ACESSO À SAÚDE NA AMAZÔNIA OCIDENTAL: PERSPECTIVAS NA ÓTICA BIOMÉDICA  

ACCESS TO HEALTH IN WESTERN AMAZONIA: PERSPECTIVES FROM A BIOMEDICAL PERSPECTIVE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202510312255


Adagilza Beatriz Bispo da Silva*1 
Lohana Christine Nogueira Queiroz1 
Lya Vandresa Alves Mar1 
Sabrina Azevedo Campelo1 
Gabrielle Sales de Medeiro2 


RESUMO

Objetivo: Analisar, por meio de revisão de literatura, os desafios e as perspectivas relacionadas ao acesso aos serviços de saúde em municípios da Amazônia Ocidental, considerando as particularidades geográficas, socioeconômicas e estruturais da região. Métodos: Trata-se de uma revisão narrativa com elementos sistemáticos, realizada entre 2015 e 2025, com busca de estudos nas bases SciELO, PubMed/MEDLINE e BVS. Foram incluídos artigos em português, inglês e espanhol que abordassem as barreiras e estratégias voltadas à ampliação do acesso à saúde em municípios da Amazônia Ocidental. Resultados: Os resultados apontaram que o acesso aos serviços de saúde permanece limitado por barreiras geográficas, logísticas e socioeconômicas. A escassez e má distribuição de profissionais biomédicos comprometem a vigilância epidemiológica e a execução de políticas públicas. Iniciativas como a interiorização de profissionais, ações comunitárias e o uso de tecnologias digitais mostram-se promissoras para reduzir desigualdades e ampliar a cobertura assistencial. Considerações finais: O fortalecimento do papel do biomédico, aliado à inovação tecnológica e a políticas públicas inclusivas, é essencial para garantir um sistema de saúde mais equitativo e acessível na Amazônia Ocidental. 

Palavras-chave: Amazônia Ocidental. Acesso à Saúde. Profissional Biomédico. Desigualdades Regionais. Políticas Públicas. 

ABSTRACT  

Objective: To analyze, through a literature review, the challenges and perspectives related to access to health services in municipalities in Western Amazonia, considering the region’s geographic, socioeconomic, and structural particularities. Methods: This is a narrative review with systematic elements, conducted between 2015 and 2025, searching for studies in SciELO, PubMed/MEDLINE, and BVS databases. Articles in Portuguese, English, and Spanish that addressed the barriers and strategies aimed at expanding access to health services in municipalities in Western Amazonia were included. Results: The results indicated that access to health services remains limited by geographic, logistical, and socioeconomic barriers. The shortage and poor distribution of biomedical professionals compromise epidemiological surveillance and the implementation of public policies. Initiatives such as the internalization of professionals, community actions, and the use of digital technologies show promise for reducing inequalities and expanding healthcare coverage. Final considerations: Strengthening the role of biomedical professionals, combined with technological innovation and inclusive public policies, is essential to ensuring a more equitable and accessible healthcare system in Western Amazonia. 

Keywords: Western Amazonia. Access to Healthcare. Biomedical Professionals. Regional Inequalities. Public Policies. 

1 INTRODUÇÃO 

O acesso à saúde em regiões remotas, como a Amazônia Ocidental, é um desafio histórico para comunidades locais. Condições geográficas, diversidade cultural e desigualdades sociais limitam o atendimento, refletindo em indicadores de cobertura e qualidade insatisfatórios (Fausto et al., 2022). Entender como essas populações acessam os serviços é crucial para avaliar as fragilidades do sistema e planejar melhorias (Santos et al., 2021). 

As barreiras de acesso não são exclusivas da Amazônia; populações indígenas e rurais globalmente enfrentam problemas semelhantes (Barros et al., 2025). Fatores geográficos, socioeconômicos e culturais interligados dificultam a efetividade da atenção primária e do acompanhamento contínuo. Além disso, elementos estruturais, como a falta de infraestrutura e de profissionais de saúde, agravam o cenário (Westphal, 2015). 

