ELDERLY PEOPLE’S PERCEPTION OF HEALTHY AGING
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511221913
Ana Vitória Neres Cirino¹; Ana Karolline Soares Alves¹; Cássia Gonçalves Azevedo¹; Daniele Pereira Ramos¹; Jucimar Souza Ribeiro¹; Karine Kummer¹; Nathália Lima Araújo¹; Grazielly Mendes de Sousa²
RESUMO: Introdução: O envelhecimento populacional é uma realidade global, exigindo compreensão sobre a percepção dos idosos acerca do envelhecimento saudável. Objetivo: Analisar a percepção de idosos sobre envelhecimento saudável e traçar seu perfil sociodemográfico e de estilo de vida. Metodologia: Estudo transversal, quali-quantitativo, realizado com 24 idosos de um CRAS em Porto Nacional-TO, por meio de questionário. Resultados: Predominou mulheres (87%), faixa etária de 71-80 anos (54%), pardos (54%), viúvos (46%), com ensino fundamental incompleto (46%) e renda advinda da aposentadoria (75%). A maioria pratica atividade física (63%), participa de eventos religiosos (67%) e percebe seu envelhecimento como saudável (83%), associando-o à manutenção da saúde, autonomia e convívio social. Discussão: Os dados refletem a feminização da velhice, a importância do suporte social e a influência positiva de hábitos saudáveis na qualidade de vida. Considerações Finais: Os idosos demonstram clara compreensão sobre envelhecimento saudável, destacando a relevância de políticas públicas e programas comunitários, como o CRAS, para promoção de um envelhecimento ativo e com qualidade.
Palavras-chave: Envelhecimento. Idoso. Qualidade de Vida. Saúde do Idoso. Serviços de Saúde.
ABSTRACT: Introduction: Population aging is a global reality, requiring an understanding of the elderly’s perception of healthy aging. Objective: To analyze the perception of the elderly about healthy aging and outline their sociodemographic and lifestyle profile. Methodology: A cross-sectional, qualitative-quantitative study was carried out with 24 elderly people from a CRAS in Porto Nacional-TO, using a questionnaire. Results: There was a predominance of women (87%), age group 71- 80 years (54%), mixed race (54%), widowed (46%), with incomplete elementary education (46%) and income from retirement (75%). The majority practice physical activity (63%), participate in religious events (67%) and perceive their aging as healthy (83%), associating it with maintaining health, autonomy and social life. Discussion: The data reflect the feminization of old age, the importance of social support and the positive influence of healthy habits on quality of life. Final Considerations: The elderly demonstrate a clear understanding of healthy aging, highlighting the relevance of public policies and community programs, such as CRAS, for promoting active and quality aging.
Keywords: Aging. Elderly. Health of the Elderly. Health Services. Quality of Life.
1 INTRODUÇÃO
O envelhecimento populacional é um fenômeno global que vem se intensificando de forma acelerada, especialmente em países em desenvolvimento como o Brasil. Esse processo é resultado da combinação entre avanços científicos, melhorias na medicina, no saneamento e nas condições sociais que, ao longo do século XX, possibilitaram o aumento significativo da expectativa de vida e a redução das taxas de mortalidade. Paralelamente, observou-se a queda das taxas de natalidade, modificando o perfil etário da população e exigindo reestruturações nas políticas de saúde, previdência e assistência social. Estimativas indicam que, até 2060, um quarto da população brasileira será composta por pessoas idosas, configurando um cenário desafiador para os sistemas de saúde e para a sociedade em geral (IBGE, 2019; SILVA & Pereira 2023).
Embora o envelhecimento seja um processo natural e inevitável, ele não deve ser compreendido unicamente como sinônimo de doença ou incapacidade. Trata-se de um fenômeno multifatorial, marcado por alterações fisiológicas, psicológicas e sociais que variam entre indivíduos e contextos. Diferenciar o conceito de envelhecimento da ideia de velhice é fundamental: enquanto o primeiro refere-se ao processo contínuo de transformações ao longo da vida, a velhice corresponde a uma etapa específica, geralmente definida por critérios cronológicos. Contudo, o avanço da idade não significa necessariamente perda total de autonomia ou dependência, já que grande parcela da população idosa permanece ativa, produtiva e socialmente engajada (Camarano, 2021; Ribeiro & Carvalho, 2020).
