ANALYSIS OF THE QUALITY OF LIFE OF CAREGIVERS OF CHILDREN ATTENDING THE PHYSIOTHERAPY DEPARTMENT OF THE UNINGÁ SCHOOL CLINIC.
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202510122254
Amanda Adriana Pereira Gilberto
Heloisa Ribeiro Favaro
Orientadora: Jociely Parrilha Mota Furlan
Resumo
A presente pesquisa tem como objetivo analisar a qualidade de vida dos cuidadores de crianças atendidas no setor de fisioterapia da Clínica Escola da Uningá. Cuidadores informais, como pais ou responsáveis, frequentemente enfrentam desafios físicos, emocionais e sociais no desempenho dessa função, o que pode impactar significativamente sua qualidade de vida. A pesquisa foi realizada por meio da aplicação do questionário Whoqol–bref, instrumento validado para avaliação da qualidade de vida. Os resultados demonstraram que aspectos como saúde mental, apoio social, sobrecarga emocional e condições socioeconômicas influenciam diretamente a percepção dos cuidadores sobre sua própria qualidade de vida. A análise revelou níveis variáveis de bem-estar, com maior comprometimento nos domínios psicológico e ambiental. Conclui-se que é fundamental considerar o cuidador como parte integrante do processo terapêutico, promovendo ações de acolhimento, orientação e suporte multiprofissional com vistas à melhoria da sua qualidade de vida e, consequentemente, da eficácia no cuidado oferecido às crianças.
Palavras-chave: Cuidadores. Fisioterapia. Qualidade de Vida. Saúde Mental. Whoqol-bref.
INTRODUÇÃO
A clínica-escola de fisioterapia é um espaço educativo e assistencial que presta atendimento à população em geral, oferecendo serviços nas diversas áreas da fisioterapia, tais como ortopedia, neurologia, saúde do idoso e da mulher e pediatria. Este ambiente proporciona uma importante interface entre a formação acadêmica dos estudantes e a prática clínica supervisionada, garantindo o desenvolvimento técnico e científico dos futuros fisioterapeutas.
Destaca-se, dentro do atendimento oferecido, a atuação na área pediátrica, que contempla crianças com diferentes condições clínicas, incluindo quadros neurológicos, como paralisia cerebral, síndromes genéticas e lesões cerebrais adquiridas, além de casos ortopédicos, como deformidades congênitas, distúrbios do desenvolvimento motor e sequelas de traumas. O atendimento nessa área é realizado de forma individualizada, considerando as especificidades do desenvolvimento infantil e as necessidades específicas de cada paciente, com o objetivo de promover a funcionalidade, a autonomia e a qualidade de vida.
Além disso, a clínica-escola atua como um importante recurso de inclusão social e promoção da saúde, ampliando o acesso a tratamentos fisioterapêuticos para famílias que muitas vezes enfrentam barreiras financeiras e sociais.
Apesar da diversidade e da gravidade dos quadros clínicos pediátricos atendidos, é reconhecido que os cuidados direcionados às crianças frequentemente geram uma sobrecarga significativa para seus cuidadores, que precisam acompanhar e conduzir o tratamento diariamente.
O cuidado contínuo de crianças com necessidades terapêuticas específicas, como aquelas que frequentam serviços de fisioterapia, representa uma exigência física, emocional e social intensa aos seus cuidadores, que geralmente são familiares, em especial as mães (Milbrath, V. M. 2023.)
Esses cuidadores muitas vezes enfrentam sobrecarga emocional, estresse crônico, dificuldades financeiras e a diminuição de sua vida social e profissional, o que pode impactar negativamente sua qualidade de vida. (Dias, B. C. 2019)
Apesar do foco da reabilitação estar centrado na criança, poucos estudos e intervenções clínicas atendem à realidade do cuidador, que desempenha papel fundamental na continuidade dos cuidados em casa e na adesão ao tratamento fisioterapêutico (Toscan, V. R. 2025)
Estudos demonstram que quem assume essa função frequentemente enfrenta sobrecarga física e psíquica, relacionada à demanda contínua e intensa do cuidado de crianças que exigem atenção especial, Braccialli et al. (2012), ao investigar cuidadores em instituições de reabilitação, encontrou que a intensidade dos cuidados está diretamente associada à piora na qualidade de vida, sobretudo no domínio físico.
