ABORDAGENS FISIOTERAPÊUTICAS NO ALÍVIO DA DOR DURANTE O  TRABALHO DE PARTO: REVISÃO DE LITERATURA

PHYSIOTHERAPEUTIC APPROACHES FOR PAIN RELIEF DURING LABOR: A LITERATURE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202511080002


Juliane Miguel de Paula¹
Linda Hellyka da Silva Campos1
Manoel Cardoso Damasceno1
Vanessa Silva da Costa Lira1
Thaiana Bezerra Duarte²


Resumo

Introdução: A dor do parto é um processo fisiológico complexo, influenciado por aspectos físicos, emocionais e socioculturais, que pode gerar desconforto significativo e afetar a percepção da gestante sobre o processo. Nesse contexto, a fisioterapia obstétrica vem se destacando por oferecer intervenções não medicamentosas que reduzem a dor, auxiliam na evolução do parto e contribuem para um cuidado mais humanizado. Objetivo: Sintetizar as estratégias fisioterapêuticas utilizadas na redução da dor durante o trabalho de parto. Materiais e método: Este estudo trata-se de uma revisão de literatura com abordagem integrativa, a coleta de dados foi conduzida no período de agosto e setembro de 2025, por estratégia de buscas sistematizadas nas bases PUBMED, SciELO e LILACS. Resultados: Foram analisados 10 estudos que investigaram diferentes intervenções fisioterapêuticas para gestantes em trabalho de parto, incluindo massagem manual mecânica, estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS), banho quente, uso da bola obstétrica, postura e exercícios de respiração. As técnicas demonstraram contribuição significativa na diminuição da dor, melhora do bem-estar materno e redução do tempo da fase ativa do parto, em comparação aos grupos controle ou ao uso isolado de métodos farmacológicos. Conclusão: A fisioterapia obstétrica contribui de forma decisiva para a humanização do parto, ao proporcionar técnicas seguras, não invasivas e eficientes voltadas ao controle da dor em parturientes.

Palavras-chave: Trabalho de Parto. Fisioterapia. Terapia não Farmacológica. Dor. Abordagens Fisioterapêuticas.

Abstract

Introduction: Labor pain is a complex physiological process influenced by physical, emotional, and sociocultural aspects, which can cause significant discomfort and affect the pregnant woman’s perception of the process. In this context, obstetric physiotherapy has been gaining prominence for offering non-pharmacological interventions that reduce pain, assist in the progression of labor, and contribute to more humanized care. Objective: To synthesize the physiotherapeutic strategies used to reduce pain during labor. Materials and methods: This study is a literature review with an integrative approach. Data collection was conducted in August and September 2025, using a systematic search strategy in the PUBMED, SciELO, and LILACS databases. Results: Ten studies were analyzed that investigated different physiotherapeutic interventions for pregnant women in labor, including manual mechanical massage, transcutaneous electrical nerve stimulation (TENS), hot baths, use of an obstetric ball, posture, and breathing exercises. The techniques demonstrated a significant contribution to pain reduction, improved maternal well-being, and reduced active labor time, compared to control groups or the isolated use of pharmacological methods. Conclusion: Obstetric physiotherapy contributes decisively to the humanization of childbirth by providing safe, non-invasive, and efficient techniques aimed at pain control in parturients.

Keywords: Labor. Physiotherapy. Non-Pharmacological Therapy. Pain. Physiotherapy Approaches.

1 INTRODUÇÃO

A dor vivenciada durante o trabalho de parto representa um fenômeno fisiológico natural, resultante da contração uterina, dilatação cervical e progressão fetal, modulada por aspectos emocionais, cognitivos, culturais e ambientais. Apesar de sua previsibilidade dentro do processo de parturição, a dor intensa pode interferir na progressão do parto, no bem-estar materno e na experiência subjetiva da gestante, exigindo uma abordagem multiprofissional e individualizada para o seu manejo do alívio da dor (Afonso et al., 2019).

