THE IMPORTANCE OF PHYSIOTHERAPY IN FALL PREVENTION IN THE ELDERLY: A LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511261510
Amanda Tavares Ferreira1
Elizandra de Cássia Ferreira de Oliveira2
Elivanda Ferreira Fernandes3
Ítalo Pedro de Jesus da Silva Maia4
Orientador: Wellinton da Silva e Silva5
Resumo
Introdução: O envelhecimento populacional no Brasil tem ampliado os desafios relacionados à autonomia e à qualidade de vida dos idosos, especialmente quanto à prevenção de quedas. Objetivos: Este estudo teve como objetivo analisar a importância da fisioterapia preventiva na redução desses eventos, por meio de uma revisão sistemática da literatura com publicações entre 2019 e 2025, nas bases SciELO, PubMed e LILACS. Foram incluídos artigos originais que abordaram intervenções fisioterapêuticas em idosos com 60 anos ou mais. Metodologia: Os métodos estudados demonstraram que programas estruturados de fisioterapia, baseados em exercícios de força, equilíbrio, marcha e controle postural, reduziram significativamente a incidência de quedas, o medo de cair e a perda funcional. Resultados: evidenciou-se a contribuição das novas tecnologias assistivas e do acompanhamento contínuo na promoção da autonomia e segurança. Conclusão: Conclui-se que a fisioterapia preventiva é fundamental para o envelhecimento saudável e independente, consolidando-se como estratégia essencial na promoção da saúde do idoso.
Palavras-chave: “Fisioterapia”; “idosos”; “prevenção de quedas”; “envelhecimento ativo”; “funcionalidade”.
1 INTRODUÇÃO
O envelhecimento das populações acelerou nas últimas décadas, tornando-se um fenômeno mundial e representando um dos desafios mais formidáveis enfrentados pelos sistemas de saúde. No Brasil, esse fenômeno está ocorrendo rapidamente, exacerbado por uma maior expectativa de vida e taxas de natalidade em queda, onde os perfis etários nacionais estão sendo reconfigurados. Estimativas do IBGE colocam o país em sexto lugar no mundo em número total de idosos até 2025 — cerca de 15% da população total, ou cerca de 32 milhões. O aumento da população idosa está associado a um aumento de doenças crônicas e incapacidade de funções, e as quedas não são em geral, mas são uma das principais razões para quedas, pelo menos com frequência e em grande medida. De acordo com pesquisas, os idosos com mais de 65 anos experimentam pelo menos uma queda a cada ano, onde, geralmente, no futuro, podem sofrer fraturas, serem hospitalizados e morrer. Além disso, além dos danos médicos, os eventos envolvem medo, perda de autodependência como pessoa, isolamento como pessoa, menor qualidade e tensão significativa sobre os pais, e também o sistema de saúde, levando a altos custos. Esta situação pode ou não ter sido criada devido a fatores como o processo de envelhecimento em um sentido fisiológico, o uso de vários medicamentos e fatores ambientais que podem colocar a segurança doméstica em risco. É nessa perspectiva que a fisioterapia aparece, como um método importante para auxiliar na prevenção e resposta a quedas através da manutenção da função, bem como contribuindo para a melhoria da independência. Testes físicos individualizados e treinamento de exercícios são usados pelo fisioterapeuta para sugerir exercícios que fortalecerão os músculos e aumentarão o equilíbrio e o controle postural de uma pessoa, a fim de reduzir a probabilidade de novas quedas. Além do efeito físico das intervenções, elas aumentam a autoconfiança e apoiam o envelhecimento ativo.
Embora haja evidências empíricas da eficácia do trabalho fisioterapêutico, o acesso a programas de prevenção, particularmente em comunidades que não estão equipadas, permanece limitado. Essa discrepância enfatiza a necessidade de políticas públicas que combinem fisioterapia para cuidados primários com promoção da saúde nos idosos. Portanto, este estudo foi projetado para avaliar a importância do estudo da fisioterapia na prevenção de quedas entre os idosos em termos das implicações que tem sobre a autonomia das pessoas idosas, bem como sua capacidade funcional e qualidade de vida.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 O ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO E OS FATORES DE RISCOS PARA QUEDAS
O envelhecimento da sociedade é um fenômeno mundial que se intensifica no Brasil. Segundo estimativas do (IBGE, 2022), a população idosa representava 10,9% em 2022, podendo atingir cerca de 38% até 2070 (Novaes; et al., 2023).
