AGREGADO RECICLADO NA CONSTRUÇÃO CIVIL: UM ESTUDO DE CASO NA RECICLAGEM DE RESÍDUOS DA CONTRUÇÃO CIVIL EM UMA USINA LOCALIZADA NO MUNICÍPIO DE AQUIRAZ-CE.

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202507271120


Alquimim de Oliveira Freitas
Orientador: Prof. Dr. José Bruno Rego de Mesquita


RESUMO 

O setor da construção civil é responsável pelo grande consumo de recursos naturais  provenientes de fontes não-renováveis, tendo grande importância para o  desenvolvimento econômico e social no Brasil, além de ser um dos grandes geradores  de resíduos, cerca de 75% de tudo o que é extraído do meio ambiente. os resíduos  gerados têm como destinação principal as usinas de tratamento, que são de  responsabilidade direta de quem o produz, responsável por contratar transporte  adequado para transportar os resíduos até a usina de reciclagem, que são regulados  pelos órgãos públicos, esses sendo responsáveis indiretos. O estudo em questão teve  por objetivo geral avaliar a transformação do entulho da construção civil em solo brita  e rachão. Para isso foi feito um estudo de caso na empresa. Foi realizada a caracterização da empresa em análise, área de estudo e uma análise investigativa (in  loco) para acompanhamento e eficiência dos métodos de classificação,  caracterização, reutilização, aplicabilidade do agregado reciclado da construção civil com uma pesquisa exploratória. Os resultados foram obtidos a partir da análise e  classificação dos resíduos das classes A e B da empresa. 

Palavras-chave: Construção civil. Usina. Reciclado. Resíduo. 

ABSTRACT 

The civil construction sector is responsible for the large consumption of natural  resources from non-renewable sources, having great importance for the economic and  social development in Brazil, in addition to being one of the great generators of waste,  about 75% of all that is extracted from the environment. The waste generated is mainly  destined for the treatment plants, which are the direct responsibility of the producer,  responsible for hiring suitable transport to transport the waste to the recycling plant,  which are regulated by public agencies, which are indirectly responsible. The study in  question had the general objective of evaluating the transformation of civil construction  rubble into gravel and cracked soil. For this, a case study was done at the company.  The company under analysis was characterized, the study area and an investigative  analysis (in loco) for monitoring and evaluating the effectiveness of the main methods  of classification, characterization, reuse, applicability of recycled aggregate from civil  construction with an exploratory research. The results were obtained from the analysis  and classification of the company’s class A and B residues. 

Keywords: Civil construction. Power plant. Recycled. Residue.

1. INTRODUÇÃO 

A construção civil é um ramo que tem grande importância no desenvolvimento  nacional, é responsável por movimentar cerca de R$ 280 bilhões de reais anuais no  quais se dividem em três grandes segmentos: construções de edifícios, obras de  infraestrutura e serviços especializados. Responsável ainda por promover cerca de  1,9 milhões de empregos no Brasil, segundo Pesquisa Anual da Indústria da  Construção Civil – PAIC 2017 que foi divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia  e Estatística (IBGE, 2017).  

De acordo com Matos (2015), setor da construção civil é responsável pelo  grande consumo de recursos naturais provenientes de fontes não-renováveis, tendo  grande importância para o desenvolvimento econômico e social no Brasil, além de ser  um dos grandes geradores de resíduos, cerca de 75% de tudo o que é extraído do  meio ambiente. É também, entre todas as atividades produtivas, o maior gerador de  resíduos, sendo responsável por cerca de 60% do total produzido nas cidades  brasileiras.  

Os resíduos sólidos oriundos da construção civil ainda não revelam uma gestão  considerada de forma correta e que esteja 100% dentro da legislação. Dessa maneira,  acontece uma enorme produção e descarte, sem passar pela reciclagem, de grandes  quantidades dos Resíduos da Construção e Demolição (RCD), superando a produção  de resíduos domésticos, por exemplo, acarretando, o maior consumo das matérias  primas existentes e a maior geração de RCD sem que haja o seu tratamento e a sua  reutilização.  

