ALIANÇA ENTRE ESCOLA E FAMÍLIA UMA RELAÇÃO RELEVANTE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202506161714


Afonso Evangelista de Paiva Silva1
Eli da Silva Duarte2
Josilene de Jesus Dourado3
Nilva Pereira Reis4


RESUMO

Este estudo tem a preocupação em refletir sobre a relevância da aliança entre escola e família e os desafios enfrentados pela gestão escolar na tentativa de aproximação da família com a escola, uma vez que essa relação é indispensável para o sucesso escolar do educando. O objetivo geral deste estudo foi o de analisar a relevância da relação família e escola e identificar como a gestão escolar pode intervir nesse processo de interação. E como objetivos específicos: refletir sobre a função do gestor na busca pela participação da família no contexto escolar e reconhecer a importância da família no processo de desenvolvimento do aluno enquanto sujeito em formação. A metodologia adotada foi pesquisa bibliográfica de cunho qualitativo do tipo análise de conteúdo. Ressaltamos que os gestores devem buscar manter parceria reciproca com as famílias pois só assim eles poderão conhecer melhor os seus alunos e a partir deste ponto criar estratégias que venham de encontro com as dificuldades que cada educando apresenta.

Palavras chave: Relação; Escola-família, Aliança.

ABSTRACT

This study is concerned with reflecting on the relevance of the alliance between school and family and the challenges faced by school management in trying to bring the family closer to the school, since this relationship is essential for the student’s academic success. The general objective of this study was to analyze the relevance of the family and school relationship and identify how school management can intervene in this interaction process. And as specific objectives: reflect on the manager’s role in seeking family participation in the school context and recognizing the importance of the family in the student’s development process as a subject in training. The methodology adopted was qualitative bibliographical research of the content analysis type. We emphasize that managers must seek to maintain a reciprocal partnership with families as this is the only way they will be able to get to know their students better and from there create strategies that meet the difficulties that each student presents. Keywords: Relationship; School-family, Alliance.

INTRODUÇÃO

Um dos maiores desafios da Gestão escolar é sem dúvidas fazer com que as famílias participem ativamente na Escola, e sabe-se que a família e a escola são pilares para o desenvolvimento humano, no entanto, muitos pais ainda não dão importância para que essa relação aconteça. 

Nesse sentido, a gestão escolar deve assumir a missão de buscar promover essa interação entre a escola e família, de maneira harmoniosa, sempre buscando respeitar e considerar a participação de todos nesse processo de maneira democrática. Diante disso, pode-se enfatizar que a gestão, equipe pedagógica e educadores juntos devem buscar diferentes estratégias visando promover a inserção da família dentro da escola, com o intuito de estreitar a relação Escola e família e assim gerar uma parceria buscando formar cidadãos responsáveis aptos a viver em sociedade. Uma vez que o maior objetivo dessa interação é a promoção de uma educação de qualidade, onde todos estejam envolvidos na melhoria do ensino e assim ver o aluno progredindo nos estudos.

Com isso, esse estudo propõe uma reflexão sobre a importância da Família no processo de ensino-aprendizagem das crianças para uma educação de qualidade. Na qual partimos da hipótese que a relação escola X família é imprescindível, pois a família como espaço de orientação, construção da identidade de um indivíduo deve promover juntamente com equipe escolar uma parceria, com o intuito de promover o desenvolvimento e aprendizagem integral do educando. 

Diante disso, o presente estudo visa compreender como a Gestão Escolar pode contribuir de maneira significativa para que haja a aproximação da família com a escola?  E que tipo de estratégias a comunidade escolar pode criar visando envolver e colaborar com a participação da família na escola?

Essa temática é de grande relevância, pois buscará compreender as concepções de famílias existentes, e o motivo que faz com que elas não participem ativamente da vida escolar de seus filhos, e por meio dessas reflexões, o trabalho poderá ajudar nas tomadas de ações visando intervir fazer com que os pais interajam com a escola, uma vez que educar é um dever de todos e quando a família participa da vida escolar da criança, elas podem ter um rendimento escolar mais promissor.

