ANÁLISE E DIMENSIONAMENTO DE UMA INSTALAÇÃO ELÉTRICA DE BAIXA TENSÃO DE UMA INDÚSTRIA LOCALIZADA EM MANAUS

ANALYSIS AND SIZING OF A LOW-VOLTAGE ELECTRICAL INSTALLATION OF AN INDUSTRY LOCATED IN MANAUS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202510212258


Rodrigo dos Santos da Cruz1
Prof. Gabriel Monte Paiva2
Prof. Igor Nonato Almeida Pereira3


Resumo 

O artigo apresenta o estudo e a execução de um projeto de reforma e modernização  da instalação elétrica de baixa tensão do bloco B da Isheng Brasil Indústria e Comércio  de Componentes Eletrônicos, localizada no Distrito Industrial de Manaus – AM. O trabalho  teve como objetivo restabelecer a segurança, a confiabilidade e a eficiência do sistema  elétrico da edificação, que apresentava deterioração avançada, com cabos queimados,  disjuntores obsoletos, ausência de dispositivos de proteção e eletrocalhas degradadas. A  pesquisa iniciou-se com uma análise preliminar e vistorias visuais, seguidas de  levantamento técnico detalhado e elaboração de um projeto de adequação conforme os  requisitos da ABNT NBR 5410:2004 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão. As  intervenções compreendem a substituição integral da fiação, a instalação de novos  quadros de distribuição (QGBT, QDFL e QDAC), o redimensionamento dos condutores e a  implementação de dispositivos de proteção contra surtos e aterramento. Após a execução,  foram realizados testes de continuidade elétrica e resistência de isolamento, que  comprovaram a conformidade da instalação com as normas vigentes. Os resultados  evidenciaram ganhos expressivos em segurança, eficiência e confiabilidade, demonstrando  a importância da atualização e manutenção preventiva de instalações elétricas industriais. 

Palavras-chave: Instalações elétricas. Reforma industrial. NBR 5410. Eficiência  elétrica. Segurança operacional. 

1. INTRODUÇÃO 

As instalações elétricas de baixa tensão constituem um dos elementos  fundamentais no funcionamento de edificações industriais, sendo responsáveis pela  distribuição segura e eficiente de energia elétrica aos sistemas de iluminação,  climatização, força e automação. De acordo com Lima (2018), o correto  dimensionamento e a atualização normativa dessas instalações são determinantes  para garantir a segurança das pessoas e a integridade dos equipamentos, além de  assegurar a eficiência energética e o desempenho operacional do sistema. 

A ABNT NBR 5410:2004 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão define  critérios técnicos mínimos para projeto, execução e manutenção de sistemas  elétricos, abrangendo aspectos de proteção contra choques elétricos,  sobrecorrentes, sobretensões e quedas de tensão (LIMA, 2018). Entretanto, como  destaca Rodrigues (2022), ainda é recorrente a presença de instalações  envelhecidas ou projetadas sob normas desatualizadas, o que gera riscos de falhas  operacionais, perdas energéticas e acidentes elétricos, especialmente em ambientes  industriais com alta demanda de carga. 

A localização e a distribuição dos quadros gerais de baixa tensão (QGBT)  também exercem influência significativa sobre o desempenho do sistema. Conforme  Abreu (2018), a alocação adequada dos quadros reduz a extensão dos condutores,  minimiza perdas por efeito Joule e otimiza o consumo energético, contribuindo para  a redução de custos operacionais e maior confiabilidade do fornecimento. 

No contexto industrial de Manaus, observa-se que muitas edificações operam  há décadas com instalações defasadas, sem adequações às normas vigentes. Essa  realidade se reflete no caso estudado da Isheng Brasil Indústria e Comércio de  Componentes Eletrônicos, localizada no Distrito Industrial, cujo bloco B apresentava  mais de vinte anos de uso e sérias anomalias elétricas — cabos principais e  secundários queimados, painéis sem proteção, disjuntores obsoletos e eletrocalhas  comprometidas —, configurando elevado risco estrutural e operacional. 

