ANÁLISE DO IMPACTO DA TAXA SELIC SOBRE A ECONOMIA BRASILEIRA DURANTE O PERÍODO DE 2020 A 2024

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202509131736


Izabel Rodrigues Kersul Ferreira¹
Prof. orientador: Dr. Carlos Paula Lemos²


RESUMO 

Este artigo busca analisar os impactos que as mudanças da taxa Selic causaram na economia brasileira nos anos de 2020 a 2024, sendo o principal instrumento do Comitê de política monetária do Banco Central do Brasil para controlar a inflação e orientar a economia. Essas mudanças na taxa mais alta ou mais baixa, causam diversos efeitos nos indicadores macroeconômicos como a inflação, a taxa de câmbio, o crescimento econômico e nos investimentos, sendo as mudanças consideradas negativas ou positivas dependendo do indicador considerado. Durante esses anos, ocorreram variações drásticas na taxa Selic, a qual foi influenciada pela pandemia da COVID-19, a retomada econômica e o aumento das taxas dos produtos vindos do exterior. O artigo busca compreender como as mudanças da taxa Selic impactam o consumo, a produção, o crédito e os investimentos. 

Palavras-chave: Taxa Selic. Banco Central do Brasil (BCB). Inflação. Comitê de Políticas Monetárias (Copom).

1  INTRODUÇÃO 

As taxas de juros são um dos instrumentos utilizados pelos governos para conduzir as políticas econômicas, elas são muito utilizadas principalmente pelos países em desenvolvimento. A taxa básica de juros utilizada no Brasil é a Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), definida pelo Copom do BCB com o objetivo de regular a economia brasileira, ela influencia e controla a inflação e dá orientações das diretrizes monetárias, já que exerce influencia diretamente no crédito, consumo e investimento. Assim como foi dito por Lucas Sampaio:

“O Comitê de Política Monetária (Copom) desempenha um papel crucial na economia brasileira, sendo responsável por definir a taxa básica de juros, conhecida como Selic. Esta taxa é um dos principais instrumentos utilizados pelo Banco Central para controlar a inflação e influenciar a atividade econômica. Em um cenário de incertezas econômicas, as decisões do Copom são aguardadas com grande expectativa pelo mercado financeiro e pela sociedade em geral” (Sampaio, 2025)

Esse artigo busca analisar os impactos na economia brasileira causados pelas flutuações da taxa Selic entre 2020 a 2024, período marcado por grandes flutuações na taxa e uma lenta recuperação econômica após o ápice da pandemia da Covid-19, onde o mercado nacional e internacional estava cheio de incertezas. Durante esse período, a taxa Selic teve períodos de alta e períodos de queda, mostrando o esforço do Banco Central do Brasil em tentar estabilizar os preços e incentivar o crescimento da economia. Essas variações mostram as decisões tomadas pela autoridade monetária para controlar a inflação, e as atitudes tomadas pelos agentes econômicos (investidores, consumidores, empresas, etc.).

Desse modo, o artigo procura compreender como essas flutuações podem afetar a inflação, taxa de câmbio, consumo das famílias, investimentos e as concessões de créditos e os impactos das decisões na economia brasileira. 

Este estudo, busca demonstrar o impacto que a taxa Selic exerce sobre a economia principalmente durante os anos de 2020 a 2024. Inicialmente, será exposto o conceito de taxa de juros, explicando os juros simples e composto, o que é a taxa Selic e qual a sua importância para a economia brasileira. Logo depois, o trabalho visa demonstrar o quanto a Selic influencia diferentes áreas da economia, como o consumo, inflação, câmbio e o investimento. Em seguida, serão abordados alguns eventos econômicos que influenciaram a economia brasileira no período de 2020 a 2024. No final, o trabalho trará uma reflexão sobre os efeitos causados na política monetária, levando em consideração a influência da taxa Selic na economia ao longo do tempo analisado.

2  REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 

A Selic, causa grande impacto na economia brasileira, sendo uma das principais ferramentas utilizadas pelo Copom para controlar a inflação e influenciar a economia brasileira. Segundo o site do Banco Central [s.d], a Selic exerce influência sobre outras taxas como as taxas de financiamento, empréstimos, as taxas de aplicação financeira entre outras.

Além disso, será falado no artigo sobre as políticas monetárias e seus mecanismos de transmissão de crédito, investimento e o consumo das famílias, seguindo algumas ideias descritas por Vasconcellos e Garcia (2018). 