De acordo com Figueiredo e Vargas (2016), a busca por soluções para a  destinação adequada e reuso de resíduos sólidos da construção civil, com objetivo de  reduzir os problemas ambientais causados por eles, é crescente, pois, perdas de  materiais e desperdícios é algo que está ligado diretamente a esse setor. A verdade  é que as perdas na construção civil são grandes se comparadas a outros setores, com  a necessidade de suprir o déficit habitacional através de novas construções e  reformas, a geração desses resíduos tem se dado em grandes volumes. 

De acordo com Karpinski et al (2009, p.11), “A indústria da construção civil é responsável por impactos ambientais, sociais e econômicos consideráveis, em razão  de possuir uma posição de destaque na economia brasileira”. Vale ressaltar que cerca  de 50% a 70% em média dos resíduos produzidos nos municípios são provenientes da construção civil e que desta parcela cerca de 75% são de serviços informais, e isto  representa cerca de 0,4 a 0,76 toneladas habitantes/ano no Brasil.  De acordo com Novaes; Morão, (2008), no Ceará, há uma geração mensal com  cerca de 92 mil toneladas de lixo urbano, sendo a construção civil responsável direto  53% desse montante o que equivale 49 mil toneladas por mês somente em sua capital  e que produz cerca de 702 toneladas de resíduos da construção e demolição por dia,  o que equivale a 0,11 t./hab./ano que, porém, não leva em consideração os resíduos que são descartados de maneira irregular que no Ceará esta taxa é elevada. Com isto, a consciência ambiental tem que estar presente não somente na vida  de cada indivíduo, mas também implantado na cultura das empresas modernas,  O que inclui o ramo da construção civil, pois são causadoras dos maiores  impactos ambientais e, devem ter políticas cada vez mais voltadas para os 3R’s:  redução, reutilização e reciclagem. Pensando nisso, a construção civil começa a  pensar em formas de fazer o melhor uso de matérias primas e a adequada gestão de  seus resíduos, colocando em pauta dois pilares a serem abordados. Reaproveitamento de resíduos e rentabilidade do negócio (MENDONÇA et al., 2014). O objetivo deste estudo é avaliar a transformação do entulho da construção  civil em solo brita e rachão. 

1.1 OBJETIVO GERAL 

Avaliar a transformação do entulho da construção civil em solo brita e rachão. 

1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

⇒ caracterizar e classificar os resíduos proveniente da construção civil que chegam na empresa; 

⇒ quantificar o total de resíduos sólidos da construção civil descartado na  empresa; 

⇒ Quantificar o rachão e solo brita que é vendido pela empresa. 

2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 

2.1 RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL 

De acordo com Morand (2016), é considerado resíduos sólidos da construção  civil pela Política Nacional de Resíduos Sólidos aqueles gerados nas construções,  reformas, reparos e demolição de obras, incluindo a preparação e escavação de  terrenos.  

O autor ainda afirma que a Resolução 307 do CONAMA dá uma descrição  mais detalhada dos resíduos sólidos de construção e demolição (RCD), definindo que  os resíduos da construção civil são “os provenientes de construções, reformas,  reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e  da escavação de terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral,  solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros,  argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação  elétrica etc., comumente chamados de entulhos de obras, caliça ou metralha”.  

De acordo com Ribeiro (2013), o resíduo da construção compõe-se de restos  e fragmentos de materiais, já os de demolições são formados apenas por fragmentos  tendo assim maior potencial qualitativo quando comparado aos resíduos de  construção.  

De acordo com Silva, Santos e Araújo (2017), Os Resíduos Sólidos da  Construção Civil (RCC) vem sendo alvo de grande preocupação e discussões, por ser  um setor de intensa geração de resíduos, representando de 51% a 70% dos resíduos  sólidos urbanos, e pela inexistência de áreas de transbordo, de triagem e de usinas  para reciclagem na maioria dos municípios brasileiros. 

