KNEE OSTEOARTHRITIS INVOLVEMENT IN SEDENTARY AND PHYSICALLY ACTIVE INDIVIDUALS: A LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511261514
Orientador: Prof. Esp. Arthur Coutinho Pacheco*
Cecília Alencar dos Santos
Claudia Valeria Fernandes Fonseca
Jéssica Maria da Silva Exaltação**
João Carlos da Rocha Inácio
Viviane dos Santos Vasconcelos
Resumo: A osteoartrite (OA) é uma doença inflamatória crônica degenerativa, caracterizada pela degeneração progressiva da cartilagem articular, acometendo em maior parte a articulação do joelho. Condição essa influenciada por fatores mecânicos, metabólicos e inflamatórios, atingindo 20% da população mundial e 70% a 80% desses indivíduos tendo mais de 65 anos. A principal diferença observada entre um paciente sedentário e um ativo com Osteoartrite de Joelho (OAJ) se encontra na progressão da doença, intensidade dos sintomas e na qualidade de vida. Enquanto o sedentarismo tende a colaborar com a aceleração do desgaste articular, aumento da dor, da rigidez e da fraqueza muscular, uma boa prática de atividade física de forma orientada é essencial para que seja possível gerenciar esses sintomas e consequentemente retardar a progressão da doença. Este trabalho tem como objetivo compreender e analisar as diferenças no acometimento de OAJ em indivíduos sedentários e fisicamente ativos destacando o papel fundamental da atividade física e da fisioterapia na prevenção, no manuseio dos sintomas e na melhora da funcionalidade. A fisioterapia, através de exercícios planejados de forma individualizada como fortalecimento e equilíbrio, tem papel importante quando se trata na redução da dor, na melhora da mobilidade e da funcionalidade ao redor da articulação.
Palavras-chave: Osteoartrite de Joelho; Sedentarismo; Atividade Física; Fisioterapia.
Abstract: Osteoarthritis (OA) is a chronic degenerative inflammatory disease characterized by the progressive degeneration of articular cartilage, primarily affecting the knee joint. This condition is influenced by mechanical, metabolic, and inflammatory factors, affecting 20% of the world’s population, with 70% to 80% of these individuals being over 65 years old. The main difference observed between a sedentary and an active patient with Knee Osteoarthritis (KOA) lies in the progression of the disease, the intensity of the symptoms, and the quality of life. While a sedentary lifestyle tends to contribute to accelerated joint wear and tear, increased pain, stiffness, and muscle weakness, a well-planned and effective physical activity routine is essential to manage these symptoms and consequently slow the progression of the disease. This study aims to understand and analyze the differences in the occurrence of osteoarthritis (OA) in sedentary and physically active individuals, highlighting the fundamental role of physical activity and physiotherapy in prevention, symptom management, and improvement of functionality. Physical therapy, through individually planned exercises such as strengthening and balance training, plays an important role in reducing pain and improving mobility and functionality around the joint.
Keywords: Knee Osteoarthritis; Sedentary Lifestyle; Physical Activity; Physiotherapy.
1. INTRODUÇÃO
A osteoartrite de joelho (OAJ) é uma doença articular degenerativa de alta prevalência, responsável pela causa de dores crônicas e limitações funcionais significativas, afetando principalmente indivíduos adultos e idosos. Sua fisiopatologia é caracterizada pela degradação de forma progressiva da cartilagem articular, inflamação sinovial, consequentemente remodelação óssea e enfraquecimento muscular periarticular. O nível de atividade física e o estilo de vida das pessoas são fatores determinantes tanto para o desenvolvimento quanto para a progressão da OAJ. O sedentarismo contribui para que ocorra a redução da força muscular e da estabilidade da articulação, além de aumentar a sobrecarga mecânica sobre os joelhos. Em contrapartida, praticar atividade física de forma regular promove benefícios metabólicos, articulares e neuromusculares o que auxilia na prevenção e no possível retardamento do avanço da doença.
Sendo assim, torna-se necessário compreender as diferenças no acometimento da OAJ em indivíduos sedentários e fisicamente ativos para que seja possível direcionar estratégias não apenas de prevenção, mas de reabilitação fisioterapêutica baseada em evidências. A literatura atual ainda carece da consolidação de dados em que seja investigada de forma simultânea os fatores de risco do sedentarismo e os benefícios da atividade física e de que forma ambos se relacionam com a qualidade de vida dos indivíduos.