A literatura detalha essa problemática. Sandes et al. (2018) destacaram dificuldades históricas na atenção primária de indígenas sul-americanos, ligadas à distância e falta de sensibilidade cultural. Collins et al. (2019) apontaram barreiras específicas, como desigualdades de gênero e etnia, que afetam o rastreamento do câncer do colo uterino em mulheres no Peru. 

Pesquisas mais recentes propõem a categorização de barreiras em níveis, reforçando a necessidade de sistemas de saúde culturalmente adequados (NGUYEN NH, et al., 2020). Modelos espaciais mostram sua importância para compreender a cobertura em áreas rurais, dialogando com os desafios amazônicos (Verma e Dash, 2020). Outros estudos confirmam que a escassez de recursos limita a assistência, como a saúde materna de indígenas Asháninka (Lazo-Gonzales et al., 2023). 

Os municípios da Amazônia Ocidental apresentam barreiras que comprometem o acesso da população à saúde (Gemaque et al., 2021). Apesar dos avanços em políticas públicas, persistem lacunas importantes em cobertura, qualidade e adequação cultural dos serviços. Isso evidencia a necessidade de investigações aprofundadas sobre os desafios enfrentados por essas comunidades (Almeida et al., 2025). 

Investigar essas lacunas é essencial para delinear perspectivas do acesso aos serviços de saúde na Amazônia Ocidental, focando na visão do profissional biomédico. O entendimento de um problema de saúde pública que afeta populações vulneráveis é fundamental para subsidiar políticas mais adequadas. Para isso, reúne evidências sobre barreiras (como deslocamento e falta de profissionais) e incentiva ações para reduzir desigualdades históricas, garantindo o direito universal à saúde. 

O problema de pesquisa que norteia o estudo é: Quais são os principais entraves que dificultam o acesso aos serviços de saúde na Amazônia Ocidental, considerando as perspectivas do profissional biomédico na região que podem contribuir para a redução das desigualdades? Dessa forma, a análise busca delimitar a produção científica recente, oferecendo subsídios para incitar soluções mais efetivas nesta região. 

Este artigo busca analisar o acesso aos serviços de saúde na Amazônia Ocidental, considerando as perspectivas do profissional biomédico na região. Assim como, as barreiras geográficas, logísticas e socioeconômicas que influenciam o acesso, as dificuldades existentes em relação à integração, valorização e distribuição do profissional biomédico, notadamente na região e as perspectivas de ampliação do acesso, considerando iniciativas governamentais, comunitárias e tecnológicas capazes de reduzir desigualdades. 

2 METODOLOGIA  

Trata-se de uma revisão de literatura, seguiu o protocolo do Joanna Briggs Institute e foi organizada de acordo com as diretrizes do PRISMA-ScR (Preferred Reporting Items for Systematic Review and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews) (Peters et al., 2024).  

A busca foi feita nas bases de dados SciELO, PubMed/MEDLINE e BVS, esta última incluiu a busca por teses e relatórios técnicos. Foram utilizados descritores controlados e não controlados, em português, inglês e espanhol, combinados por operadores booleanos AND e OR, como: “Acesso aos serviços de saúde” OR “Health Services Accessibility”, “Amazônia Ocidental” OR “Western Amazon”, “Municípios do interior” OR “rural municipalities” e “Brasil” AND “Amazonas”. 

Os critérios de inclusão abrangeram estudos publicados entre os últimos cinco anos, e nos idiomas limitados. Incluíram-se artigos originais, teses, dissertações e relatórios técnicos que tratavam especificamente do acesso à saúde nos estados do Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima, descrevendo desafios, barreiras e estratégias de melhoria. Excluíram-se estudos que não pertenciam ao recorte geográfico, publicações sem texto completo, artigos de opinião, editoriais ou pesquisas com foco principal diferente do acesso. 