Nesse sentido, emerge o conceito de envelhecimento saudável e ativo, que vai além da ausência de doenças, abrangendo a manutenção do bem-estar físico, mental e social. Essa perspectiva valoriza práticas de autocuidado e prevenção, o estímulo a relações interpessoais, a participação social, bem como a adaptação positiva às mudanças inerentes à idade. A Organização Mundial da Saúde defende que envelhecer de forma saudável significa otimizar oportunidades de saúde, segurança e participação, possibilitando maior qualidade de vida ao longo dos anos. Essa concepção amplia a noção de saúde, incorporando determinantes sociais como moradia, transporte, lazer, segurança e acesso a serviços de saúde, todos essenciais para a promoção da autonomia e independência da pessoa idosa (Organização Mundial da Saúde, 2020; Oliveira, 2019).
O estilo de vida, por sua vez, desempenha papel crucial nesse processo, influenciando diretamente na forma como o envelhecimento será vivenciado. Hábitos alimentares equilibrados, prática regular de atividade física, estímulo cognitivo e suporte social são fatores decisivos para um envelhecer mais ativo e saudável. Além disso, o apoio da família, da comunidade e a implementação de políticas públicas efetivas constituem pilares fundamentais para que os idosos possam viver essa etapa da vida com dignidade e qualidade (Donadeli, 2020; Cunha & Lima,2020).
No Brasil, o Estatuto da Pessoa Idosa reforça a importância da proteção e da garantia de direitos, ressaltando a necessidade de políticas que assegurem a inclusão e o bem-estar dessa população em crescimento (Brasil, 2003).
Assim, compreender como os próprios idosos percebem o envelhecimento saudável é de extrema relevância, pois suas visões e experiências refletem tanto a realidade vivida quanto as condições oferecidas pela sociedade. Investigar tais percepções contribui para identificar desafios, expectativas e necessidades, fornecendo subsídios para a criação de estratégias de promoção da saúde, formulação de políticas públicas e fortalecimento de ações voltadas à valorização da terceira idade. Desse modo, discutir o envelhecimento saudável ultrapassa o âmbito individual, configurando-se como uma construção coletiva que envolve esforços intersetoriais e o engajamento social na busca por uma velhice ativa, participativa e plena.
Diante desse contexto, este estudo teve como objetivo analisar a percepção dos idosos sobre o que compreendem em relação ao envelhecimento saudável, bem como identificar o perfil sociodemográfico dos idosos em relação ao sexo, idade, raça autodeclarada, estado civil, escolaridade, filhos e profissão; compreender como os idosos percebem o processo de envelhecer e o conceito de envelhecimento saudável; e avaliar de que forma o estilo de vida influencia essa percepção, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias que favoreçam uma velhice mais ativa e de melhor qualidade.
2 METODOLOGIA
Trata-se de um estudo de campo, exploratório e descritivo, com abordagem qualiquantitativa e delineamento transversal. O presente estudo foi realizado no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) União, localizado no município de Porto Nacional. A população foi composta por 30 idosos. Os critérios de inclusão propostos por este estudo foram estar cadastrados e comparecer às atividades do CRAS União, ter 60 anos ou mais de idade e aceitar participar do estudo através do Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE). Os critérios de exclusão foram idosos com déficit cognitivo caracterizado pela incapacidade de compreender comandos e estabelecer comunicação verbal e os que não compareceram em pelo menos três encontros pré-agendados pelas pesquisadoras, idosos que não aceitarem participar do estudo.
A coleta de dados ocorreu nos meses de abril a setembro do ano de 2025. Foi utilizado um questionário estruturado com 24 perguntas, formulado pelas pesquisadoras para avaliar as variáveis relacionadas ao perfil sociodemográfico, percepção dos idosos sobre o que eles compreendem sobre envelhecimento saudável e como fazer para manter sua saúde. A coleta aconteceu em uma sala reservada no CRAS nos dias de atividades dos idosos. As informações coletadas foram inseridas em uma planilha eletrônica no programa Microsoft Office Excel® 2019. A partir daí, foram realizadas análises estatísticas descritivas e confeccionadas tabelas e gráficos. Posteriormente fundamentados com a literatura. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em pesquisa da AFYA Faculdade Porto Nacional com o número do parecer: 7.352.526.
3 RESULTADOS
Após seleção dos idosos através dos critérios de inclusão e exclusão a amostra do estudo foi de 24 idosos. Entre os participantes observou-se que predominou o gênero feminino representando 21 (87%) da amostra.
