REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202507271120
Alquimim de Oliveira Freitas
Orientador: Prof. Dr. José Bruno Rego de Mesquita
RESUMO
O setor da construção civil é responsável pelo grande consumo de recursos naturais provenientes de fontes não-renováveis, tendo grande importância para o desenvolvimento econômico e social no Brasil, além de ser um dos grandes geradores de resíduos, cerca de 75% de tudo o que é extraído do meio ambiente. os resíduos gerados têm como destinação principal as usinas de tratamento, que são de responsabilidade direta de quem o produz, responsável por contratar transporte adequado para transportar os resíduos até a usina de reciclagem, que são regulados pelos órgãos públicos, esses sendo responsáveis indiretos. O estudo em questão teve por objetivo geral avaliar a transformação do entulho da construção civil em solo brita e rachão. Para isso foi feito um estudo de caso na empresa. Foi realizada a caracterização da empresa em análise, área de estudo e uma análise investigativa (in loco) para acompanhamento e eficiência dos métodos de classificação, caracterização, reutilização, aplicabilidade do agregado reciclado da construção civil com uma pesquisa exploratória. Os resultados foram obtidos a partir da análise e classificação dos resíduos das classes A e B da empresa.
Palavras-chave: Construção civil. Usina. Reciclado. Resíduo.
ABSTRACT
The civil construction sector is responsible for the large consumption of natural resources from non-renewable sources, having great importance for the economic and social development in Brazil, in addition to being one of the great generators of waste, about 75% of all that is extracted from the environment. The waste generated is mainly destined for the treatment plants, which are the direct responsibility of the producer, responsible for hiring suitable transport to transport the waste to the recycling plant, which are regulated by public agencies, which are indirectly responsible. The study in question had the general objective of evaluating the transformation of civil construction rubble into gravel and cracked soil. For this, a case study was done at the company. The company under analysis was characterized, the study area and an investigative analysis (in loco) for monitoring and evaluating the effectiveness of the main methods of classification, characterization, reuse, applicability of recycled aggregate from civil construction with an exploratory research. The results were obtained from the analysis and classification of the company’s class A and B residues.
Keywords: Civil construction. Power plant. Recycled. Residue.
1. INTRODUÇÃO
A construção civil é um ramo que tem grande importância no desenvolvimento nacional, é responsável por movimentar cerca de R$ 280 bilhões de reais anuais no quais se dividem em três grandes segmentos: construções de edifícios, obras de infraestrutura e serviços especializados. Responsável ainda por promover cerca de 1,9 milhões de empregos no Brasil, segundo Pesquisa Anual da Indústria da Construção Civil – PAIC 2017 que foi divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2017).
De acordo com Matos (2015), setor da construção civil é responsável pelo grande consumo de recursos naturais provenientes de fontes não-renováveis, tendo grande importância para o desenvolvimento econômico e social no Brasil, além de ser um dos grandes geradores de resíduos, cerca de 75% de tudo o que é extraído do meio ambiente. É também, entre todas as atividades produtivas, o maior gerador de resíduos, sendo responsável por cerca de 60% do total produzido nas cidades brasileiras.
Os resíduos sólidos oriundos da construção civil ainda não revelam uma gestão considerada de forma correta e que esteja 100% dentro da legislação. Dessa maneira, acontece uma enorme produção e descarte, sem passar pela reciclagem, de grandes quantidades dos Resíduos da Construção e Demolição (RCD), superando a produção de resíduos domésticos, por exemplo, acarretando, o maior consumo das matérias primas existentes e a maior geração de RCD sem que haja o seu tratamento e a sua reutilização.
De acordo com Figueiredo e Vargas (2016), a busca por soluções para a destinação adequada e reuso de resíduos sólidos da construção civil, com objetivo de reduzir os problemas ambientais causados por eles, é crescente, pois, perdas de materiais e desperdícios é algo que está ligado diretamente a esse setor. A verdade é que as perdas na construção civil são grandes se comparadas a outros setores, com a necessidade de suprir o déficit habitacional através de novas construções e reformas, a geração desses resíduos tem se dado em grandes volumes.
