HEMOLYTIC ANEMIA: OVERVIEW AND MANAGEMENT
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202511151558
Prophete Francois
Orientador: Professor Tárcio Peixoto Roca
RESUMO
Este artigo aborda a anemia hemolítica, uma condição caracterizada pela destruição prematura das células vermelhas do sangue, com ênfase nas suas causas, abordagens terapêuticas e impactos na qualidade de vida dos pacientes. A pesquisa explora os fatores autoimunes, infecciosos e genéticos como principais causas da doença, além das complicações clínicas associadas, como a sobrecarga de ferro e o risco de infecções. O estudo também examina as terapias tradicionais, como o uso de corticosteroide e esplenectomia, bem como as novas opções terapêuticas emergentes, incluindo inibidores do complemento e terapias personalizadas. A análise conclui que, embora os avanços terapêuticos tenham melhorado os resultados clínicos, os desafios relacionados ao controle das complicações e à melhoria da qualidade de vida dos pacientes continuam a exigir uma abordagem multidisciplinar. A pesquisa destaca a importância de tratamentos personalizados e de estratégias para o manejo das complicações emocionais e psicossociais associadas à doença.
Palavras-chave: Anemia Hemolítica. Tratamentos Terapêuticos. Complicações Clínicas. Qualidade De Vida. Terapias Personalizadas.
1 INTRODUÇÃO
A anemia hemolítica é uma condição clínica caracterizada pela destruição precoce das células vermelhas do sangue, resultando em uma diminuição da quantidade de hemoglobina disponível no organismo. Esse processo pode ocorrer por uma variedade de causas, que incluem condições autoimunes, doenças infecciosas, distúrbios genéticos, além de reações a medicamentos. A destruição das hemácias, ou hemólise, pode levar a sintomas como fadiga, palidez, icterícia e, em casos mais graves, insuficiência renal e complicações cardiovasculares. Em muitos casos, a anemia hemolítica é crônica e pode requerer tratamento contínuo para controlar a destruição das células sanguíneas (Shammo et al., 2025).
A delimitação deste estudo foca no manejo da anemia hemolítica, investigando as abordagens terapêuticas e as opções de tratamento mais eficazes para essa condição. O problema da pesquisa surge da diversidade das causas que podem desencadear a hemólise e da complexidade no diagnóstico e tratamento. Como a doença pode se manifestar de maneiras diversas, uma pergunta chave se levanta: quais são as abordagens terapêuticas mais eficazes para o manejo da anemia hemolítica, levando em consideração suas causas distintas e a variabilidade de resposta dos pacientes?
O objetivo geral desta pesquisa é analisar as opções terapêuticas disponíveis para o tratamento da anemia hemolítica, considerando as diferentes etiologias e as respostas clínicas aos tratamentos. Serão explorados os seguintes objetivos específicos: identificar as principais causas da anemia hemolítica; avaliar as abordagens terapêuticas mais utilizadas para o manejo da condição; e investigar a eficácia de tratamentos mais recentes para pacientes com formas raras ou difíceis de tratar. A pesquisa visa fornecer uma visão crítica e atualizada sobre a temática.
Este estudo justifica-se pela importância clínica de um manejo adequado da anemia hemolítica, uma vez que essa condição pode afetar diretamente a qualidade de vida dos pacientes e resultar em complicações graves se não for tratada corretamente. O entendimento aprofundado sobre as terapias disponíveis pode contribuir para o aprimoramento das práticas clínicas e para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas, beneficiando tanto a comunidade médica quanto os pacientes afetados (Costa et al., 2025).