Em relação a faixa etária prevaleceu a de 71 a 80 anos, correspondendo a 13 (54%) dos entrevistados. A média das idades foi de 72 anos. Sobre a raça/cor da pele os que declararam ser pardos foi 13 (54%), seguido de negros 09 (38%). Referindo se a situação conjugal, os viúvos foram representados por 11 (46%), casados ou em união estável 08 (33%), solteiros 03 (13%) e divorciados 02 (8%). Quanto a escolaridade, a maioria deles são alfabetizados, os que possuem ensino fundamental incompleto corresponderam a 11 (46%), ensino fundamental completo 04 (16,5%), ensino médio incompleto 01 (4%), ensino médio completo 03 (13%), ensino superior 04 (16,5%) e apenas 01 (4%) referiu ser analfabeto. Considerando a fonte de renda dos idosos predominou os que são aposentados 18 (75%). No tocante sobre a naturalidade houve predomínio aos que vieram para Porto Nacional de outros Munícipios do Tocantins, representado por 14 (58%) da amostra. Referente a variável bairro em que moram em Porto Nacional, 12 (50%) deles responderam que moram na Vila Nova, setor que abrange próximo ao CRAS. Sobre o tempo de participação nas atividades do CRAS Vila Nova 11 (46%), responderam participar há mais de seis anos. Os dados sobre o perfil sócio demográfico dos idosos descritos acima, estão representados na Tabela 1.
Tabela 1: Distribuição da amostra segundo o perfil sócio demográfico: sexo, faixa etária, raça, situação conjugal, escolaridade, renda, naturalidade, bairro em que mora e tempo de participação no CRAS, dos idosos participantes do estudo em Porto Nacional – Tocantins no ano de 2025.


Fonte: Construído pelas pesquisadoras.
A segunda etapa dos resultados, refere-se condições de saúde e sobre o estilo de vida dos idosos participantes do estudo, observou-se que, a mairoria deles fazem uso regular de medicamentos representados por 09 (79%) da amostra, enquanto que 05 (21%) respodneram não utilizar nenhum fármaco de forma contínua.
Em relação às condições de saúde, observou-se que a maioria deles referiram ter hipertensão arterial, diabetes ou doenças vasculares, representados por 13 (54%). Os que relataram possuir depressão ou alterações do sono foram 9 (38%), doenças articulares ou osteomusculares 08 (33%) da amostra, os que informaram ter catarata foram e labirintite foram 05 (21%) reespectivamente. Possuir problemas urinários 03 (13%) e 01 (4%) não referiram nenhuma doença. Ressalta-se que um mesmo participante pôde citar mais de uma condição.
Quanto aos hábitos de vida, prevaleceu os que afirmaram praticar atividade física regularmente 15 (63%), seguido por às vezes 08 (33%). A participação em eventos culturais revelou que 15 (63%) deles as vezes costumam frequentar, apenas 02 (8%) sempre frequentam e nunca participam foram representados por 07 (29%). Sobre os momentos de lazer 07 (29%) relataram sempre ter, 12 (50%) às vezes e 05 (21%) nunca. Na autoavaliação dos hábitos alimentares a mairoria deles 16 (66%) responderam que é razoavelmente bom, enquanto que 05 (21%) consideraram ser excelente e 03 (13%) respoderam ser bom. Por fim, a frequência em atividades religiosas é elevada, sendo que 16 (67%) frequentam sempre, 06 (25%) às vezes e 02 (8%) nunca costuma frequentar.
Os dados descritos acima, estão representados na Tabela 2.
Tabela 2- Distribuição da amostra segundo a situação de saúde e estilo de vida dos idosos participantes do estudo em Porto Nacional – Tocantins no ano de 2025.

* Cada participante poderia responder mais de uma resposta em relação aos problemas de saúde atual Fonte: Construído pelas pesquisadoras.
A terceira etapa dos resultados relaciona-se a percepção dos idosos sobre o envelhecimento saudável. Durante a entrevista foi perguntado sobre se ele saberia descrever o que significa envelhecer ativo ou saudável, a maioria deles, 19 (79%) responderam que sabiam descrever. Entre as respostas obtidas por eles destaca-se: ter saúde e bons hábitos de vida para manutenção de sua vida. Os dados estão apresentados na figura 1.