Diante desse cenário, foi desenvolvido um projeto completo de reforma e  modernização da instalação elétrica de baixa tensão, contemplando análise  diagnóstica, levantamento técnico, redimensionamento de condutores e substituição integral dos quadros de distribuição, conforme os critérios técnicos e de segurança  estabelecidos pela ABNT NBR 5410:2004 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão.  O estudo busca demonstrar, por meio de um caso real, a aplicação prática das  normas e boas práticas de engenharia elétrica na modernização de sistemas  industriais, evidenciando os ganhos obtidos em segurança, confiabilidade e  eficiência após a readequação do sistema elétrico do bloco B da Isheng Brasil. 

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 

O estudo sobre instalações elétricas de baixa tensão tem sido amplamente  abordado em pesquisas acadêmicas e técnicas, principalmente pela sua relevância  para a segurança, eficiência e continuidade operacional em edificações e ambientes  industriais. Trabalhos recentes como o de Rodrigues (2022) e Borba (2024)  enfatizam o dimensionamento de cabos e a escolha criteriosa de condutores como  fatores essenciais para evitar falhas, perdas energéticas e riscos de acidentes. Já  Abreu (2018) destaca a importância da correta alocação de quadros gerais de baixa  tensão (QGBT) como medida de confiabilidade e eficiência no fornecimento de  energia. 

No mesmo sentido, Demarchi (2022) reforça que as principais patologias em  instalações elétricas estão relacionadas a curtos-circuitos, fuga de corrente e falhas  de isolação, que comprometem tanto a segurança quanto o desempenho do  sistema. Para minimizar tais problemas, a autora defende a necessidade de  inspeções periódicas e dimensionamento adequado conforme critérios técnicos,  evitando sobrecargas e falhas nos dispositivos de proteção 

A ABNT NBR 5410:2004 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão – constitui a  principal referência normativa para o projeto e execução dessas instalações. Ela  estabelece critérios para: 

  • determinação da seção mínima dos condutores considerando queda de  tensão, capacidade de condução e aquecimento admissível; 
  • seleção e coordenação de dispositivos de proteção contra sobrecorrente, curto-circuito e contatos indiretos; 
  • divisão adequada de circuitos, visando confiabilidade e manutenção; 
  • dimensionamento de sistemas de aterramento e proteção contra choques elétricos.

Além disso, a norma enfatiza que a instalação deve atender simultaneamente  aos requisitos de segurança e funcionalidade, garantindo continuidade no  fornecimento e minimizando custos de operação e manutenção. 

A revisão dos trabalhos evidencia que, apesar de existirem metodologias  consolidadas para o dimensionamento técnico e econômico, ainda há lacunas  quando se trata de aplicar esses conceitos a casos reais de indústrias específicas,  como as localizadas em Manaus. Esse contexto justifica a presente pesquisa, que  busca analisar criticamente a instalação elétrica existente em uma indústria local e, a  partir das não conformidades encontradas, propor uma nova instalação que atenda  aos critérios estabelecidos pela ABNT NBR 5410:2004 – Instalações Elétricas de  Baixa Tensão e às demandas operacionais da planta. 

3. METODOLOGIA  

A metodologia adotada para o desenvolvimento deste estudo baseou-se em  um levantamento técnico detalhado, seguido da elaboração e execução de um  projeto de reforma e modernização da instalação elétrica do bloco B da Isheng Brasil  Indústria e Comércio de Componentes Eletrônicos, localizada no Distrito Industrial  de Manaus – AM. O processo foi dividido em etapas sequenciais, envolvendo  inspeções visuais, análises técnicas, elaboração de projeto executivo e supervisão  da execução conforme os requisitos da ABNT NBR 5410:2004 – Instalações  Elétricas de Baixa Tensão. 

Inicialmente, foi realizada uma análise preliminar da edificação, com o objetivo  de identificar o estado real das instalações elétricas existentes. Essa análise  envolveu vistorias visuais em todos os pavimentos, nas quais foram detectadas  diversas anomalias, tais como cabos queimados, disjuntores obsoletos, ausência de  dispositivos de proteção contra surtos, eletrocalhas degradadas e painéis sem  proteção mecânica adequada. O levantamento foi documentado por meio de  registros fotográficos e relatórios técnicos elaborados pela equipe de engenharia  elétrica.