A metodologia adotada para este estudo foi uma revisão de literatura, com pesquisa qualitativa realizada entre os anos de 2021 e 2025, utilizando as bases de dados Lilacs, Periódicos Capes e Scielo. O critério de inclusão foi a seleção de artigos que abordam especificamente os tratamentos para anemia hemolítica, e o critério de exclusão envolveu a eliminação de estudos que não apresentavam dados relevantes para o manejo terapêutico da condição. Segundo Lima e Mioto (2007), a revisão de literatura se configura como um instrumento metodológico eficaz para reunir e analisar as produções científicas já estabelecidas sobre um tema, oferecendo uma base sólida para a construção do conhecimento.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 Causas da anemia hemolítica: fatores autoimunes, infecciosos e genéticos
A anemia hemolítica é uma condição caracterizada pela destruição precoce das células vermelhas do sangue, resultando em uma diminuição significativa na capacidade de transporte de oxigênio no organismo. As causas dessa doença podem ser multifatoriais, envolvendo fatores autoimunes, infecciosos e genéticos. Cada uma dessas causas pode levar a uma hemólise (destruição das hemácias) com mecanismos distintos e impactos clínicos variados. A seguir, discutiremos como esses três fatores influenciam o desenvolvimento da anemia hemolítica (Costa et al., 2025).
A anemia hemolítica autoimune ocorre quando o sistema imunológico do próprio paciente ataca suas células vermelhas do sangue, tratando-as como se fossem corpos estranhos. Esse tipo de anemia é comumente classificado em dois tipos principais: a anemia hemolítica autoimune quente e a fria. Na forma quente, os anticorpos atacam as células sanguíneas à temperatura do corpo, enquanto na forma fria, o ataque ocorre em temperaturas mais baixas. A presença de autoanticorpos é um fator chave no desenvolvimento dessa condição. O estudo de Acobs et al. (2025) destaca que a anemia hemolítica autoimune pode ser desencadeada por uma variedade de condições, incluindo doenças autoimunes, como lúpus eritematoso sistêmico, e até infecções virais, como a COVID-19.
O entendimento da imunopatogênese dessa condição tem avançado, com a descoberta de novos mecanismos que envolvem não apenas os autoanticorpos, mas também alterações nos processos de sinalização celular que prejudicam a integridade das hemácias. O trabalho de Costa et al. (2025) explora essas novas descobertas, que oferecem uma perspectiva mais profunda sobre as causas imunológicas da anemia hemolítica, ampliando a compreensão sobre como o sistema imunológico falha em reconhecer as hemácias como células próprias, levando à sua destruição precoce.
Além dos fatores autoimunes, infecções também são uma causa importante de anemia hemolítica. Diversos patógenos, como bactérias, vírus e parasitas, podem levar à destruição das células vermelhas do sangue. No caso da anemia hemolítica associada à COVID-19, estudos como o de AyyaD et al. (2025) revelam que a infecção por este vírus pode induzir uma resposta imunológica exacerbada, resultando em hemólise. A infecção pelo coronavírus, em alguns casos, está associada à produção de autoanticorpos que atacam as hemácias, contribuindo para a anemia hemolítica. Essa condição é particularmente preocupante, pois pode agravar o quadro clínico de pacientes já debilitados pela infecção viral, tornando o manejo mais complexo.
Os fatores genéticos desempenham um papel crucial na anemia hemolítica, especialmente em condições hereditárias, como a anemia falciforme e a deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD). Esses distúrbios genéticos predispõem as células vermelhas do sangue a se romperem mais facilmente, o que pode levar a episódios de hemólise. A anemia falciforme, por exemplo, é uma doença genética em que as hemácias assumem uma forma anormal, o que as torna mais vulneráveis à destruição. A deficiência de G6PD é outra condição genética que compromete a integridade das hemácias, especialmente quando o indivíduo é exposto a certos medicamentos ou infecções. Esses fatores genéticos podem interagir com os fatores ambientais, exacerbando a hemólise e aumentando o risco de complicações graves.
A anemia hemolítica é uma condição complexa, com várias causas possíveis. Fatores autoimunes, infecciosos e genéticos desempenham papéis cruciais no desenvolvimento da doença. A compreensão desses fatores é essencial para um diagnóstico preciso e para o tratamento adequado, que deve considerar a causa subjacente da hemólise. O avanço na pesquisa sobre as causas da anemia hemolítica permite uma melhor abordagem clínica e terapêutica, melhorando a qualidade de vida dos pacientes afetados por essa condição debilitante.