Esse crescimento aumenta a incidência de quedas, principal causa de morbidade e mortalidade entre idosos, com prevalência anual entre 28% e 35% na comunidade (Paiva; et al., 2021).
Os fatores de risco para quedas são classificados em intrínsecos e extrínsecos. Intrínsecos: idade avançada, fragilidade, sarcopenia, déficits de equilíbrio, polifarmácia, doenças crônicas (como diabetes mellitus tipo 2) e comprometimento cognitivo (Taguchi; et al., 2022).
No que se refere aos fatores extrínsecos: condições ambientais inadequadas, iluminação deficiente, tapetes soltos, escadas sem corrimãos, pisos escorregadios e ausência de adaptações no domicílio (Tissot; et al., 2023).
Estudos recentes também associam desnutrição, alterações no sono e perda auditiva ao aumento do risco (Nicoli; et al., 2024). Esses achados reforçam a necessidade de estratégias preventivas como exercícios multicomponentes, revisão de medicamentos, educação de cuidadores e adequação ambiental para promover o envelhecimento seguro e saudável (Dalla Lana; et al., 2021).
2.2 AS CONSEQUÊNCIAS DAS QUEDAS EM IDOSOS
As consequências das quedas em idosos podem acarretar motivos físicos, psicológicos e socias, gerando transtornos para esses indivíduos nesta faixa etária. As quedas em idosos configuram um grave problema de saúde pública devido à alta prevalência e aos múltiplos impactos físicos, psicológicos, sociais e econômicos que acarretam.
No Brasil, estima-se que cerca de 25% dos idosos residentes em áreas urbanas tenham sofrido ao menos uma queda no período de 2019 a 2021, segundo o estudo ELSI-Brasil (Brasil, 2021). Os dados fornecidos pelo Ministério da Saúde o número de óbitos por conta quedas em idosos aumentou 58,88% nos últimos 10 anos passando de 8.1775 mortes em 2013 para 13.942 em 2030, também em relação a quedas em idosos com 80 anos ou mais, esse índice pode chegar a 40% ao ano, evidenciando a relação entre envelhecimento e vulnerabilidade (Brasil, 2022).
Os acidentes com quedas em idosos podem provocar comprometimentos mais ou menos graves na vida dos idosos, e não raro podem levar a óbito mesmo a ocorrência de quedas com lesões de menor gravidade, sem risco de provocar óbito ou deixar sequelas, pode produzir impacto significativo na qualidade de vida do idoso e levar ao desenvolvimento do medo de cair (Paiva, 2021). Além das consequências físicas, a queda acarreta medo recorrente de novos episódios, o que contribui para redução da mobilidade, isolamento social, declínio funcional e depressão (Ellmers; et al., 2025).
Pesquisas e outros trabalhos científicos indicam que quedas ocasionais afetam principalmente o domínio da dor e da capacidade funcional, enquanto quedas recorrentes têm efeitos amplos sobre aspectos emocionais, sociais e de saúde mental (Pillay; et al., 2024).
As residências dos idosos mal adaptadas, o multiuso de medicamentos, a síndrome pós COVID-19 e doenças crônicas são apontados como elementos que potencializam o risco e as consequências das quedas (Silva, 2024).
Os traumas das quedas em idosos vão muito além de fraturas físicas, incluindo prejuízos funcionais, emocionais, sociais e econômicos significativos. A literatura recente evidencia a necessidade de intervenções preventivas abrangentes, que combinem estratégias de fortalecimento físico, adaptação do ambiente e acompanhamento multidisciplinar para reduzir esses impactos.
2.3 A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA NA PREVENÇÃO DAS QUEDAS EM IDOSOS
O envelhecimento populacional é um fenômeno crescente em todo o mundo, inclusive no Brasil, aumentando a incidência de problemas relacionados à mobilidade e equilíbrio. Estudos indicam que aproximadamente um terço dos idosos acima de 65 anos sofre quedas anualmente, com consequências significativas para a saúde física e psicológica (Silva; et al., 2020).
A fisioterapia como disciplina da evolução da saúde física emerge como recurso estratégico para reduzir os riscos de quedas, promovendo exercícios específicos de fortalecimento muscular, treinamento de equilíbrio, alongamento e reeducação funcional (Anjos; et al.,2024).
A atuação fisioterapêutica não apenas previne lesões, mas também melhora a qualidade de vida, a independência e a confiança dos idosos em suas atividades diárias (Raimundo, 2023).
