ANÁLISE MICROBIOLÓGICA DE FILTROS DE CLIMATIZADORES DE AR

MICROBIOLOGICAL ANALYSIS OF AIR CONDITIONING UNIT FILTERS 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202511291718


Nathalia de Lima Limberger1
Giulia Vitória Gonçalves2
Ana Claudia Paiva Alegre Maller3


RESUMO

Sistemas de climatização de ar são essenciais em ambientes internos, regulando a temperatura e a umidade. No entanto, se não receberem a manutenção e limpeza adequadas, podem transformar-se em reservatórios e dispersores de microrganismos patogênicos e oportunistas, como bactérias e fungos. A presença de carga microbiana no ar circulante representa, risco significativo para a saúde pública, especialmente para grupos vulneráveis, como indivíduos imunocomprometidos, idosos e crianças. Esses microrganismos transportados pelo ar podem ser agentes causadores de diversas infecções respiratórias, alergias e exacerbações de doenças crônicas. Este estudo teve como objetivo realizar a análise microbiológica em sistemas de ar condicionado para avaliar a carga microbiana presente em seus filtros e determinar a eficácia do procedimento de higienização aplicado. O estudo de análise microbiológica em sistemas de ar condicionado revelou a presença de uma diversidade de microrganismos, incluindo Bacilos e Cocos Gram-Positivos e Gram-Negativos, além de fungos filamentosos. Todos os isolados são de relevância clínica e classificados como potenciais agentes oportunistas em infecções respiratórias, especialmente perigosos para indivíduos imunocomprometidos. No entanto, a investigação demonstrou eficácia conclusiva do procedimento de higienização aplicado, evidenciada pela ausência de crescimento microbiano nas amostras coletadas imediatamente após a limpeza. Este resultado reforça a importância crítica e inegável do cumprimento rigoroso das rotinas de manutenção e limpeza dos sistemas de ar condicionado como um fator determinante para a redução da carga microbiana e a promoção de ambientes climatizados mais seguros e saudáveis. 

Palavras-chave: Bactérias. Higienização. Antibiograma. Cocos Gram Positivos. Cocos Gram Negativos. 

ABSTRACT

Air-conditioning systems are essential in indoor environments, regulating temperature and humidity. However, if they do not receive proper maintenance and cleaning, they can become reservoirs and dispersers of pathogenic and opportunistic microorganisms such as bacteria and fungi. The presence of microbial load in circulating air represents a significant public health risk, especially for vulnerable groups such as immunocompromised individuals, the elderly, and children. These airborne microorganisms can act as causative agents of various respiratory infections, allergies, and exacerbations of chronic diseases. This study aimed to perform a microbiological analysis of air-conditioning systems to assess the microbial load present in their filters and determine the effectiveness of the applied cleaning procedure. The microbiological analysis revealed the presence of a diversity of microorganisms, including Gram-positive and Gram-negative bacilli and cocci, as well as filamentous fungi. All isolates are clinically relevant and classified as potential opportunistic agents in respiratory infections, posing particular danger to immunocompromised individuals. However, the investigation demonstrated conclusive effectiveness of the cleaning procedure, evidenced by the absence of microbial growth in samples collected immediately after the sanitization. This result reinforces the critical and undeniable importance of strictly adhering to maintenance and cleaning routines for airconditioning systems as a determining factor in reducing microbial load and promoting safer and healthier climatized environments. 

Keywords: Bacteria. Sanitization. Antibiogram. Positive Gram Cocos.  

1 INTRODUÇÃO 

Os primeiros ambientes climatizados chegaram ao Brasil na década de 1930, permitindo o controle da umidade e temperatura do ar, o que gerava maior conforto às pessoas (SIQUEIRA, 2000). 

A partir disso, diversos locais, como hospitais, clínicas, escolas, entre outros, passaram a adotar a instalação de climatizadores de ar, aderindo a ambientes com climas artificiais. No entanto embora esses aparelhos proporcionam conforto, eles também acarretam problemas de saúde, especialmente respiratórios, devido à presença de microrganismos, principalmente nos filtros do aparelho, pois são ambientes adequados para a proliferação dos mesmos, principalmente se a manutenção não for realizada de forma adequada e no tempo correto (SANTANA; FORTUNA, 2012). 