2.2 Abordagens terapêuticas no manejo da anemia hemolítica: tratamentos tradicionais e novas opções
O manejo da anemia hemolítica envolve uma abordagem terapêutica que pode ser tradicional ou inovadora, dependendo da causa subjacente da doença, da gravidade do quadro clínico e da resposta ao tratamento. A anemia hemolítica, caracterizada pela destruição prematura das células vermelhas do sangue, pode ter diversas origens, como fatores autoimunes, infecciosos ou genéticos. O tratamento adequado visa minimizar os episódios de hemólise, melhorar a qualidade de vida dos pacientes e prevenir complicações graves, como sobrecarga de ferro e falência orgânica. A seguir, são discutidas as abordagens terapêuticas tradicionais e as novas opções no manejo dessa condição.
Os tratamentos tradicionais para a anemia hemolítica autoimune incluem o uso de corticosteroides, imunossupressores e, em alguns casos, a esplenectomia. Os corticosteroides são frequentemente a primeira linha de tratamento em casos de anemia hemolítica autoimune, pois têm um efeito imunossupressor, reduzindo a produção de autoanticorpos que atacam as hemácias. No entanto, o uso prolongado de corticosteroides pode acarretar efeitos adversos significativos, como osteoporose, aumento de peso e aumento do risco de infecções. Em pacientes que não respondem adequadamente ao uso de esteroides, medicamentos imunossupressores como a azatioprina ou ciclosporina podem ser considerados para controlar a atividade do sistema imunológico.
Outra abordagem tradicional é a esplenectomia, que consiste na remoção do baço, órgão responsável pela destruição das hemácias marcadas pelos anticorpos. Embora eficaz em alguns pacientes, a esplenectomia não está isenta de riscos, como infecções graves, principalmente por pneumococos, além de ser uma intervenção cirúrgica invasiva. Por isso, ela é geralmente reservada para casos em que outras terapias falharam.
Nos últimos anos, novos tratamentos têm sido desenvolvidos, focados em terapias mais específicas e menos invasivas. Um exemplo disso são os tratamentos direcionados à inibição do complemento, como o eculizumabe, que tem mostrado eficácia no tratamento da anemia hemolítica paroxística noturna (PNH), uma doença rara caracterizada pela hemólise intravascular. O eculizumabe age inibindo a proteína C5 do sistema complemento, prevenindo a destruição das hemácias. No entanto, como apontado por Shammo et al. (2025), o uso do eculizumabe pode levar a uma sobrecarga de ferro, o que exige tratamentos adicionais, como o uso de pegcetacoplan, que tem demonstrado melhorar esse quadro em pacientes com PNH que já foram tratados previamente com eculizumabe.
O uso de terapias de inibição do complemento tem avançado, como destacam Tamdin e Rodgers (2025), que discutem novas opções de inibidores para PNH. Essas terapias têm como objetivo reduzir a hemólise e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, minimizando os efeitos adversos associados ao tratamento tradicional.
A abordagem para a anemia hemolítica autoimune também está sendo aprimorada com novas terapias. O trabalho de BarcellinI e Fatizzo (2024) examina os avanços no tratamento da anemia hemolítica autoimune mediada por aglutininas frias (CAD). Eles sugerem que tratamentos direcionados para esses subtipos específicos de anemia hemolítica têm se mostrado eficazes, com melhores resultados na redução da hemólise e na prevenção de complicações, como a trombose.
