ANÁLISE DOS EFEITOS DE EXERCÍCIOS EM CADEIA CINÉTICA ABERTA E  FECHADA NA RECUPERAÇÃO DE LESÕES EM LCA – UMA REVISÃO  BIBLIOGRÁFICA

ANALYSIS OF THE EFFECTS OF OPEN AND CLOSED KINETIC CHAIN EXERCISES  ON ACL INJURY REHABILITATION – A LITERATURE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202510120626


Cristhian de Farias Silva*
João Augusto Barbosa da Silva*
Gustavo Henrique Marques Moreno**


 RESUMO 

A lesão do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) é comum em esportes que exigem mudanças rápidas de  direção, saltos e impactos, sendo mais prevalente em atletas do sexo masculino. A LCA é responsável  por cerca de 85% da contenção do deslizamento anterior da tíbia em relação ao fêmur, além de  estabilizar a rotação do joelho. Seu rompimento ocorre, geralmente, por mecanismos de valgo  excessivo, rotação do joelho com o pé fixo ou trauma direto na lateral do joelho. O tratamento pode ser  cirúrgico, utilizando enxertos do tendão patelar ou dos flexores, ou conservador, indicado em lesões  parciais. A reabilitação pós-cirúrgica visa reduzir inflamações, preservar a amplitude de movimento  (ADM), manter equilíbrio, propriocepção e prevenir hipotrofia muscular. Este estudo, uma revisão  bibliográfica baseada no método PICO, busca comparar os efeitos dos exercícios em cadeia cinética  aberta (CCA) e cadeia cinética fechada (CCF) na reabilitação de atletas com LCA. Os resultados  preliminares apontam que a CCF oferece menor estresse articular e maior ativação muscular,  favorecendo propriocepção, equilíbrio e retorno seguro às atividades. Já a CCA, embora ofereça risco  de sobrecarga se utilizada precocemente, mostra-se eficiente nas fases intermediárias e finais para  fortalecimento específico, ADM e controle motor. O estudo defende a integração progressiva das duas  abordagens, respeitando as fases da cicatrização e as demandas esportivas, proporcionando uma  reabilitação eficiente, funcional e segura, além de enfatizar a importância da individualização dos  protocolos conforme o perfil do atleta. 

Palavras-chave: Cadeia Aberta. Cadeia Cinética Fechada. Lesão do Ligamento Cruzado Anterior.  Reabilitação Fisioterapêutica. 

ABSTRACT 

Anterior Cruciate Ligament (ACL) injury is common in sports that require quick changes of direction,  jumps, and impacts, being more prevalent in male athletes. The ACL is responsible for approximately  85% of the restraint of anterior tibial translation relative to the femur, as well as stabilizing knee rotation.  Its rupture generally occurs due to excessive valgus mechanisms, knee rotation with the foot fixed, or  direct trauma to the lateral side of the knee. Treatment can be surgical, using grafts from the patellar  tendon or hamstrings, or conservative, indicated in partial injuries. Post-surgical rehabilitation aims to  reduce inflammation, preserve range of motion (ROM), maintain balance, proprioception, and prevent  muscle hypotrophy. This study, a bibliographic review based on the PICO method, aims to compare the  effects of open kinetic chain (OKC) and closed kinetic chain (CKC) exercises in the rehabilitation of  athletes with ACL injuries. Preliminary results indicate that CKC exercises provide less joint stress and  greater muscle activation, promoting proprioception, balance, and a safer return to activities. OKC  exercises, although posing a risk of overload if used too early, are effective in the intermediate and final  phases for specific strengthening, ROM gains, and motor control. The study advocates the progressive  integration of both approaches, respecting tissue healing phases and sports demands, providing  efficient, functional, and safe rehabilitation. It also emphasizes the importance of individualizing  protocols according to the athlete’s profile. 

Keywords: Closed Kinetic Chain. Anterior Cruciate Ligament Injury. Physiotherapy Rehabilitation.

1. INTRODUÇÃO 

A lesão do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) acomete a articulação do joelho  e está frequentemente associada a atividades que envolvem impactos diretos de alta  intensidade ou mudanças bruscas de direção. O mecanismo de lesão geralmente  decorre de trauma direto na face lateral do joelho, resultando em um estresse em  valgo excessivo, inclinação ipsilateral do tronco ou impacto na região posterior da tíbia,  ocasionando seu deslizamento anterior exagerado, além de rotação do joelho com o  pé fixo ao solo (Munhoz et al., 2022).  

De acordo com Brandão et al. (2022), o LCA é capaz de suportar forças de até  2500 N, sendo responsável por aproximadamente 85% da contenção contra o  deslocamento anterior da tíbia em relação ao fêmur. Ademais, exerce papel  estabilizador durante os movimentos de rotação interna e externa do joelho. Nesse  contexto, diversos autores têm investigado quais exercícios estariam mais associados  à geração desses movimentos rotacionais, capazes de desencadear o deslocamento  anterior da tíbia. 

 A lesão do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) é particularmente frequente em  esportes de alto rendimento. Um estudo quantitativo estimou a ocorrência de  aproximadamente 250.000 casos anuais, sendo que o mecanismo de contato  corresponde a cerca de 70% dessas lesões, com maior prevalência em atletas do sexo  masculino. Evidências apontam que cerca de 50% dos atletas acometidos apresentam  déficits musculares nos grupos anterior e posterior da coxa, condição que aumenta a  sobrecarga sobre o LCA e eleva o risco de lesão. 

Do ponto de vista epidemiológico, a lesão do LCA configura-se como um  problema de saúde pública, tanto por sua elevada incidência quanto pelos custos  associados ao tratamento e à reabilitação. Nos Estados Unidos, a estimativa  ultrapassa 250.000 casos por ano, sobretudo em modalidades que envolvem  movimentos de alta intensidade, como futebol, basquete, vôlei e esqui. No Brasil,  embora não haja registros oficiais sistematizados, estudos regionais indicam  prevalência semelhante, reforçando a relevância clínica e social dessa condição  (Wakefield et al., 2021). 

 Atletas do sexo feminino apresentam risco de duas a oito vezes maior de sofrer  lesões do LCA em comparação aos homens, devido a fatores anatômicos, hormonais  e neuromusculares. Esses fatores incluem maior ângulo Q, variações hormonais que afetam a laxidade ligamentar e predominância de ativação do quadríceps em relação  aos isquiotibiais (Griffin et al., 2023; Hewett et al., 2021). 

Além da elevada prevalência, ressalta-se o impacto funcional dessa lesão, em  que atletas acometidos, frequentemente necessitam de afastamento prolongado de  suas atividades, variando entre seis e doze meses, a depender da gravidade da lesão  e da estratégia terapêutica adotada. Esse afastamento pode comprometer carreiras  esportivas, reduzir o desempenho físico e gerar custos significativos tanto para o  indivíduo quanto para instituições de saúde públicas e privadas (Griffin et al., 2023). 

O tratamento das lesões do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) pode ser  realizado por meio de intervenção cirúrgica, geralmente envolvendo a substituição do  ligamento lesionado. O método mais amplamente utilizado é a reconstrução com  enxerto autólogo, obtido a partir de segmentos do tendão patelar ou dos tendões  flexores do joelho (Lara et al., 2024). 

Uma alternativa, ainda em estudo e aplicada em alguns países, consiste na  utilização de enxertos alógenos provenientes de cadáveres; entretanto, essa  abordagem apresenta menor adesão clínica devido à qualidade considerada inferior  em relação aos enxertos autólogos. Já os enxertos sintéticos foram avaliados em  diferentes contextos, mas os resultados obtidos não corresponderam às expectativas regenerativas (Lara et al., 2024). 

A reabilitação do atleta submetido à reconstrução do LCA tem início no período pós-operatório imediato, com foco em assegurar a proteção da articulação, o controle  do processo inflamatório, a mobilização passiva e a progressiva descarga de peso.  Superada essa fase inicial, o fisioterapeuta responsável deve concentrar-se na  prevenção da redução da Amplitude de Movimento (ADM), da perda de equilíbrio  estático e dinâmico, bem como dos déficits proprioceptivos. Além disso, atenção  especial deve ser dada às alterações neuromusculares, como hipotonia e hipotrofia,  frequentemente decorrentes da inibição artrogênica induzida pelo trauma cirúrgico  (Silva et al., 2020). 

A fisioterapia conservadora constitui uma alternativa de tratamento indicada  principalmente em casos de lesão parcial do LCA, quando a equipe multidisciplinar  opta por não realizar intervenção cirúrgica. O protocolo conservador tem como  objetivos a redução do edema, o controle da dor, a proteção das estruturas  comprometidas, a recuperação completa da Amplitude de Movimento (ADM), o  restabelecimento da função proprioceptiva, a retomada das atividades de vida diária (AVDs) e o fortalecimento dos principais grupos musculares responsáveis pela  estabilização do joelho (Trindade et al., 2020). 

