REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202601081110
Samanda da Silva Lopes
Tainara Aparecida dos Santos Cortez
Resumo: Este artigo tem como objetivo investigar as concepções e práticas pedagógicas de professoras da educação básica sobre alfabetização e letramento. A pesquisa é de abordagem qualitativa, exploratória e de campo, sendo realizada por meio da aplicação de um questionário com perguntas abertas, respondido por três docentes com experiências distintas na área. A análise dos dados foi fundamentada nas contribuições teóricas de Emilia Ferreiro (1986), Magda Soares (2003), que defendem a integração entre alfabetização e letramento como processos complementares e essenciais no desenvolvimento da leitura e escrita.
O método utilizado para a elaboração do artigo foi pesquisa qualitativa, buscando compreender as concepções e experiências das professoras sobre alfabetização e letramento por meio de respostas discursivas as perguntas. Exploratória sendo esta a primeira aproximação com o tema, o objetivo foi levantar hipóteses e compreensões iniciais sobre a temática da alfabetização e letramento entre docentes da educação básica. De campo, pois os dados foram coletados diretamente com professoras atuantes na educação básica do município de Corumbaíba-GO, ou seja, no ambiente real de trabalho das participantes.
Os resultados revelaram que, embora nem todas as participantes possuam formação específica na área, há reconhecimento da importância de práticas pedagógicas significativas, como a ludicidade, a aprendizagem colaborativa e os projetos investigativos. As professoras demonstraram compromisso com a formação continuada e com a melhoria de suas práticas. Conclui-se que a formação docente ainda carece de aprofundamento teórico, sendo necessário ampliar o acesso a programas de qualificação que possibilitem aos educadores atuar de forma mais crítica e fundamentada.
Palavras-chaves: Alfabetização. Prática docente. Formação continuada. Educação básica.
INTRODUÇÃO
A alfabetização e letramento são assuntos muito falados quando o tema é educação, principalmente na educação básica. No Brasil, muitos professores, pesquisadores tem discutido bastante esses dois conceitos. O objetivo é entender não só como as crianças aprendem a ler e escrever, mas também como elas usam a leitura e a escrita no dia a dia que é o chamado letramento. A educadora Magda Soares (2003), tem uma contribuição importante, ela explica que alfabetizar é ensinar o aluno a entender e usar o sistema de escrita, ou seja, como funcionam as letras e os sons.
Segundo Soares (2003), alfabetizar é ensinar a decodificar e codificar a escrita, enquanto letrar é inserir o indivíduo nas práticas sociais de leitura e escrita, tornando-o um sujeito capaz de usar a linguagem escrita de forma significativa em diferentes contextos. Essa distinção é fundamental para a compreensão das práticas pedagógicas adotadas pelos professores, pois sugere reconhecer que a aprendizagem da leitura e da escrita não deve se limitar ao meio técnico da linguagem, mas deve considerar também o contexto social e cultural no qual os alunos estão inseridos.
Essa pesquisa busca entender como os professores do município de Corumbaíba-GO enxergam e colocam em prática as ideias de alfabetização e letramento no dia a dia da sala de aula. Compreender essa percepção é essencial para avaliar se suas metodologias estão alinhadas às propostas teóricas atuais e se contribuem efetivamente para a formação de alunos leitores e escritores críticos, capazes de interagir com o mundo por meio da linguagem escrita.
No entanto a presente pesquisa apresenta como objetivo geral, analisar o conhecimento dos professores alfabetizadores da cidade de Corumbaíba-GO sobre o conceito de alfabetização e letramento. E traz como objetivos específicos identificar o tempo de atuação do professor no processo de ensino e aprendizagem diante a concepção de alfabetização e letramento; entender o nível de interesse do professor diante a formação continuada e por último conhecer os métodos utilizados pelos docentes em suas práticas pedagógicas.
Apresenta-se como hipótese da presente pesquisa, que os professores em sua maioria não conseguem distinguir a diferença entre letramento e alfabetização. A alfabetização, no entanto, será citada de forma tradicional com pouca ludicidade. Muitos acabam usando esses dois termos como se fossem a mesma coisa, tanto na teoria quanto na prática. Além disso, acredita-se que, quando os professores trabalham a alfabetização, normalmente seguem um jeito mais tradicional, focado na repetição e memorização de letras e sílabas, sem usar muitas atividades lúdicas, criativas ou ligadas ao dia a dia dos alunos.