Embora as bactérias sejam organismos unicelulares, a sobrevivência das comunidades microbianas está associada a dinâmicas complexas que operam em níveis molecular, celular e ecossistêmico. A resistência aos antibióticos, em especial, não se limita a uma característica de bactérias individuais ou de populações de uma única cepa, mas está profundamente influenciada pelo contexto e pelas interações dentro da comunidade microbiana (WOOD; DENK-LOBNIG, 2023). 

Alterações nas comunidades bacterianas do trato respiratório superior podem favorecer a migração de microrganismos para o trato respiratório inferior, contribuindo para o desenvolvimento de infecções (LE ROUX; ZAR, 2017). 

As bactérias multirresistentes (MDR) são amplamente reconhecidas como um dos principais desafios atuais para a saúde pública. A resistência aos antibióticos impõe custos econômicos significativos, decorrentes do aumento do tempo de internação hospitalar, da maior demanda por acompanhamento ambulatorial e dos custos elevados associados ao uso de medicamentos mais modernos necessários para o tratamento de bactérias multirresistentes (CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION, 2019). 

Dentro dos sistemas de ar condicionado podem proliferar diversos tipos de fungos e bactérias, decorrente do ambiente propício para o desenvolvimento dos mesmos, dentre os causadores de infecção estão: Legionella pneumophila, Bacillus sp., Flavobacterium sp., Pseudomonas aeruginosa, Staphylococcus aureus, Mycobacterium tuberculosis, Aspergillus sp., Penicillium sp., Cladosporium sp., entre outros (ETCHEBEHERE et al., 2005). 

A Legionella pneumophila, uma bactéria Gram-negativa frequentemente encontrada nos filtros de ar condicionado, é a causadora da Legionelose, uma forma de pneumonia aguda. 

Transmitida principalmente por aerossóis, a Legionelose apresenta manifestações clínicas respiratórias que variam desde uma pneumonia aguda leve, sem necessidade de hospitalização, até uma pneumonia multilobar fatal. Os sintomas incluem febre alta, tosse, dores de cabeça, confusão, distúrbios gastrointestinais e dores musculares. Além da pneumonia, a Legionelose também pode se manifestar como a febre de Pontiac, uma doença respiratória semelhante a uma gripe aguda, com sintomas como dor de cabeça, febre e dores musculares intensas (WINN JR., 1996).   

Outras bactérias que podem causar infecções respiratórias transmitidas pelo ar condicionado são a Staphylococcus aureus e a Mycobacterium tuberculosis. A S. aureus, uma bactéria Gram-positiva, é conhecida por provocar diversas doenças, incluindo infecções pulmonares como pneumonia e empiema. Sua classificação como invasiva ou mediada por toxinas depende do local da infecção. A pneumonia causada por essa bactéria geralmente está ligada à produção de PVL (leucocidina Panton-Valentine), proteína A e alfa-hemolisina, sendo mais comum após infecções pelo vírus da gripe (TAYLOR; UNAKAL, 2025). Já a Mycobacterium tuberculosis, uma bactéria Gram-negativa em formato de bastonete, é a responsável pela tuberculose, uma doença que pode ser adquirida pela inalação do microrganismo presente em poeira ou aerossóis (MIMS et al., 2004; OLIVEIRA, 2013 

A tuberculose é uma doença transmissível, podendo ser propagada através da tosse, de um indivíduo infectado. A bactéria se replica nos macrófagos dos alveolares e em células epiteliais, que após um processo de necrose ou apoptose, possibilitam a bactéria de invadir outras áreas dos pulmões, além de alcançar os gânglios linfáticos (GENGENBACHER; KAUFMANN, 2012). Entre as manifestações clínicas da doença, destacam-se a perda de peso, fadiga, tosse seca, fraqueza e febre (MIMS et al., 2004).          