O manejo da anemia hemolítica tem evoluído significativamente, com a introdução de novas opções terapêuticas que oferecem alternativas mais seguras e eficazes em comparação com os tratamentos tradicionais. As terapias direcionadas, como a inibição do complemento e o uso de pegcetacoplan, demonstram um grande potencial para melhorar os resultados clínicos, especialmente em casos mais complexos, como a anemia hemolítica paroxística noturna. A personalização do tratamento, com base no tipo de anemia hemolítica e na resposta do paciente, será a chave para otimizar o manejo da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
2.3 Impactos clínicos da anemia hemolítica: complicações e qualidade de vida dos pacientes
A anemia hemolítica é uma condição caracterizada pela destruição precoce das células vermelhas do sangue, o que compromete a capacidade do organismo de transportar oxigênio adequadamente. Essa doença pode ter diversas causas, incluindo fatores autoimunes, infecciosos e genéticos, e seus impactos clínicos são significativos, afetando não apenas a saúde física, mas também a qualidade de vida dos pacientes. As complicações da anemia hemolítica, bem como os desafios enfrentados pelos pacientes, são questões centrais para os profissionais de saúde e para os próprios pacientes.
Os impactos clínicos da anemia hemolítica variam dependendo da causa subjacente, da gravidade e da resposta ao tratamento. Uma das complicações mais comuns é a sobrecarga de ferro, especialmente em pacientes que precisam de transfusões frequentes para controlar a anemia. As transfusões, embora eficazes em restaurar a contagem de hemácias, podem levar ao acúmulo de ferro no organismo, o que pode afetar órgãos vitais como o coração e o fígado. Os pacientes com anemia hemolítica estão em risco aumentado de infecções devido ao tratamento imunossupressor e à esplenectomia, que pode ser necessária em alguns casos. Essas complicações podem agravar o quadro clínico e aumentar a mortalidade, tornando o manejo da doença ainda mais desafiador.
A anemia hemolítica autoimune, em particular, tem um impacto clínico considerável, como discutido por Mukherjee (2025), que destaca os efeitos devastadores dessa condição em pacientes que não respondem bem aos tratamentos tradicionais, como os corticosteroides. O controle da doença muitas vezes exige terapias imunossupressoras, mas esses tratamentos podem levar a efeitos colaterais indesejados, como infecções oportunistas e danos aos órgãos. A presença de autoanticorpos contra as hemácias pode resultar em crises de hemólise aguda, que podem levar à insuficiência renal e outras complicações graves.
A qualidade de vida dos pacientes com anemia hemolítica é severamente afetada pela natureza crônica e imprevisível da doença. Como a hemólise pode ocorrer de forma súbita, os pacientes frequentemente enfrentam episódios de fadiga extrema, dor, icterícia e dificuldade respiratória, que podem interferir nas suas atividades diárias e no trabalho. Estudos como o de Choi et al. (2025) evidenciam o impacto da anemia hemolítica autoimune sobre a qualidade de vida dos pacientes, destacando o sofrimento emocional causado pela necessidade constante de monitoramento médico, os efeitos adversos dos tratamentos e a frustração com a natureza imprevisível da doença. A dependência de transfusões de sangue e o risco de complicações a longo prazo, como a sobrecarga de ferro, aumentam o estresse psicológico, fazendo com que muitos pacientes se sintam impotentes diante da doença.
A gestão da anemia hemolítica, portanto, não se limita ao controle da hemólise, mas também inclui o tratamento das complicações associadas, como a sobrecarga de ferro e os efeitos adversos dos medicamentos. Como observa Pons Estel et al. (2025), o impacto dessa condição na qualidade de vida é multidimensional, afetando aspectos físicos, emocionais e sociais. Muitos pacientes enfrentam dificuldades em suas relações sociais e familiares, uma vez que a doença limita suas atividades cotidianas e, em muitos casos, requer períodos de internação hospitalar.
Os tratamentos emergentes têm mostrado promissores efeitos positivos na melhoria da qualidade de vida dos pacientes, conforme evidenciado pelo trabalho de Dierick et al. (2025), que discutem os benefícios das trocas automatizadas de hemácias em pacientes com anemia hemolítica crônica, como a doença falciforme. Essas abordagens não apenas melhoram a contagem de hemácias, mas também ajudam a reduzir a sobrecarga de ferro, promovendo uma melhora significativa na saúde geral e na qualidade de vida desses pacientes.
