PATHOPHYSIOLOGICAL ANALYSIS IN THE EMERGENCY OF ECTOPIC PREGNANCY: A NARRATIVE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202602161717
Generi Pereira Salgado Neto; Manuela de Araujo Bermudez; Leticia Eva Matos Ferreira; Amador Alves Santos; Brisa Miclos Piedade Valladares; Giovana Rodrigues Vieira; Mariany Rodrigues Costa; Bruna Nunes Moraes; João Marcos Guimarães de Oliveira; Maria Clara Assis Lorusso
RESUMO
A gravidez ectópica é uma condição obstétrica caracterizada pela implantação do embrião fora da cavidade uterina, sendo a tuba uterina o local mais frequentemente acometido. Historicamente, representava uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre gestacional, especialmente antes do avanço dos métodos diagnósticos e das técnicas cirúrgicas modernas. Com o desenvolvimento da ultrassonografia transvaginal e da dosagem sérica do beta-hCG, tornou-se possível realizar diagnóstico precoce, reduzindo significativamente complicações graves e óbitos maternos. Do ponto de vista epidemiológico, corresponde a cerca de 1% a 2% das gestações, com maior incidência em mulheres com fatores de risco como doença inflamatória pélvica, cirurgias tubárias prévias, tabagismo e histórico de gestação ectópica anterior. A fisiopatologia está relacionada principalmente a alterações estruturais ou funcionais das tubas uterinas, que prejudicam o transporte adequado do embrião até o útero. Processos inflamatórios, danos ao epitélio ciliado e alterações hormonais contribuem para a implantação ectópica. Clinicamente, a apresentação pode variar desde sintomas inespecíficos até a clássica tríade de dor abdominal, amenorreia e sangramento vaginal. Nos casos de ruptura tubária, ocorre hemorragia interna, podendo evoluir para choque hipovolêmico, configurando emergência médica. O diagnóstico baseia-se na associação entre níveis séricos de beta-hCG e achados ultrassonográficos. O tratamento depende da estabilidade clínica da paciente, podendo ser medicamentoso, com metotrexato, ou cirúrgico, por laparoscopia ou laparotomia em casos mais graves. Atualmente, os principais desafios envolvem o diagnóstico oportuno, a redução de complicações e a preservação da fertilidade. Dessa forma, a abordagem integrada e individualizada é essencial para melhorar os desfechos maternos e reprodutivos.
Palavras-chave: Gravidez. Ectópica. Emergência
1. INTRODUÇÃO
Ao longo da história da medicina, a compreensão da gravidez ectópica evoluiu significativamente com o desenvolvimento de técnicas diagnósticas e cirúrgicas. Nos primórdios, a condição era frequentemente fatal devido à hemorragia interna causada pela ruptura da trompa uterina. Com o avanço da ultrassonografia e da dosagem de β-hCG, tornou-se possível identificar gestação ectópica precocemente, reduzindo mortalidade e melhorando o prognóstico por meio de intervenções menos invasivas. Contudo, mesmo com diagnósticos mais precisos, a gravidez ectópica continua sendo uma causa importante de morbidade ginecológica no início da gestação, exigindo atenção clínica e educacional contínua. SOUZA et al 2026.
Epidemiologicamente, a gravidez ectópica representa cerca de 1% a 2% de todas as gestações em países como os Estados Unidos, embora essa proporção possa variar em diferentes regiões e populações. Estudos hospitalares indicam que a prevalência pode atingir aproximadamente 0,66% dos partos em alguns cenários clínicos, reforçando a necessidade de vigilância obstétrica rigorosa. Além disso, certas populações apresentam desafios demográficos específicos, como maior incidência entre mulheres na faixa reprodutiva jovem, refletindo fatores sociais e biológicos que influenciam o risco. SOUZA et al 2026.
Os fatores de risco associados à gravidez ectópica são multifatoriais e incluem histórico de gestação ectópica prévia, doenças inflamatórias pélvicas, tabagismo, cirurgias abdominais ou tubárias anteriores, uso de dispositivos intrauterinos e tratamentos de infertilidade. Esses fatores promovem alterações anatômicas ou funcionais nas trompas de Falópio, facilitando a implantação anômala do embrião fora do útero. A associação entre infecções sexualmente transmissíveis e aumento do risco sublinha a importância de programas de prevenção e diagnóstico precoce dessas patologias. SOUZA et al 2026.
Do ponto de vista clínico, o diagnóstico da gravidez ectópica ainda enfrenta desafios, pois os sintomas podem ser inespecíficos e variar entre dor abdominal, sangramento vaginal e amenorreia, muitas vezes confundidos com outras condições ginecológicas. A dependência de exames de imagem e marcadores bioquímicos requer infraestrutura adequada de saúde, o que pode ser limitado em áreas de menor acesso, contribuindo para atrasos no diagnóstico e aumentando o risco de complicações, como ruptura tubária e hemorragia interna. SOUZA et al 2026.
