ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA SOBRE A ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA EM ADULTOS NO AMBIENTE INTRA-HOSPITALAR

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202510161744


Clédija da Silva Feitosa Correia¹
Prof. Dr. Ramon Santos Carvalho²


Resumo: O presente estudo realizou uma análise bibliométrica na base PubMed com a estratégia de busca “Nursing Care” AND “Cardiopulmonary Resuscitation” AND “Adult”, a fim de identificar a produção científica sobre o papel da enfermagem na parada cardiorrespiratória (RCP) em adultos. Foram localizadas 23 publicações distribuídas entre os anos de 1989 e 2025, com destaque para períodos de baixa produção e longos intervalos sem registros. Observou-se um crescimento recente de estudos a partir de 2018, ainda que de forma incipiente e irregular. Os resultados revelam lacunas significativas na literatura, especialmente quanto à atualização das práticas de enfermagem em consonância com diretrizes internacionais, à avaliação do impacto do treinamento profissional e à análise da atuação em diferentes contextos de cuidado. Conclui-se que a temática, apesar de sua relevância clínica e social, permanece subexplorada, reforçando a necessidade de maior investimento em pesquisas longitudinais, comparativas e multicêntricas, capazes de subsidiar protocolos de assistência, aprimorar a formação acadêmica e fortalecer a atuação da enfermagem na RCP em adultos.

Palavras-chave: Enfermagem; Parada Cardiorrespiratória; Adulto; Bibliometria; Cuidados de Saúde.

Abstract: The present study carried out a bibliometric analysis in the PubMed database using the search strategy “Nursing Care” AND “Cardiopulmonary Resuscitation” AND “Adult”, in order to identify the scientific production on the role of nursing in adult cardiopulmonary resuscitation (CPR). A total of 23 publications were identified between 1989 and 2025, with emphasis on periods of low productivity and long intervals without records. A recent growth in studies has been observed since 2018, although still incipient and irregular. The results reveal significant gaps in the literature, especially regarding the updating of nursing practices in line with international guidelines, the evaluation of the impact of professional training, and the analysis of nursing performance in different care settings. It is concluded that, despite its clinical and social relevance, this topic remains underexplored, reinforcing the need for greater investment in longitudinal, comparative, and multicenter research capable of supporting care protocols, improving academic training, and strengthening the role of nursing in adult CPR.

Keywords: Nursing; Cardiopulmonary Resuscitation; Adult; Bibliometrics; Health Care.

INTRODUÇÃO

A parada cardiorrespiratória (PCR) constitui uma das situações mais críticas no contexto hospitalar, sendo caracterizada pela interrupção súbita e inesperada da atividade mecânica cardíaca, acompanhada da ausência de respiração efetiva e pulso central palpável. Trata-se de uma emergência que exige intervenção imediata e coordenada da equipe multiprofissional, na qual o enfermeiro desempenha papel central, tanto na identificação precoce dos sinais, quanto na execução das manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) e no suporte avançado de vida.

No ambiente intra-hospitalar, a atuação do enfermeiro torna-se ainda mais relevante, pois sua presença contínua junto ao paciente possibilita a detecção rápida de alterações clínicas e a pronta mobilização da equipe para o atendimento. Além disso, sua competência técnica, aliada à tomada de decisão assertiva e à liderança no processo de cuidado, influencia diretamente nos desfechos clínicos e na sobrevivência dos pacientes.

Nesse cenário, compreender como a literatura científica tem abordado a atuação do enfermeiro na PCR em adultos em ambiente hospitalar é fundamental para identificar lacunas de conhecimento, tendências de pesquisa e práticas consolidadas. A bibliometria surge, portanto, como uma ferramenta metodológica capaz de mapear e analisar a produção científica sobre o tema, permitindo visualizar a evolução dos estudos, os principais enfoques adotados e as contribuições para o fortalecimento da prática profissional.