Pavimento 1 antes do projeto.

Fonte: Autoria própria (2025).

Com base nas informações coletadas, a equipe de engenharia da Isheng  Brasil elaborou um plano de ação técnico, definindo as intervenções necessárias  para restabelecer a segurança e a funcionalidade da instalação. Nessa etapa, foram  determinados os componentes que precisam ser substituídos, as seções de  condutores adequadas para cada circuito, e as recomendações para redistribuição  de cargas, conforme as exigências da ABNT NBR 5410:2004 – Instalações Elétricas  de Baixa Tensão, principalmente nos itens relacionados à capacidade de condução  de corrente, proteção contra sobrecorrente e queda de tensão. 

Posteriormente, foi desenvolvido o projeto de reforma elétrica, contemplando  o dimensionamento de novos cabos principais e secundários, a instalação de  quadros de distribuição setorizados (QDFL e QDAC), a inclusão de dispositivos de  proteção contra surtos (DPS) e disjuntores termomagnéticos seletivos, além da  reorganização das eletrocalhas metálicas galvanizadas e da padronização do  aterramento elétrico. O projeto foi elaborado com base em normas nacionais e  referências técnicas atualizadas, garantindo conformidade e segurança operacional. 

Esboço inicial dos projetos dos pavimentos 1 e 2 respectivamente.

Fonte: Autoria própria (2025).

Antes do início da execução, a equipe de Segurança do Trabalho da empresa  realizou uma avaliação completa das condições do ambiente, emitindo autorização  para início das atividades apenas após a certificação de que o local atendia aos  requisitos de segurança ocupacional. Foram implementadas medidas preventivas  como sinalização de áreas de risco, bloqueio de circuitos energizados e uso  obrigatório de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) por todos os envolvidos  na obra. 

Durante a execução, as atividades foram acompanhadas por engenheiros  eletricistas responsáveis, que monitoram o cumprimento do projeto e das normas  técnicas, garantindo que todas as conexões, fixações e dispositivos fossem  instalados conforme especificação. Após a conclusão, foram realizados testes de  continuidade elétrica, resistência de isolamento e funcionamento dos dispositivos de  proteção, assegurando o desempenho pleno e a conformidade do sistema  reformado. 

Essa metodologia garantiu um processo seguro, controlado e tecnicamente  embasado, resultando em uma instalação elétrica moderna, eficiente e conforme aos  padrões de qualidade exigidos pela Isheng Brasil e pela legislação técnica vigente. 

4. RESULTADOS  

4.1 Diagnóstico da Instalação Existente 

O bloco B da empresa Isheng Brasil Indústria e Comércio de Componentes  Eletrônicos, localizado na Rua Acará, nº 200, no Distrito Industrial de Manaus – AM,  apresentava condições bastante críticas em relação à sua infraestrutura elétrica e  física. A instalação elétrica existente conta com mais de vinte anos de uso, e estava  totalmente comprometida. Os cabos principais encontravam-se queimados e sem  condições de suportar a carga instalada, comprometendo tanto a segurança quanto  a confiabilidade do fornecimento de energia.

A edificação possui três pavimentos e apresentava características estruturais  antigas, com forro em madeira e dutos de ar-condicionado em estado avançado de  corrosão. As eletrocalhas estavam degradadas, a pintura do ambiente desgastada e  os painéis elétricos não possuíam proteções adequadas, o que aumentava  significativamente o risco de acidentes elétricos e incêndios. Além disso, os  disjuntores eram antigos e tecnologicamente defasados, sem atender aos critérios  mínimos de seletividade e coordenação de proteção estabelecidos pela ABNT NBR  5410:2004 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão. 

Nesse cenário, observava-se que a instalação não oferecia condições de  operação segura e confiável, estando sujeita a falhas frequentes, interrupções no  fornecimento de energia e riscos à integridade física de trabalhadores e  equipamentos. Tais deficiências reforçam a necessidade de uma análise técnica  detalhada e a proposição de um novo projeto de instalação elétrica que assegure  conformidade normativa, segurança operacional e desempenho adequado para a  demanda industrial do bloco. 