Neste bojo, as quedas em idosos são eventos frequentes e multifatoriais, influenciados por alterações fisiológicas, doenças crônicas, uso de medicamentos e fatores ambientais. As consequências podem incluir fraturas, traumatismos cranianos e diminuição da autonomia, gerando impacto direto na qualidade de vida e aumento de custos com saúde (Parente; Livramento, 2023).
A fisioterapia preventiva se baseia em programas individualizados que combinam exercícios de resistência, equilíbrio, marcha, coordenação e funcionalidade diária. Estudos mostram que a prática regular dessas atividades reduz significativamente a incidência de quedas, além de melhorar a postura, a força muscular e a capacidade de recuperação em caso de desequilíbrios (Silva; et al., 2020).
Nesta visão, a integração de atividades lúdicas, como circuitos de exercícios e dança, favorece o engajamento do idoso, fortalecendo não apenas aspectos físicos, mas também cognitivos e emocionais que são fatores importantes para adesão ao programa.
A atuação fisioterapêutica contribui para a manutenção da autonomia e independência, permitindo que os idosos realizem suas atividades diárias com segurança. O acompanhamento contínuo auxilia na identificação precoce de déficits funcionais, prevenindo quedas e promovendo bem-estar físico e psicológico (Livramento, 2023).
A fisioterapia desempenha papel crucial na prevenção de quedas em idosos, proporcionando benefícios significativos à saúde física, emocional e social. Programas individualizados, contínuos e integrados a estratégias de promoção de qualidade de vida são essenciais para reduzir a incidência de quedas, melhorar a mobilidade e preservar a independência dessa população.
3 METODOLOGIA
Este é um artigo de revisão sistemática da literatura, cujo objetivo foi identificar estudos publicados entre julho de 2019 e outubro de 2025 sobre a importância da fisioterapia na prevenção de quedas em idosos. As buscas foram realizadas nas bases de dados SciELO, PubMed e LILACS, utilizando os descritores “fisioterapia”, “prevenção de quedas”, “idosos”, “physical therapy”, “fall prevention” e “elderly”, combinados pelos operadores booleanos AND e OR.
Foram incluídos artigos originais disponíveis em português, inglês ou espanhol, que abordaram intervenções fisioterapêuticas voltadas à prevenção de quedas em pessoas com 60 anos ou mais. Foram excluídos estudos duplicados, revisões narrativas, dissertações, teses e artigos sem acesso ao texto completo.
Após a busca, os títulos, resumos e textos completos foram analisados por dois revisores de forma independente, e os estudos selecionados foram organizados em planilha eletrônica.
De cada artigo foram extraídas informações sobre autores, ano, tipo de estudo, população, tipo de intervenção, duração, desfechos avaliados (como equilíbrio, força, mobilidade e número de quedas) e principais resultados. Os dados foram analisados de forma descritiva, destacando as contribuições da fisioterapia na redução do risco de quedas em idosos. Por utilizar apenas fontes secundárias, a pesquisa dispensa aprovação pelo Comitê de Ética, conforme a Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde.
4 RESULTADOS
O modo de identificação, seleção, elegibilidade e inclusão dos estudos foram realizados conforme as recomendações do PRISMA 2020 (Preferred Repor Ting Itens for Systematic Reviews and Meta-Analysis). Inicialmente, foram encontrados diversos artigos nas bases SciELO, PubMed e LILACS. Após a exclusão das duplicatas, procedeu-se à leitura dos títulos e resumos, sendo posteriormente realizada a leitura completa dos textos potencialmente elegíveis. Os estudos que atenderam aos critérios de inclusão compuseram a amostra final desta revisão. O fluxograma 01 apresenta de forma detalhada as etapas do processo de seleção dos artigos incluídos.
Fluxograma 1: Seleção e exclusão de artigos.

Fonte: Elaborado pelos autores, 2025.
Após a seleção dos estudos incluídos nesta revisão sistemática, foi elaborada uma síntese dos principais artigos publicados entre os anos de 2019 e 2025, com base nas bases de dados SciELO, PubMed e LILACS. Os trabalhos selecionados foram analisados de acordo com o autor e o ano de publicação, tipo de estudo, objetivo, metodologia empregada e principais resultados.
Essa etapa possibilitou identificar as evidências científicas mais relevantes sobre o tema, bem como observar a evolução das abordagens metodológicas e os avanços obtidos nas pesquisas realizadas no período. Além disso, permitiu reconhecer lacunas existentes na literatura, indicando a necessidade de novos estudos com maior abrangência populacional e metodologias padronizadas. Também se evidenciou o crescimento do uso de tecnologias assistivas e estratégias de fisioterapia preventiva voltadas à autonomia funcional dos idosos. A seguir, apresenta-se a tabela com a caracterização dos estudos incluídos.