E para que isso ocorra, faz-se necessário que a gestão educacional promova um ambiente democrático, onde todos possam ter vez e voz ativa, buscando atuar de maneira democrática na construção de uma educação de qualidade. 

Assim, o objetivo geral do presente estudo é analisar a relevância da relação família e escola e identificar como a gestão escolar pode intervir nesse processo de interação. E como objetivos específicos: refletir sobre a função do gestor na buscar pela participação da família no contexto escolar e reconhecer a importância da família no processo de desenvolvimento do aluno enquanto sujeito em formação.

Dessa forma, a metodologia usada na elaboração desse estudo foi uma revisão bibliográfica, sobre: a interação escola e família: desafios para a Gestão Educacional, no que diz respeito a abordagem da pesquisa é qualitativa, quanto a técnica de análise optamos pela análise de conteúdo.

O que a literatura aborda sobre a relação Família-escola

Sabe-se que a criança tem seu primeiro convívio social com a sua família, nesse sentido, é por meio desse contexto que ela desenvolve suas primeiras experiências de socialização. E para que possamos compreender o contexto da instituição familiar e seu impacto nos processos de socialização e de educação, faz-se necessário analisar os processos históricos de sua configuração.

Na Idade Média, as crianças eram tratadas como adultos em miniatura, onde até as vestimentas e participação em eventos eram iguais aos dos adultos. De Acordo com Tavares e Nogueira (2013, p.44-45):

Os adultos se relacionavam com a criança da mesma forma que o faziam com outro adulto, sem discriminação, falando vulgaridades e brincadeiras grosseiras, e até mesmo com brincadeiras sexuais. Isso ocorria porque não acreditavam na inocência da criança e não percebiam que tinham características diferentes das do adulto; assim, as crianças eram percebidas como adultos em tamanho reduzido.

Os autores supracitados ainda ponderam que foi durante o século XVII, que houve mudanças políticas, sociais e econômicas e essas mudanças acabaram modificando a concepção das famílias em relação à infância. Diante disso, as crianças começaram a serem tratadas com novos olhares, passando a ter um espaço mais demarcado simbolicamente e materialmente na vida cotidiana das famílias. E foi nesse período que as famílias começaram a se preocupar com a educação dos filhos (TAVARES e NOGUEIRA, 2013). Assim, 

Na modernidade, temos a consolidação da família nuclear, gerada no interior de um modelo de família conservadora, símbolo da continuidade parental e patriarcal que marca a relação pai, mãe e criança. A preocupação da família com a educação da criança produziu mudanças nas dinâmicas familiares e, consequentemente, houve a necessidade da imposição de regras e normas para uma nova educação, na qual a criança passa a ser objeto de controle familiar ou do grupo social em que está inserida (TAVARES e NOGUEIRA, 2013, p.45). 

A partir do século XX, houve uma intensificação nos sistemas nacionais de ensino nos país industrializados ocidentais. Vale ressaltar que esses países estavam destruídos devido a Segunda Guerra Mundial e estavam passando por um processo de reconstrução, surgindo assim a necessidade de se investir no campo educacional, onde foi nesse período que emergia um grande interesse por parte dos governos e estudiosos em compreender as relações entre sistema escolar e família, visando compreender os problemas educacionais emergentes (TAVARES e NOGUEIRA, 2013). 

Algumas pesquisas realizadas em países como Inglaterra, Estados Unidos e França demonstraram, estatisticamente, a relação entre a origem social e o destino escolar das crianças e jovens, ou seja, o meio familiar era o principal indicador do rendimento escolar. A ideia derivada desses resultados era a de que algumas famílias contribuíam para o sucesso escolar, pois estimulavam e encorajavam os filhos a se interessarem pelos estudos (TAVARES e NOGUEIRA, 2015, p. 46).

Além disso, esses estudos apontaram ainda que nessa época, a escola reproduzia a desigualdade social existente na sociedade, quando tomava os alunos como “iguais do ponto de partida”, sem levar em conta que cada criança que entra na escola traz consigo uma “herança cultural” que pode ser ou não legitimada pela escola (TAVARES e NOGUEIRA, 2015).