De acordo com Karpinski et al (2009, p.11), “A indústria da construção civil é responsável por impactos ambientais, sociais e econômicos consideráveis, em razão de possuir uma posição de destaque na economia brasileira”. Vale ressaltar que cerca de 50% a 70% em média dos resíduos produzidos nos municípios são provenientes da construção civil e que desta parcela cerca de 75% são de serviços informais, e isto representa cerca de 0,4 a 0,76 toneladas habitantes/ano no Brasil. De acordo com Novaes; Morão, (2008), no Ceará, há uma geração mensal com cerca de 92 mil toneladas de lixo urbano, sendo a construção civil responsável direto 53% desse montante o que equivale 49 mil toneladas por mês somente em sua capital e que produz cerca de 702 toneladas de resíduos da construção e demolição por dia, o que equivale a 0,11 t./hab./ano que, porém, não leva em consideração os resíduos que são descartados de maneira irregular que no Ceará esta taxa é elevada. Com isto, a consciência ambiental tem que estar presente não somente na vida de cada indivíduo, mas também implantado na cultura das empresas modernas, O que inclui o ramo da construção civil, pois são causadoras dos maiores impactos ambientais e, devem ter políticas cada vez mais voltadas para os 3R’s: redução, reutilização e reciclagem. Pensando nisso, a construção civil começa a pensar em formas de fazer o melhor uso de matérias primas e a adequada gestão de seus resíduos, colocando em pauta dois pilares a serem abordados. Reaproveitamento de resíduos e rentabilidade do negócio (MENDONÇA et al., 2014). O objetivo deste estudo é avaliar a transformação do entulho da construção civil em solo brita e rachão.
1.1 OBJETIVO GERAL
Avaliar a transformação do entulho da construção civil em solo brita e rachão.
1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
⇒ caracterizar e classificar os resíduos proveniente da construção civil que chegam na empresa;
⇒ quantificar o total de resíduos sólidos da construção civil descartado na empresa;
⇒ Quantificar o rachão e solo brita que é vendido pela empresa.
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL
De acordo com Morand (2016), é considerado resíduos sólidos da construção civil pela Política Nacional de Resíduos Sólidos aqueles gerados nas construções, reformas, reparos e demolição de obras, incluindo a preparação e escavação de terrenos.
O autor ainda afirma que a Resolução 307 do CONAMA dá uma descrição mais detalhada dos resíduos sólidos de construção e demolição (RCD), definindo que os resíduos da construção civil são “os provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica etc., comumente chamados de entulhos de obras, caliça ou metralha”.
De acordo com Ribeiro (2013), o resíduo da construção compõe-se de restos e fragmentos de materiais, já os de demolições são formados apenas por fragmentos tendo assim maior potencial qualitativo quando comparado aos resíduos de construção.
De acordo com Silva, Santos e Araújo (2017), Os Resíduos Sólidos da Construção Civil (RCC) vem sendo alvo de grande preocupação e discussões, por ser um setor de intensa geração de resíduos, representando de 51% a 70% dos resíduos sólidos urbanos, e pela inexistência de áreas de transbordo, de triagem e de usinas para reciclagem na maioria dos municípios brasileiros.
2.2. RESÍDUOS SÓLIDOS DE ACORDO COM A CLASSIFICAÇÃO
De acordo com Ribeiro (2013), uma classificação mais adequada para os resíduos da RCD dada pela Resolução CONAMA n° 307 (BRASIL, 2002), alterada pela Resolução, classifica os RCD em quatro classes. Após as revisões de 2004, que inseriram o amianto como material perigoso (Classe D) e 2011 que mudou a classificação do gesso (de Classe C para Classe B), a Resolução 307 fornece a seguinte classificação:
I – Classe A – São os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, tais como:
a) de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras obras de infraestrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem;
b) de construção, demolição, reformas e reparos de edificações: componentes cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento etc.), argamassa e concreto;
c) de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto (blocos, tubos, meio-fios etc.) produzidas nos canteiros de obras;
II – Classe B – São os resíduos recicláveis para outras destinações, tais como:
a) Plásticos, papéis, papelão, metais, vidros, madeiras e gesso (redação dada pela Resolução no 431/11);
b) III – Classe C – São os resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitas a sua reciclagem ou recuperação;
c) IV – Classe D – São resíduos perigosos oriundos do processo de construção, tais como: a) Tintas, solventes, óleos e outros ou aqueles contaminados ou prejudiciais à saúde oriunda de demolições, reformas e reparos de clínicas radiológicas, instalações industriais e outros, vem como telhas e demais objetos e materiais que contenham amianto ou outros produtos nocivos à saúde. (Redação dada pela Resolução no 348/04).