Figura 1: Distribuição da amostra segundo a percepção dos idosos sobre o envelhecimento saudável.

Fonte: Autoras, 2025.
Com relação a importância desse envelhecimento ativo para eles, todos os 24 (100%) responderam que é importante e compreendem que envelhecer ativamente contribui para serem independentes, ter mais autonomia, mais saúde, bem-estar, qualidade de vida, estar com a família, viver melhor, oportunidades em obter novas experiências e viver mais feliz.
Quando questionados sobre considerar que possuem um envelhecimento saudável a maioria deles responderam que sim, representado por 20 (83%), enquanto que 03 (13%) acreditam que estão em busca desse tipo de envelhecimento e 01 (4%) não possui envelhecimento saudável. Os dados estão representados na figura 2.
Figura 2: Distribuição da amostra segundo se consideram ter um envelhecimento saudável

Fonte: Autoras, 2025
Quando questionados sobre se acham que poderiam ser mais ativos no seu dia a dia, todos os idosos, 24 (100%) responderam que sim. Ao relacionar sobre em que aspecto acreditavam que poderia melhorar, eles responderam ser: participar mais de atividades, ser mais ativos nos estudos, melhorar a condição financeira, ter ainda mais saúde, mais lazer, estar mais próximo dos familiares e não se acomodar com as rotinas que não trazem saúde.
Sobre que fatores podem limitar ou dificultar um envelhecimento saudável, a maioria deles responderam ser não cuidar da saúde com 15 (62%) da amostra, seguido por ter doenças incapacitantes 05 (21%), serem dependentes de outras pessoas 03 (13%) e abandono 01 (4%). Os dados estão representados na figura 3.
Figura 3: Distribuição da amostra segundo os fatores que podem limitar ou dificultar um envelhecimento saudável.

Fonte: Autoras, 2025
Por fim foi perguntado a eles sobre o que fazem na rotina diária que dar mais prazer, e responderam ser: organizar a casa, viajar, ficar com a família, viajar, costurar, trabalhar, ver os amigos, passear, ajudar o próximo, cozinhar, fazer crochê, cuidar dos animais e das plantas, dançar e ir à igreja.
4 DISCUSSÃO
No presente estudo as mulheres são maioria, e isso pode estar relacionado as características da transição demográfica em relação a feminização na velhice.
Além disso, esses resultados, corroboram com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontam maior expectativa de vida entre as mulheres, associada a fatores biológicos, comportamentais e de maior busca por serviços de saúde. Além disso, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, os homens apresentam prevalências mais elevadas de consumo abusivo de álcool (26,8% contra 13,6% entre as mulheres) e são menos frequentes na avaliação do estado de saúde como positivo, indicando uma maior exposição a riscos e uma menor percepção de cuidado (IBGE, 2020).
Observou-se que a maioria deles estão entre a faixa etária de 71 a 80 anos, isso demonstra que a maioria dos idosos encontra-se na fase de envelhecimento avançado. Estudos referem que na fase da “velhice avançada”, existe uma maior prevalência de condições crônicas de saúde e por uma progressiva vulnerabilidade biossocial. Estudos longitudinais corroboram que, embora o grupo de 60 a 70 anos apresente geralmente maior autonomia, é a partir dos 75 anos que se observa um aumento significativo na demanda por suporte e cuidados específicos, o que justifica a predominância de indivíduos nessa faixa em pesquisas focadas na dependência funcional e no envelhecimento patológico (Veras, 2009; Neri, 2021).
Vale ressaltar sobre a importância de estratégias voltadas à promoção de autonomia e qualidade de vida deles, visto que a população acima de 70 anos tende a apresentar maior vulnerabilidade física e social. Segundo o relatório da Década do Envelhecimento Saudável, as intervenções com foco na qualidade de vida, devem focar na manutenção da capacidade funcional através de cuidados integrados, adaptação ambiental e suporte social, estratégias fundamentais para enfrentar a vulnerabilidade biossocial característica desta fase da vida (OMS, 2020).
Quanto a raça/cor da pele a maioria se declararam ser pardas e pode ser que esteja associado às características da população norte do país. Esse achado está em consonância com o perfil demográfico do estado do Tocantins, onde os pardos constituem a maioria da população. Conforme os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, aproximadamente 60% dos tocantinenses se autodeclaram pardos, o que explica a representatividade deste grupo na amostra do estudo (IBGE 2022).