Entre eles, destacam-se o quadríceps formado pelo reto femoral, vasto lateral,  vasto medial e vasto intermédio e os isquiotibiais compostos pelo semitendíneo,  semimembranoso e bíceps femoral. O processo de reabilitação visa, por fim, o retorno  seguro às práticas esportivas (Trindade et al., 2020). 

Após a reconstrução do LCA, a reabilitação deve ser direcionada para assegurar  a recuperação funcional do atleta e possibilitar o retorno seguro ao nível esportivo  previamente alcançado. Nesse cenário, diversos estudos têm comparado os efeitos  dos exercícios realizados em cadeia cinética aberta (CCA) e em cadeia cinética  fechada (CCF). A CCA caracteriza-se por exercícios com maior amplitude de  movimento, voltados para o fortalecimento de grupos musculares específicos;  contudo, por serem mais seletivos, esses exercícios podem impor maior estresse  articular ao joelho (Barreto; Silva; Cunha et al., 2023). 

Em contrapartida, a CCF envolve extremidades distais fixas em uma superfície,  permitindo a execução de movimentos integrados por múltiplas articulações. Esse tipo  de exercício promove o recrutamento de um maior número de grupos musculares e  tende a reduzir o estresse articular, favorecendo, assim, uma reabilitação mais segura  e eficiente para o atleta (Barreto; Silva; Cunha et al., 2023). 

A literatura destaca a importância de respeitar as diferentes fases de  recuperação do atleta após a lesão do LCA. Na fase aguda, o foco deve estar na  redução da dor, no controle do processo inflamatório e na proteção da articulação,  utilizando recursos como crioterapia, eletroterapia, laserterapia, ultrassom e técnicas  manuais, além do início precoce da mobilização passiva. Na fase subaguda, a  prioridade passa a ser a introdução de exercícios concêntricos, associados à  progressão de exercícios de mobilidade (De Souza et al., 2022). 

Por fim, na fase crônica, o objetivo principal é a realização de exercícios  pliométricos, atividades que simulem os gestos esportivos específicos da modalidade  praticada pelo atleta, bem como exercícios proprioceptivos, fundamentais para a  recuperação funcional e o retorno seguro ao esporte (De Souza et al., 2022). 

No contexto da reabilitação, os exercícios em cadeia cinética aberta (CCA) e  cadeia cinética fechada (CCF) têm sido amplamente investigados. A CCA é  caracterizada por movimentos em que a extremidade distal está livre, permitindo maior  isolamento muscular e amplitudes articulares mais amplas. No entanto, esse tipo de exercício pode gerar maior estresse sobre a articulação, especialmente nos ângulos  próximos à extensão total, o que levanta preocupações sobre a segurança em fases  iniciais da reabilitação. 

Por outro lado, os exercícios em cadeia cinética fechada (CCF) caracterizam-se  pela fixação da extremidade distal em uma superfície estável, o que promove maior  coativação dos grupos musculares e recrutamento simultâneo de múltiplas  articulações. Essa modalidade de exercício tende a gerar menor estresse sobre o LCA  reconstruído, além de proporcionar estímulos proprioceptivos mais semelhantes às  demandas funcionais esportivas. Tais características tornam a CCF uma estratégia  relevante na reabilitação de atletas, contribuindo para um retorno mais seguro e  eficiente às práticas atléticas (Barreto et al., 2023). 

Diante da relevância clínica e epidemiológica das lesões do LCA, dos elevados  custos associados ao tratamento e reabilitação, do impacto funcional sobre atletas e  da variedade de protocolos fisioterapêuticos disponíveis, torna-se fundamental  investigar quais abordagens apresentam melhores resultados.  

Nesse contexto, a comparação entre exercícios em cadeia cinética aberta (CCA)  e fechada (CCF) mostra-se especialmente relevante, visto que ambas as  metodologias oferecem benefícios e apresentam limitações específicas, mas ainda  não há consenso definitivo sobre qual delas proporciona maior segurança articular e  eficácia no retorno ao esporte. 

Deste modo, o presente estudo tem por objetivo, identificar os principais efeitos  dos exercícios em cadeia cinética aberta e fechada na recuperação de lesões do  ligamento cruzado anterior, em diferentes fases de reabilitação. 

2. METODOLOGIA 

Trata-se de uma revisão bibliográfica com abordagem qualitativa, utilizando o  método PICO, que representa um acrônimo Paciente, Intervenção, Comparação e  “Outcomes” (desfecho), para formular a pergunta norteadora e definir os critérios de  inclusão e exclusão das publicações. Este modelo permite a construção de uma  pergunta clínica estruturada a partir de quatro componentes: 

• P (Paciente ou Problema): atletas com lesão de Ligamento Cruzado Anterior  (LCA), submetidos à cirurgia de reconstrução ligamentar. 

• I (Intervenção): fisioterapia com exercícios de cadeia cinética fechada (CCF).

• C (Comparação): fisioterapia com exercícios de cadeia cinética aberta (CCA).

• O (Desfecho): retorno funcional mais seguro e rápido às atividades esportivas,  com menor estresse articular e menor risco de recidiva da lesão. 

Em atletas submetidos à reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior (P), a  reabilitação com exercícios de cadeia cinética fechada (I), quando comparada à  cadeia cinética aberta (C), promove melhor recuperação funcional, com menor  estresse articular e risco de nova lesão (O). 

2.1 Estratégia de busca 

A busca dos estudos foi realizada de janeiro de 2020 a agosto de 2025,  contemplando os últimos cinco anos, para garantir atualização científica. As bases de  dados utilizadas foram: PubMed, Scielo, Lilacs, Science Direct e Google Scholar. 

Foram empregados descritores em português e inglês, utilizando combinações  com os operadores booleanos AND e OR. Em português: “lesão do Ligamento  Cruzado Anterior” AND “reabilitação fisioterapêutica” AND (“cadeia cinética fechada”  OR “cadeia cinética aberta”). Em inglês: “anterior cruciate ligament” AND  “rehabilitation” AND (“closed kinetic chain” OR “open kinetic chain”). Foi utilizado  rayyan como uma ferramenta para triagem dos artigos e exclusão de duplicatas.  

2.2 Critérios de inclusão e exclusão 

Inclusão: artigos publicados entre 2020 e 2025; estudos com seres humanos  (atletas ou praticantes de esporte); trabalhos que compararam intervenções de CCF  e CCA na reabilitação do LCA; idiomas português e inglês.  

Exclusão: artigos duplicados; revisões sem descrição metodológica clara;  estudos com população idosa ou com foco em outras lesões e artigos abaixo do ano  de 2020. A seguir visualizados em fluxograma prisma. 

2.3 Seleção dos artigos 

Dos 78.300 registros inicialmente identificados nas bases de dados, realizou-se  a exclusão de duplicatas por meio da ferramenta Rayyan, resultando em 82 artigos  únicos. Em seguida, procedeu-se à triagem por título e resumo, etapa na qual 61  artigos foram excluídos por não atenderem aos critérios de inclusão, restando 21 para  leitura completa. Após a leitura integral e avaliação metodológica, 10 artigos foram  excluídos por não compararem diretamente os exercícios de cadeia cinética aberta  (CCA) e cadeia cinética fechada (CCF), ou por apresentarem amostras distintas da  população-alvo (atletas com lesão de LCA). Assim, 11 artigos atenderam  integralmente aos critérios de elegibilidade e foram incluídos na presente revisão.

• Registros identificados nas bases de dados: (n = 78.300); 

• Registros triados por título e resumo (n = 82); 

• Registros excluídos por não atender critérios (n = 21). 

• Artigos selecionados (n=11) 

Fluxograma 1: Registros da seleção de artigos selecionados para o artigo.

Fonte: imagem criada por IA 

2.4 Avaliação crítica dos estudos 

Cada artigo incluído foi avaliado quanto à qualidade metodológica e nível de  evidência, segundo a hierarquia do Oxford Centre for Evidence-Based Medicine  (OCEBM):

• Nível 1: ensaios clínicos randomizados e revisões sistemáticas. • Nível 2: estudos de coorte. 

• Nível 3: estudos caso-controle. 

• Nível 4: séries de casos. 

• Nível 5: opinião de especialistas. 

Foram observados os seguintes aspectos: 

• Clareza dos objetivos e da amostra. 

• Detalhamento das intervenções (tipo, frequência e duração dos exercícios).

• Critérios de progressão e retorno ao esporte. 

• Registro de complicações ou efeitos adversos. 

2.5 Organização e síntese dos dados 

Os dados extraídos foram sistematizados em tabelas comparativas, contendo:  autor/ano, população estudada, intervenção (CCA ou CCF), tempo de intervenção,  principais achados, conclusões dos autores e pontos divergentes. A análise foi qualitativa, priorizando a interpretação crítica das evidências e suas implicações  clínicas na prática fisioterapêutica. 

Os dados foram organizados em tabelas comparativas, contemplando: • Autor/ano; 

• População estudada; 

• Tipo de intervenção (CCA ou CCF); 

• Tempo de intervenção; 

• Principais achados; 

• Conclusões dos autores; 

• Divergências metodológicas. 

A análise final foi qualitativa e crítica, priorizando a interpretação dos resultados  e suas implicações práticas para a fisioterapia esportiva. 

