FUNCTIONAL ASSESSMENT OF MOBILITY AND MUSCLE STRENGTH IN PATIENTS AFTER TOTAL HIP ARTHROPLASTY
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202511091012
Denny Drumond Souza
João Henrique De Oliveira
Luiz Henrique Chota Magalhães
Tathiane Barbosa Cavalcante
Orientador: Bruno Dias Duarte
Resumo
Introdução: A fratura proximal de quadril representa uma das lesões ortopédicas mais comum em idosos. Em muitos casos, faz-se necessário a cirurgia de reparo, sendo esta também considerada bem recorrente. Isso acontece principalmente indivíduos idosos, comparado ao público mais jovem. Tendo em vista o crescimento da população idosa, a fratura de quadril pode se transformar em um grande desafio para o futuro. A fisioterapia está fortemente recomendada no pós-operatório desse tipo de cirurgia, incialmente com o objetivo de minimizar efeitos deletérios da mobilidade reduzida e, em seguida, potencializar ganhos funcionais como caminhar e realizar atividades de vida diária, permitindo assim que os pacientes recuperem um estilo de vida fisicamente ativo. Objetivo: Identificar quais estratégias fisioterapêuticas são mais eficazes para recuperar a mobilidade e a força muscular em pacientes submetidos à artroplastia total de quadril no período pós-operatório. Metodologia: Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica realizado no período de 2018 a 2020, com buscas sistematizadas nas bases de dados PubMed, Scopus e SciELO. Resultados: A busca inicial identificou 73 estudos, dos quais 28 atenderam aos critérios de inclusão, sendo posteriormente submetidos à análise detalhada. Após aplicação dos critérios de elegibilidade, apenas 8 artigos foram selecionados para compor a revisão final. Conclusão: Os resultados desta revisão evidenciam que a fisioterapia tem papel essencial no processo de recuperação funcional de pacientes submetidos à artroplastia total de quadril, atuando de forma determinante no restabelecimento da mobilidade, da força muscular e da autonomia. Observou-se que as diferentes abordagens fisioterapêuticas descritas na literatura, quando aplicadas de maneira correta, contínua e adaptada às necessidades de cada paciente, promovem benefícios relevantes no processo de reabilitação. Assim, torna-se evidente a necessidade de que tais protocolos sejam incorporados de forma sistemática à prática clínica, contribuindo para melhores desfechos funcionais e qualidade de vida dos pacientes.
Palavras-chave: Artroplastia de Quadril; Fisioterapia; Mobilidade Funcional.
Abstract
Introduction: Proximal hip fracture represents one of the most common orthopedic injuries in the elderly. In many cases, surgical repair is required, making it a frequent procedure, especially among older individuals compared to younger patients. Considering the growing elderly population, hip fractures may become a major challenge for the future. Physiotherapy is strongly recommended in the postoperative period of this type of surgery, initially with the aim of minimizing the deleterious effects of reduced mobility and, subsequently, enhancing functional gains such as walking and performing activities of daily living, thus allowing patients to regain a physically active lifestyle. Objective: To identify which physiotherapeutic strategies are most effective in recovering mobility and muscle strength in patients undergoing total hip arthroplasty in the postoperative period. Methodology: This is a bibliographic review conducted between 2018 and 2020, with systematic searches in the PubMed, Scopus, and SciELO. Results: The initial search identified 73 studies, of which 28 met the inclusion criteria and were subsequently analyzed in detail. After applying eligibility criteria, only 8 articles were selected to compose the final review. The findings demonstrated that physiotherapeutic interventions such as progressive resistance exercises, hydrotherapy, and telerehabilitation consistently improved mobility, muscle strength, and overall functionality in patients. Conclusion: The results of this review highlight the essential role of physiotherapy in the functional recovery of patients undergoing total hip arthroplasty, being crucial for the restoration of mobility, muscle strength, and autonomy. It was observed that different physiotherapeutic approaches described in the literature, when applied correctly, continuously, and adapted to each patient’s needs, promote significant benefits in the rehabilitation process. Therefore, it is evident that such protocols should be systematically incorporated into clinical practice, contributing to better functional outcomes and improved quality of life for patients.
Keywords: Hip Arthroplasty; Physiotherapy; Functional Mobility.
