ALEITAMENTO MATERNO: DA GESTAÇÃO AO PUERPÉRIO

BREASTFEEDING: FROM PREGNANCY TO POSTPARTUM

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202510180855


Edelciane Teixeira Gomes Matos1
Miliane Israel Magosso2
Rita de Cássia Ramos de Souza Tonéo3
Raire Cristine Pereira da Cruz4


RESUMO 

O aleitamento materno é fundamental para a saúde tanto da mãe quanto do recém-nascido, sendo considerado um fator crucial para reduzir a mortalidade infantil e promover o desenvolvimento completo da criança. O objetivo deste estudo foi examinar o aleitamento materno desde a gestação até o puerpério, enfatizando seus benefícios, as principais dificuldades enfrentadas pelas nutrizes e a função da enfermagem no suporte à amamentação. Esta é uma revisão de literatura de natureza qualitativa e exploratória, conduzida em bases de dados científicas, com base em critérios de inclusão que levaram à seleção de oito artigos publicados entre 2000 e 2025. O estudo mostrou que o leite materno é um alimento completo, que atende às demandas nutricionais e imunológicas do bebê nos primeiros meses de vida, além de proporcionar benefícios importantes para a saúde física e emocional da mãe. No entanto, a prática enfrenta desafios, como a percepção de que a produção de leite é baixa, a licença maternidade de curta duração, as influências socioculturais e a falta de qualificação profissional. Os resultados destacam a relevância de estratégias abrangentes que incluam iniciativas educativas, apoio humanizado e políticas públicas que assegurem o direito ao aleitamento. É fundamental reforçar a assistência de enfermagem e integrar diversos profissionais de saúde para promover, proteger e apoiar a amamentação como parte essencial do cuidado materno-infantil. 

Palavras-chave: Aleitamento materno; Saúde da mulher; Enfermagem; Puerpério; Saúde pública. 

ABSTRACT 

Breastfeeding is essential for the health of both mother and newborn, considered a crucial factor in reducing infant mortality and promoting the child’s complete development. The objective of this study was to examine breastfeeding from pregnancy to the postpartum period, emphasizing its benefits, the main challenges faced by nursing mothers, and the role of nursing in supporting breastfeeding. This is a qualitative, exploratory literature review conducted in scientific databases, based on inclusion criteria that led to the selection of eight articles published between 2000 and 2025. The study showed that breast milk is a complete food, meeting the nutritional and immunological needs of the baby in the first months of life, in addition to providing important benefits for the mother’s physical and emotional health. However, the practice faces challenges, such as the perception of low milk production, short maternity leave, sociocultural influences, and a lack of professional qualifications. The results highlight the importance of comprehensive strategies that include educational initiatives, personalized support, and public policies that ensure the right to breastfeeding. Strengthening nursing care and integrating diverse health professionals are essential to promote, protect, and support breastfeeding as an essential part of maternal and child care. 

Keywords: Breastfeeding; Women’s health; Nursing; Postpartum period; Public health. 

1. INTRODUÇÃO 

O aleitamento materno é uma prática milenar que transcende os limites da biologia, revelando-se como um fenômeno social, afetivo e cultural de grande relevância para a saúde pública. Do ponto de vista histórico, alimentar o recém-nascido com leite materno sempre foi compreendido como um gesto natural e instintivo, mas, ao longo das décadas, passou a ser respaldado por evidências científicas que atestam sua importância para o desenvolvimento integral da criança, para a saúde da mulher e para a construção de vínculos familiares duradouros (BRASIL, 2022). Nesse contexto, torna-se essencial compreender o aleitamento materno não como um ato isolado do pós-parto, mas como um processo contínuo, que se inicia ainda durante a gestação e se estende ao longo do puerpério, exigindo apoio institucional, familiar e social. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (2021), o aleitamento materno exclusivo nos seis primeiros meses de vida é a intervenção isolada mais eficaz na redução da mortalidade infantil, podendo prevenir milhões de mortes todos os anos. Contudo, apesar das robustas campanhas de incentivo, os índices de amamentação plena continuam abaixo do ideal em diversas regiões do Brasil, especialmente em populações vulneráveis. Os motivos são multifatoriais e envolvem desde barreiras culturais e falta de informação até a ausência de suporte adequado nos serviços de saúde. Ainda que o Ministério da Saúde (2023) reforce a importância da amamentação como prática prioritária, observa-se uma lacuna entre as orientações técnicas e a realidade vivenciada por muitas mulheres. 