Só no final do século XX que surge uma nova visão sobre as famílias, onde começaram a reconhecer o direito de cada indivíduo, no interior das famílias. E foi a partir daí que surgiram novas dinâmicas familiares, não existindo mais um modelo familiar fixo. Singly (2007) esclarece que

A família moderna é uma instituição na qual os membros têm uma individualidade maior do que nas famílias existentes anteriormente. Essas divergências individuais se acentuam, se consolidam, e como elas são o cerne da personalidade individual, esta vai necessariamente se desenvolvendo. Cada um constrói uma fisionomia própria, sua maneira pessoal de sentir e pensar (SINGLY, 2007, p. 35).

A partir de então, a relação familiar entre pais e filhos começam a ser construída através de uma maior comunicação e diálogo entre eles, e isso sem dúvidas começa a influenciar no ambiente escolar, pois as famílias passam a querer inserir seus filhos na sociedade da melhor maneira possível e a escola é vista como um importante mecanismo capaz de fazer essa inserção (TAVARES e NOGUEIRA, 2013). As autoras ainda enfatizam que 

A escola também teve reflexos desse processo de reconfiguração da relação com a família. Houve várias mudanças relacionadas à legislação, currículo, métodos pedagógicos e isso também passa a ter influência na vida familiar, principalmente a partir da segunda metade do século XX, quando mudanças oriundas das discussões pedagógicas iniciadas no final do século XIX são estendidas ao século seguinte (TAVARES e NOGUEIRA, 2013, p.48).

Nesse sentido, pode-se concluir que a relação de aproximação entre escola e família foi acontecendo gradativamente, e motivada pelas necessidades do contexto social de cada época. Além disso, para que a escola conheça a realidade do educando, faz-se necessário que conhecer a família do aluno para que assim ela consiga compreender melhor o seu aluno.

A participação da família na escola, uma ação necessária para garantir o sucesso escolar

Na atualidade muito se tem discutido sobre a importância da participação da família no ambiente escolar visando acompanhar o processo de aprendizagem de seus filhos. Contudo, é perceptível a ausência dos pais na escola. De acordo com Libâneo (2001, p.139): 

Participação significa a atuação dos profissionais da educação e dos usuários (alunos e pais), na gestão da escola há dois sentidos de participação articulados entre si. Há participação como meio de conquista da autonomia da escola, dos professores, dos alunos, constituindo-se como prática formativa, como elementos pedagógicos, metodológicos e curriculares. Há a participação como processo organizacional em que os profissionais e usuários da escola compartilham, institucionalmente, certos processos de tomadas de decisão.

Cabe, portanto, a escola buscar promover meios de conseguir a adesão da família para as suas responsabilidades de desenvolver atitudes para despertar no aluno o interesse em querer aprender (SILVA e ROCHA, 2014). 

Os autores ainda ponderam que:

A participação da população na escola dificilmente será alcançada se não partir de uma atitude positiva da instituição com relação aos usuários, em especial pais e responsáveis pelos estudantes, oferecendo ocasiões de diálogo, de convivência verdadeiramente humana, numa palavra de participação na vida da escola (SILVA e ROCHA, 2014, p.10).

Nesse sentido, a escola deve promover momentos de debates, reuniões e eventos que consiga abranger as famílias dos estudantes, pois a partir do momento que a família começa a participar da vida escolar de seus filhos, tudo fica mais fácil, tanto o aprendizado como o entendimento dos responsáveis sobre a real função da escola, ou seja, tanto a escola quando as famílias devem ter os mesmos objetivos em comum em relação ao aprendizado dos educandos. Assim, entendemos que o interesse da família pela vida escolar do aluno, acaba exercendo uma forte influência na aprendizagem, daí a importância de a gestão buscar promover essa aproximação da escola em direção à família (SILVA e ROCHA, 2014). Veja o que Santos e Sousa (2017) aborda sobre essa relação: 

A escola precisa aprender a lidar com as diversas conjunturas familiares, o papel da escola, como o da família é o de ajudar na formação e no desenvolvimento de sujeitos, a instituição escolar representa o conhecimento organizado e sistemático, a cultura e, muitas vezes, se confunde com a educação (SANTOS; SOUZA, 2017, p.5).