Outra espécie de bactéria causadora de infecções respiratórias, provenientes dos climatizadores de ar, são os Streptococcus pneumoniae (pneumococo) que colonizam  a nasofaringe, especialmente em crianças, podendo permanecer como comensal ou causar infecções oportunistas, como pneumonia, otite média, meningite e septicemia. A transmissão ocorre por contato próximo ou aerossóis, sendo a colonização assintomática comum e considerada etapa essencial para o desenvolvimento da doença. A adesão às células epiteliais da mucosa nasofaríngea é um passo crucial na patogênese do pneumococo (ANDERTON et al., 2007). 

O estágio seguinte na patogênese do S. pneumoniae envolve o estabelecimento da bactéria nos pulmões, corrente sanguínea, ouvido médio, sistema nervoso central ou outros sítios. Esse processo depende da suscetibilidade do hospedeiro, da regulação da expressão gênica bacteriana e das interações entre o pneumococo e os componentes do hospedeiro (KING; HIPPE; WEISER, 2012). 

Aspergillus é um gênero de fungo, onde o principal tipo de contaminação se dá via aérea (WALSH et al., 2008). A aspergilose, doença causada por esse tipo de microrganismo, principalmente, o agente etiológico A. fumigatus. Dentre as doenças podem-se destacar a asma grave e letal, a aspergilose broncopulmonar alérgica, que causa a destruição das vias aéreas, com quadros de asma aguda responsiva a corticosteroide ou por causa de asma corticóide dependente, se não tratada pode evoluir para fibrose. Há também a Aspergilose pulmonar invasiva, uma doença com alta taxa de mortalidade e morbidade, principalmente em pacientes imunocomprometidos (BARNES; MARR, 2006). 

A resistência aos antibióticos representa uma ameaça crescente à saúde pública, uma vez que sua rápida disseminação tem superado o ritmo de desenvolvimento de novos agentes antimicrobianos (YAN; BASSLER, 2019). Esses efeitos coletivos podem influenciar significativamente as estratégias de erradicação ou controle do crescimento bacteriano. Apesar de os antibióticos atuarem diretamente em funções intracelulares essenciais à sobrevivência individual das bactérias, como a síntese proteica, muitos desses compostos têm origem como armas moleculares produzidas por microrganismos em sua competição natural por recursos (NIEHUS et al., 2021). 

Controlar a disseminação de bactérias multirresistentes (MDR) na comunidade representa um dos desafios mais urgentes e prioritários para a saúde pública (PETERSON; VAN DUIN, 2020). A administração antimicrobiana vem se consolidando rapidamente como uma especialidade nos ambientes hospitalares. As equipes responsáveis por essa prática geralmente reúnem médicos infectologistas e farmacêuticos clínicos, combinando suas expertises para avaliar a adequação da escolha, do uso e da duração das terapias antibióticas (WAGNER et al., 2014). A resistência a antibióticos tem aumentado de forma evidente entre patógenos bacterianos tradicionalmente associados a infecções adquiridas na comunidade (PETERSON; VAN DUIN, 2020). 

Diante disso, o Ministério da saúde estabeleceu normas relacionadas aos padrões de qualidade do ar em ambientes climatizados, segundo a portaria n° 3.523/GM, de 28 de agosto de 1998, onde estabelece padrões, principalmente em relação aos parâmetros químicos, biológicos e físicos, estabeleceu também os métodos para controle e pré-requisitos para o processo de instalação e execução dos sistemas de ar condicionado. Além dessas normas, existem também as normas brasileiras relacionadas à qualidade do ar, estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) (QUADROS et al., 2009). 

Segundo a ANVISA, é necessário aplicar normas e regulamentos específicos em caso de ambientes climatizados de uso restrito, utilizando filtros absolutos ou instalações especiais, aplicando-se as normas de temperatura, que no verão tem que ir de 23°C a 26°C, e no inverno de 20°C a 22°C e umidade de 40% a 65%. As normas de higienização mensal também devem ser cumpridas, sendo indicado limpeza de quinze em quinze dias, para evitar que haja crescimento bacteriano (AFONSO et al., 2004). 