O ciclo gravídico-puerperal representa um momento de grandes transformações físicas e emocionais na vida da mulher. Durante a gestação, a preparação para o aleitamento materno deve iniciar-se por meio de ações educativas, apoio psicológico e orientação profissional, promovendo o empoderamento da gestante e sua confiança na capacidade de nutrir seu bebê (PEREZ et al., 2022). Ao longo do puerpério, no entanto, surgem novos desafios, como a dor nas mamas, a pega incorreta, o cansaço físico e emocional, além das cobranças sociais em torno da “maternidade idealizada”. É nesse cenário que a rede de apoio assume papel essencial para a continuidade do aleitamento, resgatando valores comunitários que tradicionalmente fortaleciam o cuidado coletivo com a infância. 

É importante destacar que o aleitamento materno também possui implicações econômicas e ambientais. De acordo com estudos recentes, cada dólar investido em programas de amamentação pode gerar um retorno de até trinta e cinco dólares, em função da redução de custos com saúde pública e perdas de produtividade (UNICEF, 2021). Do ponto de vista ecológico, o leite materno é um alimento natural, renovável e sustentável, que dispensa recursos industriais e embalagens, em consonância com os princípios de responsabilidade ambiental. 

Diante dessas múltiplas dimensões, o presente estudo investiga a prática do aleitamento materno como um processo que se constrói desde a gestação até o puerpério, com ênfase na identificação dos fatores que influenciam sua continuidade e sucesso. Busca-se compreender como a mulher vivencia essa experiência ao longo das diferentes fases do ciclo materno, analisar políticas públicas, programas de saúde e contextos socioculturais que interferem direta ou indiretamente na decisão de amamentar e, sobretudo, avaliar o papel do profissional de enfermagem no suporte à amamentação. Dessa forma, o estudo visa identificar barreiras sociais, culturais e estruturais, evidenciar os benefícios da amamentação exclusiva até os seis meses, levantar dificuldades na atuação do profissional e propor estratégias que contribuam para a melhoria do cuidado materno-infantil. 

A relevância social desta pesquisa justifica-se pela necessidade urgente de fortalecer ações educativas, humanizadas e baseadas em evidências, que contribuam para a promoção da saúde materno-infantil. Ao valorizar a experiência da mulher, desde o início da gestação até o período pós-parto, pretende-se lançar luz sobre práticas de cuidado tradicionalmente invisibilizadas, resgatando saberes antigos e integrando-os às conquistas contemporâneas da ciência e da saúde coletiva. Dessa forma, o aleitamento materno é aqui compreendido não apenas como nutrição, mas como símbolo de vida, proteção, vínculo e resistência, um patrimônio imaterial que precisa ser promovido, protegido e apoiado em todas as suas etapas. 

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA  

2.1. OS BENEFÍCIOS DO ALEITAMENTO MATERNO PARA MÃES E FILHOS 

O aleitamento materno oferece vantagens que ultrapassam em muito a mera nutrição infantil. De acordo com o Ministério da Saúde, a amamentação favorece interações significativas entre mãe e filho, trazendo benefícios para a saúde física, emocional e imunológica do bebê, além de reforçar o vínculo afetivo materno. Entre os benefícios para a criança, estão a proteção contra infecções, alergias e doenças crônicas, além do estímulo ao desenvolvimento cognitivo. Para a mãe, as vantagens incluem a diminuição dos riscos de hemorragia após o parto e de certos tipos de câncer, além de contribuir para o seu bem-estar geral. (BRASIL, 2025) 