3. REFERENCIAL TEÓRICO 

3.1 Anatomia e Função do LCA 

O joelho é uma articulação sinovial de elevada complexidade, desempenhando  papel crucial na locomoção e na manutenção da estabilidade corporal. Avanços  recentes em técnicas de imagem, biomecânica computacional e estudos anatômicos 

detalhados têm ampliado significativamente o entendimento sobre suas estruturas. A  literatura atual destaca que o conhecimento aprofundado da anatomia do joelho é  essencial para o diagnóstico preciso, prevenção de lesões e planejamento cirúrgico  adequado (Zhang et al., 2020; Hassebrock et al., 2020).  

O fêmur, que é o maior osso do corpo humano, articula-se com a tíbia na região  do joelho e pesquisas recentes apontam variações na morfologia do côndilo femoral,  as quais podem influenciar tanto a distribuição de cargas quanto a estabilidade da  articulação (Smith, John et al., 2020). 

A tíbia, principal osso da perna, possui os platôs tibiais que recebem os côndilos  femorais. Alterações na geometria desses platôs podem aumentar a predisposição a  lesões ligamentares, incluindo aquelas do ligamento cruzado anterior (LCA) (Miller et  al., 2020). 

A patela é um osso sesamoide que potencializa a ação do músculo quadríceps.  Estudos morfométricos recentes investigaram parâmetros como a altura patelar e a  classificação de Wiberg, a classificação de Wiberg descreve o formato das facetas  articulares da patela em três tipos principais: Tipo I, quando as facetas medial e lateral  são simétricas e côncavas, Tipo II, quando a faceta medial é menor que a lateral, e  Tipo III, quando a faceta medial é bem menor, quase plana ou convexa, predispondo  a instabilidades femoropatelares, considerados fundamentais para procedimentos  cirúrgicos, incluindo a artroplastia total do joelho (Jones et al., 2020). 

A superfície articular do fêmur e da tíbia é revestida por cartilagem hialina, cuja  função principal é reduzir o atrito durante os movimentos e permitir o deslizamento  eficiente entre os ossos. Entre os côndilos femorais e os platôs tibiais encontram-se  os meniscos medial e lateral, estruturas fibrocartilaginosas com múltiplas funções  biomecânicas, que aumentam a congruência articular, distribuem cargas  compressivas, auxiliam na lubrificação e nutrição da articulação e contribuem para a  propriocepção (Santos et at., 2020). 

O menisco medial apresenta menor mobilidade em comparação ao lateral, o que  o torna mais propenso a rupturas, especialmente na região do corno posterior,  fundamental para a estabilidade articular. Em contraste, o menisco lateral, devido à  sua maior mobilidade e formato semicircular, sofre menos lesões, mas continua  desempenhando papel essencial na distribuição de cargas e na proteção da  cartilagem articular. Assim, a integridade meniscal é crucial para o funcionamento biomecânico do joelho e para a prevenção de degenerações articulares ao longo do  tempo (Oliveira et al., 2020). 

O joelho é envolto por uma cápsula articular fibrosa que se insere ao redor dos  limites ósseos e é reforçada por ligamentos intrínsecos e extrínsecos. No interior  dessa cápsula, encontra-se a membrana sinovial, cuja principal função é secretar o  líquido sinovial, elemento essencial para a lubrificação, nutrição da cartilagem hialina  e redução do atrito durante os movimentos articulares (Huang et al., 2020; Kapoor;  Maitland; Kippel, 2021). 

Além disso, a membrana forma pregas sinoviais e bolsas, entre as quais se  destaca a bolsa suprapatelar, que contribui para a dissipação de forças compressivas  e a manutenção da homeostase intra-articular. Estudos recentes em anatomia e  biomecânica do joelho reforçam a importância dessas estruturas sinoviais para a  preservação da integridade da cartilagem e para a prevenção de processos  degenerativos (Huang et al., 2020; Kapoor; Maitland; Kippel, 2021). 

A estabilidade do joelho é amplamente determinada pela ação de seus  ligamentos, classificados em extracapsulares e intracapsulares. Entre os  extracapsulares, o ligamento colateral medial (LCM) atua limitando o movimento em  valgismo e fornecendo estabilidade à face interna do joelho, enquanto o ligamento  colateral lateral (LCL) restringe o varismo e promove estabilidade no compartimento  lateral (Moore; Dalley; Agur et al., 2020; Netter et al., 2021). 

No interior da articulação, os ligamentos cruzados desempenham papel  fundamental no controle do deslocamento tibial. O ligamento cruzado anterior (LCA)  impede a translação anterior da tíbia em relação ao fêmur, sendo considerado  essencial para o controle cinemático do joelho, especialmente em movimentos de  rotação e desaceleração. Já o ligamento cruzado posterior (LCP) atua de forma  oposta, prevenindo a translação posterior da tíbia, além de contribuir para a  estabilidade rotacional em situações de carga (Kapandji et al., 2020). 

Complementando esse sistema, o ligamento patelar e os retináculos patelares  desempenham função importante no alinhamento e estabilização da patela,  influenciando diretamente a biomecânica femoropatelar. Estudos recentes de revisão  anatômica e biomecânica destacam que a compreensão detalhada da morfologia e  função dessas estruturas é essencial para estratégias de prevenção de lesões e para  o sucesso de procedimentos reconstrutivos (Herzog et al., 2020; Andrade et al., 2022).

No compartimento posterior da coxa, encontram-se os flexores, principalmente  os isquiotibiais (bíceps femoral, semitendíneo e semimembranáceo. Esses músculos  não apenas realizam a flexão do joelho, mas também contribuem para o controle  dinâmico da articulação, auxiliando na estabilidade durante movimentos de alta  demanda, como mudanças de direção e desacelerações (Farina et al., 2021) 

O músculo poplíteo merece destaque por sua função específica: atua no  desbloqueio inicial da extensão, permitindo o início da flexão do joelho. Essa ação é  fundamental para a transição entre movimentos estáticos e dinâmicos, além de ter  papel estabilizador secundário na região póstero-lateral do joelho (Kapandji et al., 2020; Andrade et al., 2022). 

O suprimento arterial do joelho é realizado por meio de um extenso plexo  anastomótico periarticular, constituído principalmente pelos ramos geniculares  oriundos da artéria poplítea, além de contribuições das artérias femoral e tibiais. Esse  arranjo vascular garante irrigação eficiente às estruturas intra e extra-articulares,  mesmo durante diferentes graus de flexão, quando a artéria poplítea pode sofrer  compressão mecânica (Netter et al., 2021; Tang et al., 2022). 

A drenagem venosa segue o trajeto arterial correspondente, sendo realizada  pelas veias geniculares, que convergem para a veia poplítea, assegurando retorno  venoso adequado e colaborando para a homeostase articular (Moore; Dalley; Agur et  al., 2020). 

A inervação do joelho é fornecida por ramos articulares dos nervos femoral,  obturatório, tibial e fibular comum, em conformidade com a regra de Hilton, a qual os  nervos que suprem os músculos atuantes sobre uma articulação também inervam a  própria cápsula articular e suas estruturas internas. Esse princípio explica a  convergência de informações nociceptivas e proprioceptivas do joelho, tornando-o  uma das articulações mais ricamente inervadas e com grande importância clínica em  quadros de dor articular e reabilitação (Andrade et al., 2021; Netter et al., 2021). 

3.2 Mecanismo de Lesão 

Décadas de estudos demonstraram que as funções principais do LCA incluem,  sobretudo, resistir à força de cisalhamento anterior da tíbia proximal em relação ao  fêmur distal, e, de forma secundária, controlar o torque interno da tíbia e o momento  de abdução do joelho. Para entender esses papéis, uma extensa série de pesquisas  investigou o comportamento do LCA diante de cenários de carga simples e praticamente estáticos do joelho. Embora esses cenários de carga possam não refletir  condições fisiológicas típicas de lesão do LCA, apresentando pouca ou nenhuma força  de compressão axial, mínima contribuição muscular trans-articular, cargas quase  estáticas, magnitudes pouco realistas e/ou tempos de aplicação não fisiológicos, eles  permitem isolar o efeito de cada força ou momento sobre o comportamento do  ligamento (Kennedy et al., 1974). 

Durante movimentos atléticos, como aterrissagens de salto, a articulação  tibiofemoral é submetida a forças de compressão axial significativas. Essas forças  resultam principalmente das contrações musculares que atravessam o joelho,  especialmente do quadríceps, que atua para resistir ao grande momento de flexão  gerado nessas manobras, e também da força de reação do solo transmitida através  da articulação, contribuindo adicionalmente para o momento de flexão (Hendrix et al.,  2019) 

Como diz Markolf et al. (1995), embora essas forças de compressão provoquem  os maiores deslocamentos do joelho em ângulos de flexão mais elevados (30–50°),  deslocamentos significativos também são observados em ângulos menores (10–30°),  faixa em que ocorre a maioria das lesões do LCA sem contato. A força de compressão  ao longo do eixo longitudinal da tíbia gera um componente de cisalhamento anterior,  promovendo a translação anterior da tíbia devido à inclinação posterior-inferior dos  platôs tibiais lateral e medial. 

