OUTPATIENT CLINIC OF INTERNAL MEDICINE: AN EXPERIENCE REPORT AT A MEDICAL SCHOOL IN THE COUNTRYSIDE OF SÃO PAULO
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202508251714
Eduardo Presotto
Juliano Henrique Sampaio Simão
Luis Olavo Alves Filho
Prof. Me. Daniel Martins Borges
RESUMO
Este trabalho apresenta uma revisão bibliográfica e um relato de experiência sobre os critérios de elegibilidade para consultas ambulatoriais de clínica médica em um ambulatório-escola de uma universidade no interior de São Paulo. A pesquisa busca compreender como esses critérios se relacionam com a Atenção Primária à Saúde (APS), as Condições Sensíveis à Atenção Primária (ICSAP) e o papel pedagógico do ambulatório na formação médica. A metodologia adotada foi uma revisão integrativa de literatura, complementada por observações diretas realizadas no contexto acadêmico entre 2020 e 2025. Os resultados apontam que a definição de critérios claros de elegibilidade contribui tanto para a qualificação do atendimento prestado à população quanto para o alinhamento do processo formativo dos estudantes de medicina às diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). Conclui-se que o ambulatório-escola, ao integrar ensino, serviço e comunidade, constitui-se em espaço fundamental para consolidar práticas clínicas humanizadas, ampliar o acesso à saúde e fortalecer a formação de futuros profissionais.
PALAVRAS-CHAVE: Critérios de elegibilidade; Ambulatório-escola; Formação médica; Protocolos Clínicos; Integração ensino-serviço.
INTRODUÇÃO
A busca pelo diagnóstico médico tem raízes históricas, evoluindo desde as práticas rudimentares do Egito Antigo até a racionalidade de Hipócrates, no século V a.C., que sistematizou a observação clínica com anamnese, inspeção, palpação e ausculta, considerando o paciente em seu contexto (HIPÓCRATES, 2009). Embora sem uma nosologia moderna, os hipocráticos relacionavam doenças a desequilíbrios dos quatro humores corporais, estabelecendo bases para o método clínico. No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a gestão em saúde utiliza a Medicina Baseada em Evidências (MBE) e os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para padronizar diagnósticos e tratamentos, garantindo equidade e eficiência (BRASIL, 2022). A Atenção Primária à Saúde (APS) é crucial para o diagnóstico precoce, com profissionais identificando prioridades comunitárias e utilizando indicadores de saúde para monitoramento. As Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária (ICSAP), que representaram 28,3% das internações no SUS em 2006, sinalizam problemas de acesso ou desempenho, com sua redução de 15,8% entre 2000 e 2006 indicando avanços na APS, como a expansão da Estratégia Saúde da Família (NEDEL et al., 2010). Contudo, o acesso à atenção especializada segue desafiador, sendo abordado pelo Protocolo Estadual de Regulação do Acesso Ambulatorial de Goiás, que prioriza encaminhamentos com base na Classificação de Risco (P0 a P3), considerando História da Doença Atual (HDA), CID-10 e exames (GOIÁS, 2010). Nos ambulatórios-escola, os critérios de elegibilidade alinham assistência e ensino, priorizando casos representativos, como Doenças Sensíveis à Atenção Primária (DSAP), que favorecem a formação médica e a resolutividade da APS (ROCHEDO; GUEDES, 2010).
OBJETIVO
Objetivo Geral:
Identificar os critérios de elegibilidade utilizados em protocolos de instituições e em artigos científicos para consultas ambulatoriais de clínica médica em um ambulatório de uma universidade localizada no interior de São Paulo, contribuindo para a compreensão do alinhamento entre atendimento assistencial e objetivos pedagógicos.
Objetivos Específicos:
Mapear os principais critérios de elegibilidade descritos em protocolos institucionais e na literatura para consultas ambulatoriais aplicados à clínica médica ambulatorial.
Avaliar a relação desses critérios com a Atenção Primária à Saúde (APS), as Condições Sensíveis à Atenção Primária (ICSAP) e as Redes de Atenção à Saúde (RAS).
Investigar como os critérios de elegibilidade influenciam a integração ensino serviço-comunidade, fortalecendo o papel pedagógico do ambulatório-escola.
Discutir o impacto dos critérios de elegibilidade na formação médica, considerando competências clínicas, humanização do cuidado e alinhamento às diretrizes do SUS.
