ANALYSIS OF DISTRESSES IN FLEXIBLE PAVEMENTS WITH HMA: IMPACT ON SERVICE LIFE AND MAINTENANCE
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202511221937
Angelito Pinheiro Icó Júnior¹
João Vitor Pacova Cardoso²
Rainara Kaylane Lima dos Santos³
Ittana de Oliveira Lins⁴
Felipe José Estrela Marinho⁵
Orientador: Prof. Me. Andrezzo Júlio Dantas Nascimento⁶
RESUMO
O presente trabalho de conclusão de curso buscou analisar as principais manifestações patológicas em pavimentos flexíveis revestidos com Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ), investigando a correlação entre as falhas e o impacto na vida útil da estrutura viária. Utilizando uma revisão narrativa de literatura com foco em publicações entre 2020 e 2025, o estudo cumpriu o objetivo de consolidar o conhecimento sobre a deterioração do CBUQ, que é o revestimento mais utilizado no Brasil em vias de alta circulação. A análise demonstrou que as patologias mais recorrentes, como trincas, afundamentos e desagregação, resultam de uma matriz causal complexa que envolve falhas projetuais, operacionais e, de forma crucial, falhas executivas, destacando-se a compactação deficiente e o controle tecnológico inadequado durante a aplicação do CBUQ. O impacto dessas degradações é a drástica redução da vida útil projetada do pavimento, que pode ser diminuída pela metade, gerando significativo passivo econômico e comprometendo a segurança dos usuários. Concluiu-se pela imprescindibilidade da adoção de uma gestão de pavimentos proativa, enfatizando a manutenção preventiva (como a selagem de trincas) em detrimento das intervenções corretivas mais onerosas, visando a otimização dos recursos e garantindo a durabilidade e sustentabilidade da malha rodoviária.
Palavras-chave: Pavimentos Flexíveis. CBUQ. Patologias. Manutenção Viária. Durabilidade.
ABSTRACT
The present capstone project sought to analyze the main pathological manifestations in flexible pavements coated with Hot Mix Asphalt (HMA), investigating the correlation between failures and their impact on the service life of the roadway structure. Using a narrative literature review focused on publications from 2020 to 2025, the study met its objective of consolidating knowledge on the deterioration of HMA, which is the most widely used surfacing in Brazil on high-traffic roads. The analysis showed that the most recurrent pathologies such as cracking, rutting, and raveling result from a complex causal matrix involving design, operational, and, crucially, construction-related failures, with deficient compaction and inadequate quality control during HMA application standing out. The impact of these degradations is the drastic reduction of the pavement’s designed service life, which can be cut in half, generating significant economic liabilities and compromising user safety. The study concluded that adopting proactive pavement management is indispensable, emphasizing preventive maintenance (such as crack sealing) over more costly corrective interventions, aiming to optimize resources while ensuring the durability and sustainability of the road network.
Keywords: Flexible Pavements. HMA. Distresses. Road Maintenance. Durability.
1 INTRODUÇÃO
Os pavimentos flexíveis são considerados estruturas de pavimentação constituídas por várias camadas, geralmente base, sub-base e revestimento asfáltico. Ademais, desempenha um papel crucial na infraestrutura viária, devido à sua capacidade de deformação elástica, distribuindo carga para camadas inferiores, devido também à sua alta adaptabilidade, impermeabilização do pavimento, boa durabilidade, execução acelerada e custo mais acessível (Amaral et al., 2021).
Dentre os tipos de revestimento, o CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente), também conhecido como Concreto Asfáltico, é um dos mais utilizados no Brasil, principalmente em rodovias e vias urbanas de alta circulação (Jordão Filho et al., 2024). De acordo com o
Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT), o mesmo é uma mistura executada, aplicada e compactada a quente, produzida e composta por agregado graduado e cimento asfáltico em uma usina devido à sua alta necessidade de controle tecnológico.
Segundo De Souza, De Abreu e Camargo (2024), “as manifestações patológicas em pavimentos flexíveis, como trincas, afundamentos e desgaste, comprometem a funcionalidade e durabilidade das vias, exigindo intervenções constante e impactando negativamente na vida útil do pavimento”.