2.2. RESÍDUOS SÓLIDOS DE ACORDO COM A CLASSIFICAÇÃO  

De acordo com Ribeiro (2013), uma classificação mais adequada para os  resíduos da RCD dada pela Resolução CONAMA n° 307 (BRASIL, 2002), alterada  pela Resolução, classifica os RCD em quatro classes. Após as revisões de 2004, que  inseriram o amianto como material perigoso (Classe D) e 2011 que mudou a  classificação do gesso (de Classe C para Classe B), a Resolução 307 fornece a  seguinte classificação:  

I – Classe A – São os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, tais  como:  

a) de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras  obras de infraestrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem; 

b) de construção, demolição, reformas e reparos de edificações: componentes  cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento etc.), argamassa e concreto; 

c) de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em  concreto (blocos, tubos, meio-fios etc.) produzidas nos canteiros de obras; 

II – Classe B – São os resíduos recicláveis para outras destinações, tais como: 

a) Plásticos, papéis, papelão, metais, vidros, madeiras e gesso (redação dada  pela Resolução no 431/11);  

b) III – Classe C – São os resíduos para os quais não foram desenvolvidas  tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitas a sua  reciclagem ou recuperação;  

c) IV – Classe D – São resíduos perigosos oriundos do processo de construção,  tais como: a) Tintas, solventes, óleos e outros ou aqueles contaminados ou  prejudiciais à saúde oriunda de demolições, reformas e reparos de clínicas  radiológicas, instalações industriais e outros, vem como telhas e demais  objetos e materiais que contenham amianto ou outros produtos nocivos à saúde. (Redação dada pela Resolução no 348/04).  

De acordo com Santos (2016), a origem proposta pela SWANA (The Solid  Waste Association of North America, é de grande importância para a quantificação do  que está sendo gerado, tendo em vista que o mesmo procedimento de quantificação  não pode ser aplicado em qualquer lugar, cada país, cada região tem seus métodos,  seus materiais, suas técnicas de construção e isso não pode ser deixado de lado na  hora da quantificação.  

Conforme explica Santos (2016), a madeira é um material de grande utilização  em países como Japão e Estados Unidos, já́ no Brasil e na Europa ela não é utilizada  com a mesma frequência, o Gesso tem grande participação nas construções Norte  Americanas e nas Europeias e somente agora está sendo mais utilizada no Brasil.  Assim como em países frios a utilização de pavimentos rígidos em obras de  infraestrutura rodoviária é mais comum.  

Desse modo, segundo o autor a classificação proposta pela SWANA é a  seguinte:  

⇒ Material de obras várias;  

⇒ Material de escavação;  

⇒ Demolição de edificações;  

⇒ Construção e renovação de edifícios;  

⇒ Limpeza de terrenos. 

Os resíduos provenientes da construção civil conforme o Art. 3° da  Resolução N° 307 do Conselho Nacional do Meio Ambiente CONAMA, de acordo  com a classificação e destinos estão descritos no Quadro 01 adaptada pelo autor. 

Quadro 1 – RCD de acordo com a CONAMA – Classes e Destinos.

FONTE: Ferreira (2013).

De acordo com Ferreira (2013), os planos de gerenciamento dos resíduos  segunda a Resolução CONAMA no 307/02 devem constar: 

⇒ as diretrizes técnicas e procedimentos para o Programa Municipal de  Gerenciamento de RCD, e para os projetos de gerenciamento de RCC a serem  elaborados pelos grandes geradores; 

⇒ o cadastramento de áreas, públicas ou privadas, aptas para o recebimento,  triagem e armazenamento temporário de pequenos volumes, em conformidade  com o porte da aérea urbana municipal, possibilitando a destinação posterior  dos resíduos oriundos de pequenos geradores às áreas de beneficiamento; 

⇒ o estabelecimento de processos de licenciamento para as áreas de beneficiamento e  de disposição final de resíduos;  

⇒ a proibição da disposição dos RCC em áreas não licenciadas;

⇒ o incentivo à reinserção dos resíduos reutilizáveis ou reciclados em cada ciclo  produtivo; 

⇒ a definição de critérios para o cadastramento de transportadores; 

⇒ as ações de orientação, de fiscalização e de controle dos agentes envolvidos; 

⇒ as ações educativas visando a reduzir a geração de resíduos e a possibilitar a sua  segregação.  

A Figura 1 mostra alguns tipos de resíduos sólidos das classes A, B, C e D. da  construção civil 

Figura – 1 Alguns tipos de resíduos da construção civil

FONTE: Ruediger (2017).

Dada esta classificação torna-se formalizada a forma como os resíduos da  construção civil devem ser tratados de maneira qualificada e dispostos a encarar esta  questão com a seriedade que a matéria exige, a sua destinação também é abordada  na mesma resolução n°307 do CONAMA.  