Quanto à situação conjugal, observa-se expressiva proporção de viúvos, o que sugere risco potencial para isolamento social, solidão, depressão e declínio funcional. Esse dado reforça a importância de espaços de convivência, como o CRAS, que podem atuar como rede de apoio e fortalecimento de vínculos. A associação entre viuvez e vulnerabilidades psicossociais na velhice é corroborada por estudo, que identificaram que idosos viúvos participantes de grupos comunitários apresentaram menores índices de depressão e maior percepção de suporte social quando comparados àqueles sem participação (Silva, et al., 2021).
A escolaridade predominante foi dos que possuem ensino fundamental incompleto, indicando baixo nível de escolarização. Essa condição leva a menor acesso à informação em saúde, dificuldades de letramento em saúde e maior vulnerabilidade socioeconômica. Essa relação é confirmada pelo estudo de Santiago et al. (2022), que demonstrou que idosos com baixa escolaridade apresentam pior compreensão sobre suas condições de saúde e maior dificuldade de navegar no sistema de saúde quando comparados a idosos com maior nível de instrução (Santiago, et al., 2022).
Em termos de fonte de renda, prevaleceu os aposentados, essa informação é condizente com a realidade financeira da maioria dos idosos brasileiros, que dependem dos benefícios previdenciários para sua subsistência. E esse dado ressalta a importância de políticas de proteção social que realmente assegurem a sustentabilidade financeira desse grupo populacional, especialmente em contextos de fragilidade familiar.
A centralidade da aposentadoria vai além da mera subsistência, ela é um fator determinante para o acesso a outros direitos, em especial o direito à saúde. Nesse sentido, um estudo de revisão sistemática de Boccolini e Souza Júnior (2019) evidenciou que o pior status socioeconômico, marcado pela baixa renda, está consistentemente associado a uma menor utilização de serviços de saúde pelos idosos no Brasil. A vulnerabilidade financeira atua, portanto, como uma barreira que reduz as chances de busca por consultas, exames e cuidados preventivos, aumentando o risco de agravamento de condições crônicas.
A maioria dos participantes do estudo vieram de outros Municípios do Tocantins, acredita-se que possa ter relação com a busca por melhores condições econômicas, ou para ficarem mais próximo dos familiares e até para terem mais acessos aos serviços de saúde. Esse fenômeno migratório de idosos de suas cidades de origem para o município onde o estudo foi realizado é interpretado como uma estratégia ativa para garantir suporte social e acessibilidade aos serviços de saúde. Essa dinâmica é quantificada pelos dados do Censo Demográfico 2022, que revelam um saldo migratório positivo para idosos em muitos municípios polo de saúde e serviços, enquanto municípios menores e periféricos frequentemente apresentam saldos negativos nessa faixa etária (IBGE, 2023).
Em relação a concentração de participantes do CRAS serem residentes do bairro Vila Nova, setor que é próximo da instituição e a maioria deles participarem há muitos anos das atividades oferecidas lá, reforça a efetividade das ações de convivência e fortalecimento de laços sociais promovidos pelo CRAS Vila Nova, no qual sabe-se que o programa contribui para a melhoria da qualidade de vida, prevenção de isolamento e promoção do envelhecimento ativo. Essa percepção de efetividade é respaldada pelo estudo de Costa et al. (2021), que, ao avaliarem a contribuição do CRAS para idosos, constataram que a participação regular nas atividades está diretamente associada a melhores indicadores de qualidade de vida, redução do sentimento de solidão e maior integração social, elementos centrais para um envelhecimento ativo e saudável (Costa et al. 2021).
Em relação ao estado de saúde e estilo de vida dos idosos participantes do estudo, no presente estudo observou que a maioria dos idosos fazem uso contínuo de medicamentos, o que reflete a elevada prevalência de doenças crônicas nessa faixa etária. Tal achado é consistente com estudos que apontam o envelhecimento como fator de risco para condições como hipertensão, diabetes e outras doenças. Aproximadamente 80% dos idosos fazem uso de pelo menos um tipo de medicamento, e uso de fármacos e uma prática frequente entre eles, a organização mundial de saúde (OMS), considera que mais de 50% são prescritos, dispensados e utilizados de forma incorreta, os grupos de medicamentos mais utilizados sãos referentes aos aparelhos cardiovasculares e endócrino, são lineares aos acúmulos desses sistemas, e nessa faixa etária, necessitam de fármacos para o controle de tais (Sciello, 2017).