Nesse sentido, com o decorrer do tempo, o pavimento tende a apresentar patologias em sua estrutura, causadas por alguns fatores, como ações do tráfego, condições ambientais, falhas na execução ou projeto, ou até mesmo fluência plástica do pavimento. Tais falhas que não apenas comprometem a segurança e conforto dos cidadãos usuários, como também impactam negativamente na vida útil da estrutura, gerando maiores custos com manutenção (Amaral et al., 2021).
Diante do cenário atual da malha viária, torna-se necessário compreender os fatores que contribuem para o surgimento das patologias em pavimentos flexíveis com CBUQ e de que forma essas falhas impactam na vida útil da estrutura. Essa problemática evidencia a relevância do estudo, uma vez que tais manifestações comprometem o desempenho estrutural, a segurança, o conforto dos usuários e elevam os custos de manutenção. Nesse sentido, o trabalho busca analisar as principais patologias presentes nesses pavimentos, identificar suas causas, relacioná-las à redução da durabilidade da estrutura e avaliar técnicas de manutenção preventiva e corretiva, de modo a propor soluções técnicas e melhores práticas que assegurem maior desempenho, durabilidade e eficiência na conservação do pavimento.
É importante salientar que este estudo se configura como uma revisão de literatura voltada para o entendimento das patologias em pavimentos flexíveis com CBUQ, destacando seus fatores de causa, seus impactos na estrutura, na durabilidade e na gestão viária. Trata-se de um tema de grande relevância para a evolução acadêmica, social e profissional dos envolvidos na engenharia civil.
No âmbito acadêmico, essa análise permite o aprofundamento no conhecimento técnicocientífico sobre o comportamento dos materiais, as falhas estruturais e os efeitos de fatores ambientais e operacionais sobre o desempenho do pavimento. Nesse viés, ao analisar o ponto de vista social, essa análise patológica acaba beneficiando a população, uma vez que, após uma boa identificação e solução do problema, acarretará uma maior segurança e conforto dos usuários.
Por fim, no aspecto profissional, o domínio dessa temática diferencia o engenheiro no mercado de trabalho, permitindo uma atuação mais qualificada em áreas como projetos viários, perícia técnica, consultorias e gestão pública de infraestrutura. A capacidade de diagnosticar e propor soluções eficazes para os problemas dos pavimentos torna o profissional mais apto a tomar decisões técnicas fundamentadas, contribuindo para a durabilidade das obras e a otimização dos recursos públicos e privados.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Pavimentos flexíveis
Pavimentos flexíveis são compostos por múltiplas camadas de materiais (Figura 1), com destaque para a sub-base, base e revestimento, que atuam em conjunto na distribuição das cargas aplicadas pelo tráfego. Uma de suas principais características é a capacidade de deformação elástica sem ruptura, o que garante maior adaptação ao solo e às variações de carga (Amaral et al., 2021). Segundo Santos, Silva e Queiroz (2024), “O revestimento geralmente é constituído por materiais com agregados asfálticos, se encontra na primeira camada e tem a função de impermeabilizar o pavimento, além de receber cargas dinâmicas e estática e transmiti- las para as camadas sequentes sem sofrer grandes deformações elástica ou plástica ou desagregações de componentes”. Dentre os materiais utilizados como revestimento, destaca-se o CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente), amplamente aplicado no Brasil por seu desempenho técnico e econômico (Araújo, 2021).
Figura 1: Camadas de um pavimento flexível

2.2 O CBUQ e sua Importância na Infraestrutura Viária
O Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ) é um dos materiais mais empregados em obras de pavimentação no Brasil, especialmente em função de sua versatilidade, desempenho mecânico e viabilidade econômica. Trata-se de uma mistura homogênea de agregados minerais e ligante asfáltico, que passa por um processo de usinagem a altas temperaturas para garantir maior aderência e estabilidade entre os componentes (Araújo, 2021). Sua aplicação, realizada ainda quente, permite um melhor grau de compactação e conformação à superfície da via, assegurando um revestimento resistente, seguro, confortável, impermeável e contínuo (Amaral et al., 2021).