Dessa forma, este trabalho propõe uma análise bibliométrica acerca da produção científica relacionada à atuação do enfermeiro na parada cardiorrespiratória em adultos no ambiente intra-hospitalar, a fim de subsidiar a prática baseada em evidências e contribuir para a qualificação do cuidado prestado em situações de emergência.

REFERENCIAL TEÓRICO

A Parada Cardiorrespiratória

A parada cardiorrespiratória (PCR) é uma emergência cardiovascular multifatorial, caracterizada pela interrupção súbita da função mecânica ventricular e respiratória (LOPES et al., 2000). A sobrevivência em casos de PCR está diretamente relacionada a uma série de intervenções fundamentais, como o reconhecimento imediato da ocorrência, a solicitação de ajuda e o início precoce das manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) (SANTOS, 2018).

Os sinais e sintomas que precedem a PCR refletem alterações nos sistemas respiratório, cardíaco e neurológico, podendo incluir alterações súbitas do nível de consciência, dispneia, hipotensão arterial e arritmias graves (PAULA et al.). No ambiente intra-hospitalar, a incidência de PCR em adultos é estimada em 1,6 para cada 1.000 admissões, sendo que 52% dos casos ocorrem em unidades de terapia intensiva (UTI). A taxa de sobrevida geral é de 18,4%, podendo variar entre 10,5% em ritmos não chocáveis e até 49% quando o ritmo inicial é passível de desfibrilação (SILVA et al., 2016).

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicados em dezembro de 2020 evidenciam que as doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morte no mundo nos últimos 20 anos, sendo responsáveis por 16% de todos os óbitos. No contexto das Américas, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) destaca que o controle adequado da hipertensão arterial poderia evitar cerca de 420 mil mortes, visto que a pressão arterial descontrolada é um dos maiores fatores de risco para doenças cardíacas, como infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral (OPAS, 2020).

Diante desse cenário, a PCR configura-se como um grave problema de saúde pública e uma das emergências mais críticas enfrentadas em ambiente hospitalar, exigindo resposta rápida e coordenada da equipe multiprofissional.

2.2 Assistência de Enfermagem Intra-Hospitalar

Apesar da disponibilidade de recursos de suporte avançado à vida, a RCP em pacientes hospitalizados apresenta maior complexidade devido à coexistência de múltiplas comorbidades e à gravidade das condições clínicas (LUZIA; LUCENA, 2009). Isso reforça a necessidade de protocolos bem estabelecidos, capacitação constante das equipes e atualização contínua das diretrizes internacionais de ressuscitação.

O enfermeiro, como profissional que permanece em contato direto e contínuo com o paciente, ocupa posição estratégica no reconhecimento precoce da PCR, na mobilização da equipe de saúde e na execução das manobras iniciais de suporte básico e avançado. Sua atuação vai além do aspecto técnico, envolvendo liderança, comunicação eficaz e coordenação do trabalho em equipe para que o atendimento ocorra de forma ágil e organizada.

2.3 Assistência do Enfermeiro ao Paciente em Parada Cardiorrespiratória

As diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) estabelecem que, ao ser identificada uma PCR, deve-se iniciar imediatamente a RCP, com 30 compressões torácicas de aproximadamente 5 cm de profundidade intercaladas por duas ventilações com bolsa-válvula-máscara, mantendo uma frequência de 100 a 120 compressões por minuto (TIMERMAN et al., 2019).

A atuação da enfermagem nesse processo foi ampliada com a Resolução COFEN nº 704/2022, que autoriza enfermeiros devidamente capacitados a utilizarem o desfibrilador externo automático (DEA) e o desfibrilador manual multiparamétrico em situações de risco iminente de morte. Essa ampliação é crucial, visto que, a cada minuto de atraso na desfibrilação, a probabilidade de sobrevida do paciente reduz de 7% a 10% (COFEN, 2022).

Além disso, há respaldo legal para que o enfermeiro realize a inserção de dispositivos supraglóticos, como a máscara laríngea, desde que possua conhecimento técnico e científico adequado, conforme parecer emitido pelo COFEN em fevereiro de 2016. Nos casos em que a via aérea avançada já esteja instalada, recomenda-se que as compressões sejam contínuas, com ventilação administrada a cada 6 segundos (TIMERMAN, 2019).