Nos últimos anos, a fisioterapia busca por estratégias que respeitem o protagonismo da parturiente e minimizem os efeitos adversos de métodos farmacológicos invasivos, que têm impulsionado o reconhecimento de práticas baseadas em evidências no campo da assistência obstétrica. A fisioterapia, enquadrada no contexto hospitalar e ambulatorial, contribui de forma significativa para a promoção da analgesia não farmacológica, empregando recursos de técnicas como deambulação, posturas facilitadoras, técnicas de respiração, eletroterapia, massoterapia e relaxamento (Nunes; Moreira; Vial, 2015). 

A aplicação dessas técnicas favorece não apenas o alívio da dor, mas também a mobilidade materna, o alinhamento postural do feto, a oxigenação tecidual e a progressão fisiológica do trabalho de parto. Além disso, ao permitir que a gestante atue ativamente no processo de parto, essas intervenções fortalecem a autonomia, reduzem a ansiedade e promovem uma experiência mais segura e positiva (Barbosa Davim et al., 2009).    

Apesar da ampla descrição desses benefícios na literatura e no campo da obstetrícia, ainda há lacunas de reconhecimento de implementações, quanto à padronização das intervenções fisioterapêuticas no parto e sua aplicabilidade em diferentes contextos clínicos. A escassez de protocolos bem definidos e a limitada presença do fisioterapeuta nas equipes obstétricas revelam a necessidade de fortalecer a produção científica sobre a eficácia dessas abordagens na assistência e o desfecho voltado ao cuidado integral da mulher (Sousa, 2020). 

Diante desse panorama, este estudo teve como objetivo geral sintetizar as estratégias fisioterapêuticas utilizadas na redução da dor durante o trabalho de parto. Nos seus objetivos secundários, trabalhou-se para identificar quais os principais recursos empregados, avaliar e identificar os benefícios adicionais relacionados ao bem-estar para garantir a autonomia da gestante, e discutir a contribuição da fisioterapia para a redução das intervenções médicas desnecessárias.

2 MATERIAIS E MÉTODOS

Este estudo trata-se de uma revisão de literatura com abordagem integrativa, fundamentada na seleção de estudos científicos que sintetizam e analisam a eficácia das intervenções fisioterapêuticas no manejo da dor durante o trabalho de parto. A coleta de dados foi conduzida no período de agosto e setembro de 2025, por estratégia de buscas sistematizadas nas bases PUBMED, SciELO (Scientific Electronic Library Online), LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde).  Utilizaram-se os descritores como filtro de idiomas em português e inglês, combinados com os operadores booleanos AND e OR, abrangendo os termos: “trabalho de parto”, AND “dor”, AND “fisioterapia”, “OR “abordagens fisioterapêuticas”, OR “terapia não farmacológica”. Em inglês, utilizaram-se os descritores: “labor”, AND “pain”, AND “physical therapy, OR physiotherapeutic approaches” OR “nonpharmacological therapy”.

Tiveram como estabelecidos nesses critérios de inclusão estudos randomizados e estudo de intervenção, que abordaram e aplicaram as técnicas fisioterapêuticas com ênfase no alívio da dor durante o trabalho de parto, com estudos publicados entre os anos de 2009 e 2025, revisados por pares e com disponibilidade de acesso ao texto completo na íntegra, que seguia o objetivo do estudo. Como mecanismo de exclusão os estudos duplicados, indisponíveis na íntegra, como aqueles publicados em idiomas diferentes do português e do inglês. A análise dos artigos selecionados foi conduzida de forma crítica e organizada por categorias temáticas, conforme a natureza das intervenções, os desfechos clínicos avaliados nos estudos quanto à eficácia das técnicas empregadas.   

As análises dos dados obtidos permitiram identificar a relevância das abordagens fisioterapêuticas mais utilizadas, com ênfase nos efeitos de dor e na evolução do trabalho de parto e os impactos subjetivos na experiência das gestantes. Tem como síntese dos achados o foco de contribuir para a consolidação do conhecimento com relevância no fortalecimento na área prática clínica baseada no campo da fisioterapia obstétrica no estágio da gravidez da parturiente com evidência científica.

O processo de seleção das pesquisas ocorreu em três etapas: primeiramente, foram triados os títulos, descartando aqueles que não atendiam aos critérios de exclusão; em seguida, os resumos foram avaliados, eliminando duplicações e estudos irrelevantes; finalmente, os artigos potencialmente elegíveis foram lidos integralmente, avaliando-se sua conformidade com os critérios de inclusão e exclusão e a sua pertinência para a pesquisa. Todos os procedimentos foram realizados por dois revisores independentes, sendo que divergências foram resolvidas por consenso, garantindo maior confiabilidade no processo de seleção.