Para Jordão Filho, De Marco e Florian (2024), a escolha do CBUQ como revestimento asfáltico em grande parte da malha viária nacional se justifica, em primeiro lugar, pela sua capacidade de suportar cargas repetitivas oriundas do tráfego de veículos pesados, distribuindo esforços de forma eficaz às camadas inferiores do pavimento. Ademais, esse tipo de revestimento apresenta um excelente comportamento diante de condições climáticas, principalmente quando as variações de execução e controle de qualidade são devidamente atendidas.
Outro fator relevante é a facilidade de adaptação a diferentes tipos de solos e condições geográficas, o que contribui para sua adoção em contextos urbanos, rodoviários e até mesmo aeroportuários. Por se tratar de uma solução de campo grandemente estudada e normatizada, o CBUQ oferece maior previsibilidade de desempenho e permite o uso de metodologias consolidadas para dimensionamento e manutenção (De Lima, 2021).
O estudo contínuo do comportamento do CBUQ em campo é essencial para desenvolver e aprimorar técnicas de execução e manutenção, uma vez que sua durabilidade pode ser prolongada consideravelmente com o devido manuseio e soluções técnicas. A partir da análise do desempenho ao longo do tempo, é possível propor soluções mais econômicas e eficientes, contribuindo para uma gestão de infraestrutura viária mais sustentável e segura (De Lima, 2021).
2.3 Patologias em Pavimentos com CBUQ
As patologias em pavimentos asfálticos com CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente) consistem em manifestações de falhas estruturais ou funcionais que comprometem o desempenho, vida útil e a segurança das vias. Tais patologias e deformações podem surgir desde o início da vida útil do pavimento ou evoluir progressivamente em função de agentes externos e condições adversas. Compreender a origem, os tipos e os mecanismos de evolução dessas falhas é essencial para adotar estratégias eficazes de prevenção, correção e manutenção (Santana et al., 2025).
As patologias mais comumente observadas em revestimentos com CBUQ incluem trincas, afundamentos, buracos (panelas), exsudação, escorregamento, ondulações, deformações permanentes e perda de aderência. Cada uma dessas manifestações está associada a causas específicas, podendo ser relacionadas a falhas no dimensionamento do projeto, execução inadequada na obra, baixa qualidade dos materiais, tráfego excessivo ou não previsto, infiltração de água e até fatores ambientais, como variações térmicas, condições climáticas e ação de agentes químicos (Santos et al., 2024).
- Trincas
As trincas (Figura 2) são fraturas lineares no revestimento que podem se apresentar em diferentes formas. Além de prejudicarem a integridade estrutural, essas aberturas facilitam a infiltração de água, promovendo a deterioração acelerada das camadas inferiores. As trincas por fadiga, por exemplo, são geralmente resultado de cargas repetidas que excedem a resistência à tração da mistura asfáltica (Santana et al., 2025). Ademais, de acordo com a norma DNIT (005/2003), as trincas são fendas presentes no revestimento que podem ser facilmente visíveis à vista desarmada, possuindo uma abertura superior à da fissura (Figura 3) e devem-se apresentar sob a forma de trinca isolada ou interligada.
Figura 2: Trinca

Figura 3: Fissuras

- Afundamentos e Deformações Plásticas
Afundamentos (Figura 4) localizados, especialmente nos trilhos de roda, indicam deformações permanentes, frequentemente causadas por fluência (deformação ao longo do tempo) plástica do ligante asfáltico, insuficiência de compactação, ou falha estrutural nas camadas de base e sub-base. Esse tipo de patologia reduz o conforto dos usuários e, em casos graves, pode comprometer a direção e a segurança viária (De Lima, 2021).
Figura 4: Afundamento

- Buracos (Panelas)
O surgimento das panelas (Figura 5), consiste na evolução das patologias do tipo fenda, desgaste e afundamento que não que foram tratadas, que à medida que progride com o tempo, formam buraco ou cavidade no revestimento, que está suscetível a passar para as camadas inferiores (Santos et al., 2024). Além disso, segundo o DNIT (005/2023), são cavidades que se formam no revestimento por diversas causas, sendo capaz de alcançar as camadas inferiores do pavimento, provocando a desagregação dessas camadas.