4.2 Avaliação das Não Conformidades 

A análise técnica da instalação elétrica existente no bloco B da Isheng Brasil  Indústria e Comércio de Componentes Eletrônicos evidenciou uma série de não  conformidades em relação às exigências da ABNT NBR 5410:2004 – Instalações  Elétricas de Baixa Tensão, comprometendo a segurança e a funcionalidade do  sistema. 

Em primeiro lugar, verificou-se que os cabos principais estavam queimados e  não suportavam a carga instalada, o que representa falha direta no atendimento aos  critérios de capacidade de condução de corrente e proteção contra sobrecarga previstos na norma (Seção 6.2.5). Tal condição implica em riscos de aquecimento  excessivo, incêndios e interrupções não programadas no fornecimento de energia. 

Os painéis elétricos estavam desprovidos de proteções adequadas,  descumprindo os requisitos da ABNT NBR 5410:2004 – Instalações Elétricas de  Baixa Tensão referentes à proteção contra contatos diretos e indiretos (Seção 5.1.2).  Além disso, os disjuntores eram antigos e tecnologicamente defasados, não  garantindo a seletividade e a coordenação necessárias entre os dispositivos de  proteção. Isso aumentava o risco de falhas em cascata, nas quais uma  sobrecorrente em um circuito poderia comprometer toda a instalação.

Outro aspecto relevante foi o estado das eletrocalhas degradadas e da  estrutura física obsoleta, incluindo forro de madeira e dutos de ar-condicionado  enferrujados. Embora esses elementos façam parte da infraestrutura de apoio, a  ABNT NBR 5410:2004 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão estabelece que os  condutores devem estar protegidos contra influências externas (Seção 5.1.4), o que  não era atendido, ampliando a vulnerabilidade a curtos-circuitos e falhas de  isolamento. 

A ausência de manutenção preventiva ao longo de mais de vinte anos  agravou os problemas, gerando quedas de tensão acima dos limites permitidos (5%  em circuitos terminais, conforme Seção 6.2.7.2.2 da norma) e elevando o risco de  danos a equipamentos eletrônicos sensíveis. 

Portanto, os principais erros identificados podem ser resumidos em: • Condutores subdimensionados e danificados, incapazes de suportar a  carga instalada; 

  • Painéis elétricos sem proteções adequadas; 
  • Disjuntores obsoletos, sem seletividade e coordenação; 
  • Eletrocalhas e dutos em estado degradado, comprometendo a proteção  mecânica dos cabos; 
  • Quedas de tensão superiores aos limites normativos; 
  • Falta de conformidade geral com a ABNT NBR 5410:2004 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão, colocando em risco pessoas, equipamentos e a  continuidade do processo industrial. 

Essa análise reforça a necessidade de uma proposta de correção que  contemple o redimensionamento dos condutores, a modernização dos quadros  elétricos e a adequação completa da instalação aos critérios técnicos e normativos  vigentes. 

4.3 Proposta de Correção 

Com base no diagnóstico realizado, foi elaborada uma proposta de correção  voltada a restabelecer a segurança, a confiabilidade e a eficiência da instalação  elétrica do bloco B da Isheng Brasil Indústria e Comércio de Componentes  Eletrônicos, localizado no Distrito Industrial de Manaus. O novo projeto contempla a  substituição integral dos elementos comprometidos e o redimensionamento dos condutores e dispositivos de proteção conforme os critérios estabelecidos pela  ABNT NBR 5410:2004 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão. 

O primeiro passo da correção consiste na substituição de toda a fiação  elétrica do bloco, incluindo cabos principais e secundários, dimensionados de acordo  com a capacidade de condução de corrente, levando em consideração os fatores de  correção por agrupamento, temperatura ambiente e tipo de instalação. Dessa forma,  assegura-se que os condutores suportem adequadamente a carga instalada,  eliminando o risco de sobreaquecimento e aumentando a vida útil do sistema. 