TABELA 1: Estudo dos autores selecionados.
| AUTOR / ANO | TIPO DE ESTUDO | OBJETIVO | METODOLOGIA | RESULTADOS |
| Novaes, et al., 2023. | Este é um estudo observacional retrospectivo com abordagem quantitativa. | Trata-se de uma pesquisa retrospectiva de caráter observacional. | Abordagem quantitativa. | Observou-se um aumento das internações por acidentes de quedas no período de 2000 a 2020. |
| Paiva, et al.,2021. | Estudo transversal, de base. | Avaliar a qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) segundo a Frequência e as características das quedas em idosos. | Este é um estudo transversal, de base populacional, realizado com idosos não institucionalizados, residentes na área urbana do Município de Campinas, São Paulo. | Os resultados deste estudo evidenciam a importância de que os gestores, em ações políticas destinadas a melhorar a qualidade de vida da população idosa. |
| Taguchi, et al,2022. | Estudo clínico descritivo, transversal e analítico. | Identificar a prevalência da Síndrome da Fragilidade em idosos e suas relações com o risco para quedas. | Método: Estudo clínico descritivo, transversal e analítico. Cento e um voluntários com mais de 60 anos, foram submetidos à avaliação audiológica. | A fragilidade e pré-fragilidade foi identificada em uma parcela expressiva dos voluntários, sobretudo nos mais longevos. O equilíbrio funcional e o dinâmico se correlacionaram moderadamente com fragilidade, o que demonstrou que a Síndrome da fragilidade aumenta o risco de quedas. |
| Luzia et al. , 2019. | Estudo longitudinal e retrospectivo de 260 registros de quedas em adultos. | Descrever as características das quedas com dano de pacientes, seus fatores de risco e lesões decorrentes. | Estudo longitudinal retrospectivo, realizado em um hospital geral, de alta complexidade, privado e filantrópico do Sul do Brasil, que possui 320 leitos e acreditação conferida pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). | A maioria dos pacientes que sofreram queda com dano eram idosos (78%), do sexo feminino (55%), em tratamento clínico (68%) e desacompanhados (59,4%). As quedas ocorreram da própria altura (63,4%) e no quarto do paciente (67,3%). A gravidade dos danos foi leve em 80,8% dos casos, grave em 11,9% e moderado, 7,3%. |
| Pereira et al. , 2025. | Estudo transversal com 400 idosos. | Avaliar a prevalência de quedas e medo de cair em pessoas idosas residentes em domicílio e identificar os fatores associados. | Estudo transversal com 400 pessoas idosas usuárias de uma Unidade Básica de Saúde em São Paulo, Brasil. Dados sociodemográficos, clínicos, cognitivos e funcionais foram coletados. | O presente estudo revelou alta prevalência de quedas e medo de cair entre os participantes do estudo, destacando a interação complexa entre fatores modificáveis ou não. |
Fonte: Elaborado pelos autores, 2025.
5 DISCUSSÃO
A análise dos estudos evidencia de forma consistente que a fisioterapia é uma ferramenta essencial na prevenção de quedas em idosos, consolidando-se como parte indispensável das estratégias de promoção da saúde, autonomia e qualidade de vida. O envelhecimento populacional, associado às transformações fisiológicas decorrentes da idade, tem ampliado significativamente a incidência de quedas, que se configuram como um importante problema de saúde pública, com elevado impacto físico, psicológico e econômico (Novaes et al., 2023). Nesse sentido, a fisioterapia surge como um instrumento não apenas de reabilitação, mas também de prevenção e educação em saúde, assumindo um papel multidimensional na atenção integral ao idoso. A fisioterapia não apenas reduz quedas, mas promove reorganização motora, autoconfiança e participação social.
Segundo Paiva; et al. (2021), as quedas representam um desafio para as políticas públicas, exigindo a atuação integrada entre os profissionais da saúde e os gestores, de modo que as ações preventivas sejam incorporadas de forma sistemática na atenção básica. A inserção da fisioterapia nesse contexto possibilita a implementação de programas de treinamento funcional, fortalecimento muscular, reeducação postural e reabilitação do equilíbrio, que reduzem a vulnerabilidade física e funcional. Essa abordagem não se limita à intervenção individual, mas também atua de forma educativa, capacitando o idoso para reconhecer e minimizar riscos ambientais e comportamentais.
