ANÁLISE DO PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA DENGUE EM SÃO CAETANO DO SUL

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202508211143


Aline Tosta1
Carolina Giovanna Labinas Paroni2
Caroline de Oliveira Nieblas3
Doris de Micena Silva Cunha da Costa4
Matheus Mazotti Pimentel5
Milena de Lara Macedo6
Victorio Petarnella Piccolo7
Vivian Angerami Gonzalez La Falce8


Resumo: 

Introdução: A dengue é considerada uma arbovirose, causada pelo mosquito fêmea  Aedes aegypti da família Flaviviridae. O vírus possui mais de um sorotipo (Denv 1, 2, 3 e 4) sendo uma doença endêmica, de caráter súbito, que causa problemas sistêmicos, febre aguda e dores musculares de grande intensidade. O período mais propício à proliferação do vetor é no final da primavera e início do verão. Objetivo: Obter dados epidemiológicos sobre a dengue na cidade de São Caetano do Sul, no período de Janeiro de 2023 a Abril de 2024. Método: Trata-se de um estudo observacional e transversal, com análise de dados de Janeiro de 2023 a Abril de 2024, sobre a epidemiologia da dengue na cidade de São Caetano do Sul – SP. No ano de 2023, São Caetano do Sul totalizou 267 casos notificados, sendo dos confirmados 27 autóctones e 37 importados. Resultados: O estudo mostrou um predomínio de casos entre os meses de janeiro a abril de 2024, especialmente no mês de março. Em relação à incidência por sexo, em 2023 há predomínio do sexo masculino e em 2024 no sexo feminino, ambos na faixa etária de 20 a 64 anos. Foram confirmados 235 casos onde ocorreu hospitalização. Conclusão: Conclui-se que a Dengue apresentou uma grande crescente de casos notificados na cidade de São Caetano do Sul comparado ao ano de 2023. Desta forma, entende-se que é necessário incentivar a população à prevenção e à vacinação disponível no Sistema Único de Saúde.

Palavras-chave: Dengue, Epidemiologia, Incidência e Prevenção. 

Introdução

A dengue (DG) é considerada uma arbovirose, causada pelo mosquito fêmea  Aedes aegypti da família Flaviviridae. É um vírus que possui mais de um sorotipo (Denv 1, Denv 2, Denv 3 e Denv 4), sendo uma doença endêmica, de caráter súbito, que causa problemas sistêmicos, febre aguda e dores musculares de grande intensidade, podendo deixar o enfermo extremamente debilitado. A cura pode ser  autolimitada na maioria dos casos, mas em alguns casos pode levar o paciente a óbito em poucos dias se não receber uma atenção médica apropriada. [1]. Junto de outras doenças infecciosas de transmissão vetorial, a dengue constitui importante causa de morbimortalidade no país. O ano de 1987 marcou o início da transmissão de dengue no estado de São Paulo, culminando sequencialmente em registros de casos de dengue em todos os anos, com epidemias sequenciais e aumento do número de casos. [3].

O vírus é adquirido através da picada do inseto, classificada de acordo com a Organização Mundial da Saúde em dengue sem sinais de alerta, dengue com sinais de alerta e dengue grave. Sua maior incidência ocorre em países tropicais e subtropicais, principalmente em regiões urbanas com saneamento precário, baixo nível de escolaridade e pobreza. [2]. Além disso, o período mais propício à proliferação do vetor ocorre no final da primavera e início do verão. [3].

O crescimento urbano não planejado junto com as baixas condições de infraestrutura são fatores que favorecem a proliferação do vetor e, também, dificultam as ações de prevenção e controle da doença. Dessa forma, é necessário que as características epidemiológicas, entomológicas e socioambientais de cada território sejam levadas em conta nas estratégias de controle vetorial e manejo integrado dos casos de Dengue, com uma abordagem individual e coletiva da população. [4]. Portanto, a vigilância da transmissão dessa arbovirose engloba uma sequência de ações planejadas e executadas de acordo com cenário de cada região, de forma integrada, articulada e coordenada intra e intersetorialmente, junto com a participação da sociedade civil. [3].