2.3 CLASSIFICAÇÃO DE RESÍDUO SÓLIDO RESOLUÇÃO CONAMA N° 307 (BRASIL,  2002) 

Atualmente no Brasil existente algumas legislações que abordam o tema,  segundo Scalone (2013), um dos destaques sendo a resolução n°307/2002 do  CONAMA e a PNRS, este primeiro que teve uma atualização importante pela  resolução 348/2004 que intitula como o gerador o responsável direto pelo  gerenciamento dos resíduos sólidos. Embora em grande parte de suas legislações  sejam recentes, o tema começou a ser tratado pela lei 6.938/81 que foi a que instituiu  o CONAMA e denominou suas atribuições e organizações. 

Ainda de acordo com Scalone (2013), os resíduos devem ser destinados  segundo sua classificação na Resolução CONAMA No 307 (BRASIL, 2002):

⇒ NBR 8.419/1992 – Apresentação de projetos de aterros sanitários de resíduos  sólidos urbanos.  

⇒ NBR 12.235/1992 – Armazenamento de resíduos sólidos perigosos. 

⇒ NBR 13463/1997 – Coleta de resíduos sólidos.  

⇒ NBR 15.112/2004 – Resíduos da construção civil e resíduos volumosos – Áreas  de transbordo e triagem – Diretrizes para projeto, implantação e Operação. 

⇒ NBR 15.113/2004 – Resíduos sólidos da construção civil e resíduos inertes – Aterros – Diretrizes para projeto, implantação e operação.  

⇒ NBR 15.114/2004 – Resíduos sólidos da construção civil – Áreas de reciclagem  – Diretrizes para projeto, implantação e operação. 

Scalone (2013), ainda afirma que, muitas normas técnicas estão sendo  revisadas e outras ainda estão sendo elaboradas, pois não havia nenhuma norma  específica anteriormente, como a relativa à destinação de gesso e seus subprodutos. 

A Lei no 12.305/10, que institui a PNRS é utilizada no âmbito nacional para  enfrentar os problemas ambientais pelos usos inadequados dos resíduos e no estado  do Ceará o assunto é interpelado pela lei 16.032/2016 que instituiu a política estadual  de resíduos sólidos no âmbito estadual e em âmbito municipal é a lei 948/2011 que  dispõe sobre a política ambiental do município de Aquiraz-CE.  

2.4 GESTÃO DOS RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL  

Batista (2011) define Gestão dos Resíduos Sólidos da Construção e da  Demolição (RCD) um processo administrativo e funcional que engloba os seus  responsáveis diretos e indiretos da geração dos resíduos que são direcionados por  meio de legislações, normas e resoluções que regulamentam o assunto desde sua  triagem, destinação final, reciclagem e reutilização destes após passar pelo  tratamento adequado em usinas especializadas.  

Considerando que a geração de RCC ainda tem índices elevados, segundo a  literatura e que em sua maioria são dispostos por obras informais, levando assim os  aterros a sua capacidade máxima, o que diminui sua eficiência e finda sua utilização  e que os valores de destinação por conta de serviços de coleta e transporte veem  aumentando, são cada vez mais importantes à reciclagem e o reaproveitamento do  RCC, que traz inúmeros benefícios (GOBATO; COSTA; ROOHM, 2013). 

Segundo reportagem do Jornal Nacional (2015), somente uma a cada cinco  obras no Brasil tem seus resíduos reciclados, com um montante que gira em torno de  84 milhões de metros cúbicos de resíduos por ano e somente 17 milhões desta parcela  é reaproveitada, o que representa somente 20% do montante total. Na época foi  percebido que as usinas poderiam reaproveitar ainda mais, pois dispõem de  tecnologia capaz disso, por outro lado precisavam eliminar barreiras culturais  existentes no país que veem como o produto reaproveitado como de menor qualidade.  Contudo, já existem mais de 310 usinas espalhadas pelo Brasil, e a perspectiva é que  este número aumente ainda mais, pois há muito que se aproveitar o que torna o este  mercado interessante aos olhos de investidores.  