Com o propósito de preencher essa lacuna, o objetivo principal do presente trabalho é de analisar o impacto do sedentarismo e da atividade física na função articular e na qualidade de vida dos indivíduos com OAJ. Para isso foram definidos os seguintes objetivos específicos:
- Investigar os fatores de risco associados ao sedentarismo no desenvolvimento e progressão da OAJ.
- Identificar os benefícios da prática de atividade física na função articular desses indivíduos e seu impacto na qualidade de vida dos mesmos.
- Descrever o papel da fisioterapia na prevenção e reabilitação da OAJ.
2. METODOLOGIA
O presente trabalho se trata de uma revisão de literatura, fundamentada a partir de publicações científicas que abordam a Osteoartrite de Joelho OAJ.
Foram realizadas buscas nas bases de dados Scielo, Pubmed, PEDro, além de consulta em livros acadêmicos. A pesquisa incluiu publicações feitas em inglês, português e espanhol, utilizando um filtro de dez anos (2015 a 2024).
Os critérios de inclusão foram artigos com texto completo disponíveis de forma gratuita; que abordassem o tema OAJ e nível de atividade física. Já os critérios de exclusão foram estudos duplicados; com amostras não humanas; que não abordassem sobre OAJ.
As buscas iniciais nas bases de dados tiveram como resultado o total de 545 artigos. Após aplicação do filtro temporal, leitura dinâmica de títulos e resumos, e processo final da seleção obteve-se como resultado o total de 12 artigos e 1 livro didático para análise completa desta revisão. A análise dos artigos considerou aspectos clínicos, funcionais e fisiológicos da OAJ entre indivíduos fisicamente ativos e sedentários. Os artigos selecionados foram analisados de forma crítica considerando os objetivos específicos desta revisão e com isso seus dados foram extraídos e comparados.
3 REFERENCIAL TEÓRICO
3.1 Fisiopatologia da OAJ
A osteoartrite de joelho é uma doença degenerativa crônica qualificada pelo desgaste gradual da cartilagem articular, ocasionando rigidez, dor e limitação de movimento. Segundo Pecora, Hernandez e Camanho (2010) as articulações do joelho são revestidas por cartilagem e o desgaste gradual pode acarretar restrição de movimentos, dor e inflamação. Relatam que a cartilagem é um tecido sem inervação e avascular, sua composição é de numerosa matriz extracelular (95%) e pouca celularidade (5%), formada por condroblastos e condrócitos. Pequena parte da matriz extracelular é formada por fibras colágenas (principalmente do tipo II) e o restante, em torno de 80%, é formada por água. Esse alto nível de hidratação faz com que a cartilagem apresente as seguintes qualidades: compressibilidade e elasticidade.
Figura 1: Efeitos da OAJ na articulação.

Fonte: Clínica Dr. Hong Jin Pai.
Os processos de catabolismo (quebra da matriz extracelular) e anabolismo (formação de novo tecido cartilaginoso) tem como consequência a degradação da cartilagem, ocasionando inflamação da membrana sinovial. Dentre as alterações advindas desse processo estão a diminuição do espaço articular e o surgimento de osteófitos. Uma das causas preponderantes que atinge a funcionalidade de adultos e idosos é a osteoartrite. Segundo Gomes Neto et al. (2015) consideram a obesidade um fator de risco importante para a osteoartrite de joelho, agravando o quadro de dor e limitação funcional. Além disso associam o sedentarismo à piora dessas condições, gerando impactos adversos na qualidade de vida dos idosos.
3.2 Fatores de risco
Como a osteoartrite de joelho é uma doença articular degenerativa crônica, a cartilagem hialina é continuamente danificada e ocorre processo inflamatório da membrana sinovial. É mais comum em mulheres e idosos. Os principais fatores de risco são: predisposição genética, membros inferiores com desalinhamento mecânico, faixa etária mais elevada, obesidade e sedentarismo. Segundo He, Zhang e Yang (2025), o sedentarismo é um fator de risco relevante para o desenvolvimento da osteoartrite em idosos, ao passo que a prática regular de atividade física demonstra efeito protetor, contribuindo para a redução de sua incidência. Esse estudo apresentou como análise final, composta por 24.738 participantes a prevalência de osteoartrite em 13,47%. Observou-se que os indivíduos diagnosticados com osteoartrite apresentaram níveis significativamente mais elevados de comportamento sedentário e em relação àqueles que exercem atividade física o número é reduzido.