Os impactos clínicos da anemia hemolítica são profundos e abrangem não apenas os aspectos físicos, mas também os emocionais e sociais. As complicações associadas, como a sobrecarga de ferro e a necessidade de transfusões frequentes, exigem uma gestão cuidadosa e multidisciplinar. O tratamento da anemia hemolítica deve, portanto, ser centrado no paciente, levando em consideração a melhoria da qualidade de vida, a redução das complicações e o manejo adequado dos sintomas. O avanço das terapias emergentes oferece uma esperança renovada para muitos pacientes, proporcionando melhores resultados a longo prazo e uma maior qualidade de vida.
3 METODOLOGIA
A metodologia adotada para este estudo consistiu em uma revisão de literatura qualitativa, realizada entre os anos de 2021 e 2025, com o objetivo de analisar as opções terapêuticas disponíveis para o tratamento da anemia hemolítica. As palavras-chave utilizadas na pesquisa foram: “anemia hemolítica”, “tratamentos”, “gestão terapêutica”, e “hemólise”. As bases de dados utilizadas para a pesquisa foram Lilacs, Periódicos Capes e Scielo, que oferecem acesso a uma ampla gama de artigos científicos revisados por pares.
Foram estabelecidos dois critérios de inclusão para os estudos selecionados: artigos que abordassem especificamente o manejo terapêutico da anemia hemolítica e estudos publicados entre 2021 e 2025. Quanto aos critérios de exclusão, foram descartados artigos que não abordassem diretamente tratamentos ou intervenções clínicas para a anemia hemolítica e estudos fora do período de 2021 a 2025. Segundo Lima e Mioto (2007), a revisão de literatura é uma metodologia eficaz para reunir, analisar e interpretar as contribuições científicas já estabelecidas, proporcionando uma base sólida para a construção do conhecimento em um campo específico.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A discussão dos resultados dos estudos sobre anemia hemolítica revela uma série de avanços terapêuticos e desafios clínicos, refletindo a complexidade da doença e a necessidade de abordagens personalizadas para o manejo adequado dos pacientes.


O estudo de Acobs et al. (2025), por exemplo, apresenta uma revisão sistemática sobre a anemia hemolítica autoimune mista, mediada por aglutininas quentes e frias, destacando os mecanismos que levam à destruição das hemácias e a importância de uma identificação precoce para otimizar o tratamento. A diferenciação entre as causas quentes e frias é essencial para escolher as terapias adequadas, com implicações diretas na resposta clínica do paciente e no controle da doença.
Em relação ao impacto da COVID-19, o estudo de Ayyad et al. (2025) explora como a infecção pode agravar a anemia hemolítica autoimune. A pesquisa revela que a pandemia trouxe novas manifestações da doença em pacientes com COVID-19, com complicações adicionais, como a sobrecarga de ferro e o aumento do risco de infecções secundárias, complicando ainda mais o manejo clínico. A necessidade de terapias adaptativas em resposta a essas complicações ressalta a complexidade do tratamento em pacientes com comorbidades.
Os avanços no tratamento da anemia hemolítica autoimune mediada por aglutininas frias também são abordados por Barcellini e Fatizzo (2024), que discutem as novas opções terapêuticas, como o uso de medicamentos imunossupressores e o rituximabe. O estudo destaca que uma abordagem personalizada, com diagnóstico preciso e tratamento direcionado, pode melhorar significativamente os resultados clínicos, proporcionando uma melhor qualidade de vida para os pacientes. No entanto, a necessidade de intervenções específicas para cada tipo de aglutinina e a gestão das complicações permanecem desafios importantes.
O estudo de Choi et al. (2025) sobre a anemia hemolítica autoimune quente confirma que, apesar dos avanços nas opções de tratamento, os pacientes ainda enfrentam dificuldades significativas relacionadas à fadiga crônica, dor e efeitos colaterais dos medicamentos, impactando diretamente sua qualidade de vida. A pesquisa sugere que as terapias devem ser aprimoradas não apenas para controlar a hemólise, mas também para melhorar o bem-estar emocional e físico dos pacientes, enfatizando a importância de um suporte psicossocial.