Em seguida, propõe-se a modernização dos quadros de distribuição, com a  instalação de painéis elétricos devidamente protegidos contra contatos diretos e  indiretos, atendendo às exigências da seção 5.1.2 da ABNT NBR 5410:2004 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão. Esses painéis deverão contar com  dispositivos de proteção atualizados, incluindo disjuntores termomagnéticos e  dispositivos de proteção contra surtos (DPS), dimensionados de forma seletiva para  evitar desligamentos indevidos e proteger os equipamentos da indústria contra  sobretensões transitórias. 

Quanto às eletrocalhas e dutos deteriorados, a proposta prevê a substituição  por novas estruturas metálicas galvanizadas, devidamente dimensionadas e fixadas,  garantindo a proteção mecânica dos cabos contra esforços externos e a organização  adequada dos circuitos. Esse procedimento atende às exigências da norma no que  se refere à proteção dos condutores contra influências externas (Seção 5.1.4). 

Além disso, recomenda-se a reorganização dos circuitos por pavimento,  redistribuindo as cargas de forma equilibrada entre os três andares do bloco. Essa  medida contribui para reduzir quedas de tensão, manter o fator de potência  adequado e evitar sobrecargas localizadas. 

Por fim, sugere-se a implementação de um plano de manutenção preventiva, com inspeções periódicas nos quadros, testes de funcionamento dos dispositivos de  proteção e medições de parâmetros elétricos (corrente, tensão, potência e fator de  potência). Esse plano é fundamental para garantir a continuidade operacional da  indústria e prevenir falhas futuras. 

Dessa forma, a proposta de correção assegura a conformidade normativa, a  segurança dos trabalhadores e a confiabilidade do fornecimento elétrico,  possibilitando que a unidade industrial opere dentro dos padrões técnicos exigidos e  com maior eficiência.

4.4 Execução do Projeto Elétrico 

Após a análise detalhada das não conformidades e a elaboração das  adequações técnicas, procedeu-se à execução do novo projeto elétrico para o bloco  B da Isheng Brasil Indústria e Comércio de Componentes Eletrônicos, localizado no  Distrito Industrial de Manaus – AM. O desenvolvimento do projeto seguiu  rigorosamente os critérios técnicos da ABNT NBR 5410:2004 – Instalações Elétricas  de Baixa Tensão, contemplando todas as etapas de dimensionamento, distribuição e  proteção dos circuitos. 

Inicialmente, foi realizado o dimensionamento dos condutores elétricos,  considerando o levantamento das cargas por setor e o agrupamento dos circuitos  em função do tipo de utilização. Foram aplicados os fatores de correção por  temperatura ambiente, agrupamento e comprimento dos circuitos, garantindo que as  seções dos condutores suportam adequadamente a corrente de projeto sem  exceder os limites de aquecimento admissíveis. 

Na sequência, elaborou-se o diagrama unifilar completo do bloco,  contemplando dois pavimentos da edificação. Esse diagrama definiu o trajeto dos  alimentadores, as interligações entre os quadros e as proteções associadas a cada  circuito. A partir dele, foi possível identificar a melhor disposição dos condutores e  minimizar as perdas elétricas, assegurando a eficiência energética da instalação. 

Os quadros de distribuição foram projetados conforme as demandas  específicas de cada pavimento, incluindo disjuntores termomagnéticos e dispositivos  de proteção contra surtos (DPS) em conformidade com as recomendações  normativas. O dimensionamento dos disjuntores foi realizado com base na corrente  de projeto (Ib), corrente nominal (In) e corrente de ajuste (Iz) dos condutores,  garantindo a seletividade e a coordenação entre as proteções. 

Também foi implementado um sistema de aterramento padronizado, interligando todos os quadros e carcaças metálicas a um barramento principal de  equipotencialização, conforme o item 5.4.3 da ABNT NBR 5410:2004 – Instalações  Elétricas de Baixa Tensão. Essa medida assegura a proteção contrachoques elétricos e a integridade dos equipamentos. 

Durante a execução do projeto, optou-se pela instalação de eletrocalhas  metálicas galvanizadas, com fixação elevada e adequada ventilação, favorecendo o  controle térmico dos cabos e o acesso para futuras manutenções. A instalação dos novos condutores foi acompanhada de um sistema de identificação padronizada, facilitando a rastreabilidade dos circuitos e a inspeção técnica. 