Objetivo

Obter dados epidemiológicos sobre a dengue na cidade de São Caetano do Sul, no período de Janeiro de 2023 a Abril de 2024.

Método

O presente trabalho trata-se de um estudo observacional e transversal, com análise de dados de Janeiro de 2023 a Abril de 2024, sobre a epidemiologia da dengue na cidade de São Caetano do Sul – SP. 

A coleta de dados foi realizada através do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) “Prof. Alexandre Vranjac” [5], analisando a quantidade de casos de dengue confirmados, sendo estes autóctones ou importados, e os casos notificados. Também foram coletados dados através do DataSUS (Tecnologia da Informação a Serviço do SUS) [6], sobre sexo, faixa etária, raça e escolaridade da população sul-caetanenese infectada pela dengue no período selecionado.

Para a realização desse projeto foram seguidas as seguintes etapas: seleção dos dados de acordo com o intervalo de tempo selecionado, análise da quantidade de casos notificados e confirmados, comparação de casos autóctones e importados, análise das características dos pacientes infectados e por fim, uma análise crítica do perfil epidemiológico dessa arbovirose. 

No ano de 2023, São Caetano do Sul totalizou 267 casos notificados, sendo dos confirmados 27 autóctones e 37 importados. Em Janeiro de 2023, haviam 28 casos notificados e em Fevereiro de 2023, 19 casos notificados. A maioria dos casos afetou pacientes brancos entre 20 e 39 anos, do sexo feminino e com ensino superior completo, não ocorrendo hospitalização na maior parte dos casos. 

Já no período de Janeiro a Fevereiro de 2024, a cidade totalizou 1029 casos notificados, sendo dos confirmados 504 autóctones e 16 importados. Em Janeiro de 2024, as notificações foram realizadas em 127 casos, aumentando para 902 casos em Fevereiro de 2024. Considerando o período de Janeiro a Abril de 2024, a maioria dos casos afetou pacientes brancos entre 20 e 39 anos, do sexo feminino e com ensino superior completo, com um aumento no número de pacientes hospitalizados em quase 3 vezes mais quando comparado ao ano de 2023.

Resultados

No período de janeiro de 2023 a abril de 2024, a base de dados DATASUS registrou 3.536 casos de dengue no município de São Caetano do Sul. Apenas nos primeiros quatro meses de 2024 o número de casos foi maior do que os notificados no ano de 2023, sendo 3.389 casos de janeiro a abril de 2024 e 147 casos de janeiro a dezembro de 2023. A maior incidência mensal foi registrada em março de 2024 (3.389). A menor incidência mensal foi registrada em agosto de 2023 (1). (Tabela 1).

MÊS DE NOTIFICAÇÃO20232024
janeiro8119
fevereiro7660
março252129
abril41481
maio29
junho8
julho8
agosto1
setembro4
outubro5
novembro3
dezembro8
TOTAL1473389

Tabela 1– notificações de casos de dengue por mês em 2023 e 2024 no município de São Caetano do Sul 

A Tabela 2 mostra a incidência de casos por faixa etária e sexo. A distribuição do total de casos de dengue por sexo apresenta maior incidência de casos no sexo masculino em 2023, embora no ano de 2024 o número absoluto de casos em mulheres tenha superado o número de casos em homens. Constatou-se que sobre a faixa etária, aquela com maior proporção de casos, em ambos os anos do estudo, foi a de 20 a 64 anos, representando 78,2% e 74,2% no ano de 2023 e 2024 respectivamente.

FAIXA ETÁRIA20232024
1-1925564
20-641152515
65-796248
80+150
SEXO
masculino841557
feminino631832

Tabela 2– notificações de casos de dengue por faixa etária e sexo em 2023 e 2024 no município de São Caetano do Sul

https://lh7-rt.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXflHI63QczAjXcZXtrojxlTdWYJ3iwzkI8L6hkuwLvRwQTGto637P4GlAjBBWsQc2mK_YghiU3KuGPw51qYwuioB9zLFGWZz_BQYvqyR42A8fRLxFtyBhaV_EsTLsZY7oB8jA_nkg?key=dTPa5bXWQpCLBg5vHbQFmA

