REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202511090947
Ana Carolina Furquim Carvalho
Ana Rafaela Oliveira Freitas
Orientador: Esp. João Eduardo Viana Guimarães
RESUMO
A saúde reprodutiva feminina depende em grande parte da microbiota vaginal, um ecossistema composto por uma variedade de microrganismos, como vírus, bactérias e fungos, que coexistem de forma equilibrada. Nesse contexto, as bactérias do gênero Lactobacillus são as mais prevalentes, exercendo funções significativas, como a produção de ácido láctico, peróxido de hidrogênio e bacteriocinas. O estudo tem como objetivo investigar a influência da microbiota vaginal na gestação e o risco para o desenvolvimento do parto prematuro. A abordagem é de revisão bibliográfica e integrativo, em que a coleta de dados foram através da seleção de estudos em bases de dados disponíveis na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Google Acadêmico, Scientific Electronic Library On line (SciELO). Os descritores utilizados foram “trabalho de parto prematuro”, “microbiota vaginal”, “saúde reprodutiva da mulher”. Os artigos e materiais utilizados correspondem do ano de 2019 a 2025. Conclui-se que a mudança na microbiota vaginal durante a gestação eleva o risco de parto prematuro, em razão de vários fatores, como hábitos de vida e higiene, uso de contraceptivos orais, condições de saúde pré-existentes e desregulação hormonal, que podem causar desequilíbrio no ambiente e favorecer a proliferação de microrganismos patogênicos. Torna-se, portanto, necessária a educação em saúde para as mulheres gestantes quanto ao cuidado nesse período de infecções e o incentivo a uma alimentação adequada, visando, assim, reduzir as chances de um parto prematuro.
Palavras- chave: Gestação. Microbiota vaginal. Parto Prematuro.
ABSTRACT
Female reproductive health depends largely on the vaginal microbiota, an ecosystem composed of a variety of microorganisms, such as viruses, bacteria and fungi, which coexist in a balanced way. In this context, bacteria of the Lactobacillus genus are the most prevalent, performing significant functions, such as the production of lactic acid, hydrogen peroxide and bacteriocins. The study aims to investigate the influence of the vaginal microbiota on pregnancy and the risk of premature birth. The approach is a bibliographic and integrative review in which data collection was through the selection of studies in databases available in the Virtual Health Library (VHL), Google Scholar, Scientific Electronic Library On line (SciELO). The descriptors used were “preterm labor”, “vaginal microbiota”, “women’s reproductive health”. The articles and materials used correspond to the years 2019 to 2025. Therefore, it is clear that the change in the vaginal microbiota during pregnancy increases the risk of premature birth, due to several factors, such as lifestyle and hygiene habits, use of oral contraceptives, pre- existing health conditions and hormonal dysregulation, which can cause imbalance in the environment and favor the proliferation of microorganisms. It is necessary to provide health education to pregnant women regarding care during this period of infections and encouraging adequate nutrition, thus reducing the chances of premature birth.
Keywords: Pregnancy. Vaginal microbiota. Premature birth.
1 INTRODUÇÃO
A microbiota vaginal representa um componente fundamental para a manutenção da saúde reprodutiva feminina, caracterizando-se como um ecossistema complexo onde vírus, bactérias e fungos coexistem em um delicado equilíbrio. Dentro desse ambiente, as bactérias do gênero Lactobacillus assumem um papel preponderante, sendo as mais abundantes e exercendo funções protetoras cruciais. Elas são responsáveis pela produção de substâncias como ácido lático, peróxido de hidrogênio e bacteriocinas, as quais são essenciais para manter o pH vaginal em uma faixa ácida, geralmente entre 3,8 e 4,5. Este pH baixo cria um ambiente inóspito para o crescimento e proliferação de microrganismos patogênicos oportunistas, conforme destacado por Dutra et al. (2024).