De acordo com as legislações brasileiras sobre os direitos das crianças e adolescentes, o direito à Educação é um deles, e cabe ao Estado e a Família buscar garantir esses direitos. Assim ao sinalizar o direito da criança e do adolescente à Educação a CF de 1988 em seu artigo 205 determina que: 

A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, 1988).

Portanto, cabe ao Estado e a família garantir a educação às crianças e adolescentes, se torna indispensável que a gestão escolar estabeleça uma parceira com as famílias de sua clientela, e para que isso ocorra de fato, faz-se necessário que a gestão da escola seja democrática na instituição de ensino (ISHIDA e SOUZA, 2014).

Santos e Souza (2017) nos alerta que os pais têm falhado na educação de seus filhos e estes têm levado essa falta de educação para o ambiente escolar, onde a criança que era o centro das atenções passar a ter que dividir o espaço que era só seu com outros, devendo aprender regras de convivência, seguir horários, entre outros e isso acaba levando o educando a ter comportamentos inadequados por ter dificuldades de seguir regras impostas pela escola. Sobre isso Ferreira (2011, p.285) aponta que: 

Na sociedade de hoje, infelizmente, a educação está sendo abandonada, como decorrência da falta de preparo dos pais, pela pressão econômica e de sobrevivência, que mantém os pais longe dos filhos e principalmente, pela exemplificação inadequada de hábitos, comportamentos e atitudes (FERREIRA, 2011, p. 285).

Analisando a fala da autora, podemos refletir que a maioria dos responsáveis acabaram perdendo o controle dos seus filhos, e devido a isso acabam deixando a educação de seus filhos de lado, contribuindo assim para uma geração sem limites e sem base para lidar com problemas impostos pela vida (FERREIRA,2011).

Nesse sentido, 

A instituição escolar é tida como um elo entre a família, a sociedade e o educando, ocupando um lugar de destaque e delicado na educação dos seus integrantes, onde a família e a sociedade direcionam todos os olhares e responsabilidades para a escola. No contexto familiar brasileiro atual, podemos dizer que não existe modelo familiar único, mas uma infinidade de modelos, com características e valores diferenciados. Sendo assim, é provável que cada modelo de família tenha sua própria identidade, modo de educação e cultura (FERREIRA, 2011, p.7).

Portanto, para que haja o sucesso escolar, se faz necessário esse elo entre essas duas instituições, onde cada uma deve cumprir seu papel de maneira que a criança consiga desenvolver as suas habilidades na sala de aula. Sousa (2008) nos esclarece sobre função da família

A família funciona como o primeiro e mais importante agente socializador, sendo assim, é o primeiro contexto no qual se desenvolvem padrões de socialização em que a criança constrói o seu modelo de aprendiz e se relaciona com todo o conhecimento adquirido durante sua experiência de vida primária e que vai se refletir na sua vida escolar. (SOUSA, 2008, p.2).

Ou seja, é na família que a criança e o adolescente vivem seus sentimentos, e onde manter sua relação social e afetiva, assim, é nessa instituição que lhe deve ser ensinado os valores, limites, sobre sexualidade etc. 

E para que ocorra a participação da família na escola, se faz necessário que a gestão do ensino público seja democrática, pois a própria CF de 1988 estabelece que o ensino público deve ser efetivado de maneira democrática e com participação social. Nesse contexto, outro documento constitucional muito importante que foi criado em 1990, é o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que foi criado, 

Através da Lei nº 8069 de 13 de junho de 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que parte do pressuposto que a criança e o adolescente são cidadãos independentes de sua condição social, pois as legislações anteriores eram voltadas exclusivamente para o atendimento à criança pobre, considerados em “estado de risco”. Portanto, o ECA é considerado um instrumento para efetivação de uma democracia participativa no trato dos interesses das crianças e adolescentes (ISHIDA e SOUZA, 2014, p.4).