Figura 5: Panelas

- Exsudação e Escorregamento
A exsudação (Figura 6) ocorre quando o ligante asfáltico sobe à superfície, deixando a camada escorregadia e perigosa, principalmente em períodos de maior temperatura. O escorregamento (Figura 7) do revestimento pode ocorrer quando há excesso de ligante ou uma má aderência entre as camadas, resultando na movimentação do revestimento em relação à base, especialmente em trechos com aclive ou declive acentuado (De Souza et al., 2024).
Figura 6: Exsudação

Figura 7: Escorregamento

- Perda de Aderência
Com o tempo, o desgaste (Figura 8) da camada superficial ou a lixiviação do ligante asfáltico leva à redução da rugosidade do pavimento, diminuindo a aderência pneu- pavimento. Essa condição aumenta a distância de frenagem e eleva o risco de acidentes, especialmente sob chuva (Jordão Filho et al., 2024). Segundo Amaral et al. (2021), a perda de aderência ocorre principalmente devido ao desgaste superficial causado pelo tráfego repetitivo, à lixiviação do ligante asfáltico pelas chuvas e ao envelhecimento oxidativo do cimento asfáltico. Esses fatores contribuem para o alisamento da superfície, reduzindo a capacidade de escoamento da água e aumentando significativamente o risco de aquaplanagem, correspondendo a queda na segurança e conforto viário.
Figura 8: Desgaste

- Causas Associadas
As patologias em pavimentos com CBUQ decorrem de um conjunto de fatores interligados que comprometem o desempenho estrutural e funcional da via. Essas causas podem ser agrupadas em três categorias principais (Amaral et al., 2021):
- Projetuais e estruturais: falhas no dimensionamento das camadas, escolha inadequada ou baixa qualidade dos materiais ou ausência de estudos geotécnicos prévios comprometem a capacidade do pavimento de suportar o tráfego esperado. Projetos subdimensionados estão entre os principais responsáveis por trincas por fadiga e deformações prematuras (Amaral et al., 2021).
- Executivas: a má execução das etapas de pavimentação, como a compactação insuficiente, controle deficiente da temperatura da mistura, ou falhas na aplicação da camada de ligação entre os materiais, favorece o surgimento precoce de fissuras e delaminação (separação das camadas) do revestimento (Brandão et al., 2020).
- Operacionais e ambientais: incluem sobrecarga de tráfego, infiltração de água por falhas no sistema de drenagem, variações térmicas acentuadas, condições climáticas e envelhecimento oxidativo do ligante asfáltico. Esses fatores aceleram a degradação da superfície e a formação de patologias como exsudação, trincas e perda de aderência (Santos et al., 2024).
2.4 Impacto das Patologias na Vida Útil do Pavimento
As patologias em pavimentos com CBUQ reduzem significativamente sua vida útil, afetando tanto a estrutura quanto o desempenho funcional da via. Trincas, afundamentos e buracos permitem a infiltração de água, que degrada as camadas inferiores e acelera a perda de suporte do pavimento (Santos et al., 2024).
As patologias em pavimentos asfálticos com CBUQ impactam diretamente a vida útil da estrutura, uma vez que trincas, afundamentos e outras falhas comprometem a integridade das camadas inferiores, especialmente pela infiltração de água e pela perda progressiva da capacidade de suporte (Amaral et al., 2021). De acordo com o DNIT (2024), a ausência de manutenção preventiva favorece a evolução dessas falhas, exigindo intervenções corretivas mais complexas e onerosas. O órgão destaca ainda que a durabilidade projetada de um pavimento flexível pode alcançar de 10 a 15 anos, desde que as etapas de dimensionamento, execução e conservação sejam adequadamente cumpridas, caso contrário, a vida útil da via pode ser reduzida pela metade, acarretando prejuízos técnicos e financeiros significativos para o sistema viário nacional.
Além disso, a presença dessas falhas compromete a segurança dos usuários, reduz o conforto na condução e aumenta os custos operacionais com combustível e manutenção veicular. Em termos técnicos, a ausência de manutenção preventiva agrava o estado do pavimento e exige intervenções mais complexas e dispendiosas a longo prazo (Amaral et al., 2021).