Os estudos elegíveis foram organizados em uma planilha, registrando: numeração sequencial, autores, ano de publicação e principais achados. Em seguida, foi realizada uma análise qualitativa dos dados para identificar padrões, convergências e lacunas na literatura sobre o acesso à saúde na Amazônia Ocidental.  

Em concordância com a Resolução 510/2016 CEP/CONEP, o estudo é classificado como revisão de literatura, não necessitando de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). Ainda assim, todos os aspectos éticos pertinentes à pesquisa foram considerados. 

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES 

Foram identificados 87 estudos primários por meio de buscas em bases de dados científicas. Após a verificação inicial, 17 registros duplicados foram removidos e 2 registros foram excluídos por outros motivos, totalizando 68 estudos elegíveis para triagem. 

Na etapa de triagem, os títulos e resumos foram avaliados, resultando na exclusão de 42 estudos por não atenderem aos critérios de inclusão estabelecidos. Os 26 estudos restantes foram buscados para recuperação na íntegra, porém 3 não foram obtidos devido à indisponibilidade do texto completo, 23 relatórios foram avaliados quanto à elegibilidade. Entre eles, 13 foram excluídos, sendo 6 por não abordarem o tema de acesso à saúde, 4 por apresentarem foco fora da Amazônia Ocidental e 3 por conterem dados incompletos. 

Ao final do processo de seleção, 10 estudos atenderam a todos os critérios e foram incluídos na revisão para análise e síntese dos resultados. A estratégia completa de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos está apresentada na Figura 1, conforme as recomendações PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses). 

Figura 1 – Identificação de estudos via bases de dados e registros 

Fonte: Elaboração própria, 2025.

As publicações dos estudos analisados ocorreram no período de 2020 a 2025, estando disponíveis predominantemente em português (70%) e inglês (30%). Os artigos foram organizados conforme os seguintes critérios: numeração sequencial, autores, ano de publicação e principais achados relacionados ao acesso à saúde na Amazônia Ocidental, conforme apresentado no Quadro 1. 

Quadro 1 – Síntese dos achados sobre acesso à saúde na Amazônia Ocidental.

Autores (Ano) Principais achados 
MATA et al. (2025) A pesquisa abordou a insegurança hídrica domiciliar na Amazônia Ocidental, evidenciando vulnerabilidades relacionadas à qualidade e disponibilidade da água, com implicações diretas na saúde e bem-estar das populações locais. 
MOURA et al. (2025) O estudo qualitativo analisou a internalização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) na Amazônia Ocidental, destacando processos de educação continuada e vulnerabilidades em saúde em contextos amazônicos. 
NASCIMENTO et al. (2024) A revisão de escopo mapeou a produção científica sobre saúde indígena em contextos urbanos no Brasil, apontando lacunas no acesso e na continuidade dos cuidados a populações indígenas deslocadas. 
QUEIROZ (2023) A pesquisa identificou desafios quanto à qualidade e à confiabilidade dos registros de informação em saúde na Amazônia, ressaltando fragilidades nos sistemas de dados e sua influência no planejamento e execução de políticas públicas. 
BRAGA et al. (2023) O trabalho explorou o acesso ao diagnóstico da tuberculose em município da Amazônia Ocidental sob a ótica dos profissionais de saúde, destacando entraves operacionais e limitações de estrutura nos serviços. 
SILVA et al. (2023) O estudo investigou a acessibilidade e a oferta de cuidado ao hipertenso na atenção primária em município rural remoto do Amazonas, evidenciando barreiras geográficas e limitações na continuidade do cuidado. 
INHUDES et al. (2022) O estudo apresentou diagnóstico detalhado sobre a situação da saúde na Amazônia Legal, destacando desigualdades regionais, desafios de infraestrutura e propondo estratégias de atuação voltadas à melhoria do acesso e da qualidade dos serviços de saúde. 
OLIVEIRA et al. (2022) A pesquisa tratou dos desafios da saúde indígena no DSEI Médio Rio Purus, destacando as dificuldades para a provisão equânime de serviços de saúde em comunidades de difícil acesso. 
SCHWEI-CKARDT et al. (2020) O trabalho discutiu os desafios impostos pela pandemia de COVID-19 ao Sistema Único de Saúde (SUS), com foco nas fragilidades estruturais e na capacidade de resposta do sistema na região amazônica. 
10 TIGUMAN et al. (2022) O estudo analisou a utilização dos serviços de saúde na Amazônia Brasileira por meio de dois inquéritos transversais, apontando desigualdades de acesso entre grupos populacionais e regiões. 
Fonte: Elaboração própria, 2025.