Esse mesmo documento faz uma alusão em seu artigo 19 enfatizando que toda criança e adolescente tem direito de ser criado e educado no seio de sua família, onde a família é definida no artigo 25 como sendo um grupo de pessoas com laços de consanguinidade, de aliança, ou afinidade, e cabendo, portanto, a escola a obrigação de ofertar uma educação formal para as crianças e adolescentes (ISHIDA e SOUZA, 2014). 

Ainda se tratando de gestão democrática, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 (LDBEN 9394/96), também enfatiza sobre o princípio da “gestão democrática do ensino público”, vale mencionar que nos seus artigos 14 e 15, ela determina a participação dos profissionais no projeto pedagógico, e da comunidade escolar e local, nos conselhos escolares (ISHIDA e SOUZA, 2014). Vejamos o que diz a LDBEN sobre a Educação:

A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais (BRASIL, 1996).

Assim, para que sejam garantidos os direitos das crianças e dos adolescentes à educação, se faz necessário garantir e efetivar a gestão democrática. E os principais responsáveis por essa efetivação, é o Estado e a família, sendo necessário portanto, a interação escola-família, para que assim sejam garantidos direitos fundamentais das crianças e adolescentes em seu processo formativo.

Algumas considerações sobre a Gestão Escolar 

Para compreender o papel do gestor escolar, é preciso primeiramente entender o conceito de gestão para em seguida tratar sobre a gestão escolar. Onde Rios (2010), define gestão como sendo um ato ou efeito de gerir, gerência, administração, ou seja, gestão é um ato administrativo no ambiente escolar, sendo, portanto, um cargo que exige capacidade de liderança e organização para que as obrigações e tarefas sejam cumpridas rigorosamente. De acordo com Macêdo (2018, p.3): 

Durante muito tempo a escola tinha uma administração semelhante a de uma empresa, onde o chefe às vezes tomava as decisões sozinha e, assim acontecia nas escolas o diretor era o centro das decisões, mas atualmente a Gestão escolar não é centrada apenas no diretor de escola, mas em toda equipe pedagógica, professores, demais funcionários, e deve ainda contar com a participação da família e da comunidade todos juntos têm a missão de conduzir bem a escola e os recursos humanos para que as metas e objetivos propostos em prol da melhoria da qualidade de ensino sejam realmente alcançados.

Portanto, a escola precisa estruturar-se em cima de valores étnicos e morais, buscando respeitar a opinião de toda comunidade escolar, pois só assim a gestão escolar poderá acontecer de maneira democrática. De acordo com Brasil (2006, p.18): 

Logo, a gestão democrática da educação tem o dever de não discriminar e de eliminar a exclusão, oferecendo a todos oportunidades de aprendizagem e experiências educativas, a partir da necessidade individual de cada um, e criando o ambiente próprio à superação dos desafios individuais e coletivos (BRASIL, 2006, p.18).

E para que isso venha a acontecer, faz-se necessário que todos estejam engajados em participar da gestão escolar de maneira democrática, tendo o mesmo objetivo em comum que é o de buscar desenvolver uma aprendizagem significativa oferecendo a todos a oportunidade sem distinção.

Nesse novo modelo de gestão, a escola passa a ter mais autonomia e todos podem participar da gestão, tanto a equipe pedagógica, funcionários e a família dos educandos, podem participar por exemplo da construção do PPP, de reuniões, de eventos culturais e esportivos. No entanto, Macêdo (2018) alerta que

Falar de gestão escolar democrática nem sempre é fácil, já que são muitos os profissionais envolvidos no processo pedagógico, e que às vezes não aceitam ou não compreendem a forma de pensar e agir do outro. Logo, a gestão democrática da escola é uma tarefa difícil e exige pessoas competentes e reflexivas para solucionar problemas de forma ética e discreta. Para exercer, desempenhar a função de diretor de uma escola, seja ela pública ou privada é necessário ter licenciatura em pedagogia, e ter amplo conhecimento em questões relacionadas tanto à administração quanto ao contexto pedagógico (MACÊDO, 2010, p.4).