É importante ressaltar que o enfermeiro geralmente é o primeiro profissional a identificar a PCR, tornando-se peça-chave na divisão de funções entre os membros da equipe. Sua liderança contribui para a organização e sincronização das ações com os demais profissionais, especialmente com o médico, visando restabelecer a circulação espontânea e preservar a função neurológica do paciente (PINHEIRO et al., 2018).

Segundo Zanini, Nascimento e Barra (2006), o tempo de resposta é determinante: a identificação da PCR deve ocorrer em até 10 segundos, seguida do início imediato da RCP. Perder mais de 5 minutos sem assistência adequada pode resultar em danos neurológicos irreversíveis ou morte encefálica.

Assim, a atuação do enfermeiro em casos de PCR intra-hospitalar exige competência técnica, tomada de decisão rápida e liderança, sendo elementos fundamentais para aumentar a sobrevida e reduzir complicações decorrentes da emergência.

METODOLOGIA  

Trata-se de um estudo bibliométrico, de caráter descritivo e exploratório, desenvolvido a partir da análise da produção científica sobre a atuação do enfermeiro na parada cardiorrespiratória em adultos no ambiente intrahospitalar. A busca dos artigos foi realizada exclusivamente na base de dados PubMed, por ser uma das principais fontes de publicações científicas na área da saúde e reconhecida internacionalmente pela abrangência e qualidade de indexação.

A estratégia de busca foi elaborada utilizando descritores controlados do Medical Subject Headings (MeSH) e palavras-chave combinadas por operadores booleanos, de modo a assegurar a recuperação de estudos relevantes. Foram considerados os seguintes termos principais: nurse, cardiopulmonary resuscitation, in-hospital e adult.

Quadro 1 – Strings utilizadas para busca na base Pubmed.

DESCRITORESRESULTADOS
“Cardiopulmonary Resuscitation” AND “Nursing” AND “Inpatients”55
“Cardiac Arrest” AND “Nurse Role” AND “Hospital”0
“Nursing Care” AND “Cardiopulmonary Resuscitation” AND “Adult”21
Fonte: elaborada pelos os autores, 2023.


Foram incluídos artigos publicados em qualquer idioma, sem delimitação inicial de recorte temporal, que abordassem especificamente a atuação do enfermeiro durante a parada cardiorrespiratória em pacientes adultos no contexto intra-hospitalar. Excluíram-se estudos voltados para população pediátrica ou neonatal, pesquisas desenvolvidas em ambiente extra-hospitalar, além de artigos duplicados ou que, após leitura integral, não apresentassem relação direta com o objetivo da pesquisa.

O processo de seleção dos estudos seguiu as etapas de identificação (Figura 1), triagem, elegibilidade e inclusão, conforme recomendação do fluxograma PRISMA 2020, adaptado para estudos bibliométricos. Inicialmente, os resultados brutos foram exportados e organizados em planilha eletrônica, na qual foram registradas informações referentes ao título, autores, ano de publicação, periódico, país de origem e palavras-chave.

Figura 1 – Prisma utilizado para identificação do problema. Identificação

Fonte: elaborado pelos os autores, 2023.

A análise bibliométrica contemplou indicadores de produtividade científica (número de publicações por ano e por periódico), indicadores de colaboração (autoria e coautoria) e indicadores de impacto (frequência de citações). Os dados foram sistematizados e apresentados por meio de tabelas, gráficos e quadros, a fim de evidenciar tendências, lacunas e perspectivas futuras acerca da temática investigada.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A parada cardiorrespiratória intra-hospitalar configura-se como um evento crítico que demanda resposta rápida, organizada e eficiente da equipe multiprofissional. A literatura evidencia que a sobrevida do paciente está intimamente relacionada à detecção precoce e à execução imediata das manobras de reanimação, fatores diretamente influenciados pela atuação do enfermeiro. Por estar em contato direto com o paciente, esse profissional é, na maioria das vezes, o primeiro a identificar sinais de deterioração clínica e a acionar a equipe de emergência, o que reforça a centralidade de seu papel no processo de atendimento.