De acordo com Karpinski (2009), gestão dos resíduos da construção e  demolição é de suma importância e torna-se imprescindível visto que recursos  naturais são escassos e limitados, portanto, descartar de maneira correta os resíduos  destinando-os às usinas especializadas promovem a minimização dos impactos  ambientais e que consequentemente evitam medidas emergenciais corretivas quando  os resíduos foram destinados e tratados de maneira errônea. 

Os entulhos de obras estão compostos principalmente por argamassa, concreto  e blocos que representam 92% da composição total. Um dos problemas destes  entulhos se dá pelo seu elevado peso e o consumo de muito espaço. Durante as obras  seu acondicionamento é feito em contêineres metálicos que variam entre 4 e 5 m3.  Surgem então dois objetivos, primeiro a redução do volume total dos entulhos  produzidos e conseguinte reutilizar da melhor forma os gerados (IBAM, 2001).  

De acordo com Ibam (2001), é necessário mesmo sob condições específicas a  implantação de novas usinas que façam a reciclagem desses resíduos, que devem  observar fatores como densidade populacional, obtenção de agregados naturais e  níveis de industrialização e que devem estar localizadas em ambientes centrais que  facilitem a redução de custos do produto final e que devem atentar as seguintes  condições.  

A lei 16.032/2016 diz em seu Art. 9 “Na gestão e gerenciamento de resíduos  sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução,  reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final  ambientalmente adequada dos rejeitos”. Ainda segundo esta lei ficam sujeitos a  elaboração de plano de gestão de resíduos sólidos as empresas de construção civil e  que estão proibidas a destinar seus resíduos em praias, mar ou corpos hídricos,  lançamentos in natura a céu aberto, queima a céu aberto ou em recipientes e lançamentos cujo tratamento ambiental não tenha sido observado dispostos no que  se entende nos art.20 e 52.  

O Quadro 2 mostra que, após o tratamento feito pelas usinas dos resíduos, há algumas possibilidades para a reutilização do mesmo conforme ABRECON (2019),  

Quadro 02 – Possibilidades para reciclagem dos resíduos e suas vantagens

FONTE: Ferreira (2013).

Reciclagem de entulho propõe soluções para os materiais que são  inevitavelmente perdidos. Esta medida permite a reutilização de matérias primas,  diminuindo a demanda por mais matéria, bem como a redução do consumo energético  na extração, além de proteger o meio ambiente.

Atualmente ainda existem lacunas de informação sobre as características,  quantidades, ou destino final dos diferentes resíduos provenientes das várias obras  que ocorrem em nosso País, o que dificulta a opção por melhores estratégias de  políticas de gestão para este tipo de resíduo. Este resíduo possui normas para seu  manejo, utilização e impactos ambientais de sua reciclagem.  

3. MATERIAIS E MÉTODOS 

3.1 DESCRIÇÃO DA EMPRESA 

A empresa é uma usina de resíduos sólidos reciclável da construção civil, está localizada na cidade de Aquiraz-Ce. Funciona em horário comercial, conta com a  colaboração de oito funcionários e dois diretores, dois operadores de escavadoreira hidráulica, um operador de pá mecânica, um operador de britador, dois serventes, um  auxiliar administrativo e um gerente. 

Foi realizada a caracterização da empresa em análise, e a área de estudo,  também foi realizada uma análise investigativa (in loco) para acompanhamento e  eficiência dos métodos de classificação, caracterização, reutilização, aplicabilidade do  agregado reciclado da construção civil na empresa. A pesquisa foi exploratória. 

Utilizou-se a amostra intencional, com a estratégia de definir e escolher os  casos que melhor se incluem e poderão contribuir para a pesquisa, podendo assim se  chegar a amostras satisfatórias para a necessidade do trabalho.  

Em função da pandemia a empresa teve uma redução no fornecimento de  material, por tanto, decidiu-se fazer o estudo através de coleta dos dados referente ao  ano de 2019.  

A coleta de dados da classificação e volume referente aos agentes geradores  e coletores de RCD, foram colocados em uma tabela (Tabela 4). Também foi feita a  tabela 5 com resultados das vendas do material reciclado correspondente ao ano de  2019. 

Para realizar a caracterização qualitativa dos RCD, usou-se o método de  amostragem da NBR 10007 (ABNT, 2004), através de amostragem, baseada na  seleção aleatória de todo RDC gerado pela empresa no ano 2019 provenientes de obras de diferentes locais. Com o volume total de cada amostragem representativa da  composição dos RCD, realizou-se a segregação e a classificação dos materiais,  determinando o peso dos resíduos. 