Refletir sobre a contribuição do ambulatório-escola para ampliar o acesso, promover a equidade e consolidar práticas assistenciais e educativas integradas.
METODOLOGIA
Esta pesquisa insere-se em uma abordagem descritiva de caráter qualitativo, configurando-se como um estudo de caso exploratório e aplicado, considerando a complexidade do objeto investigado. O método adotado é a revisão integrativa de literatura, que promove a síntese e análise de estudos publicados, possibilitando uma compreensão ampliada do tema, a identificação de lacunas no conhecimento e o enriquecimento da discussão por meio de perspectivas históricas, bibliográficas e contextuais (LAKATOS; MARCONI, 1996).
Na perspectiva qualitativa, o pesquisador desempenha o papel de principal instrumento de análise, utilizando o ambiente do ambulatório-escola como fonte primária de dados. Essa abordagem, essencialmente descritiva, não recorre a técnicas estatísticas, priorizando a interpretação profunda do fenômeno estudado, que neste caso é a integração ensino-serviço no ambulatório-escola de clínica médica (CHIZZOTTI, 2011). Com um enfoque holístico, o estudo busca compreender a natureza global desse espaço, reconhecido como uma política pública que articula a formação acadêmica com a prestação de serviços assistenciais, alinhando-se aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).
O objetivo central da pesquisa é avaliar a relevância do ambulatório-escola de clínica médica no processo de ensino-aprendizagem de estudantes de medicina, destacando seu impacto na formação de competências clínicas e éticas, além de sua contribuição para a resolutividade e complementaridade da rede de atenção à saúde. Para tanto, a coleta de dados envolveu a consulta a artigos científicos, documentos oficiais do Ministério da Saúde, dissertações e teses que abordam a temática, garantindo uma base robusta para a análise.
A questão norteadora que orientou a investigação foi: qual o papel do ambulatório-escola de clínica médica na formação de graduandos de medicina e na integração com a rede de atenção à saúde? Essa pergunta guiou a revisão bibliográfica e a análise das práticas observadas, com foco na intersecção entre educação médica e assistência à saúde no contexto do SUS.
HISTÓRIA DO SUS
O Sistema Único de Saúde (SUS), instituído pela Constituição de 1988, é um marco da saúde pública brasileira, garantindo acesso universal, equitativo e integral à saúde. Antes dos anos 1980, o sistema era fragmentado, com o INAMPS atendendo apenas trabalhadores formais, excluindo informais e rurais (PEREIRA, 2013). O movimento da reforma sanitária, impulsionado pela Conferência de Alma-Ata (1978) e pela 8ª Conferência Nacional de Saúde (1986), levou à criação do SUS, definido como direito de todos e dever do Estado (PAIM, 2008). As Leis 8.080 e 8.142/1990 regulamentam sua operação, promovendo descentralização, participação social e integralidade (ESCOREL et al., 2005). O SUS enfrenta desafios como subfinanciamento, mas avanços como a Estratégia Saúde da Família (1994), vacinação em massa e distribuição de antirretrovirais destacam sua relevância. Reduziu a mortalidade infantil e erradicou doenças, sendo referência global, mas requer investimentos para superar desigualdades regionais.
RELATO DE EXPERIÊNCIA: AMBULATÓRIO-ESCOLA NA FORMAÇÃO MÉDICA.
Os ambulatórios-escola no Brasil, fundamentais para a formação médica, integram ensino e prática clínica, alinhados aos princípios do SUS de universalidade, integralidade e equidade, conforme a Constituição de 1988. Esses espaços permitem que estudantes de medicina, sob supervisão, apliquem conhecimentos teóricos em atendimentos reais, desenvolvendo competências como anamnese, exame clínico, planejamento terapêutico, empatia e tomada de decisão (FEUERWERKER, 2002). Durante o internato, os alunos gerenciam condições prevalentes, como doenças crônicas não transmissíveis, contribuindo para a Atenção Primária à Saúde (APS) e ampliando o acesso em comunidades com serviços limitados (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2008). A integração ensino-serviço-comunidade fortalece a resolutividade da rede, reduz a sobrecarga em hospitais e promove reflexão sobre determinantes sociais da saúde. Assim, os ambulatórios-escola são estratégicos para formar médicos éticos e competentes, alinhados às demandas do SUS, e para ampliar o acesso a cuidados de qualidade, reforçando a equidade no sistema de saúde.
REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE
As Redes de Atenção à Saúde (RAS) são estratégias para superar a fragmentação no SUS, promovendo integração de serviços com foco na Atenção Primária à Saúde (APS) como centro de comunicação. Visam garantir acesso integral, contínuo e de qualidade, atendendo à tripla carga de doenças e ao envelhecimento populacional (SCHRAMM et al., 2004). Inspiradas por modelos internacionais, como o Relatório de Dawson (1920), as RAS articulam pontos de atenção com diferentes densidades tecnológicas, desde a APS até hospitais, sob sistemas de apoio logístico e de governança (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2022). A APS coordena o cuidado, com equipes multiprofissionais e foco nas necessidades da população, promovendo equidade e eficiência. A operacionalização envolve população cadastrada, regiões de saúde e sistemas de informação como SIM e SINASC. A Estratégia Saúde da Família fortalece a resolutividade, reduzindo custos e melhorando o acesso (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2020). As RAS consolidam o SUS, garantindo cuidado humanizado e integral.
RESULTADOS
A análise da literatura e da vivência prática no ambulatório-escola de clínica médica da Universidade Municipal de Franca evidenciou que os critérios de elegibilidade para consultas ambulatoriais variam conforme a instituição, mas convergem em torno de pontos comuns: a priorização de condições prevalentes e de relevância epidemiológica, a vinculação à Atenção Primária à Saúde (APS) e a compatibilidade com o processo de ensino-aprendizagem dos estudantes.
Nos protocolos institucionais e artigos científicos revisados, destacaram-se como critérios recorrentes: classificação de risco clínico para priorização de atendimentos (P0 a P3); presença de doenças crônicas não transmissíveis (como hipertensão e diabetes) de difícil manejo na APS; condições classificadas como Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária (ICSAP); casos eletivos que permitem acompanhamento longitudinal, com potencial pedagógico para estudantes e residentes.
No contexto local do ambulatório-escola de Franca, a prática observada entre 2020 e 2025 confirmou a aplicação de tais critérios de forma adaptada à realidade regional. Foram priorizados pacientes com condições prevalentes no território, permitindo o fortalecimento do vínculo ensino-serviço-comunidade. A adoção de fluxos regulatórios semelhantes ao Protocolo Estadual de Regulação do Acesso Ambulatorial de Goiás possibilitou maior racionalização dos encaminhamentos, ao mesmo tempo em que favoreceu a resolutividade da APS.
Entretanto, as observações também revelaram um ponto crítico: muitos atendimentos no ambulatório poderiam ser resolvidos diretamente na UBS, próxima à residência do paciente. Situações como a renovação de receitas médicas, que não exigem avaliação especializada, figuraram entre os motivos frequentes de procura, contribuindo para a superlotação e, em alguns casos, desviando a finalidade do espaço. Essa realidade reforça a importância de um melhor ordenamento da rede assistencial e de estratégias educativas para orientar a população sobre o papel de cada nível de atenção.
Do ponto de vista pedagógico, constatou-se que a definição de critérios claros de elegibilidade ampliou as oportunidades formativas dos estudantes. O contato com casos clínicos reais, prevalentes e representativos da prática médica generalista favoreceu o desenvolvimento de competências em raciocínio clínico, tomada de decisão, comunicação com pacientes e humanização do cuidado. Além disso, a integração com a rede municipal de saúde reforçou o caráter social e coletivo da prática médica, alinhando-se às Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Medicina.
Cabe destacar que o ambulatório-escola atual tem caráter provisório, funcionando desde 2022 com cerca de 20 salas, anexo à faculdade. Apesar de suas limitações estruturais, esse espaço já se mostrou essencial para a formação dos estudantes e para a assistência à população local. O cenário aponta para um futuro promissor para a população da região de Franca e da rede de atenção em que está inserida, com a construção do novo Ambulatório-Escola do Uni-FACEF, localizado no bairro São José, com investimento milionário. O projeto prevê 32 consultórios distribuídos em três pavimentos, salas de pequenas cirurgias, psicologia, enfermagem, farmácia, além de espaços destinados à pediatria, ginecologia, otorrinolaringologia, ultrassonografia e clínica médica. A expectativa é de oferecer cerca de 250 atendimentos diários e mais de 5 mil consultas mensais, todos gratuitos e supervisionados por docentes do curso de Medicina, ampliando significativamente a capacidade assistencial e o alcance social do ambulatório.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho destaca os critérios de elegibilidade em consultas ambulatoriais de ambulatórios-escola como essenciais para equilibrar assistência e formação médica. No ambulatório-escola da Universidade Municipal de Franca, esses critérios organizam atendimentos, fortalecem a Atenção Primária à Saúde (APS) e promovem a integração ensino-serviço-comunidade. A análise bibliográfica mostra que priorizar condições sensíveis à APS e usar a classificação de risco garante relevância pedagógica e resolutividade clínica. A prática revelou desafios, como a superlotação por demandas simples, indicando a necessidade de regulação e fortalecimento das UBS. O ambulatório contribui para competências técnicas, éticas e humanísticas, promovendo raciocínio clínico e responsabilidade social. Como parte das Redes de Atenção à Saúde (RAS), amplia o acesso à saúde e reduz internações evitáveis, alinhado aos princípios do SUS. Apesar da estrutura provisória com 20 salas, o novo Ambulatório-Escola do Uni-FACEF, com 32 consultórios e serviços ampliados, promete fortalecer a assistência e a formação médica, consolidando os ambulatórios como laboratórios de ciência, humanismo e cidadania.