No ano de 1982, a OMS reconheceu um termo que desde a década de 70 já era utilizado, chamado “Síndrome dos Edifício Doente”. Segundo a OMS os poluentes químicos e biológicos, que são provenientes da má limpeza dos climatizadores, são a principal causa dos problemas de saúde das pessoas em contato com o ar condicionado (TEIXEIRA; BRIONIZIO; PEREIRA, 2010). 

Uma manutenção realizada de maneira inadequada juntamente com o acúmulo de poeira nos filtros, e em outras partes do aparelho, com o envelhecimento dos mesmos, são responsáveis por causar  a contaminação com microrganismos maléficos à saúde, em um curto espaço de tempo (TEIXEIRA; BRIONIZIO; PEREIRA, 2010). 

Os filtros dos climatizadores de ar são os responsáveis por captar o ar e filtrá-lo antes de mandar novamente para o ambiente (FONSECA JÚNIOR et al., 2010). Dessa forma, a correta manutenção do aparelho, pode impedir e/ou amenizar a contaminação por agentes biológicos (GRAUDENZ; DANTAS, 2007). Pois o processo que os filtros realizam, são responsáveis por deixar o ar puro (PEREIRA et al., 2005). 

Para que todos os problemas de contaminação dos climatizadores, sejam eliminados e/ou minimizados, é necessário que todas as normas de manutenção e higienização sejam cumpridas de forma adequada, e dessa forma combater as doenças respiratórias e alérgicas, causadas por essas contaminações (CARTAXO; GONÇALVES; COSTA et al., 2007). 

2 METODOLOGIA  
2.1 Coleta das amostras 

A coleta do material foi realizada em três ambientes distintos: um laboratório de análises clínicas, uma clínica odontológica e uma residência. Em cada local, foram selecionados filtros de ar condicionado para a amostragem. O procedimento foi padronizado para garantir a representatividade das amostras, utilizando swabs estéreis com meio de transporte Stuart. Cada filtro foi dividido em três regiões distintas para a coleta, região 1 corresponde a lateral direita do aparelho, região 2 ao centro e região 3 a lateral esquerda do mesmo. Antes de qualquer higienização, foram realizados movimentos rotatórios e uniformes sobre as três superfícies escolhidas, abrangendo uma área delimitada. Após a coleta, cada swab foi imediatamente identificado com as seguintes informações: local, data, horário e ponto de coleta (região 1, 2 ou 3), além de indicar que a coleta era pré-higienização. 

Após a primeira rodada de coletas (pré higienização), os filtros dos aparelhos de ar condicionado foram submetidos ao processo de higienização. Imediatamente após a limpeza, a coleta foi repetida nos mesmos pontos. Novamente, foram utilizados swabs estéreis para amostrar as três regiões de cada filtro de ar condicionado. Cada uma dessas novas amostras foi devidamente identificada, dessa vez indicando claramente que a coleta era pós-higienização, além de conter as informações de local, data e hora. 

Todas as amostras coletadas, foram cuidadosamente acondicionadas em caixas isotérmicas para garantir a viabilidade dos microrganismos e transportadas em tempo hábil para o laboratório de microbiologia do Centro Universitário Univel. No laboratório, as amostras foram processadas conforme os protocolos técnicos estabelecidos na metodologia. A análise incluiu o cultivo em meios de cultura específicos (Ágar Nutriente, Ágar Sangue e Ágar MacConkey), contagem de colônias, coloração de Gram e testes de sensibilidade a antibióticos. 

2.2 Isolamento dos microrganismos 

As amostras foram semeadas por estriamento múltiplo em placas contendo Ágar Sangue e Ágar MacConkey. As placas foram incubadas em estufa bacteriológica a 37 °C por 24 horas. No dia seguinte, a primeira etapa da análise foi a avaliação macroscópica das colônias que já apresentavam crescimento visível. Com base nas características morfológicas, como forma, cor e brilho, e na observação de possíveis hemólises no Ágar Sangue, algumas colônias foram selecionadas para o protocolo de coloração de Gram. 