Portanto, para que haja a efetivação da gestão de forma democrática, se faz necessário que sejam dadas importância a opiniões e contribuição do outro, dessa forma será mais fácil alcançar os objetivos propostos para o ano letivo, além disso, todos devem participar da construção do PPP, sempre buscando valorizar os anseios da comunidade escolar. Sobre a gestão democrática, a LDB de 1996, destaca que

Os sistemas de ensino definirão as normas de gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme alguns princípios como: A participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; participação da comunidade escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes (BRASIL, 2001, p. 17).

A LDB deixa claro que para que seja promovida uma gestão de caráter democrático, é de suma importância que haja a participação tanto da equipe pedagógica quanto da comunidade escolar em geral e principalmente a participação das famílias, em uma relação de reciprocidade visando alcançar o sucesso escolar. 

Buscar envolver os pais na participação da vida e do processo escolar da criança é de suma importância para que o educando alcance o sucesso escolar, sobre isso Luck pondera que: 

[…] a ação participativa hábil em educação é orientada pela promoção solidária da participação por todos da comunidade escolar, na construção da escola como organização dinâmica e competente, tomando decisões em conjunto orientadas pelo compromisso com valores, princípios e objetivos educacionais elevados, respeitando os demais participantes e aceitando a diversidade de posicionamento e características pessoais. (LUCK, 2010, p.51).

Um importante mecanismo desse processo, são os colegiados escolares, que são formados por representantes da escola e é composto pelo gestor, educadores, funcionários, e a comunidade local. Esse colegiado tem como função realizar debates e reflexões acerca dos anseios da escola. 

O conselho de escola, como colegiado por onde passa a representatividade democrática da escola, possui também seus representantes: há o representante do pai, o representante do aluno, do professor. Há uma representatividade desses elementos para se tomar uma decisão na escola (OLIVEIRA; MARIOTINI, 2016, p.291). 

Assim, os colegiados e conselhos tem como principal função realizar reflexões, debates e sugestões dos temas colocados em pauta durante os encontros ou reuniões, buscando melhorar o ambiente escolar e efetivando assim uma gestão democrática onde todos podem participar das tomadas de decisões visando a melhoria da escola. De acordo com Oliveira e Mariotini (2016):

Os pais se demonstram mais ativos e participativos quando as resoluções são concretas, como levantamento de doações para a escola, mutirões de limpeza e construção. Mas aquelas decisões que precisam ser analisadas e discutidas, como questões políticas, administrativas e pedagógicas, os pais apresentam dificuldade de se expressarem ou demonstram desinteresse por acharem que não tem nenhum argumento favorável que possa ajudar a escola nesse processo, ou seja, atribuem a si mesmos falta de entendimento e conhecimento e capacidade para debater (OLIVEIRA; MARIOTINI, 2016, p.291-292).

Outro importante mecanismo de aproximação dos pais ao ambiente escolar, são as reuniões de pais e mestres, onde tem como objetivo principal informar os pais sobre o rendimento dos educandos, buscando envolvê-los no enfrentamento das dificuldades que os alunos possam vim a enfrentar. 

Nas reuniões de pais e mestres organizados para receber todos da comunidade e que é um dos meios para que essa aproximação aconteça, é possível observar que os que comparecem às reuniões de pais, aparentemente a maioria são sempre os mesmos: pais de alunos que tiram sempre notas boas, disciplinados, participativos e que tem o acompanhamento frequente por eles; logo irão ouvir elogios dos docentes referentes a seu filho (OLIVEIRA; MARIOTINI, 2016, p.294).