REFERÊNCIAS
BEAN, R. B. Sir William Osler: aphorisms from his bedside teachings and writings. New York: Henry Schuman, 1950.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 16 ago. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
BRASIL. Ministério da Saúde. Plano Nacional de Saúde 2024-2027. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://digisusgmp.saude.gov.br/storage/conteudo/W2jOMcLWqx1wLMZMqx7Y6MMVFCjxG gR1WzGIcOqC.pdf. Acesso em: 16 ago. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Educação Permanente em Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2008.
BRASIL. Ministério da Saúde. Redes de Atenção à Saúde: o que são, como se constroem e como funcionam. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.
DAWSON, B. Interim report on the future provision of medical and allied services. London: HMSO, 2004.
ESCOREL, S.; GIOVANELLA, L.; MENDONÇA, M. H. M. Os princípios do SUS: universalidade, integralidade e equidade. Saúde em Debate, Rio de Janeiro, v. 29, n. 70, p. 45-56, 2005.
FEUERWERKER, L. C. M. Além do discurso de mudança na educação médica: processos e resultados. São Paulo: Hucitec, 2002.
FLEXNER, A. Medical education in the United States and Canada: a report to the Carnegie Foundation for the Advancement of Teaching. New York: Carnegie Foundation, 1910.
GOIÁS. Secretaria de Estado da Saúde. Protocolo Estadual de Regulação do Acesso Ambulatorial. Goiânia: SES, 2010. Disponível em: https://docs.google.com/document/d/1LVGWaOVmQRPPh0NCK9i7mcqmbB9ADRt_Xqbobq wiFWc/edit?tab=t.0. Acesso em: 16 ago. 2025.
HIPPÓCRATES. Aforismos. Tradução de J. C. M. Vaz. São Paulo: Martin Claret, 2009. LOWN, B. A arte perdida de curar. São Paulo: Difusão Cultural, 1996.
MENDES, E. V. As redes de atenção à saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2011.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. DATASUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2025. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/. Acesso em: 16 ago. 2025.
NEDEL, F. B.; FACCHINI, L. A.; MARTÍN, M.; NAVARRO, A. Características da atenção básica associadas ao risco de internar por condições sensíveis à atenção primária: revisão sistemática da literatura. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 19, n. 1, p. 61-75, 2010.
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Atenção primária à saúde. Washington, DC: OPAS, 2025. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/atencao-primaria-saude. Acesso em: 16 ago. 2025.
PAIM, J. S. O que é o SUS? Rio de Janeiro: Fiocruz, 2008.
PAIM, J. S. Reforma sanitária brasileira: contribuição para a 8ª Conferência Nacional de Saúde. Saúde em Debate, Rio de Janeiro, v. 32, n. 78, p. 123-135, 2008.
PEREIRA, L. O. M. A fragmentação do sistema de saúde brasileiro antes do SUS: o papel do INAMPS e a exclusão social. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 29, n. 8, p. 1500-1510, 2013.
ROCHEDO, P.; GUEDES, M. Critérios de elegibilidade em ambulatórios-escola: alinhando ensino e assistência. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 34, n. 2, p. 245-252, 2010.
SCHRAMM, J. M. A. et al. Transição epidemiológica e o estudo de carga de doença no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, v. 9, n. 4, p. 897-908, 2004.
STARFIELD, B. Primary care: concept, evaluation, and policy. New York: Oxford University Press, 1992.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Integrated health services: what and why. Geneva: WHO, 2008.