4.2 PROCESSOS DE RECICLAGEM DA EMPRESA 

Os procedimentos adotados pela empresa são simples e consistem em uma aplicação prática e metódica da maioria do resíduo que é recebido, que chegam  das obras por meio de caminhões basculantes trucados. São processados cerca de  70 mil m³/ano de resíduos. Esses resíduos que chegam à usina são de forma geral  advindos de obras próximas, em suma são argamassas, blocos de concreto, madeira,  ferro, plástico. Por obter materiais que não fazem parte do processo de tratamento, é feita a limpeza e separação de materiais, os ferros e plásticos são vendidos para  empresas de reciclagem, e as madeiras são vendidas para indústria de cerâmica. As  bases de concreto, blocos e tijolos cerâmicos seguem o processo de reciclagem.  

A empresa faz treinamentos frequentemente com colaborados fazendo  palestras simples ministradas por instrutores capacitados. 

Esse tipo de atitude mostra que a empresa se preocupa em preparar o  colaborador para assumir funções que exigem um pouco mais de cuidado.  A empresa recebe na maioria dos casos os resíduos armazenados em  caminhões basculantes, todos com licença para transportar esse tipo de material  (Figura 2) recebendo por isto um valor pré-determinado em dinheiro. Esses resíduos  chegam misturados conforme. 

Figura 2 – Resíduos provenientes da construção civil

FONTE: Elaboração pelo autor 2020.  

Logo após esta chegada, ocorre uma separação feita por funcionários da  empresa que encaminham o resíduo para a primeira seleção, onde há a separação dos  resíduos por classe.

Por obter materiais que não fazem parte do processo de tratamento, é feita  limpeza e separação de materiais, conforme visto (Figura 03) os ferros, madeira e  plásticos são vendidos, e as bases de concreto seguem o processo de reciclagem. 

Figura 3 – Processo de separação de resíduos 

FONTE: Elaboração pelo autor (2020)

Após esta primeira etapa, o resíduo classe A é enviado para a última seleção  onde tem a separação em areia, solo, e um material grosseiro. O material grosseiro é utilizado basicamente como berço de construções e para terraplanagem, que vem a  ser outro trabalho oferecido pela empresa, já́ os resíduos de madeira são vendidos  em sua totalidade para uma empresa que faz a queima em caldeira para obtenção de  tijolos cerâmicos e telha.  

Os bases de concreto inicialmente possuem tamanho médio de cerca de 100  cm o que não é ideal para a britadeira da usina, então são britados pela  retroescavadeira com um martelo rompedor na ponta no lugar da concha e após atingir  tamanho entre 40 e 50 cm são levados para britadeira conforme visto. (Figura 04).

Figura 4- Processo de britagem de blocos de concretos e argamassa

FONTE: Elaboração pelo autor (2020)

Após a britagem, o material é novamente revisto por um funcionários para  retirar possíveis impurezas que ainda se encontrem no material e após a limpeza é devidamente separado, para a finalização do processo, conforme visto (Figura 05). 

Figura 05 – Finalização do processo do material reciclado

FONTE: Elaboração pelo autor 2020

Após o processo anterior se denomina solo brita e/ou bica corrida, ao qual já se encontra apto ao uso e que serão postos à venda e poderão ser usados como  agregado não estrutural e em pavimentação (Figura 06).  

Figura 06 – Produto final reciclado (solo brita e/ou bica corrida)

FONTE: Elaboração pelo autor

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO  

Mensalmente, a usina recebe cerca de 7.000 m3 de resíduos e cobra R$ 10,00  por m³ para receber os resíduos que passam por todo procedimento explicado na  metodologia, e que por fim são postos à venda como material reciclado com preço  inferior aos materiais convencionais. Não tem um valor certo de vendas por mês já  que as vendas sofrem uma variação de acordo com a necessidade. 

A venda de material conforme o Quadro 5 é quantificado, pois o mesmo é utilizado tanto para venda quanto para os trabalhos desenvolvidos pela empresa  relacionados a terraplanagem, mas esta visa buscar cada vez mais um controle  quantitativo para que futuramente possa expressar seus resultados como exemplo na  reciclagem e utilização dos RCC.  