Figura 1 – Linha evolutiva das publicações cientificas na base da Pubmed.

Fonte: elaborada pelos os autores, 2025.

A análise bibliométrica das publicações extraídas do PubMed, utilizando a estratégia de busca “Nursing Care” AND “Cardiopulmonary Resuscitation” AND “Adult”, revela um panorama de produção científica marcado por períodos de baixa frequência intercalados com momentos de crescimento mais expressivo. O primeiro registro identificado data de 1989, e entre este ano e 2007 observase uma produção esparsa, com apenas um artigo publicado em anos isolados, o que demonstra que, nesse período, o tema ainda era incipiente no campo da enfermagem e possivelmente restrito a relatos de experiência ou investigações de pequena escala. A década de 1990 coincidiu com importantes atualizações das diretrizes de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) pela American Heart Association, mas a produção científica voltada para a enfermagem permaneceu tímida, evidenciando que a maior parte das pesquisas estava concentrada em áreas médicas.

A partir de 2013, nota-se um crescimento mais contínuo das publicações, o que pode ser associado ao fortalecimento do papel da enfermagem na assistência ao paciente em parada cardiorrespiratória e ao aumento de pesquisas sobre capacitação e desempenho dos profissionais nesse cenário. Esse avanço torna-se mais visível em 2018, ano em que se observa o maior número de publicações (quatro), coincidindo com atualizações internacionais nas diretrizes de RCP e possivelmente impulsionado pela necessidade de avaliar a adesão dos enfermeiros às recomendações, a eficácia do treinamento em simulação realística e os resultados de intervenções de enfermagem no suporte avançado de vida em adultos.

Nos anos mais recentes, entre 2019 e 2025, a produção mantém-se relativamente estável, variando entre duas e três publicações anuais. O ano de 2020 merece destaque, uma vez que a pandemia de COVID-19 trouxe novas discussões sobre o manejo de RCP em adultos hospitalizados, principalmente quanto à segurança dos profissionais de enfermagem envolvidos diretamente nos procedimentos. Já nos anos de 2024 e 2025, o interesse pelo tema permanece, evidenciando que o debate sobre o cuidado de enfermagem em ressuscitação cardiopulmonar segue atual, especialmente em torno de questões como a incorporação de tecnologias digitais de apoio ao treinamento, a liderança do enfermeiro nas equipes de resposta rápida e os dilemas éticos enfrentados durante situações de parada cardiorrespiratória.

De modo geral, os dados revelam que, apesar da relevância do tema, o volume de publicações ainda é modesto – apenas 25 artigos em mais de três décadas –, o que indica um campo de pesquisa pouco explorado, mas em expansão. O crescimento observado a partir de 2013 e a consolidação nos últimos anos sugerem que a enfermagem vem ganhando protagonismo na discussão sobre ressuscitação cardiopulmonar em adultos, embora ainda haja espaço para o desenvolvimento de estudos mais robustos, multicêntricos e de maior impacto científico. Esse cenário aponta para a necessidade e oportunidade de aprofundar as investigações, de modo a fortalecer as evidências sobre a contribuição da enfermagem no cuidado a pacientes em situações de parada cardiorrespiratória e, consequentemente, ampliar a visibilidade e reconhecimento do papel da profissão em contextos críticos da prática em saúde.

Quadro 2 – Artigos Publicados na base da Pubmed.