A hipótese se confirma parcialmente. Apenas uma das três entrevistadas (P3) demonstrou compreender claramente a diferença entre alfabetização e letramento. As demais parecem não distinguir totalmente os conceitos ou os tratam de forma integrada, sem clareza teórica.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A alfabetização e letramento são conceitos essenciais no campo da educação, especialmente no processo de ensino e aprendizagem nos anos iniciais do ensino fundamental. A distinção entre esses dois termos foi amplamente discutida por Magda Soares (2003), uma das principais pesquisadoras brasileiras na área. Para a autora, “alfabetização é o processo de aquisição do sistema convencional da escrita, com suas regras de funcionamento e princípios alfabéticos”, enquanto o letramento se refere ao uso social da leitura e da escrita em diferentes contextos da vida cotidiana. (SOARES, 2003, p. 17).
Soares (2003) afirma que é necessário integrar esses dois processos, pois “não se pode alfabetizar sem letrar, nem letrar sem alfabetizar”. Essa concepção aponta para uma prática pedagógica que vá além da simples decodificação de palavras, incluindo também a formação de sujeitos capazes de ler e escrever com sentido e criticidade.
Complementando essa visão, Emília Ferreiro e Ana Teberosky (1986) trouxeram importantes contribuições ao mostrarem que a criança não é um ser passivo no processo de alfabetização. Elas explicam que, desde cedo, os alunos constroem hipóteses sobre a linguagem escrita, o que exige do professor uma postura atenta às diferentes fases desse desenvolvimento. Segundo as autoras FERREIRO (1986) e TEBEROSKY (1986) “a aprendizagem da língua escrita é uma construção ativa do sujeito em interação com o meio”, o que reforça a importância de práticas pedagógicas que valorizem a participação e o raciocínio da criança.
No Brasil, outro grande nome nesse campo é Paulo Freire, que via a alfabetização como um ato político e libertador. Para ele, “ensinar a ler e a escrever é, antes de tudo, ensinar a ler o mundo” FREIRE (1982). A alfabetização, nesse sentido, não se limita à aprendizagem das letras, mas envolve também o desenvolvimento da consciência crítica dos sujeitos. Freire defendia que os conteúdos ensinados deveriam ter sentido para a realidade dos alunos, e que o diálogo entre educador e educando é fundamental no processo de construção do conhecimento.
Segundo Magda Soares, os métodos de alfabetização podem ser considerados como “um conjunto de procedimentos que, fundamentados em teorias e princípios, orientem a aprendizagem inicial da leitura e da escrita, […]”. (Soares, 2003)
Magda Soares (2003) mostra que os métodos de alfabetização não devem ser vistos como um conjunto de passos prontos ou mecânicos, mas como práticas baseadas em teorias e princípios bem pensados. Isso quer dizer que alfabetizar exige uma ação consciente e crítica por parte do professor, levando em conta o jeito como os alunos aprendem, suas vivências e o contexto em que estão. Por isso, escolher um método envolve entender as necessidades da turma e agir com intenção, com o professor tendo um papel importante nesse processo.
Magda Soares (2003), Emília Ferreiro (1986), Ana Teberosky (1986) e Paulo Freire (1982) têm ideias parecidas sobre alfabetização, mas também algumas diferenças. Todos eles concordam que aprender a ler e escrever não é só decorar letras, mas entender como usar a linguagem no dia a dia e pensar criticamente. Soares (2003) fala bastante sobre a importância de juntar alfabetização e letramento, enquanto Ferreiro (1986) e Teberosky (1986) focam em como a criança vai criando suas próprias ideias sobre a escrita durante o aprendizado. Já Freire (1982) vê a alfabetização como algo que também deve ajudar a pessoa a entender e transformar o mundo onde vive. Mesmo com jeitos diferentes de olhar para o tema, todos concordam que alfabetizar precisa fazer sentido para o aluno e ajudá-lo a ser mais consciente e participativo.