Como visto, a osteoartrite de joelho é uma degeneração da cartilagem que causa dor e limitação. Sedentarismo e obesidade agravam os sintomas, enquanto o exercício físico pode ajudar na prevenção e no manejo. No aspecto fisiopatológico as alterações relacionadas à osteoartrite de joelho referem-se à desproporção entre o desgaste cartilaginoso e sua regeneração. Na degradação ocorre a quebra da matriz extracelular, ou seja, o catabolismo. Já no desenvolvimento de novo tecido cartilaginoso refere-se ao anabolismo. Quando há desequilíbrio entre o catabolismo e o anabolismo verifica-se a inflamação sinovial e degradação da matriz extracelular.
De acordo com Pecora, Hernandez e Camanho (2010) os condrócitos são células especializadas que controlam o equilíbrio do tecido cartilaginoso. Possuem capacidade de produzir os componentes da matriz e as enzimas relacionadas com a degradação. Quando ocorre uma lesão, a forma anabólica é a resposta inicial do condrócito, logo ocorre aumento dos fatores de crescimento, multiplicação celular e constituintes da matriz extracelular.
Por outro lado, também ocorre o processo catabólico, onde há o crescimento de citocinas inflamatórias e elevação da síntese de proteases. O joelho é composto por três ossos: a porção distal do fêmur, a porção proximal da tíbia e a patela. Apresenta os seguintes movimentos: varo e valgo, flexo-extensão e rotação. Nos mesmos planos também se apresenta a translação. Isso ocorre quando a tíbia se desliza linearmente para frente e para trás em relação ao fêmur. De forma diádica o livro “Artrose de joelho: gênese e soluções” expõe: “Coeficiente de atrito consiste na relação entre a força de atrito medida e a força de compressão aplicada perpendicularmente entre duas superfícies, sendo que quanto menor o seu valor, menor o atrito entre as superfícies” (Hernandez; Camanho; Pecora, 2010, p.14).
Nesse sentido, os aspectos biomecânicos os quais influenciam a osteoartrite são: enfraquecimento muscular, desalinhamentos e quando as articulações recebem carga maior do que podem suportar. Consequentemente o joelho fica sobrecarregado apressando a doença articular degenerativa. De acordo com Rodrigues e de Camargo (2015) produziram uma revisão bibliográfica com 17 artigos e indicam que o recurso fisioterapêutico mais empregado foi a cinesioterapia. Também foram utilizados outros recursos, mas em menor quantidade, tais como: plataforma vibratória, terapia manual, hidroterapia e eletroterapia. Verifica-se com esse artigo que o exercício físico é benéfico como forma de prevenir a osteoartrite e retardar a progressão da doença. Além disso, a função articular piora com o sedentarismo, aumentando o risco do indivíduo apresentar limitação funcional.
A doença tem como sintomatologia principal a dor articular acompanhada de estalo nas articulações. Durante a manhã apresenta-se momentânea rigidez, movimentos limitados além de maior volume articular. Em geral, a dor apresenta tendência de alívio no repouso e agrava quando há esforço. Verificam-se deformidades e instabilidade articular nos estágios avançados da doença. O diagnóstico é feito por meio da avaliação clínica (exame físico e histórico do paciente) e exames de imagem, principalmente a radiografia. Nesse exame é possível examinar a esclerose subcondral que ocorre quando logo abaixo da cartilagem de uma articulação – o osso endurece -, há osteófitos, ou seja, proliferação anormal do tecido ósseo ao redor de uma inflamação e estreitamento do espaço articular. Segundo Gonçalves dos Santos et al. (2020) demonstra em uma revisão de literatura que analisou intervenções fisioterapêuticas e seus efeitos na qualidade de vida de pacientes. Os resultados deste artigo demonstram a eficácia das intervenções, principalmente do exercício que reduz a dor e apresenta melhora na função articular. Isso contribui também para uma melhora na qualidade de vida.