Costa et al. (2025) investigam a imunopatogênese da anemia hemolítica autoimune e destacam a importância de compreender os mecanismos subjacentes da doença para desenvolver tratamentos mais eficazes. O estudo aponta que, embora o conhecimento sobre a doença tenha avançado, ainda existem lacunas na compreensão de como o sistema imunológico reage e como isso pode ser modificado para melhorar os tratamentos. As novas terapias direcionadas, como os inibidores do complemento, oferecem promissores resultados, mas seu impacto a longo prazo ainda precisa ser mais investigado.
O estudo de Dierick et al. (2025), por outro lado, aborda os efeitos da anemia hemolítica crônica, como na doença falciforme, e os benefícios da troca automatizada de hemácias. Embora essas terapias ajudem a melhorar a contagem de hemácias e reduzir a sobrecarga de ferro, os pacientes continuam a enfrentar limitações em suas atividades diárias e dificuldades psicossociais. Isso sugere que, além do tratamento médico, é necessário um acompanhamento integral para lidar com os aspectos emocionais e sociais da doença.
Pons Estel et al. (2025) contribuem para a discussão ao analisar a heterogeneidade clínica da anemia hemolítica autoimune quente e os preditores de desfecho. O estudo revela que, enquanto muitos pacientes respondem bem ao tratamento, uma parte significativa continua a enfrentar complicações graves, como insuficiência renal e necessidade de transfusões recorrentes. Isso destaca a importância de uma abordagem personalizada, considerando as especificidades de cada paciente e seus desfechos a longo prazo.
Shammo et al. (2025) discutem o uso de pegcetacoplan em pacientes com anemia hemolítica paroxística noturna, mostrando uma melhoria significativa na sobrecarga de ferro e a redução da necessidade de transfusões. Esse tratamento inovador, combinado com terapias complementares, mostra-se promissor para melhorar a qualidade de vida dos pacientes, controlando melhor os sintomas e as complicações associadas à doença.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As pesquisas sobre a anemia hemolítica autoimune têm avançado consideravelmente nos últimos anos, com destaque para as novas terapias e tratamentos direcionados, que têm mostrado promissores resultados no controle da doença e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes. A personalização do tratamento, considerando o tipo de anemia hemolítica, a gravidade da doença e as condições clínicas do paciente, é uma abordagem cada vez mais valorizada e que tem proporcionado benefícios significativos. Os novos medicamentos, como os inibidores do complemento e o rituximabe, têm oferecido alternativas eficazes, especialmente para pacientes com formas graves ou refratárias da doença.
No entanto, apesar dos avanços terapêuticos, ainda existem desafios consideráveis no manejo da anemia hemolítica, especialmente em relação às complicações crônicas e à qualidade de vida dos pacientes. A sobrecarga de ferro, o risco de infecções devido ao tratamento imunossupressor e as dificuldades psicossociais enfrentadas pelos pacientes continuam a ser questões importantes que exigem uma abordagem multidisciplinar. É essencial que os tratamentos não apenas controlarem a hemólise, mas também levem em conta os aspectos emocionais e sociais da doença, proporcionando uma abordagem holística para o paciente.
Portanto, as futuras pesquisas devem focar em refinar as terapias existentes e explorar novas abordagens que possam prevenir ou minimizar as complicações associadas à anemia hemolítica. A continuidade do estudo sobre os mecanismos imunológicos e genéticos envolvidos na doença é fundamental para o desenvolvimento de tratamentos ainda mais eficazes. O fortalecimento do suporte psicossocial e a educação dos pacientes e profissionais de saúde são essenciais para garantir que os pacientes recebam um cuidado integral, melhorando não apenas os resultados clínicos, mas também sua qualidade de vida.
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