Além de sua função de barreira contra infecções, a microbiota vaginal, particularmente os Lactobacillus, desempenha um papel significativo na regulação do sistema imunológico local. A manutenção de um pH ácido inibe especificamente a multiplicação de bactérias prejudiciais, como a Gardnerella vaginalis e Mobiluncus, que são frequentemente associados à vaginose bacteriana (VB). A presença de espécies como Lactobacillus crispatus também contribui para a estabilidade de uma microbiota vaginal saudável, embora sua ausência ou diminuição possa desestabilizar esse equilíbrio (GRITTI, 2023).
Outros agentes microbianos, como Peptococcus spp., Staphylococcus epidermidis, Corynebacterium vaginale, Candida albicans, Bacteroides spp. e Eubacterium ssp., também podem ser encontrados na microbiota vaginal. No entanto, um aumento na proporção desses microrganismos em detrimento dos Lactobacillus pode favorecer o surgimento de infecções secundárias (SOUSA et al., 2019). Um desiquilíbrio na microbiota vaginal, conhecido como disbiose, é um fator que contribui para o desenvolvimento e proliferação de bactérias patogênicas, estando diretamente correlacionado a complicações obstétricas, notadamente o risco de parto prematuro (BEZERRA et al., 2024)
A disbiose vaginal, conforme apontado por Dutra et al. (2024), é caracterizada pela redução dos lactobacillus e pelo aumento das bactérias anaeróbicas. Esse desequilíbrio pode ser influenciado por uma série de fatores, incluindo a idade, o ciclo menstrual, o uso de contraceptivos hormonais, a atividade sexual e a prática de higiene íntima. Gritti (2023) complementa que a ausência do fluxo menstrual, alterações na secreção cervical ou vaginal e a falta de flutuações cíclicas hormonais durante a gravidez podem levar à instabilidade da microbiota.
A alteração da microbiota vaginal tem uma forte associação com o parto prematuro, definido como o nascimento ocorrido antes das 37 semanas completas de gestação. Este evento é uma das principais causas de morbilidade e mortalidade materna e infantil globalmente. Estima-se que aproximadamente 15 milhões de nascimentos anuais sejam prematuros (SILVA et al., 2024). Recém-nascidos prematuros estão mais suscetíveis a problemas respiratórios, neurológicos e infecções a longo prazo, o que ressalta a gravidade dessa questão.
Entre as causas de parto prematuro, a ruptura prematura de membranas é frequentemente associada a uma resposta inflamatória local. A vaginose bacteriana (VB) emerge como uma condição comum durante a gravidez, capaz de desencadear processos patológicos que aumentam significativamente os riscos tanto para a gestante quanto para o feto (FRANÇA et al., 2025).
Diante desse cenário, é crucial que as gestantes mantenham uma dieta saudável e equilibrada, garantam uma ingestão adequada de água e evitem o uso de roupas apertadas. Além disso, a monitorização do pH vaginal por meio de exames de cultura de secreções vaginais é fundamental para a identificação precoce e o tratamento eficaz de infecções, conforme recomendado por Sousa et al. (2019).
A relevância deste tema é inegável, dado o e elevado risco de parto prematuro decorrente do desequilíbrio da microbiota vaginal durante a gestação. As informações coletadas neste estudo visam aprofundar a compreensão sobre a importância do equilíbrio vaginal na redução de complicações potenciais, além de sugerir estratégias preventivas e terapêuticas eficazes para abordar essa problemática.
Este trabalho busca responder à seguinte questão norteadora: “quais fatores de risco podem alterar a microbiota e aumentar o risco para o parto prematuro?” O estudo tem como objetivo investigar a influência da microbiota vaginal na gestação e o risco para o desenvolvimento do parto prematuro. Também abordar os fatores de risco para a mudança na microbiota e apontar as intervenções para diminuir a incidência de morbimortalidade.
A metodologia empregada é de revisão bibliográfica e integrativa, com a coleta e revisão de estudos em bases de dados como Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Google Acadêmico e Scientific Eletronic Library Online (SciELO). Os descritores utilizados foram “trabalho de parto prematuro”, “microbiota vaginal”, “saúde reprodutiva da mulher”, com um recorte temporal de 2019 a 2025.