1 INTRODUÇÃO
O envelhecimento é um processo caracterizado por modificações anatômicas e fisiológicas; fenômeno complexo que envolve aspectos socioculturais, políticos e econômicos em interação dinâmica e permanente com a dimensão biológica e subjetiva dos indivíduos. Causa ao longo do tempo, perdas osteomusculares, aumentando o risco de quedas e fraturas de quadril. Considerando a estrutura familiar moderna, novas exigências sociais e a necessidade de cuidados direcionados (Grave, 2021).
A artroplastia total de quadril (ATQ) é um procedimento cirúrgico amplamente utilizado no tratamento de doenças degenerativas da articulação coxofemoral, como a osteoartrite, a artrite reumatoide e a necrose avascular. Com o envelhecimento populacional e o aumento da expectativa de vida, observa-se um crescimento significativo no número de cirurgias desse tipo, especialmente em indivíduos com perda funcional severa e dor intensa (Oliveira, 2021).
Apesar dos avanços nas técnicas cirúrgicas e nos materiais protéticos, muitos pacientes continuam apresentando déficits funcionais mesmo meses após a cirurgia. A literatura evidencia que a limitação na mobilidade e a fraqueza muscular, especialmente dos músculos abdutores e extensores do quadril, podem persistir na fase tardia do pós-operatório, impactando a independência funcional e a qualidade de vida (Pardini et al, 2022).
Nesse contexto, a avaliação da função muscular e da mobilidade é essencial para orientar intervenções fisioterapêuticas eficazes. Instrumentos como a Escala de Oxford têm sido utilizados para mensurar a força muscular de forma prática e objetiva, oferecendo suporte para decisões clínicas e planejamento terapêutico (Silva, 2020). Além disso, estudos demonstram que estratégias de reabilitação personalizadas, especialmente na fase tardia, podem contribuir significativamente para a recuperação funcional dos pacientes (Almeida et al, 2019).
A problemática do estudo consiste em identificar quais estratégias fisioterapêuticas são mais eficazes para recuperar a mobilidade e a força muscular em pacientes submetidos à artroplastia total de quadril no período pós-operatório.
A escassez de estudos voltados à análise funcional de pacientes em fase tardia de recuperação após ATQ evidencia a necessidade de aprofundar esse campo. A presente pesquisa, portanto, buscou avaliar a mobilidade e a força muscular desses indivíduos, com o intuito de contribuir para a construção de protocolos de reabilitação mais eficazes e baseados em evidências.
2 MATERIAIS E MÉTODOS
A metodologia adotada nesta pesquisa corresponde a uma revisão de escopo da literatura, fundamentada nos princípios da pesquisa bibliográfica, que, segundo Lakatos e Marconi (2004, p. 83), “é um apanhado geral sobre os principais trabalhos já realizados, revestidos de importância, por serem capazes de fornecer dados atuais […]”.
Assim, buscou-se levantar, selecionar, analisar e sintetizar publicações que tratam da importância da fisioterapia na avaliação funcional da mobilidade e força muscular em paciente no pós-artroplastia total de quadril.
Fundamentada no referencial metodológico proposto por Arksey e O’Malley (2005) e atualizado pelas recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses Extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR), conforme Tricco et al. (2018). Trata-se, portanto, de um estudo que busca mapear a literatura existente sobre Avaliação funcional da mobilidade e força muscular em paciente no pós-artroplastia total de quadril.
A coleta de dados abrangeu o período de 2018 a 2025, considerando artigos em português e inglês, disponíveis na íntegra e de acesso gratuito. As buscas foram realizadas em diferentes bases de dados, incluindo PubMed, Scopus, SciELO , bem como em acervos digitais de universidades, livros, teses e dissertações. Para a busca, utilizaram-se os seguintes descritores: Artroplastia de Quadril; Reabilitação; Força Muscular; Mobilidade Funcional.
Foram definidos como critérios de inclusão: estudos empíricos, revisões sistemáticas, revisões de escopo, teses, dissertações e relatórios técnicos que abordassem diretamente o uso da telemedicina no atendimento a idosos em áreas rurais, com oco na tématica abordada. Os critérios de exclusão incluíram: estudos com populações não cardíaca, artigos de opinião, editoriais, resumos de conferências, duplicatas.
3 RESULTADOS
As etapas seguidas na condução da revisão dos resultaods, estão descritas no quadro a seguir, o qual detalha o processo de identificação, seleção, elegibilidade e inclusão dos estudos, além das fases de análise crítica/síntese e conclusões.
Quadro 1- Processo de Seleção dos Estudos


Fonte: (Autora, 2025).
