória. Em comparação, o tratamento  conservador com antibióticos pode ser menos invasivo e mais econômico, no entanto,  a preocupação com a recorrência da apendicite é significativa, especialmente em  ambientes com recursos limitados (Almeida Leite, R. M. et al., 2022). 

A escolha do tratamento deve levar em conta as características individuais dos pacientes e o contexto clínico, como observado na análise de Almeida Leite et al. (2022).  A decisão deve ser orientada não apenas pela eficácia imediata, mas também pelos  impactos a longo prazo sobre a qualidade de vida dos pacientes. Em situações onde a  cirurgia apresenta maiores riscos ou é menos viável, o tratamento conservador pode ser  considerado, embora com uma abordagem mais rigorosa e acompanhamento contínuo  para evitar complicações futuras (Almeida Leite, R. M. et al., 2022). 

Yang et al. (2022) destacam que, apesar de a apendicectomia ser o padrão para  apendicite aguda, a necessidade de remover o apêndice em todos os casos é  questionada devido aos possíveis efeitos adversos na saúde intestinal, como o aumento  do risco de doenças inflamatórias e câncer colorretal. Esses efeitos a longo prazo são  preocupações importantes e indicam que o tratamento com antibióticos pode ser uma  alternativa válida em alguns casos, especialmente para pacientes com baixo risco de  complicações (Yang, B. et al., 2022).  

A terapia de desobstrução endoscópica (ERAT) tem mostrado ser uma opção  minimamente invasiva que pode oferecer benefícios em termos de menor recorrência  e alívio dos sintomas. Entretanto, a apendicectomia continua sendo a escolha  preferencial devido à sua eficácia comprovada e ao menor risco de complicações graves  quando comparada a abordagens não cirúrgicas (Yang, B. et al., 2022). Desse modo, é  necessário um balanceamento cuidadoso entre as vantagens e desvantagens de cada  abordagem para garantir a escolha do tratamento mais apropriado para cada paciente. 

Brucchi et al. (2024) afirmam que a apendicectomia laparoscópica é superior ao  tratamento conservador com antibióticos, principalmente em termos de redução de  complicações e taxas de recorrência. A cirurgia laparoscópica não só reduz a taxa de  complicações, como infecções e dor pós-operatória, como também apresenta uma  recuperação mais rápida em comparação com a cirurgia aberta (Brucchi, F. et al., 2024).  Este avanço técnico, associado à eficácia a longo prazo da apendicectomia, faz dela a  abordagem preferencial na maioria dos casos de apendicite aguda não complicada. 

Apesar do tratamento conservador possa ser uma opção válida em alguns  contextos, a alta taxa de recorrência e a possibilidade de complicações adicionais  reforçam a eficácia superior do tratamento cirúrgico. Em situações onde a cirurgia não  é viável, a escolha do tratamento deve ser feita com base em uma avaliação detalhada dos riscos e benefícios, considerando os avanços na técnica cirúrgica e as preferências  do paciente (Brucchi, F. et al., 2024). As novas técnicas laparoscópicas têm contribuído  para uma menor incidência de complicações, reforçando a apendicectomia como a  primeira linha de tratamento para a apendicite aguda não complicada. 

Xu et al. (2023) demonstram que, embora o tratamento com antibióticos possa  ser eficaz a curto prazo, a apendicectomia continua a ser a abordagem mais eficaz em  termos de desfechos clínicos e recuperação. O tratamento conservador apresenta  limitações significativas, como a possibilidade de recorrência e a necessidade de  intervenção cirúrgica subsequente, o que pode acarretar riscos semelhantes aos  observados em pacientes que são tratados cirurgicamente desde o início (Xu, H. et al.,  2023). A apendicectomia, especialmente a laparoscópica, mostra-se superior em termos  de resultados a longo prazo, e proporciona uma solução definitiva para a apendicite  aguda não complicada. 