De fato, Wang et al. (2023) observou que a magnitude da translação anterior da  tíbia, induzida por uma força de compressão axial no joelho, está positivamente  correlacionada com as inclinações medial e lateral do platô tibial: quanto maiores as  inclinações, maior a translação tibial. Não é surpreendente, portanto, que exista ampla  evidência indicando que a inclinação posterior-inferior do platô tibial, particularmente  do platô lateral, seja um fator de risco significativo para lesão do LCA. 

Segundo o autor Kiapour et al. (2013), outro mecanismo de carga no plano  sagital que afeta o LCA ocorre durante a ativação e o alongamento do quadríceps em  manobras atléticas. Por exemplo, quando a força exercida sobre um músculo ativo  supera a capacidade de geração de força do próprio músculo, ele é estendido sob  carga em uma contração denominada “excêntrica”. Esse alongamento pode aumentar  a tensão muscular em até 70% acima do valor isométrico máximo, um fenômeno  frequentemente aproveitado por atletas para produzir forças musculares elevadas,  como acontece durante o ciclo de alongamento e encurtamento muscular.

Já o autor Hosseini, et al. (2011), diz que quando o quadríceps é alongado sob  carga enquanto o joelho apresenta leve flexão durante uma manobra atlética, gera-se  uma força muscular considerável. Há consenso de que essa força, transmitida pelo  mecanismo patelofemoral, aumenta significativamente a translação anterior da tíbia e  a rotação interna tibial, impondo uma sobrecarga importante sobre o LCA. Isso ocorre  devido ao ângulo de inserção do quadríceps na tíbia por meio do tendão patelar. 

A força de tração gerada pelo quadríceps na inserção tibial tem um componente  anterior que produz cisalhamento tibial anterior, além de um componente de  compressão axial no joelho, ambos capazes de tensionar o LCA. Quando o joelho está  quase totalmente estendido (0–20°), o componente de cisalhamento anterior é maior  devido ao ângulo relativamente acentuado de inserção na tíbia. Em ângulos de flexão  mais elevados (>20°), o componente de cisalhamento diminui, enquanto o  componente de compressão axial se torna predominante. A co-contração dos  isquiotibiais pode reduzir a carga sobre o LCA ao gerar uma força de cisalhamento  tibial posterior que se opõe ao cisalhamento anterior da tíbia. No entanto, quando o  joelho está quase totalmente estendido (~0°), os isquiotibiais apresentam menor  eficiência devido ao ângulo de inserção relativamente pequeno na tíbia, produzindo,  portanto, forças de cisalhamento posterior relativamente reduzidas (Shultz et al.,  2008). 

No contato inicial com o solo durante manobras atléticas que envolvem rotação  axial como aterrissagem em pivô ou movimentos de apoio e giro a magnitude do  torque interno aplicado à articulação do joelho é influenciada pelo coeficiente de atrito  entre o calçado do atleta e a superfície de jogo. Valores mais elevados de atrito podem  gerar torques maiores no joelho. Por exemplo, superfícies de grama artificial com  enchimento de areia/borracha, associadas a chuteiras com travas em lâmina,  produzem torques axiais mais elevados na perna em comparação com grama natural  e chuteiras com travas do tipo garanhão (Sonnery-Cottet et al., 2021). 

Assim, em superfícies de jogo com alto coeficiente de atrito, combinadas com  determinados tipos de calçado, é esperado que os atletas desenvolvam maiores  torques tibiais internos, o que aumenta o risco de lesões do LCA. (Hirokawa et al.,  1991), Segundo (Solomonow, et al., 2020), por exemplo, estudos na NFL identificaram  que a incidência de lesões do LCA foi 67% maior em superfícies artificiais (FieldTurf)  em comparação com gramados naturais.

É importante destacar, contudo, que nem todas as evidências apontam para um  risco aumentado de lesão do LCA em superfícies artificiais. Ainda assim, os princípios  biomecânicos indicam que o coeficiente de atrito entre o calçado e o solo exerce papel  fundamental na geração do torque tibial interno. A controvérsia observada na literatura  reflete, portanto, a complexa interação entre múltiplos fatores que influenciam a  magnitude e a direção tridimensional das cargas aplicadas ao joelho e ao LCA (Laprade et al., 2021). 

3.3 Abordagens de Tratamento Cirúrgico e Conservador 

No estudo realizado por Liu et al. (2020), as lesões dos ligamentos cruzados do  joelho constituem um grande desafio para ortopedistas e cirurgiões, sobretudo em  indivíduos mais jovens. A técnica cirúrgica mais adequada para a reconstrução do  ligamento cruzado anterior (LCA), ainda está em constante aprimoramento, buscando  otimizar os resultados em longo prazo e reduzir o risco de complicações. 

Existem duas possibilidades de tratamento para esse tipo de lesão: o cirúrgico  e o conservador. A intervenção cirúrgica tem como principal objetivo restabelecer a  estabilidade articular do joelho e recuperar o máximo possível da função,  possibilitando que o paciente retome a prática esportiva em condições semelhantes  às que apresentava antes da lesão. Saber lidar com este tipo de lesão e fundamental  para que os profissionais possam restabelecer o nível de função física pré-lesão dos  pacientes. Cabe aos profissionais da saúde orientar seus pacientes, esclarecendo  todas as alternativas de tratamento disponíveis, bem como os benefícios e limitações  de cada uma (Trindade et al., 2020). 

Essa orientação deve levar em conta fatores individuais e contextuais, como  características próprias do paciente, nível de prática esportiva, além de seus objetivos  e expectativas quanto ao retorno às atividades. A comunicação clara sobre essas  possibilidades faz parte do papel dos fisioterapeutas e de outros profissionais da área  da saúde. Se fomos para o caminho do tratamento conservador vamos basear em um  protocolo que envolve várias técnicas da fisioterapia e seguir um protocolo seguro  para otimizar a volta do atleta o mais rápido possível e com segurança (Liu et al.,  (2020). 

Segundo Ciechanowicz et al. (2020), o uso da eletroterapia por meio da High  Tone Power Therapy (HiToP) apresenta efeitos positivos na função muscular, na  redução do derrame articular, no aumento da massa muscular e na melhora da função articular. A reabilitação aquática também é uma estratégia indicada, incluindo  exercícios como a caminhada em meio aquático, que contribui para o fortalecimento  dos músculos extensores do joelho, além de promover melhora da propriocepção e  do desempenho funcional da articulação, apresentando resultados superiores em  comparação ao treinamento de caminhada em solo (Li et al., 2021). 

Para que os pacientes obtenham um controle adequado da articulação, o  treinamento neuromuscular após a lesão é fundamental, pois contribui  significativamente para a redução da dor, melhora da função, aumento da força, do  desempenho e, consequentemente, da qualidade de vida (Khalid et al., 2022). 

 Se for necessário o atleta passar por procedimento cirúrgico, o objetivo da  reconstrução cirúrgica é restabelecer a estabilidade do joelho e otimizar a capacidade  funcional, possibilitando que o indivíduo retorne às atividades esportivas no mesmo  nível em que se encontrava antes da lesão (Carter et al., 2017). Nos estudos de  Amatuzzi et al. (2004), esse tipo de intervenção é indicada principalmente para  pacientes que apresentam elevado risco de instabilidade ou que relatam episódios  frequentes de falseio articular. 

 O estudo do Mota et al. (2024), fez uma revisão sistemática sobre o retorno ao  esporte em atletas profissionais, revelando que 82% dos pacientes conseguiram  retomar alguma prática esportiva após a reconstrução do LCA. No entanto, apenas  63% retornaram ao nível de desempenho esportivo pré-lesão, e somente 44%  conseguiram voltar às competições. 

A reconstrução cirúrgica do LCA é considerada o padrão-ouro no tratamento de  lesões completas em pacientes ativos. Entre as técnicas mais utilizadas estão a  reconstrução com enxerto autólogo do tendão patelar, dos isquiotibiais ou do tendão  do quadríceps (Webster et al., 2018). Pesquisas indicam que essas abordagens  promovem uma restauração eficaz da estabilidade do joelho, permitindo que mais de  80% dos pacientes retornem ao nível de atividade que apresentavam antes da lesão.  

Os principais benefícios da cirurgia incluem a diminuição do risco de novas  lesões, a melhora da função articular e a prevenção de danos adicionais ao menisco  e à cartilagem. A escolha da técnica ideal depende de fatores como idade, nível de  atividade e preferência do cirurgião, sendo que cada abordagem apresenta vantagens  específicas (Almeida et al., 2010). 

 No estudo conduzido por Kopka et al. (2024), foi realizada uma análise  comparativa entre duas técnicas distintas de reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA). A primeira abordagem envolve a preservação parcial dos  remanescentes do ligamento durante a cirurgia, enquanto a segunda consiste na  reconstrução anatômica de único feixe, que normalmente remove completamente o  ligamento lesionado. Na técnica de preservação parcial, uma porção do ligamento  original é mantida e integrada ao enxerto durante o procedimento. Em contraste, na  reconstrução anatômica de único feixe, o ligamento comprometido é totalmente  removido antes da reconstrução propriamente dita.  