3 RESULTADOS 

Foram inicialmente identificados 222 estudos nas bases de dados PubMed (n=98), SciELO (n=72) e LILACS (n=44). Após a remoção de 32 duplicados, restaram 190 artigos para leitura de títulos e resumos. Destes, 135 foram excluídos por não atenderem aos critérios de elegibilidade, 72 não continham os descritores selecionados, 63 estavam indisponíveis na íntegra, resultando em 55 estudos para leitura na íntegra, entre os quais, 12 materiais apresentavam idiomas diferentes do português e inglês, 22 por não terem nenhuma intervenção fisioterapêutica e 11 não demonstraram desfechos relacionados à dor, resultando em 45 artigos excluídos. Após, 10 estudos foram incluídos na amostra final da revisão, conforme figura 1.

Figura 1-Etapas de busca e seleção de artigos em uma revisão integrativa

Fonte: Autores (2025).

Após a definição da metodologia e a busca realizada no banco de dados, foi possível realizar o recrutamento. Fez-se necessário aplicar os filtros dos critérios de inclusão e exclusão. Esses dez artigos estão descritos a partir do autor, objetivo, tipo de estudo, metodologia e resultados na tabela 1.

Tabela 1 – Síntese dos estudos incluídos na revisão.

AUTOR/ANOTIPO DE ESTUDOOBJETIVOMETODOLOGIARESULTADOS
Sade, G.; Özkan, H. 2025Ensaio clínico randomizadoAvaliar massagem mecânica na dor e duração do parto.RCT com primíparas, comparação massagem vs. controle da dor com recursos terapêuticos da eletroterapia em comparação a três grupos de pessoas.Massagem mecânica reduziu dor e melhorou alguns desfechos de trabalho de parto vs. controle.
Jha, S.; et al. 2023Ensaio clínico / Estudo qualitativoAvaliar exercícios com bola em primíparas.Dois blocos de 20 minutos de exercícios na fase ativa (> 4 cm); comparação com cuidado padrão.Grupo intervenção teve menor dor, maior dilatação e menor duração do TP; melhores escores de APGAR e menos admissões em UTI neonatal.
Mylod, D. C. M.; et al. 2024Ensaio clínico randomizadoVerificar bola na fase latente (em casa) na dor de admissão.RCT multicêntrico; uso domiciliar de bola antes da admissão.Uso da bola na fase latente reduziu a dor autorreferida na admissão hospitalar.
Dikmen, H. A.; et al. 2024Ensaio clínico randomizadoTestar peanut ball na dor/fadiga.Randomizado: comparação com cuidado usual.Peanut ball reduziu dor e fadiga, sem alterar significativamente a duração; melhor percepção da experiência de parto.
Santana, L. S.; et al. 2022Ensaio clínico randomizadoAvaliar a efetividade de um protocolo não farmacológico de assistência ao parto em mulheres em fase ativa do trabalho de parto na melhoria dos resultados obstétricos e perinatais.Participaram 80 primigestas de baixo risco. Grupo experimental recebeu 4 intervenções: deambulação a 4–6 cm de dilatação, alternância de posturas, TENS a 6–7 cm e banho de chuveiro quente > 7 cm.Redução da dor, adiamento do uso de analgesia farmacológica, redução do período da fase ativa, baixa recorrência de distocia.
Sade, G.; Ozkan, H. 2025Ensaio controlado e clínico randomizadoVerificar os efeitos da massagem mecânica sobre dor, duração do trabalho de parto e satisfação materna.Estudo clínico randomizado conduzido com 154 parturientes primíparas.Massagem mecânica com almofada mecânica (tipo dispositivo de massagem), nas fases ativa e de transição do trabalho de parto.
Saedi, N.; et al. 2023Ensaio clínico / Estudo controladoComparar o efeito da estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) com a injeção de petidina e prometazina na redução da dor do parto.Mensuração por EVA e parâmetros de parto; TENS (protocolado) introduzido no estágio ativo.Diminuição de pelo menos 2 pontos na EVA, sem alterações consideráveis.
Rashtchi, V.; Maryami, N.; Molaei, B. 2022Ensaio clínico randomizadoComparar o Entonox e a estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) na dor do parto na cidade de Zanjan, Irã.Realizado em 120 mulheres grávidas em Zanjan (Irã). RCT comparando duas técnicas analgésicas não farmacológicas.Efeitos consideráveis na redução da dor; TENS apresentou-se como técnica válida.
Njogu, A.; et al. 2021Estudo controlado randomizado simples-cegoEfeito do TENS sobre dor e duração do trabalho de parto.RCT com alocação em grupos; dor mensurada por EVA; TENS introduzido durante trabalho de parto ativo.Diminuição da intensidade da dor e redução do tempo da fase ativa em comparação ao controle.
Borba, E. O.; et al. 2021Ensaio clínico randomizadoVerificar a percepção da puérpera frente à assistência fisioterapêutica recebida durante o trabalho de parto.Assistência fisioterapêutica após entrada no centro obstétrico: exercícios de mobilidade pélvica, posturas verticalizadas, entre outros.A assistência fisioterapêutica auxilia na redução da dor e da ansiedade, promove suporte emocional e relaxamento.
Fonte:  Autores (2025).