A escolha do tratamento deve levar em consideração as características clínicas  individuais e os fatores de risco, como a presença de apendicolitos, que podem  influenciar o sucesso do tratamento conservador. Apesar das preferências dos pacientes  por evitar a cirurgia, é crucial informar sobre os riscos aumentados de recorrência  associados ao tratamento antibiótico (Xu, H. et al., 2023). A decisão sobre o tratamento  deve ser baseada em uma avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios, garantindo a  melhor abordagem terapêutica para cada paciente. 

Finalmente, Herrod et al. (2022) confirmam que a apendicectomia,  particularmente a laparoscópica, oferece benefícios significativos em termos de taxa de  sucesso, recuperação rápida e menor risco de complicações, comparada ao tratamento  antibiótico. A análise destaca a eficácia superior da cirurgia em prevenir complicações e  recidivas, o que reforça sua posição como o tratamento de escolha para apendicite  aguda não complicada (Herrod, P. J. J. et al., 2022). Enquanto o tratamento conservador  pode ser uma alternativa viável em alguns casos, os dados atuais favorecem fortemente  a apendicectomia devido à sua eficácia e menor taxa de complicações a longo prazo. 

De acordo com esses dados, a escolha entre cirurgia e tratamento conservador  deve ser informada por uma análise detalhada dos resultados clínicos e das preferências  dos pacientes, de modo que todas as opções sejam consideradas para otimizar os desfechos clínicos e a recuperação. As pesquisas futuras devem continuar a explorar as  melhores práticas e técnicas para assegurar que o manejo da apendicite aguda não  complicada seja o mais eficaz possível (Herrod, P. J. J. et al., 2022). 

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Assim sendo, a comparação entre o tratamento cirúrgico e o conservador para  apendicite aguda não complicada revela a superioridade da apendicectomia,  especialmente quando realizada por via laparoscópica. Apesar dos benefícios iniciais dos  antibióticos, como menor invasividade e tempo de recuperação reduzido, a cirurgia  oferece uma solução definitiva com menor taxa de recorrência e complicações a longo  prazo. A apendicectomia demonstrou ser mais eficaz em termos de desfechos clínicos e  recuperação, garantindo um alívio rápido dos sintomas e uma taxa mais alta de sucesso  a longo prazo. Embora abordagens conservadoras como a terapia endoscópica e o  tratamento antibiótico possam ser consideradas em contextos específicos, a  apendicectomia permanece a escolha preferencial para a maioria dos pacientes,  especialmente aqueles com fatores de risco adicionais. A decisão final deve ser  individualizada, levando em consideração as preferências do paciente e as  características clínicas, no entanto, as evidências atuais sustentam fortemente a eficácia  superior do tratamento cirúrgico. 

REFERÊNCIAS 

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 1Instituição de atuação atual: Centro Universitário de João Pessoa (UNIPE)
Formação: 2025 – Endereço Institucional completo: felipemaia12344@gmail.com
Endereço de e-mail: felipemaia12344@gmail.com – ORCID (se houver): 0009-0009-0717-7101

2Instituição de atuação atual: Universidade Professor Edson Antônio Velano  (Unifenas)
Formação: 2025 – Endereço institucional completo: valesca.carvalho@aluno.unifenas.br
Endereço de e-mail: valescaa.carvalhoo@gmail.com
ORCID : 0000-0003-2583-8267

3Instituição de atuação atual: Universidade Professor Edson Antônio Vellano  (Unifenas) – Formação: 2025 Endereço institucional completo: camilly.campos@aluno.unifenas.br
Endereço de e-mail: camillycampos2015@outlook.com

4Instituição de atuação atual: Universidade Professor Edson Antônio Velano  (Unifenas)
Formação: 2025 – Endereço institucional completo: lara.gois@aluno.unifenas.br
Endereço de e-mail: laragois@icloud.com

5Instituição de formação: Faminas Muriaé – Formação: 2023
Endereço de e-mail: ricardo.baioco@gmail.com