Quanto as doenças, as cardiovasculares, hipertensão e diabetes destacam se como as mais prevalentes, corroborando dados nacionais que apontam essas patologias como principais causas de morbimortalidade em idosos. Outras condições, como depressão, alterações do sono e problemas osteomusculares, evidenciam o impacto do envelhecimento na saúde mental e na mobilidade física, fatores que comprometem a autonomia e a qualidade de vida. Esses dados implicam em uma perspectiva de cuidado de longa duração” destacando, assim, a necessidade de organização do cuidado de forma longitudinal e integral. Pesquisas nacionais demonstram que a incidência dessas doenças está fortemente relacionada a fatores comportamentais e sociais, como a inatividade física, a alimentação inadequada, o baixo nível educacional e as desigualdades socioeconômicas, que influenciam a vulnerabilidade do idoso ao adoecimento. Assim, o contexto de vida e os determinantes sociais da saúde exercem papel central na explicação da elevada prevalência desses agravos na terceira idade (Silva et al., 2020). Vale ressaltar que a maioria dos idosos do estudo praticam atividades físicas regularmente. Esse dado é positivo, pois a atividade física é essencial para a manutenção da capacidade funcional, controle glicêmico e prevenção de doenças crônicas. No entanto, o percentual de que nunca pratica merece atenção, indicando possíveis barreiras como limitações físicas, falta de incentivo ou acesso restrito a espaços adequados.
As práticas de atividades físicas interfere diretamente no bem estar físico de qualquer indivíduo, na velhice pode melhorar habilidades de socialização, aumentar a energia, a disposição, a autonomia, a capacidade para se movimentar e a independência para realizar as atividades do dia a dia, um idoso mais ativo pode resgatar sua independência além de promover bem estar, além de fazer bem não só para o físico mais também para o mental, os idosos podem sentir uma redução nos sintomas da ansiedade e depressão, melhorar a autoestima e dos sentimentos relacionados a solidão, um idoso ativo se senti menos cansado e com menos dores (Brasil, 2022).
Quanto a participação em eventos culturais observa-se uma baixa adesão às atividades culturais. Essa limitação pode refletir fatores socioeconômicos ou falta de políticas públicas voltadas ao envelhecimento ativo. A participação social é fundamental para o bem-estar emocional, prevenindo o isolamento e fortalecendo vínculos sociais.
Estudos reforçam que é necessário implementar projetos culturais que possam abranger mais o público dessa faixa etária, a interação social diminui os riscos por problemas de saúde, aumento do bem-estar, aumento da saúde cognitiva, além de diminuir riscos de depressão e ansiedade (Scielo,2024).
A maioria dos idosos afirmaram não ter frequentemente momentos de lazer, esses resultados indicam que, embora parte dos idosos mantenham práticas de lazer, uma parcela significativa ainda apresenta rotina restrita e pouco estimulante, o que pode impactar negativamente na saúde mental e no convívio social.
As limitações ao lazer contribuem para aumentos significativos nos níveis de estresse, ansiedade e depressão. Tal constatação reforça a ideia de que o lazer não deve ser compreendido apenas como atividade recreativa, mas como um determinante social da saúde, capaz de influenciar diretamente os aspectos emocionais e cognitivos na senescência. Nesse contexto, a ausência de atividades prazerosas e de socialização pode potencializar o sentimento de solidão, reduzir a resiliência emocional e comprometer a capacidade funcional, interferindo na autonomia e na satisfação com a vida (Martins et al., 2021).
Na autoavaliação, grande parte dos idosos consideraram seus hábitos razoáveis, mais diante do estudo a maioria reconhece a importância da alimentação, porém ainda enfrentam dificuldades em manter uma dieta saudável e equilibrada. Esse dado demonstra a necessidade de educação nutricional contínua e acompanhamento por profissionais de saúde, como enfermeiros e nutricionistas.
As ações de educação em saúde podem melhorar a qualidade de vida do idoso durante o processo de envelhecimento e, consequentemente, a expectativa de vida da população de maneira geral. Estratégias de educação em saúde e nutricional contínuas e participativas, com referência à realidade da população atendida é primordial para a mudança de comportamento alimentar e do estilo de vida (Silva e Reis, 2023).