De acordo com Santos (2016), a origem proposta pela SWANA (The Solid Waste Association of North America, é de grande importância para a quantificação do que está sendo gerado, tendo em vista que o mesmo procedimento de quantificação não pode ser aplicado em qualquer lugar, cada país, cada região tem seus métodos, seus materiais, suas técnicas de construção e isso não pode ser deixado de lado na hora da quantificação.
Conforme explica Santos (2016), a madeira é um material de grande utilização em países como Japão e Estados Unidos, já́ no Brasil e na Europa ela não é utilizada com a mesma frequência, o Gesso tem grande participação nas construções Norte Americanas e nas Europeias e somente agora está sendo mais utilizada no Brasil. Assim como em países frios a utilização de pavimentos rígidos em obras de infraestrutura rodoviária é mais comum.
Desse modo, segundo o autor a classificação proposta pela SWANA é a seguinte:
⇒ Material de obras várias;
⇒ Material de escavação;
⇒ Demolição de edificações;
⇒ Construção e renovação de edifícios;
⇒ Limpeza de terrenos.
Os resíduos provenientes da construção civil conforme o Art. 3° da Resolução N° 307 do Conselho Nacional do Meio Ambiente CONAMA, de acordo com a classificação e destinos estão descritos no Quadro 01 adaptada pelo autor.
Quadro 1 – RCD de acordo com a CONAMA – Classes e Destinos.

De acordo com Ferreira (2013), os planos de gerenciamento dos resíduos segunda a Resolução CONAMA no 307/02 devem constar:
⇒ as diretrizes técnicas e procedimentos para o Programa Municipal de Gerenciamento de RCD, e para os projetos de gerenciamento de RCC a serem elaborados pelos grandes geradores;
⇒ o cadastramento de áreas, públicas ou privadas, aptas para o recebimento, triagem e armazenamento temporário de pequenos volumes, em conformidade com o porte da aérea urbana municipal, possibilitando a destinação posterior dos resíduos oriundos de pequenos geradores às áreas de beneficiamento;
⇒ o estabelecimento de processos de licenciamento para as áreas de beneficiamento e de disposição final de resíduos;
⇒ a proibição da disposição dos RCC em áreas não licenciadas;
⇒ o incentivo à reinserção dos resíduos reutilizáveis ou reciclados em cada ciclo produtivo;
⇒ a definição de critérios para o cadastramento de transportadores;
⇒ as ações de orientação, de fiscalização e de controle dos agentes envolvidos;
⇒ as ações educativas visando a reduzir a geração de resíduos e a possibilitar a sua segregação.
A Figura 1 mostra alguns tipos de resíduos sólidos das classes A, B, C e D. da construção civil
Figura – 1 Alguns tipos de resíduos da construção civil

Dada esta classificação torna-se formalizada a forma como os resíduos da construção civil devem ser tratados de maneira qualificada e dispostos a encarar esta questão com a seriedade que a matéria exige, a sua destinação também é abordada na mesma resolução n°307 do CONAMA.
2.3 CLASSIFICAÇÃO DE RESÍDUO SÓLIDO RESOLUÇÃO CONAMA N° 307 (BRASIL, 2002)
Atualmente no Brasil existente algumas legislações que abordam o tema, segundo Scalone (2013), um dos destaques sendo a resolução n°307/2002 do CONAMA e a PNRS, este primeiro que teve uma atualização importante pela resolução 348/2004 que intitula como o gerador o responsável direto pelo gerenciamento dos resíduos sólidos. Embora em grande parte de suas legislações sejam recentes, o tema começou a ser tratado pela lei 6.938/81 que foi a que instituiu o CONAMA e denominou suas atribuições e organizações.
Ainda de acordo com Scalone (2013), os resíduos devem ser destinados segundo sua classificação na Resolução CONAMA No 307 (BRASIL, 2002):
⇒ NBR 8.419/1992 – Apresentação de projetos de aterros sanitários de resíduos sólidos urbanos.