O acompanhamento criterioso de cada fase do retorno ao esporte é essencial  para reduzir o risco de novas lesões e garantir que o atleta recupere tanto a função  física quanto a confiança psicológica. Programas de reabilitação progressiva, aliados  a avaliações contínuas de força, estabilidade e desempenho funcional, ajudam a  determinar o momento adequado para avançar de uma etapa para a seguinte,  assegurando um retorno seguro e eficaz às atividades esportivas (Ardern et al., 2010). 

Segundo Forsdyke et al. (2016), fatores emocionais e de confiança são  amplamente reconhecidos na literatura como preditores importantes do retorno ao  esporte após a reconstrução do LCA. Reações psicológicas positivas aumentam de  forma significativa as chances de o atleta retomar a prática esportiva no mesmo nível  apresentado antes da lesão. Muitos atletas sentem que lesões ligamentares no joelho  são um bom motivo para parar com o nível competitivo e focar seu tempo em uma  vida social e familiar. Outros apresentam um obstáculo psicológico, que limita a função  em troca de proteção contra uma possível re-lesão (Astur et al., 2016). 

 Na literatura, não há consenso de que a intervenção cirúrgica seja superior  ao tratamento conservador. Observa-se que a taxa de retorno ao esporte é  semelhante entre os dois grupos, variando de 8% a 82% nos pacientes submetidos à  reconstrução cirúrgica e de 19% a 82% naqueles que não passaram pelo  procedimento (Almeida et al., 2010). 

3.4 Cadeia Cinética Aberta  

Nos exercícios em CCA, o segmento distal (pé) é livre para se mover,  permitindo a mobilidade da perna sem contato fixo com uma superfície estável.  Exemplos clássicos são a extensão de joelho em máquina, flexão de joelho em mesa  flexora e a elevação de perna estendida (Fitzgerald et al., 1997). 

Estudos apontam que a CCA promove maior ganho de força isocinética e  resistência dos músculos extensores do joelho em comparação com a CCF (Tagesson et al., 2008). Essa característica é fundamental, visto que o fortalecimento do  quadríceps é essencial para a recuperação funcional após a reconstrução do LCA  (Williams et al., 2005). 

Entretanto, uma desvantagem importante é o aumento da força de  cisalhamento anterior da tíbia, especialmente nos últimos 30° de extensão do joelho.  Essa sobrecarga pode gerar tensão adicional sobre o enxerto do LCA, aumentando o  risco de instabilidade secundária (Torzilli; Deng; Warren et al., 1994). Por essa razão,  exercícios em CCA foram historicamente considerados menos seguros, sobretudo nas  fases iniciais da reabilitação (Bynum; Barrack; Alexander et al., 1995). 

3.5 Cadeia Cinética Fechada  

Nos exercícios em CCF, o pé permanece fixo contra uma superfície, e o  movimento ocorre nos segmentos proximais, como quadril e joelho. São exemplos  comuns: agachamento, leg press e avanço (lunge) (Fitzgerald et al., 1997). 

Entre suas principais vantagens, destaca-se a redução da força de  cisalhamento anterior da tíbia, o que contribui para proteger o enxerto do LCA  (Fleming; Oksendahl; Beynnon et al., 2005). Além disso, os exercícios em CCF  estimulam a co-contração entre extensores e flexores do joelho, aumentam a  compressão tibiofemoral e reduzem complicações patelofemorais (Glass; Waddell; 

Hoogenboom et al., 2010). Por essas razões, a literatura tradicionalmente recomenda  a CCF como abordagem inicial mais segura após a reconstrução do LCA (Mikkelsen;  Werner; Erickson et al., 2000). 

Contudo, a ativação isolada do quadríceps é menor do que na CCA, o que pode  limitar os ganhos de força específicos desse músculo. Dessa forma, pacientes podem  apresentar uma recuperação mais lenta da força do quadríceps quando submetidos  apenas a programas de CCF (Ross; Denegar; Winzenried et al., 2001). 

3.6 Evidências Comparativas 

A reabilitação do ligamento cruzado anterior (LCA) continua sendo um dos  maiores desafios da fisioterapia esportiva, em especial pela necessidade de equilibrar  proteção do enxerto reconstruído e ganho rápido de força e função muscular. Nos  últimos anos, estudos têm se concentrado em comparar os efeitos dos exercícios em  cadeia cinética aberta (CCA) e cadeia cinética fechada (CCF), buscando determinar a  melhor abordagem ou combinação entre ambos (Brinlee et al., (2022). 

Os exercícios em cadeia cinética aberta caracterizam-se pela movimentação livre do segmento distal, como o pé, permitindo isolar grupos musculares específicos,  principalmente o quadríceps. Essa característica faz com que sejam altamente  eficazes para o ganho de força isocinética. Em uma revisão sistemática com meta análise, Pamboris et al. (2024), demonstraram que pacientes submetidos a programas  que incluíram CCA obtiveram maior incremento de força do quadríceps nos meses 3  e 4 após a lesão ou reconstrução do LCA, quando comparados a programas  compostos apenas por CCF. Além disso, o mesmo estudo identificou que a CCA,  quando realizada com cargas baixas, não aumentou a frouxidão anterior da tíbia, e  em alguns casos até contribuiu para a redução da laxidade articular em joelhos com  deficiência do LCA. 

Outro aspecto relevante investigado é a introdução precoce da CCA.  Tradicionalmente, havia resistência em utilizá-la nos estágios iniciais da reabilitação,  devido ao receio de sobrecarga no enxerto. Entretanto, uma revisão sistemática  conduzida por Fontanier et al. (2025), analisou ensaios clínicos recentes e concluiu  que a introdução de exercícios em CCA a partir da 4ª semana pós-cirurgia, sempre  após um período inicial com CCF, promoveu melhorias significativas na dor, força  muscular, função e retorno ao esporte, sem evidências de efeitos adversos. Esse  achado reforça a tendência atual de não excluir a CCA dos protocolos iniciais, mas  sim inseri-la de maneira controlada e progressiva. 

Complementando essas evidências, um estudo de coorte realizado em 2023  avaliou pacientes submetidos à reconstrução do LCA divididos em dois grupos: um  que realizou apenas CCF e outro que combinou CCF com a inclusão progressiva de  CCA a partir da 4ª semana. Os resultados mostraram que o grupo combinado  apresentou maior força de quadríceps e isquiotibiais aos 3 e 6 meses, sem aumento  na laxidade do enxerto, indicando que a CCA pode ser utilizada com segurança  quando criteriosamente aplicada (Forelli et al., (2023)

Do ponto de vista biomecânico, Wang et al. (2023), realizaram uma análise in  vivo da deformação do enxerto durante a execução de exercícios. Os autores  observaram que os exercícios em CCA com carga aumentam o alongamento do LCA  mais do que os em CCF, confirmando a necessidade de cuidado na prescrição  precoce de CCA sob resistência. No entanto, também demonstraram que os  exercícios em CCA sem carga não aumentaram a tensão no enxerto, o que os torna  viáveis e seguros nas fases iniciais da reabilitação. 

Já os exercícios em cadeia cinética fechada permanecem como a base inicial da reabilitação. Por fixarem o segmento distal, eles reduzem a translação anterior da  tíbia e promovem co-contração entre quadríceps e isquiotibiais, o que aumenta a  estabilidade articular e protege o enxerto em cicatrização. Esse padrão de ativação  também contribui para uma melhor distribuição das forças compressivas na  articulação femorotibial, diminuindo o estresse patelofemoral. Por isso, a CCF é  considerada a estratégia mais segura nas primeiras semanas após a reconstrução.  Contudo, diversos estudos apontam que programas exclusivos de CCF podem  resultar em déficit persistente de força do quadríceps, prejudicando o desempenho  funcional a médio e longo prazo (Pamboris et al., 2024; Fontanier et al., 2025). 

Portanto, a literatura atual converge para um modelo integrado: iniciar a  reabilitação com predominância de CCF, visando estabilidade e proteção do enxerto,  e introduzir gradualmente a CCA a partir da 4ª semana, em amplitude segura  (geralmente entre 90° e 45° de flexão do joelho), progredindo conforme a evolução  clínica do paciente. Essa estratégia parece ser a que melhor equilibra segurança  biomecânica e ganho funcional, além de acelerar o retorno às atividades esportivas. (Fontanier et al., 2025

4. RESULTADOS  

Os estudos selecionados foram sintetizados em formato de quadro comparativo (Quardro 1), contemplando autor/ano, população estudada, tipo de intervenção  (cadeia cinética aberta ou fechada), tempo de intervenção, principais achados,  conclusões dos autores e pontos divergentes. Essa apresentação possibilita visualizar  de maneira organizada as evidências disponíveis e as diferenças metodológicas e  conceituais entre os estudos. 

Quadro 1: Compilado de artigos selecionados para a revisão de literatura.