Em consonância, Taguchi; et al. (2022) destacam que a fragilidade física é um marcador precoce de risco para quedas e está associada à perda progressiva de força, velocidade de marcha e resistência. A fisioterapia, ao atuar de forma preventiva, contribui diretamente para interromper ou retardar esse ciclo de declínio funcional, promovendo ganhos na estabilidade e na mobilidade. Além disso, a atuação fisioterapêutica incentiva a participação social e reduz o isolamento, um fator frequentemente negligenciado, mas que influencia significativamente a autoconfiança e a motivação dos idosos.
O medo de cair, segundo Pereira; et al. (2023), é uma das principais barreiras à manutenção da funcionalidade, pois gera limitação nas atividades cotidianas e leva à restrição da mobilidade. A fisioterapia, nesse cenário, atua com uma abordagem biopsicossocial, integrando exercícios físicos e estratégias cognitivas para restaurar a segurança e o equilíbrio emocional do idoso. Parry et al. (2016) demonstraram que programas que combinam treinamento físico com intervenções cognitivas comportamentais resultam em melhora da autoconfiança, redução do medo de cair e aumento da participação em atividades sociais — elementos fundamentais para o envelhecimento ativo.
Estudos internacionais reforçam essa perspectiva multifatorial. Sherrington; et al. (2017) e Sadaqa; et al. (2023), em revisões sistemáticas, evidenciam que programas regulares de exercício, especialmente aqueles com ênfase em força e equilíbrio, reduzem significativamente a taxa de quedas e melhoram o desempenho funcional. Os autores salientam que a eficácia depende da adesão contínua, da intensidade adequada dos exercícios e da supervisão profissional, reforçando a importância da presença do fisioterapeuta como mediador do processo. Isso demonstra que a fisioterapia não apenas previne quedas, mas também promove reorganização motora e reeducação corporal, fundamentais para a manutenção da independência funcional.
Do ponto de vista fisiológico, o envelhecimento natural acarreta alterações que comprometem o controle postural, como a sarcopenia, a perda de densidade óssea, a lentificação dos reflexos e o declínio da propriocepção (McCormick; et al., 2018). Essas mudanças aumentam o risco de quedas e de fraturas, especialmente em mulheres pós-menopausa. Nesse sentido, a fisioterapia, por meio de exercícios resistidos e funcionais, atua de forma preventiva e terapêutica, promovendo o fortalecimento muscular, a melhoria da flexibilidade e a reabilitação sensório-motora. Massini; et al. (2022) reforçam que o treinamento resistido, quando supervisionado, não apenas melhora a força e a mobilidade, mas também preserva a densidade mineral óssea, o que reduz complicações graves decorrentes das quedas, como fraturas de fêmur e punho.
Luzia; et al. (2021) destacam ainda o papel da fisioterapia no contexto domiciliar, considerando que a maioria das quedas ocorre dentro de casa. O fisioterapeuta, ao orientar sobre adequações ambientais — como iluminação adequada, remoção de tapetes soltos, barras de apoio e calçados apropriados —, atua diretamente na modificação de fatores extrínsecos, complementando as intervenções voltadas aos fatores intrínsecos. Essa visão ampliada da prática fisioterapêutica fortalece o conceito de cuidado integral, que considera não apenas a condição física do idoso, mas também o ambiente em que ele vive e as suas interações cotidianas.
A abordagem preventiva da fisioterapia, portanto, deve ser compreendida dentro de um modelo de atenção integral à saúde do idoso, que inclua ações de promoção, prevenção e reabilitação. Programas como o Programa de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI) e as Políticas de Envelhecimento Ativo incentivam a integração da fisioterapia aos serviços públicos, mas ainda enfrentam desafios quanto à cobertura e à adesão dos idosos. Paiva; et al. (2021) destacam que, embora existam diretrizes, a efetividade das ações depende da articulação intersetorial e da formação continuada dos profissionais, para garantir práticas baseadas em evidências e culturalmente adequadas às realidades locais.
Além dos ganhos físicos, a fisioterapia também contribui para o bem-estar psicológico e social. A interação com o profissional e com o grupo de participantes favorece o sentimento de pertencimento, reduz a solidão e promove a autoconfiança (Parry; et al., 2016). Intervenções coletivas, especialmente em grupos de convivência, ampliam o impacto positivo das práticas fisioterapêuticas, fortalecendo a autoestima e o senso de utilidade social dos idosos. Nesse contexto, o fisioterapeuta atua como educador, motivador e mediador de vínculos, consolidando o caráter humanizado da atenção à saúde. No sistema de saúde brasileiro, esta constitui-se um problema de saúde crescente, muitas vezes com uma identificação deficitária, caracterizando-se um desafio para o modelo de atenção à saúde vigente (Oliveira; et al., 2021).