A literatura também evidencia que o domínio da vitalidade (energia, vigor) frequentemente registra os piores índices entre essas mães, enquanto a capacidade funcional (habilidade para exercer atividades do dia a dia) tende a se manter elevada — possivelmente fruto do esforço cotidiano de cuidados intensivos, Paranhos, et al. (2024).
Em paralelo, Baldini et al.(2021) identificaram que a mutualidade parental, ou seja, o apoio e cooperação entre os cônjuges apresenta associação positiva com domínios como dor, relações sociais e aspectos emocionais da saúde.
Com isso, surge a necessidade de se investigar e compreender como as demandas físicas e emocionais relacionadas ao cuidado diário interferem na qualidade de vida desses indivíduos.
Apesar do foco da reabilitação estar centrado na criança, poucos estudos e intervenções clínicas atendem à realidade do cuidador, que desempenha papel fundamental na continuidade dos cuidados em casa e na adesão ao tratamento fisioterapêutico (Toscan, V. R. 2025)
Estudos demonstram que quem assume essa função frequentemente enfrenta sobrecarga física e psíquica, relacionada à demanda contínua e intensa do cuidado de crianças que exigem atenção especial. (Braccialli et al. 2012), ao investigar cuidadores em instituições de reabilitação, encontrou que a intensidade dos cuidados está diretamente associada à piora na qualidade de vida, sobretudo no domínio físico.
A literatura também evidencia que o domínio da vitalidade (energia, vigor) frequentemente registra os piores índices entre essas mães, enquanto a capacidade funcional (habilidade para exercer atividades do dia a dia) tende a se manter elevada — possivelmente fruto do esforço cotidiano de cuidados intensivos (Paranhos, J. S. S. G. 2024).
Em paralelo, (Baldini et al. 2021) identificaram que a mutualidade parental, ou seja, o apoio e cooperação entre os cônjuges apresenta associação positiva com domínios como dor, relações sociais e aspectos emocionais da saúde.
Com isso, surge a necessidade de se investigar e compreender como as demandas físicas e emocionais relacionadas ao cuidado diário interferem na qualidade de vida desses indivíduos.
METODOLOGIA
Instrumento:
A qualidade de vida dos responsáveis foi avaliada pelo WHOQOL-abreviado, contemplando quatro domínios: Físico, Psicológico, Relações Sociais e Meio Ambiente. Os escores foram transformados conforme orientação do instrumento, resultando em escalas de 0 a 100 (maior escore = melhor qualidade de vida). Preparação dos dados. As variáveis contínuas (idades, número de residentes e escores dos domínios) foram tratadas como numéricas.
Análise Estatística:
Os dados foram analisados inicialmente por meio de estatística descritiva: variáveis categóricas foram apresentadas em frequências absolutas e relativas (%), e as variáveis contínuas por média, mediana, desvio-padrão, valores mínimo e máximo. A normalidade das variáveis contínuas foi verificada pelo teste de Shapiro–Wilk; variáveis que não atenderam a esse pressuposto foram tratadas com métodos não paramétricos. As comparações entre dois grupos (por exemplo, sexo, plano de saúde, uso de medicação, renda em dois estratos) foram realizadas pelo teste U de Mann– Whitney; para comparações envolvendo três ou mais grupos (como profissão ou diagnóstico) empregou-se o teste de Kruskal–Wallis. As correlações entre variáveis contínuas foram estimadas pelo coeficiente de Pearson (r) quando ambas apresentaram distribuição normal e, quando o par incluiu o Domínio Relações Sociais (único com distribuição não normal), utilizou-se o coeficiente de Spearman (ρ). As correlações foram apresentadas em matriz, com os coeficientes (r ou ρ) acima da diagonal e os p-valores abaixo da diagonal, adotando-se a interpretação usual da magnitude: fraca (≈ 0–0,39), moderada (≈ 0,40–0,69) e forte (≥ 0,70). O nível de significância adotado foi de 5% (p < 0,05).
Software:
As análises foram realizadas no JAMOVI 2.6.44 (2024). Gráficos de dispersão com reta de regressão e IC95% para pares significativos foram produzidos em R versão 4.4.1 (2024).
RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
A amostra do estudo foi composta por 18 responsáveis, sendo a maioria do sexo feminino (88,9%), enquanto apenas 11,1% eram do sexo masculino. Em relação à renda familiar, observou-se que 55,6% relataram rendimento de até três salários mínimos, ao passo que 44,4% possuíam renda superior a esse valor. Quanto à ocupação, destacou-se a presença de autônomos (22,2%), seguida por profissionais das áreas administrativa, saúde/educação, auxiliares de serviços gerais e responsáveis do lar/estudantes, cada um representando 16,7% da amostra. Outros grupos, como aposentados e demais ocupações, corresponderam a 5,6% cada. A idade dos responsáveis variou entre 26 e 59 anos, com média de 38,6 anos (DP = 9,61) e mediana de 36 anos. As crianças apresentaram idades entre 0 e 17 anos, com média de 7,3 anos (DP = 5,62) e mediana de 5,5 anos. O número de residentes nos domicílios variou de 2 a 7, com média de 4,0 moradores (DP = 1,16), indicando predominância de famílias de pequeno a médio porte.

Em relação ao diagnóstico clínico das crianças, observou-se uma diversidade de condições, com maior frequência da paralisia cerebral (16,7%), seguida por diagnósticos individuais como agenesia de corpo caloso, síndrome de Angelman, autismo, bexiga pequena, deficiência intelectual associada a TDAH, microcefalia, prematuridade, entre outros, cada um representando 5,6% da amostra. No que se refere ao acesso a serviços de saúde, 55,6% dos responsáveis relataram possuir plano de saúde, enquanto 44,4% não tinham cobertura privada. Além disso, verificou-se que 27,8% dos responsáveis faziam uso de algum tipo de medicação, enquanto a maioria (72,2%) não utilizava medicamentos no momento da coleta.

Na avaliação dos domínios de qualidade de vida pelo WHOQOL-bref, observou se que o domínio relações sociais apresentou a maior média (65,3; DP = 14,7), seguido pelos domínios psicológico (63,9; DP = 14,4) e físico (60,5; DP = 11,8). O domínio meio ambiente apresentou a menor média (58,9; DP = 12,7), indicando maior fragilidade percebida nessa dimensão. Quanto ao teste de normalidade de Shapiro Wilk, verificou-se que os domínios físicos (p = 0,127), psicológico (p = 0,088) e meio ambiente (p = 0,607) apresentaram distribuição compatível com a normalidade (p > 0,05). Apenas o domínio relações sociais (p = 0,047) apresentou distribuição não normal, indicando a necessidade de utilização de testes não paramétricos nas comparações envolvendo esse domínio. Tabela 3. Estatísticas descritivas e teste de normalidade (Shapiro-Wilk) dos domínios de qualidade de vida dos participantes (n = 18).


Comparação:
Na Tabela 4 são apresentados os escores médios, medianas e desvios-padrão dos domínios do WHOQOL-abreviado segundo variáveis sociodemográficas e clínicas. Observou-se que não houve diferenças estatisticamente significativas entre os sexos, embora os homens tenham apresentado médias ligeiramente superiores nos domínios físico e relações sociais, enquanto as mulheres apresentaram valores semelhantes no domínio psicológico. Em relação à faixa de renda, os grupos de até três salários e mais de três salários apresentaram escores médios bastante próximos em todos os domínios. No que se refere ao plano de saúde, indivíduos que não possuíam plano apresentaram médias mais elevadas em quase todos os domínios, com diferenças significativas nos domínios psicológico (p = 0,012) e físico (p = 0,025). De forma semelhante, os participantes que não faziam uso de medicação obtiveram escores médios mais altos em todos os domínios avaliados, principalmente nos aspectos psicológico e físico. Quanto à profissão, aposentados e profissionais da área da saúde e educação apresentaram os maiores escores médios, enquanto os auxiliares e indivíduos classificados como do lar/estudantes tiveram os menores valores. Já em relação ao diagnóstico clínico, verificou-se ampla variabilidade entre as condições, com destaque para os diagnósticos de bexiga pequena e prematuridade, que obtiveram os maiores escores médios nos quatro domínios. Em contrapartida, condições como encoprese e TEA associado a TDAH estiveram associadas aos menores escores médios.



Correlação:
O teste de Shapiro–Wilk foi realizado antes da correlação para verificar a distribuição das variáveis analisadas. Os resultados demonstraram que todas as variáveis apresentaram distribuição compatível com a normalidade, exceto o Domínio Relações Sociais, que apresentou valor de p inferior a 0,05, indicando distribuição não normal. Dessa forma, as análises de correlação poderão ser conduzidas pelo coeficiente de correlação de Pearson quando ambas as variáveis apresentaram distribuição normal, e pelo coeficiente de correlação de Spearman quando houver envolvimento do Domínio Relações Sociais.