Autor /  AnoPopulação  EstudadaIntervenção  (CCA ou  CCF)Tempo de  IntervençãoPrincipais  AchadosConclusões  dos AutoresPontos  Divergentes
Fontanier  et al.,  2025Pacientes  submetidos à  reconstrução  do LCA (meta análise).OKC (CCA)  vs CKC  (CCF).Primeiras  semanas;  benefícios  mais  evidentes  após 4  semanas  e/ou após  CKC.OKC
melhora
força e
PROMs sem
prejuízo claro
da
estabilidade.
OKC pode
ser incluído
de forma
criteriosa
sem efeitos
adversos
significativos.
Divergência
sobre quando
iniciar OKC:
alguns
apontam
riscos na fase
inicial, outros
defendem
introdução precoce
controlada.
Badawy  et al.,  2022Atletas pós ACLR  (revisão/guia).Discute CKC  e OKC em 
protocolos.
Baseado em  fases da  
cicatrização;  tempo varia  conforme  
critérios.
Reforça
importância
da
progressão
por critérios
funcionais.
Protocolos
devem
considerar
milestones,
não apenas
tempo.
Diverge de
protocolos
tradicionais
baseados
apenas em
semanas;
defende
abordagem
individualizada
Brinlee et  al., 2022Atletas com  ACLR (guia de  retorno ao  esporte).Protocolos
com CKC e
OKC na
progressão.
Não fixa
duração;
depende de
marcos
funcionais.
Progressão  deve se  
basear em  
testes (força,  hop tests).
OKC e CKC
têm papéis
complementa
res.
Divergência  com  abordagens  lineares de  tempo; prioriza  critérios  objetivos.
Forelli et  al., 2023Coorte de  pacientes pós ACLR.OKC precoce  vs CCF.Primeiras  semanas  (fase inicial).OKC precoce
melhorou
força sem
aumento
consistente
da laxidade.
OKC pode
ser seguro
se bem
monitorado.
Divergência
entre achados
clínicos (sem
instabilidade)
e estudos
biomecânicos
(risco de
estresse no
enxerto).
Wang et  al., 202318 voluntários  saudáveis  (estudo  biomecânico).Testes OKC  vs CCF.Testes
agudos em
laboratório
OKC alongou  mais o LCA  que CKC.Base teórica
para cautela
no OKC
precoce.
Diverge de
estudos
clínicos que
não
observaram
instabilidade;
mostra
discrepância
entre
biomecânica e prática.
Elabd &
Elabd,
2023
Atletas  amadores pós ACLR (RCT).Critérios  funcionais  (OKC +  CCF).Semanas/me ses.Grupo
baseado em
critérios teve
melhores
resultados
funcionais.
Protocolos  baseados em  milestones  são  superiores.Diverge de
protocolos
fixos por
tempo.
Pamboris  et al.,  2024Pacientes pós-
ACLR (meta-análise).
OKC vs CCF.Meses 3–4
após cirurgia.
OKC  aumentou  força do  quadríceps  sem  aumento da  frouxidão.OKC seguro  quando  aplicado  após  estabilização  inicial.Divergência
sobre impacto
no início
precoce.
De Souza  et al.,  2022Pacientes em
fases distintas
de reabilitação
pós-LCA.
CCF na fase
aguda; CCA
nas fases
intermediária
e crônica.
Fase aguda,  subaguda e  crônica.CCF inicial
favoreceu
estabilidade;
CCA posterior
melhorou
força e
propriocepção
Protocolos
devem
respeitar
fases da
cicatrização.
Divergência
sobre início
precoce da
CCA.
Barreto;
Silva;
Cunha,
2023
Atletas de elite em
reabilitação.
Comparação  CCA e CCF.Protocolos
clínicos
variáveis.
CCA impõe  mais  estresse em extensão  terminal;  CCF reduz  carga  articular e 
aumenta  
estabilidade.
CCF
indicada na
fase inicial;
CCA
importante
para força
específica
em fases
intermediária
s.
Divergência  quanto à  segurança da  CCA em  extensão  terminal.
Trindade  et al.,  2020Atletas com  lesão parcial  de LCA  (tratamento  conservador).Protocolos  mistos de  CCF e CCA.Conforme  evolução  clínica.Redução do
edema,
recuperação
da ADM e
fortaleciment
o com
associação
progressiva.
Integração
de CCF e
CCA
promove
retorno
funcional
seguro.
Divergência
quanto à
eficácia do
conservador
vs cirúrgico.
Silva et  al., 2020Pacientes pós cirurgia de  LCA.Foco em  prevenção  de déficits  neuromuscul ares.Pós operatório  imediato.Inibição
artrogênica
afeta força e
controle
motor.
Exercícios
progressivos
essenciais
para restaurar
função
neuromuscul
ar.
Divergência
sobre tempo
ideal para
iniciar carga e
mobilização.

Legendas: LCA – Ligamento Cruzado Anterior; ACLR – Anterior Cruciate Ligament Reconstruction  (Reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior); OKC – Open Kinetic Chain (Cadeia Cinética Aberta); CCF – Cadeia Cinética Fechada; CCA – Cadeia Cinética Aberta; RCT – Randomized Clinical Trial (Ensaio Clínico  Randomizado); PROMs – Patient-Reported Outcome Measures (Medidas de Resultados Relatados pelos  Pacientes). 
Fonte: os autores, 2025. 

5. DISCUSSÃO  

A utilização de exercícios em cadeia cinética aberta (CCA) no processo de  reabilitação após reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA) tem sido alvo de  intensos debates na literatura, principalmente quanto à segurança em relação ao  enxerto e ao impacto sobre a força muscular do quadríceps. Estudos recentes  apontam para uma mudança de paradigma, indicando que a CCA, quando aplicada  de forma progressiva e com controle de carga e amplitude, não apenas é segura, mas  também desempenha papel essencial no restabelecimento funcional do joelho (Badawy et al., 2022) 

Uma revisão sistemática e meta-análise conduzida por Fontanier et al., (2025)  evidenciou que a introdução precoce de exercícios em CCA não resulta em aumento  da frouxidão ligamentar, o que contraria receios anteriores sobre possível estresse  excessivo no enxerto. Além disso, os autores verificaram ganhos mais expressivos na força do quadríceps quando comparados a protocolos baseados exclusivamente em  cadeia fechada, reforçando a relevância desse tipo de exercício no processo de  reabilitação. 

Nesse mesmo sentido, Forelli et al., (2023), em um estudo de coorte,  analisaram pacientes submetidos a exercícios precoces em CCA e constataram que,  além da melhora significativa da força muscular, não houve diferenças na estabilidade  do enxerto entre aqueles que realizaram CCA e os que não realizaram. Esses achados  corroboram a segurança da introdução gradual desse recurso, desde que respeitados  critérios clínicos e biomecânicos. 

Outro ponto relevante é destacado por Brinlee et al., (2022), que ressaltam a  limitação dos exercícios em cadeia cinética fechada (CCF) quando utilizados  isoladamente, uma vez que eles não são suficientes para restaurar plenamente a força  do quadríceps. Os autores defendem a combinação estratégica de CCF e CCA como  abordagem mais eficaz para otimizar o processo de reabilitação e favorecer o retorno  seguro ao esporte. Essa perspectiva é reforçada pelo ensaio clínico randomizado de  Elabd e Elabd et al, (2023), no qual a inclusão progressiva da CCA em um protocolo  baseado em critérios resultou em melhores desfechos funcionais e maior confiança  dos pacientes para retomar suas atividades esportivas. 

Por outro lado, Wang et al., (2023), em uma avaliação in vivo, observaram que  os exercícios em CCA provocam maior alongamento do LCA em comparação à CCF,  o que sugere a necessidade de cautela, sobretudo nas fases iniciais de reabilitação.  Esse achado não desqualifica o uso da CCA, mas indica que parâmetros como  amplitude e carga devem ser cuidadosamente monitorados para evitar sobrecarga.  Nesse contexto, Badawy et al., (2022) recomendam que, nas fases iniciais, a  amplitude de movimento em CCA seja restrita preferencialmente entre 90° e 40°,  evitando a extensão terminal (0°–30°), considerada mais crítica para o estresse sobre  o enxerto. 

De forma integrada, a literatura converge para a compreensão de que a CCA  não deve ser negligenciada nos protocolos de reabilitação do LCA. Pelo contrário, sua  aplicação adequada promove benefícios essenciais, como a restauração da força do  quadríceps e o aprimoramento da função global do joelho, sem comprometer a  integridade do enxerto. Dessa forma, o debate atual não se concentra mais em excluir  ou incluir a CCA, mas em como, quando e em quais parâmetros ela deve ser inserida  no processo de reabilitação (Fontanier et al., 2025).

Assim, os achados reforçam a ideia de que a reabilitação deve seguir uma lógica  baseada em evidências e critérios clínicos, em que a CCA desempenha papel  determinante. A integração deste recurso, em conjunto com a CCF, favorece não  apenas o equilíbrio entre segurança e eficácia, mas também potencializa o retorno do  paciente ao nível funcional desejado, especialmente no contexto esportivo (Fontanier  et al., 2025; Forelli et al., 2023; Brinlee et al., 2022; Elabd & Elabd, 2023; Wang et al.,  2023; Badawy et al., 2022). 