Os resultados evidenciam que o acesso à saúde em municípios da Amazônia Ocidental continua limitado por múltiplos fatores estruturais, geográficos e sociais. A região apresenta características únicas, como extensa cobertura florestal, rios navegáveis como principais vias de transporte e baixa densidade populacional em muitas localidades, que dificultam a prestação de serviços de saúde adequados (Inhudes et al., 2022).  

Nesse sentido, as desigualdades históricas e as deficiências na infraestrutura de saúde da Amazônia Ocidental comprometem o atendimento básico e especializado. Essas limitações impõem grandes desafios ao biomédico, cuja atuação vai além do laboratório, abrangendo logística, vigilância epidemiológica e apoio técnico. Compreender essas barreiras é fundamental para elaborar políticas públicas eficazes e estratégias que respeitem as particularidades regionais, promovendo um sistema de saúde mais acessível e equitativo. 

3.1 Barreiras geográficas, logísticas e socioeconômicas 

A geografia da região amazônica impõe limitações naturais ao acesso aos serviços de saúde. Estudos indicam que comunidades ribeirinhas e isoladas frequentemente dependem de transporte fluvial para deslocamento até unidades de saúde, o que pode levar horas ou até dias, dependendo da localização e das condições climáticas (Silva et al., 2023).  

Além das barreiras físicas, fatores socioeconômicos, como baixa renda, desemprego e insegurança hídrica, restringem a capacidade das famílias de buscar atendimento médico e realizar exames de rotina (Mata et al., 2025). Esses fatores se combinam para reduzir a frequência de consultas, atrasar diagnósticos e prejudicar a continuidade do cuidado, especialmente para doenças crônicas, endêmicas ou emergentes, como tuberculose, hipertensão, COVID-19 e doenças tropicais negligenciadas (Oliveira et al., 2022). 

Os achados dialogam que na Amazônia Ocidental existem contextos de alta vulnerabilidade. Exigindo criatividade e flexibilidade para superar barreiras geográficas e escassez de recursos. É fundamental articular-se com equipes multiprofissionais e comunidades locais para implementar ações de prevenção e monitoramento de doenças. Essa atuação integrada garante a continuidade do cuidado mesmo em áreas remotas visando reduzir desigualdades e ampliar o acesso à saúde na região. 

3.2 Dificuldades em relação à integração, valorização e distribuição do profissional biomédico 

Outro desafio crítico identificado é a escassez e a má distribuição de profissionais biomédicos na região. Muitos municípios da Amazônia Ocidental contam com número insuficiente de biomédicos, concentrando-os em centros urbanos, o que sobrecarrega os profissionais disponíveis e limita a oferta de exames laboratoriais, diagnósticos e monitoramento epidemiológico (Braga et al., 2023).  

A falta de valorização profissional, ausência de incentivos para atuação em áreas remotas e limitações na infraestrutura dos laboratórios dificultam a implementação de protocolos padronizados e a execução de campanhas de saúde preventiva. Essa realidade impacta diretamente a capacidade do biomédico de contribuir para o acesso equitativo à saúde, já que a integração com equipes multiprofissionais, planejamento de rotas de atendimento e supervisão de processos laboratoriais tornam-se complexos em ambientes de difícil acesso (Tiguman et al., 2022). 