Dessa forma, o papel do professor vai além da simples transmissão de conteúdos. É necessário refletir sobre a prática pedagógica, buscando formas de integrar teoria e prática. Como afirma Tardif (2002), “o saber docente é um saber prático, construído na ação, na experiência cotidiana da sala de aula” (p. 36). Isso demonstra a importância da formação continuada e do desenvolvimento profissional dos professores, para que possam adaptar suas práticas às reais necessidades dos alunos e ao contexto em que atuam.
Assim, a alfabetização com letramento exige do professor uma postura reflexiva, crítica e aberta ao diálogo com as teorias educacionais. Quando bem compreendidos e aplicados, os conceitos de alfabetização, letramento e prática pedagógica podem contribuir para a formação de alunos mais preparados para interagir de forma consciente e participativa com a linguagem e com o mundo.
MÉTODO
Esta pesquisa caracteriza-se como qualitativa, exploratória e de campo. A abordagem qualitativa foi adotada por buscar compreender as percepções, experiências e concepções das professoras sobre alfabetização e letramento, por meio de respostas discursivas a perguntas abertas.. A natureza exploratória justifica-se pelo fato de que a investigação visa realizar uma primeira aproximação com o tema, levantando compreensões iniciais e hipóteses que possam contribuir para estudos mais aprofundados. Trata-se também de uma pesquisa de campo, uma vez que os dados foram coletados diretamente junto a professoras atuantes na educação básica em seu ambiente de trabalho, em escolas do Município de Corumbaíba-GO.
INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS
Foi utilizado como instrumento de coleta um questionário composto por perguntas abertas, elaborado com o objetivo de explorar aspectos relacionados ao tempo de atuação das docentes, suas formações, práticas pedagógicas, bem como suas concepções sobre alfabetização e letramento. Esse formato permitiu às participantes expressarem livremente suas opiniões, experiências e interesses profissionais.
PÚBLICO-ALVO
O público-alvo da pesquisa é formado por três professoras atuantes ou com experiência direta no processo de alfabetização e letramento: P1, atualmente no setor administrativo da, no município de Corumbaíba; P2, com 23 anos de atuação na educação; e P3, com 26 anos de experiência em diferentes etapas da educação básica, incluindo a alfabetização.
LOCAL DA PESQUISA
A pesquisa foi realizada com profissionais vinculadas a escolas da rede pública de ensino no município de Corumbaíba, em Goiás. A escolha deste local visa representar o contexto real de atuação docente, valorizando o conhecimento e a prática das professoras da comunidade.
PROCEDIMENTOS DE COLETA E ANÁLISE DE DADOS
A pesquisa foi conduzida seguindo os seguintes passos:
- Definição da temática e objetivos: Após a revisão teórica sobre alfabetização e letramento, foram definidos o problema de pesquisa e os objetivos, orientando a construção do instrumento de coleta.
- Elaboração do questionário: Com base na temática delimitada, foi elaborado um questionário com perguntas abertas voltadas a aspectos da prática e formação docente em alfabetização.
- Aplicação do questionário: O questionário foi levado até as docentes de forma presencial, com registro das resposta por gravador de voz. As docentes foram previamente informadas sobre os objetivos da pesquisa e concordaram em participar de forma voluntária.
- Organização e análise dos dados: As respostas foram organizadas por categorias de análise correspondentes às perguntas: tempo de atuação, formação, práticas pedagógicas e concepções sobre alfabetização e letramento.
- Interpretação dos resultados: A partir da análise, foi possível identificar a diversidade de experiências entre as participantes, bem como elementos em comum, como o reconhecimento da importância de integrar alfabetização e letramento, o interesse pela formação continuada e o uso de abordagens lúdicas e investigativas na prática pedagógica.
ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS QUESTIONÁRIO
1.Qual o seu tempo de atuação dentro do processo de alfabetização e letramento?
P1: Eu Trabalhei em sala de aula durante uns oito anos hoje em dia eu estou no administrativo estou como secretária na escola Osório Martins Cardoso situada no município de Corumbaíba.
P2: 23 anos
P3: Professora com vinte e seis anos de atuação na educação. Ao longo dessa trajetória tive a oportunidade de trabalhar com diferentes etapas da educação básica. Tendo assim experiência com alfabetização e letramento.
2.Você tem especialização em práticas pedagógicas voltadas a alfabetização e letramento? Se sim, qual? Se não, teria interesse?