2.3 Coloração de Gram e testes bioquímicos 

A etapa seguinte consistiu na aplicação da técnica de coloração de Gram nas colônias previamente isoladas. O procedimento seguiu as etapas clássicas, iniciando-se com a aplicação de cristal violeta e lugol, seguido pela descoloração com álcool e, por fim, a contra coloração com safranina. A observação em microscopia permitiu a diferenciação morfotintorial: a retenção do cristal violeta (cor roxa) indicou a presença de bactérias Gram positivas (apresentando morfologia de coco ou bacilo), e a coloração com safranina (cor rosa) tipificou as bactérias Gram negativas (na forma de bacilo). Dando prosseguimento ao protocolo de identificação, realizaram-se as provas bioquímicas de catalase e oxidase. Para a catalase, a qual verifica a atividade enzimática que desdobra o peróxido de hidrogênio em água e oxigênio, o teste foi efetuado em todas as amostras que apresentaram viabilidade (crescimento). Em contraste, o teste da oxidase, fundamental para a detecção da enzima citocromo C oxidase, foi restrito às colônias classificadas como Gram negativas. Tais ensaios bioquímicos forneceram informações preliminares essenciais para o início da discriminação taxonômica dos gêneros bacterianos. 

2.4 Antibiograma 

Para a continuidade da identificação e avaliação da sensibilidade, as amostras que demonstraram, crescimento microbiano robusto e significativo foram selecionadas para a realização do Teste de Sensibilidade a Antimicrobianos (TSA) por disco-difusão (método de Kirby-Bauer). O inóculo bacteriano foi metodologicamente padronizado para a turbidez equivalente à escala 0,5 de McFarland e, em seguida, semeado por swab estéril na superfície do meio de Ágar Mueller-Hinton. Discos de antibióticos foram dispostos sobre o meio para permitir a difusão do agente antimicrobiano e a subsequente formação dos halos de inibição. As placas foram incubadas a 37 °C por 18 horas. 

Concluído o período de incubação, procedeu-se à leitura do Teste de Sensibilidade a Antimicrobianos (TSA). O diâmetro das zonas de inibição formadas ao redor de cada disco foi mensurado em milímetros (mm) com o auxílio de um paquímetro ou régua apropriada. A interpretação desses diâmetros foi realizada mediante a consulta aos pontos de corte estabelecidos por normativas internacionais (ex: CLSI – Clinical and Laboratory Standards Institute ou BrCAST – Comitê Brasileiro de Testes de Sensibilidade aos Antimicrobianos), o que permitiu a classificação de cada microrganismo isolado nas categorias de sensível, intermediário ou resistente. A análise detalhada desses resultados forneceu o perfil de sensibilidade/resistência dos isolados bacterianos frente aos antimicrobianos testados. 

As demais placas, cujo crescimento se mostrou menos acentuado, foram submetidas à re-incubação por período adicional de 24 horas, visando assegurar o desenvolvimento adequado das colônias para análises futuras. Concluído esse período adicional, os isolados microbianos que demonstraram crescimento, foram submetidos integralmente aos mesmos protocolos de caracterização preliminar previamente descritos (coloração de Gram e provas bioquímicas de catalase e oxidase). 

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES  
3.1 Crescimento em Placa 

A análise microbiológica da amostra proveniente da região 1 do filtro de ar condicionado, coletada na clínica odontológica antes do processo de higienização, revelou o crescimento de múltiplos microrganismos. Após 24 horas de incubação a 37ºC em Ágar Sangue, observou-se o crescimento de colônias com características macroscópicas distintas, notadamente grandes, opacas e com morfologia irregular como observado na FIGURA 1A. Também foi verificada a produção de beta-hemólise ao redor das colônias como demonstrado na FIGURA 1B. 

FIGURA 1. Crescimento e Caracterização Microbiológica em Ágar Sangue. A. Aspecto macroscópico do crescimento de múltiplos microrganismos após 24 horas de incubação a 37ºC. B. Beta-hemólise ao redor das colônias em Ágar Sangue. 