Os exercícios em cadeia cinética fechada (CCF) são amplamente reconhecidos  como a base do processo de reabilitação inicial após a reconstrução do ligamento  cruzado anterior (LCA). A literatura clássica e contemporânea aponta essa  modalidade como a mais segura durante as fases precoces, sobretudo por favorecer  um ambiente biomecânico que promove maior estabilidade articular. De acordo com  Fontanier et al., (2025), os exercícios em CCF configuram-se como o “padrão-ouro”  no pós-operatório imediato, uma vez que mantêm o segmento distal fixo e distribuem  as cargas de forma integrada através das estruturas do joelho, reduzindo  significativamente o estresse de translação anterior da tíbia sobre o enxerto. Esse  aspecto é de fundamental importância, considerando que a principal preocupação nas  fases iniciais de reabilitação é assegurar a proteção e integridade do ligamento recém reconstruído, evitando sobrecargas que possam comprometer o sucesso cirúrgico. 

A co-contração muscular promovida pela cadeia cinética fechada (CCF)  representa outro aspecto de grande relevância clínica e funcional. Conforme  salientado por Brinlee et al. (2022), essa modalidade de exercício induz a ativação  simultânea dos músculos quadríceps e isquiotibiais, favorecendo a compressão  tibiofemoral e garantindo maior controle dinâmico da articulação. Esse mecanismo  contribui não apenas para a diminuição do estresse direto sobre o enxerto, mas  também para o aprimoramento do controle neuromuscular, elemento considerado  determinante na prevenção de falhas na reconstrução ligamentar e na redução do  risco de novas lesões.  

Além disso, ao promover estabilidade articular por meio da coativação, os  exercícios em CCF favorecem a integração entre força, propriocepção e coordenação  motora, aspectos fundamentais para a reabilitação esportiva. Assim, essa abordagem  não se limita ao fortalecimento dos grupos musculares envolvidos, mas atua de  maneira mais abrangente na otimização do padrão motor funcional, preparando o atleta para as demandas específicas do retorno às atividades esportivas (Brinlee et  al., 2022). 

Ademais, evidências comparativas indicam que os exercícios em cadeia cinética  fechada (CCF) impõem menor solicitação mecânica ao enxerto quando comparados  à cadeia cinética aberta (CCA). Wang et al., (2023), em uma avaliação in vivo,  demonstraram que a execução de exercícios em CCA, sobretudo quando associada  ao uso de cargas adicionais, promove maior alongamento do ligamento cruzado  anterior reconstruído em relação aos exercícios em CCF.  

Esse achado biomecânico fortalece a compreensão de que a CCF representa  uma escolha mais segura nas fases iniciais da reabilitação, pois proporciona um  ambiente de menor risco para a integridade do enxerto em processo de cicatrização.  Dessa forma, a literatura sustenta que a progressão ideal deve priorizar, inicialmente,  a aplicação de exercícios em CCF, com a introdução gradual da CCA apenas em  estágios mais avançados, quando a maturação e a consolidação do enxerto já estão  mais bem estabelecidas (De Souza et al., 2022)

Outro aspecto de grande relevância é a transferência funcional proporcionada  pelos exercícios em cadeia cinética fechada (CCF). Badawy et al., (2022) ressaltam  que, por reproduzirem gestos motores similares às demandas específicas do esporte, como agachamentos, avanços, aterrissagens e saltos, esses exercícios oferecem um  treinamento mais direcionado para o retorno às atividades atléticas. 

Dessa forma, a CCF não se limita apenas a promover estabilidade articular e  segurança biomecânica, mas também desempenha papel essencial na readaptação  funcional do atleta. Essa característica garante que o processo de reabilitação seja  mais integrado às exigências reais do gesto esportivo, preparando o indivíduo de  forma progressiva para enfrentar movimentos de maior complexidade e intensidade  no contexto competitivo (Elabd & Elabd., 2023)

No entanto, embora a CCF seja reconhecida como a base inicial da reabilitação,  não se deve negligenciar o papel complementar dos exercícios em cadeia cinética  aberta (CCA) dentro de protocolos bem estruturados. Fontanier et al., (2025)  destacam que programas que se iniciam com CCF e passam a incluir a CCA a partir  de aproximadamente quatro semanas de pós-operatório apresentam resultados  superiores, sobretudo no que se refere ao ganho de força do quadríceps, sem prejuízo  à estabilidade articular. 

Tal evidência indica que a CCF atua como um alicerce seguro, garantindo  proteção ao enxerto e restabelecimento da função básica do joelho, sobre o qual a  CCA pode ser gradualmente incorporada. Essa associação equilibrada entre ambas  as modalidades potencializa os ganhos funcionais do paciente, otimizando não  apenas a recuperação muscular, mas também a preparação para as demandas  esportivas de maior intensidade (Forelli et al., 2023). 

Os autores Forelli et al., (2023) reforçam esse ponto ao observar que a  introdução precoce de exercícios em CCA pode ser realizada sem prejuízo clínico,  desde que o paciente já tenha passado por um período inicial de adaptação com CCF.  Ou seja, o risco não está intrinsecamente associado à CCA, mas sim ao momento da  sua inserção no protocolo. Dessa forma, a lógica de sequenciamento mostra-se  determinante para o sucesso da reabilitação: inicia-se com CCF, garantindo  estabilidade articular, coativação muscular e proteção ao enxerto, e posteriormente  evolui-se para CCA, com carga e amplitude criteriosamente controladas, a fim de  promover ganhos mais específicos de força e ativação do quadríceps. Essa  progressão planejada contribui não apenas para otimizar o desempenho funcional,  mas também para reduzir o risco de falhas na reconstrução e favorecer um retorno  esportivo mais seguro. 

Portanto, ao analisar o papel da cadeia cinética fechada (CCF) na reabilitação  pós-LCA, é possível destacar três benefícios centrais: segurança biomecânica para o  enxerto, aprimoramento do controle neuromuscular e transferência funcional para  gestos específicos do esporte. Contudo, a literatura mais recente enfatiza que os  melhores resultados são obtidos quando a CCF não é utilizada de forma isolada até o  término do processo de reabilitação, mas sim como base para a introdução  progressiva da cadeia cinética aberta (CCA) em fases mais avançadas (Pamboris et  al., 2024). 

Dessa forma, a discussão contemporânea sobre protocolos de reabilitação não  se restringe à escolha entre CCF ou CCA, mas sim à compreensão do momento ideal  e da forma adequada de integrar ambas as modalidades, maximizando ganhos  funcionais e garantindo um retorno seguro e eficiente às atividades esportivas (Forelli  et al., 2023)

A literatura atual sobre reabilitação após reconstrução do ligamento cruzado  anterior apresenta algumas limitações relevantes. A primeira diz respeito à  heterogeneidade metodológica entre os estudos, já que há grande variação nos tipos de enxertos utilizados, técnicas cirúrgicas empregadas, tempos de avaliação e até nos  protocolos de exercícios de cadeia cinética aberta (CCA) e cadeia cinética fechada  (CCF) (Kopka et al., 2024). 

Essa diversidade dificulta a comparação direta e reduz a força das conclusões.  Outro ponto é a qualidade metodológica: nem todos os trabalhos são ensaios clínicos  randomizados, e em muitos deles o cegamento dos avaliadores e a padronização da  carga ou da amplitude de movimento não ficam claros, o que pode introduzir vieses. 

Além disso, muitos estudos privilegiam desfechos de curto prazo, como força e  estabilidade articular, deixando de avaliar de forma consistente os resultados  funcionais e o retorno ao esporte em médio e longo prazo. Observa-se também que  parte das evidências biomecânicas é baseada em estudos in vivo em joelhos íntegros  ou em condições que não refletem exatamente a situação pós-operatória de um  enxerto em cicatrização, limitando a aplicação direta desses achados na clínica. Outro  fator limitante é a ausência de consenso nos critérios de progressão entre fases da  reabilitação, já que diferentes autores utilizam pontos de corte variados para força,  testes de salto ou questionários subjetivos. Por fim, muitas pesquisas contam com  amostras pequenas ou restritas a atletas recreacionais, dificultando a extrapolação  para atletas de alto rendimento ou populações específicas, como mulheres ou  indivíduos com lesões associadas (Astur et al., 2016). 

Apesar das limitações metodológicas encontradas em alguns estudos, algumas  implicações práticas podem ser destacadas. Os exercícios em cadeia cinética aberta  (CCA) podem ser incorporados desde as fases iniciais da reabilitação, desde que  respeitados parâmetros seguros, como amplitudes de flexão entre 40° e 90° e cargas  baixas a moderadas, evitando resistência em extensão terminal (0–30°) nas primeiras  semanas, especialmente quando o enxerto utilizado for o tendão patelar ou o  semitendíneo-grácil. A inclusão criteriosa da CCA contribui para uma recuperação  mais rápida da força do quadríceps sem aumento significativo da frouxidão articular (Pamboris et al., 2024). 