⇒ NBR 12.235/1992 – Armazenamento de resíduos sólidos perigosos.
⇒ NBR 13463/1997 – Coleta de resíduos sólidos.
⇒ NBR 15.112/2004 – Resíduos da construção civil e resíduos volumosos – Áreas de transbordo e triagem – Diretrizes para projeto, implantação e Operação.
⇒ NBR 15.113/2004 – Resíduos sólidos da construção civil e resíduos inertes – Aterros – Diretrizes para projeto, implantação e operação.
⇒ NBR 15.114/2004 – Resíduos sólidos da construção civil – Áreas de reciclagem – Diretrizes para projeto, implantação e operação.
Scalone (2013), ainda afirma que, muitas normas técnicas estão sendo revisadas e outras ainda estão sendo elaboradas, pois não havia nenhuma norma específica anteriormente, como a relativa à destinação de gesso e seus subprodutos.
A Lei no 12.305/10, que institui a PNRS é utilizada no âmbito nacional para enfrentar os problemas ambientais pelos usos inadequados dos resíduos e no estado do Ceará o assunto é interpelado pela lei 16.032/2016 que instituiu a política estadual de resíduos sólidos no âmbito estadual e em âmbito municipal é a lei 948/2011 que dispõe sobre a política ambiental do município de Aquiraz-CE.
2.4 GESTÃO DOS RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL
Batista (2011) define Gestão dos Resíduos Sólidos da Construção e da Demolição (RCD) um processo administrativo e funcional que engloba os seus responsáveis diretos e indiretos da geração dos resíduos que são direcionados por meio de legislações, normas e resoluções que regulamentam o assunto desde sua triagem, destinação final, reciclagem e reutilização destes após passar pelo tratamento adequado em usinas especializadas.
Considerando que a geração de RCC ainda tem índices elevados, segundo a literatura e que em sua maioria são dispostos por obras informais, levando assim os aterros a sua capacidade máxima, o que diminui sua eficiência e finda sua utilização e que os valores de destinação por conta de serviços de coleta e transporte veem aumentando, são cada vez mais importantes à reciclagem e o reaproveitamento do RCC, que traz inúmeros benefícios (GOBATO; COSTA; ROOHM, 2013).
Segundo reportagem do Jornal Nacional (2015), somente uma a cada cinco obras no Brasil tem seus resíduos reciclados, com um montante que gira em torno de 84 milhões de metros cúbicos de resíduos por ano e somente 17 milhões desta parcela é reaproveitada, o que representa somente 20% do montante total. Na época foi percebido que as usinas poderiam reaproveitar ainda mais, pois dispõem de tecnologia capaz disso, por outro lado precisavam eliminar barreiras culturais existentes no país que veem como o produto reaproveitado como de menor qualidade. Contudo, já existem mais de 310 usinas espalhadas pelo Brasil, e a perspectiva é que este número aumente ainda mais, pois há muito que se aproveitar o que torna o este mercado interessante aos olhos de investidores.
De acordo com Karpinski (2009), gestão dos resíduos da construção e demolição é de suma importância e torna-se imprescindível visto que recursos naturais são escassos e limitados, portanto, descartar de maneira correta os resíduos destinando-os às usinas especializadas promovem a minimização dos impactos ambientais e que consequentemente evitam medidas emergenciais corretivas quando os resíduos foram destinados e tratados de maneira errônea.
Os entulhos de obras estão compostos principalmente por argamassa, concreto e blocos que representam 92% da composição total. Um dos problemas destes entulhos se dá pelo seu elevado peso e o consumo de muito espaço. Durante as obras seu acondicionamento é feito em contêineres metálicos que variam entre 4 e 5 m3. Surgem então dois objetivos, primeiro a redução do volume total dos entulhos produzidos e conseguinte reutilizar da melhor forma os gerados (IBAM, 2001).
De acordo com Ibam (2001), é necessário mesmo sob condições específicas a implantação de novas usinas que façam a reciclagem desses resíduos, que devem observar fatores como densidade populacional, obtenção de agregados naturais e níveis de industrialização e que devem estar localizadas em ambientes centrais que facilitem a redução de custos do produto final e que devem atentar as seguintes condições.