QuantidadeReferência do artigo
1.Zali M, Rahmani A, Powers K, Hassankhani H, NamdarAreshtanab H, Gilani N. Nursing core competencies for postresuscitation care in Iran: a qualitative study. BMJ Open. 2024 Jan 12;14(1):e074614. doi: 10.1136/bmjopen-2023-074614. PMID: 38216202; PMCID: PMC10806684.
2.Fiori M, Endacott R, Latour JM. Exploring patients’ and healthcare professionals’ experiences of patient-witnessed resuscitation: A qualitative study protocol. J Adv Nurs. 2019 Jan;75(1):205-214. doi: 10.1111/jan.13824. Epub 2018 Sep 17. PMID: 30109717.
3.Stolman CJ, Gregory JJ, Dunn D, Ripley B. Evaluation of the do not resuscitate orders at a community hospital. Arch Intern Med. 1989 Aug;149(8):1851-6. PMID: 2764656.
4.Ait Hssain A, Chalkias A, Vahedian-Azimi A, Elmelliti H, Alamami A, Tawel R, Morgom M, Jamal Ullah F, Arif R, Mehmood M, El Melliti H, Talal Basrak M, Akbar A, Saif Ibrahim A. Survival rates with favorable neurological outcomes after in-hospital and out-ofhospital cardiac arrest: A prospective cohort study. Intensive Crit Care Nurs. 2025 Apr;87:103889. doi: 10.1016/j.iccn.2024.103889. Epub 2024 Nov 19. PMID: 39566219.
5.B G M. Witnessing the ‘July Effect’. Am J Nurs. 2018 Nov;118(11):10. doi: 10.1097/01.NAJ.0000547680.53828.34. PMID: 30358576.
6.Higuchi A, Takita M, Yoshii A, Akiyama T, Nemoto T, Nakahira R, Nakajima T, Fukahori H, Tsubokura M, Igarashi R. Absence of Relatives Impairs the Approach of Nurses to Cardiopulmonary Resuscitation in Non-Cancer Elderly Patients without a Do-NotAttempt-Resuscitation Order: A Vignette-Based Questionnaire Study. Tohoku J Exp Med. 2020 Jan;250(1):71-78. doi: 10.1620/tjem.250.71. PMID: 32009025.
7.Kim SO, Choi YJ. Nursing competency and educational needs for clinical practice of Korean nurses. Nurse Educ Pract. 2019 Jan;34:43-47. doi: 10.1016/j.nepr.2018.11.002. Epub 2018 Nov 10. PMID: 30445293.
8.Candy CE. ‘Not for resuscitation’: the student nurses’ viewpoint. J Adv Nurs. 1991 Feb;16(2):138-46. doi: 10.1111/j.13652648.1991.tb01617.x. PMID: 2013654.
9.Larsson R, Engström Å. Swedish ambulance nurses’ experiences of nursing patients suffering cardiac arrest. Int J Nurs Pract. 2013 Apr;19(2):197-205. doi: 10.1111/ijn.12057. PMID: 23577977.
10.Johnson SL, Haerling KA, Yuwen W, Huynh V, Le C. Incivility and Clinical Performance, Teamwork, and Emotions: A Randomized Controlled Trial. J Nurs Care Qual. 2020 Jan/Mar;35(1):70-76. doi: 10.1097/NCQ.0000000000000407. PMID: 30973426.
11.Rubins JB. Underutilization of Portable Orders for Life-Sustaining Treatmentat Discharge from Hospital: Observational Study at US Academic Trauma Center. J Gen Intern Med. 2020 Jul;35(7):2065-2068. doi: 10.1007/s11606-020-05698-1. Epub 2020 Feb 10. PMID: 32043260; PMCID: PMC7351929.