Pessoas que sofrem de osteoartrite ficam com as atividades da vida diária extremamente restritas, tais como: ficar de pé, andar e subir escadas. Com isso a qualidade de vida do indivíduo decai bastante por causa da dor e as limitações funcionais que ela acarreta. Nesse contexto, pode ocorrer elevação dos encargos com saúde já que a pessoa com osteoartrite se afasta do trabalho mais vezes e isola-se socialmente, além de gastos com reabilitação. Como abordado por Yamada et al. (2018) em um estudo com ensaio clínico randomizado. Este estudo mostrou que exercícios de fortalecimento, marcha e equilíbrio melhoram a osteoartrite de joelho, reduz a dor e proporciona maior autonomia para o indivíduo. Esse ensaio demonstra que os exercícios estimulam a estabilidade, o controle neuromuscular e faz com que as atividades da vida diária sejam melhor desempenhadas. Consequentemente há uma diminuição do risco de quedas e o uso de serviços de saúde.
3.3 Sedentarismo e atividade física
O sedentarismo refere-se à falta total ou baixa quantidade de atividade física. Quando as atividades físicas são insuficientes prejudica o condicionamento físico e a manutenção da saúde do indivíduo. Muitas são as consequências do sedentarismo, dentre elas estão: articulação rígida e musculatura fraca. As articulações do joelho ficam comprometidas pois há diminuição da nutrição e da lubrificação. A continuidade dessas condições com o passar do tempo pode levar a problemas musculoesqueléticos e disfunções biomecânicas, aumentando a possibilidade de a pessoa desenvolver osteoartrite no joelho. Ponto importante a ser ressaltado nesse tema é a obesidade: os membros inferiores são extremamente afetados com o excesso de peso nas articulações. Grande parte da população adulta mundial é sedentária e isso pode se tornar um grande problema de saúde pública já que o indivíduo com muitas dores articulares tende a ficar incapacitado funcionalmente.
De acordo com Wang et al. (2023) em uma pesquisa feita em Changchun (2022) e destaca o sedentarismo ligado ao hábito de assistir televisão contribui para maior risco de osteoartrite. A pesquisa indica que longos períodos assistindo televisão aumenta o IMC (índice de massa corporal). Os resultados da pesquisa reforçam que a prática de comportamentos sedentários aumenta a carga nas articulações e favorece o surgimento da osteoartrite. O estudo evidencia a importância de implementar intervenções as quais tenham o objetivo de diminuir o tempo com o sedentarismo. Minimiza-se com isso os efeitos negativos nas articulações. O corpo humano produz uma lubrificação natural para as articulações com a atividade física. Assim os ligamentos e músculos ficam mais fortalecidos. A falta de atividade física acelera a elevação dos níveis de gordura corporal. Como dito anteriormente, a obesidade faz com que as articulações fiquem sobrecarregadas principalmente membros inferiores como os joelhos e quadris.
A osteoartrite surge justamente quando a cartilagem articular é desgastada. O sedentarismo, ou seja, a falta de movimentação do corpo humano diminui a nutrição natural da cartilagem e consequentemente a sua regeneração. A carga e descarga nas articulações leva à propagação dos nutrientes, sem isso acarreta articulações rígidas, inflamações, dor e efetivamente a degeneração articular.
Os benefícios fisiopatológicos da prática de atividade física em relação à osteoartrite de joelho dizem respeito à diminuição do estresse mecânico que ocorre na articulação quando há fortalecimento muscular. Nesse sentido, melhora-se a absorção da carga e a estabilidade. A produção do líquido sinovial é aumentada, melhorando a nutrição da cartilagem, reduzindo citocinas pró-inflamatórias. Esse conjunto de fatores tendem a diminuir a dor, tornam a articulação mais funcional e a doença não progride tão rapidamente. Gonçalves dos Santos et al. (2020) aborda o tema exercício físico e como os exercícios impactam positivamente no atenuamento da osteoartrite de joelho. O artigo relata melhora nos sintomas e na qualidade de vida. O estudo, no entanto, deixa claro que é necessário maior alinhamento dos métodos utilizados na intensidade e duração dos exercícios.
Figura 2: Exercícios de fortalecimento para indivíduos com OAJ.

Fonte: PEAK: Fisioterapia, Exercício e Atividade Física para Osteoartrite do joelho. Cartilha de Exercícios. Melbourne: The University of Melbourne.