O presente estudo contemplou dez materiais publicados entre 2021 e 2025, sendo todos ensaios clínicos randomizados ou controlados, com delineamento metodológico robusto voltado para avaliação da eficácia das intervenções fisioterapêuticas no manejo da dor durante o parto. As pesquisas foram conduzidas em diferentes contextos hospitalares e acadêmicos, com amostras predominantemente formadas por mulheres primíparas de baixo risco obstétrico, em fase ativa ou latente do trabalho de parto. As intervenções mais analisadas foram massagem mecânica, uso de bola terapêutica (tradicional e tipo peanut ball), deambulação, estimulação elétrica nervosa, banho quente e transcutânea (TENS). De forma geral, todos os estudos relataram redução significativa da dor, diminuição do uso de analgesia farmacológica e melhor satisfação materna com menor necessidade farmacológica.

A amostra total estimada entre os estudos foi de aproximadamente 950 participantes, em 10 pesquisas analisadas, então a média de participantes por estudo é de 95. A idade média das participantes variou entre 18 e 35 anos, faixa considerada ideal para a gestação. De modo consciente, as pesquisas indicam que as intervenções fisioterapêuticas não farmacológicas são seguras, acessíveis e eficazes no manejo da dor e na promoção do conforto da parturiente, promovendo redução da ansiedade e melhor vivência do parto.

4 DISCUSSÃO

A temática teve como finalidade sintetizar as estratégias fisioterapêuticas utilizadas na redução da dor em parturientes durante o trabalho de parto, evidenciando a variedade de recursos empregados, os efeitos sobre a vivência materna e os benefícios complementares relacionados à autonomia e ao bem-estar das gestantes. Foram incluídos dez estudos clínicos e controlados, totalizando uma amostra aproximada de 950 gestantes, o que corresponde a uma média de 95 gestantes por pesquisa. De modo abrangente, as pesquisas avaliadas revelaram achados positivos e convergentes, evidenciando a eficácia das técnicas fisioterápicas não farmacológicas na humanização do parto e com menor percepção dolorosa.

A pesquisa conduzida por Sade e Özkan (2025) sobressaiu-se por investigar a utilização da massagem mecânica como intervenção de suporte ao trabalho de parto. Conduzido com 154 mulheres gestantes primíparas, demonstrou que a aplicação da massagem nas fases ativa e de transição resultou em redução do tempo de trabalho e aumento da satisfação materna com o processo. 

Os autores apontam que a massagem influencia os processos fisiológicos relacionados à dor, estimulando os receptores táteis e favorecendo o relaxamento muscular, o que auxilia na redução da ansiedade e na otimização da oxigenação tecidual. Esses resultados evidenciam a importância do toque terapêutico e das técnicas manuais como recursos fundamentais na fisioterapia obstétrica. 

De forma complementar, Jha et al. (2023) investigaram os efeitos dos exercícios com bola durante o trabalho de parto ativo, em duas sessões de vinte minutos. As gestantes do grupo de intervenção apresentaram diminuição considerável da dor, ampliação da dilatação cervical e encurtamento da fase ativa do parto em relação ao grupo de controle. 