Na mesma amostra, o Ágar Sangue demonstrou ainda o crescimento de três colônias distintas, apresentando morfologia pequena e opaca, FIGURA 2. 

Figura 2. Crescimento e Caracterização Microbiológica em Ágar Sangue. Crescimento de colônias distintas, após 24 horas de incubação. Presença de beta hemólise. 

Nas demais amostras, não houve crescimento aparente após 24 horas. Dessa forma, as placas foram mantidas em estufa a 37°C por mais 24 horas, totalizando 48 horas de incubação. Após esse período, algumas placas apresentaram crescimento visível, sendo posteriormente analisadas. Após 48 horas de incubação, o plaqueamento em Ágar Sangue, da amostra da clínica odontológica, da região 3, antes da higienização, resultou no crescimento de uma colônia única, que se apresentava pequena, de coloração amarela e aspecto opaco, FIGURA 3. 

Figura 3. Crescimento e Caracterização Microbiológica em Ágar Sangue. Crescimento de uma colônia única, após 48 horas de incubação. 

Na amostra da residência, na região 1 do filtro, antes da higienização, e na amostra da clínica odontológica, da região 2, após a higienização, apresentaram crescimento, após as 48 horas, característicos de fungos filamentosos (bolores), com colônias aveludadas, verde acinzentada, e bordas irregulares, como observado nas FIGURAS 4A e 4B, respectivamente. Nas demais placas, não houve crescimento. 

Figura 4. Crescimento e Caracterização Microbiológica em Ágar Sangue. A. Crescimento característico de fungo filamentoso, após 48 horas de incubação, proveniente da amostra da residência, região 1 do filtro. B. Crescimento característico de fungo filamentoso, após 48 horas de incubação, referente a amostra da clínica odontológica, região 2 do filtro. 

3.2 Coloração de Gram e testes bioquímicos 

A coloração de Gram das colônias provenientes da amostra da região 1 do filtro da clínica odontológica, revelou a presença de Bacilos Gram Positivos (BGP), FIGURA 5A, dispostos de forma isolada e em pares, além da presença de Bacilos Gram Negativos (BGN), provenientes das 3 colônias distintas observadas na cultura, FIGURA 5B. 

Figura 5. Visualização Microscópica dos Microrganismos em Coloração de Gram. A. Bacilos Gram positivos. B. Bacilos Gram negativos. 

O resultado do teste de catalase foi positivo para todas as amostras testadas, como observado, nas FIGURAS 6A e 6B. 

Figura 6. Teste Bioquímico de Catalase. A. Teste positivo de catalase proveniente da amostra da clínica odontológica, região 1 do filtro. B. Teste positivo de catalase proveniente da amostra da clínica odontológica, região 1 do filtro, referente as 3 colônias distintas encontradas. 

A análise microscópica da região 3 do filtro da clínica odontológica revelou a presença de Cocos Gram-Positivos (CGP), com arranjo celular característico de tétrades, FIGURA 7A, e o teste de catalase foi positivo, FIGURA 7B. 

Figura 7. Visualização microscópica e teste bioquímico de catalase. A. Visualização de cocos Gram positivos, com arranjo de tétrade. B. Teste de catalase positivo. 

Para uma caracterização mais precisa das estruturas identificadas nas amostras com crescimento fúngico, foi realizada a coloração das colônias com azul de metileno. Após o preparo e a montagem da lâmina, a observação microscópica das estruturas fúngicas, FIGURA 8 revelou a presença de hifas septadas. Esta característica é fundamental, pois indica que os filamentos do fungo possuem paredes transversais (septos) que dividem a estrutura filamentosa em células ou compartimentos individuais.

Figura 8. Visualização Microscópica de Microrganismo. Coloração com azul de metileno para visualização de hifas septadas. 