De acordo com pesquisas, o leite materno representa um alimento integral para recém nascidos. Ele não só fornece todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento infantil, mas também contém agentes imunológicos protetores. Esses agentes são cruciais para defender o bebê contra infecções e reduzir a mortalidade neonatal. Portanto, o leite materno é essencial para a saúde e bem-estar dos recém-nascidos. (CAMPOS et al., 2020) 

Nesse sentido, garantir ao recém-nascido o aleitamento imediato é essencial para evitar que 22% dos neonatos morram em virtude de infecções, ainda, garante proteção e auxilia na prevenção de hemorragias em puérperas, uma das principais causas de morte de mulheres com infecção do trato genital ocorrida no período do puerpério (CAMPOS et al., 2020).  

Nos primeiros meses de amamentação é desnecessário o uso de suplementos vitamínicos, tendo em vista que o leite materno tem todas as vitaminas em quantidades suficientes para a proteção das crianças até os 6 meses contra alergias e infecções e contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento e crescimento da criança (SOUZA et al., 2021).  

O leite materno tem uma composição biológica exclusiva e é essencial para o crescimento e desenvolvimento saudável da criança nos primeiros seis meses de vida. Para aproveitar ao máximo esse potencial, é fundamental que o ato de amamentar seja feito com a técnica correta, o que requer preparação e informação. Nesse cenário, a atuação proativa dos profissionais de saúde, especialmente dos enfermeiros, se torna um pilar essencial. Durante o pré-natal, esse profissional desempenha um papel educativo fundamental, aumentando a compreensão da gestante sobre a importância e os benefícios da amamentação, além de identificar precocemente e ajudar no planejamento de estratégias para superar possíveis obstáculos que possam aparecer. 

Dessa forma, ao investir na educação em saúde, estamos contribuindo para o sucesso da amamentação. O fortalecimento do conhecimento materno acerca das práticas adequadas de amamentação e dos cuidados envolvidos têm um impacto direto em sua autoconfiança e habilidade para lidar com problemas frequentes, como a pega inadequada ou a sensação de que o leite é insuficiente. Portanto, é fundamental reforçar e incentivar que a assistência de enfermagem proporcione um suporte contínuo e de qualidade, começando no pré-natal e se estendendo até o puerpério, assegurando que a mulher se sinta empoderada, confiante e respaldada em sua experiência de amamentação. 

A colaboração com outros profissionais de saúde, como nutricionistas e psicólogos, pode proporcionar uma abordagem mais completa e eficaz para o apoio à amamentação, aumentando as taxas de sucesso. A assistência de enfermagem deve promover ambientes que incentivem a amamentação, incluindo políticas que apoiem a amamentação. 

2.2. BARREIRAS SOCIAIS, CULTURAIS E ESTRUTURAIS QUE DIFICULTAM A AMAMENTAÇÃO 

Uma das maiores dificuldades que as mães enfrentam ao amamentar é a sensação de que estão produzindo pouco leite, o que pode causar insegurança e resultar em desmame precoce. Antes das mamadas, é comum sentir que as mamas estão vazias, o que contribui para essa insegurança. A eficácia da amamentação pode ser comprometida por diversos obstáculos, como a extração manual do leite, o posicionamento do bebê e a técnica de pega adequada, o que afeta diretamente a nutrição e o bem-estar do recém-nascido (CARREIRO et al., 2018). 

 O sucesso da amamentação também é afetado por fatores maternos e físicos, como grau de instrução, experiências prévias com amamentação e anatomia dos mamilos. Dificuldades iniciais podem resultar em problemas como sucção ineficiente, ingurgitamento mamário e lesões mamilares, o que pode causar desmame precoce. A introdução de fórmulas infantis, chás ou outros alimentos, frequentemente motivada pela falta de informação ou pelo choro constante do bebê, geralmente leva à interrupção precoce da amamentação (CARREIRO et al., 2018). 