3.3 Intervenções Fisioterapêuticas
A prática regular de atividade física desempenha um papel fundamental na prevenção e no manejo da osteoartrite (OAJ), especialmente por atuar em mecanismos que reduzem sobrecarga articular, melhoram a função muscular e regulam fatores metabólicos associados ao desenvolvimento da doença. Estudos recentes mostram que níveis adequados de atividade física estão associados a menor risco de OAJ, enquanto o comportamento sedentário prolongado aumenta a probabilidade de desenvolvimento da condição. Um estudo utilizando dados do NHANES e análise de randomização mendeliana identificou que a atividade física exerce efeito protetor sobre a osteoartrite, enquanto o sedentarismo apresenta uma associação causal com maior risco da doença, indicando que não se trata apenas de correlação, mas potencial influência direta no processo patológico.
Além disso, a relação entre atividade física e osteoartrite não parece ser linear. Evidências apontam que níveis muito baixos ou excessivamente elevados de atividade podem aumentar o risco, enquanto níveis moderados apresentam o maior efeito protetor. Nesse estudo, níveis moderados equivalentes a aproximadamente 550 MET·h/semana apresentaram melhor associação com redução de risco. Outro achado importante é que o benefício da atividade física tende a ser reduzido quando o indivíduo mantém altos níveis de sedentarismo, reforçando a importância não apenas de se exercitar, mas de reduzir o tempo sentado ao longo do dia.
De acordo com os artigos utilizados, pode verificar através dos resultados dos estudos como a prática de exercícios para a diminuição do risco de desenvolvimento da doença. Os exercícios possuem impacto positivo no fortalecimento muscular, principalmente pensando na faixa etária do desenvolvimento da doença. Pensando nisso, quanto antes ter uma rotina ativa é melhor para o bom envelhecimento do corpo. Além de evitar o sedentarismo e a obesidade, que também são fatores de risco para o desenvolvimento da doença (Kats, et al., 2021)
De acordo com Rocha (et. al., 2020), programas de treinamento físico focados principalmente no fortalecimento muscular (como a musculação), incluindo técnicas de exercícios de resistência aeróbicos e treinamento de equilíbrio são atividades que podem ser utilizadas para prevenir o corpo. Achado com base no estudo realizado.
Tanto comportamento sedentário elevado quanto níveis insuficientes de atividade física são modificáveis e associados ao risco de osteoartrite. Os achados de MR sugerem que a associação pode ser causal — ou seja, reduzir o tempo de sedentarismo e aumentar a atividade física pode realmente ajudar a prevenir AO. Recomenda-se que pessoas em risco de AO participem de atividade física regular e minimizem o sedentarismo (He, et. al., 2025).
Após a análise dos resultados pode-se observar que, o tratamento fisioterapêutico mais utilizado na osteoartrite de joelho foi a cinesioterapia, e em menor número foi utilizada a eletroterapia, hidroterapia, plataforma vibratória e a terapia manual (Rodrigues, et. al.,2017). Na pesquisa de Santos (et. al., 2020), o autor cita diversas outras técnicas que também podem ser utilizadas, como a Kinesio-taping, treino aquático de resistência e a promoção por meio da educação.
4. RESULTADOS
Com base na literatura analisada foi confirmado que o estilo de vida, a inatividade física e o excesso de peso são fatores modificáveis centrais que atuam quando se fala na progressão da OAJ.
Tabela1: Pesquisas encontradas.