A lei 16.032/2016 diz em seu Art. 9 “Na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos”. Ainda segundo esta lei ficam sujeitos a elaboração de plano de gestão de resíduos sólidos as empresas de construção civil e que estão proibidas a destinar seus resíduos em praias, mar ou corpos hídricos, lançamentos in natura a céu aberto, queima a céu aberto ou em recipientes e lançamentos cujo tratamento ambiental não tenha sido observado dispostos no que se entende nos art.20 e 52.
O Quadro 2 mostra que, após o tratamento feito pelas usinas dos resíduos, há algumas possibilidades para a reutilização do mesmo conforme ABRECON (2019),
Quadro 02 – Possibilidades para reciclagem dos resíduos e suas vantagens

Reciclagem de entulho propõe soluções para os materiais que são inevitavelmente perdidos. Esta medida permite a reutilização de matérias primas, diminuindo a demanda por mais matéria, bem como a redução do consumo energético na extração, além de proteger o meio ambiente.
Atualmente ainda existem lacunas de informação sobre as características, quantidades, ou destino final dos diferentes resíduos provenientes das várias obras que ocorrem em nosso País, o que dificulta a opção por melhores estratégias de políticas de gestão para este tipo de resíduo. Este resíduo possui normas para seu manejo, utilização e impactos ambientais de sua reciclagem.
3. MATERIAIS E MÉTODOS
3.1 DESCRIÇÃO DA EMPRESA
A empresa é uma usina de resíduos sólidos reciclável da construção civil, está localizada na cidade de Aquiraz-Ce. Funciona em horário comercial, conta com a colaboração de oito funcionários e dois diretores, dois operadores de escavadoreira hidráulica, um operador de pá mecânica, um operador de britador, dois serventes, um auxiliar administrativo e um gerente.
Foi realizada a caracterização da empresa em análise, e a área de estudo, também foi realizada uma análise investigativa (in loco) para acompanhamento e eficiência dos métodos de classificação, caracterização, reutilização, aplicabilidade do agregado reciclado da construção civil na empresa. A pesquisa foi exploratória.
Utilizou-se a amostra intencional, com a estratégia de definir e escolher os casos que melhor se incluem e poderão contribuir para a pesquisa, podendo assim se chegar a amostras satisfatórias para a necessidade do trabalho.
Em função da pandemia a empresa teve uma redução no fornecimento de material, por tanto, decidiu-se fazer o estudo através de coleta dos dados referente ao ano de 2019.
A coleta de dados da classificação e volume referente aos agentes geradores e coletores de RCD, foram colocados em uma tabela (Tabela 4). Também foi feita a tabela 5 com resultados das vendas do material reciclado correspondente ao ano de 2019.
Para realizar a caracterização qualitativa dos RCD, usou-se o método de amostragem da NBR 10007 (ABNT, 2004), através de amostragem, baseada na seleção aleatória de todo RDC gerado pela empresa no ano 2019 provenientes de obras de diferentes locais. Com o volume total de cada amostragem representativa da composição dos RCD, realizou-se a segregação e a classificação dos materiais, determinando o peso dos resíduos.
4.2 PROCESSOS DE RECICLAGEM DA EMPRESA
Os procedimentos adotados pela empresa são simples e consistem em uma aplicação prática e metódica da maioria do resíduo que é recebido, que chegam das obras por meio de caminhões basculantes trucados. São processados cerca de 70 mil m³/ano de resíduos. Esses resíduos que chegam à usina são de forma geral advindos de obras próximas, em suma são argamassas, blocos de concreto, madeira, ferro, plástico. Por obter materiais que não fazem parte do processo de tratamento, é feita a limpeza e separação de materiais, os ferros e plásticos são vendidos para empresas de reciclagem, e as madeiras são vendidas para indústria de cerâmica. As bases de concreto, blocos e tijolos cerâmicos seguem o processo de reciclagem.
A empresa faz treinamentos frequentemente com colaborados fazendo palestras simples ministradas por instrutores capacitados.
Esse tipo de atitude mostra que a empresa se preocupa em preparar o colaborador para assumir funções que exigem um pouco mais de cuidado. A empresa recebe na maioria dos casos os resíduos armazenados em caminhões basculantes, todos com licença para transportar esse tipo de material (Figura 2) recebendo por isto um valor pré-determinado em dinheiro. Esses resíduos chegam misturados conforme.