Outros fatores são citados pelos autores, para corroborar com os diversos fatores que garantidamente dificultam o aleitamento materno e contribuem para o desmame precoce: 

As variáveis que contribuem para o desmame precoce identificadas em nosso estudo corroboram com dados da literatura. A baixa produção láctea é citada nas pesquisas como uma dificuldade comum no início da amamentação. Associada pela mulher ao choro frequente da criança, por desconhecimento, leva à complementação com fórmulas infantis, chás e outros itens, que por sua vez pode interferir na satisfação alimentar da criança e consequentemente provocar sucção ineficiente, acarretando outros problemas como ingurgitamento mamário, lesão mamilar e por fim o desmame precoce (CARREIRO et al., 2018, p. 6). 

Essas dificuldades também estão ligadas a fatores relacionados à vida da mãe, como nível educacional e experiências anteriores com amamentação, além de aspectos físicos, como a forma dos mamilos. 

Segundo Peres et al. (2021), a licença-maternidade curta, normalmente de apenas quatro meses, é um dos principais obstáculos para a adoção do aleitamento materno exclusivo. Ao voltarem ao trabalho, muitas mães acabam oferecendo outros alimentos antes do período indicado. Ademais, fatores familiares, como avós e outros cuidadores oferecendo chás e sucos, podem levar as mães a interromper a amamentação exclusiva. Nesse contexto, o Ministério da Saúde (2025) enfatiza que a introdução de alimentos complementares antes dos seis meses pode ser prejudicial à saúde da criança, elevando a incidência de diarreia, doenças respiratórias, risco de desnutrição e redução na absorção de ferro e zinco. 

As crenças e percepções dos profissionais de saúde muitas vezes veem a amamentação apenas como um ato biológico, sem considerar o contexto social e psicológico da mãe, o que pode afetar sua experiência de amamentar. Nesse sentido, acredita-se que muitos profissionais de saúde carecem de capacitação específica em aleitamento materno, o que pode limitar o apoio e a orientação que oferecem às mães (PERES et al., 2021).  

É fundamental contar com profissionais de saúde da atenção primária capacitados para auxiliar a mulher e sua família durante o processo de amamentação, desde o pré-natal até o pósparto. O domínio técnico e atualizado é uma ferramenta fundamental para a atuação desses profissionais; no entanto, a falta de treinamentos específicos em aleitamento materno pode ser um desafio considerável para a eficácia desse atendimento (PERES et al., 2021). 

O ano de 2017 foi marcante para o fortalecimento do aleitamento materno no Brasil, com a implementação de leis importantes para incentivar a amamentação. O “agosto Dourado”, instituído pela Lei n.º 13.435, e a Lei n.º 13.436, que definem diretrizes para a amamentação e suporte às mães nas redes públicas e privadas do país, são particularmente notáveis (SECRETARIA DE SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL, 2017).  

Em suma, o período de amamentação envolve uma interação complexa de fatores pessoais, familiares e institucionais. É fundamental que os profissionais de saúde, especialmente os enfermeiros, adotem uma abordagem centrada em medidas e cuidados assistenciais que identifiquem as causas das dificuldades, ouçam as queixas das mães e realizem a profilaxia de agravos, a fim de promover o sucesso do aleitamento materno (GUZMAN et al., 2024). A revisão integrativa realizada por Souza, Botelho e Pinheiro (2022) indica que o desmame precoce é afetado por fatores culturais, socioeconômicos e demográficos, além de destacar que o apoio adequado de profissionais de saúde é essencial para a continuidade da amamentação. 

3. METODOLOGIA  

Este estudo é uma pesquisa de revisão bibliográfica da literatura, com enfoque qualitativo e abordagem exploratória. Segundo Souza, Silva e Carvalho (2010), a revisão bibliográfica é uma abordagem que possibilita a síntese do conhecimento existente sobre um tema específico, por meio da avaliação crítica de estudos científicos previamente publicados. Esse método facilita a integração de evidências na prática profissional e a identificação de lacunas no conhecimento. 