O dado mais expressivo foi a alta adesão a atividades religiosas, que aparecem como importante fonte de apoio emocional, espiritual e social para os idosos. A religiosidade, segundo a literatura gerontológica, contribui para o enfrentamento de doenças, redução do estresse e fortalecimento da esperança, sendo um aspecto positivo da qualidade de vida na velhice. A vivência da religiosidade, portanto, configura-se como um importante instrumento de apoio psicossocial na velhice, favorecendo a criação de vínculos afetivos, o sentimento de pertencimento e a manutenção da saúde mental. A prática religiosa, além de oferecer conforto espiritual, estimula o convívio social e proporciona um espaço de acolhimento, aspectos essenciais para o enfrentamento das limitações impostas pelo envelhecimento e para o fortalecimento da esperança (Abdala, et al., 2015).
Os dados referentes à autoavaliação dos idosos sobre seu próprio envelhecimento revelam uma percepção predominantemente positiva, isso sugere que o empoderamento e a qualidade de saúde são componentes fundamentais. Quando os idosos compreendem os pilares do envelhecimento saudável, eles se tornam mais capazes de reconhecer e valorizar esses aspectos em suas próprias trajetórias de vida. As razões por eles apontadas, como “ter mais autonomia” e “qualidade de vida”, são manifestações diretas da capacidade funcional preservada.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo permitiu analisar a percepção de idosos sobre o envelhecimento saudável e traçar seu perfil sociodemográfico e de saúde. Os resultados indicam que a maioria dos participantes associa o envelhecimento saudável à manutenção da autonomia, da saúde física e mental e do envolvimento social, corroborando a literatura atual sobre o tema.
A pesquisa alcançou seus objetivos, identificando que os idosos possuem uma visão ampla e positiva sobre o envelhecimento ativo, embora reconheçam a influência de fatores como condições de saúde, suporte social e acesso a serviços. As hipóteses iniciais foram confirmadas, especialmente no que diz respeito à relação entre estilo de vida ativo e percepção positiva do envelhecimento.
Recomenda-se a ampliação de programas comunitários, como os oferecidos pelo CRAS, e a implementação de ações educativas que enfoquem a promoção da saúde de forma integrada, considerando as particularidades regionais e socioculturais dos idosos. Sugere-se também a realização de novos estudos com abordagens longitudinais para acompanhar a evolução dessas percepções ao longo do tempo.
REFERÊNCIAS
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¹ Graduanda do curso de Enfermagem do AFYA Porto Nacional. anav10neres@gmail.com. Lattes: http://lattes.cnpq.br/2383344855118720.
¹Graduada em Tecnologia em Gestão Ambiental pela Universidade Católica do Tocantins. Graduanda em Engenharia Ambiental pela Universidade Federal do Tocantins (UFT) e Terapia Ocupacional pelo Centro Universitário Católica do Tocantins (UniCatólica). soares.alves@uft.edu.br . Lattes: http://lattes.cnpq.br/8225587790555222
¹Graduanda do curso de Enfermagem do AFYA Porto Nacional. enfcassiaazevedo@gmail.com. Lattes: https://lattes.cnpq.br/6411450446761876.
¹Graduanda do curso de Enfermagem do AFYA Porto Nacional. natharaujolima2003@gmail.com. Lattes: http://lattes.cnpq.br/2157328575456871
¹ Mestranda em Ensino em Ciências e Saúde pela Universidade Federal do Tocantins (UFT). Graduada em Enfermagem pelo Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos (ITPAC) de Porto Nacional TO. enf.dramos22@gmail.com . Lattes: http://lattes.cnpq.br/8209123004378915
¹Mestrando em Ensino em Ciências e Saúde pela Universidade Federal do Tocantins. Bacharel em Psicologia pela ULBRA ( Universidade Luterana no Brasil). Lattes: https://lattes.cnpq.br/5791043660770821
¹Graduada em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2005) e mestrado em Ciências pela Universidade de São Paulo (2019). karinekummerg@gmail.com . Lattes: http://lattes.cnpq.br/0982077478947453
²Enfermeira. Mestre em Ciências pelo Instituto de pesquisas energéticas e nucleares da Universidade de São Paulo – IPEN/ USP Instituição: Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos. ORCID: 0000-0003-1477-849X. Orientanda. enfermagem.grazi@yahoo.com.br Lattes: http://lattes.cnpq.br/8270208469758194