12.Zaheri F, Abdi A, Rahmati M. Explaining the experience of telefone cardiopulmonary resuscitation in Kermanshah emergency medical dispatch: A qualitative, phenomenological study. BMC Emerg Med. 2025 May 30;25(1):87. doi: 10.1186/s12873-025-01240-w. PMID: 40448008; PMCID: PMC12123771.
13.Cooper AS. Hypothermia for Neuroprotection in Adults After Cardiac Arrest. Crit Care Nurse. 2023 Dec 1;43(6):77-79. doi: 10.4037/ccn2023253. PMID: 38035613.
14.Appel Y. Those Special Moments Nurses Sometimes Talk About. Am J Nurs. 2021 Apr 1;121(4):56. doi: 10.1097/01.NAJ.0000742532.56257.13. PMID: 33755631.
15.Confalonieri M, Potena A, Carbone G, Porta RD, Tolley EA, Umberto Meduri G. Acute respiratory failure in patients with severe community-acquired pneumonia. A prospective randomized evaluation of noninvasive ventilation. Am J Respir Crit Care Med. 1999 Nov;160(5 Pt 1):1585-91. doi: 10.1164/ajrccm.160.5.9903015. PMID: 10556125.
16.Tuffrey-Wijne I, Goulding L, Gordon V, Abraham E, Giatras N, Edwards C, Gillard S, Hollins S. The challenges in monitoring and preventing patient safety incidents for people with intellectual disabilities in NHS acute hospitals: evidence from a mixedmethods study. BMC Health Serv Res. 2014 Sep 24;14:432. doi: 10.1186/1472-6963-14-432. PMID: 25253430; PMCID: PMC4263117.
17.Vafaee-Najar A, Amiresmaeili M, Nekoei-Moghadam M, Tabatabaee SS. The design of an estimation norm to assess nurses required for educational and non-educational hospitals using workload indicators of staffing need in Iran. Hum Resour Health. 2018 Aug 23;16(1):42. doi: 10.1186/s12960-018-0309-5. PMID:30139364; PMCID: PMC6107950.
18.Henneman EA, Baird B, Bellamy PE, Faber LL, Oye RK. Effect of do-not-resuscitate orders on the nursing care of critically ill patients. Am J Crit Care. 1994 Nov;3(6):467-72. PMID: 7834009.
19.Kinsperger L, Mayrhofer SM, Pichler B, Qin H, Rheinfrank I, Schrems B. Eine reflexive Fallarbeit bezogen auf das Schmerzmanagement in einer komplexen Pflegesituation [A reflective case report applied to pain management in a complex care situation]. Pflege. 2015 Oct;28(5):299-307. German. doi: 10.1024/1012-5302/a000450. PMID: 26412683.
20.Salehpoor-Emran M, Pashaeypoor S, Majdabadi ZA, Böttiger BW, Poortaghi S, Haghani S. The effect of online CPR training on the knowledge and practice of the Red Crescent Student Association Volunteers during the COVID-19 pandemic: A randomized clinical trial study. Resusc Plus. 2025 Jun 21;25:101010. doi: 10.1016/j.resplu.2025.101010. PMID: 40703812; PMCID: PMC12284358.
21.Son JT, Park M, Kim HR, Lee WS, Oh K. [Analysis of RN-BSN students’ clinical nursing competency]. Taehan Kanho Hakhoe Chi. 2007 Aug;37(5):655-64. Korean. doi: 10.4040/jkan.2007.37.5.655. PMID: 17804932.
Fonte: elaborada pelos autores, 2025.