| AUTORES | TÍTULOS | RESUMO DOS RESULTADOS |
| ALMEIDA, G. P. L. (2019) | Fortalecimento de abdutores e adutores do quadril. | O fortalecimento desses músculos do quadril melhora a função e reduz a dor em pacientes com OA de joelho. |
| MODESTO & VIEIRA (2021) | Benefícios da fisioterapia aquática em idosos. | A fisioterapia aquática melhora a função e reduz a dor em idosos com OA de joelho. |
| GOMES-NETO et al. (2016) | Comparação de capacidade funcional entre idosos obesos e não obesos. | Idosos obesos com OA de joelho apresentaram menor capacidade funcional e menor qualidade de vida em comparação com idosos não obesos com a mesma condição. |
| GONÇALVES DOS SANTOS et al. (2020) | Fisioterapia e qualidade de vida. | O tratamento fisioterapêutico (geral) tem um impacto positivo na qualidade de vida de pacientes com osteoartrose de joelho, melhorando a função e diminuindo a dor. |
| HE et al. (2025) | Comportamento sedentário, atividade física e risco de OA. | O comportamento sedentário está associado a um maior risco de OA, enquanto a atividade física está inversamente associada (diminui o risco). |
| LI et al. (2023) | Efeito causal da atividade física e sedentarismo no risco de OA (Mendelian randomization). | A atividade física tem um efeito protetor (diminui o risco), enquanto o comportamento sedentário tem um efeito causal positivo (aumenta o risco) de OA. |
| ROCHA et al. (2020) | Efeitos do exercício físico no manejo da dor (Revisão Sistemática). | O exercício físico é uma estratégia eficaz para o manejo da dor em pacientes com OA de joelho, com efeitos positivos consistentes. |
| RODRIGUES & DE CAMARGO (2015) | Tratamento fisioterapêutico na OA de joelho. | A revisão destaca que o tratamento fisioterapêutico é a principal estratégia não farmacológica para a redução da dor e melhora da capacidade funcional. |
| SANTOS et al. (2015) | Análise da funcionalidade de idosos com OA. | Idosos com OA de joelho tendem a apresentar redução na capacidade funcional, afetando a execução de tarefas diárias. |
| SILVA & DOS SANTOS (2024) | Cinesiofobia e capacidade funcional. | A cinesiofobia (medo do movimento) está negativamente correlacionada com a capacidade funcional em pessoas com OA de joelho, indicando que o medo de se mover piora a função. |
| TEIXEIRA & SANTOS (2023) | Técnicas fisioterapêuticas e terapias combinadas. | O estudo revisa e apoia o uso de diversas técnicas fisioterapêuticas e terapias combinadas para reduzir a dor e melhorar a função em pacientes com OA de joelho. |
| WANG et al. (2023) | Atividade física, sedentarismo e OA (Mendelian randomization). | Confirma que a atividade física não causa OA e, em alguns contextos, pode ser protetora, enquanto o comportamento sedentário pode aumentar o risco. |
| YAMADA et al. (2018) | Efeito dos exercícios de fortalecimento, marcha e equilíbrio. | Os exercícios de fortalecimento, marcha e equilíbrio são eficazes para o tratamento da OA de joelho, resultando em melhora na dor e na função do paciente. |
Fonte: Autores.
4.1 Fatores de Risco e Fisiopatologia
A degeneração da cartilagem é descrita como um desequilíbrio entre processos catabólicos e anabólicos, processos esses agravados pela inflamação sinovial e pela redução do trofismo articular. Já o excesso de peso corporal e a sobrecarga mecânica elevada foram identificadas como fatores que também elevam os riscos de OAJ, limitando a função articular. O estudo de Rodrigues e De Camargo (2015) quantificaram a prevalência da OAJ (13,47% em 24.738 participantes) em pessoas sedentárias em contraste com o efeito protetor observado nos indivíduos que praticam atividade física de forma regular.
4.2 Evidências de Causalidade Genética
Os estudos que fizeram uso da Randomização Mendeliana (MR) forneceram ao presente trabalho, base causal para as associações observadas entre comportamento e o risco de AO. Onde MR multivariada e univariada indica que o comportamento sedentário, em especial o tempo gasto ao assistir televisão por longos períodos, atua como fator atenuante para o aumento da probabilidade de desenvolver OAJ (Li et al., 2023). Alguns achados convergentes associaram o aumento desse tempo assistindo ao Índice de Massa Corporal (IMC) elevado, considerando assim o IMC um mediador significativo quando se fala no risco de desenvolver a OAJ. No ensaio de He, Zhang e Yang (2025) foi identificada uma ligação não linear, em formato de curva “U”, onde através de níveis moderados de atividade conferem uma proteção máxima contra OAJ, enquanto a inatividade física e também a sobrecarga de forma extrema aumenta esse risco.