3.3 Identificação Presuntiva dos Microrganismos Isolados 

Com base nas características morfológicas e bioquímicas (BGP, catalase positiva e padrão de crescimento), o microrganismo da amostra da clínica odontológica, da região 1 do filtro foi identificado presuntivamente como pertencente ao gênero Bacillus, sendo altamente sugestivo de Bacillus cereus. Essa espécie é um BGP formador de esporos, frequentemente isolado de ambientes como solo, poeira e sistemas de climatização (aparelhos de ar condicionado). Embora seja agente etiológico primário de intoxicações alimentares, é também associado a infecções graves do trato respiratório inferior, incluindo pneumonia, com maior risco em pacientes imunocomprometidos. 

Os testes bioquímicos e fenotípicos realizados a seguir confirmaram as características sugestivas de Pseudomonas aeruginosa para a mesma amostra, em relação às colônias diferentes encontradas. Este microrganismo, um bastonete aeróbio não fermentador, é reconhecido por sua ubiquidade em ambientes úmidos, sendo um contaminante frequente de sistemas hídricos e de climatização, como o filtro analisado. Sua presença indica potencial risco, visto que P. aeruginosa é um patógeno oportunista de relevância clínica, associado a uma variedade de infecções graves, particularmente em contextos nosocomiais e em indivíduos com defesas comprometidas. 

O conjunto de características morfológicas e bioquímicas (CGP em tétrades, catalase positiva, crescimento em AS e ausência em MAC), provenientes da amostra da clínica odontológica, região 3 do filtro, é altamente sugestivo do gênero Micrococcus, sendo presumível a identificação de Micrococcus luteus. Esta espécie é amplamente distribuída no ambiente, mas é reconhecida por seu potencial como patógeno oportunista, sendo associada a infecções graves em hospedeiros vulneráveis, tais como pneumonia, meningite, endocardite e infecções da corrente sanguínea. 

Todas as características das amostras onde cresceram fungos são sugestivas do fungo Aspergillus, principalmente da espécie A. fumigatus. Essa espécie pode causar principalmente infecções do trato respiratório, dentre as doenças, destacam-se a Aspergilose Broncopulmonar Alérgica, Aspergiloma e Aspergilose invasiva. 

3.4 Antibiograma 

O conjunto de antibiogramas compara a sensibilidade de uma bactéria isolada a cinco antibióticos em quatro condições distintas: duas amostras provenientes de clínicas odontológicas (“antes 1” e “antes 3”) e duas de laboratórios (“antes 2” e “após 2”). De forma geral, observa-se elevada sensibilidade à Ampicilina, Gentamicina e Sulfazotrim em todas as amostras, indicando que esses antimicrobianos permanecem opções terapêuticas eficazes independentemente do local de coleta, TABELA 1. 

Em contraste, a Penicilina apresenta padrão consistente de resistência nas amostras “Clínica Odontológica antes 3”, “Laboratório antes 2” e “Laboratório após 2”, mostrando sensibilidade apenas na amostra “Clínica Odontológica antes 1”, como demonstrado na TABELA 1. Essa perda de eficácia limita o uso clínico do fármaco e reforça a necessidade de cautela na escolha empírica de antibióticos. A Levofloxacina e a Penicilina merecem atenção especial. A Levofloxacina, embora sensível em três das quatro amostras, demonstrou resistência na amostra “Clínica Odontológica antes 3”, TABELA 1. Essa mudança de perfil, de sensível para resistente, pode indicar emergência ou disseminação de resistência antimicrobiana no ambiente odontológico. Já a resistência generalizada à Penicilina nas três últimas amostras reforça a importância de realizar antibiogramas de rotina para orientar a terapia, prevenir o uso inadequado de antimicrobianos e evitar a seleção de cepas resistentes. 