A análise das 21 referências encontradas a partir da busca “Nursing Care” AND “Cardiopulmonary Resuscitation” AND “Adult” na base PubMed revela um panorama ainda incipiente, mas em processo de consolidação ao longo das últimas três décadas. Entre 1989 e o início dos anos 2000, a produção foi esparsa, com artigos isolados como o de Stolman et al. (1989) sobre ordens de não ressuscitação e Candy (1991) discutindo a percepção de estudantes de enfermagem. Esses primeiros trabalhos abordavam sobretudo aspectos éticos e a tomada de decisão diante da ressuscitação cardiopulmonar, refletindo um momento em que a participação da enfermagem nesses debates ainda era restrita. Em 1994, Henneman et al. ampliaram a discussão ao analisar o impacto das ordens de não ressuscitação no cuidado de enfermagem a pacientes críticos, e em 1999, Confalonieri et al. estudaram a ventilação não invasiva em insuficiência respiratória aguda, conectando a temática ao manejo clínico da parada cardiorrespiratória.

A partir de 2007, observa-se uma transição, marcada por trabalhos como o de Son et al., que investigaram competências de estudantes de enfermagem, apontando para o crescente interesse em habilidades clínicas relacionadas à RCP. Contudo, é apenas a partir de 2013 que o campo apresenta maior consistência, com estudos como o de Larsson e Engström (2013), que exploraram a experiência de enfermeiros de ambulância no atendimento a pacientes em parada cardiorrespiratória. Essa tendência se fortalece em 2014 e 2015 com investigações sobre segurança do paciente e gestão de recursos humanos em saúde, destacando a inserção da enfermagem no contexto organizacional e educacional da emergência.

O período de 2018 a 2020 marca um ponto de inflexão, com maior número de publicações e diversidade metodológica. Destacam-se estudos qualitativos, como o de Fiori et al. (2019), sobre a experiência de pacientes e profissionais diante da RCP testemunhada, e o de Kim & Choi (2019), voltado para competências e necessidades educacionais de enfermeiros coreanos. O artigo de Higuchi et al. (2020) reforça a dimensão cultural e social do tema ao investigar como a ausência de familiares influencia a conduta dos enfermeiros diante da RCP em idosos sem ordem de não reanimação. Ainda em 2020, Johnson et al. testaram o impacto da incivilidade na performance clínica durante situações críticas, enquanto Rubins analisou a subutilização de ordens portáteis de manutenção de vida, ambos evidenciando a complexidade que envolve o cuidado em emergências.

Nos últimos cinco anos, a produção evidencia um processo de consolidação e diversificação. Appel (2021) trouxe um olhar mais subjetivo sobre as experiências narradas por enfermeiros em contextos de reanimação, enquanto Cooper (2023) discutiu estratégias clínicas como a hipotermia para neuroproteção pós-parada cardiorrespiratória. Em 2024, Zali et al. exploraram competências centrais da enfermagem no cuidado pós-ressuscitação, evidenciando a crescente ênfase na qualificação profissional. Em 2025, o tema alcança maior visibilidade com três publicações: o estudo de Ait Hssain et al. sobre taxas de sobrevivência com desfechos neurológicos favoráveis após parada intra e extra-hospitalar, a pesquisa qualitativa de Zaheri et al. acerca da experiência da reanimação cardiopulmonar por telefone, e o ensaio clínico de Salehpoor-Emran et al., que avaliou o impacto do treinamento online em voluntários durante a pandemia. Essas publicações refletem a incorporação de tecnologias digitais no ensino da RCP, o interesse em desfechos clínicos de maior robustez e a valorização das dimensões humanas e comunicacionais do processo.

De forma geral, os dados mostram que a produção sobre cuidado de enfermagem, RCP e adultos evoluiu de trabalhos pontuais, focados em dilemas éticos e ordens de não ressuscitação, para um corpo mais consistente que abrange competências clínicas, formação educacional, experiências subjetivas de pacientes, familiares e profissionais, e resultados clínicos pós-parada. O campo, apesar de ainda apresentar baixo volume de publicações em termos absolutos, diversificou-se metodologicamente, incorporando desde ensaios clínicos randomizados até estudos qualitativos fenomenológicos e investigações organizacionais. Essa evolução demonstra o fortalecimento do papel da enfermagem não apenas como executora técnica da RCP, mas como protagonista em discussões éticas, educativas e organizacionais que permeiam o atendimento ao adulto em parada cardiorrespiratória. O cenário atual revela um campo em expansão, com grande potencial para revisões sistemáticas, estudos multicêntricos e investigações sobre o impacto da tecnologia e da formação na melhoria dos desfechos clínicos e na humanização do cuidado em situações críticas.

Entretanto, estudos apontam que ainda existem lacunas significativas relacionadas à capacitação dos enfermeiros e de suas equipes no manejo da PCR. Muitas vezes, a ausência de treinamentos periódicos, a falta de simulações realísticas e a atualização insuficiente quanto às diretrizes nacionais e internacionais dificultam a execução adequada das manobras de ressuscitação. Além disso, fatores organizacionais, como escassez de recursos materiais, ausência de protocolos bem estruturados e sobrecarga de trabalho, comprometem a efetividade da assistência.