A Tabela 6 apresenta a matriz de correlações entre variáveis sociodemográficas (idade do responsável, idade da criança e número de indivíduos residentes no domicílio) e os domínios do WHOQOL-abreviado (físico, psicológico, meio ambiente e relações sociais).
O coeficiente de correlação varia entre -1 e +1, indicando tanto a força quanto a direção da associação entre duas variáveis. Valores próximos de +1 representam uma correlação positiva forte, sugerindo que o aumento em uma variável está associado ao aumento na outra. Valores próximos de -1 indicam uma correlação negativa forte, sugerindo associação inversa. Valores próximos de 0 indicam ausência de associação linear. A significância estatística foi avaliada pelo valor de p, considerando p < 0,05 como indicativo de correlação significativa.
Observa-se que os maiores coeficientes de correlação foram encontrados entre os domínios do WHOQOL-abreviado. Destacam-se associações fortes e positivas entre o Domínio Físico e o Domínio Psicológico (r = 0,85; p < 0,001), entre o Domínio Físico e o Domínio Meio Ambiente (r = 0,85; p < 0,001), e entre o Domínio Psicológico e o Domínio Meio Ambiente (r = 0,83; p < 0,001). Além disso, o Domínio Relações Sociais (avaliado pelo coeficiente de Spearman devido à distribuição não normal) também apresentou fortes correlações com os demais domínios, como Relações Sociais e Físico (ρ = 0,85; p < 0,001) e Relações Sociais e Psicológico (ρ = 0,85; p < 0,001).
Por outro lado, as variáveis sociodemográficas apresentaram correlações fracas e não significativas com os domínios de qualidade de vida. Por exemplo, a idade do responsável apresentou associação positiva de baixa magnitude com o Domínio Físico (r = 0,29; p = 0,247) e com o Domínio Meio Ambiente (r = 0,23; p = 0,353), mas sem significância estatística. O número de indivíduos residentes no domicílio mostrou associação baixa e não significativa com o Domínio Psicológico (r = 0,33; p = 0,179) e com o Domínio Meio Ambiente (r = 0,33; p = 0,186).
De forma geral, os resultados evidenciam que os domínios de qualidade de vida apresentam correlações fortes entre si, enquanto as variáveis sociodemográficas não se associaram de maneira significativa a esses domínios na amostra analisada.


A ausência de correlação entre variáveis sociodemográficas e os domínios de qualidade de vida evidencia que fatores como idade, renda familiar e até mesmo o diagnóstico clínico não são determinantes isolados para a percepção de bem-estar. Esse achado é relevante, pois rompe com a ideia de que apenas condições externas ou socioeconômicas moldam a qualidade de vida, reforçando que ela é multifatorial e vai além de características objetivas. Dessa forma, compreende-se que os aspectos subjetivos e a experiência pessoal frente à condição de saúde assumem um papel central.
Em contrapartida, os domínios físico e psicológico mostraram-se diretamente associados à qualidade de vida, revelando uma interdependência clara entre corpo e mente. Quando o indivíduo não se encontra bem fisicamente, sente dor ou possui limitações funcionais, isso inevitavelmente impacta sua saúde mental. Nesse contexto, a fisioterapia ganha destaque não apenas como ferramenta de reabilitação física, mas também como promotora de bem-estar emocional, refletindo inclusive na dinâmica familiar. Ao possibilitar melhora funcional e redução de dores, a intervenção fisioterapêutica contribui para maior autonomia e para a diminuição da sobrecarga psicológica tanto do paciente quanto de seus cuidadores.
Outro ponto relevante é a influência do ambiente e das restrições sociais impostas pela rotina de cuidados. Muitas famílias acabam privadas de momentos de lazer, convivência social e até mesmo de atividades cotidianas simples, em função da dedicação quase exclusiva ao cuidado dos filhos. Essa realidade gera isolamento e afeta negativamente o psicológico de todos os envolvidos, comprometendo a rede de apoio e a qualidade de vida familiar. Nesse sentido, torna-se fundamental discutir estratégias de acolhimento, suporte psicossocial e valorização de espaços de convivência, para que as famílias possam vivenciar o cuidado sem abrir mão de sua própria saúde emocional e social.