Por fim, foi realizado o comissionamento elétrico, com medições de  continuidade, resistência de isolamento e ensaios de funcionamento dos disjuntores  e DPS, confirmando a conformidade do sistema com os parâmetros de projeto. Os  resultados dessas medições demonstraram significativa melhora na estabilidade da  rede elétrica interna, além de aumento na segurança operacional. 

4.5 Comparativo Técnico 

Após a execução do projeto elétrico no bloco B da Isheng Brasil Indústria e  Comércio de Componentes Eletrônicos, foi possível comparar de forma objetiva as  condições anteriores da instalação com a nova configuração implantada, verificando  ganhos significativos em termos de segurança, desempenho e conformidade  normativa. 

As figuras 1,2 e 3 correspondem ao Quadro Geral de Baixa Tensão (QGBT), instalado no primeiro pavimento, que passou a ser o ponto central de distribuição de  energia do bloco. O quadro foi totalmente reconstruído, recebendo disjuntor principal  Schneider com regulagem de corrente de até 400 A, permitindo ajustes conforme a  demanda operacional. Foram utilizados barramentos de cobre compatíveis com a  corrente de projeto, devidamente isolados e identificados conforme as  recomendações da ABNT NBR 5410:2004 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão,  item 6.2.6.3, que trata da identificação de fases e condutores. Além disso, o QGBT  recebeu dispositivos de proteção contra surtos (DPS), garantindo proteção contra  sobretensões transitórias e melhorando a confiabilidade do sistema.

Figura 1 – Montagem dos barramentos de cobre e disjuntores  termomagnéticos.

Fonte: Autoria própria (2025).

Figura 2 – Montagem do QGBT principal (disjuntor 400 A e DPS instalados).

Fonte: Autoria própria (2025).

Figura 3 – QGBT finalizado com barramentos isolados e conexões testadas.

Fonte: Autoria própria (2025).

As figuras 4, 5 e 6 mostram os quadros de distribuição de luz e força (QDFL) e o quadro de ar-condicionado (QDAC) instalados no primeiro pavimento do bloco B.  Ambos foram montados com fiação totalmente nova, composta por cabos de cobre  isolados em PVC 750 V, e devidamente dimensionados de acordo com a corrente de  projeto e os critérios de queda de tensão estabelecidos pela ABNT NBR 5410:2004  – Instalações Elétricas de Baixa Tensão. 

Os cabos foram roteados por eletrocalhas metálicas galvanizadas com tampa  perfurada, assegurando proteção mecânica, melhor dissipação térmica e facilidade  de inspeção e manutenção. O roteamento foi planejado para evitar cruzamentos de  circuitos e minimizar o risco de interferência eletromagnética, atendendo ao item  6.2.11.1 da ABNT NBR 5410:2004 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão, que  trata da separação entre circuitos de diferentes finalidades. 

A disposição interna dos circuitos nos quadros obedeceu rigorosamente ao  princípio de segregação funcional, com a separação física e elétrica entre: 

  • Circuitos de iluminação – com condutores de seção reduzida, protegidos por disjuntores de menor corrente nominal;
  • Circuitos de tomadas de uso geral (TUGs) – projetados para suportar cargas intermediárias, com disjuntores independentes e identificação individual;
  • Circuitos de climatização e força (QDAC) – dedicados exclusivamente aos sistemas de ar-condicionado, com cabos e disjuntores dimensionados para  correntes mais elevadas, conforme a potência dos equipamentos instalados. Além disso, foram utilizados dispositivos de proteção contra surtos (DPS) na  entrada de cada quadro, garantindo a proteção dos equipamentos eletrônicos  sensíveis contra transientes de tensão, conforme o item 5.4.2.2 da ABNT NBR  5410:2004 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão. Os barramentos de neutro e de  proteção (PE) foram fixados em trilhos independentes, com ligações equipotenciais  entre os quadros, conforme recomenda o item 6.4.3.3 da norma. A organização interna dos condutores foi realizada com o uso de canaletas de  PVC autoextinguível, garantindo um acabamento limpo, seguro e tecnicamente  eficiente. Todos os circuitos foram identificados por etiquetas termo retráteis com  numeração sequencial, facilitando futuras intervenções de manutenção e inspeção  técnica. 