Será exposto também sobre como a Selic é utilizada pela política Monetária para alterar as variáveis econômicas. Quando a Selic diminui, é encorajado o consumo e o investimento e quando a taxa aumenta, seu objetivo é conter a inflação, assim como descrito por Assaf Neto (2014)

Seguindo as ideias de Lunardi (2009), será retratado como as taxas de juros nominais são determinadas e quais são os fatores que podem determinar o cálculo do valor das taxas de juros.  

Ao longo do desenvolvimento do artigo, também constará informações provenientes de sites como o Banco Central do Brasil (BCB), do Cable News Network (CNN) que é um canal de notícias brasileiras. 

3  DESENVOLVIMENTO 

3.1  Taxa de Juros 

A taxa de juro é o valor cobrado sobre o valor original utilizado nos empréstimos, investimentos, compras parceladas e demais transações financeiras. Sempre que um dinheiro é emprestado, o devedor deve pagar uma taxa ao credor (aquele que emprestou o dinheiro) pelo empréstimo do dinheiro por um determinado período de tempo. Para calcular a taxa e o valor a ser pago de juros, deve-se levar em consideração o montante (valor emprestado) e o tempo que esse dinheiro será emprestado. Para Assaf Neto (2014), os juros é a remuneração do capital que será recebido pelo dinheiro emprestado ao longo do tempo ou o rendimento ganho sobre uma aplicação financeira. 

O Banco Central (BACEN) utiliza a taxa de juros como uma ferramenta para conseguir manter a inflação e a economia sob controle, já que as taxas de juros facilitam o acesso ao crédito e o consumo e fazem a economia girar mais rápido. 

Os juros são divididos pelo montante que está sendo emprestado, o banco empresta R$1.000,00 do seu dinheiro a um terceiro durante o período de 1 ano, quando o devedor pagar o empréstimo, será cobrado R$100,00 reais a mais pelo tempo que o dinheiro foi emprestado, isso significa que o devedor pagou uma taxa de 10% a.a. 

Ao realizar um contrato de empréstimo, o devedor deve ficar atento aos termos do contrato negociado com o banco ou instituição financeira. No exemplo acima, a taxa de juros foi feita por ano, mas dependendo do tipo de negociação, do acordo ou da instituição os juros o qual o empréstimo foi realizado, podem ser considerados a taxas mensais, trimestrais, diárias, semanais e assim por diante. 

O valor também pode mudar dependendo das condições do contrato, já que os juros podem ser simples ou compostos e podemos ter a incidência de uma taxa pós-fixada que é ligada ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) ou o CDI (Certificado de Crédito Interbancário) e com isso teremos outros valores a serem cobrados ao longo do período do empréstimo. 

3.2  Juros Simples 

Nos juros simples, a taxa de juros é calculada em cima do valor que foi emprestado, com isso, o valor das parcelas pagas pelo devedor terá sempre o mesmo valor. Segundo Gitman

(2009) as taxas de juros simples são mais comuns de serem vistas em operações de curto prazo, como em operações comerciais, empréstimos pessoais e em aplicações onde o prazo é pré determinado. 

As prestações da taxa, vão ser uma progressão aritmética na qual as parcelas terão uma taxa de juros fixa. 

3.3  juros Compostos 

Nas taxas de juros compostos, ocorre os juros sobre juros, onde os juros cobrados serão calculados pela soma do montante inicial mais os juros pagos em cima do valor pago no mês anterior. 

Os juros das prestações vão ser acumulativos e consequentemente o valor que será pago na parcela seguinte será maior do que a prestação atual. Segundo Gitman (2009) os juros compostos são mais utilizados em empréstimos de longo prazo, financiamentos empresariais e aplicações de renda fixa e variável por exemplo, já que tem uma maior precisão dos efeitos do valor do dinheiro ao longo do tempo. 

3.4  Selic 

A taxa Selic foi criada em 1979 pelo BCB em conjunto com a Andina (Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto), atualmente conhecida como Anbima. O objetivo do Sistema Selic era agilizar a compra e venda de títulos públicos, o valor dessa taxa é definido pelo Copom do BCB. Segundo Vasconcellos e Garcia (2018) a Selic é a taxa básica de juros da economia e é utilizada para controlar a inflação, regular a liquidez do mercado brasileiro e ancoragem das expectativas econômicas. A Selic exerce influência sobre as demais taxas de juros, como as taxas sobre empréstimos, financiamentos e as operações de crédito com isso, segundo Assaf Neto (2014), quando o BCB eleva os preços da Selic, seu objetivo é conter a inflação desestimulando tanto o consumo da população, quanto os investimentos, é quando a taxa Selic está baixa, o BCB quer fomentar a economia através do aumento da liquidez. 