P1: Nosso compromisso e sempre com a melhoria constante do nosso trabalho, eu participei de cursos como alfaMais o Pnac e também tenho especializações que realizo de curta distância, a gente sempre tem que buscar melhorar nossa vida profissional, também pra tentar passar a melhoria para nossos alunos.
P2: Não, especialização em Psicomotridade. Tenho interesse em fazer uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento.
P3: Tenho interesse.
3. Quais seriam as suas práticas pedagógicas voltadas a leitura e escrita?
P1: NÃO RESPONDEU
P2: Projeto AlfaMais Goiás (Programa de Alfabetização do Governo do Estado de Goiás)
P3: Aprendizagem colaborativa, Aprendizagem lúdica, Aprendizagem por investigação e Aprendizagem baseada em Projetos.
4.Qual a sua concepção de alfabetização e letramento?
P1: Eu acredito que ambas devem andar juntas no componente curricular da criança e escola e também é fundamental para a criança o professor trabalhar a ludicidade, pois é brincando que ela aprende, também não é só ficar lá no BA, BA igual antigamente com as cartilhas.
P2: São essenciais para o desenvolvimento da leitura e escrita.
P3: Entendo alfabetização como o processo de aprendizagem alfabética da escrita entre sons e letras que permite a criança ler e escrever. Já o letramento envolve a leitura, escrita, capacidade e interpretar e produzir textos. Sendo assim, o processo de alfabetização é finito, enquanto o letramento é uma construção permanente. Busco respeitar o ritmo de cada aluno e seus saberes.
Criando um ambiente rico em estímulos e desafios.
APRESENTAÇÃO DOS DADOS COLETADOS
A pesquisa foi realizada com três profissionais da educação com experiências distintas, mas com vivência direta ou anterior no processo de alfabetização e letramento. P1 atuou por oito anos em sala de aula e atualmente exerce função administrativa. P2 possui 23 anos de docência, e P3 atua há 26 anos na educação básica, com envolvimento direto na alfabetização.
Sobre a formação, P1 relatou participação em cursos como o PNAIC (Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa )e AlfaMais (Programa de Alfabetização do Governo do Estado de Goiás), além de especializações de curta duração. P2 tem formação em Psicomotricidade e interesse em cursar uma pós-graduação na área de alfabetização e letramento, o que também foi mencionado por P3. Nas práticas pedagógicas voltadas à leitura e escrita, P2 destacou sua participação no Projeto AlfaMais Goiás, e P3 relatou metodologias ativas, como a aprendizagem colaborativa, lúdica e baseada em projetos. P1 não respondeu essa questão.
Quanto à concepção de alfabetização e letramento, houve convergência entre as participantes quanto à importância de ambos os processos. P1 ressaltou a ludicidade e criticou métodos tradicionais baseados em cartilhas. P2 definiu alfabetização e letramento como essenciais para o desenvolvimento da leitura e escrita. P3 apresentou uma distinção conceitual clara, associando alfabetização ao domínio do sistema de escrita e letramento às práticas sociais da leitura e escrita.
As respostas das participantes dialogam diretamente com os estudos de Emilia Ferreiro (1986), que rompe com a visão mecanicista da alfabetização e propõe que a criança constrói hipóteses sobre a escrita antes mesmo de ser formalmente alfabetizada. A concepção de P1, ao criticar o método tradicional das cartilhas e defender a ludicidade, vai ao encontro dessa perspectiva construtivista: “também não é só ficar lá no B-A, BA igual antigamente com as cartilhas”. Como destaca Ferreiro (1986, p. 33), “a aprendizagem da língua escrita não se reduz à decodificação; ela envolve a construção de um objeto de conhecimento”.
Magda Soares (2003) também contribui para essa discussão ao afirmar que alfabetizar e letrar não são processos excludentes, mas complementares. Em sua visão, é necessário alfabetizar letrando, ou seja, ensinar o sistema de escrita ao mesmo tempo em que se inserem os alunos em práticas sociais da leitura e da escrita. P3 expressa esse entendimento ao afirmar que “o processo de alfabetização é finito, enquanto o letramento é uma construção permanente”. Segundo Soares (2003, p. 18), “não é suficiente que se ensine a ler e escrever no sentido estrito. É preciso ensinar a usar a leitura e a escrita como práticas sociais”.