Vários estudos em nível nacional analisaram o perfil sociodemográfico e o bem estar de cuidadores que assistem crianças com necessidades de tratamento específicas, como paralisia cerebral e deficiência intelectual. (Marques et al. 2016) conduziu uma pesquisa descritiva transversal com 41 cuidadores de crianças com paralisia cerebral que eram atendidas em clínicas de fisioterapia, tanto públicas quanto privadas. A maioria da amostra era composta por mulheres (88,9%), com idades que variavam de 26 a 59 anos; a renda familiar de grande parte desses cuidadores não ultrapassa três salários mínimos. Os achados mostraram que esses cuidadores enfrentam uma carga emocional considerável, relacionada a aspectos como o tempo dedicado aos cuidados e a carência de suporte social.
Foi examinado o perfil sociodemográfico e a qualidade de vida de cuidadores de indivíduos com deficiência física recebendo apoio na Fundação Centro Integrado de Apoio ao Portador de Deficiência Física (FUNAD) localizada em João Pessoa (PB). A amostra incluiu 51 cuidadores, dos quais 92,2% eram mulheres, com idades variando entre 19 e 63 anos. A qualidade de vida foi avaliada com o uso do WHOQOL bref, e os resultados indicaram que os cuidadores apresentaram notas inferiores nas áreas física e ambiental, o que reflete um efeito negativo na qualidade de vida em função das exigências do cuidado (Trigueiro 2011).
Foi realizada uma pesquisa transversal e censitária com 75 cuidadores de pessoas com deficiência intelectual em uma cidade menor do interior do Rio Grande do Sul. A maioria dos cuidadores era do gênero feminino (88%), com uma média de idade de 39,6 anos, sendo que a renda familiar era, em sua maior parte, limitada a três salários mínimos. A análise da qualidade de vida evidenciou que esses cuidadores obtiveram pontuações mais baixas nas áreas física e ambiental, sugerindo que as condições socioeconômicas e o nível educacional têm um impacto negativo sobre a qualidade de vida dessas pessoas (Silva e Fedosse 2018).
Esses estudos demonstram que o perfil sociodemográfico dos cuidadores de crianças com necessidades terapêuticas específicas no Brasil é predominantemente composto por mulheres com idades médias entre 38 e 42 anos, uma renda familiar de até três salários mínimos e baixa escolaridade. Além disso, o bem-estar desses cuidadores é afetado negativamente pelas exigências do cuidado, especialmente nas dimensões física e ambiental, o que ressalta a necessidade de implementar ações e intervenções que promovam o bem-estar desses indivíduos.
CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir dos resultados analisados, conclui-se que a qualidade de vida não pode ser explicada apenas por fatores objetivos, como idade, renda ou diagnóstico clínico, mas sim por uma interação complexa entre aspectos físicos, psicológicos e sociais. A ausência de correlação com variáveis sociodemográficas reforça a ideia de que o bem-estar é construído de forma subjetiva, a partir da experiência individual diante da condição de saúde. Nesse sentido, compreender a qualidade de vida como um fenômeno multifatorial amplia a visão sobre o cuidado e fortalece a necessidade de abordagens integrativas que considerem o indivíduo em sua totalidade.
Além disso, o impacto direto dos domínios físico e psicológico demonstra a relevância de intervenções que atuem tanto na melhora funcional quanto na promoção do equilíbrio emocional. A fisioterapia, nesse cenário, não se limita à reabilitação motora, mas desempenha papel essencial no alívio da dor, na recuperação da autonomia e na diminuição da sobrecarga psíquica de pacientes e cuidadores. Paralelamente, o suporte psicossocial e a valorização de espaços de convivência tornam-se estratégias indispensáveis para reduzir o isolamento e preservar a saúde mental das famílias, reafirmando que o cuidado integral é determinante para uma melhor qualidade de vida.
REFERÊNCIAS
BALDINI, P. R. Efeito da mutualidade parental na qualidade de vida de mães de crianças com necessidades especiais de saúde. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 29, e3423, 2021.
DIAS, B. C. Desafios de cuidadores familiares de crianças com necessidades especiais de cuidados múltiplos, complexos e contínuos em domicílio. Escola Anna Nery, v. 23, n. 1, e20180127, 2019.
MILBRATH, V. M. Vulnerabilidades vivenciadas por familiares/cuidadores de crianças com condição crônica. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 33, n. 1, e330101, 2023.
PARANHOS, J. S. S. G. A influência do engajamento paterno na qualidade de vida de mães de crianças com deficiência. Saúde e Sociedade, v. 33, n. 2, e230233, 2024.
TOSCAN, V. R. Percepção do cuidador sobre o serviço de atenção domiciliar. Cuadernos de Educación, v. 1, n. 1, p. 1-10, 2025.