Outro ponto crítico refere-se ao tempo de resposta. A literatura é enfática ao destacar que cada minuto de atraso na desfibrilação reduz drasticamente a probabilidade de sobrevida. Nesse contexto, a recente ampliação do escopo de atuação do enfermeiro, autorizando-o a realizar desfibrilação com o uso do DEA ou desfibrilador manual multiparamétrico, representa um avanço relevante para a prática, desde que seja acompanhada de capacitação contínua e respaldo institucional.

Do ponto de vista legal e ético, a prática do enfermeiro em situações de PCR também se ampara em resoluções do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), que buscam garantir segurança ao profissional e ao paciente. No entanto, a autonomia conquistada só terá impacto positivo se houver investimento em formação técnica, científica e prática, associada a políticas de educação permanente em saúde.

Por fim, destaca-se que, embora os protocolos estejam bem definidos, a atuação do enfermeiro não se restringe apenas à execução de técnicas. Sua liderança, comunicação eficaz e capacidade de coordenar a equipe durante a emergência são determinantes para o sucesso da RCP. Nesse sentido, a prática baseada em evidências, aliada ao treinamento contínuo e à atualização científica, deve ser entendida como um eixo fundamental para fortalecer a assistência de enfermagem e reduzir a mortalidade associada à PCR intrahospitalar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise bibliométrica evidencia um campo científico ainda pouco explorado quando se trata da interface entre o cuidado de enfermagem, a ressuscitação cardiopulmonar (RCP) e a população adulta. Observa-se uma produção marcada por períodos de descontinuidade, com publicações esparsas nas décadas de 1990 e 2000, e apenas nos últimos anos registrando maior concentração de estudos. Mesmo com esse aumento recente, o número de pesquisas permanece limitado, especialmente se comparado à magnitude e relevância do tema para a prática clínica. Essa lacuna sugere que, embora a RCP seja um procedimento crítico e essencial para a sobrevida dos pacientes, o olhar científico voltado especificamente para a atuação da enfermagem nesse contexto ainda carece de aprofundamento.

Outro aspecto relevante é a ausência de séries históricas consistentes que acompanhem a evolução das práticas de enfermagem diante das atualizações das diretrizes internacionais de ressuscitação. Enquanto organizações como a American Heart Association (AHA) e o International Liaison Committee on Resuscitation (ILCOR) promovem revisões periódicas de protocolos, a produção científica em enfermagem não reflete, de forma proporcional, a incorporação dessas mudanças em termos de ensino, treinamento e resultados assistenciais. Isso revela uma desconexão entre a prática, que avança em função das exigências clínicas, e a pesquisa, que deveria servir de base para fundamentar e qualificar essas práticas.

Além disso, nota-se a escassez de estudos que abordem o impacto das intervenções de enfermagem em diferentes contextos, como unidades de emergência, terapia intensiva e ambiente pré-hospitalar. Questões como a eficácia do treinamento, a retenção de habilidades ao longo do tempo, a tomada de decisão durante a RCP e a humanização do cuidado aos pacientes e familiares ainda são pouco exploradas. Tais lacunas comprometem a consolidação de evidências que orientem tanto a formação acadêmica quanto as políticas institucionais de capacitação profissional.

Portanto, conclui-se que há uma necessidade premente de fortalecer a produção científica nessa área, ampliando a investigação sobre a atuação da enfermagem na RCP em adultos. Isso inclui desenvolver pesquisas longitudinais, comparativas e multicêntricas que permitam compreender melhor a efetividade das práticas, bem como promover a integração entre evidência científica e protocolos assistenciais. Ao preencher essas lacunas, será possível não apenas qualificar o cuidado prestado, mas também contribuir para a redução da mortalidade, a melhoria dos desfechos clínicos e a valorização do papel da enfermagem no processo de salvamento de vidas.

REFEREÊNCIAS

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¹Acadêmica de Enfermagem da Faculdade São Vicente
²Docente dos cursos de Direito e Enfermagem da Faculdade São Vicente – Email: ramoncarvalho.pi@gmail.com