Do ponto de vista da abordagem, trata-se de uma investigação qualitativa, uma vez que busca compreender a complexidade do fenômeno estudado por meio da análise interpretativa dos dados, conforme propõe Souza (2019). Augusto et al (2013) complementa que a pesquisa qualitativa lida com significados e experiências subjetivas, permitindo a análise hermenêutica das informações levantadas, mesmo com o apoio de dados estatísticos presentes na literatura científica. 

A pesquisa também é classificada como exploratória, pois visa proporcionar maior familiaridade com a temática do aleitamento materno. Isso possibilita sua problematização e contribui para a formulação de hipóteses e diretrizes teóricas. Para Gonçalves (2003), a pesquisa exploratória se caracteriza por oferecer uma visão panorâmica e inicial de fenômenos pouco estudados, permitindo o desenvolvimento e o aprofundamento de ideias. 

A coleta de dados foi realizada por meio de uma revisão da literatura, utilizando artigos científicos completos e atualizados disponíveis em plataformas reconhecidas, como SciELO, Google Acadêmico e o portal CAPES. Os termos pesquisados estavam relacionados aos benefícios do aleitamento materno, desafios enfrentados pelas mães e práticas de cuidado de enfermagem durante a gestação, parto e puerpério. Consideraram-se artigos publicados de 2000 a 2025, em português ou inglês, que contribuíssem diretamente para os objetivos da revisão. A análise não incluiu artigos de opinião, resumos de anais de congressos, revisões de escopo e estudos duplicados. 

A pesquisa inicial resultou em 20 publicações. Após aplicar os critérios de elegibilidade e realizar uma leitura crítica de títulos e resumos, uma amostra final de 8 artigos foi escolhida para uma análise aprofundada. Isso possibilitou a investigação dos principais aspectos ligados ao aleitamento materno e ao papel do profissional de enfermagem. 

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS 

A análise integrativa dos artigos selecionados possibilitou uma visão crítica e detalhada da trajetória do aleitamento materno, desde a gestação até o puerpério, confirmando sua natureza multifatorial e ressaltando a importância do profissional de enfermagem. Os resultados mostram uma forte concordância com o referencial teórico, especialmente no que diz respeito aos benefícios indiscutíveis do leite materno para a saúde da criança e da mulher, como amplamente divulgado pela OMS e pelo Ministério da Saúde. 

Contudo, a análise ultrapassa a validação teórica e expõe a dificuldade da prática, na qual esses benefícios são continuamente confrontados por um emaranhado de obstáculos. Ficou claro que elementos como a percepção de baixa produção de leite, licença-maternidade curta e influências culturais familiares não agem de maneira isolada, mas estão interligados, formando um ciclo vicioso que frequentemente resulta no desmame precoce. Isso corrobora as descobertas de autores como Carreiro et al. (2018) e Peres et al. (2021). 

Um dos resultados mais relevantes desta análise é a identificação da discrepância entre teoria e prática na atuação profissional. Embora a literatura e as políticas nacionais defendam um suporte integral e humanizado, a revisão indica que muitos enfermeiros se deparam com desafios reais em sua prática, necessitando de formação específica e aprofundada para lidar com situações complexas que ultrapassam as diretrizes padronizadas. 

Esse despreparo frequentemente leva a uma assistência que não consegue considerar o contexto psicossocial único de cada nutriz, desvalorizando suas vivências e comprometendo o processo de amamentação. Assim, fica evidente que o sucesso do aleitamento não depende apenas do desejo da mãe, mas também de uma rede de apoio competente e qualificada, na qual o enfermeiro desempenha um papel essencial, embora precise de mais suporte institucional e educacional. 

Nesse contexto, as pesquisas analisadas não apenas identificam os problemas, mas também indicam soluções para superá-los, em consonância com o objetivo de propor estratégias de manejo. É evidente que intervenções isoladas não são suficientes. É imprescindível a adoção de uma estratégia multidimensional que contemple a formação continuada dos profissionais de saúde, priorizando habilidades práticas e orientação; o fortalecimento da colaboração em equipe multidisciplinar, unindo conhecimentos de enfermagem, nutrição e psicologia; e a implementação de políticas institucionais que assegurem tempo e recursos para que o enfermeiro possa oferecer um atendimento personalizado e contínuo, desde o pré-natal até o puerpério. 