Nunes et al. (2025), descrevem os benefícios adicionais associados ao bem-estar para garantir a autonomia da gestante, visto que a necessidade de assegurar a equidade aos serviços de saúde, prevenir o aumento de mulheres vulneráveis, ainda reduz os índices de mortalidade materna.

Na temática de Souza et al. (2021), mesmo existindo um avanço significativo nas políticas públicas de saúde materna, como o Programa de Humanização do Pré-Natal e Nascimento, infelizmente às desigualdades no acesso são existentes, na qualidade do atendimento e na adequação ao programa em diferentes regiões do país, o que apresenta a necessidade de um grande aprofundamento a discussão acerca o tema, destacando no contexto da Estratégia de Saúde da Família.

Tomasi et al. (2021), relata que durante as consultas é importante que os especialistas participem orientando e realizando intervenções das técnicas manuais como recursos fundamentais na obstétrica, identificar fatores de risco precocemente, promovendo intervenções importantes que contribuem para a diminuição da mortalidade materna e neonatal. 

Nery, Silva e Oliveira (2021) afirmam que algumas etapas devem ser consideradas por meio do acompanhamento do fisioterapeuta, como técnicas de respiração e controle da ansiedade, com a finalidade de criar um ambiente relaxante. Isso, devido ao momento de parto ser uma experiência profunda de emoções, em que é necessário ofertar cuidados da saúde física e mental à grávida.

De acordo com Araújo et al. (2022), é de fato relevante pontuar que o fisioterapeuta na assistência ao parto usa conceitos, técnicas, métodos que ampliam as abordagens específicas, destinadas a otimizar o processo de trabalho de parto e reduzir a ocorrência de complicações indesejadas. Assim, é fundamental a redução das intervenções médicas desnecessárias. 

Além disso, verificou-se melhora nos escores de Apgar e menor necessidade de internação neonatal, sugerindo que a mobilização ativa e a postural vertical beneficiam a dinâmica fisiológica do parto. O movimento com a bola promove estímulo pélvico, amplia seu diâmetro e auxilia o encaixe fetal, o que pode justificar a redução do tempo de parto e a melhora dos desfechos perinatais. 

Nessa mesma linha, Mylod et al. (2024) investigaram o uso da bola de parto durante a fase latente, ainda no contexto domiciliar. O estudo multicêntrico demonstrou que o uso precoce do recurso diminuiu a dor relatada na admissão hospitalar, melhorou o conforto físico e emocional das parturientes, além de estimular uma percepção mais positiva da experiência do parto. Essa constatação é relevante, pois evidencia que o acompanhamento fisioterapêutico pode começar no contexto familiar antes do parto, fortalecendo a autonomia da gestante e propiciando um início do trabalho de parto mais tranquilo e menos medicalizado.

O estudo de Dikmen et al. (2024) avaliou a utilização de bola terapêutica como recurso para aliviar a dor e a fadiga no trabalho de parto. Observou-se redução da dor e do cansaço, sem alterações significativas na duração do parto, mas com melhora na experiência subjetiva da experiência pelas mulheres. Esse achado ressalta que os efeitos da fisioterapia não se limitam ao alívio da dor, envolvendo dimensões emocionais e psicológicas que contribuem para a satisfação materna e o vínculo com o recém-nascido.

Segundo Santana et al. (2022), o protocolo integrado de fisioterapia obstétrica incluiu deambulação, alternância de posturas, aplicação de TENS e banho quente, compondo um conjunto de estratégias não farmacológicas voltadas à promoção da autonomia da parturiente. Conduzindo 80 primigestas de baixo risco, o ensaio mostrou redução da dor, adiamento da analgesia medicamentosa, menor ocorrência de distocia e propiciou um trabalho de parto mais fisiológico e seguro. 

Na pesquisa de Paula Duarte et al. (2022), a integração de técnicas distintas mostra que a abordagem integrada potencializa os benefícios terapêuticos, destacando a relevância de um planejamento fisioterapêutico individualizado durante o parto. Enfatizando ainda a relevância de intervenções não farmacológicas no manejo da dor, assim como ações complementares que reforçam que a assistência obstétrica promove mais segurança às grávidas.