Os problemas atuais relacionados à gravidez ectópica também envolvem disparidades no acesso ao atendimento de saúde e às tecnologias diagnósticas. Em muitos contextos, a falta de acesso rápido à ultrassonografia transvaginal e à dosagem de β-hCG contribui para diagnósticos tardios e maior necessidade de intervenções cirúrgicas de emergência. Isso se reflete em desfechos desfavoráveis e na necessidade de educação continuada de profissionais de saúde para reconhecer e manejar casos de forma eficiente. SOUZA et al 2026.
Finalmente, questões emergentes no campo incluem a investigação de novas estratégias terapêuticas e biomarcadores que possam melhorar ainda mais o diagnóstico precoce e reduzir as complicações associadas à gravidez ectópica. Pesquisas atuais exploram abordagens inovadoras, incluindo terapias baseadas em novas tecnologias, com foco não apenas na sobrevivência materna, mas também na preservação da fertilidade e na qualidade de vida pós-tratamento. Esses avanços representam um importante foco de pesquisa nas próximas décadas. SOUZA et al 2026.
2. METODOLOGIA
Este estudo trata-se de uma revisão narrativa com o propósito de discutir e descrever sobre a gravidez ectópica. Foi utilizado o banco de dados: SciElo (Scientific Electronic Library Online) e PubMed (US National Library of Medicine), com dados científicos de 10 de agosto de 2024, com restrição de idioma (português) e com restrição dos últimos 10 anos da publicação.
Estratégia de pesquisa
Foi utilizado os unitermos para ir de encontro à temática, Ginecologia , com um desenho prospectivo: “Ectópica”, “Brasil”. Para complementar as buscas nas bases de dados, revisamos todas as referências dos artigos selecionados e dos artigos de revisão.
Critérios de inclusão e exclusão
Utilizou-se os seguintes critérios de inclusão: estudo original publicado em periódico com corpo editorial; um estudo prospectivo investigando a gravidez ectópica como exposição (variável independente) para a ocorrência de abdome agudo + morte, sejam elas iniciais ou tardias (variáveis dependentes).
Dentro do banco de dados da SciElo, foram selecionados 19 artigos de 770 artigos, dos quais, foram excluídos 10 e incluídos 9. Assim como, foram selecionados 50 de 188 artigos do PubMed, onde foram excluídos 40 e incluídos 10. Foram excluídos, resumos, cartas aos editores, editoriais, comentários,estudos que relataram somente uma análise transversal, ensaios, estudos qualitativos, estudos que relataram método de pesquisa ou validação de instrumento e estudos de acompanhamento que não tiveram um grupo de comparação (não exposto a gravidez ectópica) ou abdome agudo/morte como desfecho (variável dependente).
Seleção e Extração dos artigos
A seleção dos estudos foi realizada de forma independente pelo autor principal, seguindo três etapas: I- análise dos títulos dos artigos, II- leitura dos resumos e III- leitura dos textos completos. A cada fase, caso houvesse divergências, um segundo autor era solicitado a julgar, e a decisão final era tomada por consenso ou maioria.
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
A gravidez ectópica caracteriza-se pela implantação do blastocisto fora da cavidade uterina, sendo a tuba uterina o local mais acometido, especialmente a região ampular. A fisiopatologia está relacionada, na maioria dos casos, a alterações anatômicas ou funcionais das tubas, que dificultam o transporte do embrião até o endométrio. Processos inflamatórios prévios, como doença inflamatória pélvica, promovem dano epitelial ciliado e fibrose, interferindo na motilidade tubária e favorecendo a implantação ectópica (CUNNINGHAM et al., 2022).
Do ponto de vista molecular, alterações na expressão de citocinas, fatores de crescimento e moléculas de adesão também contribuem para a implantação anômala. O ambiente inflamatório decorrente de infecções pélvicas pode modificar a receptividade tubária, tornando-a inadequadamente permissiva à nidação. Além disso, fatores hormonais que alteram o peristaltismo tubário podem participar do processo fisiopatológico (SHAW; DIAMOND; HERRING, 2019).
Clinicamente, a apresentação clássica da gravidez ectópica inclui a tríade de dor abdominal, amenorreia e sangramento vaginal irregular. Entretanto, essa tríade está presente em apenas parte dos casos, o que pode dificultar o reconhecimento precoce. A dor pode variar de leve a intensa, tornando-se súbita e grave nos casos de ruptura tubária, associada a sinais de irritação peritoneal e instabilidade hemodinâmica (ACOG, 2018).