Quadro 1 – Síntese dos principais achados sobre benefícios e barreiras ao aleitamento materno

Autor/Ano Principais Benefícios Identificados Principais Barreiras/Dificuldades Contribuições para a Enfermagem 
Campos et al. (2020) Proteção contra infecções e mortalidade neonatal — Incentivo ao aleitamento imediato e contato pele a pele 
Souza et al. (2021) Suprimento completo de nutrientes até os 6 meses — Orientação para evitar suplementação desnecessária 
Carreiro et al. (2018) — Pega incorreta, insegurança materna, desmame precoce Necessidade de acompanhamento especializado 
Peres et al. (2021) — Licença-maternidade curta, influência familiar negativa Capacitação de profissionais de saúde 
Guzman et al. (2024) — Dificuldades no pós-parto imediato Adoção de medidas assistenciais precoces 
Souza; Botelho; Pinheiro
(2022) 
— Barreiras culturais, socioeconômicas e demográficas Apoio integral da equipe multiprofissional 

Fonte: Elaborado pelas autoras (2025)

Em suma, esta análise demonstra que promover, proteger e apoiar o aleitamento materno requer um esforço conjunto para transformar o conhecimento teórico sólido em ações práticas e eficazes, que possam superar os obstáculos multidimensionais e realmente empoderar as mulheres em sua jornada de amamentação. 

5. CONCLUSÃO 

O estudo atual possibilitou a compreensão de que o aleitamento materno é um processo contínuo, que começa durante a gestação e se consolida no puerpério, sendo influenciado por aspectos biológicos, sociais, culturais e emocionais. Os objetivos estabelecidos foram alcançados ao identificar os benefícios da prática para mães e filhos, reconhecer os principais obstáculos que dificultam sua continuidade e enfatizar a importância do enfermeiro como agente de promoção, proteção e suporte à amamentação. 

Constatou-se que, embora haja progressos em políticas públicas e campanhas de incentivo, ainda existem obstáculos ligados à desinformação, ao retorno antecipado ao trabalho e à falta de qualificação adequada dos profissionais de saúde, elementos que impactam diretamente o desmame precoce. Mesmo assim, ficou claro que a atuação da enfermagem, quando baseada em ações educativas e apoio humanizado, é um fator crucial para o sucesso do aleitamento materno. 

A revisão de literatura, enquanto estratégia metodológica, permitiu não apenas o mapeamento do conhecimento existente, mas também a identificação de lacunas na produção científica nacional sobre o tema. Tal constatação reforça a relevância deste estudo, pois, ao contribuir para a ampliação do debate acadêmico, suscita a necessidade de desenvolver estratégias de melhoria para a prática e incentiva futuras investigações acerca do aleitamento materno e de sua complexidade ao longo do ciclo gravídico-puerperal. 

REFERÊNCIAS 

AUGUSTO, CA et al. Pesquisa Qualitativa: rigor metodológico no tratamento da teoria dos custos de transação em artigos apresentados nos congressos da Sober (2007-2011). Revista de Economia e Sociologia Rural, v. 4, pág. 745–764, fora. 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/resr/a/zYRKvNGKXjbDHtWhqjxMyZQ/abstract/?lang=pt. Acesso em 15 set. 2025. 

BRASIL. Ministério da Saúde. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2022.  

BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança: orientações para o cuidado com o aleitamento materno. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. 

BRASIL. Ministério da Saúde. Amamentação — Benefícios da amamentação. Portal GOV.BR. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-az/a/aleitamento-materno. Acesso em: 15 set. 2025 

CAMPOS, P. M. et al. Contato pele a pele e aleitamento materno de recém-nascidos em um hospital universitário. Revista Gaúcha de Enfermagem, Porto Alegre, v. 41, e20190154, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1983-1447.2020.20190154. Acesso em: 04 mar. 2025. 