Nos estudos conduzidos por Saedi et al. (2023) e Rashtchi et al. (2022), a estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) foi comparada a métodos farmacológicos, como petidina, prometazina e Entonox. Ambos relataram diminuição de ao menos dois pontos na Escala Visual Analógica (EVA), com alívio significativo da dor e sem ocorrência de efeitos adversos relevantes. Os resultados também evidenciam que a TENS apresenta-se como uma estratégia eficaz para parturientes que optam por não utilizar analgesia medicamentosa, promovendo a humanização e autonomia reprodutiva. Os materiais indicam que a eletroterapia, ao ser aplicada por profissionais capacitados, pode ser integrada de forma segura à rotina obstétrica.

O trabalho de Njogu et al. (2021) complementa essa perspectiva, ao avaliar os efeitos da TENS durante a fase ativa do parto. O grupo intervenção apresentou redução significativa da dor e do tempo da fase ativa, evidenciando não apenas a eficácia analgésica, mas também o potencial da técnica em otimizar a progressão do parto, possivelmente devido à diminuição do estresse. Os autores indicam que a combinação da padronização da técnica e a personalização dos parâmetros da TENS, são determinantes para o sucesso do método.

Por fim, Borba et al. (2021) realizaram um estudo qualitativo investigando como as puérperas identificavam a assistência fisioterapêutica durante o trabalho de parto. Os relatos indicam redução da dor e da ansiedade, bem como aumento da sensação de controle e segurança. A presença do fisioterapeuta mostrou-se determinante para promover o conforto físico e emocional, reforçando seu papel na humanização da assistência ao parto e na redução de procedimentos obstétricos desnecessários.

Em síntese, os achados revisados indicam convergência teórica e prática: a fisioterapia obstétrica, utilizando massagem, exercícios com bola, deambulação, TENS, imersão em água e posturas verticalizadas, desempenha papel relevante no controle da dor, fortalecimento da autonomia materna e melhora a experiência do parto. Além dos efeitos físicos, destaca-se uma significativa dimensão emocional e psicológica relevante, relacionada à percepção de cuidado, acolhimento e valorização das decisões da mulher.

Ainda, evidenciam que a atuação da fisioterapia durante o trabalho de parto contribui para a redução da dor e da duração do trabalho de parto, como fortalece o protagonismo da gestante e aprimora os desfechos maternos e neonatais, configurando-se como uma prática segura, acessível e relevante para a saúde pública. 

5 CONCLUSÃO

A temática teve como finalidade sintetizar as estratégias fisioterapêuticas utilizadas na redução da dor durante o trabalho de parto. Foi constatado ao longo da revisão que a dor no trabalho de parto é uma das queixas mais recorrentes entre gestantes, podendo sua intensidade ser influenciada por aspectos físicos, emocionais e fisiológicos. 

Nos trabalhos selecionados nessa revisão, verificou-se que a aplicação de recursos como massagem mecânica, exercícios com bola, bola terapêutica, TENS, deambulação, alternância de posturas e banho quente contribuiu para o alívio da dor, redução da duração do parto e a melhoria da experiência materna. Além do alívio da dor, essas práticas promovem maior bemestar, fortalecem a autonomia da gestante e colaboram para um parto mais humanizado.

No tocante à avaliação das estratégias fisioterapêuticas nos estudos selecionados, constatou-se que a fisioterapia contribui significativamente para reduzir a dor e aumentar o conforto físico e emocional das parturientes. Apesar dos efeitos positivos, os estudos apresentaram variação nos protocolos, populações e técnicas, indicando a importância da padronização e investigação clínica.

Conclui-se que a utilização de estratégias fisioterapêuticas durante o trabalho de parto mostra-se promissora, mas ainda requer estudos de intervenção mais profundos que comprovem sua eficácia e subsidiem protocolos específicos e seguros para o controle da dor e à melhoria da experiência do parto.

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¹Discente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE.
²Doutorado em Reabilitação e Desempenho Funcional, Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE e do Curso de Medicina da Afya Faculdade de Ciências Médicas Itacoatiara. Endereço: Av. Joaquim Nabuco, 1365, Centro | Manaus | AM | CEP: 69020-030 | (92) 3212-5000.