Por fim, é importante destacar que a fisioterapia não deve ser vista apenas como uma intervenção clínica isolada, mas como parte integrante de uma rede interdisciplinar, que envolve médicos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, educadores físicos e assistentes sociais. Essa integração potencializa os resultados e garante uma abordagem mais ampla das necessidades do idoso, contribuindo para um envelhecimento mais saudável, seguro e participativo. Assim, conclui-se que a fisioterapia desempenha papel essencial na prevenção de quedas, na preservação da funcionalidade e na promoção da qualidade de vida, sendo indispensável para o fortalecimento das políticas públicas voltadas à população idosa.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo atingiu seus objetivos ao evidenciar que a fisioterapia desempenha papel determinante na prevenção de quedas em idosos, contribuindo diretamente para a manutenção da autonomia, da funcionalidade e da qualidade de vida. Ao atuar preventivamente, o fisioterapeuta identifica fatores de risco, corrige déficits posturais e promovem o fortalecimento muscular e o equilíbrio, aspectos fundamentais para reduzir a vulnerabilidade física e garantir maior segurança nas atividades cotidianas.
A pesquisa permitiu compreender que a prevenção é o caminho mais eficaz e sustentável diante do processo natural de envelhecimento. A fisioterapia preventiva, por meio de programas individualizados de exercícios e orientações, favorece não apenas o bem-estar físico, mas também o emocional e o social, reduzindo o medo de cair e estimulando a autoconfiança. Entre os exercícios mais indicados destacam-se o treinamento resistido com pesos leves ou elásticos, voltado para o fortalecimento dos membros inferiores; os exercícios de equilíbrio e propriocepção, como o treino em bases instáveis, marcha sobre diferentes superfícies e posturas unipodais; as atividades funcionais, que simulam movimentos do dia a dia (sentar e levantar, subir degraus, transferências); e as práticas corporais integrativas, como Pilates e hidroginástica, que contribuem para o controle postural, a coordenação e a flexibilidade. A combinação dessas modalidades potencializa os efeitos preventivos e amplia a segurança motora do idoso.
Outro aspecto relevante identificado refere-se aos avanços tecnológicos aplicados à fisioterapia. O uso de plataformas de realidade virtual, sensores de movimento, sistemas de biofeedback e aplicativos de monitoramento remoto têm ampliado as possibilidades terapêuticas, permitindo avaliações mais precisas e intervenções personalizadas. Essas inovações fortalecem a autonomia do idoso e aperfeiçoam os resultados clínicos, consolidando um novo paradigma de cuidado preventivo e digitalmente assistidos.
Observa-se que os autores analisados dialogam entre si e chegam a um consenso quanto aos principais fatores relacionados à prevenção de quedas, reconhecendo a eficácia da fisioterapia preventiva como instrumento essencial para promover equilíbrio, força e funcionalidade. Tal convergência de resultados reforça a validade científica dos achados e a relevância do papel do fisioterapeuta no contexto do envelhecimento ativo e saudável.
Conclui-se, portanto, que investir em fisioterapia preventiva é investir em um envelhecimento seguro e com qualidade. A atuação fisioterapêutica, quando integrada a políticas públicas e a programas comunitários, torna-se um instrumento essencial para reduzir quedas, minimizar impactos socioeconômicos e promover uma velhice ativa e digna. Dessa forma, a fisioterapia reafirma seu papel estratégico na construção de uma sociedade que valoriza o cuidado, a independência e o respeito à pessoa idosa.
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1Discente do Curso Superior de Fisioterapia Instituto UNIPLAN Campus Bragança/PA. E-mail:fisioamandha@outlook.com
2Discente do Curso Superior de Fisioterapia Instituto UNIPLAN Campus Bragança/PA. E-mail: elivandafernandes26@gmail.com
3Discente do Curso Superior de Fisioterapia Instituto UNIPLAN Campus Bragança/PA. E-mail: oelizandra18@gmail.com
4Discente do Curso Superior de Fisioterapia Instituto UNIPLAN Campus Bragança/PA. E-mail: italopedromaia@gmail.com
5Docente do curso Superior de Fisioterapia Instituto UNIPLAN Campus Bragança-PA. E-mail: fisiowellinton@gmail.com