A estrutura deste estudo compreende o desenvolvimento teórico abordando a microbiota vaginal, os fatores que interferem no seu desequilíbrio e o risco para o desenvolvimento do parto prematuro, seguido pela metodologia, resultados e discussões, e, por fim, as considerações finais.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Microbiota Vaginal
A mucosa vaginal é uma estrutura notavelmente adaptada, revestida por epitélio pavimentoso estratificado espesso, rico em glicogênio. Este substrato é vital para a manutenção de uma microbiota saudável, predominantemente composta por bactérias do gênero Lactobacillus. As espécies mais comumente encontradas incluem L. crispatus, L. jensenii, L. gasseri e L. iners (SOUSA et al., 2019).
Outrossim, os Lactobacillus encontram-se em grande proporção na microbiota vaginal mantendo o ambiente ácido e prevenindo de infeções. Logo, durante a gestação as células epiteliais vaginais aumentam a produção e isso favorece proliferação de lactobacillus (RIEDEL et al., 2022).
Desse modo, a microbiota vaginal durante a gestação pode sofrer alterações na sua composição, tendo como predomínio o Lactobacillus spp devido o maior nível de estrogênio nesse período com maior depósito de glicogênio vaginal resultando em aumento na proliferação microbiana. Vale ressaltar, que o hormônio estriol encontra- se presente em grande quantidade produzido pela placenta contribuindo para esse glicogênio vaginal (OVALLE; OYARZÚN, 2024).
Assim, vários fatores podem causar um desequilíbrio local como, medicamentos antimicrobianos, idade, comorbidades como diabetes mellitus, vias de partos cesárea ou vaginal, e variações nos níveis hormonais são fatores que podem influenciar a microbiota que podem influenciar a microbiota e aumentar a vulnerabilidade para entrada de patógenos (MORAIS et al., 2024).
Dutra et al. (2024) afirmam que a microbiota pode ser afetada por práticas sexuais, uso de contraceptivos hormonais, sistema imunológico, hábitos de higiene, menopausa e gestação. Nesse contexto, esses fatores podem levar a mudanças no equilíbrio de Lactobacillus, resultando em disbiose e elevando o risco de infecções vaginais e problemas reprodutivos. Assim, fica evidente que a formação da microbiota vaginal exerce um impacto considerável na saúde tanto da mãe quanto do feto, uma vez que o microbioma em mulheres grávidas apresenta maior estabilidade (SAADAOUI et al., 2023).
2.2. Microbiota vaginal na Gestante e o Risco de Parto Prematuro
A gestação é um período de profundas transformações fisiológicas no corpo feminino, que vão além das alterações hormonais evidentes. Essas mudanças abrangem modulações imunológicas, adaptações comportamentais e alterações físico-químicas na mucosa e no trato genital, impactando diretamente o ambiente estrutural e funcional do microbioma vaginal (GUPTA; SINGH; GOYAL, 2020).
Embora a presença de Lactobacillus seja um marcador de saúde vaginal e atue na manutenção do equilíbrio, o ambiente vaginal é suscetível a alterações tanto internas quanto externas. Essas alterações podem ocasionar um desequilíbrio (disbiose) e aumentar significativamente o risco de infecções, especialmente durante o período gestacional. Uma das consequências mais graves desse desequilíbrio pe o parto prematuro, que pode ser desencadeado por condições como a ruptura prematura de membranas ovulares, corioamnionite e infeções materno-fetais (ESTEVES et al., 2019).
O risco de colonização de patógenos e o desenvolvimento de infecções podem induzir contrações uterinas e, em casos mais graves, levar um abortamento espontâneo. Fatores como o uso de antibióticos, estilo de vida da gestante, seu estado hormonal e imunológico, e até mesmo fatores genéticos, influenciam a composição da microbiota vaginal, e consequentemente, aumentam a suscetibilidade ao parto prematuro (SAADAOUI et al., 2023).