Tabela 1. Perfil de Sensibilidade a Antibióticos em Amostras de Ar Condicionado

 A análise dos dados obtidos através da pesquisa realizada, evidenciou a contaminação microbiana dos filtros e demonstrou a eficácia da higienização, destacando a relevância clínica e a necessidade de manutenção regular desses sistemas. Os resultados do estudo evidenciaram a presença de uma ampla diversidade de microrganismos nos filtros de ar condicionado, entre eles Bacilos Gram Negativos (BGN), Bacilos Gram Positivos (BGP), Cocos Gram Positivos (CGP) e fungos filamentosos. Dentre os filtros analisados, o aparelho da clínica odontológica foi o que apresentou o maior crescimento de colônias, apresentando dois tipos de microrganismos diferentes na região 1 do filtro coletado, sendo sugestivo de Bacillus cereus e Pseudomonas aeruginosa

Do mesmo aparelho, porém da região 3 do filtro, houve crescimento de uma colônia, sendo sugestivo de Micrococcus luteus. Na amostra da residência, da região 1 do filtro, após as 48 horas de incubação, apresentou crescimento de fungos filamentosos, sendo sugestivo de Aspergillus sp.. Na amostra da clínica odontológica, da região 3, porém após já ter sido realizada a higienização, também houve crescimento de fungos filamentosos, sendo sugestivo do fungo Aspergillus sp. Santo et.al (2008), teve também como resposta de sua pesquisa a presença desse mesmo fungo, quando realizada em ar condicionadores de veículos de pequeno e médio porte. 

Em comparação com os achados da literatura, como apontado por Cartaxo et al. (2007), em uma análise de filtros de ar condicionado de domicílios na cidade Manaus – AM, todos os microrganismos achados apresentam danos à saúde humana, principalmente doenças de origem respiratória. Nos estudos, os principais agentes microbianos encontrados, foram a bactéria do gênero Staphylococcus sp. e o fungo Penicillium sp., seguidos da bactéria Bordetella parapertussi e o fungo Cladosporium sp., sendo todos esses com potencial risco à saúde humana. 

Cartaxo et.al (2007) também cita que a limpeza inadequada dos filtros e dutos de sistemas de ar condicionado favorece o desenvolvimento de fungos, vírus, ácaros e bactérias, podendo expor os ocupantes de ambientes climatizados a doenças respiratórias, infecciosas ou alergênicas. Além disso, outros fatores relacionados ao acúmulo de poluentes em interiores como a liberação de compostos químicos pelo metabolismo humano, a dispersão de resíduos provenientes de produtos de limpeza e a presença de outras substâncias tóxicas podem ser intensificados pelos mecanismos de ventilação e recirculação do ar. Em conjunto, esses processos contribuem significativamente para a poluição em ambientes fechados. 

4 CONCLUSÃO 

A análise microbiológica revelou a presença de uma diversidade de microrganismos, incluindo Bacilos e Cocos Gram Positivos e Negativos, e fungos filamentosos, todos de relevância clínica e potenciais agentes oportunistas em infecções respiratórias, particularmente em indivíduos imunocomprometidos. No entanto, a observação de ausência de crescimento microbiano nas amostras coletadas após a limpeza demonstrou de forma conclusiva a eficácia do procedimento de higienização aplicado. 

Assim, este estudo reforça a importância crítica e inegável do cumprimento rigoroso das rotinas de manutenção e limpeza dos sistemas de ar condicionado, como fator determinante para a redução da carga microbiana e a promoção de ambientes climatizados mais seguros e saudáveis. 

Estudos futuros devem contemplar a ampliação do número de locais e filtros analisados, a inclusão de ambientes de maior complexidade, como shopping centers e hospitais de grande porte, e a incorporação de técnicas de biologia molecular para identificação inequívoca dos isolados, possibilitando uma caracterização microbiana mais sólida e uma avaliação mais precisa da epidemiologia da resistência antimicrobiana em sistemas de ar condicionado. 

REFERÊNCIAS 

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1Discente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário Univel Campus Cascavel/Paraná. e-mail: limbergernathalia4@gmail.com

2Discente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário Univel Campus Cascavel/Paraná. e-mail: giulia15gon@gmail.com

3Docente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário Univel Campus Cascavel/Paraná. Graduada em Ciências Habilitação plena em Biologia, Mestrado e Doutorado em Biologia Celular e Molecular pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, (FMRP/USP). e-mail: ana.maller@univel.br