As evidências indicam que a limitada presença de biomédicos na Amazônia Ocidental compromete a vigilância epidemiológica, dificultando a coleta e análise de dados laboratoriais isso reduz a capacidade de detecção precoce de surtos e atraso de medidas preventivas. A escassez desses profissionais também prejudica o acompanhamento de indicadores de saúde, fundamentais para decisões em políticas públicas. Dessa forma, sua atuação visa fortalecer o sistema de saúde regional. 

3.3 Perspectivas de ampliação do acesso à saúde 

Apesar das barreiras identificadas, há oportunidades promissoras para ampliar o acesso à saúde na Amazônia Ocidental. Políticas governamentais de incentivo à interiorização de profissionais de saúde, incluindo biomédicos, têm potencial para reduzir desigualdades regionais e melhorar a cobertura de serviços básicos e especializados (Nascimento et al., 2024).  

Iniciativas comunitárias, como programas de educação em saúde e capacitação de agentes comunitários, também contribuem para aumentar o conhecimento sobre prevenção e promoção da saúde, reduzindo a dependência de deslocamentos longos e integrando a população local ao sistema de cuidados. Além disso, o uso de tecnologias, incluindo telemedicina, laboratórios móveis e sistemas eletrônicos de informação em saúde, apresenta grande potencial para superar barreiras geográficas, otimizar o planejamento dos serviços e apoiar o trabalho do biomédico mesmo em locais remotos (Queiroz 2023; Schweickardt et al., 2020).  

Em síntese, as pesquisas relatam que o acesso à saúde na Amazônia Ocidental enfrenta barreiras geográficas, logísticas e socioeconômicas, além de limitações na atuação do biomédico e na infraestrutura dos serviços. Estratégias integradas, incluindo políticas públicas, valorização profissional, ações comunitárias e tecnologias, podem reduzir desigualdades. O fortalecimento do biomédico, aliado a soluções inovadoras, pode superar desafios históricos e garantir cuidado integral à população amazônica. 

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O estudo alcançou seus objetivos ao identificar os principais entraves que dificultam o acesso aos serviços de saúde na Amazônia Ocidental sob a perspectiva do profissional biomédico. Verificou-se que barreiras geográficas, logísticas e socioeconômicas ainda comprometem a universalidade e a integralidade da atenção, confirmando que a falta de infraestrutura e de profissionais qualificados afeta diretamente a qualidade e a continuidade do cuidado nas comunidades ribeirinhas e indígenas. 

Constatou-se que, embora haja avanços em políticas públicas e iniciativas locais, persistem desafios quanto à distribuição equitativa de recursos humanos e materiais. O biomédico desempenha papel essencial na vigilância epidemiológica, na prevenção de doenças e na ampliação do diagnóstico laboratorial, sendo sua valorização e integração fundamentais para o fortalecimento do sistema de saúde regional. 

A pesquisa reforça a importância de políticas voltadas à interiorização e valorização dos biomédicos, além do uso de tecnologias como telemedicina e laboratórios móveis, capazes de reduzir barreiras e otimizar o atendimento. Essas estratégias podem ampliar a cobertura e a resolutividade da atenção primária na região. 

Como limitação, observou-se a escassez de estudos empíricos recentes sobre a atuação do biomédico na Amazônia Ocidental. Sugere-se que pesquisas futuras adotem métodos mistos e ampliem o recorte geográfico para avaliar a efetividade das políticas e inovações tecnológicas aplicadas à saúde amazônica. 

Em síntese, o estudo evidencia que o acesso à saúde na Amazônia Ocidental é um desafio multidimensional que exige integração entre políticas públicas, infraestrutura adequada e valorização profissional, a fim de reduzir desigualdades e garantir o direito universal à saúde. 

REFERÊNCIAS 

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1Discente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário do Norte (Uninorte), Manaus – AM.
*E-mail: adagilzasilva.1865@gmail.com

2Docente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário do Norte (Uninorte), Manaus – AM.
*E-mail: gabiomedicam@gmail.com