Outro ponto central é adotar um modelo de progressão baseado em critérios  objetivos, e não apenas no tempo decorrido desde a cirurgia. Elementos como  amplitude de movimento completa, ausência de derrame articular, simetria de força  em relação ao lado contralateral e execução adequada de exercícios funcionais  devem nortear a evolução das fases de reabilitação. A combinação de CCF e CCA ao  longo do processo mostra-se indicada: os exercícios em CCF promovem coativação muscular e maior estabilidade articular, enquanto os em CCA favorecem ganhos mais  específicos de força do quadríceps (Trindade et al., 2020). 

Além disso, a individualização do tratamento é fundamental, considerando o tipo  de enxerto utilizado e a presença de lesões associadas, como reparos meniscais ou  condropatias, pois tais condições podem alterar o ritmo de progressão, principalmente  em relação ao ganho de amplitude de movimento e à introdução de exercícios de  impacto. Dessa forma, mesmo diante de limitações metodológicas, a literatura  evidencia que a reabilitação deve ser estruturada, baseada em critérios objetivos e  adaptada às características de cada paciente, garantindo um retorno ao esporte  seguro e eficaz (Silva et al., 2020). 

5.1 Protocolo de recuperação do LCA 

Baseado em nossos estudos e baseado na literatura atual a reabilitação após a  reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA) pode ser estruturada em três fases  principais: inicial, intermediária e final. Embora os períodos sejam comumente  utilizados como referência, a progressão entre as fases deve ser orientada por critérios  funcionais objetivos, e não apenas pelo tempo decorrido desde a cirurgia. 

Na fase inicial (0–6 semanas), os objetivos centrais incluem o controle da dor e  do edema, a recuperação da extensão completa do joelho, o início do ganho gradual  de flexão, a restauração do padrão de marcha e a ativação do quadríceps. Durante  este período, são indicados exercícios de mobilidade suave, fortalecimento isométrico,  elevação de perna estendida sem déficit de extensão e exercícios em cadeia cinética  fechada (CCF), como mini-agachamentos e leg press em amplitude reduzida. A cadeia  cinética aberta (CCA) pode ser introduzida de forma controlada, especialmente em  exercícios de extensão de joelho entre 40° e 90°, evitando resistência próxima da  extensão completa. Os critérios para progressão incluem amplitude total de extensão,  flexão próxima de 110°–120°, marcha sem claudicação e ausência significativa de  derrame articular (Silva et al., 2020). 

Na fase intermediária (6–12/16 semanas), o foco passa a ser o ganho de força  muscular, principalmente do quadríceps, o aprimoramento do controle neuromuscular  e a introdução gradual de tarefas unipodais e de baixo impacto. A CCA é  progressivamente incorporada com maior sobrecarga, respeitando ângulos seguros,  enquanto os exercícios em CCF, como agachamentos profundos, avanço e  levantamento terra romeno, têm intensidade aumentada de forma gradual. Também são incluídos saltos bipodais de baixo impacto e treinamento de equilíbrio dinâmico.  Para iniciar a corrida leve, recomenda-se que o paciente apresente força do  quadríceps com pelo menos 70–80% de simetria em relação ao lado contralateral, boa  qualidade de movimento e ausência de dor ou derrame. A transição para a fase final  requer força mínima de 80–85% de simetria e execução adequada de saltos lineares  sem compensações (Brinlee et al., 2022). 

Na fase final (12/16 semanas até 9 meses ou mais), o objetivo principal é o  desenvolvimento máximo de força e potência muscular, exercícios pliométricos e  habilidades específicas do esporte. São aplicados exercícios de alta intensidade,  saltos unipodais multidirecionais, treinos de aceleração e mudança de direção, além  de atividades técnico-táticas progressivas. Os critérios para o retorno seguro ao  esporte incluem índice de simetria ≥ 90% (idealmente 95%) na força dos extensores  e flexores, testes funcionais de salto com simetria ≥ 90%, execução de movimentos  sem valgo dinâmico, escores elevados em questionários subjetivos de função e  confiança, e ausência de dor ou derrame articular (Fontanier et al., 2025). 

6. CONCLUSÃO 

Os exercícios em cadeia cinética aberta (CCA) e cadeia cinética fechada  (CCF) desempenham papéis distintos, porém complementares, na recuperação de  lesões do Ligamento Cruzado Anterior (LCA). Estudos recentes indicam que os  exercícios em cadeia aberta são particularmente eficazes no fortalecimento específico  do quadríceps, especialmente entre três e quatro meses após a reconstrução ou  lesão, favorecendo a simetria muscular e acelerando a recuperação da força.  

Além disso, há evidências de que a introdução precoce da CCA pode reduzir dor  e desconforto, sem comprometer a estabilidade do enxerto, desde que respeitados  critérios clínicos rigorosos e controle adequado de carga e amplitude, limitando, por  exemplo, o movimento entre 90° e 45° de flexão. Quanto à laxidade articular, tanto os  exercícios em cadeia aberta quanto em cadeia fechada apresentaram eficácia  semelhante, com alguns estudos sugerindo que a CCA pode, inclusive, reduzir a  frouxidão ligamentar em determinadas fases da reabilitação. 

Por outro lado, os exercícios em cadeia cinética fechada (CCF) oferecem  vantagens importantes nas fases iniciais da reabilitação, sendo biomecanicamente  mais seguros, promovendo menor estresse direto sobre o enxerto e favorecendo o  controle neuromuscular e funcional do joelho. Pacientes submetidos prioritariamente a protocolos baseados em CCF demonstraram melhores resultados quanto à função  do joelho, amplitude de flexão e redução da dor nos primeiros meses pós-operatórios,  indicando que esses exercícios são mais indicados nos estágios iniciais, quando a  proteção do enxerto e a estabilidade global da articulação são prioritárias. 

Dessa forma, não se pode afirmar que uma abordagem isolada seja  universalmente superior. A literatura mais recente converge para a ideia de que a  associação progressiva de ambos os métodos é a estratégia mais eficaz. O protocolo  mais recomendado consiste em iniciar a reabilitação com exercícios em CCF, devido  à segurança e funcionalidade que oferecem, e introduzir gradualmente os exercícios  em CCA após aproximadamente quatro semanas, de forma controlada, para otimizar  o fortalecimento do quadríceps e garantir uma recuperação mais completa. Essa  combinação equilibra ganhos de força, manutenção da estabilidade do enxerto e  melhora funcional, favorecendo o retorno às atividades esportivas e às demandas do  cotidiano com maior segurança. 

Do ponto de vista clínico, a aplicabilidade desse modelo combinado é evidente:  os exercícios em CCF devem ser priorizados na fase inicial, garantindo estabilidade  articular e ativação muscular global, enquanto os exercícios em CCA, introduzidos de  forma gradual, potencializam a recuperação do quadríceps e reduzem déficits que  poderiam comprometer o retorno ao esporte ou aumentar o risco de nova lesão. Essa  abordagem integrada atende tanto às necessidades de proteção do enxerto nas fases  precoces quanto ao objetivo de força e funcionalidade nas fases intermediárias e  finais. 

Apesar dos avanços, ainda existem limitações importantes na literatura. Muitos  estudos apresentam heterogeneidade metodológica, amostras pequenas, diferentes  tempos de intervenção e falta de padronização quanto à carga, amplitude de  movimento e critérios clínicos para a introdução dos exercícios. Essas limitações  dificultam a definição de protocolos universais e reduzem a força das evidências  disponíveis. 

Portanto, reforça-se a necessidade de ensaios clínicos randomizados, com  amostras mais robustas e seguimento a longo prazo, capazes de comparar protocolos  isolados e combinados, avaliar o impacto funcional real, a taxa de retorno ao esporte,  a prevenção de recidivas e até mesmo o desenvolvimento de artrose precoce.  Também é fundamental padronizar critérios para a introdução dos exercícios em CCA,  incluindo parâmetros de carga, tempo pós-operatório e amplitude segura, de modo a orientar a prática clínica com maior segurança. 

Em conclusão, os exercícios em cadeia aberta e fechada exercem efeitos  benéficos e complementares na recuperação de lesões do LCA. Enquanto a CCF se  destaca na segurança inicial e no ganho funcional precoce, a CCA é essencial para o  fortalecimento do quadríceps e restauração da simetria muscular. A abordagem  combinada, respeitando o tempo pós-operatório e critérios clínicos individualizados,  apresenta-se como a mais eficaz e aplicável para a reabilitação. Ainda assim, a  necessidade de estudos futuros, bem estruturados e de alta qualidade metodológica,  é evidente para que se estabeleçam protocolos clínicos mais claros e universais,  capazes de otimizar o processo de recuperação e reduzir riscos de complicações a  longo prazo. 

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Acadêmicos do curso de Fisioterapia – UniCV*
Mestre e docente do curso de Fisioterapia – UniCV**. E-mail: prof_gustavomoreno@unicv.edu.br