2.5 Técnicas de Manutenção Preventiva e Corretiva
Segundo Brandão (2020), as intervenções em pavimentos asfálticos com CBUQ podem ser classificadas em preventivas e corretivas. A manutenção preventiva visa retardar o surgimento de falhas por meio de inspeções periódicas, selagem de trincas e aplicação de microrrevestimentos. Já a manutenção corretiva atua sobre falhas já manifestadas, utilizando técnicas como fresagem, recomposição de camadas, recapeamento e tapa-buraco.
A escolha da técnica adequada deve considerar o tipo e grau de severidade da patologia, o tráfego da via e os recursos disponíveis. Estudos recentes indicam que planos de manutenção baseados em critérios técnicos e dados de desempenho proporcionam melhor aproveitamento dos recursos públicos e prolongam a vida útil do pavimento (Santos et al., 2024).
Para Santos, Silva e Queiroz (2024), “durante a avaliação funcional, verifica-se a condição da superfície de rolamento do pavimento, identificando e analisando possíveis irregularidades presentes na superfície. Já na avaliação estrutural é analisada as camadas presentes abaixo do revestimento asfáltico, efetuando estudos de capacidade de carga e de deformação para concluir a resistência do pavimento”.
O manual do DNIT (2006) informa que em áreas que apresentam trincas com alto grau de fadiga, como as trincas interligadas de tipo bloco e de couro de jacaré, é propício a um deterioramento mais rápido, em razão disso poderá ser necessário a reconstrução do pavimento.
Os tratamentos mais usadas e eficazes para afundamento são: fresagem e recapeamento (Amaral et al., 2021).
Segundo Santos, Silva e Queiroz (2024), para combater o escorregamento de maneira correta é necessário o estudo minucioso e preciso, pois se for uma patologia superficial, basta fresar e recapear, caso ao contrário, será necessário refazer toda camada afetada.
A utilização do remendo é algo crucial para realizar a manutenção do buraco ou panela no pavimento asfáltico. Por afetar a estrutura do pavimento, é importante aplicar o remendo o mais rápido possível, pois a água pluvial pode penetrar nas camadas do pavimento, enfraquecendo sua estrutura (Santos et al., 2024). Em caso de remendo profundo, é necessário que seja retirado todo o material danificado, caso haja necessidade, pode-se retirar parte do subleito até que encontre material firme, para exercer a fundação do pavimento (DNIT, 2006).
Em suma, as técnicas de manutenção no pavimento flexível são essenciais para garantir a durabilidade, segurança e desempenho adequado das vias. A aplicação correta dos métodos de reparo e conservação permite minimizar os efeitos do desgaste, das deformações e dos danos causados pelo tráfego e pelas condições ambientais. Assim, a adoção de estratégias de manutenção preventiva e corretiva contribui para a otimização dos recursos, prolongando a vida útil do pavimento e assegurando a qualidade do tráfego para os usuários (Araújo, 2021).
3 METODOLOGIA
A metodologia desta pesquisa foi executada no formato de uma revisão de literatura. A revisão de literatura é uma forma integrativa de analisar qualitativamente as principais contribuições já publicadas sobre análise das patologias que afetam pavimentos flexíveis com CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente), seus fatores de causa, impactos na vida útil da estrutura e otimização de manutenções e recuperações, com o objetivo de proporcionar uma base teórica sólida, consolidando conhecimento existente acerca do tema.
O estudo foi baseado em literaturas publicadas no período de 2020 até 2025, no intuito de se basear nas análises mais recentes relacionadas aos pavimentos flexíveis e foi conduzida por meio de análise crítica de artigos científicos, livros e dissertações.
As buscas bibliográficas foram realizadas na base de dados do Google Acadêmico, através da utilização dos seguintes descritores: “pavimentos flexíveis”, “patologias” e “CBUQ”, sendo combinados com operadores boleanos AND e OR, onde foram incluídos artigos disponíveis em textos completos nos idiomas inglês, português e espanhol.
Como critérios de inclusão, foi aplicado artigos científicos, livros e dissertações publicadas que abordem específica e exclusivamente patologias em pavimentos flexíveis com CBUQ e como critérios de exclusão, literaturas que abordem patologias em pavimentos rígidos ou qualquer outro tipo de pavimentação que não seja com CBUQ.
Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, conduzida sem o uso de protocolos sistemáticos como PRISMA. Após a seleção dos materiais, o conteúdo foi analisado em três eixos temáticos: (I), como as patologias em pavimentos flexíveis com CBUQ, bem como seus tipos, causas e fatores contribuintes e impactos na estrutura. (II) foi o impacto na vida útil do pavimento, relacionado assim, as patologias com a vida útil da estrutura e como isso pode propagar a durabilidade e aceleração de necessidades de manutenção. E por fim, (III), como práticas de manutenção, bem como análise de seus tipos, discussões de maior eficiência, estratégias de manutenção e recuperação do pavimento.
Com base na análise da literatura, foram apresentadas considerações finais acerca do tema abordado enfatizando e sumarizando as patologias nos pavimentos flexíveis com CBUQ e seus impactos, e em seguida, propostas no intuito de erradicá-las.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados desta pesquisa, obtidos por meio da revisão narrativa de literatura, fundamentam-se na análise crítica e na consolidação de dados de artigos, livros e dissertações publicados no período de 2020 a 2025, conforme delineado na metodologia. A discussão subsequente é estruturada em torno dos três eixos temáticos propostos, correlacionando as patologias do CBUQ, seus impactos na durabilidade e as estratégias de gestão viária.
4.1 Análise das Patologias e suas Causas (Eixo I)
A revisão bibliográfica confirmou que as manifestações patológicas em pavimentos com CBUQ são amplas e podem surgir desde o início da vida útil da estrutura. As falhas identificadas incluindo trincas, afundamentos, buracos (panelas), exsudação, escorregamento e perda de aderência são decorrentes de um conjunto de fatores que comprometem o desempenho estrutural e funcional da via.
4.1.1 Discussão sobre a Etiologia das Falhas
A análise das fontes demonstra que as patologias se originam de falhas agrupadas em três categorias interligadas:
Falhas Projetuais e Estruturais: Incluem o subdimensionamento das camadas e a má qualidade dos materiais, comprometendo a capacidade do pavimento de suportar o tráfego. Tais deficiências são as principais responsáveis por trincas por fadiga (resultantes de cargas repetidas que excedem a resistência à tração) e deformações prematuras.
Falhas Executivas: Esta é uma categoria crítica, onde a compactação insuficiente, o controle deficiente da temperatura da mistura ou falhas na aplicação da pintura de ligação promovem o surgimento precoce de fissuras e delaminação. A insuficiência de compactação leva, por exemplo, aos afundamentos nos trilhos de roda, decorrentes da fluência plástica do ligante ou de falhas nas camadas inferiores.
Fatores Operacionais e Ambientais: Abrangem a sobrecarga de tráfego, a infiltração de água (devido a falhas na drenagem), as variações térmicas e o envelhecimento oxidativo do ligante. Estes fatores aceleram a degradação superficial, levando à perda de aderência e à evolução de patologias para estágios mais severos, como o surgimento de panelas a partir de fendas não tratadas.
4.2 Impacto na Vida Útil e na Economia (Eixo II)
O principal impacto das patologias é a redução significativa da vida útil do pavimento. O mecanismo de degradação é acentuado pela infiltração de água nas trincas e buracos, que enfraquece as camadas inferiores e acelera a perda de suporte.
A literatura aponta que a durabilidade projetada de um pavimento flexível, que pode variar entre 10 a 15 anos, é drasticamente reduzida podendo cair pela metade quando as etapas de conservação não são adequadamente cumpridas. A ausência de manutenção preventiva agrava o estado do pavimento, resultando na necessidade de intervenções corretivas mais complexas e onerosas a longo prazo. Desta forma, o artigo confirma que o custo total da infraestrutura viária está intrinsecamente ligado à qualidade da execução e à gestão contínua.
4.3 Práticas de Manutenção e Gestão Viária (Eixo III)
A gestão eficiente das patologias requer a aplicação de técnicas de manutenção classificadas em:
Manutenção Preventiva: Estratégia crucial que visa retardar o surgimento de falhas. Inclui a selagem de trincas e a aplicação de microrrevestimentos.
Manutenção Corretiva: Atua sobre as falhas já manifestadas, sendo as técnicas mais comuns a fresagem, o recapeamento e o tapa-buraco.