Esteves et al. (2019) enfatiza que o parto prematuro é considerado um desafio de saúde pública global, sendo a principal causa de mortalidade neonatal precoce e tardia. Segundo Dhanasekar et al. (2019) o trabalho de parto prematuro é um dos principais desafios na obstetrícia, sendo a principal causa de mortalidade perinatal. Aproximadamente nasce 15 milhões de recém-nascido prematuros anualmente, e destes sobreviventes podem apresentar dificuldade no aprendizado e problemas visuais e auditivos.
Nessa perspectiva, a baixa frequência de Lactobacillus associada a uma alta quantidade de bactérias anaeróbicas é um indicativo de disbiose, que frequentemente culmina na vaginose bacteriana (VB). A VB é reconhecida como uma das principais patologias responsáveis por progressão para parto prematuro, devido às alterações que provoca microbiota vaginal (GUPTA; SINGH; GOYAL, 2020).
3 METODOLOGIA
O presente estudo foi concebido sob uma abordagem de revisão bibliográfica e integrativa, buscando sintetizar conhecimentos existentes sobre a relação entre microbiota vaginal e o risco de parto prematuro. Para a coleta e a seleção de estudos, foram utilizados bases de dados disponíveis na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Google Acadêmico, Scientific Electronic Library On line (SciELO).
Os descritores foram cuidadosamente selecionados a partir da lista dos Descritores em Ciência da Saúde (DeCS), abrangendo termos-chave que refletem a essência da pesquisa: “trabalho de parto prematuro”, “microbiota vaginal”, “ disbiose vaginal”, “saúde reprodutiva da mulher”. Utilizou-se, de forma, concomitante os operadores booleanos “OR” e “AND” – com um filtro temporal estabelecido para o período de 2019 a 2025.
Os critérios de inclusão para a seleção dos artigos englobaram estudos disponíveis online na íntegra, sejam eles revisões sistemáticas, bibliográficas, integrativas, publicados nos idiomas inglês, espanhol e português, e que se enquadrassem no período delimitado de 2019 a 2025. Como critérios de exclusão foram descartados artigos não originais, repetidos, duplicados, pagos, e que estivessem fora do período de publicação especificado, garantindo a relevância e atualidade das informações compiladas.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
O Lactobacillus mantém uma predominância significativa na microbiota vaginal, exercendo um papel protetor vital. A produção de ácido lático por essas bactérias é fundamental para manter o pH vaginal em torno de 3,5, inibindo o crescimento de microrganismos invasores. Além disso, os Lactobacillus produzem bacteriocinas, que atuam aumentando a permeabilidade da membrana celular de patógenos. Outro ponto importante é a estimulação da interleucina-23 (IL-23), que ativa a via das células T helper 17 (Th17) em casos de invasão por microrganismos gram-negativos, restaurando a homeostase do ambiente vaginal (GUPTA; SINGH; GOYAL, 2020).
Um achado relevante, corroborado pelo estudo de Gudnadottir et al. (2022), é que a ocorrência de risco para parto prematuro espontâneo foi mais elevada em mulheres com baixos níveis de lactobacillus. Essa deficiência aumenta a propensão de infeções como a Gardnerella encontradas no microbioma vaginal pouco antes da ruptura prematura de membranas. Tais infecções exercem um impacto negativo na resposta materna e contribuem diretamente para a indução do parto prematuro.
Gupta, Singh e Goyal (2020) destacam que a ruptura de membranas é a causa mais comum de parto prematuro em contextos de disbiose, principalmente devido a infecções ascendentes e amnióticas que alteram o delicado equilíbrio imunológico materno – fetal. Em contrapartida, a deficiência de vitamina D foi identificada como um fator de risco adicional para o parto prematuro. A vitamina D fortalece o epitélio vaginal e estimula a síntese de glicogênio, que por sua vez, auxilia na redução do pH vaginal, contribuindo para um ambiente mais saudável (GUPTA; SINGH; GOYAL, 2020).
Baud et al. (2023) abordam outros fatores que podem levar ao desequilíbrio da microbiota vaginal, e consequentemente, à vaginose bacteriana, tais como o uso de antibióticos, atividade sexual e alterações hormonais. A Vaginose bacteriana é caracterizada pela baixa presença de lactobacillus e proliferação de bactérias como Gardnerella, sendo uma das principais causas de parto prematuro em gestantes.