CARREIRO, Juliana de Almeida. et al. Dificuldades relacionadas ao aleitamento materno: análise de um serviço especializado em amamentação. Acta Paulista de Enfermagem. 2018; 31(4): 430-8. Disponível em: https://acta-ape.org/en/article/breastfeeding-difficultiesanalysis-of-a-service-specialized-in-breastfeeding/.  Acesso em: 04 mar. 2025. 

GUZMAN, Emily Davy Suarez; SALVIANO, Eva Pereira De Sousa; MESQUITA, Vanessa dos Santos Nascimento de; LOBATO, Martina Rodrigues. Aleitamento materno: as principais dificuldades encontradas durante a amamentação no pós-parto imediato. Ciências da Saúde, v. 28, ed. 138, 23 set. 2024. Disponível em: https://revistaft.com.br/aleitamento-materno-asprincipais-dificuldades-encontradas-durante-a-amamentacao-no-pos-parto-imediato/. Acesso em: 17 set. 2025. 

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Relatório global sobre aleitamento materno: estratégias para países alcançarem metas sustentáveis. Genebra: OMS, 2021. 

PERES, Janaine Fragnan. et al. Percepções dos profissionais de saúde acerca dos fatores biopsicossocioculturais relacionados com o aleitamento materno. Saúde Debate|- Rio de Janeiro, v. 45, n. 128, p. 141-151, jan-mar 2021.  

PEREZ, R. DE V.; PRATES, L. A.; LIPINSKI, J. M.; ESCOBAL, A. P. DE L.; CREMONESE, L.; GOMES, N. DA S. Aleitamento materno na perspectiva de puérperas. Journal of Nursing and Health, v. 12, n. 1, 11 abr. 2022. Disponível em: https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/enfermagem/article/view/20400. Acesso em 18 set. 2025. 

SECRETARIA DE SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL. Agosto Dourado reforça importância do aleitamento materno e o apoio às mães oferecido no DF. Saúde DF, 2017. Disponível em: https://www.saude.df.gov.br/web/guest/w/agosto-dourado-refor%C3%A7aimport%C3%A2ncia-do-aleitamento-materno-e-o-apoio-%C3%A0s-m%C3%A3es-oferecidono-df. Acesso em: 16 set. 2025. 

SOUZA, Francisco Lucas Leandro de. et al. Benefícios do aleitamento materno para a mulher e o recém-nascido. Research, Society and Development, v. 10, n. 2, e12710211208, 2021.  

SOUZA, Camila Silva; BOTELHO, Leandro de Souza; PINHEIRO, Sérgio José Ribeiro. A importância dos cuidados de enfermagem na amamentação: uma revisão integrativa. Research, Society and Development, [S. l.], v. 11, n. 14, p. e424111436664, 2022. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/36664. Acesso em: 08 set. 2025. 

SOUZA, M. T. DE.; SILVA, M. D. DA.; CARVALHO, R. DE. Integrative review: what is it? How to do it?. einstein (São Paulo), v. 8, n. 1, p. 102–106, jan. 2010. 

SOUZA, Luciana Karine de. Pesquisa com análise qualitativa de dados: conhecendo a Análise Temática. Arquivos Brasileiros de Psicologia. Rio de Janeiro, v. 71, n. 2, p. 51-67, 2019.   Disponível em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S180952672019000200005&lng=pt&nrm=iso . Acesso em 24 set. 2025. 

UNICEF. Investir na amamentação: os retornos econômicos e sociais. Nova York: Fundo das Nações Unidas para a Infância, 2021. Disponível em: https://www.unicef.org/media/95131/file/breastfeeding-family-friendly-policies-pt.pdf. Acesso em: 22 de maio de 2025. 


1Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade da Amazônia- Unama.
e-mail: del1869pvh@gmail.com
2Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade da Amazônia- Unama.
e-mail: milianemagosso2025@gmail.com
3Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade da Amazônia- Unama.
e-mail: kassiafran32@gmail.com;
4Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade da Amazônia- Unama. E-mail: kassiafran32@gmail.com;