Figura 2 – Resíduos provenientes da construção civil

Logo após esta chegada, ocorre uma separação feita por funcionários da empresa que encaminham o resíduo para a primeira seleção, onde há a separação dos resíduos por classe.
Por obter materiais que não fazem parte do processo de tratamento, é feita limpeza e separação de materiais, conforme visto (Figura 03) os ferros, madeira e plásticos são vendidos, e as bases de concreto seguem o processo de reciclagem.
Figura 3 – Processo de separação de resíduos

Após esta primeira etapa, o resíduo classe A é enviado para a última seleção onde tem a separação em areia, solo, e um material grosseiro. O material grosseiro é utilizado basicamente como berço de construções e para terraplanagem, que vem a ser outro trabalho oferecido pela empresa, já́ os resíduos de madeira são vendidos em sua totalidade para uma empresa que faz a queima em caldeira para obtenção de tijolos cerâmicos e telha.
Os bases de concreto inicialmente possuem tamanho médio de cerca de 100 cm o que não é ideal para a britadeira da usina, então são britados pela retroescavadeira com um martelo rompedor na ponta no lugar da concha e após atingir tamanho entre 40 e 50 cm são levados para britadeira conforme visto. (Figura 04).
Figura 4- Processo de britagem de blocos de concretos e argamassa

Após a britagem, o material é novamente revisto por um funcionários para retirar possíveis impurezas que ainda se encontrem no material e após a limpeza é devidamente separado, para a finalização do processo, conforme visto (Figura 05).
Figura 05 – Finalização do processo do material reciclado

Após o processo anterior se denomina solo brita e/ou bica corrida, ao qual já se encontra apto ao uso e que serão postos à venda e poderão ser usados como agregado não estrutural e em pavimentação (Figura 06).
Figura 06 – Produto final reciclado (solo brita e/ou bica corrida)

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Mensalmente, a usina recebe cerca de 7.000 m3 de resíduos e cobra R$ 10,00 por m³ para receber os resíduos que passam por todo procedimento explicado na metodologia, e que por fim são postos à venda como material reciclado com preço inferior aos materiais convencionais. Não tem um valor certo de vendas por mês já que as vendas sofrem uma variação de acordo com a necessidade.
A venda de material conforme o Quadro 5 é quantificado, pois o mesmo é utilizado tanto para venda quanto para os trabalhos desenvolvidos pela empresa relacionados a terraplanagem, mas esta visa buscar cada vez mais um controle quantitativo para que futuramente possa expressar seus resultados como exemplo na reciclagem e utilização dos RCC.
No período referente ao ano de 2019, foi analisado através de Quadros a transformação do entulho em bruto e rachão, caracterizado e classificado os resíduos que chegam na empresa, bem como foi quantificado o total de resíduos descartados na empresa.
Quadro 3 – Classificação dos resíduos sólidos gerados na empresa

No cenário visto na empresa, pode-se perceber que em relação à segregação do RCC, é fundamental que os materiais sejam separados em classes, pois não podem ficar misturados para não dificultar o tratamento, a reciclagem, o transporte, a qualidade e o destino final ambientalmente adequado aos resíduos produzidos.
O Quadro 3 representa a caracterização e classificação dos resíduos sólidos produzidos na empresa que, por ser uma empresa ainda de pequeno porte, só produz material das classes A e B. Os resíduos produzidos pela classe A são triados em baias ou reservatórios para depois ser reutilizados em obras como forma de regularização e de sub-base da pavimentação do terreno, pois o RCC é produzido com diversas granulometrias e para que esse material possa ser usado para tal finalidade se utiliza de um triturador de entulho.
Fazem parte da classificação A da empresa os resíduos de demolição que são os blocos de concreto, tijolo cerâmico, tijolo branco, entre outros. Também da classificação A temos os resíduos de pavimentação que são: Asfalto, Calçadas, Blocos intertravados, entre outros.
Os resíduos de demolição da classe B são: cobre, ferro, PVC e madeira. Todo esse material é retirado do entulho que chega na usina. Esses resíduos são vendidos para empresas que reciclam ou reutilizam esses materiais. A madeira é vendida para uma empresa que se utiliza desse material como combustível para fornalhas, o ferro é vendido para empresas de sucata. Nesse contexto, os resíduos gerados pela classe B ao invés de gerar despesas, geram lucros com a venda desses insumos e o valor arrecadado pode ser utilizado.