Gráfico 1– notificações de casos de dengue por faixa etária em 2023 e 2024 no município de São Caetano do Sul

https://lh7-rt.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXeSXpkkt3aY3sDHHUD7wTTEKSuvN6MG29YzeRKyARmeH9ih3sudRGLau328V2Fa4tF7xvP8eVd1fMWTf_QeXh4TCJD4aCi7pBn_mNm1IC3vvGmu4qhogsXY6TMp3KelXpkFqj1XJA?key=dTPa5bXWQpCLBg5vHbQFmA

Gráfico 2– notificações de casos de dengue por sexo em 2023 e 2024 no município de São Caetano do Sul 

No período estudado, foram confirmados 235 casos onde ocorreu hospitalização. A taxa de hospitalizações foi de 29,9% em 2023 (n=44) e 5,6% em 2024 (n=191). (Tabela 3).

HOSPITALIZAÇÃO20232024
ignorado2569
sim44191
não1012629

Tabela 3– notificações de casos de hospitalizações em 2023 e 2024 no município de São Caetano do Sul

https://lh7-rt.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXfxZN9O-bPpWww9ecY96uHvDp6ALKhQEHvL1gAJl1Xh7W9AG951Z7gn62qWzJG80Vfm1tOybZZRt_2GGD3agiCGwNeKSQr0uZVW6ANbdsjBIU0qChqq1rBoCxtuoQ9IsS70NmDYBA?key=dTPa5bXWQpCLBg5vHbQFmA

Gráfico 3– notificações de casos de hospitalizações por dengue em 2023 e 2024 no município de São Caetano do Sul 

Em termos de escolaridade, houve prevalência de casos nos indivíduos com educação superior completa em ambos os anos, representando em 2023 14,9% (n=22) dos casos e em 2024 11,27% (n=382). (Tabela 4)

ESCOLARIDADE20232024
ignorado641967
analfabeto4
1ª a 4ª série incompleta do EF233
1ª a 4ª série completa do EF133
5ª a 8ª série incompleta do EF253
Ensino fundamental completo163
Ensino médio incompleto6173
Ensino médio completo22382
Educação superior incompleta2133
Educação superior completa43448
Não se aplica4101
TOTAL1473389

Tabela 4– notificações de casos de dengue segundo escolaridade em 2023 e 2024 no município de São Caetano do Sul 

Discussão

O presente estudo tem como objetivo a análise de dados de Janeiro de 2023 a Abril de 2024, sobre a epidemiologia da dengue na cidade de São Caetano do Sul.

A dengue é a infecção viral transmitida por mosquito mais frequente, além de ser uma doença endêmica, com maior proliferação durante o verão e no fim da primavera, e é encontrada em países como: Brasil, Paraguai, Peru, Guatemala, Bolívia, Equador e Argentina, sendo que o Brasil lidera o ranking no número de casos. 

Furtado et al. em 2018 citou uma estimativa global com aumento de cerca de 50 a 200 milhões de casos de dengue anualmente, com aproximadamente 20 mil mortes. [7]

Em São Caetano do Sul, de janeiro e fevereiro de 2023 para 2024, houve um aumento de aproximadamente 385%, de acordo com os dados acima coletados, uma vez que em 2023, 267 casos de dengue foram notificados e nos primeiros dois meses de 2024, 1029 casos foram notificados. A população mais acometida permaneceu a mesma: mulheres brancas. Entretanto, ao comparar 2023 com o período de janeiro a abril de 2024, o número de pacientes hospitalizados triplicou, o que condiz com a estimativa de aumento global dos casos de dengue. 

Esse aumento no número de casos e na gravidade desses, ocasionou internações frequentes, justificado pelas alterações climáticas e a resistência crescente dos insetos às medidas habituais como inseticidas, assim como citado por Tauil L.P. em 2002 [8], quando os casos de dengue começaram a aumentar.

Segundo Barreto L. e Teixeira M. [9], a capacidade de adaptação do Aedes Aegypti, vetor do vírus da dengue, está se ampliando por conta de fatores, como por exemplo, a sua aptidão de colocar ovos em vários recipientes em um mesmo ciclo. Esse fato condiz com o número de casos que vem aumentando em São Caetano do Sul desde 2023, como constatado neste trabalho.