De acordo com a análise realizada sobre a avaliação funcional da mobilidade e força muscular em pacientes no pós-operatório de artroplastia total de quadril, foram inicialmente identificados 73 estudos, dos quais 28 atenderam aos critérios de inclusão e foram selecionados para análise detalhada, e apenas 08 inseridos com base nos critérios de elegibilidade.
Tabela 1 – Síntese dos estudos incluídos na revisão.




Fonte: Autores (2025).
4 DISCUSSÃO
A análise dos estudos incluídos na tabela revela que a avaliação funcional da mobilidade e força muscular em pacientes submetidos à artroplastia total de quadril tem recebido atenção crescente na literatura científica, sendo foco de pesquisas com diferentes abordagens metodológicas. Essa diversidade metodológica possibilita uma compreensão mais ampla das intervenções fisioterapêuticas e seus efeitos, evidenciando a complexidade do processo de reabilitação pós-operatória.
Nesse sentido Almeida (2019) desenvolveu uma revisão bibliográfica enfatizando a importância da intervenção fisioterapêutica no pós-operatório de artroplastia em pacientes com displasia do desenvolvimento do quadril. Os autores identificaram que a perda de força muscular e amplitude de movimento é uma constante nesse contexto, reforçando a necessidade de protocolos fisioterapêuticos específicos. Essa conclusão encontra respaldo em Shimoya-Bittencourt et al. (2020), cuja revisão sistemática também evidenciou déficit significativo de força e equilíbrio após artroplastia total do quadril. Contudo, a diferença metodológica revisão sistemática versus revisão bibliográfica proporcionou maior rigor na análise da literatura por Shimoya-Bittencourt et al., permitindo maior validade às conclusões sobre alterações musculares e proprioceptivas pós-cirurgia.
Para Santana Silva e Souza (2020), por sua vez, trouxeram uma contribuição diferenciada ao relatar experiência prática com telereabilitação, uma abordagem emergente nos últimos anos. Ao contrário das revisões anteriores, este estudo trouxe dados empíricos sobre a eficácia do atendimento remoto, destacando benefícios como aumento da força muscular e melhora da funcionalidade. Essa intervenção dialoga com as conclusões de Medeiros (2024), que, ao revisar a literatura sobre abordagens fisioterapêuticas no pós-operatório, ressaltaram a relevância de modalidades inovadoras como a hidroterapia. A comparação indica que diferentes estratégias presenciais ou virtuais podem alcançar resultados positivos, desde que adaptadas às condições e necessidades individuais do paciente.
De acordo com Santos Vieira (2021) acrescentam outra perspectiva, ao focar especificamente na população idosa com fratura proximal de fêmur. Essa abordagem trouxe evidências de que o envelhecimento e as condições prévias do paciente influenciam significativamente os resultados da reabilitação. Isso justifica a necessidade de programas individualizados, como também apontado por Almeida et al. (2019) e corroborado por Carvalho Magalhães et al. (2023), identificaram que exercícios resistidos dinâmicos e isométricos oferecem benefícios superiores quando adaptados ao perfil funcional do paciente.
Logo a discussão técnica entre os estudos também evidencia diferenças nos protocolos e nos objetivos das intervenções. Carvalho Magalhães et al. (2023) focaram no impacto do treinamento de força muscular, apontando que protocolos de alta intensidade contribuem para ganhos significativos em amplitude de movimento e força muscular. Comparativamente, Nogueira (2024) trouxe um enfoque mais crítico, abordando a neuropatia pós-artroplastia e defendendo intervenções multimodais precoces para minimizar danos. Essa diferença reflete não apenas a variedade de objetivos das pesquisas, mas também a necessidade de tratamentos personalizados que considerem complicações específicas como a neuropatia.
A comparação entre os estudos permite observar que, enquanto alguns priorizam a análise sistemática de literatura (Almeida, 2019; Shimoya, 2020; Medeiros, 2024), apresentam relatos empíricos de intervenção (Santana Silva & Souza, 2020) ou revisões integrativas com foco específico em protocolos de exercício (Carvalho, 2023). Essa diversidade metodológica contribui para um panorama mais robusto e evidencia a necessidade de abordagens complementares para avaliar a eficácia das intervenções fisioterapêuticas.