A ênfase de P3 em metodologias ativas, como aprendizagem colaborativa e lúdica, também é respaldada pela literatura contemporânea, que destaca a importância de abordagens centradas no aluno, como defende Ferreiro (1986), ao argumentar que a criança é sujeito ativo no processo de alfabetização, e deve ser respeitada em seus saberes prévios e no seu ritmo de aprendizagem.
Além disso, a valorização da ludicidade, especialmente nas falas de P1 e P3, está alinhada com os apontamentos de Ferreiro (1986), que destaca a importância de contextos significativos e motivadores no processo de aquisição da linguagem escrita. Essa abordagem rompe com a prática da repetição mecânica e insere o aluno em uma realidade onde ler e escrever fazem sentido.
Os achados revelam uma compreensão teórica e prática parcialmente alinhada com os estudos contemporâneos sobre alfabetização e letramento. P3 demonstra uma visão consistente e atualizada, citando práticas pedagógicas coerentes com a proposta de alfabetizar letrando, como propõe Magda Soares (2003). Sua fala evidencia consciência sobre os diferentes ritmos de aprendizagem e a importância de um ambiente rico em estímulos, o que é central tanto nas propostas de Soares (2003) quanto nas de Ferreiro (1986).
Já P2 e P1 demonstram compreensão prática sobre a importância da alfabetização e do letramento, mas com menor profundidade conceitual. Ainda assim, ambas mostram compromisso com a formação contínua e abertura para novas aprendizagens, o que é essencial para o aperfeiçoamento da prática docente.
A ausência de formação específica em alfabetização e letramento em duas das participantes também evidencia um desafio recorrente nas redes públicas de ensino: a carência de programas de formação continuada com foco teórico e metodológico aprofundado. Como aponta Soares (2003, p. 20), “não se pode esperar mudanças na prática docente sem investimento na formação do professor, que precisa compreender os fundamentos dos processos de ensino e aprendizagem da linguagem escrita”.
Dessa forma, a pesquisa evidencia que, embora haja um reconhecimento prático da importância de integrar alfabetização e letramento, ainda é necessário ampliar a formação teórica das professoras, garantindo que suas práticas estejam ancoradas em fundamentos teoricos científicos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente pesquisa teve como objetivo compreender as concepções, práticas e formações de professoras relacionadas ao processo de alfabetização e letramento, a partir da aplicação de um questionário com perguntas abertas. Por meio da análise qualitativa dos dados, foi possível identificar que as participantes reconhecem a importância da integração entre alfabetização e letramento no processo de ensino da leitura e da escrita, embora apresentem diferentes níveis de aprofundamento teórico sobre o tema.
Verificou-se que todas as participantes têm experiência prática na área, com tempos de atuação que variam entre oito e vinte e seis anos. Apenas uma das professoras mencionou formação específica por meio de cursos e especializações curtas na área de alfabetização. As demais demonstraram interesse em aprofundar seus conhecimentos, o que evidencia uma abertura para o aprimoramento profissional, mesmo diante das limitações de acesso à formação continuada.
Em relação às práticas pedagógicas, observou-se uma valorização de métodos lúdicos, investigativos e colaborativos, além da participação em projetos institucionais como o AlfaMais. No que se refere à concepção de alfabetização e letramento, destaca-se a fala de uma das participantes que apresentou uma compreensão alinhada à teoria de Emilia Ferreiro (1986) e Magda Soares (2003), diferenciando os dois processos e reconhecendo sua importância.
Diante da pergunta central “Quais as concepções e práticas pedagógicas de professores da educação básica sobre alfabetização e letramento? Pode-se afirmar que os docentes compreendem a relevância da temática e buscam atuar de forma significativa, ainda que nem todos possuam formação específica. As práticas revelam uma aproximação com metodologias que valorizam a ludicidade e o protagonismo do aluno, e as concepções demonstram uma compreensão parcial, mas em construção, dos fundamentos teóricos que sustentam esses processos.
Por fim, reforça-se a importância de compreender que alfabetizar e letrar são processos inseparáveis e fundamentais para o desenvolvimento pleno dos sujeitos. Para isso, é essencial valorizar a formação continuada dos professores e o compromisso constante com a reflexão e a melhoria da prática educativa.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.
TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2002.