A execução seguiu as boas práticas de engenharia elétrica industrial,  priorizando a segurança operacional, a padronização visual e a facilidade de  expansão futura, uma vez que o layout do sistema permite acréscimos de circuitos  sem a necessidade de grandes intervenções estruturais. 

Figura 4 – Instalação das novas eletrocalhas metálicas no primeiro pavimento.

Fonte: Autoria própria (2025).

Figura 5 – Montagem do QDFL e QDAC no primeiro pavimento.

Fonte: Autoria própria (2025).

Figura 6 – Painéis prontos e identificados, com cabos distribuídos nas  eletrocalhas.

Fonte: Autoria própria (2025).

As figuras 7, 8 e 9 apresentam as instalações elétricas do segundo pavimento da unidade da Isheng Brasil Indústria e Comércio de Componentes Eletrônicos, onde também foram implantados um Quadro de Distribuição de Luz e Força (QDFL) e um Quadro de Distribuição de Ar-Condicionado (QDAC). Assim como no primeiro pavimento, o sistema foi completamente renovado, com a substituição integral dos  cabos principais e secundários, painéis, disjuntores e dispositivos de proteção. Os quadros foram alimentados diretamente a partir do QGBT principal,  localizado no térreo, por meio de alimentadores de cobre isolados e dimensionados  segundo a corrente nominal de operação, considerando os fatores de agrupamento,  temperatura ambiente e queda de tensão máxima de 4%, conforme item 6.2.7.2 da  ABNT NBR 5410:2004 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão. A alimentação foi  roteada por eletrocalhas metálicas galvanizadas, interligadas verticalmente entre os  pavimentos, assegurando a continuidade elétrica e o aterramento estrutural. Cada quadro foi equipado com disjuntores termomagnéticos de alta  confiabilidade, montados em trilhos DIN, garantindo seletividade e coordenação com  os dispositivos a montante. Além dos DPS instalados na entrada, foram  implementados barramentos independentes de neutro (N) e proteção (PE), fixados  em suporte isolante, com conexões equipotenciais entre todos os painéis, conforme  estabelece o item 5.4.3.2 da ABNT NBR 5410:2004 – Instalações Elétricas de Baixa  Tensão. 

A organização interna dos condutores foi planejada para assegurar ventilação  adequada e facilidade de manutenção, utilizando canaletas técnicas internas e  amarras plásticas com espaçamento regular, conforme boas práticas de montagem  de painéis elétricos. Todos os terminais foram prensados com conectores tipo pino  ou olhal, evitando aquecimento por mau contato. 

A distribuição dos circuitos do segundo pavimento seguiu o mesmo conceito  de setorização do pavimento inferior: 

  • QDFL destinado aos circuitos de iluminação e tomadas de uso geral,  com circuitos balanceados entre as fases; 
  • QDAC exclusivo para as unidades de climatização, com disjuntores de  curva C adequados às cargas indutivas dos compressores. 

Essa configuração setorizada permite isolamento rápido de falhas, melhor  gestão de consumo energético e redução de perdas elétricas. Além disso, os  condutores foram identificados por anilhas codificadas, e cada circuito foi registrado em prancha de diagrama unifilar, fixada no interior das portas dos quadros — medida que facilita futuras intervenções técnicas e inspeções periódicas, conforme  recomenda o item 6.6.4 da ABNT NBR 5410:2004 – Instalações Elétricas de Baixa  Tensão. 

Por fim, todos os sistemas foram submetidos a ensaios de continuidade  elétrica, isolamento e funcionamento, conforme os procedimentos descritos no item  9.1 da ABNT NBR 5410:2004 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão, atestando o  pleno desempenho do novo sistema. A instalação passou a atender integralmente às  exigências de segurança, eficiência e organização exigidas em ambientes industriais  modernos, eliminando os riscos anteriormente identificados e garantindo maior  confiabilidade operacional para o setor produtivo da Isheng Brasil. 

Figura 7 – Instalação dos quadros no segundo pavimento.

Fonte: Autoria própria (2025).

Figura 8 – Vista lateral dos painéis do segundo pavimento.

Fonte: Autoria própria (2025).