Por fim, é relevante considerar que as diferenças nos resultados entre os estudos podem estar associadas a variáveis como o tempo pós-operatório avaliado, a intensidade e duração do tratamento, a metodologia aplicada e o perfil dos pacientes. Justificativas encontradas na literatura científica apontam que protocolos individualizados, baseados em evidências e que integrem modalidades presenciais e remotas, tendem a apresentar melhores resultados (Medeiros, 2024; Carvalho Magalhães, 2023). Dessa forma, a revisão evidencia que a avaliação funcional da mobilidade e força muscular não pode ser dissociada de um planejamento terapêutico integrado e personalizado, que considere tanto os achados empíricos quanto as melhores práticas recomendadas na literatura atual.
5 CONCLUSÃO
De acordo com essa pesquisa, fica evidente que a fisioterapia tem um papel essencial, no processo de recuperação funcional de pacientes submetidos à artroplastia total de quadril, contribuindo de forma significativa para o restabelecimento da mobilidade, da força muscular e da autonomia nas atividades de vida diária. Nesse sentido as diferentes abordagens terapêuticas descritas na literatura como exercícios resistidos, hidroterapia e telereabilitação, demonstraram benefícios relevantes quando realizados de forma correta, e contínua, adaptando a necessidade do paciente.
Portanto, verificou-se, que esses protocolos fisioterapicos, possibilitam melhores desfechos funcionais reduzindo dessa forma as complicações pós- cirurgicas, como déficits de equilíbrio e neuropatias. Dessa forma, conclui-se que a escolha de estratégias individualizadas, aliadas ao acompanhamento especializado, é determinante para otimizar a recuperação e garantir maior qualidade de vida aos pacientes no pós-artroplastia total de quadril.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, J. S.; SANTOS, F. R.; FREITAS, L. M. Estratégias fisioterapêuticas na reabilitação de pacientes após artroplastia total de quadril: uma revisão integrativa. Revista de Fisioterapia em Movimento, Curitiba, v. 32, n. 3, p. 1–9, 2019.
ALMEIDA, Thairine Ingrid Silva; MENEZES, Miguel Furtado; FAVERO, Michele Thais. Fisioterapia pós artroplastia total de quadril em adultos acometidos por displasia do desenvolvimento do quadril. Revista Saberes da Unijipa, v. 15, n. 3, 2019.
DA SILVA, Larissa Sales; DA FONSECA PEREIRA, Leticia; DA COSTA RODRIGUES, Andrette. Fortalecimento muscular em pós-operatório de artroplastia total de quadril. Ciência Atual – Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário São José, v. 22, n. 1, 2025.
DE CARVALHO MAGALHÃES, Amanda Maria et al. Efeito do treinamento de força muscular na recuperação pós-operatória de pacientes submetidos à artroplastia de quadril: revisão integrativa. Revista Ciência e Saúde On-line, v. 8, n. 3, 2023.
DE MEDEIROS, Adriana Silva et al. Abordagem fisioterapêutica no pós-operatório de artroplastia de quadril em adultos. Research, Society and Development, v. 13, n. 10, p. e77131047141-e77131047141, 2024.
DE SANTANA SILVA, João Pedro; DE SOUZA, Clécio Gabriel. Telereabilitação no pós-operatório de artroplastia de quadril: relato de experiência. 2020.
GRAVE, Magali Teresinha Quevedo et al. Influência da artroplastia de quadril no desempenho de atividades funcionais, risco de quedas e qualidade de vida de idosos institucionalizados. Revista Interdisciplinar de Promoção da Saúde, v. 4, n. 3, 2021.
NOGUEIRA, Rayssa Almeida et al. Neuropatia pós artroplastia de quadril: uma abordagem terapêutica e reabilitacional. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 7, p. 90-107, 2024.
OLIVEIRA, R. P. et al. Atualização em artroplastia total de quadril: indicações, técnicas e reabilitação. Revista Brasileira de Reumatologia, São Paulo, v. 61, n. 4, p. 405–412, 2021.
PARDINI, D. P. et al. Reabilitação fisioterapêutica intra-hospitalar do paciente em pós- artroplastia total de quadril: um estudo de caso. Revista de Fisioterapia Hospitalar, Belo Horizonte, v. 17, n. 2, p. 54–60, 2021.
SANTOS, Alana Freitas; VIEIRA, Kauara Vilarinho Santana. Eficácia da fisioterapia na manutenção da capacidade funcional de idosos pós cirurgia de fratura proximal de fêmur. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 7, n. 9, p. 688-708, 2021.
SHIMOYA-BITTENCOURT, Walkiria et al. Avaliação do equilíbrio e da força muscular em pacientes submetidos à artroplastia total de quadril: revisão sistemática. Motricidade, v. 16, n. 3, p. 282-290, 2020.