O mecanismo pelo quais as bactérias presentes na vaginose bacteriana contribuem para o parto prematuro é complexo, elas geram inflamação, tornando o ambiente intrauterino incompatível para a implantação do embrião e o desenvolvimento placentário adequado. Os microrganismos que ascendem pela vagina e colo do útero em direção ao útero liberam enzimas proteolíticas bacterianas, como a fosfolipase A2 e a colagenase. Esse processo desencadeia a produção de ácido araquidônico, que por sua vez, provoca um aumento nas prostaglandinas. Altos níveis de prostaglandinas promovem a reestruturação do colágeno nas membranas fetais, o que pode resultar em contrações uterinas e, consequentemente, em parto prematuro (DHANASEKAR et al., 2019).
Um estudo de Saadaoui et al. (2019) revelou que mulheres identificadas com disbiose no primeiro trimestre da gestação apresentam um risco elevado de abortos no segundo trimestre, embora esse aumento nem sempre seja considerado estatisticamente relevante em todas as comparações, as mulheres com alterações mais intensas na microbiota vaginal demonstram um risco duas vezes maior de perder a gestação no segundo trimestre em comparação aquelas que possuíam uma microbiota vaginal saudável. O autor ainda destaca que a disbiose pode levar a inflamações e infecções mais frequentes, condições que estão diretamente ligadas a um maior risco de aborto espontâneo. O estudo evidenciou que gestantes com uma microbiota vaginal equilibrada apresentam menor risco de aborto espontâneo em relação àquelas com microbioma desequilibrado.
A relevância desses achados é reforçada pelo estudo de Freitas et al. (2020), que corrobora que pacientes com presença de Gardnerella no segundo trimestre de gestação tiveram aborto espontâneo. A gravidade dessa condição é amplificada pelo fato de que muitas dessas infecções são assintomáticas, dificultando o diagnóstico precoce e permitindo que evoluam para abortamento ou parto prematuro.
Diante da preocupante incidência nas emergências obstétricas, intervenções eficazes são necessárias para mitigar essa problemática. A inclusão de probióticos específicos, modificação nos hábitos de vida e dietas direcionadas durante o período gestacional têm demonstrado desfechos positivos na saúde da microbiota vaginal, com um impacto benéfico na redução das complicações obstétricas (DUTRA et al., 2025).
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise aprofundada realizada neste estudo de revisão bibliográfica e integrativa solidifica a compreensão de que a alteração da microbiota vaginal em gestantes é um fator crucial que eleva o risco para o parto prematuro. Diversos elementos contribuem para esse desequilíbrio, incluindo hábitos de vida e de higiene inadequados, o uso de contraceptivos orais, a presença de doenças pré-existentes e desregulações hormonais. Todos esses fatores podem alterar o ambiente vaginal, favorecendo a proliferação de microrganismos patogênicos.
A disbiose vaginal, caracterizada pela diminuição de Lactobacillus spp. e pelo aumento de microrganismos prejudiciais, como Gardnerella vaginalis e outras bactérias associadas à vaginose bacteriana., está intrinsecamente ligada a um maior risco de inflamações, complicações infecciosas e, consequentemente, partos prematuros. Este cenário sublinha a necessidade imperativa de estratégias de prevenção e intervenção que visem manter ou restaurar o equilíbrio da microbiota vaginal durante a gestação.
Apesar da crescente evidência que conecta a saúde da microbiota vaginal ao desfecho gestacional, o artigo ressalta que ainda existem poucos estudos abrangentes que abordam a relação detalhada entre a microbiota vaginal e o parto prematuro. Essa lacuna de informações destaca a necessidade de maior investimento nessa temática de pesquisa. Considerando a acentuada significância do parto prematuro na mortalidade neonatal e materna, o aprofundamento do conhecimento nessa área é de extrema importância para o desenvolvimento de novas abordagens preventivas e terapêuticas.
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