De acordo Noronha (2018), com dados revelados pela COOPERCON-CE em relação as obras verticais na cidade de Fortaleza, expõe a produção de RCD em geral como 74% de resíduos da Classe A, 10% de resíduos da classe B, 15% de resíduos da classe C e cerca de 1% da classe D.
Tabela 1 – Resíduos descartados na empresa no ano de 2019

A tabela 1, mostra os resíduos de demolição descartados na empresa gerados no decorrer do ano de 2019.
Nesse cenário o ferro é o mais representativo com 20.640,0Kg/ano, ou seja, praticamente a metade do material da demolição que chega na empresa é ferro (classe B). Com volume bem menor segue o PVC com 13.620Kg/ano, seguidos pelo cobre com 5.000Kg/ano, madeira com 5.000Kg/ano, O alumínio é o que menos vem nos entulhos, 600Kg/ano (classe B) pois é difícil retirar alumínio de demolição, geralmente material de alumínio só tem as cantoneiras, esquadrias de janelas e portas. Todo esse material é vendido para reciclagem. Esses resíduos são totalmente possíveis de serem reutilizáveis.
Tabela 2 -Resíduos sólidos descartados na empresa no ano de 2019.

Os resíduos de maior volume foram os de demolição (classe A) com volume total de 65.853M³/ano, esse resultado justifica, pois a empresa trata-se de uma usina que recebe resíduos de demolição e escavação, os resultados encontrados foram parecidos com os encontrados no trabalho do Ribeiro (2013) que os resíduos mais significativos na amostragem foram os de Classe A com 95,67 % da massa total. Houve diferença no tipo de material, pois apesar do maior volume ter sido da classe A, o material recolhido foi diferente, isso se dá porque a usina que foi feito o estudo é pequena em relação ao trabalho comparado que foi desenvolvido em um município.
Tabela 3 – Quantidade de resíduos vendidos na empresa no ano de 2019

A tabela 3 – mostra a quantidade em volume de resíduos solo brita e rachão, pode-se constatar que a maior parte do volume de resíduos gerados é de solo brita correspondendo a 17.265 m³/ano (classe A), já o rachão correspondendo a 1.992,00 m³/ano do volume total produzido. Percebe-se que a diferença entre os dois materiais é muito representativa. Esse fato se dá porque a Prefeitura de Aquiraz faz as obras de pavimentação através de licitação e, geralmente, a usina em questão ganha essas licitações.
6. CONCLUSÃO
Neste trabalho, pode-se entender e analisar a execução da reciclagem na empresa, mas é perceptível um nível de falhas quanto ao tratamento, referente às pesquisas e desenvolvimento do processo, o qual deveria ser bem mais cauteloso não só nos níveis de tratamento, mas também transporte e armazenamento. A reciclagem da empresa tenta consolidar seus processos de produção e garantia de qualidade na busca de um mercado mais diversificado e efetivo.
Foi representado em forma de tabela o volume de resíduos sólidos produzidos na empresa no decorrer do ano de 2019 pelas classes A e B, gerando os volumes de 65.853M³/ano para classe A e para a classe B, 44.860M³/ano.
Percebe-se que o tema de gestão de RCC tem grande importância econômica, social e ambiental, e que desde a instalação da usina no município já trouxe benefícios como mudanças de visão de quem trabalha na empresa e também da região em que a usina está localizada. Esta por sua vez segue as legislações vigentes em especial a resolução 307 do CONAMA e a legislação local do município de Aquiraz, a lei 948/2011.
Conclui-se que os processos da empresa em estudo atendem as legislações vigentes, e que conta com o engajamento da maioria dos funcionários que possuem conhecimento sobre tais legislações o que facilita a empresa em estudo a trabalhar com a legalidade.
Para trabalhos futuros, deixo a sugestão que enfoquem na quantidade de usinas atuantes no estado observando o quanto de resíduos são tratados e voltam à circulação e o quanto de resíduos ainda são descartados de maneira irregular, e se as usinas dos seus estudos estão em concordância com as legislações.
REFERÊNCIAS
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