No período referente ao ano de 2019, foi analisado através de Quadros a  transformação do entulho em bruto e rachão, caracterizado e classificado os resíduos  que chegam na empresa, bem como foi quantificado o total de resíduos descartados  na empresa. 

Quadro 3 – Classificação dos resíduos sólidos gerados na empresa

FONTE: Elaboração pelo autor (2020)

No cenário visto na empresa, pode-se perceber que em relação à segregação  do RCC, é fundamental que os materiais sejam separados em classes, pois não  podem ficar misturados para não dificultar o tratamento, a reciclagem, o transporte, a  qualidade e o destino final ambientalmente adequado aos resíduos produzidos.  

O Quadro 3 representa a caracterização e classificação dos resíduos sólidos  produzidos na empresa que, por ser uma empresa ainda de pequeno porte, só produz material das classes A e B. Os resíduos produzidos pela classe A são triados em baias  ou reservatórios para depois ser reutilizados em obras como forma de regularização e de sub-base da pavimentação do terreno, pois o RCC é produzido com diversas  granulometrias e para que esse material possa ser usado para tal finalidade se utiliza  de um triturador de entulho.  

Fazem parte da classificação A da empresa os resíduos de demolição que são  os blocos de concreto, tijolo cerâmico, tijolo branco, entre outros. Também da  classificação A temos os resíduos de pavimentação que são: Asfalto, Calçadas,  Blocos intertravados, entre outros. 

Os resíduos de demolição da classe B são: cobre, ferro, PVC e madeira. Todo  esse material é retirado do entulho que chega na usina. Esses resíduos são vendidos  para empresas que reciclam ou reutilizam esses materiais. A madeira é vendida para  uma empresa que se utiliza desse material como combustível para fornalhas, o ferro  é vendido para empresas de sucata. Nesse contexto, os resíduos gerados pela classe  B ao invés de gerar despesas, geram lucros com a venda desses insumos e o valor  arrecadado pode ser utilizado. 

De acordo Noronha (2018), com dados revelados pela COOPERCON-CE em  relação as obras verticais na cidade de Fortaleza, expõe a produção de RCD em geral  como 74% de resíduos da Classe A, 10% de resíduos da classe B, 15% de resíduos  da classe C e cerca de 1% da classe D.  

Tabela 1 – Resíduos descartados na empresa no ano de 2019

FONTE: Elaboração pelo autor 2020

A tabela 1, mostra os resíduos de demolição descartados na empresa gerados  no decorrer do ano de 2019.  

Nesse cenário o ferro é o mais representativo com 20.640,0Kg/ano, ou seja,  praticamente a metade do material da demolição que chega na empresa é ferro (classe B). Com volume bem menor segue o PVC com 13.620Kg/ano, seguidos pelo  cobre com 5.000Kg/ano, madeira com 5.000Kg/ano, O alumínio é o que menos vem  nos entulhos, 600Kg/ano (classe B) pois é difícil retirar alumínio de demolição,  geralmente material de alumínio só tem as cantoneiras, esquadrias de janelas e  portas. Todo esse material é vendido para reciclagem. Esses resíduos são totalmente  possíveis de serem reutilizáveis. 

Tabela 2 -Resíduos sólidos descartados na empresa no ano de 2019.

Fonte: Elaboração pelo autor

Os resíduos de maior volume foram os de demolição (classe A) com volume  total de 65.853M³/ano, esse resultado justifica, pois a empresa trata-se de uma usina  que recebe resíduos de demolição e escavação, os resultados encontrados foram  parecidos com os encontrados no trabalho do Ribeiro (2013) que os resíduos mais  significativos na amostragem foram os de Classe A com 95,67 % da massa total.  Houve diferença no tipo de material, pois apesar do maior volume ter sido da classe  A, o material recolhido foi diferente, isso se dá porque a usina que foi feito o estudo é  pequena em relação ao trabalho comparado que foi desenvolvido em um município. 