4.3 Pilares e Impacto das Intervenções Fisioterapêuticas
Pensando em intervenções e manejo, a eficácia da realização de exercícios e fisioterapia, obtém resultados importantes na funcionalidade e na qualidade de vida dos pacientes, confirmadas por ensaios clínicos e revisões. As intervenções feitas de forma estruturada, pensando em, por exemplo, no fortalecimento, no equilíbrio e na marcha, são capazes de promover melhorias na estabilidade, na autonomia, diminuição da dor e até mesmo diminuindo a incidência de quedas (Yamada et al., 2018). O exercício físico é um componente robusto para o manejo da dor (Rocha et al., 2020). O trabalho realizado por Santos et al., (2020) observou que intervenções fisioterapêuticas resultam na melhoria funcional, redução da dor e impactam positivamente na qualidade de vida dos pacientes. O fortalecimento de grupos musculares específicos como, abdutores e adutores de quadril, apresentaram benefícios na redução da dor e na função do joelho (Almeida 2019), contribuindo para uma melhor distribuição de cargas e proteção articular Pecora, Hernandez e Camacho (2010).
5 DISCUSSÃO
A osteoartrite de joelho (OAJ) embora seja uma condição crônica e degenerativa, apresenta forte influência de fatores modificáveis, em especial o sedentarismo, o excesso de peso e também a baixa prática de atividade física. A fisiopatologia descrita por Pecora, Hernandez e Camacho (2010) demonstra que a degeneração da cartilagem resulta do desequilíbrio entre mecanismos catabólicos e anabólicos associada à inflamação sinovial e à redução do trofismo articular. Esse processo é agravado por comportamentos como a inatividade física e a obesidade, que elevam a sobrecarga mecânica e acabam por consequência diminuindo a nutrição articular, como relatado por Santos et al. (2020). Sendo assim, evidencia-se a importância do estilo de vida tanto no desenvolvimento quanto na progressão da osteoartrite.
Figura 3: Mapa mental.

Fonte: Autores.
A confrontação entre indivíduos sedentários e fisicamente ativos evidencia diferenças significativas na prevalência, evolução e repercussões funcionais de osteoartrite de joelho. Segundo Rodrigues e De Camargo (2015) a inatividade física está ligada a uma maior prevalência de osteoartrite (13,47% em 24.738 participantes), enquanto a prática regular de atividade física exerce um claro efeito protetor. De forma complementar, o ensaio clínico de Yamada et al. (2018) certifica que intervenções estruturadas são capazes de melhorar a autonomia, a estabilidade e a dor, além de reduzir a ocorrência de quedas. Tais resultados fortalecem a ideia que programas de exercícios devem constituir um dos fundamentos essenciais para diminuir a incidência da osteoartrite Rocha et al., (2020).
Os ensaios de randomização mendeliana (MR) demonstram a consistência dos achados epidemiológicos ao possibilitar inferências causais consistentes. O artigo de He, Zhang e Yang (2025) demonstra resultados do NHANES 2007-2020. O estudo identifica uma relação em formato de “U” entre atividade física e OA, o que que indicou que níveis moderados de prática (~550 MET-h/semana) ofereceram maior proteção, enquanto tanto a baixa atividade quanto a sobrecarga excessiva elevam o risco da doença. Já o estudo de Li et al. (2023) certifica que comportamentos sedentários – especialmente longos períodos assistindo televisão – aumentam o risco de OA, ao passo que atividades leves, como caminhar ou realizar jardinagem, apresentam efeito protetor. Ambos os vistos convergem com o estudo conduzido em Changchun, conforme citado por Wang et al. (2023), que associa o tempo assistindo televisão ao aumento do IMC e, consequentemente, a maior risco de OA. Ressalta-se o índice de massa corporal (IMC) como mediador crítico nesse processo.
Os efeitos funcionais e biomecânicos da osteoartrite de joelho também são amplamente respaldados por evidências consistentes. O trabalho de Gonçalves dos Santos et al. (2020) mostra que intervenções fisioterapêuticas reduzem a dor e melhoram a função, com efeitos consideráveis em indivíduos fisicamente ativos e mais discretos em sedentários. O Estudo Comparativo de Capacidade Funcional e Qualidade de Vida entre Idosos Obesos e Não Obesos, realizado por Santos et al. (2015), indica que o excesso de peso agrava as limitações funcionais, achado que vai de encontro com resultados de estudos mendelianos que identificam o IMC como mediador determinante da progressão da doença. No âmbito biomecânico, o livro Artrose do Joelho: gênese e soluções (Hernandez; Camacho; Pecora, 2010) descreve como desalinhamentos e fraqueza muscular aceleram a degeneração articular, enquanto exercícios de fortalecimento, como os dos músculos abdutores e adutores do quadril, demonstram efeitos positivos na dor e função do joelho (Almeida, 2019). Tais intervenções promovem melhor distribuição de cargas, aumento da produção de líquido sinovial e proteção da cartilagem. A efetividade do exercício para reduzir a dor e melhorar a função é confirmada por revisões sistemáticas. Consolida-se a cinesioterapia como um dos principais métodos de tratamento (Rocha et al., 2020).