Lenzi M.F. e Coura L.C. em 2004 [10] citaram que a falta de informação sobre a dengue gera uma grande insegurança na população, concluindo que é preciso assegurar o acesso a informações sobre a doença de forma simples, para corroborar com a prevenção. Em consonância com isso, ainda no contexto de prevenção, a vacina da dengue, disponível no SUS, garante uma redução na morbimortalidade da doença e também reduz os custos relacionados a ela, como relatado pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo [11].

Dessa forma, os estudos elencados contribuem para a explicação do aumento de casos e internações que foram vistos nos resultados desse projeto. 

Conclusão

Após a análise dos dados obtidos, concluímos que a Dengue apresentou uma grande crescente de casos notificados na cidade de São Caetano do Sul comparado ao ano de 2023. Esses casos foram mais prevalentes no mês de Março, na faixa etária entre 20 e 64 anos e em mulheres. Desta forma, o estudo nos permitiu concluir que é preciso incentivar a população quanto a prevenção, seja com palestras em Unidades Básicas de Saúde e escolas, realizando orientação e fiscalização no domicílio, instruir sobre técnicas como evitar água parada e eliminação correta de lixos,  para que possamos erradicar o mosquito da Dengue, e o mais importante, incentivar a população quanto à vacinação disponível na Sistema Único de Saúde.

Referências

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  • Santos JPC, Albuquerque HG, Siqueira ASP, Praça HLF, Pereira LV, Tavares AM, Gusmão EVV, Bruno PRA, Barcellos C, Carvalho MS, Sabroza PC, Honório NA. ARBOALVO: ESTRATIFICAÇÃO TERRITORIAL PARA DEFINIÇÃO DE ÁREAS DE PRONTA RESPOSTA PARA VIGILÂNCIA E CONTROLE DE ARBOVIROSES URBANAS EM TEMPO OPORTUNO. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/PRHckVMX5h3SJSkKQvB8Ggg/?lang=pt# 
  • Governo do Estado de São Paulo – Secretaria da Saúde. DADOS ESTATÍSTICOS. São Caetano do Sul, 2023 e 2024. Disponível em: https://www.saude.sp.gov.br/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica-prof.-alexandre-vranjac/oldzoonoses/dengue/dados-estatisticos 
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  • Revista Brasileira de Análises Clínicas, DENGUE E SEUS AVANÇOS. Amanda Furtado et al. 2018 DOI: 10.21877/2448-3877.201900 https://www.rbac.org.br/artigos/dengue-e-seus-avancos/
  • Tauil L.P. Aspectos críticos do controle da dengue no Brasil. Caderno de Saúde Pública 18. Junho, 2002. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0102-311X2002000300030
  • Barreto LM, Teixeira MG. DENGUE NO BRASIL: SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA E CONTRIBUIÇÕES PARA UMA AGENDA DE PESQUISA. Universidade Federal da Bahia. Dossiê Epidemias. Dezembro, 2008. Disponível em:  https://doi.org/10.1590/S0103-40142008000300005 
  • Lenzi M.F., Coura L.C. PREVENÇÃO DA DENGUE: A INFORMAÇÃO EM FOCO. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 37(4):343-350. Julho a Agosto, 2004. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rsbmt/a/fdm3JTYvSG9JNq8ZMMwPhjF/?format=pdf 
  • Secretaria da Saúde – Governo do Estado de São Paulo. DOCUMENTO TÉCNICO: ESTRATÉGIA DE VACINAÇÃO CONTRA A DENGUE. 2ª edição. Abril, 2024. Disponível em: https://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/imunizacao/2024/vacina_dengue110424_doctecnico.pdf

1ORCID: https://orcid.org/0009-0004-2197-846X – Filiação: Universidade Municipal de São Caetano do Sul – E-mail: aline.tosta@uscsonline.com.br – Telefone: (11) 933199993
2ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4841-2472
3ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8639-5677
4ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2474-0030
5ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6972-0255
6ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0017-1590
7ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1174-6521
8ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3164-4768