Tabela 3 – Quantidade de resíduos vendidos na empresa no ano de 2019

FONTE: Elaboração pelo autor (2020)

A tabela 3 – mostra a quantidade em volume de resíduos solo brita e rachão,  pode-se constatar que a maior parte do volume de resíduos gerados é de solo brita  correspondendo a 17.265 m³/ano (classe A), já o rachão correspondendo a 1.992,00 m³/ano do volume total produzido. Percebe-se que a diferença entre os dois materiais  é muito representativa. Esse fato se dá porque a Prefeitura de Aquiraz faz as obras  de pavimentação através de licitação e, geralmente, a usina em questão ganha essas  licitações. 

6. CONCLUSÃO  

Neste trabalho, pode-se entender e analisar a execução da reciclagem na  empresa, mas é perceptível um nível de falhas quanto ao tratamento, referente às pesquisas e desenvolvimento do processo, o qual deveria ser bem mais cauteloso não  só nos níveis de tratamento, mas também transporte e armazenamento. A reciclagem  da empresa tenta consolidar seus processos de produção e garantia de qualidade na  busca de um mercado mais diversificado e efetivo. 

Foi representado em forma de tabela o volume de resíduos sólidos produzidos na empresa no decorrer do ano de 2019 pelas classes A e B, gerando os volumes de  65.853M³/ano para classe A e para a classe B, 44.860M³/ano.  

Percebe-se que o tema de gestão de RCC tem grande importância econômica,  social e ambiental, e que desde a instalação da usina no município já trouxe benefícios  como mudanças de visão de quem trabalha na empresa e também da região em que  a usina está localizada. Esta por sua vez segue as legislações vigentes em especial  a resolução 307 do CONAMA e a legislação local do município de Aquiraz, a lei  948/2011. 

Conclui-se que os processos da empresa em estudo atendem as legislações  vigentes, e que conta com o engajamento da maioria dos funcionários que possuem  conhecimento sobre tais legislações o que facilita a empresa em estudo a trabalhar  com a legalidade.  

Para trabalhos futuros, deixo a sugestão que enfoquem na quantidade de  usinas atuantes no estado observando o quanto de resíduos são tratados e voltam à circulação e o quanto de resíduos ainda são descartados de maneira irregular, e se  as usinas dos seus estudos estão em concordância com as legislações.  

REFERÊNCIAS 

BATISTA, J. C. J. Análise da gestão dos resíduos sólidos da construção e da  demolição (RCD’s) no município de angicos-RN. 2011. 40 f. Trabalho  de conclusão de curso (Bacharel em Ciência e Tecnologia) Universidade Federal  Rural do Semi-Árido, RN, 2011.  

DEREIRA, Ana Lúcia Costa. Gestão dos resíduos sólidos na construção civil:  um estudo de caso na REGAP. 2013. Escola de Engenharia da UFMG. Belo  Horizonte. 

SANTOS, Higor Maciel. Técnicas de gestão de resíduos da constituição civil nos  canteiros de obras com acompanhamento de uma obra em palas/TO. 2016.  Palmas-TO. 

KARPINSKI, L. A. et al. Gestão diferenciada de resíduos sólidos da construção  civil: Uma abordagem ambiental. Rio Grande do Sul: Pontifícia Universidade  Católica, 2009. Disponível em: <http://www.sinduscondf.org.br/portal/arquivos/GestaodeResiduosPUCRS.pdf>.  Acesso em: 20 nov. 2020.  

MORAND, Fernanda Guerra. Estudo das principais aplicações de resíduos de  obra como materiais de construção. 2016. Rio de Janeiro. 

NORONHA, Arthur Torquato. Análise do planejamento de gerenciamento de  resíduos sólidos de construção civil na cidade de Fortaleza-CE: estudo de  caso de um edifício multifamiliar. 2018. Fortaleza-CE 

RIBEIRO, Guimarães Carnizella. Avaliação do gerenciamento de resíduos de  construção e demolição (RCD) no município de Torres Grande do Sul. 2013.  Florianópolis, SC. 

Ruediger, André. Gestão dos resíduos na construção civil: André Ruediger.  Meio ambiente, 2020. Disponível em: diariodoepi.com/meio-ambiente/gestao-dos-residuos-na-cGestão dos resíduos na construção civil: André Ruedigeronstrucao civil/. Acesso em: 22 de nov. de 2020. 

SCALONE, Paola Arima. Gerenciamento de resíduos de construção civil:  estado de caso em empreendimentos comerciais e residenciais em Londrina/PR. 2013. Londrina/PR.


Rolar para cima