Em síntese, as evidências observacionais, clínicas, biomecânicas e genéticas sustenta que o sedentarismo constitui um fator de risco causal e independente para a osteoartrite, sendo seu impacto agravado pela obesidade e por comportamentos passivos, como permanecer longos períodos assistindo televisão. Atividades leves e moderadas – mais eficazes do que esforços intensos – demonstram efeito protetor consistente, destacando a importância de manter níveis contínuos e sustentáveis de atividade física. Assim, indivíduos fisicamente ativos não apenas apresentam menor risco de desenvolver OA, como também apresentam melhor prognóstico funcional. Além disso, há menor intensidade de dor, maior autonomia e melhor qualidade de vida. Esses estudos reforçam a necessidade de políticas públicas e intervenções clínicas direcionadas à promoção de exercícios leves e moderados como estratégia principal na prevenção e no manejo da osteoartrite de joelho.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente revisão cumpriu com os resultados em analisar o impacto causado pelo sedentarismo e pela prática de atividade física na função articular e na qualidade de vida dos indivíduos que possuem OAJ. Os resultados demonstram como fatores de risco causais e independentes o sedentarismo e a obesidade. As evidências de randomização Mendeliana reforçam que o comportamento sedentário (em especial os longos períodos em que os indivíduos permanecem assistindo televisão) aumenta o risco da doença.
Por outro lado, a prática de atividade física de forma regular, oferece uma espécie de efeito protetor consistente. Os estudos confirmam que as intervenções realizadas de forma estruturada são muito eficazes na melhoria não apenas da função articular, mas também na redução dos quadros álgicos, no ganho de autonomia dessas pessoas, melhorando consequentemente a qualidade de vida.
Quando se trata do papel da fisioterapia, o que mais se fala é sobre a cinesioterapia e o exercício físico como os pilares centrais e primeira linha no manejo e na reabilitação de OAJ. Realizando trabalhos como o fortalecimento muscular (incluindo quadril) que são cruciais para a proteção articular e a melhoria da função.
Conclui-se que o combate ao sedentarismo e a promoção de programas de exercícios de leve a moderados são importantes estratégias para a prevenção e o manejo da OAJ, que implicam diretamente na melhoria da função física e na qualidade de vida dessa população.
Como sugestão para estudos futuros seria interessante a investigação da aderência a longo prazo de programas de exercícios de intensidade leve e moderada em diferentes faixas etárias, assim como a avaliação da efetividade de intervenções multiprofissionais focadas na redução do comportamento sedentário.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Gabriel Peixoto Leão. Efeito do fortalecimento dos músculos abdutores e adutores do quadril em pacientes com osteoartrite de joelho: um ensaio clínico aleatorizado. 2019. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo.
DOS SANTOS MODESTO, Bruna; VIEIRA, Kauara Vilarinho Santana. Benefícios da fisioterapia aquática em idosos com osteoartrose de joelho. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 7, n. 10, p. 703-718, 2021.
GOMES-NETO, Mansueto et al. Comparative study of functional capacity and quality of life among obese and non-obese elderly people with knee osteoarthritis. Revista brasileira de reumatologia, v. 56, n. 2, p. 126-130, 2016.
GONÇALVES DOS SANTOS, Cassia et al. Fisioterapia e qualidade de vida na osteoartrose de joelho. Fisioterapia Brasil, v. 21, n. 1, 2020.
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*Orientador, Professor e Especialista.
**Acadêmico do curso Fisioterapia do Centro Universitário IBMR. E-mail:. exalta.jessica@gmail.com Artigo apresentado como requisito parcial para a conclusão do curso de Graduação em Fisioterapia do IBMR. 2025.