Figura 9 – Quadros finalizados e interligados ao QGBT principal.

Fonte: Autoria própria (2025).

5. CONCLUSÃO 

O bloco B da Isheng Brasil Indústria e Comércio de Componentes Eletrônicos,  localizado na Rua Acará, nº 200, Distrito Industrial de Manaus – AM, apresentava  uma infraestrutura elétrica antiga, com mais de vinte anos de operação. A instalação  encontrava-se em estado crítico: todos os cabos principais e secundários estavam  deteriorados, vários condutores queimados, e os painéis de distribuição sem  qualquer tipo de proteção adequada. A estrutura física era composta por três  pavimentos – no terceiro pavimento não foi feito nada, uma vez que ainda não foi  definido o seu projeto – com forro de madeira, dutos de ar enferrujados, eletrocalhas  degradadas e pintura desgastada. Além disso, os disjuntores eram antigos, sem  seletividade, e não havia dispositivos de proteção contra surtos, o que compromete  seriamente a segurança e a confiabilidade do sistema elétrico. 

Diante desse cenário, foi elaborado um novo projeto elétrico completo, em  conformidade com a ABNT NBR 5410:2004 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão, visando restabelecer a segurança, a eficiência e a confiabilidade da instalação.  Todos os cabos principais e secundários foram substituídos por condutores de cobre  isolados em PVC 750 V, dimensionados conforme os critérios de capacidade de  condução de corrente, queda de tensão e fatores de correção por agrupamento e  temperatura ambiente. As antigas eletrocalhas foram trocadas por modelos  metálicos galvanizados, garantindo proteção mecânica, ventilação adequada e  facilidade de manutenção. 

O Quadro Geral de Baixa Tensão (QGBT) foi instalado no primeiro pavimento,  sendo o ponto de alimentação principal de todo o bloco. Este quadro foi equipado  com disjuntor Schneider ajustável até 400 A, barramentos de cobre isolados,  dispositivos de proteção contra surtos (DPS) e conexões devidamente prensadas e  identificadas. O barramento principal foi dimensionado para suportar a corrente  nominal da instalação, com margens de segurança previstas para expansões  futuras. 

O projeto priorizou também a estética e a manutenção, com identificação de  circuitos e sinalização conforme recomendações da norma.

REFERÊNCIAS 

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5410:2004 – Instalações elétricas de baixa tensão. Rio de Janeiro, 2004. 

ABREU, Jacksiel Barbosa de. Avaliação de critérios técnicos e econômicos para alocação  do quadro geral de baixa tensão (QGBT). Dissertação (Mestrado em Engenharia Elétrica) – Universidade Federal do Pará, Belém, 2018. 

LIMA, Monopoli. Revisão da norma ABNT NBR 5410:2004 – Instalações elétricas de  baixa tensão: proposta e análise de aprimoramentos técnicos. Trabalho de Conclusão de  Curso (Engenharia Elétrica) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2018. 

RODRIGUES, Carlos Henrique. Critérios de dimensionamento e distribuição de cabos em  sistemas elétricos industriais de baixa tensão. Revista Brasileira de Engenharia Elétrica, v.  28, n. 3, p. 45–60, 2022. 

SENGE, Peter, et al. Escolas que aprendem: um guia da Quinta Disciplina para educadores,  pais e todos que se interessam pela educação. Porto Alegre: Artmed, 2005. 

SIENA, Osmar. Metodologia da pesquisa científica: elementos para elaboração e  apresentação de trabalhos acadêmicos. Porto Velho: [s.n.], 2007. Disponível em:  http://www.mestradoadm.unir.br/site_antigo/doc/manualdetrabalhoacademicoatual.pdf.  Acesso em: 10 de janeiro de 2013.


11Discente do Curso Superior de Engenharia Elétrica da Universidade Nilton Lins
e-mail: 21000768@uniniltonlins.edu.br
2Docente do Curso Superior de Engenharia Elétrica da Universidade Nilton Lins. Especialista em coordenação e gestão de processos BIM.
3Docente do Curso Superior de Engenharia Elétrica da Universidade Nilton Lins. Mestrado em ciências e engenharia dos materiais.

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