A escolha da intervenção deve ser criteriosa e baseada em uma avaliação técnica que contemple a condição funcional da superfície de rolamento e a condição estrutural das camadas abaixo do revestimento.
Estudos indicam que intervenções corretivas em patologias de alta severidade, como as trincas interligadas tipo “couro de jacaré”, podem exigir a reconstrução do pavimento. Em contraste, a aplicação imediata de remendos em buracos é fundamental para evitar a penetração de água e o consequente enfraquecimento estrutural.
Os resultados demonstram que planos de manutenção baseados em critérios técnicos e dados de desempenho proporcionam a otimização de recursos públicos e o prolongamento efetivo da vida útil do pavimento. A eficácia do sistema viário depende, portanto, da internalização dessas estratégias de conservação.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho de conclusão de curso, consubstanciado em uma revisão narrativa de literatura, cumpriu o objetivo de analisar as principais manifestações patológicas em pavimentos flexíveis revestidos com Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ), investigando a correlação entre as falhas e o impacto na vida útil da infraestrutura viária, bem como as técnicas de manutenção aplicáveis.
A análise demonstrou que as patologias mais recorrentes incluindo trincas (por fadiga, blocos ou térmica), afundamentos (trilhos de roda e consolidação) e desagregação (buracos e panelas) são resultados de uma matriz causal complexa. Evidencia-se que a fragilidade do pavimento está inerentemente ligada a três esferas de falhas: projetuais, (subdimensionamento e uso inadequado de materiais), operacionais (sobrecarga de tráfego) e, crucialmente, executivas. Os estudos de caso consultados reforçaram que a compactação deficiente e o controle tecnológico inadequado durante a aplicação do CBUQ estão diretamente associados à redução da densidade e estabilidade, culminando em deformações permanentes e fissuramentos prematuros.
O impacto dessas degradações na estrutura é de natureza progressiva e estrutural, resultando na drástica redução da vida útil projetada do pavimento, muitas vezes pela metade, e no consequente aumento dos custos operacionais e de manutenção. Tais falhas comprometem não apenas a funcionalidade e o conforto do usuário, mas representam um passivo econômico significativo para a gestão pública.
Nesse contexto, a pesquisa ressalta a imprescindibilidade da adoção de uma gestão de pavimentos proativa, com ênfase na manutenção preventiva (selagem de trincas, microrrevestimentos) em detrimento das onerosas intervenções corretivas (recapeamento e reconstrução). A eficácia na mitigação das patologias depende da aplicação de rigorosos padrões de qualidade, desde o projeto até a fase de execução e monitoramento contínuo da via.
Em suma, este estudo consolida o conhecimento sobre a deterioração do CBUQ, fornecendo uma base sólida para que futuros profissionais e gestores possam tomar decisões técnicas informadas. A durabilidade e sustentabilidade da malha rodoviária brasileira dependem, em última instância, da internalização de processos que garantam o controle de qualidade e a fiscalização contínua das práticas de engenharia na pavimentação.
REFERÊNCIAS
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¹Discente do curso de Engenharia Civil da Faculdade de Ilhéus, Centro de Ensino Superior, Ilhéus, Bahia. E-mail: juniorangelito51@gmail.com;
²Discente do curso de Engenharia Civil da Faculdade de Ilhéus, Centro de Ensino Superior, Ilhéus, Bahia. E-mail: joaovitorcardoso840@gmail.com;
³Discente do curso de Engenharia Civil da Faculdade de Ilhéus, Centro de Ensino Superior, Ilhéus, Bahia. E-mail: rainarakaylane@icloud.com;
⁴Docente do curso de Engenharia Civil da Faculdade de Ilhéus, Centro de Ensino Superior, Ilhéus, Bahia. E-mail: professoraittanalins@gmail.com;
⁵Docente do curso de Engenharia Civil da Faculdade de Ilhéus, Centro de Ensino Superior, Ilhéus, Bahia. E-mail: felipeestrela84@yahoo.com.br;
⁶Docente do curso de Engenharia Civil, orientador de TCC da Faculdade de Ilhéus, Centro de Ensino Superior, Ilhéus, Bahia. E-mail: andrezzomoreno@hotmail.com.