3.5  Influência das Taxas na Economia 

Consumo: As taxas de juros mais altas ou mais baixas podem ser cruciais para o estímulo ou desestímulo ao consumo. Segundo os pesquisadores Mattoso e Baltazar (2008), o aumento do salário mínimo, a expansão do crédito e a redução da inflação, exerceram uma grande influência no estímulo ao consumo nos primeiros anos do plano real. Por outro lado, quando as taxas aumentam, o valor do crédito também fica mais caro, fazendo com que o consumo diminua, principalmente os financiados e aqueles conhecidos como bens duráveis (produtos que possuem um prazo de vida longo e não estragam ou se deterioram rapidamente) são exemplos: eletrodomésticos e automóveis que por apresentarem um preço elevado muitos consumidores buscam fazer empréstimos ou parcelar o pagamento. Devido a isso, muitos dos consumidores vão ter uma maior influência para adquirir esses bens quando o preço das taxas forem menores, já que as taxas vão ser mais baixas e acessíveis aos consumidores. 

Investimentos: Os investimentos de renda fixa, como por exemplo os CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) e os LCIs (Letra de Crédito Imobiliário), que dependem diretamente da taxa Selic para ser rentável ou pode depender do CDI o qual acompanha a Selic. Com a taxa Selic alta esses investimentos são melhores e mais atrativos obtendo um rendimento maior e quando baixos a rentabilidade dos investimentos cai fazendo com que os investidores procurem outras formas mais lucrativas e que tenham um maior retorno financeiro. 

Inflação: a Selic é a principal ferramenta utilizada para controlar a inflação. Quando a inflação está alta o BCB aumenta as taxas com o objetivo de desestimular o consumo da população e desacelerar a economia, depois que ela se estabiliza, o banco diminui suas taxas novamente para estimular o consumo.

Câmbio: determina por quanto o valor de uma moeda pode comprar outra. O câmbio é utilizado principalmente em transações internacionais, influenciando os preços das exportações, importações, viagens internacionais e dos investimentos realizados no exterior. A dois tipos de taxas de câmbio, o flutuante onde o valor da moeda é definido pelo mercado, a valorização da moeda de um país é definida por alguns fatores, como a quantidade de investidores estrangeiros que o país consegue atrair e se o valor das exportações são maiores do que das importações, alguns fatores externos, como pandemias e instabilidade políticas também podem influenciar o valor da moeda no câmbio flutuante. Já o câmbio fixo é quando o governo intervém na economia para conseguir manter o valor da moeda estável. 

3.6  Análise da taxa Selic de 2020 a 2024 

 Para melhor compreender as mudanças da taxa Selic no período de 2020 a 2024, foi incluída a tabela abaixo retirada do site da BCB. A Tabela é importante para ilustrar as flutuações que ocorreram durante o período influenciadas pelas decisões do Copom do BCB. Essas variações trazem grande impacto na economia brasileira, e ao analisar as mudanças na taxa, entende-se melhor os efeitos que ela causa sobre o consumo, investimento, inflação e demais indicadores econômicos.

Tabela 1 – Histórico da Taxa Selic de 2020 a 2024

(1)  O viés era definido pelo Copom juntamente com a meta para a taxa Selic. A decisão poderia ser de viés de alta, de baixa ou sem viés. Por meio desse instrumento, o Presidente do BC tinha a prerrogativa de alterar a meta para a taxa Selic no mesmo sentido do viés sem a necessidade de convocar uma reunião extraordinária do Copom. Foi introduzido pela Circular 2.868, de 4/3/1999, e extinto pela Circular 3.868, de 19/12/2017. Portanto, é aplicável para as reuniões 33ª a 211ª. Para as demais reuniões, o termo “n/a” indica ser não-aplicável.

(2)  No período de 1/7/1996 a 4/3/1999, o Copom fixava a Taxa Básica do Banco Central (TBC) e, a partir de 5/3/1999, com a extinção dessa, passou a divulgar a meta para a Taxa Selic para fins de política monetária. Portanto, na coluna “Meta Selic”, os valores da 1ª à 32ª reunião referem-se à TBC.