Nos quadros de ruptura, ocorre hemorragia intraperitoneal decorrente da invasão trofoblástica da parede tubária e erosão vascular, configurando emergência médica. A paciente pode apresentar hipotensão, taquicardia, palidez cutaneomucosa e síncope, caracterizando choque hipovolêmico. Nesses casos, o reconhecimento rápido e a intervenção imediata são determinantes para redução da mortalidade materna (CUNNINGHAM et al., 2022).
O diagnóstico baseia-se na associação entre dosagem sérica de beta-hCG e ultrassonografia transvaginal. Valores de beta-hCG acima da zona discriminatória sem visualização de saco gestacional intrauterino sugerem fortemente gravidez ectópica. A ultrassonografia pode evidenciar massa anexial, saco gestacional ectópico ou líquido livre em fundo de saco de Douglas, auxiliando na confirmação diagnóstica (HOOVER; TAO; SMITH, 2023).
O tratamento depende das condições clínicas da paciente, dos níveis de beta-hCG e dos achados ultrassonográficos. Em casos estáveis e selecionados, o tratamento medicamentoso com metotrexato é opção eficaz, promovendo regressão do tecido trofoblástico. Já em situações de instabilidade hemodinâmica ou contraindicação ao tratamento clínico, está indicada intervenção cirúrgica, preferencialmente por laparoscopia, com salpingostomia ou salpingectomia (ACOG, 2018).
Atualmente, um dos principais desafios envolve o diagnóstico precoce e a preservação da fertilidade futura. O manejo individualizado, considerando desejo reprodutivo, extensão do dano tubário e fatores de risco associados, é fundamental para melhores desfechos. A abordagem integrada entre emergência, ginecologia e seguimento ambulatorial contribui para redução de complicações e recorrência (MARION; MEEKS, 2012).
4. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se que a gravidez ectópica constitui uma condição ginecológica de alta relevância clínica, cuja fisiopatologia envolve alterações anatômicas, inflamatórias e hormonais que comprometem o transporte embrionário e favorecem a implantação extrauterina. Sua apresentação clínica pode variar de quadros inespecíficos até situações de emergência com risco iminente de vida, especialmente nos casos de ruptura tubária. O diagnóstico precoce, baseado na correlação entre beta-hCG sérico e ultrassonografia transvaginal, é fundamental para reduzir complicações. O manejo deve ser individualizado, podendo envolver tratamento medicamentoso ou cirúrgico conforme estabilidade hemodinâmica e condições clínicas, sempre com foco na preservação da vida materna e, quando possível, da fertilidade futura.
REFERÊNCIAS
MARION, L. L.; MEEKS, G. R. Ectopic pregnancy: history, incidence, epidemiology, and risk factors. Clinical Obstetrics and Gynecology, v. 55, n. 2, p. 376-386, 2012. DOI: 10.1097/GRF.0b013e3182516d7b.
[VADAKEKUT, E. S.; GNUGNOLI, D. M.]. Ectopic Pregnancy. StatPearls, 2025. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK539860/. Acesso em: fev. 2026.
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GRAVIDEZ ECTÓPICA: UMA ABORDAGEM ABRANGENTE SOBRE SEU DIAGNÓSTICO, SINTOMAS E TRATAMENTO. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 8, 2024. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/2784. Acesso em: fev. 2026.
Gravidez ectópica – Sintomas, diagnóstico e tratamento. BMJ Best Practice, 2026. Disponível em: https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/174. Acesso em: fev. 2026.
Gleice de Oliveira Santos et al. Vivência de mulheres que tiveram gravidez ectópica. Ciência, Cuidado e Saúde, 2025. Disponível em: https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/CiencCuidSaude/article/view/66030. Acesso em: fev. 2026
ACOG – AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGISTS. Practice Bulletin No. 193: Tubal Ectopic Pregnancy. Obstetrics & Gynecology, Washington, v. 131, n. 3, p. e91–e103, 2018.
CUNNINGHAM, F. G. et al. Williams Obstetrics. 26. ed. New York: McGraw-Hill Education, 2022.
HOOVER, K.; TAO, G.; SMITH, K. Ectopic Pregnancy. In: STATPEARLS. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2023.
MARION, L. L.; MEEKS, G. R. Ectopic pregnancy: history, incidence, epidemiology, and risk factors. Clinical Obstetrics and Gynecology, Philadelphia, v. 55, n. 2, p. 376–386, 2012.
SHAW, J. L. V.; DIAMOND, M. P.; HERRING, A. H. Pathophysiology of ectopic pregnancy. Human Reproduction Update, Oxford, v. 25, n. 4, p. 439–457, 2019.
BOUYER, J. et al. Risk factors for ectopic pregnancy: a comprehensive analysis. American Journal of Epidemiology, Oxford, v. 157, n. 3, p. 185–194, 2003.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Managing complications in pregnancy and childbirth: a guide for midwives and doctors. 2. ed. Geneva: WHO Press, 2017.