Nesse sentido, compete ao gestor escolar liderar e organizar o trabalho de todos no ambiente onde ele atua, de maneira que possa orientar a equipe no desenvolvimento de um ambiente educacional capaz de promover aprendizagens e formação de alunos (LUCK, 2009). Assim, 

Inseridos nessa conjuntura, a escola necessita sistematizar essas ações e qualquer gestão democrática, muito, colabora afim de que esses procedimentos possam ser organizados, avaliados e reposicionados, com base em uma boa leitura e análise da realidade, logo que as atuações pedagógicas serão ajustadas nesses propósitos educativos. Deste modo, é indispensável que o gestor escolar jamais se esqueça da responsabilidade que assumiu em conjunto para que os projetos traçados não se frustrem devido o caráter individualista, seguido às vezes de forma excessiva por gestores (MACÊDO, 2018, p.5).

Portanto, a gestão escolar deve ser desenvolvida de maneira democrática, buscando orientar o trabalho pedagógico com a intenção de melhorar a qualidade do ensino e aprendizagem dos educandos para que assim haja o sucesso escolar, tendo o diretor como o papel de destaque no processo de nortear e dirigir as ações que serão desenvolvidas no ambiente escolar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base na análise de conteúdo feita, foi possível concluir que a família e escola dependem uma da outra para obter o sucesso escolar, pois essa relação é indispensável no processo de aprendizagem dos alunos, uma vez que a escola não consegue educar sozinha a criança, e a presença da família nesse processo é de suma importância, visto que a criança passa o maior tempo de sua vida com seus pais.

Outro ponto que foi possível observar por meio deste estudo, é que não pode haver uma dissociação entre o papel dessas duas instituições, ou seja, uma deve complementar o papel da outra. Pois tanto a família quanto a escola são de extrema importância para a formação de alunos críticos e éticos, e só uma ação conjunta poderá ser capaz de atingir o objetivo principal da educação que é o de formar cidadãos críticos e conscientes do seu papel na sociedade.

Assim, por meio de um trabalho em parceria, tanto escola quando as famílias poderão contribuir para o desenvolvimento da criança, tanto para o desenvolvimento intelectual quanto para o desenvolvimento social e afetivo.

Ao realizar a análise do trabalho de Brito e Silva (2018) podemos concluir que cabe a gestão escolar promover ações de intervenção visando criar estratégias para atrair as famílias a participarem da vida escolar de seus filhos. Macêdo (2018) também concorda que tanto a gestão, quanto os educadores e as famílias precisam manter um diálogo em busca de estratégias que visem solucionar as dificuldades que impedem o bom desempenho escolar do educando no processo educacional.

Sobre isso, Silva (2018) conclui que ainda existem vários desafios a serem enfrentados para o envolvimento dos pais na educação dos filhos e para o processo de gestão democrática no ambiente escolar, e a gestão deve buscar promover esses espaços de diálogo para que assim possa ser efetivada a gestão democrática.

Por fim ressalta-se que os gestores busquem manter essa parceria recíproca com as famílias pois só assim eles poderão conhecer melhor os seus alunos e a partir daí criar estratégias que venham de encontro com as dificuldades que cada educando apresenta.

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1 Licenciado em Pedagogia, Bacharel em Administração de Empresa. Atua com professor efetivo na educação básica do Município de Porto Franco MA. Email. afonso_paivasilva@hotmail.com
2 Licenciado em História pela Universidade Federal do Tocantins, Licenciado em Pedagogia pela Unicesumar, Mestre em Cultura e Território pela UFT, Doutorando de Psicologia pela UFPA. Professor efetivo na educação básica no município de Porto Franco – MA. Email. elipreparamestrado@gmail.com
3 Licenciada em Pedagogia pela UFT. Atua como professora efetiva na Prefeitura Municipal de Araguaína-TO. Aluna especial em 3 disciplina no Mestrado Profissional de Educação UFT. Orcid. 000900065836495X email. joslilenedourado24@gmail.com
4 Formada no Normal Superior atua como gestora no Centro Educacional Infantil Pedro Carreiro em Araguaína-To. Aluna especial em 01 disciplina no Mestrado em Cultura e Território – UFNT. Orcid. 0009-0009-1621-7689 – E-Mail. Nilv23@hotmail.com

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