(3)  A Taxa de Assistência do Banco Central (TBAN) foi criada em 28/8/1996 e extinta em 4/3/1999. Portanto, é aplicável para as reuniões 4ª a 32ª. Para as demais reuniões, o termo “n/a” indica ser não-aplicável.

(4)  A partir da 20ª reunião, as taxas de juros passaram a ser fixadas na expressão anual (% a.a.). Os valores anteriores, compreendendo da 1ª à 19ª reunião, estão expressos em termos mensais (% a.m.).

(5)  Taxa de juros acumulada no período.

(6)  Taxa média diária de juros, anualizada com base em 252 dias úteis.

(7)  As taxas de juros fixadas na 17ª reunião não entraram em vigor.

(8)  Abreviação de reunião extraordinária.

(9)  Decisão do Presidente do BC, em consonância com o viés estabelecido na reunião do Copom. A data correspondente refere-se à data do comunicado da decisão. Fonte: Banco Central do Brasil 

Gráfico 1 – Taxa Selic (2020 – 2024)

Fonte: Elaborado pelo autor (2025)

Gráfico 2 – Taxa Selic 2020

Fonte: Elaborado pelo autor (2025)

No ano de 2020, podemos perceber através da tabela acima, que os índices das taxas Selic estavam abaixando, terminando o ano com uma taxa de 2% a.a. Segundo a revista Exame (2020), tais resultados podem ser resultado de uma tentativa do Banco Central de estimular a população a aumentarem seus consumos em um momento difícil como o que o mundo estava enfrentando como a Covid-19, onde houve uma desaceleração na economia trazendo uma queda no consumo e um aumento da poupança precaucional fazendo com que os brasileiros deixem suas economias na poupança, ao invés de investir ou gastar o dinheiro em um mercado incerto e como uma tentativa de diminuir os efeitos na crise econômica gerada no Brasil, houve uma queda das taxas Selic. 

Gráfico 3 – Taxa Selic 2021

Fonte: Elaborado pelo autor (2025)

Já em 2021, as taxas aumentaram drasticamente começando o ano com uma taxa de 2% a.a. e terminando com uma taxa de 9,15% a.a. Segundo a G1(2021), o aumento das taxas Selic pode ser justificado pela recuperação da economia global mais rápida do que a esperada e a incerteza das contas públicas geraram incerteza e consequentemente os investidores no país diminuíram e houve uma alta no preço do câmbio, fazendo com que o valor da taxa aumente. o aumento das taxas Selic também é uma medida de tentar controlar a inflação gerada pelo aumento nos preços dos produtos alimentícios, nos combustíveis e insumos nos mercados globais. 

Gráfico 4 – Taxa Selic 2022

Fonte: Elaborado pelo autor (2025)

Segundo o Relatório Integrado do Banco Central, no ano de 2022, o aumento da taxa Selic foi uma resposta do Banco Central de tentar conter a inflação que atingiu 5,79% no ano, acima do limite superior da meta estipulada (5%). Alguns fatores que podem explicar a inflação e a inércia inflacionária, que foi resultado da elevada inflação de 2021 (10,06%), que influenciou os preços livres e administrativos, como plano de saúde e medicamentos. Outro fator foi a pressão de custos vindos da indexação informal de salários (aumento do salário ou reajuste salarial baseada na inflação passada) e o aumento do preço dos insumos, das commodities, em especial do petróleo no primeiro semestre, o desequilíbrio entre oferta e demanda devido às mudanças de padrão de consumo na pandemia da covid-19, a guerra da Ucrânia que agravou os problemas de produção e distribuição de bens no mundo que foram fatores que contribuíram para o aumento da Selic. 

Gráfico 5 – Taxa Selic 2023

Fonte: Elaborado pelo autor (2025)

No segundo semestre de 2022 houve uma redução do preço dos combustíveis e isso ajudou a conter os preços diminuindo os tributos pagos sobre produtos como combustíveis e energia elétrica, substituindo assim a bandeira tarifária “escassez hídrica” pela “bandeira verde”, assim como a valorização do câmbio no início do ano. Levando a diminuição da taxa Selic em dezembro de 2022 e também, segundo o Relatório Integrado do Banco Central de 2023, os motivos da diminuição da taxa Selic em dezembro de 2022 foram os principais motivos que fizeram com que ela continuasse a diminuir os seus preços em 2023. 

Gráfico 6 – Taxa Selic 2024

Fonte: Elaborado pelo autor (2025)

No ano de 2024, a taxa Selic começou o ano diminuindo o preço de suas taxas de juros e aumentando a taxa novamente a partir de setembro. Segundo o relatório da Forbes, a diminuição dos preços da taxa Selic no início do ano foi causada pelo aumento das incertezas fiscais causadas por uma possível troca de presidentes no final do ano de 2024, onde não era possível determinar se o novo presidente do Banco Central seria contracionista ou expansionista, outro fator que levou a diminuição da taxa Selic foi o aumento da inflação nos Estados Unidos. Já em setembro a taxa Selic começou a aumentar novamente devido a uma atividade econômica maior que o previsto e uma piora nas expectativas de inflação. O PIB (Produto Interno Bruto) teve um aumento de 1,4% acima do previsto no segundo trimestre, o que levou o mercado a rever e aumentar suas projeções de crescimento e a inflação no ano de 2024, fazendo assim, com que o Banco Central subisse suas taxas novamente.

CONCLUSÃO 

Compreender as taxas de juros e os e as ferramentas utilizadas pelo Banco Central, é essencial para entender e avaliar as decisões políticas econômicas e quais são os impactos que elas causam na sociedade. Durante o período analisado, as variações de queda e alta da taxa foram um reflexo da resposta do Banco Central de uma economia volátil, que foi causada por por crises como a pandemia da Covid-19, pressões inflacionárias tanto internas quanto externas causadas pelo aumento no preço das mercadorias e tensões geopolíticas causados por conflitos entre países que acabaram influenciando o Brasil. 

A análise da Selic sobre as variáveis macroeconômicas (inflação, câmbio, crédito, consumo e investimentos) nos mostra o quanto essa taxa pode influenciar a economia nacional, quando elevada ela ajuda no controle da inflação e é favorável aos investimentos em renda fixa, como CDBs e o tesouro direto, oferecendo alto retorno com baixo risco e com a Selic baixa, os juros diminuem incentivando o consumo, crédito, investimento em empresas e geração de empregos e incentiva o crescimento econômico, já que tem mais dinheiro circulando na economia. Mostrando que ao mesmo tempo em que o aumento dos juros pode conter a inflação, a Selic pode restringir o crescimento econômico aumentando o valor do crédito e diminuindo o potencial do consumo da população brasileira. Enquanto em momentos estratégicos a Selic pode estimular a produção e o consumo apoiando a recuperação econômica do país. 

A partir disso, pode-se concluir que para que a política monetária seja eficaz, a taxa de juros deve ter uma calibragem adequada de acordo com as políticas econômicas e a capacidade de se adaptar rapidamente às constantes alterações no cenário externo e interno. Compreender os impactos que a Selic pode causar é fundamental para a formação de um plano para garantir a estabilidade econômica de um país, promovendo um crescimento sustentável e que seja benéfico para a população.

Diante do exposto, pode ser considerado algumas limitações as quais devem ser levadas em consideração, como o fato de a análise ter sido feita em âmbito nacional, não tendo sido levado em consideração particularidades de cada região brasileira ou de um setor específico. A Partir disso, podemos considerar algumas sugestões de pesquisas futuras, como a análise da influência da Selic nas micro e pequenas empresas ou o impacto que as oscilações da Selic podem causar em diferentes perfis socioeconômicos, contribuindo para uma visão mais detalhada sobre os impactos que a Selic exerce sobre a economia brasileira.

REFERÊNCIAS 

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Gitman, Lawrence J. Princípios da Administração Financeira. 12°. ed. São Paulo: Pearson, 2009.

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VASCONCELLOS, Marco A. S.; GARCIA, Manuel E. Fundamentos da Economia. 6° ed. São Paulo: Atlas, 2018.


¹ Discente do Curso Superior de Administração do Instituto Federal do Triangulo Mineiro –
Campus Patos de Minas e-mail: izabel.ferreira@estudante.iftm.edu.br
² Docente do Curso Superior de Administração do Instituto Federal do Triangulo Mineiro –
Campus Patos de Minas. Mestre em Engenharia de Telecomunicações pelo INATEL (Instituto
Nacional de Telecomunicações, Brasil). Doutor em Engenharia Elétrica pela UFU
(Universidade Federal de Uberlândia, Brasil). E-mail: carloslemos@iftm.edu.br